“Esperamos a aprovação da compra da Oi Móvel ainda no segundo semestre”, diz CEO da Vivo

SÃO PAULO — Christian Gebara, presidente da Telefônica Brasil – Vivo (VIVT3), espera que a aprovação da compra da Oi Móvel pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aconteça ainda no segundo semestre de 2021.

Em entrevista nesta quarta-feira (28) antes da call com analistas sobre os resultados do segundo trimestre de 2021, Gerbara disse que “a compra foi muito bem pensada” e que a “empresa considerou todas as limitações que poderiam existir em termos de atuação”.

“Temos expectativa de que no segundo semestre deste ano a gente tenha a aprovação tanto da Anatel quanto do Cade. Estamos provendo todas as informações para que eles façam a avaliação”, disse. “É uma operação que envolve empresas grandes e, por isso, o Cade a classifica como complexa, mas sempre foi pensada com a maior distribuição competitiva possível”, completou.

“Nós tivemos mudanças na superintendência do Cade, o que gera mais tempo para que a avaliação da aquisição seja concluída, mas estamos com essa expectativa para o segundo semestre”, afirmou o executivo da Vivo.

Gerbara destacou ainda que a empresa tem R$ 6,6 bilhões em caixa líquido e que, caso a aquisição seja aprovada, terá de arcar com R$ 5,5 bilhões. “Já teríamos o recurso 100% disponível, mas, claro, estamos sempre avaliando boas opções de captarmos mais recursos quando necessário.”

TIM, Telefônica Brasil e Claro venceram em dezembro passado o leilão para comprar, por R$ 16,5 bilhões, as operações de redes móveis da Oi, que pediu recuperação judicial em 2016, e está vendendo ativos para levantar fundos e pagar credores.

Dividendos

David Melcon, CFO da Telefônica Brasil – Vivo e que também participou da entrevista, comentou sobre a proposta de reforma tributária que está sendo analisada pelo Congresso. Segundo o executivo, pela proposta, a empresa pode ser beneficiada em alguns pontos, mas prejudicada em outros.

“Temos uma prática de distribuir 100% do lucro anual no ano seguinte. Payout de 100% através de dividendos e juros sobre o capital próprio. Neste ano, não temos motivos para pensar que a reforma possa atrapalhar o pagamento que já anunciamos em fevereiro de pagamento de mais de R$ 1 bilhão aos acionistas”, disse.

“Mas temos que ver tudo de forma conjunta. A Vivo é uma companhia que tem uma estrutura de capital que a permite ter algumas alternativas para proteger os interesses dos nossos acionistas”, completou o executivo.

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O Ministério da Economia entregou em junho a proposta de Reforma Tributária prevendo a tributação de dividendos distribuídos a pessoa física em 20%. A isenção para o recebimento de até R$ 20 mil num único mês valerá apenas para micro e pequenas empresas. Assim, quem receber os proventos de grandes empresas, mesmo que seja um pequeno investidor pessoa física, será tributado em 20%, independentemente do valor recebido, caso a proposta seja aprovada como está.

Resultados

Sobre o balanço do segundo trimestre de 2021, Gebara destacou o crescimento da companhia no segmento móvel e o avanço de 47% da receita de aparelhos na comparação com o mesmo período de 2020 — fruto de uma base comparativa bem fraca (no início da pandemia todas as lojas da Vivo fecharam) e também de lançamentos importantes de novos smartphones pela Apple e outras marcas.

A Vivo lucrou R$ 1,345 bilhão no segundo trimestre de 2021, um crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente da empresa totalizou R$ 4,226 bilhões, valor 3% maior na mesma base de comparação.

A receita da Vivo chegou a R$ 10,649 bilhões no trimestre terminado em junho, o que representa 3,2% de crescimento sobre o mesmo período de 2020. Segundo a companhia, a base de clientes totalizou 97 milhões de acessos, cinco milhões a mais do que no ano anterior. No negócio de fibra óptica, a companhia chegou a 77 cidades, adicionando 4,3 milhões de casas passadas.

“A demanda por fibra se mantém forte e a companhia está também empenhada em diversificar a receita, Já anunciamos, por exemplo, nossa entrada no segmento de saúde com a criação da Vida V, plataforma digital de saúde e bem-estar”, disse Gebara.

“Em termos de ESG, somos uma empresa carbono neutro e a primeira no setor a usar energia 100% renovável em sua cadeia de produção. Temos, por exemplo, em Caruaru, Pernambuco, nossa primeira usina de biogás”, completou o presidente da companhia.

“Renovamos nosso ISSO 14001 e seguimos no projeto de reciclagem e descarte correto de equipamentos eletrônicos. Só em 2021, devemos recolher gratuitamente cerca de 1,5 milhão de equipamentos de clientes que deixam de assinar serviços e têm equipamentos em suas casas.”

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Oi faz emissão de US$ 880 mi em títulos da dívida, estreias na Bolsa, balanços de Santander, CSN, Carrefour, Vivo e mais

Logo da Oi (OIBR3) (Reprodução/Facebook)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo desta quarta-feira (28) é bastante movimentado nesta quinta-feira, com duas estreias na Bolsa brasileira, a Oi emitindo US$ 880 milhões em títulos da dívida com juros de 8,75%, além da temporada intensa de resultados.

Entre os balanços, estão o de Santander Brasil, CSN, Vivo, Assaí, Carrefour Brasil, WEG, entre outras. Depois do fechamento, será revelado o resultado da Vale. Confira os destaques:

Estreias na Bolsa

Atenção às estreias da B3. As ações de TC têm seu primeiro pregão nesta quarta após a ação ser precificada a R$ 9,50 em oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). O ticker de negociação da empresa de serviços para traders, que captou R$ 700 milhões na operação, é TRAD3.

Outra ação com estreia prevista é a Armac, com precificação a R$ 16,63 e captando R$ 1,5 bilhão. A empresa de locação de equipamentos mecânicos vai negociar com o ticker ARML3.

A Oi, em recuperação judicial, precificou oferta no mercado internacional de títulos de dívida (sênior notes) emitidas pela Oi Móvel no valor total de US$ 880 milhões (por volta de R$ 4,549 bilhões na cotação atual).

Eles terão vencimento em julho de 2026 e juros remuneratórios semestrais de 8,75% ao ano.

De acordo com a companhia, os recursos líquidos obtidos com a emissão serão utilizados para o pagamento das debêntures da primeira emissão da Oi Móvel, com vencimento em janeiro de 2022 e valor principal de R$ 2,5 bilhões e o restante para fins corporativos gerais.

Santander Brasil (SANB11)

Na temporada de resultados, o Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,171 bilhões no segundo trimestre de 2021, alta de 98,4% frente igual período do ano anterior e avanço de 5,4% ante o trimestre imediatamente antecedente.

O banco ainda anunciou na véspera que Mario Roberto Opice Leão será o presidente-executivo do banco a partir de janeiro de 2022, em uma ampla reformulação do comando da franquia do grupo espanhol que também levará o atual CEO, Sergio Rial, para a presidência do conselho de administração. Leão, que completou 46 anos na semana passada, passou por várias instituições financeiras, incluindo Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley, antes de chegar ao Santander, onde está desde outubro de 2015, sendo mais recentemente vice-presidente responsável pela unidade de atacado.

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Para o Bradesco BBI, o Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no trimestre, mostrando tendências positivas no crescimento do crédito, com melhor mix e evolução positiva da receita líquida de juros com clientes, e nas receitas de tarifas, refletindo a melhor atividade econômica. “Entretanto, notamos que as provisões aumentaram no trimestre, enquanto o índice de cobertura diminuiu para 263%, embora a taxa de inadimplência se mantenha relativamente sob controle”, apontam os analistas.

O Morgan Stanley avaliou os resultados do Santander como fortes, ressaltando a alta do lucro, 10% acima de sua estimativa de R$ 3,798 bilhões. O banco diz que os resultados são sólidos e refletem uma boa execução da gestão. Por outro lado, avalia que a saída do atual CEO pode reduzir o entusiasmo com os papéis. O Morgan Stanley reiterou sua avaliação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para o Santander, com preço-alvo de US$ 10, frente à cotação de US$ 7,88 na Bolsa de Nova York.

O Bradesco BBI também comentou a notícia de que Sérgio Rial deve assumir como presidente do conselho diretor do Santander, e de que Álvaro de Souza deixará o cargo, mas permanecerá, assim como Rial, como conselheiro independente do Grupo Santander na Espanha.

O banco diz que a notícia já era esperada pelo mercado, mas diz que o timing pode ter sido uma surpresa. O Bradesco ressalta que Sérgio Rial teve um papel importante na retomada do desempenho do banco, e que sua presença na junta diretora pode ser um sinal de que a estratégia deve continuar. O BBI diz que, durante o mandato de Rial, o Santander Brasil se tornou o subsidiário mais importante do Grupo Santander. Considerando a relevância de Rial para o banco, avalia que Leão terá um grande desafio à frente para manter a cultura desenvolvida nos últimos seis anos, e para manter o atual patamar de retorno sobre o patrimônio líquido, elevado nos últimos anos para entre 20% e 21%, frente ao patamar de entre 12% e 13% de 2016. Também será necessário competir com outros grandes bancos e com fintechs.

O Bradesco BBI mantém avaliação neutra sobre o Santander, e preço-alvo de R$ 47 para os papéis SANB11, negociados na terça por R$ 41,2.

A rede de atacarejo Assaí teve alta de 62% no lucro líquido do segundo trimestre ante mesmo período de 2020, para R$ 305 milhões, informou a companhia na terça-feira.

O Ebitda ajustado foi de R$ 793 milhões, crescimento de 33% na comparação anual. A companhia, controlada pelo francês Casino, inaugurou no trimestre três lojas, ampliando a base total no país para 187 unidades.

A receita do Assaí, por sua vez, chegou a R$ 10,049 bilhões, o que representa 22,2% de crescimento na base anual de comparação.

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O Itaú BBA afirma que os dados divulgados pelo Assaí superam suas estimativas, que já eram otimistas. O banco ressalta que as vendas em mesmas lojas subiram 9,2%, apesar de um patamar difícil de comparação, e a abertura de 19 novas lojas em 12 meses levaram a uma alta de 22% na receita líquida em um ano. A margem bruta chegou a 16,8%, alta de 0,6 ponto percentual na comparação anual, por conta de uma participação maior dos consumidores finais nas rendas totais, e por uma boa performance nas novas lojas. E a margem Ebitda ficou em 7,5%, alta de 0,3 ponto percentual em um ano, levando a uma receita líquida maior do que o esperado, de R$ 264 milhões.

Assim, o Itaú mantém avaliação outperform para o Assaí, e preço-alvo para 2021 em R$ 100, frente à cotação de R$ 89 de terça.

Carrefour Brasil (CRFB3)

O grupo Carrefour Brasil teve queda de 16,8% no lucro líquido do segundo trimestre ante mesmo período de 2020, a R$ 592 milhões. A companhia, que também é dona da bandeira de atacarejo Atacadão, teve Ebitda ajustado de R$ 1,37 bilhão no período, recuo ano a ano de 3,6%.

As vendas mesmas lojas consolidadas do grupo subiram 3,4%, excluindo combustíveis e efeito calendários. O efeito foi produzido por crescimento de 10,2% nas vendas mesmas lojas do Atacadão e retração de 11,4% na bandeira Carrefour.

A CSN teve um lucro líquido de R$ 5,5 bilhões no 2º trimestre de 2021, baixa de 3% na comparação com o primeiro trimestre de 2021, mas com avanço de 1.136,3% na comparação com igual período de 2020.

O lucro atribuído aos controladores foi de R$ 4,96 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representa alta de 1.338,6% frente igual período de 2020.

O Ebitda ajustado, que soma ao resultado depreciação, amortização, tributos, participação em investimentos e efeitos extraordinários, além da participação proporcional das controladas MRS Logística e CBSI, teve alta de 324,6%, para R$ 8,174 bilhões.

CSN Mineração (CMIN3)

A CSN Mineração registrou resultados recordes no segundo trimestre de 2021, com Ebitda de R$ 4,96 bilhões, 2% acima da estimativa do BBI de R$ 4,87 bilhões, alta de 35% em relação ao trimestre anterior e alta de 256% em base anual.

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Os principais destaques no trimestre foram: (i) As vendas de minério de ferro alcançaram 9,1 milhões de toneladas (em linha com o estimado pelo BBI), alta de 11% no trimestre e + 18% em base anual; (ii) a realização de preço veio 2% mais forte versus estimado pelo BBI e alta de 26% em relação ao trimestre anterior; (iii) desempenho de custos em linha, embora ainda em alta no trimestre, impactado por maiores taxas de frete, custos de aquisição de terceiros e despesas portuárias; (iv) despesas com vendas, gerais e administrativas/tonelada acima do esperado; (v) Geração de fluxo de caixa livre forte, em cerca de R$ 2,9 bilhões, com dívida líquida/Ebitda abaixo de 0,4 vez.

A CMIN anunciou dividendos de R$ 1,8 bilhão relativos ao primeiro semestre de 2021, implicando em um payout ratio de 38%, abaixo da expectativa de payout de 80% do banco.

Os analistas mantêm recomendação de compra para CSN Mineração (preço-alvo de R$ 14,00).

A Unidas registrou um lucro líquido recorrente de R$ 241,2 milhões no segundo trimestre de 2021, ante R$ 1,7 milhão no mesmo período do ano passado, informou a companhia em balanço enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na terça-feira, 27.

Já o Ebitda recorrente alcançou R$ 557,2 milhões de abril a junho, alta de 167,1% na comparação com igual período do ano anterior. A margem Ebitda foi de 75,4% no segundo trimestre, avanço de 32 pontos porcentuais ante o mesmo período de 2020.

A receita líquida consolidada da companhia atingiu R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, alta de 74,7% ante igual intervalo de 2020.

“A receita líquida consolidada da companhia apresentou crescimento robusto no segundo trimestre, sustentada pela forte expansão da receita de todos os segmentos de negócio. Vale destacar o desempenho de locação, que quebrou recorde neste trimestre”, disse a Unidas em relatório, acrescentando que o negócio de locação “foi impulsionado pela força e resiliência da operação de terceirização de frotas e pela rápida retomada em aluguel de carros.”

Telefônica Brasil (VIVT3)

A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, lucrou R$ 1,345 bilhão no segundo trimestre de 2021, crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda recorrente da empresa totalizou R$ 4,226 bilhões, valor 3% acima do registrado no segundo trimestre de 2020.

A receita da Telefônica, por sua vez, chegou a R$ 10,649 bilhões, o que representa 3,2% de crescimento na base anual de comparação.

Segundo a administração, a base de clientes totalizou 97 milhões de acessos, cinco milhões a mais do que no segundo trimestre de 2020.

No negócio de fibra óptica, a companhia chegou a 77 cidades, adicionando 4,3 milhões de casas passadas.

“Ao final do trimestre, somamos 17,3 milhões de casas passadas distribuídas em 293 cidades. Em julho de 2021, a FiBrasil, empresa de rede neutra de fibra por atacado criada em conjunto com a Tef Infra e CDPQ, iniciou sua operação com o objetivo de expandir a cobertura de fibra no Brasil. Essa capilaridade nos permite acelerar o volume de clientes conectados, aumentando a taxa de penetração da rede e, consequentemente, capturando o retorno dos investimentos”, comenta a gestão.

O Bradesco BBI avaliou os resultados da Telefônica Brasil relativos ao segundo trimestre como em linha com o consenso do mercado. O banco acredita que o mercado vê os resultados como neutros ou levemente positivos. As receitas do segmento móvel vêm melhorando sequencialmente.

O banco mantém recomendação neutra (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) para a Telefônica, e preço-alvo de R$ 61.

A Vamos, empresa de locação de caminhões e equipamentos do grupo Simpar (ex-JSL), registrou lucro recorde no segundo trimestre de 2021, de R$ 100 milhões. O valor representou uma alta de 154,8% ante igual período do ano passado.

A receita líquida também dobrou, a R$ 665,6 milhões, ante R$ 329,9 milhões registrados no segundo trimestre de 2020.

A WEG registrou lucro líquido de R$ 1,134 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 120,6% na base de comparação anual.

O resultado foi positivamente impactado pelo reconhecimento dos créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. O resultado financeiro de R$ 129,9 milhões e o aumento no imposto de renda auferido desses créditos, de R$ 147,5 milhões, também tiveram impacto sobre o lucro.

Sem esses efeitos, não recorrentes, o lucro líquido seria R$ 851,9 milhões, alta de 65,6% na comparação anual.

Já o Ebitda foi de R$ 1,392 bilhão, avanço de 90,2% na base anual, enquanto a receita operacional líquida teve crescimento de 41,4%, a R$ 5,748 bilhões.

A companhia também informou que pagará cerca de R$ 663 milhões em dividendos.

A Camil Alimentos informou na noite de terça-feira que a sua controlada Camilatam Ecuador fechou acordo avaliado em US$ 36,5 milhões para adquirir os ativos, direitos, marcas e contratos relacionados aos negócios de produção e processamento de arroz da Agroindustrias Dajahu.

O anúncio de aquisição de ativos incluiu a totalidade das ações de emissão da companhia Transportes Ronaljavhu no Equador.

As unidades envolvidas no acordo operam no Equador entre as líderes em marca de arroz, com “market share significativo e elevado potencial de crescimento”, destacou a Camil em fato relevante.

“A operação está alinhada com a estratégia da companhia e representa um importante passo para a expansão da Camil na América Latina em novas geografias”, acrescentou.

A empresa disse ainda que celebrou com a IFC uma carta-mandato para o financiamento de 100% da aquisição. A concessão do empréstimo está sujeita à realização de diligências e a negociação dos contratos definitivos.

O Tribunal de Recursos de Londres concordou na terça-feira em reabrir um processo de US$ 7 bilhões contra a mineradora anglo-australiana BHP pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG) em 2015, que causou o maior desastre ambiental da história do Brasil. O colapso da barragem de Fundão, pertencente à Samarco –joint venture entre BHP e a brasileira Vale–, matou 19 pessoas e fez com que uma enxurrada de mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos invadisse o rio Doce e atingisse o Oceano Atlântico, a mais de 650 quilômetros do local do desastre.

Um grupo formado por cerca de 200 mil reclamantes brasileiros vinha tentando ressuscitar o processo movido na Inglaterra contra a BHP desde que um tribunal inferior suspendeu a ação em novembro, alegando abuso processual, e um juiz do Tribunal de Recursos manteve a decisão.

Na terça, a Samarco informou que a Justiça de Minas Gerais a autorizou a obter um financiamento de US$ 228 milhões na modalidade DIP para suprir suas necessidades de caixa, no âmbito de sua recuperação judicial. Na decisão, o juiz condiciona a utilização do recurso para fins exclusivos da operação da Samarco e não define a origem do empréstimo, disse a empresa. A companhia havia pedido o aval da Justiça para receber o financiamento de suas donas, a brasileira Vale e a BHP, alegando que ambas as mineradoras teriam feito a melhor proposta.

Na terça, a Petrobras informou que assinou contrato com a holandesa SBM Offshore para arrendamento e operação da plataforma do tipo FPSO Almirante Tamandaré, para o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A unidade será a sexta definitiva a entrar em operação em Búzios e a maior produtora de petróleo do litoral brasileiro, com capacidade de processamento diário de 225 mil barris de óleo e 12 milhões de metros cúbicos de gás.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Telefônica Brasil lucra R$ 1,3 bilhão no 2º tri e exalta expansão da Vivo Fibra

SÃO PAULO – A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da marca Vivo, lucrou R$ 1,345 bilhão no segundo trimestre de 2021, segundo dados informados pela própria companhia nesta terça-feira (27). O número representa um crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) Recorrente da empresa totalizou R$ 4,226 bilhões, valor 3% acima do registrado no segundo trimestre de 2020.

A receita da Telefônica, por sua vez, chegou a R$ 10,649 bilhões, o que representa 3,2% de crescimento na base anual de comparação.

Segundo a administração, a base de clientes totalizou 97 milhões de acessos, cinco milhões a mais do que no segundo trimestre de 2020.

No negócio de fibra óptica, a companhia chegou a 77 cidades, adicionando 4,3 milhões de casas passadas.

“Ao final do trimestre, somamos 17,3 milhões de casas passadas distribuídas em 293 cidades. Em julho de 2021, a FiBrasil, empresa de rede neutra de fibra por atacado criada em conjunto com a Tef Infra e CDPQ, iniciou sua operação com o objetivo de expandir a cobertura de fibra no Brasil. Essa capilaridade nos permite acelerar o volume de clientes conectados, aumentando a taxa de penetração da rede e, consequentemente, capturando o retorno dos investimentos”, comenta a gestão.

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Cade considera compra de ativos da Oi Móvel por Vivo/TIM/Claro como “caso complexo”; ações têm nova queda

Logo da Oi (OIBR3) (Reprodução/Facebook)

SÃO PAULO – A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou na última sexta-feira (23) como complexa a venda das operações de telefonia móvel da Oi (OIBR3;OIBR4) para as rivais TIM (TIMS3), Telefônica Brasil (VIVT4) e Claro, da América Móvil.

Em comunicado divulgado em seu site, o Cade afirmou que sua superintendência decidiu declarar “o Ato de Concentração nº 08700.000726/2021-08 complexo, e determinar a realização das diligências indicadas”. O documento cita ainda que a superintendência da autarquia pode “se for o caso”, pedir ao tribunal administrativo do Cade uma extensão do prazo para análise do caso.

TIM, Telefônica Brasil e Claro venceram em dezembro passado o leilão para comprar, por R$ 16,5 bilhões, as operações de redes móveis da Oi, que pediu recuperação judicial em 2016, e está vendendo ativos para levantar fundos e pagar credores.

Uma declaração de complexidade aumenta as chances de uma operação ser aprovada com restrições ou até rejeitada. Mas uma decisão final cabe ao colegiado do Cade.

Segundo o advogado Ademir Pereira, sócio da Advocacia José Del Chiaro, que representa a Neo, associação de operadores independentes e regionais de telecomunicações, a declaração do Cade reconhece que se trata de uma operação muito questionável do ponto de vista concorrencial.

“A nota elenca múltiplos pontos que precisam ser melhor esclarecidos pelas requerentes”, afirmou Pereira, em nota.

Para a Levante Ideias de Investimentos, a notícia é especialmente negativa para a Oi, uma vez que o atraso na conclusão deste negócio atrapalha a companhia que tenta atingir o fim do seu processo de recuperação judicial o mais breve possível.

Além disso, o Cade pode impor algumas restrições no negócio, levando a Oi a não conseguir vender parte dos ativos e de sua base de clientes em um primeiro momento, dificultando ainda mais a conclusão da transação.

Por outro lado, os analistas da casa apontam que, apesar de entenderem que há de fato uma preocupação com a concentração de concorrência no setor, não há compradores para a totalidade dos ativos a não ser as outras três grandes operadoras.

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“Dessa forma, mesmo com interesses de pequenos provedores em barrar a negociação, acreditamos que eventualmente a transação será aprovada tanto pelo Cade, quanto pela Anatel, mesmo que com algumas restrições e ressalvas por parte dos órgãos reguladores”, avaliam.

Às 11h18 (horário de Brasília), os papéis ON da Oi caíam 2,44%, a R$ 1,20, enquanto os ativos PN tinham baixa de 2,02%, a R$ 1,94, após uma semana de forte baixa para os ativos, com OIBR3 caindo 23% e OIBR4 em baixa de 11,61%. Os investidores não receberam bem o plano estratégico da companhia para 2022-2024.

De acordo com Daniel Federle e Felipe Cheng, analistas do Credit Suisse, o “sell-off” dos ativos, especialmente na segunda, foi justificado pelo fato do guidance indicar uma alavancagem para 2024 de 6,6 vezes (acima da estimativa anterior do banco), sugerindo um fluxo de caixa livre mais fraco do que o esperado, apesar das fortes estimativas operacionais da empresa. Na semana passada, a equipe de análise do banco suíço cortou o preço-alvo para os papéis ON de R$ 1,80 para R$ 1,60, mantendo recomendação neutra.

(com Reuters)

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Cresce movimento contrário à divisão da Oi Móvel entre Vivo, TIM e Claro

Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo (Foto: Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

A operação de compra da Oi Móvel (OIBR3; OIBR4) pelo consórcio de Vivo (VIVT3), TIM (TIMS3) e Claro, acertada em leilão por um lance de R$ 16,5 bilhões em dezembro, enfrenta resistência de outros agentes de mercado nas discussões dentro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Está ganhando corpo nessas arenas um movimento contrário à concentração de mercado, como resultado do fatiamento das redes de telefonia e internet móvel da Oi entre as três rivais.

Neste momento em que a transação está sob análise, as partes contrárias encaminharam aos órgãos públicos argumentos e estudos sobre potenciais efeitos negativos com a consolidação do setor. As partes também estão colocando na mesa pedidos de veto à transação ou, no mínimo, a aplicação de remédios para amenizar os esperados efeitos negativos. As propostas vão desde o endurecimento da fiscalização dos preços dos serviços ofertados pelas grandes teles até a venda de ativos da Oi para terceiros.

No Cade, cinco entidades já tiveram aval para acompanhar de perto o processo que analisará o ato de concentração. São elas: as operadoras regionais Algar e Sercomtel, as associações empresariais TelComp e Neo (que representa os provedores de pequeno e médio porte) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O trânsito também é visto na Anatel.

No dia 28, por exemplo, haverá uma reunião extraordinária a pedido dos provedores regionais para discutir a venda da Oi Móvel.

Ofensiva

Em petição enviada ao Cade, a Associação Neo (Associação de Operadores de TV por Assinatura, Provedores de Internet, Fornecedores de Soluções e Serviços) defendeu o veto à venda da Oi Móvel para o consórcio de Vivo, TIM e Claro. A Neo afirma que o negócio vai gerar concentração excessiva de mercado, desestímulo à concorrência e piora na oferta dos serviços de telecomunicações.

O documento cita um estudo do Office of Communications (a agência reguladora do Reino Unido) apontando que a redução de quatro para três operadores em países europeus como Áustria, Irlanda e Alemanha resultou em queda na qualidade dos serviços e no volume de investimentos do setor.

Esse apontamento contraria declarações de Vivo, TIM e Claro de que a transação vai melhorar os serviços a partir dos ganhos de escala. “A experiência internacional confirma que operações desse tipo não geraram eficiências”, descreveram os advogados da Neo na manifestação.

O mesmo estudo é descrito na petição encaminhada pelo Idec, que pede ao Cade a reprovação do negócio. “O Idec entende que a operação tem a potencialidade de gerar efeitos anticompetitivos no mercado de telefonia móvel, especialmente pela redução de oferta ao consumidor”, afirmou o órgão, no documento.

A paranaense Sercomtel, controlada pelo fundo Bordeaux, do empresário Nelson Tanure, também encaminhou ao Cade um pedido de veto sob a alegação de que a venda da Oi Móvel para as rivais diminuirá a rivalidade no setor e aumentará o risco de exclusão de concorrentes. “Não é razoável imaginar que a regulação existente conterá os riscos de abusos de poder econômico”, citaram os advogados da companhia.

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A mineira Algar Telecom também engrossou o coro pelo veto à transação, porém acrescentando um outro argumento. Na visão da empresa, o trio de operadoras teria se adiantado ao fechar a compra da Oi Móvel sem obter, antes, o aval dos órgãos competentes – uma prática conhecida por gun jumping. A infração, se confirmada, implicaria em proibição à venda da Oi Móvel e multa de R$ 60 milhões aos envolvidos.

Uma preocupação comum aos operadores regionais é a concentração da infraestrutura nas mãos de apenas três companhias nacionais. Há temor de que isso restrinja ainda mais oferta de redes e eleve os valores de contratos fechados entre as próprias teles. Isso afetaria, por exemplo, os serviços de roaming (quando o cliente de uma tele é conectado à rede de outra tele durante deslocamento), muito demandado por Algar e Sercomtel, que não têm cobertura no País todo.

Outras prejudicadas seriam as operadoras virtuais (MVNOs, na sigla em inglês) que oferecem telefonia e internet inteiramente a partir de redes de terceiros para atender nichos de mercado, como clientes de varejistas, bancos, torcidas de futebol, fã clubes, entre outros. As operadoras virtuais formam um mercado de quase 2 milhões de pessoas no Brasil, com empresas como Surf Telecom, Datora, Cinco (do grupo J. Safra) e America Net.

Remédios

O presidente da Associação Brasileira das Prestadores de Serviço de Telecom Competitivas (Telcomp), Luiz Henrique Barbosa, disse que um potencial veto à operação é pouco provável, considerando o risco de falência da Oi, em recuperação judicial desde 2016 com dívida bilionária. “Nossa atuação nesse ato de concentração é pela aprovação da venda, mas desde que com remédios concorrenciais e regulatórios”, explicou, em entrevista.

O remédio ideal, disse, seria a venda da Oi Móvel em fatias, destinando a carteira de clientes e o espectro de determinadas regiões (separadas dor DDDs) para outras empresas no lugar do trio Vivo, TIM e Claro. “Nós não temos associados capazes de comprar a Oi móvel inteira, mas temos, sim, interessados em comprar fatias”, relatou Barbosa. “Isso seria mais equilibrado para preservar a concorrência”.

Embora não revele o nome dos interessados em aquisições, o comentário nos bastidores é de que Algar e Sercomtel seriam candidatos. Também não é descartado interesse por parte das operadoras virtuais.

O presidente da Telcomp acrescentou que será necessária a criação de mecanismos para garantir que a oferta das redes no atacado tenha preços inferiores aos de varejo e que esses valores sejam passíveis de fiscalização pelos órgãos públicos.

Na mesma linha, o Idec recomendou a aplicação de remédios caso a reprovação da venda da Oi Móvel não seja possível. Uma opção é a venda para um agente que não opera no mercado, como a própria Highline do Brasil, citou o instituto, referindo-se ao grupo que também chegou a fazer uma proposta firme pela Oi Móvel, mas acabou superado pelo trio no leilão de dezembro. Outra opção é a aquisição da empresa por um consórcio de pequenos operadores locais de banda larga e telefonia móvel, possivelmente com um fundo de private equity (de participação em empresas) por trás.

Resposta

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A Oi e o consórcio Vivo, TIM e Claro encaminharam ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) manifestações para rebater as críticas que vêm sofrendo de agentes de mercado contrários à transação entre as partes.

O consórcio Vivo, TIM e Claro pediu ao Cade que a transação seja aprovada sem restrições, pois envolve, na sua visão, o melhor arranjo competitivo possível e “não gera preocupações concorrenciais”.

As teles disseram que será mantida “intensa rivalidade” no mercado de internet e telefonia móveis, sem poder coordenado entre elas, uma vez que o setor é inovador, dinâmico e competitivo.

O trio lembrou que está ocorrendo uma saída voluntária da Oi do ramo após perder capacidade de investir e rivalizar. E a divisão dos ativos será feita dentro dos limites de radiofrequência que cada empresa pode deter, conforme estabelecido pela agência reguladora de telecomunicações.

Além disso, acrescentam que não houve uma proposta alternativa de compra da Oi Móvel além delas. Vale lembrar que a Highline do Brasil chegou a fazer proposta vinculante, mas acabou desistindo de participar do leilão.

Em uma manifestação separada, a Oi disse que a venda das suas redes móveis é essencial para que o grupo continue sendo relevante no mercado brasileiro, concentrando seus recursos para o desenvolvimento da banda larga por fibra ótica. A Oi lembrou ainda que a negociação das redes móveis teve aprovação de seus credores em assembleias e foi homologada junto ao juízo do processo de recuperação judicial.

Consultadas pela reportagem, as empresas não fizeram comentários adicionais.

Por sua vez, a Oi reiterou a expectativa de aprovação do processo do Cade entre o fim de 2021 e o começo de 2022.

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Vivo, TIM e Claro defendem compra da Oi

Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo Loja da Oi Móvel/Oi telecomunicações em São Paulo (Foto: Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

A Oi e o consórcio Vivo, TIM e Claro encaminharam nesta semana ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) manifestações para rebater as críticas que sofrem de agentes de mercado contrários à transação entre as empresas.

O consórcio Vivo, TIM e Claro pediu ao Cade que a transação seja aprovada sem restrições, pois envolve, na sua visão, o melhor arranjo competitivo possível e “não gera preocupações concorrenciais”. As teles disseram que será mantida “intensa rivalidade” no mercado de internet e telefonia móveis, sem poder coordenado entre elas, uma vez que o setor é inovador, dinâmico e competitivo.

O trio lembrou que está ocorrendo uma saída voluntária da Oi do ramo após perder capacidade de investir e rivalizar e a divisão dos ativos será feita dentro dos limites de radiofrequência que cada empresa pode deter.

Além disso, acrescentam que não houve uma proposta alternativa de compra da Oi Móvel além delas. Vale lembrar que a Highline do Brasil chegou a fazer proposta vinculante, mas acabou desistindo de participar do leilão.

Em uma manifestação separada, a Oi disse que a venda das suas redes móveis é essencial para que o grupo continue relevante, concentrando seus recursos para o desenvolvimento da banda larga por fibra óptica.

Quais ações devem ser as mais impactadas com o possível fim dos juros sobre o capital próprio?

SÃO PAULO – As notícias sobre reforma tributária vêm ganhando cada vez mais destaque nos jornais e voltam para o radar dos investidores, principalmente em meio a possíveis mudanças que podem afetar diretamente o cenário de investimentos em Bolsa.

De acordo com informações do jornal Valor Econômico divulgadas nesta semana, o Ministério da Economia estaria estudando uma proposta para acabar com o mecanismo de pagamento de juros sobre o capital próprio, que as empresas podem pagar aos seus acionistas e que geram, em última instância para as empresas, um benefício fiscal. Além disso, o governo está estudando reduzir a alíquota do imposto legal dos atuais 15% para 10% gradualmente em dois anos.

E, finalmente, outra ideia é taxar a distribuição de dividendos em 15% no momento inicial, e aumentar a taxa para 20% no segundo momento.

Na avaliação do Itaú BBA, a proposta iria contra a premissa de manutenção da carga tributária atual e a vê como negativa, pois esperava-se uma redução maior do imposto de renda para compensar a tributação de dividendos e o fim do benefício fiscal de JCPs (que é contabilizado como despesa dedutível para o efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL e, por isso, gera o benefício fiscal).

Os analistas Marcelo Sá e Matheus Marques apontam que as ações de utilities (como de energia e saneamento), de bancos e de financeiras, além de empresas de telecomunicações serão as que mais sofrerão se o benefício fiscal dos juros sobre o capital próprio terminar.

Para verem as ações mais impactadas, os analistas fizeram um cálculo do valor presente líquido perdido pelas empresas em consequência do término da dedução fiscal de 34% na distribuição dos JCP. E chegaram a quatro ações mais impactadas: Banco do Brasil (BBAS3), Copel (CPLE6), TIM (TIMS3) e Vivo (VIVT3).

Já o Bradesco BBI apontou que, dentro de sua cobertura, a B3 (B3SA3) poderia ser a mais impactada com o fim do JCP, com até 9% de impacto negativo no lucro líquido esperado para 2022 (expectativa de lucro por ação de R$ 2,85 no próximo ano) e com um impacto entre 6% e 7% do preço-alvo atual, de R$ 69 por ativo atualmente, não presumindo compensação em qualquer outra frente de tributação.

Com a compensação da menor taxa de imposto legal, o impacto poderia ser reduzido em aproximadamente 5 pontos,
implicando 4% de impacto negativo no lucro líquido de 2022 e 2-3% do Valor Presente Líquido (VPL), mantendo todas as outras condições.

O BBI também destacou como o fim dos juros sobre o capital próprio podem abalar os bancos, que pagaram significativos montantes de dividendos e JCP durante os últimos anos, resultando em benefícios fiscais e uma menor alíquota efetiva de imposto, beneficiando seu lucro líquido recorrente. Na verdade, os bancos reportaram uma taxa de imposto efetiva de aproximadamente 25% versus 45% da taxa de imposto sobre as sociedades.

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Com os JCPs, o benefício fiscal a ser gerado representaria 13% do lucro líquido recorrente dos bancos brasileiros, destacou o BBI após exercício teórico.

De acordo com os cálculos dos analistas, os potenciais benefícios fiscais do Banrisul (BRSR6) e do ABC Brasil (ABCB4) representariam 19% de seus lucros líquidos recorrentes.

No caso de Banco do Brasil (BBAS3), Santander Brasil (SANB11) e Itaú Unibanco (ITUB4), esses percentuais seriam 14%, 13% e 11%, respectivamente.

“É importante ressaltar que não estamos considerando uma redução potencial na taxa de imposto e / ou tributação de dividendos, uma vez que não está claro se essas propostas seriam aplicáveis para os bancos ou como eles seriam implementados”, destacam.

Confira abaixo a análise do BBI sobre o impacto do fim do JCP para os bancos: 

Por outro lado, o BBA espera que setores de alto crescimento, como de tecnologia e varejo, sejam os que mais se beneficiem da redução na alíquotas de impostos, juntamente com a tributação de dividendos, visto que esses setores não pagam muito proventos.

Em uma base relativa, a avaliação é de que essa mudança seria negativamente líquida para empresas com altos dividendos. “Muitas dessas empresas têm alavancagem muito baixa e optaram por pagar dividendos elevados, devido à falta de alternativas de investimento atraentes. Algumas delas podem optar por pagar dividendos extraordinários ou realizar uma redução de capital para evitar a tributação, se a mudança for aprovada”.

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Além disso, em bases relativas, a variação do imposto de renda também será negativa para as empresas que reivindicam o
benefícios fiscais da  SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), pois o benefício final seria muito limitado e seus acionistas terão que pagar impostos sobre dividendos (atualmente eles não pagam impostos).

O Safra, por sua vez, fez um estudo restrito aos bancos, baseando-se em dois cenários. No primeiro, pressupõe apenas a redução do benefício fiscal sobre a distribuição de JCP, que inicialmente deveria trazer um impacto mais significativo para o resultado das empresas (principalmente os bancos que possuem maior alíquota de imposto de renda e contribuição social).

No segundo cenário, haveria uma redução simultânea de cerca de 500 pontos-base na alíquota do imposto sobre o rendimento, como fator de mitigação do fim do instrumento do imposto sobre o rendimento (reduzindo materialmente o referido impacto negativo).

Nas conclusões do estudo, mesmo considerando uma possível redução da alíquota nominal do imposto de renda, o impacto final para as empresas financeiras deve ser ligeiramente negativo (uma queda média de cerca de 4,5% no lucro em relação às estimativas atuais do banco). No entanto, em um cenário de apenas extinção do instrumento de juros sobre capital próprio, o impacto deve ser mais significativo, de queda de cerca de 11,5% do lucro no resultado de 2022.

“Em suma, ainda esperamos um longo prazo até que a reforma tributária seja aprovada (se ela realmente evoluir). Portanto, as propostas podem mudar significativamente”, avaliam os analistas do Safra.

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Cade aprova cessão onerosa de rede entre Telefônica Brasil e Claro

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições operação de cessão onerosa de rede entre Telefônica Brasil (VIVT3) e Claro, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 18.

Parecer do órgão explica que a o operação consiste em um contrato de RAN sharing com cessão unilateral, envolvendo 81 Estações Rádio Base (ERB) ou sites, no qual a Telefônica compartilhará sua rede de acesso e espectro de radiofrequência à Claro por meio de contraprestação financeira.

As empresas argumentaram ao Cade que esse compartilhamento unilateral não configura qualquer divisão de riscos nem de resultados, “tratando-se apenas de fornecimento, pela Telefônica, do acesso à rede por meio de contrato que prevê remuneração”.

Com isso, segundo as companhias, cada empresa continuará responsável, individualmente, por seus custos, estrutura organizacional e tomada de decisão.

Elas reforçam que “a operação não representa qualquer transferência de ativos entre as requerentes, não alterando a independência da Claro e da Telefônica na prestação de serviços de SMP e não impactando as suas estratégias comerciais”.

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Telefônica Brasil: lucro líquido soma R$ 942 milhões no 1º trimestre, queda de 18,3%

A Telefônica Brasil, dona da Vivo, teve lucro líquido de R$ 942 milhões no primeiro trimestre de 2021. O montante foi 18,3% menor do que no mesmo período de 2020, de acordo com dados do seu balanço, publicado na terça-feira, 11.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente somou R$ 4,455 bilhões, aumento de 0,5% na mesma base de comparação. A margem Ebitda passou de 40,9% para 41,1%.

A receita operacional líquida totalizou R$ 10,849 bilhões, uma leve alta de 0,2%.

A Telefônica expandiu a sua base de clientes e de receitas oriundas dos seus principais serviços, como banda larga via fibra ótica.

No entanto, a queda no lucro líquido resultou dos aumentos das rubricas depreciação e despesa financeira, parcialmente compensadas por menores impostos no período.

A depreciação e a amortização aumentou 5,9%, para R$ 2,905 bilhões, refletindo a maior depreciação da base de ativos e o crescimento do número de contratos de leasing.

O resultado financeiro líquido gerou uma despesa de R$ 315 milhões, que foi 61,7% maior na comparação anual. Essa alta veio do maior endividamento relacionado a contratos reconhecidos como leasing em função da prática contábil IFRS16.

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Cade aprova parceria da Telefônica e CPDQ para redes neutras de fibra ótica

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições parceria entre a Telefônica Brasil (dono da Vivo – VIVT3) e o fundo de pensão canadense Caisse de dépôt et placement du Québec (CPDQ) para a constituição da joint venture FiBrasil, que proverá infraestrutura de conexões de banda larga através de redes neutras de fibra ótica. A decisão do Cade está publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A nova empresa será detida meio a meio pelas duas companhias: o CDPQ adquirirá ações representativas de 50% do capital social da FiBrasil e a Telefônica será proprietária dos outros 50%.

O Fundo CPDQ tem cerca de US$ 300 bilhões em recursos sob gestão ao redor do mundo. Aqui no Brasil, conforme a Coluna do Broadcast informou no mês passado, terá o compromisso de investir R$ 1,8 bilhão na construção das redes nos próximos dez anos.

Já a Telefônica vai ceder à nova empresa parte de sua rede, com cobertura de 1,6 milhão de residências. Além disso, a operadora será a primeira cliente da FiBrasil, passando a “alugar” essas redes.

Ainda de acordo com a apuração da reportagem, a meta das empresas é chegar a 5,5 milhões de casas em todas as regiões do País até o fim de 2024, com exceção de São Paulo, onde a operadora atua por meio de concessão. Com as redes instaladas, a estimativa é de adesão de 30% dos clientes ao longo de dois a três anos, o que representa um potencial de 1,65 milhão de assinantes ao final desse ciclo.

Com o aval do Cade, a FiBrasil deve iniciar os trabalhos já neste segundo trimestre. A operação, no entanto, também está sujeita à aprovação da autoridade de defesa da concorrência da União Europeia e à aprovação regulatória da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

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