Com Biden, Índia quer importar mais petróleo de Irã e Venezuela

(Bloomberg) — A Índia espera que o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, adote uma postura mais branda em relação ao Irã e à Venezuela, permitindo que o terceiro maior importador de petróleo do mundo diversifique suas fontes de compra do combustível.

A Índia ficaria contente com o aumento do número de países produtores, afirmou o ministro do Petróleo, Dharmendra Pradhan, em entrevista à Bloomberg TV, reiterando comentários que fez no mês passado. “Algumas mudanças geopolíticas chegaram”, disse ele. “Vamos esperar pelos desdobramentos.”

A economia indiana é profundamente dependente de energia importada e suas refinarias penaram com a política externa agressiva da Casa Branca nos últimos anos, que restringiu o acesso ao petróleo do Irã e da Venezuela. Pradhan também se mostrou exasperado com a Arábia Saudita, líder de fato da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que anunciou cortes unilaterais de produção em resposta à aceleração do contágio pela Covid-19.

A mudança repentina na política de produção dificulta o planejamento econômico e vai estimular a inflação, segundo ele. “Nós nunca esperamos preços baixos para o petróleo. Mas não deve ser uma reação automática.”

A Índia suspendeu as importações do Irã — que já foi seu terceiro maior fornecedor de petróleo — em meados de 2019, após o término das isenções de sanções dos EUA. O país comprou 7,65 milhões de toneladas de petróleo venezuelano entre janeiro e outubro do ano passado, após adquirir 15,9 milhões de toneladas em 2019. O Irã prometeu aumentar as exportações de petróleo e os embarques para a China quase dobraram entre novembro e dezembro.

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Venezuela alerta petroleiras: aumentem produção ou saiam do país

(Bloomberg) – A Venezuela alertou petroleiras estrangeiras como Chevron e Repsol de que suas licenças estão em risco, a menos que ajudem o país, membro da Opep, a reverter a queda histórica da produção, de acordo com pessoas a par do assunto.

A estatal Petróleos de Venezuela e o Ministério do Petróleo em Caracas escreveram no mês passado a todos os 19 parceiros de joint ventures cujos contratos terminam em 2026 para sondar suas intenções, segundo carta vista pela Bloomberg.

De acordo com os contratos existentes, as empresas podem solicitar renovações das licenças de 15 anos. As petroleiras tinham até 15 de janeiro para responder à carta.

A Venezuela buscará novos parceiros se os existentes não se manifestarem e ajudarem a reativar a indústria petrolífera em colapso depois de anos de má gestão e sanções dos Estados Unidos, disseram as pessoas, que falaram sob anonimato.

Embora as sanções tenham efetivamente impedido a Chevron de produzir petróleo na Venezuela desde abril, a gigante de petróleo dos EUA foi autorizada a realizar transações consideradas essenciais para preservar seus ativos. A Chevron há muito tempo argumenta que os EUA se beneficiam de ter um produtor local em um país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Joe Biden, ainda não sinalizou sua posição sobre as sanções.

Porta-vozes do Ministério do Petróleo, Chevron e Repsol não responderam de imediato a pedidos de comentário por e-mail. A PDVSA não quis comentar.

A PDVSA busca revisar os acordos de joint venture e trazer novos parceiros antes que as licenças atuais expirem, disseram as pessoas. A maioria dos projetos produz pouco ou quase nada, já que as empresas estrangeiras têm receio de entrar em conflito com as sanções.

A nova tentativa para impulsionar a produção da indústria petrolífera da Venezuela surge quando o regime de Nicolás Maduro, que até agora tem resistido aos esforços dos EUA para tirá-lo do poder, promove uma “lei antibloqueio” para atrair investimentos estrangeiros e abrir a economia à iniciativa privada.

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A PDVSA avalia uma ampla reorganização que pode incluir o fim de sua política de uma década de participação majoritária em joint ventures, disseram pessoas a par do assunto em abril passado. Isso marcaria uma reviravolta na iniciativa de nacionalização do ex-presidente Hugo Chávez, que confiscou ativos de empresas estrangeiras, como da Exxon Mobil e ConocoPhillips, o que levou as petrolíferas a saírem do país.

As exportações de petróleo da Venezuela caíram para o nível mais baixo em cerca de sete décadas no ano passado. O membro da Opep produziu 410 mil barris por dia em dezembro, uma queda de mais de 40% em relação ao ano anterior, de acordo com pesquisa da Bloomberg.

Na terça-feira, o Departamento de Estado dos EUA anunciou medidas contra indivíduos e entidades acusadas de ajudarem a Venezuela a escapar das sanções contra o petróleo, em um golpe de despedida do governo Trump.

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Venezuela eleva exportações de petróleo apesar de menor produção

(Foto: Getty Images)

(Bloomberg) – A abalada indústria petrolífera da Venezuela tem aumentado as exportações, mesmo com a contínua queda da produção.

As exportações de petróleo, commodity que financia o regime do presidente Nicolás Maduro, devem subir para o maior nível em quatro meses, totalizando pelo menos 325 mil barris por dia em agosto. O volume reflete em grande parte as trocas de diesel por petróleo bruto que, por enquanto, estão isentas das sanções dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a produção caiu para cerca de 101 mil barris por dia na semana encerrada em 5 de agosto, segundo relatório visto pela Bloomberg. O volume está muito distante dos 2 milhões de barris diários produzidos pela Venezuela há apenas três anos.

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Caracas pode impulsionar as exportações mesmo com a produção em queda devido ao petróleo armazenado. Os tanques no principal porto de José e nas instalações de processamento de petróleo armazenam, em média, 15,6 milhões de barris neste mês, o equivalente a 48 dias de exportação. O volume é quase 50% superior aos níveis de janeiro, segundo relatórios internos da PDVSA compilados pela Bloomberg.

Os estoques aumentaram devido à queda da demanda por combustíveis durante a pandemia. A crise e sanções subsequentes impostas à trading de petróleo mexicana Libre Abordo SA de CV e à sua subsidiária Schlager Business Group, que ajudaram o regime a exportar 32 milhões de barris de petróleo para a Ásia, também tiveram seu papel.

A maior parte das exportações venezuelanas neste mês, conforme estimado por relatórios de embarque e dados de rastreamento de navios, será destinada às trocas de diesel com refinarias, incluindo a Reliance Industries, de Mumbai, a espanhola Repsol e a italiana Eni.

A China, que já foi a maior importadora de petróleo da Venezuela, deve receber 54,8 mil barris por dia, o menor volume em cerca de três anos.

Suprimentos mais baixos da Venezuela e do Irã, ambos atingidos por sanções dos EUA, juntamente com cortes da produção da Opep e aliados, ajudam a manter os diferenciais do petróleo pesado e leve apertados.

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Queda das exportações de petróleo da Venezuela agrava crise

(Foto: Getty Images)

(Bloomberg) — A receita do petróleo, o salva-vidas financeiro da Venezuela, está secando de forma acelerada, o que aumenta a instabilidade do regime de Nicolás Maduro.

As exportações de petróleo, que antes respondiam por 95% das entradas de moeda estrangeira no país, caíram quase pela metade neste mês, depois de atingir o menor nível em 73 anos em maio. A queda coincide com as sanções dos EUA à Venezuela, que tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

O regime de Maduro já enfrenta uma crise humanitária agravada pela pandemia de coronavírus, que encolhe a demanda doméstica por combustíveis. A expectativa é que apenas mais um petroleiro seja carregado para os 12 dias restantes do mês, segundo documentos. A Venezuela costumava carregar dois navios por dia há dois anos, antes da imposição de sanções financeiras.

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Os tanques de armazenamento de petróleo no país estão quase cheios, obrigando operadores a paralisarem a produção em níveis nunca vistos desde o final da Segunda Guerra Mundial. É quase impossível vender petróleo a clientes estrangeiros com a maioria dos petroleiros reservados para exportar petróleo obrigados a cancelamentos devido às sanções do governo Trump.

“Sem o dinheiro do petróleo, a vida fica muito mais difícil para Maduro”, disse Diego Moya-Ocampos, consultor de risco político da IHS Markit, em Londres. “Ele terá que depender mais da mineração de ouro e atividades ilegais, como o tráfico de drogas, para pagar por seu aparato de segurança.”

Os embarques de petróleo, usados para a troca por combustíveis e alimentos, caíram para 167.222 barris por dia neste mês até quinta-feira passada, queda de 45% em relação ao mesmo período em maio, segundo dados de programas de carregamento e rastreamento de navios compilados pela Bloomberg.

Depois que os EUA impuseram sanções à empresa mexicana Libre Abordo e sua afiliada Schlager Business, a Venezuela começou a depender de remessas para Cuba, sua aliada, para a refinaria italiana Eni e para a Repsol, da Espanha. Tanto a Eni quanto a Repsol já disseram que estão recebendo petróleo como pagamento para liquidar dívidas antigas.

“A Repsol recebe cargas como pagamento de dívidas pendentes”, disse o porta-voz Kristian Rix em e-mail. “A Repsol cumpre totalmente as leis e regulamentos internacionais e, claro, continuará cumprindo.”

A Eni está recuperando recebíveis da PDVSA por meio do fornecimento de petróleo em total conformidade com as sanções dos EUA, segundo comunicado da empresa.

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Mais de 1.200 presos protestam por falta de alimentos na Venezuela

(Crédito: Fotos Públicas)

A organização não governamental (ONG) Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) denunciou hoje (12) que mais de 1.200 detidos no centro penintenciário da região capital Rodeo III, a leste de Caracas, iniciaram protesto devido à falta de alimentos.

Os presos estão “há dias bebendo água com sabor de feijão”, e enviaram “vídeos e fotografias para provar” que tipo de alimento recebem e “as condições em que se encontram”, informou a ONG em mensagem no Twitter.

“A má alimentação que os presos de Rodeo III recebem causou uma considerável perda de peso e deixou muitos subnutridos”, acrescentou.

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O OVP denunciou ainda que um grupo de presos decidiu reclamar o direito à alimentação e foi agredido por funcionários do Grupo de Resposta Imediata e Custódia (GRIC), do Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano.

“Alguns detidos foram feridos com balas de borracha, mas mesmo assim decidiram não ficar calados e durante a noite começaram uma greve de fome de protesto”, afirmou a ONG.

O OVP acrescentou que as tentativas dos presos de falar com a direção da prisão ficaram sem resposta.

Em um dos vídeos divulgados, um detido, com o corpo coberto por temer represálias, explicou que a direção da prisão não quer que a situação seja mostrada. “Estão nos matando de fome”, alertou.

Os presos exigem das autoridades penitenciárias que autorizem familiares a levar alimentos, garantam cuidados médicos e resolvam a situação de alguns detidos que “já cumpriram a sentença, mas continuam na prisão”, de acordo com o OVP.

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Governo dos EUA congela ativos de empresa estatal de petróleo da Venezuela


Chefia da estatal anunciou apoio a Nicolás Maduro em meio à disputa pela presidência do país com Juan Guaidó, apoiado pelos EUA; medida deve pressionar ainda mais a economia da Venezuela. Posto da PDVSA em Caracas
Andres Martinez Casares/Reuters
A petrolífera da Venezuela, a PDVSA, não pode mais movimentar o dinheiro e os bens que tem investidos nos Estados Unidos. Isso porque o governo norte-americano emitiu decisão nesta segunda-feira (28) que bloqueia os ativos da empresa estatal venezuelana no país. As sanções foram anunciadas pelo secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, e também proíbe que norte-americanos façam negócios com a PDVSA.
A decisão é mais uma medida de pressão dos EUA a Nicolás Maduro, que enfrenta uma crise política em seu país depois que o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se declarou presidente interino. Os EUA, assim como diversos países, reconheceram Guaidó como presidente da Venezuela. Mas a chefia da PDVSA, controlada pelo governo da Venezuela, havia reiterado apoio a Maduro.
Venezuela é rica em reservas de petróleo sub-exploradas “Os EUA vão continuar utilizando todas as ferramentas diplomáticas e econômicas para apoiar o presidente interino Juan Guaidó, a Assembleia Nacional, e os esforços do povo venezuelano para restaurar a democracia”, disse Mnuchin.
A medida tende a pressionar mais ainda a economia da Venezuela, que depende fortemente das exportações de petróleo. Há ainda expectativas dos efeitos dessa decisão sobre o preço do barril nos EUA, já que a Venezuela está entre os quatro maiores exportadores da commodity aos EUA. De todo o petróleo cru que os norte-americanos compram, 6% vem da Venezuela. Em pronunciamento na noite desta segunda-feira, Maduro acusou o governo Trump de “roubar da Venezuela a Citgo” – uma subsidiária da PDVSA nos EUA. O chavista também afirmou que a estatal vai entrar com ações legais contra o governo norte-americano para “proteger a estatal”.
Guaidó ignora Maduro e quer nomeações
Nicolás Maduro e Juan Guaidó disputam a legitimidade do poder na Venezuela
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Juan Guaidó, declarado presidente interino da Venezuela na quarta-feira (23), disse em comunicado que ordenou a Assembleia Nacional a nomear novos diretores para a PDVSA e para a Citgo.
A decisão de Guaidó ignora a posição do presidente da PDVSA, Manuel Quevedo – que é militar e também comanda o Ministério do Petróleo do governo chavista. Na quarta-feira passada, logo após o oposicionista se declarar presidente, Quevedo reiterou o apoio a Nicolás Maduro.
Casa Branca volta a pedir apoio de militares venezuelanos
Militares permanecem na sede da Guarda Nacional Bolivariana de Cotiza, na Venezuela, nesta segunda-feira (21) Yuri Cortez / AFP
A Casa Branca pediu nesta segunda-feira para que as forças armadas e de segurança da Venezuela apoiem Juan Guaidó como presidente interino do país e informou que já houve “contatos significativos” entre generais venezuelanos e representantes da Assembleia Nacional (Parlamento). “Pedimos para que os militares e forças de segurança venezuelanas aceitem a transição de poder pacífica, democrática e constitucional”, disse John Bolton, assessor de segurança nacional do presidente Donald Trump. “A nossa análise, nos baseando em vários contatos, é que os militares venezuelanos de menor patente são profundamente conscientes das desesperadas condições econômicas no país e estão buscando formas de apoiar o governo da Assembleia Nacional”, explicou Bolton.
O assessor de Trump opinou que esse sentimento é compartilhado pelos “oficiais de categoria média” e garantiu que a Casa Branca está “a par de contatos significativos entre oficiais e simpatizantes da Assembleia Nacional”. “Portanto, quando o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, fez na semana passada essa declaração (de apoio ao presidente Nicolás Maduro), rodeado por muitos generais uniformizados, não sabiam quantos deles já estavam falando com a Assembleia Nacional”, ressaltou.