Biden pode liberar doses de reforço contra a Covid-19 já em setembro

Joe Biden Joe Biden (Foto: Win McNamee/Getty Images)

(Bloomberg) – O governo dos Estados Unidos planeja oferecer vacinas de reforço contra a Covid-19 já no próximo mês, diante da nova onda de casos no país provocada pela variante delta.

Autoridades do governo Biden finalizam um plano que deverá recomendar vacinas de reforço oito meses depois da aplicação da segunda dose, segundo duas pessoas a par das deliberações que falaram sob anonimato.

O plano ainda não foi finalizado, mas a medida poderia ser anunciada ainda esta semana, disseram.

Se adotado, o plano para as doses de reforço poderia começar já em setembro. A proposta estaria sujeita à autorização da FDA, agência que regula fármacos e alimentos nos EUA, disseram as pessoas.

O plano também diminuiria o ritmo de doações de imunizantes dos EUA a outros países, que até este mês eram feitas com doses excedentes, mas que agora podem ser retidas para servir de reforço. Quase 170 milhões de americanos foram vacinados e, portanto, podem ser elegíveis para doses de reforço nos próximos meses.

As doses de reforço obrigariam Biden a estimular uma campanha de vacinação em declínio, com menos pessoas dispostas a se vacinar.

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O número de casos caiu em todo o país até o fim do segundo trimestre, mas as infecções voltaram a subir com a chegada da variante delta do coronavírus, que se espalhou principalmente entre os não vacinados.

O aumento de casos chegou a estimular um aumento relativamente pequeno das vacinações, com uma média de cerca de 770 mil doses diárias frente a uma média de 500 mil no mês passado.

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O avanço da Covid-19 é mais um ponto do choque de realidade no verão de Biden, que voltou de Camp David na segunda-feira para um pronunciamento sobre o colapso de Cabul e as pressões no Afeganistão.

O desafio duplo ameaça consumir a agenda do presidente dos EUA, enquanto tenta reabrir o país e encaminhar dois projetos de lei importantes para o Congresso.

Autoridades do governo Biden há muito tempo dizem que havia a possibilidade de doses de reforço, mas estas até agora só foram autorizadas para pessoas imunocomprometidas.

Rochelle Walensky, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, disse na semana passada que americanos não deveriam tentar tomar doses de reforço até que fossem elegíveis.

O governo Biden ofereceria uma terceira dose da vacina da Pfizer ou da Moderna, dependendo do imunizante recebido anteriormente, disseram as pessoas. O plano foi divulgado anteriormente pelo New York Times. A grande maioria das pessoas nos EUA foi vacinada com doses da Pfizer ou da Moderna.

As doses de reforço começarão com grupos de alto risco, como trabalhadores da linha de frente e idosos, que foram vacinados primeiro e, portanto, atingiriam a marca de 8 meses mais cedo, disse uma pessoa.

Biden pediu elegibilidade total para todos os adultos até 19 de abril, embora alguns estados tenham antecipado a campanha. Para os que foram vacinados quando toda a população adulta já era elegível, a dose de reforço só seria aplicada em janeiro.

Não está claro qual vacina seria aplicada aos que receberam o imunizante de dose única da Johnson & Johnson; essa vacina só foi autorizada em fevereiro, por isso, se o prazo de oito meses for mantido, essas pessoas não seriam elegíveis para doses de reforço até o fim de outubro, no mínimo.

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O governo está aguardando dados para decidir como proceder no caso da J&J, disseram as pessoas.

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Pfizer tem salto de 59% no lucro líquido no 2º tri; receita com vacinas cresce 640,5%, para US$ 9,2 bi

Vacina contra Covid-19 da Pfizer (REUTERS/Dado Ruvic) Vacina contra Covid-19 da Pfizer (REUTERS/Dado Ruvic)

A farmacêutica americana Pfizer teve lucro líquido de US$ 5,563 bilhões no segundo trimestre deste ano, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira, 28. O resultado é 59% maior do que o ganho de US$ 3,489 bilhões registrado em igual período do ano passado.

Em parceria com a alemã BioNTech, a Pfizer fabricou uma das principais vacinas contra a Covid-19. Com ajustes, o lucro por ação entre abril e junho foi de US$ 1,07, valor acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,97.

A receita da Pfizer, por sua vez, teve crescimento anual de 92% no segundo trimestre, a US$ 18,977 bilhões. Apenas o faturamento com vacinas cresceu 640,5%, a US$ 9,234 bilhões.

Para o ano inteiro, a Pfizer elevou sua previsão de lucro ajustado por ação, de uma faixa de US$ 3,55 a US$ 3,65, no balanço anterior, para um intervalo entre US$ 3,95 e US$ 4,05.

A projeção de receita, por sua vez, aumentou da faixa de US$ 70,5 bilhões a US$ 72,5 bilhões para o intervalo de US$ 78 bilhões a US$ 80 bilhões.

“O segundo trimestre foi notável de várias maneiras. Mais visivelmente, a velocidade e eficiência de nossos esforços com a BioNTech para ajudar a vacinar o mundo contra covid-19 foram sem precedentes, com mais de um bilhão de doses de BNT162b2 sendo entregues globalmente”, afirmou o CEO da Pfizer, Albert Bourla, no comunicado aos acionistas.

Após a divulgação do balanço, a ação da farmacêutica oscilava no pré-mercado de Nova York. Às 8h05 (de Brasília), o papel caía 0,26%, depois de ter operado em alta.

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Com retomada da demanda e vacina contra Covid, lucro da Johnson & Johnson sobe 73% no 2º tri, para US$ 6,27 bi

Frascos rotulados como de vacina contra Covid-19 em frente ao logo da Johnson and Johnson em foto de ilustração 09/02/2021 REUTERS/Dado Ruvic Frascos rotulados como de vacina contra Covid-19 em frente ao logo da Johnson & Johnson em foto de ilustração (REUTERS/Dado Ruvic)

SÃO PAULO – Uma maior demanda por produtos farmacêuticos, de beleza, além de remédios e da vacina contra a Covid-19 contribuíram para um aumento das vendas e do lucro da Johnson & Johnson no segundo trimestre de 2021, informou a companhia nesta quarta-feira (21).

No período, as vendas globais da empresa farmacêutica somaram US$ 23,3 bilhões, um aumento de 27,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. O resultado veio acima do esperado por analistas consultados pela Refinitiv, que previam receita de US$ 22,21 bilhões.

Já o lucro líquido subiu 73,1% na comparação anual, indo para US$ 6,278 bilhões. O lucro ajustado por ação no trimestre foi de US$ 2,48, acima dos US$ 2,27 estimados.

Com as pessoas retomando os cuidados com a saúde e tratamentos que tiveram que ser pausados durante a pandemia, as vendas da divisão de equipamentos médicos da Johnson & Johnson cresceram cerca de 63% nos últimos três meses, para US$ 7 bilhões.

O braço farmacêutico da companhia, por sua vez, reportou crescimento de 17,2%, para US$ 12,6 bilhões. Grande parte foi impulsionada pelo desenvolvimento e venda da vacina de dose única da companhia.

Entre os meses de abril e junho, as vendas globais da vacina Janssen contra a Covid somaram U$ 164 milhões, um aumento em relação aos US$ 100 milhões reportados nos primeiros três meses do ano.

Já na parte de cuidados com a pele e beleza, com marcas como Neutrogena, Band-Aid e Listerine, por exemplo, as vendas tiveram aumento de 13,3% na base anual, para US$ 3,7 bilhões.

Diante da continuidade das campanhas de vacinação contra o coronavírus ao redor do mundo, a Johnson & Johnson elevou suas projeções de ganhos e lucro para 2021. Agora, a companhia estima lucro de US$ 9,50 a US$ 9,60 por ação, ante estimativa anterior de US$ 9,30 a US$ 9,45 por papel.

Além disso, a farmacêutica espera receita entre US$ 92,5 bilhões e US$ 93,3 bilhões, acima do intervalo de US$ 89,3 bilhões a US$ 90,3 bilhões estimado anteriormente.

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Como os diferentes setores da economia brasileira devem se recuperar nos próximos meses (e as lições dos outros países)

(Getty Images)

SÃO PAULO – A primeira metade de 2021, mesmo que não tenha números fechados, foi considerada surpreendentemente positiva para a recuperação da economia do Brasil, ainda que haja muitos desafios para superar a pandemia do coronavírus. Para o segundo semestre, a expectativa é de continuidade da recuperação com a expectativa de aceleração da vacinação, que ainda anda a passos lentos, além do país ser guiado também pela melhora da economia internacional, impulsionando as commodities.

Os últimos dados da economia, com destaque para os números do primeiro trimestre – que subiu 1,2% na comparação com os últimos três meses de 2020 -, levaram diversas casas a revisarem as suas projeções econômicas para cima, com alta de até 5,5% para 2021. A resiliência da economia foi apoiada em juros reais baixos, ampla oferta de crédito, níveis elevados de poupança, recuperação do emprego formal, forte crescimento global e adaptação às medidas de restrição.

Conforme ressaltam os economistas do Bradesco, apesar de indústria, comércio e serviços ainda estarem sujeitos a restrições sanitárias, os números desses setores têm se mostrado melhores do que o esperado. A retomada, apesar das medidas de distanciamento ainda presentes, também tem ocorrido de forma mais célere. A projeção dos economistas do banco é de alta de 5,2% do PIB do Brasil neste ano.

A expectativa é de que a abertura da economia, com o avanço da vacinação, leve a favorecimento sobretudo o setor de serviços, mas a agricultura segue se destacando em 2021, avalia a equipe.

De acordo com os economistas do Bradesco, na agricultura, o balanço global entre oferta e demanda segue muito apertado, mantendo os preços elevados e as margens positivas. A pecuária, por sua vez, segue com grandes pressões de custos de ração. A seca deve reduzir o nível de confinamento nesta entressafra, aumentando a oferta (maior abate) de boi gordo no curto prazo e gerando menor pressão nos preços. Entretanto, o alívio deve ser temporário, uma vez que o número de animais abatidos no final do ano tende a ser menor, levando a novos aumentos de preços.

Já com relação à indústria, ela tem reportado falta de insumos e estoques baixos como limitantes ao crescimento. O nível de estoques ainda está abaixo do padrão, tanto na indústria como no comércio, e algumas anunciaram paralisação por conta da falta de insumos Assim, o setor continuará recompondo estoques nos próximos trimestres. A indústria de bens intermediários tende a seguir se beneficiando, impulsionada pela demanda e pela recomposição de estoques. A produção de madeira, produtos metalúrgicos, celulose, químicos, borracha e plásticos segue em patamar elevado. Tais setores estão com níveis de estoque em baixo patamar. Além disso, a demanda interna segue positiva, apontam os economistas.

Na construção civil, o desempenho tem sido positivo, mas a elevação de custos é um ponto de atenção. A demanda por imóveis residenciais segue aquecida, após a forte queda de estoques em 2020. Já em infraestrutura, a retomada dos leilões traz um cenário positivo à frente, apontam os economistas. Em 2021 o governo federal já realizou a concessão de 29 projetos, sendo 22 aeroportos, 5 portos, uma rodovia e uma ferrovia.  A lista para o ano ainda é grande e algum atraso pode ocorrer. “Mesmo que parte dos leilões fique para 2022 o ano de 2021 será marcado pela retomada das concessões de infraestrutura, com efeitos sobre a economia que se espalham no tempo”, avaliam.

No comércio, a demanda segue especialmente favorável para bens duráveis e materiais de construção. “Veículos, móveis e
eletrônicos e materiais de construção ainda são beneficiados por juros baixos e pela retomada do emprego com carteira assinada, além do acúmulo de poupança no ano passado. O desempenho apenas não é melhor em razão da falta de insumos, algo que a indústria desses bens tem chamado atenção nas últimas sondagens e que mantém os prazos de entregas mais dilatados.

A inflação de alimentos e redução dos programas governamentais, por sua vez, já afetam as vendas em supermercados, assim como a reabertura gradual de restaurantes. Já as vendas de bens semi-duráveis seguem atrasadas no ciclo, mas tendem a acelerar com reabertura da economia. Nesse segmento estão vestuário, calçados e combustíveis. Se não houver retrocessos na imunização ou complicações adicionais vindas da pandemia, as perspectivas para o setor serão encorajadoras, aponta o Bradesco.

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No setor de serviços, a expectativa é de que a reabertura impulsionará os segmentos voltados às famílias e transportes, destacando projeção de recuperação também ao fazer uma análise comparativa com outros países que estão com um processo de vacinação mais avançado, como Reino Unido e Israel, ainda que haja uma retomada de forma diferente dependendo do segmento.

A recuperação do setor continua aquém dos demais setores no Brasil por conta do fraco desempenho da linha de serviços prestados às famílias, uma vez que as medidas de distanciamento social ainda impedem a utilização plena desses serviços, especialmente de alojamento e alimentação. Isso também deve ser atenuado com a continuidade do processo de vacinação no país e a reabertura da economia. Os serviços de tecnologia da informação são o destaque positivo até o momento, enquanto os de armazenamento e logística também estão sendo favorecidos, com maior demanda do comércio eletrônico, apesar dos serviços de transportes estarem mais fragilizados por conta do transporte aéreo.

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Os serviços de saúde seguem se beneficiando da reabertura e do avanço dos beneficiários de planos de saúde. Os procedimentos eletivos foram interrompidos temporariamente durante a 2ª onda de Covid 19 em diversos estados, mas já foram retomados. Além disso, o número de beneficiários de planos de saúde vem se elevando, acompanhando a recuperação do emprego formal.

O setor de educação, por sua vez, está em recuperação, mas a captação de alunos ainda é um desafio, avaliam os economistas. No ensino básico, a demanda tem apresentado alguma melhora e, como consequência, os ajustes das matrículas e as renegociações de parcelas cessaram. No ensino superior, a captura de alunos ainda é um grande desafio, mas a recuperação da atividade e do emprego devem impulsionar o segmento nos próximos trimestres, ainda que de forma gradual, aponta o Bradesco.

Quando as economias pelo mundo devem se recuperar?

O Itaú também aponta que a vacinação está permitindo o controle da pandemia pelo mundo, destacando o desempenho de outros países. Entre as grandes regiões, o controle ocorreu primeiro na China, depois nos EUA, posteriormente na Europa e agora deve avançar em mercados emergentes. Nos EUA, o pico da pandemia foi em janeiro/fevereiro. O contágio começou a recuar com 20% da população vacinada em fevereiro. Agora, com mais de 67% da população vacinada com ao menos uma dose, o número de mortes por Covid está nas mínimas.

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A Europa segue a mesma dinâmica, com dois meses de diferença ante os EUA, e vê recuo consistente da pandemia desde abril, quando a vacinação atingiu pelo menos 20% da população. Na China, a vacinação acelerou somente nos últimos dois meses. Mas o controle da pandemia ocorreu com a eficácia das medidas de contenção do vírus (testagem em massa, rastreamento de contatos e isolamento) no segundo trimestre de 2020.

Já os demais países emergentes devem começar a ver benefícios de sua vacinação no terceiro trimestre de 2021. Países como Brasil possuem um mix diverso de vacinas e estão no limiar dos níveis de vacinação que geraram melhora nos EUA e Europa, aponta o banco. Outros países também devem começar a ter ganhos. A disponibilidade global de oferta de vacinas está subindo e, partir de agora, novas doses serão destinadas principalmente para países emergentes, avalia a equipe de análise econômica, com aproximadamente 6,4 bilhões de doses na segunda metade do ano.

Segundo os economistas Guilherme Martins, Laura Pitta e Matheus Franciscão, todos os países desenvolvidos devem recuperar o nível do PIB de 2019 em 2021, enquanto que, para os emergentes, esse momento varia, podendo ser até a metade de 2022. Entre os desenvolvidos, Austrália e Nova Zelândia tiveram uma recuperação mais rápida, já tendo retornado ao nível pré-Covid nos primeiros três meses deste ano, Estados Unidos e Noruega no segundo trimestre, enquanto Japão, Canadá e demais europeus devem atingi-lo somente no segundo semestre.

Já entre os emergentes, a retomada dos níveis anteriores à crise é bem mais heterogênea: enquanto China, Turquia e Índia já retornaram em 2020, temos outros tais como México, República Tcheca e África do Sul, que devem voltar somente no próximo ano.

Para além do nível do PIB, os países desenvolvidos devem apresentar recuperação completa e retornar à tendência pré-pandemia entre o terceiro trimestre de 2020 e primeiro trimestre de 2022, mas os emergentes podem levar até depois de 2023 para voltarem à tendência. No Brasil, a expectativa é de que o PIB retorne à tendência pré-vírus em 2023 ou depois. Isso vale também para Colômbia e Chile, além dos países emergentes asiáticos cujas economias dependem muito do turismo. Por outro lado, os países emergentes da Europa (Polônia, República Tcheca e Hungria) voltam à tendência pré-pandemia em 2022, uma vez que acompanharam o ritmo de vacinação da Zona do Euro.

Na avaliação dos economistas do Itaú, a severidade da pandemia (medida em termos de óbitos per capita) explica uma pequena parte da diferenciação da recuperação entre países.

Para eles, dois outros fatores explicam melhor o ocorrido. O primeiro deles é a maior velocidade da vacinação, que implica em retorno mais rápido à normalidade econômica.

Já o segundo fator é o tamanho (e espaço) do estímulo fiscal. “Há uma correlação positiva entre a expectativa do PIB ao fim deste ano em relação à tendência com o tamanho do estímulo fiscal, mostrando um efeito positivo dos pacotes adotados, que resultam em menor queda e/ou recuperação mais forte. Porém, nota-se que para um mesmo tamanho de estímulo, o crescimento foi em média, superior nos mercados desenvolvidos que nos emergentes, mostrando que além das quantias dispendidas, o espaço para política fiscal (que se espera ser maior entre os desenvolvidos) tem papel relevante. Estímulos fiscais em economias maduras têm menos impacto sobre condições financeiras, ao passo que, em países emergentes, o aperto das mesmas tende a amortecer, ao menos parcialmente, o efeito das medidas fiscais expansionistas”, apontam.

Caso Brasil e riscos no radar

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Para o Itaú, que projeta alta de 5,5% do PIB do Brasil em 2021, no caso doméstico, o avanço da vacinação deve permitir um retorno à normalidade econômica no quarto trimestre, com a expectativa de que toda a população acima de 18 anos esteja com a primeira dose aplicada em novembro.

“Apesar da dependência da chegada de insumos e imunizantes prontos do exterior, que geram periódicos gargalos de curto prazo, há cerca de 600 milhões de vacinas compradas com previsão de entrega até o fim do ano, frente a uma população acima de 18 anos de 158 milhões de pessoas”.

O principal risco adiante é o surgimento de variantes do vírus que afetem a eficácia das vacinas aqui aplicadas. Entretanto, a disponibilidade de vacinas no segundo semestre será mais diversificada, com tecnologias diversas e com indicações iniciais de que as mesmas podem se adaptar a novas variantes.

Ainda do lado dos riscos, para 2021 os economistas ainda avaliam possíveis restrições na oferta de energia elétrica por conta da crise hídrica como entrave à evolução da atividade.

Com relação à crise hídrica, o Bradesco vê ainda como baixo o risco de racionamento, chance que pode aumentar em 2022 caso as condições hidrológicas permaneçam desafiadoras em 2022. Em estudo, a XP apontou chance de apenas 3% de racionamento nos próximos doze meses.

Os economistas do Bradesco ressaltam ainda que mesmo em um cenário hidrológico menos agudo, há um potencial impacto baixista sobre a atividade econômica. Em comparação às demais fontes de energia, as usinas termelétricas contribuem com menor valor agregado à produção e, assim, seu mero acionamento impacta negativamente o componente “Produção e distribuição de eletricidade, gás e água” na indústria.

“De acordo com os nossos cálculos, um acréscimo de 10 pontos percentuais na participação das usinas termelétricas na geração total reduz em cerca de 0,2 ponto por trimestre o índice agregado do PIB, na comparação interanual. Nesse sentido, mesmo que um quadro mais agudo de racionamento não se materialize, esse é um risco em caso de acionamento prolongado destas usinas ao longo do ano”, apontam.

Enquanto isso, o maior impacto a ser sentido deve ser na inflação. O Bradesco ressalta ser válido destacar que o aumento de custos não é repassado ao consumidor apenas via bandeiras tarifárias, mas, também através de reajustes tarifários anuais das distribuidoras de energia. Dessa forma, os reajustes das distribuidoras podem ser mais elevados no próximo ano, considerando o repasse de custos ao consumidor.

Cabe destacar que o último relatório Focus, que mostra a projeção dos economistas para os principais indicadores da economia, projetou a inflação deste ano ultrapassando os 6% – a 6,07% ante 5,97% da semana anterior – superando muito o teto da meta oficial, de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para 2022 o cálculo para a inflação teve leve ajuste para baixo de 0,01 ponto percentual, a 3,77%, contra meta de 3,50% também com margem de 1,5 ponto.

A expectativa, em meio à inflação mais alta, é de que a Selic vá para 6,5% ao final deste ano, enquanto a projeção é de elevação a 6,75% no próximo, patamar considerado “neutro” para a atividade (nem levando a condições estimulativas nem contracionistas).

Porém, algumas casas, como o Credit Suisse, veem que a retomada associada à forte alta de preços ao produtor e câmbio depreciado devem manter a inflação em patamares elevados, levando o Banco Central a elevar a taxa básica de juros para 7,25% ao ano ainda em 2021, patamar este que teria impacto negativo na atividade.

Fiscal também segue gerando cautela

O Credit Suisse, cabe ressaltar, revisou recentemente a sua projeção para o PIB para avanço de 5,5% em 2021, também esperando que a aceleração do programa de imunização, reabertura da economia e termos de troca favoráveis impulsionem a atividade após a forte contração de 4,1% em 2020.

Os economistas do banco suíço também apontam que os ventos favoráveis ​​de preços de commodities acentuadamente mais altos e a inflação estão levando o PIB nominal para cima. A relação entre dívida bruta e o PIB esperada para o fim do ano é de 82%, muito mais baixo do que a razão de 89% do ano passado. Por outro lado, déficits primários não deverão se transformar em superávits até 2026, e o fiscal continuará sendo o principal ponto fraco do país em meio a preocupação de muitos investidores rumo às eleições presidenciais de 2022.

O possível aumento dos gastos em meio à proximidade do ano eleitoral, vale destacar, também está no radar dos economistas como um possível risco. Na avaliação dos economistas da XP em seu último relatório mensal de conjuntura econômica, o risco para frente pode voltar a ser o fiscal se a proximidade do ciclo eleitoral elevar a pressão por gastos populistas ou acima do teto constitucional. “Se isso acontecer junto com uma mudança na postura da política monetária nos países desenvolvidos, podemos assistir a volatilidade voltar aos mercados”, aponta a equipe de análise da XP, que possui projeção de alta de 5,2% do PIB para esse ano.

Um outro fator a ser monitorado de perto pelos investidores é o processo de alta dos juros nos Estados Unidos, que antecipou a sinalização de alta de juros de 2024 para 2023 e, a depender das sinalizações futuras, pode levar à redução de atratividade dos investimentos nos emergentes, caso do Brasil.

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Ibovespa cai com investidores atentos a dados de emprego e noticiário político; dólar sobe a R$ 4,98

(Austin Distel/Unsplash)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (30) enquanto os investidores repercutem dados de emprego aqui e nos Estados Unidos. No noticiário político, o representante de uma empresa vendedora de vacinas disse à Folha de S. Paulo que recebeu o pedido de propina de US$ 1 por vacina de um funcionário do Ministério da Saúde.

A CPI da Covid hoje terá o depoimento do empresário Carlos Wizard, que supostamente seria um dos membros do “gabinete paralelo” que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. A comissão também deve votar a convocação do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), suspeito de envolvimento em irregularidades na negociação de compra de vacinas da Covaxin pelo governo federal.

Entre os indicadores, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua), a taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,7% no trimestre móvel de fevereiro a abril, mantendo-se no recorde da série histórica iniciada em 2012. O número veio totalmente em linha com a média das projeções dos economistas compilada pela Refinitiv.

Já nos EUA, foram criadas 692 mil vagas no setor privado em junho, segundo o Relatório de Emprego ADP. O número veio acima da geração de 600 mil empregos esperada pelos economistas de acordo com a Refinitiv. O dado de maio foi revisado de 978 mil para 886 mil novos empregos.

Também no radar dos investidores, com o agravamento da crise hídrica e o pior cenário dos últimos 91 anos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderá aumentar ainda mais a bandeira vermelha nível dois nas contas de luz nos próximos meses. O órgão regulador irá receber contribuições sobre a proposta de 1º a 30 de julho. O projeto em discussão prevê que a bandeira possa ser elevada para até R$ 11,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos a partir de agosto.

Às 10h08 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,29%, a 126.963 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial sobe 0,86% a R$ 4,984 na compra e a R$ 4,984 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em julho avança 0,69% a R$ 4,99. Vale lembrar que hoje é dia de formação da Ptax, de modo que a volatilidade do câmbio acaba aumentando por conta da disputa entre comprados e vendidos no mercado futuro.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe três pontos-base a 5,63%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de seis pontos-base a 7,00%, o DI para janeiro de 2025 avança sete pontos-base a 8,02% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de seis pontos-base a 8,48%.

Voltando ao exterior, o Índice do Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial relativo ao setor de manufatura na China desacelerou, pontuando 50,9 em junho, levemente abaixo em relação a 51 pontuados em maio. Qualquer valor acima de 50 indica expansão; abaixo, retração. O desempenho no país vem sendo afetado pela ressurgência de casos de Covid na província de Guangdong, que afetou o funcionamento portuário.

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As bolsas europeias recuam nesta quarta, a chegada da variante Delta na Europa preocupa os líderes que contavam com tal retomada nas projeções de crescimento econômico. Indonésia, Malásia, Tailândia e Austrália estão enfrentando surtos e apertando as restrições, enquanto Espanha e Portugal anunciaram restrições para turistas britânicos não vacinados.

Na quarta, o Escritório para Estatísticas Nacionais do Reino Unido confirmou a queda de 1,6% no PIB do país relativo ao primeiro trimestre, levemente abaixo da expectativa. O investimento em negócios caiu 10,7% na comparação trimestral, prejudicado por medidas de distanciamento social.

A agência governamental também afirma que as economias das famílias britânicas teve forte alta no período, o que alimenta a expectativa de que haja gastos por conta da demanda reprimida, conforme a economia reabre.

Covid no Brasil e denúncias

Na terça (29), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.603, queda de 20% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.917 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 65.070, queda de 10% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 64.706 casos.

Chegou a 72.534.656 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 34,25% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 25.987.646 pessoas, ou 12,27% da população.

Em entrevista publicada em reportagem de capa nesta quarta na Folha de S. Paulo, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, afirma que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, teria pedido em 25 de fevereiro propina no valor de US$ 1 por dose de imunizante em troca de fechar um grande contrato para compra de 400 milhões de vacinas da AstraZeneca. O suposto pedido teria ocorrido um dia após o Brasil bater a marca de 250 mil mortes por Covid.

Dias foi indicado ao posto pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, e é citado em suspeitas sobre o acordo de compra da Covaxin. A Davati procurou o governo visando vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, por US$ 3,5 por unidade.

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O executivo afirma que Dias teria dito que “se quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma”. Ele perguntou qual seria a forma. Como resposta, Dias teria afirmado que ele deveria adicionar US$ 1 por dose vendida. “Daria 200 milhões de doses de propina que eles queriam, com R$ 1 bilhão”, afirmou Dominguetti à Folha. Após a publicação da reportagem, a CPI da Covid no Senado afirmou que vai convocar Dominguetti para depor na sexta (2). Também foi informado que o Ministério da Saúde iria exonerar Ferreira Dias.

Na terça, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a pasta vai suspender o contrato de compra da vacina indiana contra a Covid-19 Covaxin. Queiroga disse que a decisão foi tomada após recomendação da Controladoria-Geral da União, que iniciou uma apuração sobre as suspeitas levantadas sobre o contrato de compra.

O valor pago pelo imunizante, produzido pela indiana Bharat Biotech, e comercializado com intermédio da brasileira Precisa Medicamentos, é 1.000% superior àquele informado seis meses antes pela Bharat. O acordo de compra foi fechado sem que a vacina tivesse aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou tivesse passado por testes de fase 3, e é o mais alto por unidade de imunizante, de US$ 15.

Na semana passada, o deputado Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, disseram ter relatado suspeitas de irregularidades no contrato com a Covaxin ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o que levou o presidente para o centro da CPI. Eles dizem que alertaram o presidente sobre as suspeitas, e que Bolsonaro teria afirmado que acionaria a Polícia Federal, o que não ocorreu.

Antes do anúncio da suspensão do contrato, o governo vinha defendendo a lisura da negociação. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse mais cedo nesta terça que o então secretário-executivo da Saúde, coronel Elcio Franco, foi encarregado na ocasião de apurar os fatos citados pelos irmãos Miranda e não encontrou irregularidades.

Na semana passada, o ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, não só negou qualquer tipo de irregularidade na compra da vacina como anunciou que a Polícia Federal iria investigar os irmãos Miranda, a pedido de Bolsonaro. Em notas divulgadas nos últimos dias, tanto a Bharat como a Precisa Medicamentos, que representa o laboratório indiano no Brasil, negam quaisquer irregularidades.

O ministro da CGU, Wagner Rosário, disse que a suspensão do contrato é uma decisão preventiva diante de denúncias de uma possível irregularidade que, segundo ele, “ainda não conseguiu ser bem explicada pelo denunciante”. Segundo Rosário, uma apuração da CGU em conjunto com o Ministério da Saúde deve levar no máximo 10 dias.

O anúncio de suspensão do contrato da Covaxin ocorreu no mesmo dia que a Precisa apresentou à Anvisa pedido de autorização para uso emergencial da Covaxin no Brasil, em busca de liberar o uso da vacina em grande escala no país.

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Até o momento, a vacina conta com uma aprovação de importação por parte da Anvisa, mas sob diversas condicionantes, incluindo a necessidade de realização de teste no Brasil antes de qualquer aplicação e um limite de capacidade de 1% da população vacinável do país.

Com base nas afirmações dos irmãos Miranda, senadores pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda uma investigação sobre Bolsonaro, afirmando haver “grandes chances” de o mandatário ter cometido o crime de prevaricação ao não ter atuado sobre as suspeitas de irregularidades.

Na terça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Corte não dê andamento, por ora, a pedido de três senadores para que o Ministério Público instaure denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro por suposto crime de prevaricação no caso envolvendo suspeitas de irregularidades na compra da Covaxin.

A manifestação da PGR, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, aponta ser “oportuno que o Ministério Público aguarde a conclusão das apurações pela CPI, em vez de instaurar uma investigação concorrente sobre os mesmos fatos envolvendo a vacina Covaxin”, segundo nota da procuradoria.

O vice-PGR também pede à relatora do caso, a ministra do STF Rosa Weber, que abra a possibilidade de uma nova manifestação do Ministério Público caso tenha entendimento diferente.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na terça que só deve analisar o pedido de prorrogação da CPI da Covid por mais 90 dias no fim do atual prazo de funcionamento da comissão. Se prorrogada, a comissão, que tem o fim dos trabalhos previsto para 7 de agosto, deverá funcionar até novembro.

O pedido foi feito pelo vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que comunicou ao presidente que requerimento de prorrogação já conta com 34 assinaturas, 7 além do mínimo necessário para garantir a prorrogação. Mesmo contando com as assinaturas exigidas, a comissão só foi criada a partir de determinação judicial do Supremo Tribunal Federal (STF).

Crise energética e reforma tributária

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu na terça que o custo da bandeira tarifária vermelha patamar 2 será elevado dos atuais R$ 6,243 para R$ 9,49 por cada 100 kwh consumidos, em meio a impactos do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

A bandeira tarifária é acionada para repassar aos consumidores aumentos de custos ocasionados pelo uso mais intenso de usinas termelétricas. Em junho, a bandeira tarifária já se situou em nível 2, o mais caro. Mas a Aneel decidiu agora elevar em 52% o valor do patamar mais custoso.

A revisão do valor das bandeiras para 2021/2022, iniciada em consulta pública, coincidiu com as mais baixas afluências nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN), fortemente baseado na geração hidrelétrica.

O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, que proclamou o valor após aprovação da diretoria, lembrou durante a audiência que a conta das bandeiras tarifárias já está deficitária em cerca de R$ 1,5 bilhão, defendendo o aumento do valor, assim como a maioria dos outros diretores.

Ele comentou que “ninguém gosta de anunciar aumento de preços” e destacou que a Aneel tem feito um “trabalho intenso” para desonerar tarifa. Mas ponderou também a situação hídrica. O adiamento da decisão poderia tornar o cenário “muito desafiador”, disse ele.

Além disso, na terça o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que o governo estuda alterar sua proposta de redução da alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) para promover um corte de 5 pontos percentuais na taxação já em 2022.

Pelo projeto de reforma tributária apresentada pelo governo na sexta, a alíquota do IRPJ, que hoje é de 15%, cairia em 2,5 pontos em 2022, para 12,5%, e em mais 2,5 pontos no ano seguinte, para 10%.

“Estamos estudando se ao invés de 2,5 em um ano e 2,5 no outro de queda no IRPJ, nós podemos baixar 5% já, imediatamente, no ano que vem”, disse Paulo Guedes em entrevista à imprensa para comentar dados divulgados pela Receita Federal que mostraram uma arrecadação recorde em maio.

“Estamos fazendo os cálculos para baixar os 5 (pontos) exatamente para que esse aumento de arrecadação forte que está vindo aí desonere mais as empresas”, disse Guedes.

Ele ressaltou que ganhos de arrecadação que sejam “cíclicos” não podem ser repassados, mas aqueles que sejam “estruturais e orgânicos”, sim.

Com o segundo capítulo da proposta de reforma tributária apresentado na semana passada, o governo transmitiu três recados, disse Guedes: a decisão de reduzir a tributação sobre as empresas, a de tributar dividendos e a de reduzir o limite para a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, sob o entendimento de que o Brasil é um país de renda média baixa.

“Repito, não temos compromisso com erros eventuais de calibragem na dose desses movimentos, o importante é o que nós estamos sinalizando, menos impostos para as empresas, mais impostos para os rendimentos de capital, menos impostos para os assalariados, principalmente os salários baixos”, disse o ministro.

Para Guedes, os dados da arrecadação de maio, que cresceu quase 70% sobre 2020 e foi recorde para o mês, mostram que a economia “está em pé novamente”.

Ainda em destaque, o Tesouro Nacional emitiu US$ 2,25 bilhões em dois tipos de bônus soberanos em dólar na terça. As taxas de retorno asseguradas aos investidores ficaram maiores do que na última vez que o Brasil acessou o mercado internacional. Isso significa que o Tesouro precisou oferecer uma remuneração maior aos investidores. Ainda assim, elas são menores do que em algumas emissões realizadas quando o País tinha grau de investimento, o selo de bom pagador perdido em 2015. O resultado da emissão é considerado uma “janela bem aproveitada”.

A emissão foi feita com um novo vencimento de 10 anos (Global 2031) e a reabertura do papel de 30 anos (Global 2050), inaugurado em 2019 e que já havia tido uma nova emissão em dezembro do ano passado.

Radar corporativo

O presidente da Petrobras, general da reserva Joaquim Silva e Luna, se reuniu na terça na sede da estatal com a diretoria do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), grupo que reúne representantes de caminhoneiros, para ouvir demandas da entidade, informou a petroleira em nota à imprensa. Em maio, o CNTRC havia defendido em carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro que o governo deveria taxar exportações de petróleo e utilizar a arrecadação para reduzir impostos sobre combustíveis. Ainda no radar da petroleira, ela se desfaz das ações que ainda detém na BR Distribuidora nesta data.

No radar corporativo, a Klabin informou nesta terça-feira que seu conselho de administração aprovou 23 projetos especiais e expansões de capacidade em suas instalações que devem consumir investimentos totais de R$ 342 milhões entre este ano e 2022. Do total orçado, R$ 125 milhões serão desembolsados este ano e o restante será em 2022, afirmou a fabricante de papel para embalagens e celulose.

A Localiza assinou acordo de leniência com MPF sobre controlada Car Rental. A companhia disse que o acordo envolve a fatos relacionados à controlada em 2010 e não implica em pagamento adicional de valores.

A CCR assinou nesta terça-feira acordo preliminar sobre disputas judiciais com o Estado de São Paulo envolvendo aditivos de concessões acertados em 2006. Pelo acordo, controladas da companhia se comprometeram com pagamento total de R$ 1,2 bilhão ao governo paulista. O pagamento, dividido em R$ 352 milhões pela AutoBAn, R$ 263 milhões pela SPVias e R$ 585 milhões pela ViaOeste, deverá ocorrer em 15 dias.

A Ânima anunciou na terça-feira venda de três escolas em Santa Catarina para a Bahema Educação, em uma operação que incluiu compromisso de sublocação de espaços em campi da companhia de ensino superior.

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Ibovespa Futuro tem leve queda com investidores atentos a indicadores e ruídos na política brasileira

bolsa mercados trader operador brooker bolsa ações índices telas (Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em leve queda nesta quarta-feira (30) enquanto os investidores repercutem dados de emprego aqui e nos Estados Unidos. No noticiário político, o representante de uma empresa vendedora de vacinas disse à Folha de S. Paulo que recebeu o pedido de propina de US$ 1 por vacina de um funcionário do Ministério da Saúde.

A CPI da Covid hoje terá o depoimento do empresário Carlos Wizard, que supostamente seria um dos membros do “gabinete paralelo” que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. A comissão também deve votar a convocação do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), suspeito de envolvimento em irregularidades na negociação de compra de vacinas da Covaxin pelo governo federal.

Entre os indicadores, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua), a taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,7% no trimestre móvel de fevereiro a abril, mantendo-se no recorde da série histórica iniciada em 2012. O número veio totalmente em linha com a média das projeções dos economistas compilada pela Refinitiv.

Já nos EUA, foram criadas 692 mil vagas no setor privado em junho, segundo o Relatório de Emprego ADP. O número veio acima da geração de 600 mil empregos esperada pelos economistas de acordo com a Refinitiv. O dado de maio foi revisado de 978 mil para 886 mil novos empregos.

Também no radar dos investidores, com o agravamento da crise hídrica e o pior cenário dos últimos 91 anos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderá aumentar ainda mais a bandeira vermelha nível dois nas contas de luz nos próximos meses. O órgão regulador irá receber contribuições sobre a proposta de 1º a 30 de julho. O projeto em discussão prevê que a bandeira possa ser elevada para até R$ 11,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos a partir de agosto.

Às 9h26 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em agosto de 2021 tinha queda de 0,37%, a 127.300 pontos.

Já o dólar futuro com vencimento em julho avança 0,24% a R$ 4,968.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 5,62%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de três pontos-base a 6,97%, o DI para janeiro de 2025 avança cinco pontos-base a 8,00% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de quatro pontos-base a 8,46%.

Voltando ao exterior, o Índice do Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial relativo ao setor de manufatura na China desacelerou, pontuando 50,9 em junho, levemente abaixo em relação a 51 pontuados em maio. Qualquer valor acima de 50 indica expansão; abaixo, retração. O desempenho no país vem sendo afetado pela ressurgência de casos de Covid na província de Guangdong, que afetou o funcionamento portuário.

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As bolsas europeias recuam nesta quarta, a chegada da variante Delta na Europa preocupa os líderes que contavam com tal retomada nas projeções de crescimento econômico. Indonésia, Malásia, Tailândia e Austrália estão enfrentando surtos e apertando as restrições, enquanto Espanha e Portugal anunciaram restrições para turistas britânicos não vacinados.

Na quarta, o Escritório para Estatísticas Nacionais do Reino Unido confirmou a queda de 1,6% no PIB do país relativo ao primeiro trimestre, levemente abaixo da expectativa. O investimento em negócios caiu 10,7% na comparação trimestral, prejudicado por medidas de distanciamento social.

A agência governamental também afirma que as economias das famílias britânicas teve forte alta no período, o que alimenta a expectativa de que haja gastos por conta da demanda reprimida, conforme a economia reabre.

Covid no Brasil e denúncias

Na terça (29), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.603, queda de 20% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.917 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 65.070, queda de 10% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 64.706 casos.

Chegou a 72.534.656 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 34,25% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 25.987.646 pessoas, ou 12,27% da população.

Em entrevista publicada em reportagem de capa nesta quarta na Folha de S. Paulo, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, afirma que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, teria pedido em 25 de fevereiro propina no valor de US$ 1 por dose de imunizante em troca de fechar um grande contrato para compra de 400 milhões de vacinas da AstraZeneca. O suposto pedido teria ocorrido um dia após o Brasil bater a marca de 250 mil mortes por Covid.

Dias foi indicado ao posto pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, e é citado em suspeitas sobre o acordo de compra da Covaxin. A Davati procurou o governo visando vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, por US$ 3,5 por unidade.

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O executivo afirma que Dias teria dito que “se quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma”. Ele perguntou qual seria a forma. Como resposta, Dias teria afirmado que ele deveria adicionar US$ 1 por dose vendida. “Daria 200 milhões de doses de propina que eles queriam, com R$ 1 bilhão”, afirmou Dominguetti à Folha. Após a publicação da reportagem, a CPI da Covid no Senado afirmou que vai convocar Dominguetti para depor na sexta (2). Também foi informado que o Ministério da Saúde iria exonerar Ferreira Dias.

Na terça, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a pasta vai suspender o contrato de compra da vacina indiana contra a Covid-19 Covaxin. Queiroga disse que a decisão foi tomada após recomendação da Controladoria-Geral da União, que iniciou uma apuração sobre as suspeitas levantadas sobre o contrato de compra.

O valor pago pelo imunizante, produzido pela indiana Bharat Biotech, e comercializado com intermédio da brasileira Precisa Medicamentos, é 1.000% superior àquele informado seis meses antes pela Bharat. O acordo de compra foi fechado sem que a vacina tivesse aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou tivesse passado por testes de fase 3, e é o mais alto por unidade de imunizante, de US$ 15.

Na semana passada, o deputado Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, disseram ter relatado suspeitas de irregularidades no contrato com a Covaxin ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o que levou o presidente para o centro da CPI. Eles dizem que alertaram o presidente sobre as suspeitas, e que Bolsonaro teria afirmado que acionaria a Polícia Federal, o que não ocorreu.

Antes do anúncio da suspensão do contrato, o governo vinha defendendo a lisura da negociação. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse mais cedo nesta terça que o então secretário-executivo da Saúde, coronel Elcio Franco, foi encarregado na ocasião de apurar os fatos citados pelos irmãos Miranda e não encontrou irregularidades.

Na semana passada, o ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, não só negou qualquer tipo de irregularidade na compra da vacina como anunciou que a Polícia Federal iria investigar os irmãos Miranda, a pedido de Bolsonaro. Em notas divulgadas nos últimos dias, tanto a Bharat como a Precisa Medicamentos, que representa o laboratório indiano no Brasil, negam quaisquer irregularidades.

O ministro da CGU, Wagner Rosário, disse que a suspensão do contrato é uma decisão preventiva diante de denúncias de uma possível irregularidade que, segundo ele, “ainda não conseguiu ser bem explicada pelo denunciante”. Segundo Rosário, uma apuração da CGU em conjunto com o Ministério da Saúde deve levar no máximo 10 dias.

O anúncio de suspensão do contrato da Covaxin ocorreu no mesmo dia que a Precisa apresentou à Anvisa pedido de autorização para uso emergencial da Covaxin no Brasil, em busca de liberar o uso da vacina em grande escala no país.

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Até o momento, a vacina conta com uma aprovação de importação por parte da Anvisa, mas sob diversas condicionantes, incluindo a necessidade de realização de teste no Brasil antes de qualquer aplicação e um limite de capacidade de 1% da população vacinável do país.

Com base nas afirmações dos irmãos Miranda, senadores pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda uma investigação sobre Bolsonaro, afirmando haver “grandes chances” de o mandatário ter cometido o crime de prevaricação ao não ter atuado sobre as suspeitas de irregularidades.

Na terça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Corte não dê andamento, por ora, a pedido de três senadores para que o Ministério Público instaure denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro por suposto crime de prevaricação no caso envolvendo suspeitas de irregularidades na compra da Covaxin.

A manifestação da PGR, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, aponta ser “oportuno que o Ministério Público aguarde a conclusão das apurações pela CPI, em vez de instaurar uma investigação concorrente sobre os mesmos fatos envolvendo a vacina Covaxin”, segundo nota da procuradoria.

O vice-PGR também pede à relatora do caso, a ministra do STF Rosa Weber, que abra a possibilidade de uma nova manifestação do Ministério Público caso tenha entendimento diferente.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na terça que só deve analisar o pedido de prorrogação da CPI da Covid por mais 90 dias no fim do atual prazo de funcionamento da comissão. Se prorrogada, a comissão, que tem o fim dos trabalhos previsto para 7 de agosto, deverá funcionar até novembro.

O pedido foi feito pelo vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que comunicou ao presidente que requerimento de prorrogação já conta com 34 assinaturas, 7 além do mínimo necessário para garantir a prorrogação. Mesmo contando com as assinaturas exigidas, a comissão só foi criada a partir de determinação judicial do Supremo Tribunal Federal (STF).

Crise energética e reforma tributária

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu na terça que o custo da bandeira tarifária vermelha patamar 2 será elevado dos atuais R$ 6,243 para R$ 9,49 por cada 100 kwh consumidos, em meio a impactos do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

A bandeira tarifária é acionada para repassar aos consumidores aumentos de custos ocasionados pelo uso mais intenso de usinas termelétricas. Em junho, a bandeira tarifária já se situou em nível 2, o mais caro. Mas a Aneel decidiu agora elevar em 52% o valor do patamar mais custoso.

A revisão do valor das bandeiras para 2021/2022, iniciada em consulta pública, coincidiu com as mais baixas afluências nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN), fortemente baseado na geração hidrelétrica.

O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, que proclamou o valor após aprovação da diretoria, lembrou durante a audiência que a conta das bandeiras tarifárias já está deficitária em cerca de R$ 1,5 bilhão, defendendo o aumento do valor, assim como a maioria dos outros diretores.

Ele comentou que “ninguém gosta de anunciar aumento de preços” e destacou que a Aneel tem feito um “trabalho intenso” para desonerar tarifa. Mas ponderou também a situação hídrica. O adiamento da decisão poderia tornar o cenário “muito desafiador”, disse ele.

Além disso, na terça o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que o governo estuda alterar sua proposta de redução da alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) para promover um corte de 5 pontos percentuais na taxação já em 2022.

Pelo projeto de reforma tributária apresentada pelo governo na sexta, a alíquota do IRPJ, que hoje é de 15%, cairia em 2,5 pontos em 2022, para 12,5%, e em mais 2,5 pontos no ano seguinte, para 10%.

“Estamos estudando se ao invés de 2,5 em um ano e 2,5 no outro de queda no IRPJ, nós podemos baixar 5% já, imediatamente, no ano que vem”, disse Paulo Guedes em entrevista à imprensa para comentar dados divulgados pela Receita Federal que mostraram uma arrecadação recorde em maio.

“Estamos fazendo os cálculos para baixar os 5 (pontos) exatamente para que esse aumento de arrecadação forte que está vindo aí desonere mais as empresas”, disse Guedes.

Ele ressaltou que ganhos de arrecadação que sejam “cíclicos” não podem ser repassados, mas aqueles que sejam “estruturais e orgânicos”, sim.

Com o segundo capítulo da proposta de reforma tributária apresentado na semana passada, o governo transmitiu três recados, disse Guedes: a decisão de reduzir a tributação sobre as empresas, a de tributar dividendos e a de reduzir o limite para a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, sob o entendimento de que o Brasil é um país de renda média baixa.

“Repito, não temos compromisso com erros eventuais de calibragem na dose desses movimentos, o importante é o que nós estamos sinalizando, menos impostos para as empresas, mais impostos para os rendimentos de capital, menos impostos para os assalariados, principalmente os salários baixos”, disse o ministro.

Para Guedes, os dados da arrecadação de maio, que cresceu quase 70% sobre 2020 e foi recorde para o mês, mostram que a economia “está em pé novamente”.

Ainda em destaque, o Tesouro Nacional emitiu US$ 2,25 bilhões em dois tipos de bônus soberanos em dólar na terça. As taxas de retorno asseguradas aos investidores ficaram maiores do que na última vez que o Brasil acessou o mercado internacional. Isso significa que o Tesouro precisou oferecer uma remuneração maior aos investidores. Ainda assim, elas são menores do que em algumas emissões realizadas quando o País tinha grau de investimento, o selo de bom pagador perdido em 2015. O resultado da emissão é considerado uma “janela bem aproveitada”.

A emissão foi feita com um novo vencimento de 10 anos (Global 2031) e a reabertura do papel de 30 anos (Global 2050), inaugurado em 2019 e que já havia tido uma nova emissão em dezembro do ano passado.

Radar corporativo

O presidente da Petrobras, general da reserva Joaquim Silva e Luna, se reuniu na terça na sede da estatal com a diretoria do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), grupo que reúne representantes de caminhoneiros, para ouvir demandas da entidade, informou a petroleira em nota à imprensa. Em maio, o CNTRC havia defendido em carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro que o governo deveria taxar exportações de petróleo e utilizar a arrecadação para reduzir impostos sobre combustíveis. Ainda no radar da petroleira, ela se desfaz das ações que ainda detém na BR Distribuidora nesta data.

No radar corporativo, a Klabin informou nesta terça-feira que seu conselho de administração aprovou 23 projetos especiais e expansões de capacidade em suas instalações que devem consumir investimentos totais de R$ 342 milhões entre este ano e 2022. Do total orçado, R$ 125 milhões serão desembolsados este ano e o restante será em 2022, afirmou a fabricante de papel para embalagens e celulose.

A Localiza assinou acordo de leniência com MPF sobre controlada Car Rental. A companhia disse que o acordo envolve a fatos relacionados à controlada em 2010 e não implica em pagamento adicional de valores.

A CCR assinou nesta terça-feira acordo preliminar sobre disputas judiciais com o Estado de São Paulo envolvendo aditivos de concessões acertados em 2006. Pelo acordo, controladas da companhia se comprometeram com pagamento total de R$ 1,2 bilhão ao governo paulista. O pagamento, dividido em R$ 352 milhões pela AutoBAn, R$ 263 milhões pela SPVias e R$ 585 milhões pela ViaOeste, deverá ocorrer em 15 dias.

A Ânima anunciou na terça-feira venda de três escolas em Santa Catarina para a Bahema Educação, em uma operação que incluiu compromisso de sublocação de espaços em campi da companhia de ensino superior.

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Quais ações ainda são boas oportunidades na B3 em meio à expectativa de vacinação mais acelerada no 2º semestre?

A expectativa pela aceleração da vacinação no Brasil ainda pode render ganhos às ações negociadas na B3. As empresas do varejo de moda estão entre as preferidas dos gestores consultados pelo InfoMoney, assim como as do setor de serviços. O que não está claro, no entanto, é se esses ganhos serão decorrentes de um represamento de compras ou se está ligado a uma melhora mais estrutural – e mais duradoura.

A imunização no Brasil ainda não atingiu 15% da população (considerando as duas doses da vacinação), mas há uma expectativa de avanço nessa cobertura, em especial a partir de julho. É essa aceleração, e consequente maior reabertura da economia, que pode fazer com que o resultado das empresas surpreenda de forma positiva.

“A gente ainda vê espaço para o trade de reabertura da economia. Na margem, as vendas estão em um ritmo acima das expectativas e isso nos leva a crer que teremos revisões positivas para o resultado das empresas domésticas”, disse Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do comércio varejista subiram 1,8% em abril ante março, na série com ajuste sazonal. No acumulado do ano, a alta é de 4,5%.

Para os gestores, as empresas de varejo de moda, como Marisa (AMAR3) e Centauro (SBFG3), são as mais óbvias em um cenário de reabertura da economia. Esses papéis já acumulam uma alta expressiva nos últimos três meses (77% e 35%, respectivamente), mas o setor ainda tem oportunidades, como as Lojas Renner (LREN3), que no mesmo período subiram apenas 4,9%.

“Estamos olhando a Lojas Renner como uma consolidadora do setor no futuro”, disse, lembrando que a rede varejista levantou quase R$ 4 bilhões em uma oferta de ações e os recursos serão usados em futuras aquisições e expansão orgânica.

O varejo de combustíveis, representado por BR Distribuidora (BRDT3) e Cosan (CSAN3), também tem potencial de ganhos, assim como o de aluguel de veículos. Nesse caso, a preferência de Leite é pela Localiza (RENT3) e pela Vamos (VAMO3), controlada pelo Grupo Simpar (SIMH3).

O gestor também coloca o setor de educação como um dos beneficiados pela aceleração da vacinação e maior abertura da economia. No entanto, esses papéis devem demorar mais a se recuperar, já que o aumento do número de alunos matriculados também depende de uma melhora no mercado de trabalho.

Jennie Li, estrategista de ações da XP, acredita que, além do varejo e empresas de educação, shoppings e bancos são outros segmentos que podem surpreender.

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No varejo de moda, a preferência é pelo Grupo Soma (SOMA3), que recentemente comprou a Cia. Hering. O motivo é que a rede, dona de marcas como Farm e Animale, é focada em um público de maior renda, que foi menos atingida durante a crise causada pela pandemia da Covid-19.

“O Soma é mais resiliente por ter um foco mais na classe alta. O comércio está reabrindo e as pessoas voltam a comprar. É uma compra por “vingança”. Esse comportamento já ocorreu nos Estados Unidos”, explicou, incluindo a Arezzo como outra empresa que deve se beneficiar do movimento, assim como os shoppings da Multiplan.

Ainda no setor varejista, a estrategista vê potencial nos papéis do Assaí (ASAI3). O atacadista deve se beneficiar em duas pontas. Primeiro, ainda deve ser grande o número de pessoas que irão priorizar as refeições em casa. Na outra ponta, a reabertura de restaurantes aumenta a frequência de vendas às lojas da rede.

“As perspectivas melhoraram muito, mas ainda somos mais cautelosos e esses nomes estão mais protegidos. Ainda temos um pouco de incerteza sobre vacinação”, disse.

No caso dos bancos, a estrategista explica que é um segmento que naturalmente se beneficia dos momentos de crescimento da economia, já que há maior demanda por crédito das pessoas físicas e pequenas e médias empresas.

E não só o varejo de vestuário ainda tem espaço para se beneficiar da reabertura da economia. Marcelo Inoue, sócio e analista na Perfin Investimentos, lembra que o setor de serviços foi muito afetado pelas restrições impostas pela pandemia da Covid-19. Diferente do varejo, que ainda tinha a opção de explorar as vendas online, a prestação de boa parte dos serviços se dá de forma física. Com o relaxamento as regras, a Espaço Laser é uma empresa que deve se beneficiar, avaliou.

De acordo com o gestor, é hora de procurar empresas com boa estrutura de capital. “O ideal são empresas com baixo endividamento e bom relacionamento com fornecedor. Muito varejista pequeno ficou pelo caminho. Quem já era grande e estruturado vai ganhar ainda mais espaço.”

A Arezzo (ARZZ3), que recentemente anunciou a compra da Reserva e também entrou no mercado de calçados infantis é uma das apostas da Perfin. No varejo de moda, o gestor ainda inclui a Renner, que vê preparada para consolidações.

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Outra indicação é a da Petz (PETZ3). A empresa teve um bom desempenho durante a pandemia, com o aumento das vendas online e conquistando mercado em cima de competidores menores. Com a reabertura, a varejista de produtos para animais domésticos tem a chance de garantir uma receita maior na prestação de serviços como banho e tosa.

Inoue afirma que o desemprego ainda elevado e a inflação são fatores de risco para o setor de varejo e serviços e por isso a busca deve ser por empresas mais resilientes, capitalizadas ou que vendam produtos de forma recorrente.

Tendo esses parâmetros, a última aposta da gestora Perfin é a Natura (NTCO3). Capitalizada, a empresa manteve a venda de itens de higiene pessoal durante a pandemia. Com a reabertura da economia, a empresa deve ver a intensificação das vendas nos segmentos de maquiagem e perfumes. sofreu uma queda de vendas mais intensa no segmento de maquiagem e fragrâncias.

Já Felipe Zodim, analista da gestora Atlas One, acredita em um segundo trimestre mais forte que o esperado pelo consenso de mercado e, com isso, revisões nos preços das ações.

“De maneira geral, as empresas mais capitalizadas ganharam share (participação de mercado), atraindo uma base de clientes que não comprava online.”

Assim como Jennie Li, da XP, Zodim vê que o Grupo Soma e Arezzo saíram mais fortes da pandemia e tendem a se beneficiar da reabertura. Fora do vestuário, ele ainda vê oportunidades em Burger King, que sofreu com o menor fluxo de clientes nas lojas. Em sua visão, com a reabertura, a rede de restaurantes fast food vai se beneficiar do maior fluxo de clientes ao mesmo tempo que passou a trabalhar com equipes mais enxutas.

“Os resultados do segundo trimestre serão bons. Essas redes ganharam participação em cima dos pequenos. O setor de varejo é muito pulverizado, mas foram as grandes que conseguiram investir em estratégias online e chegar a um número maior de clientes”, disse.

Mas esse potencial de ganhos não irá ocorrer sem riscos. Eduardo Carlier, analista da AZ Quest, reforça que a inflação mais persistente irá levar a nova altas de juros pelo Banco Central – a Selic atualmente está em 4,25% ao ano. Isso, para ele, pode ser um obstáculo para o processo de ganhos na reabertura.

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“É uma tendência de ganho muito saudável, mas não vem sem risco. Os riscos são a inflação, que vem com um aperto do ciclo monetário, e a velocidade de vacinação”, disse.

Cabe destacar ainda a visão de algumas casas apontam que, apesar da recuperação prevista, algumas ações já precificam o cenário de recuperação da economia com a reabertura. Na semana passada, o Morgan Stanley revisou o setor de shoppings, reduzindo a recomendação para Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTA3)  a underweight (exposição abaixo da média do mercado) e reduzindo brMalls (BRML3) a equalweight (exposição em linha com a média do mercado), destacando que a tese de reabertura econômica parece mais do que precificada.

Os analistas veem que Multiplan e Iguatemi estão negociando entre os maiores múltiplos globalmente para o setor. “Embora estejamos prevendo uma recuperação significativa, estamos abaixo do consenso, pois o desafio [com a concorrência] digital permanece. Taxas de juros mais altas podem ser o próximo obstáculo”, avaliam os analistas. O preço-alvo dos analistas para Multiplan é de R$ 23 (queda de 0,3% frente o fechamento de terça-feira), de R$ 38 para Iguatemi (upside de 8,70%) e de R$ 11 para brMalls (queda de 3,55%).

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CPI da Pandemia: deputado Luis Miranda diz que Bolsonaro citou Ricardo Barros como envolvido em suspeita com Covaxin

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) em depoimento à CPI da Pandemia (Foto: Pedro França/Agência Senado)

SÃO PAULO – O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou, nesta sexta-feira (25), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que levou ao conhecimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin e ouviu do mandatário que eram coisa de Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados.

O parlamentar e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, foram ouvidos por mais de 8h pelo colegiado após conteúdo de depoimento sigiloso do servidor junto ao Ministério Público Federal (MPF) ser revelado, sobre um suposto caso de corrupção nas negociações para a aquisição do imunizante por parte da pasta.

Durante o depoimento, o servidor reforçou a versão de que sofreu “pressão atípica” para assinar com celeridade documentos para a liberação da Covaxin. O deputado federal, por sua vez, narrou contatos que teve com Bolsonaro e seu entorno sobre o assunto. Um dos episódios relatados foi de reunião entre os três no Palácio da Alvorada, em 20 de março.

“Ele nos recebeu num sábado, por conta de que eu aleguei que a urgência era urgente, urgentíssima, devido à gravidade das informações trazidas pelo meu irmão para a minha pessoa.

O presidente entendeu a gravidade. Olhando os meus olhos, falou: ‘Isso é grave!’ Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome pra mim, dizendo: ‘Isso é coisa de fulano’. Não me recordo. E falou: ‘Vou acionar o DG da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave, isso que está ocorrendo’”, afirmou.

“O que senti? Que o Presidente, apesar de toda a força que ele demonstra, de tudo o que a gente conhece, ele, nesse grupo específico, na minha percepção, não tinha força pra combater. Ele deu a entender isso, porque ele fala o nome, mas não tem certeza também. Ele falou assim: ‘Deve ser coisa de fulano –puta merda! –, mais uma vez’. Vai, dá um tapa na mesa e fala assim: ‘Vou acionar o DG da PF pra mandar investigar esse troço’. Não foi uma ação de conivência. Foi uma ação de ‘estou amarrado’”, disse em outro momento.

Durante boa parte da oitiva, Luis Miranda disse que não se recordava do nome do parlamentar citado pelo presidente. Em um momento, chegou a afirmar que o congressista era da base do governo na Câmara. Noutro, foi provocado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que disse que o depoente não tinha a coragem de falar o nome do líder do governo.

“O senhor se apresentou perante a esta CPI e é muito claro seu objetivo de reconstruir uma imagem, de apresentar novamente aos brasileiros essa veia combativa – combate à corrupção, coragem para enfrentamento ao sistema. A gente está presenciando tudo isso, mas sou obrigado a dizer que esse esforço está sendo em vão”, disse o senador.

“Está sendo em vão porque o senhor não está tendo a coragem de falar o nome ‘Ricardo Barros’. Claramente, está lhe faltando coragem para falar o nome do deputado federal Ricardo Barros, que é a figura que é referida em todos os corredores com envolvimento neste caso. Então, gostaria de dar a oportunidade, deputado, para que o senhor exercite de fato a coragem que o senhor propala na internet. Porque, efetivamente, quando o senhor tenta fazer as manobras, as ginásticas, os malabarismos, para dizer que não consegue recordar um nome, claramente ofende a inteligência dos parlamentares que estão lhe assistindo, ofende a inteligência dos brasileiros e muito claramente joga fora uma oportunidade”, complementou.

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“Existem momentos em nossa vida em que era melhor ter esquecido o que a gente escutou. Eu acho que este foi um dos momentos, porque, se o presidente da República, o qual eu admiro tanto, olha para você e demonstra que sabe, e sabe a chave, você sai de lá e hoje ele diz que vai investigar ‒ significa que desde então não foi feita a investigação nem o nome da pessoa que ele fala para mim teoricamente está sendo investigada a pedido do presidente ‒ acho que eu realmente tive um lapso de memória e temporal. E não que eu não queira contribuir com essa comissão, mas é que ainda estou respirando e tentando entender tudo que está acontecendo. Estou sendo atropelado por um furacão”, respondeu o depoente.

“Eu sei que o senhor não vai me compreender, mas você está de um lado, apaixonado por um lado, porque é a mudança do país, é aquilo que você sempre sonhou, fazer as reformas ‒ eu sempre sonhei fazer a reforma tributária ‒ e, de repente, você descobre que a coisa está aparelhada igual sempre foi criticado. E, pela luta de não perder a bandeira de governo sem corrupção, ele é capaz de atropelar um deputado da base, um servidor público extremamente honesto como meu irmão”, continuou.

“Eu estou sendo massacrado por estar lutando pelo que é certo. Então, eu acho que eu cheguei no meu limite de complicar minha vida, mas eu acho que esta Comissão, acho que esta CPI já sabe o caminho que tem que seguir. E, se ela usar o follow the money e trabalhar direitinho, o Brasil vai perceber que nós estamos vivendo uma ilusão, uma verdadeira hipocrisia”, completou.

Mas, depois de horas de pressão, Luis Miranda confirmou o nome de Ricardo Barros como o citado por Bolsonaro na referida reunião como envolvido no caso suspeito da compra da vacina Covaxin. A resposta veio após indagação da senadora Simone Tebet (MDB-MS), líder da bancada feminina na casa legislativa.

“Gostaria de pedir que, no espírito público, que parece estar presente na alma e no coração do deputado, que complete o depoimento a favor do país. É muito importante que diga o nome. Até porque, não se preocupe: V. Exa. disse que não tem como provar, mas nós temos. Nós já temos indícios, documentos e como rastrear. Se V. Exa. tiver a coragem de dizer o nome, posso garantir: não se preocupe com o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que nenhum deputado vai ter coragem de insurgir contra V. Exa., contra a opinião pública e a massa de brasileiros que quer saber a verdade e buscar a verdade dos fatos”, disse a parlamentar.

“A senhora sabe que se eu disser isso… Eu vou ser perseguido, já disseram que eu já perdi minha relatoria da reforma tributária, que foi uma promessa do presidente Arthur Lira para mim. Já perdi todos os espaços, já perdi tudo que tenho, já acabaram com a minha política. O que mais vocês querem que eu faça?”, rebateu o deputado.

“Bom, deputado, V. Exa. só confirma que sabe e não quer dizer. Eu o respeito como parlamentar, entendo a posição de V. Exa., mas só confirma que sabe qual é o nome do deputado e nós vamos buscar…”, continuou a senadora.

“A senhora também sabe que é o Ricardo Barros que o presidente falou. Foi o Ricardo Barros que o presidente falou, foi o Ricardo Barros. Eu não me sinto pressionado para falar, eu queria ter dito desde o primeiro momento, mas é que vocês não sabem o que eu vou passar. Apontar um presidente da República que todo mundo defende como uma pessoa correta e honesta, que sabe que tem algo errado, ele sabe o nome, ele sabe quem é e não faz nada por medo da pressão que pode levar do outro lado? Que presidente é esse que tem medo de pressão de quem está fazendo algo errado? De quem desvia dinheiro público das pessoas morrendo desta porra dessa Covid?”, respondeu o deputado às lágrimas.

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O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), informou que pediu à Polícia Federal para providenciar proteção para a família do deputado Luis Miranda e ao servidor Luis Ricardo Miranda.

Segundo o senador, o pedido foi encaminhado há três dias, mas ainda não foi respondido. Diante do fato, Aziz pediu que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), garanta proteção para o deputado. Ele também disse que vai providenciar os trâmites burocráticos para a proteção do servidor Luis Ricardo.

Novo momento

As declarações do deputado Luis Miranda e seu irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda, dão fôlego e novos rumos à CPI da Pandemia, que agora passa a trabalhar também com suspeitas de irregularidades na compra de vacinas. Os indícios apontados colocam Bolsonaro e seu entorno no centro de um possível escândalo.

“A gravidade é muito maior do que vocês estão imaginando”, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão em coletiva de imprensa concedida após o fim da sessão. “Essa pessoa que é citada é líder do governo na Câmara. E nos estranha ele ter falado aqueles impropérios e não ter tomado nenhuma providência”.

“O conjunto da obra é totalmente grave”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão. “A CPI definitivamente, a partir de hoje, entrou em outra fase. Até agora, nós tínhamos comprovado que existiram omissões para a aquisição de vacinas, que teve uma estratégia deliberada de imunidade coletiva, a existência de um gabinete paralelo negacionista. Nós só não tínhamos a informação até agora é que tudo isso era por dinheiro, que esse esquema todo tinha como alicerce um enorme e estruturado esquema de corrupção”.

Para Fabiano Contarato (Rede-ES), a revelação reforça a necessidade de impeachment de Bolsonaro. O senador disse esperar que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), leve avante um dos mais de 130 pedidos de afastamento do chefe do Poder Executivo.

O parlamentar argumenta que a CPI precisa dar uma resposta à altura sobre essa denúncia. “Os brasileiros precisam abrir os olhos. A denúncia vem de alguém que é da base do governo”, declarou.

Já a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) chamou atenção para um possível crime de prevaricação, dadas as alegações de que Bolsonaro sabia das supostas irregularidades, mas não agiu para impedi-las.

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Através de seu perfil oficial no Twitter, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) negou que seja o parlamentar supostamente mencionado por Bolsonaro.

“Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. ‘Não sou esse parlamentar citado’, A investigação provará isso. Também não é verdade que eu tenha indicado a servidora Regina Célia como informou o senador Randolfe. Não tenho relação com esse fatos (sic)”, disse.

As novas evidências que chegaram à comissão fazem com que muitos membros do colegiado reforcem o tom de que talvez seja necessária uma prorrogação no prazo dos trabalhos, hoje estabelecidos em 90 dias – o que o Palácio do Planalto trabalha para evitar, tendo em vista o desgaste provocado pelas investigações.

Durante o depoimento, o servidor Luis Ricardo Miranda disse que, na análise dos documentos envolvendo o processo da compra de doses da vacina Covaxin, foram encontradas informações que não batiam com o texto original do contrato da Bharat Biotech com o Ministério da Saúde.

Algumas dessas divergências seriam na forma de pagamento, na quantidade de doses e na indicação de empresas intermediárias. Renan disse estranhar a divergência de nomes de empresas intermediárias e afirmou que suspeita de operações em algum paraíso fiscal.

(com Agência Senado)

Vacina da alemã Curevac contra Covid-19 frustra ao registrar apenas 47% de eficácia; ações caem quase 50%

Em meio a um dia de quedas para as bolsas europeias em geral, uma ação se destaca nesta quinta-feira (17). Às 8h50 (horário de Brasília), as ações da empresa alemã de biotecnologia CureVac registravam baixa de 48,73%, a 42,11 euros, na bolsa da Alemanha.

A companhia afirmou na quarta-feira que sua vacina contra a Covid-19 não atendeu ao principal objetivo em testes em estágio avançado, levantando dúvidas sobre a potencial entrega de centenas de milhões de doses à União Europeia.

A vacina demonstrou uma eficácia de 47% contra casos da doença em qualquer gravidade, segundo análise provisória do teste clínico em grande escala. O laboratório reconheceu, em nota, que a vacina da CureVac “não atende critérios estatísticos de êxito”, mas mostrou bons níveis de segurança. A análise envolveu cerca de 40 mil participantes na América Latina e na Europa.

O laboratório afirmou que continuará com as pesquisas com a  farmacêutica GSK em busca de uma vacina de segunda geração, a ser introduzida nos esquemas vacinais contra a Covid em 2022.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere piso de 50% de eficácia para que as vacinas contra a Covid-19 sejam adotadas.

A CureVac tinha um acordo para fornecer pelo menos 225 milhões de doses à União Europeia, com possibilidade de mais 180 milhões opcionais.

A vacina da empresa alemã usa a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA), uma sequência genética sintética que induz as células a produzirem a proteína “spike”, espécie de coroa de espinhos que o Sars-CoV-2 utiliza para atacar o organismo humano.

As expectativas eram altas para o imunizante: além de usar a mesma técnica que as bem-sucedidas versões da Moderna e da Pfizer/BioNTech, ela teria a vantagem de não precisar de temperaturas muito baixas para refrigeração, tornando-se mais fácil de conservar e armazenar.

(com Reuters e Ansa Brasil)

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Ibovespa não sustenta os 131 mil pontos, mas fecha em alta em meio a vacinas e agenda econômica; dólar cai a R$ 5,07

ações bolsa gráfico índices mercado compra venda sell buy (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (14) e voltou a superar os 130 mil pontos, deixando de lado a tendência lateral dos últimos pregões. Entre os drivers da sessão estiveram as expectativas pelas decisões de juros do Federal Reserve e do Comitê de Política Monetária (Copom), ambas na quarta-feira (16), e a antecipação das metas de vacinação em São Paulo.

Na véspera, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou um adiantamento de mais de 30 dias no calendário de vacinação do Estado, o que deve ajudar na recuperação da atividade econômica. A nova previsão é que todos os paulistas estejam vacinados pelo menos com a primeira dose até o dia 15 de setembro.

Como consequência, os papéis de educacionais, shoppings e varejistas subiram à espera de uma reabertura econômica mais célere. Para mais destaques de ações clique aqui.

Sobre política monetária, a maior probabilidade é de que, no comunicado, o Copom sinalize menor tolerância com a inflação, que já bate 8% em 12 meses segundo o último dado oficial. Já o Fed deve manter sua política monetária ultraestimulativa e reiterar que o repique inflacionário nos Estados Unidos é um choque temporário.

Hoje também teve a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que registrou alta de 0,44% em abril de 2021 na comparação com março, segundo dados do BC. Na comparação com abril de 2020, a alta foi de 15,92%.

O dado veio abaixo do esperado. A expectativa dos economistas, segundo projeção mediana em pesquisa Bloomberg, era de uma alta de 1,35% na comparação com março de 2021. Na comparação anual, a expectativa era de alta de 18,2%, também levando em conta a base de comparação deprimida do ano passado.

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, o aumento do IBC-Br teve uma parcela maior de responsabilidade pelo desempenho positivo da Bolsa hoje do que a vacinação. “Ainda que mais baixo do que o esperado, foi um crescimento relevante”, avalia.

Por outro lado, Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, disse que o impacto nas ações varejistas, shoppings e papéis como Ambev (ABEV3) e CVC (CVCB3) reforçam a hipótese de vacinação. “Está claro que o mercado estava muito pessimista com o crescimento, então somando-se o IBC-Br e a aceleração da imunização, junto com um cenário externo mais positivo, cria-se um ambiente favorável para tomada de risco nos investimentos”, analisa.

O Ibovespa teve alta de 0,59%, a 130.207 pontos com volume financeiro negociado de R$ 27,116 bilhões. Apesar da valorização, o índice ficou longe da sua máxima intradiária, quando chegou a bater 131.083 pontos.

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Enquanto isso, o dólar comercial caiu 1,01% a R$ 5,07 na compra e a R$ 5,071 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em julho registra perdas de 0,98% a R$ 5,077 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 5,34%, o DI para janeiro de 2023 caiu dois pontos-base a 6,96%, o DI para janeiro de 2025 teve queda de seis pontos-base a 7,99% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de sete pontos-base a 8,47%.

O dia no exterior, por outro lado, foi de desempenho desigual das bolsas americanas. O índice Dow Jones, de blue chips da economia tradicional, caiu 0,25% a 34.393 pontos, o S&P 500 subiu 0,18% a 4.255 pontos e o Nasdaq, focado em ações de empresas do setor de tecnologia, avançou 0,74% a 14.174 pontos.

No domingo, o CEO da fabricante de carros elétricos Tesla, Elon Musk, afirmou que a empresa voltará a realizar transações com bitcoins, assim que confirmar que há um uso que considere “razoável” de energia limpa pelos mineradores (indivíduos e empresas que, em troca de bitcoins, disponibilizam computadores para operacionalizar a blockchain, um tipo inovador de banco de dados que é a base da infraestrutura da criptomoeda). Musk posicionou esse patamar como 50% da energia utilizada, com uma tendência “positiva”, ou seja, de elevação desse percentual.

Já na Europa, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou nesta segunda o prolongamento de restrições no país em um mês como forma de controlar a expansão de casos de Covid. O Reino Unido luta conta uma elevação de casos com a variante Delta, descoberta pela primeira vez na Índia.

“Não podemos simplesmente eliminar a covid, devemos aprender a conviver com isso”, afirmou o líder britânico.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram outra vez suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, revelou o Relatório Focus do Banco Central. De uma expansão de 4,36%, agora espera-se um avanço de 4,85% no indicador. Já para 2022 as projeções para a variação na atividade econômica foram reduzidas de 2,31% para 2,20%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) houve um aumento nas expectativas de 5,44% para 5,82% em 2021 e de 3,70% para 3,78% em 2022.

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Sobre o dólar, os economistas reduziram suas projeções para a moeda ao fim do ano de R$ 5,30 para R$ 5,18. Para 2022 as expectativas também foram reduzidas, neste caso de R$ 5,30 para R$ 5,20.

Por fim, as estimativas para a taxa básica de juros, Selic, subiram bruscamente de 5,75% ao final de 2021 para 6,25%. Para 2022, as expectativas se mantiveram em 6,50%.

Covid no Brasil

No domingo (13), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.997, alta de 8% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.118 mortes.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h. O Ceará não registrou, oficialmente, mortes no domingo. A Secretaria de Saúde do estado afirmou não saber se isso se deve a uma instabilidade no sistema de coleta de dados, detectada na sexta. Como de praxe, Roraima tampouco divulgou dados. A Secretaria de Saúde afirma que o sistema estadual não é alimentado em finais de semana e feriados.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 66.842, alta de 10% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 36.998 casos.

Chegou a 54.607.404 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 25,79% da população. A segunda dose foi aplicada em 23.659.355 pessoas, ou 11,17% da população.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu no domingo que até 15 de setembro todos os adultos do estado já terão recebido a primeira dose da vacina contra a Covid, antecipando em um mês o calendário informado na última quarta-feira (9). Segundo levantamento do portal UOL, Rio Grande do Sul, Sergipe, Maranhão e Pará também esperam terminar de vacinar todos os adultos até setembro. O Ceará pretende vacinar esse grupo até agosto.

De acordo com a coordenadora do programa paulista de imunização, Regiane de Paula, “o avanço é planejado com base em remessas de vacinas previstas pelo Programa Nacional de Imunização”, e depende de seu cumprimento. O cronograma do Ministério da Saúde prevê que 200 milhões de doses serão entregues até o final de setembro.

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Com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para testes de primeira fase, o Instituto Butantan pretende iniciar, ainda nesta semana, um pré-cadastro de voluntários para testar a ButanVac, imunizante desenvolvido pela instituição, que pretende fabricá-lo com insumos produzidos nacionalmente.

Devem participar 400 voluntários desta primeira fase, em testes realizados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da unidade da USP de São Paulo e pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da unidade da USP de Ribeirão Preto.

Segundo Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, o governo paulista deve lançar, até o fim desta semana, um site onde os voluntários poderão preencher um pré-cadastro. A fase inicial de estudos em humanos busca avaliar a segurança da vacina e sua capacidade de induzir uma resposta imunológica.

No sábado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o Brasil receberá na próxima terça (15) 3 milhões de doses da vacina contra Covid-19 da farmacêutica Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson. As vacinas serão aplicadas apenas nas capitais do país.

O ministro fez o anúncio após a agência reguladora dos Estados Unidos Food and Drugs Administration autorizar a vinda das doses ao Brasil e ampliar a validade dos imunizantes de 27 de junho para 8 de agosto. O ministério também afirmou que a Anvisa deve avaliar nesta semana pedido da Janssen por uma prorrogação maior da validade das doses.

No sábado, o governo do Estado de São Paulo multou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o ministro da Infraestrutura, capitão da reserva do Exército Tarcísio Gomes de Freitas, por não usarem máscara durante evento com motociclistas.

Segundo nota do governo estadual, comandado por João Doria, desafeto político do presidente, os três foram multados em R$ 552,71 cada por descumprirem o decreto estadual que determina o uso da máscara. Em vídeos publicados em suas redes sociais, Bolsonaro aparece ao lado de motociclistas, quase todos sem máscara e aglomerados, e é saudado por gritos de “mito” e “nossa bandeira jamais será vermelha”.

Na quinta-feira, Bolsonaro havia afirmado que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se preparava para desobrigar pessoas vacinadas e que já contraíram Covid de usarem máscaras. Apesar de indivíduos já vacinados terem menor probabilidade de internação e mortes por Covid, eles podem continuar contraindo e propagando o vírus.

Na sexta, o ministro da Saúde disse que estão sendo realizados estudos para se ter “posições sólidas” sobre a possibilidade de flexibilização. Queiroga se irritou com repórteres ao afirmar que países avançados na vacinação já estavam fazendo essa flexibilização, e ser confrontado com o fato de este não ser o caso do Brasil neste momento.

Crise hídrica e resultado primário dos estados

Segundo reportagem de capa do jornal O Globo, o governo federal prepara uma medida provisória que criaria uma Câmara de Regras Excepcionais para Usinas Hidrelétricas, que concentraria o poder de estabelecer, excepcionalmente, limites de uso, armazenamento e vazão de usinas hidrelétricas, em um momento em que as principais barragens do sistema operam em patamares mínimos históricos.

A medida provisória retiraria poderes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e da Agência Nacional de Águas (ANA) sobre a gestão de reservatórios de hidrelétricas. Pelo texto, o Ministério de Minas e Energia, comandado atualmente pelo almirante de esquadra Bento Albuquerque, poderia administrar a vazão das usinas sem precisar do aval dos órgãos.

A medida provisória é justificada sob o argumento de que seria necessária para evitar um racionamento de energia no segundo semestre. Ela também daria mais poder ao ministério sobre concessionárias do setor elétrico e de petróleo e gás, permitindo adotar mais medidas visando garantir o abastecimento para este ano.

De acordo com o jornal, o governo também pretende ampliar incentivos financeiros para que grandes consumidores de energia, em especial a indústria, reduzam o consumo em horários de pico.

Apesar da persistência da falta de chuvas e da baixa em reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, a carga de energia do sistema elétrico interligado do Brasil deve encerrar junho com salto de 8,3% frente ao mesmo período do ano passado, de acordo com projeções de boletim divulgado na sexta pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), que elevou previsão de alta de 7,7% divulgada na semana anterior.

A melhora estimada no desempenho vem mesmo com expectativa de temperaturas mais amenas ou semelhantes na próxima semana, destacou o órgão do setor de energia, ao projetar que a produção industrial deve se manter “em patamares elevados, principalmente daquelas indústrias voltadas para exportação”.

“A melhora do setor externo graças à recuperação da economia mundial, devido ao controle da pandemia em países como Estados Unidos, parte da Europa e China, tem contribuído para o desempenho desse setor”, disse o ONS em boletim.

A maior expansão percentual prevista pelo ONS para a carga é na região Norte, com alta de 11,8%, enquanto no Nordeste espera-se avanço de 9,9% na comparação com mesmo período de 2020, quando a pandemia de coronavírus gerava maior impacto sobre atividades, embora o país siga com número elevado de casos de Covid-19.

No Sudeste/Centro-Oeste, o ONS vê agora elevação de 8% na carga no mês, enquanto no Sul é prevista alta de 6,2%. Na semana anterior, o ONS via um aumento maior na carga do Norte, de 12,5%, mas desempenho inferior no Sudeste/Centro-Oeste, onde era esperado crescimento de 7,1% ano a ano.

O ONS apontou ainda que o quadro de chuvas escassas na região das hidrelétricas do país deve seguir em vigor, com as precipitações na área das usinas do Sudeste e Centro-Oeste estimadas em 66% da média histórica para junho, leve alta frente aos 62% projetados na semana anterior.

Para atender à demanda enquanto busca poupar água nos reservatórios hídricos, o ONS projetou que deverá acionar 9,61 gigawatts em termelétricas na próxima semana, pouco acima dos 9,57 gigawatts vistos na semana anterior.

Com isso, o nível dos lagos das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, região líder em capacidade de armazenamento, deve terminar o mês em 28,9% do total, contra 30,8% no início do mês, disse o ONS.

Ainda em destaque, a atividade econômica com desempenho além do esperado nos primeiros meses do ano, a inflação e medidas de contenção de despesas garantiram aos Estados resultado primário surpreendente, apesar da pressão de gastos com saúde em meio à pandemia.

Considerado indicador do esforço dos governos na busca do equilíbrio fiscal, o resultado primário dos 26 Estados e Distrito Federal somou R$ 56,95 bilhões de janeiro a abril, mais que o dobro dos R$ 26 bilhões de igual período de 2020, de acordo com levantamento do Valor. O saldo é anterior ao pagamento de juros da dívida.

Radar corporativo

A CSN anunciou na sexta-feira que fará um resgate antecipado US$ 503,9 milhões de títulos sem garantia com vencimento em 2023. Para o resgate dos papéis, em nome da CSN Resources, a empresa pagará o equivalente do 103,813% do montante principal. A operação deve acontecer em 12 de julho.

Vale, Anglo American, Equinor, Total e outras diversas empresas assinaram nesta sexta-feira um memorando de entendimento para estudar o uso da amônia como combustível marinho alternativo, informou em nota à imprensa a mineradora brasileira, como parte de esforços para reduzir suas emissões.

O grupo reúne companhias de indústrias variadas como energia, mineração, química, terminais e estaleiros. O acordo, segundo a Vale, prevê estudos sobre o impacto de avaliação da segurança do uso de NH3 (amônia) como combustível; os procedimentos para abastecimento de embarcações; a sua especificação como combustível; e as emissões líquidas de carbono na produção do produto.

A AES Brasil informou que aprovou uma política de destinação de seus resultados que prevê uma distribuição semestral aos acionistas de no mínimo 50% do lucro líquido ajustado de cada exercício, com entrada em vigor a partir de 2022.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
COGN3 8.75576 4.72
LWSA3 5.64388 26.58
BTOW3 5.09507 70.75
BRML3 4.25909 11.75
NTCO3 3.91771 58.09

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
GGBR4 -2.51515 32.17
GOAU4 -2.50169 14.42
CSAN3 -1.63424 25.28
PRIO3 -1.47283 19.4
BRKM5 -1.44852 56.47

A Petrobras informou que enviou nesta sexta-feira uma carta à BR Distribuidora (BRDT3) na qual solicitou cooperação para a implementação de uma oferta secundária visando a venda de sua participação restante na companhia, de 37,50%.

A companhia também deverá receber de suas sócias chinesas no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, US$ 2,94 bilhões  referentes a compensação total dos investimentos feitos pela brasileira no ativo, como resultado de acordo de coparticipação assinado na véspera, disse a empresa na véspera. A Petrobras vem afirmando que Búzios é o maior campo de petróleo em águas profundas do mundo. No fato relevante, a empresa apontou mais de 11 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) recuperáveis no ativo.

A Track & Field negou na última sexta-feira que estaria negociando a compra da Centauro. O esclarecimento aconteceu após notícia do Brazil Journal de que as saídas de executivos da Track & Field, como o CEO, pode sinalizar uma possível fusão ou aquisição por parte da companhia.

O tráfego total de passageiros da Azul, medido pela indicador RPK, teve alta de 361,9% em maio, em comparação ao mesmo mês de 2020.

A Randon anunciou a compra da Menegotti Fundição, unidade produtiva isolada (UPI) da Menegotti Indústrias Metalúrgicas e da Menegotti Participações, ambas em recuperação judicial e pertencentes ao Grupo Menegotti, por R$ 71,53 milhões.

O Carrefour Brasil informou na noite de sexta que concluiu acordo com autoridades federais e do Rio Grande do Sul em relação ao episódio de espancamento e morte de um homem negro numa loja da companhia. De acordo com o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), com validade de três anos, o Carrefour Brasil ampliará em até R$ 115 milhões um fundo para promover inclusão racial e combate ao racismo. Assinado com o Ministério Público Federal e o do Rio Grande do Sul, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública da União e Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, o TAC extingue os processos coletivos ligados ao caso.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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