10 gráficos que evidenciam a “Calmaria Perfeita” nas bolsas

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Mercados financeiros mundo afora estão cada vez mais calmos. Não é possível cravar um motivo exato, para isso, mas o fato é que depois daquela “Super Quarta” de março (quando tivemos decisão do Fed + Copom no mesmo dia), a volatilidade caiu drasticamente no mundo. E embora essa queda seja um bom momento para montar “hedges” (proteções) por um preço menor,  não é isso que estamos vendo aqui no Brasil.

Esse foi o resumo da conversa que tivemos no Coffee & Stocks desta segunda-feira (26) com Guilherme Chacon, especialista em ações e derivativos da mesa institucional da XP. Atendendo diretamente os gestores de grandes fundos, Chacon mostrou que hoje os contratos de “calls” (opções de compra) e “puts” (opções de venda) em aberto na B3 somam cerca de 250 mil – em dezembro, esse número de 1,2 milhão de contratos em aberto. Em outras palavras: mesmo com os “seguros” mais baratos, as negociações desses contratos diminuíram.

O especialista da XP trouxe ao todo 10 imagens para explicar por que a volatilidade no mercado caiu tanto que nos colocou num estágio de “calmaria perfeita”, como ele mesmo definiu. “Os indicadores mostram que voltamos para o mundo pré-covid”, resume Chacon. As imagens e as explicações você confere no vídeo acima ou no canal do Stock Pickers no Youtube.

CONFIRA A AGENDA COMPLETA DOS COFFEES DA SEMANA:

26/04 – C&S Trader com Guilherme Chacon, mesa da XP
27/04 – C&S Global com “Kadu” Alves, gestor da Polo Capital
28/04 – C&S Macro com Marco Freire, gestor da Kinea
29/04 – C&S Por que invisto em: MELI34 com Luis Bomentre, analista na Encore
30/04 – C&S Sextou com Betina Roxo, estrategista da Rico

STOCK WEEK – 1ª EDIÇÃO: 5 lives especiais entre os dias 26 e 30 de abril. Confira a agenda completa aqui.

A difícil arte de se preparar para a volatilidade

Volatilidade (Shutterstock)

Quem acompanha o mercado financeiro já deve ter reparado a montanha-russa de eventos que nos acompanha ao longo da nossa trajetória de investimentos. E, no último ano, esse carrossel de emoções deu o que falar.

Além de vivermos o ano mais intenso e imprevisível por causa da pandemia, lockdowns e calendários de vacinações aqui e ao redor do mundo, nosso cenário interno também agitou bastante os mares já revoltos pelas notícias internacionais.

Os eventos do nosso cenário político constantemente nos deixam apreensivos sobre as decisões e consequências que poderão nos confrontar: PEC emergencial, risco fiscal, anulação de condenações do ex-presidente Lula, agenda econômica a ser votada no Congresso, decisões do Banco Central, movimentações do governo federal, possíveis ingerências políticas, troca de ministro da Saúde…

Como diz o slogan de uma camisa que vi outro dia na rua: “os brasileiros não têm um minuto de paz”.

Entretanto, as oscilações das cotações das ações do mercado financeiro são resultado de uma série de fatores que muitas vezes não estão relacionados ao valor intrínseco, ou o valor justo, de uma empresa.

Notícias sobre os cenários econômicos doméstico e internacional podem afetar de forma significativa o preço da ação, porém nem sempre elas afetam a capacidade da empresa de gerar valor para acionistas no longo prazo.

De acordo com a teoria dos mercados eficientes, o preço dos ativos deveria refletir todas as informações disponíveis no mercado. Porém, sabemos que na prática o mercado não funciona dessa forma.

As tomadas de decisão dos investidores estão muito pautadas em suas emoções, vivências e medos. Em sua maioria, os indivíduos tendem a agir de forma irracional quando o assunto é dinheiro.

Aqui é importante fazermos a distinção do conceito de preço e valor.

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Os preços das ações são determinados ao longo do dia de negociação, dependendo do fluxo de compradores e vendedores. O fluxo de negócios determina o preço de forma muito simples: se existem mais compradores do que vendedores, o preço sobe; se existem mais vendedores do que compradores, o preço cai.

Já o valor é aquilo que você acredita que a empresa realmente vale. É sempre bom ressaltar que ao adquirir uma ação de uma empresa você se tornará sócio ou sócia dela. Dessa forma, o valor é aquilo que você projeta, por meio de modelos de valuation, que ela pode te trazer de retorno.

Em tempos de euforia, é muito comum que, na expectativa de que o mercado continue subindo, o investidor impaciente faça aportes em empresas que estão supervalorizadas. Mas muitas vezes, no futuro, o preço tende a retornar ao valor justo.

O contrário também é válido. Muitas vezes, em momentos de crise, nos quais as cotações estão despencando, esse mesmo indivíduo vende suas ações com medo de perder dinheiro, quando, na realidade, ele deveria estar realizando aportes.

Agora, a pergunta que mais recebo dos nossos assinantes é: “como faço para aprender a lidar com a volatilidade?”

Todos os aspectos ligados a finanças comportamentais nos investimentos são mais fáceis de serem falados do que colocados em prática. Manter o racional e a frieza para analisar o investimento diante de uma queda brusca é bem difícil.

Mas separei três dicas para que você consiga aprender a lidar melhor com a volatilidade, principalmente se está iniciando nesse mundo.

1. Verifique o tamanho da sua exposição

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Se a volatilidade da Bolsa está te tirando o sono, é importante descobrir se o tamanho da sua exposição a esse mercado está condizente com o seu perfil de risco.

Posições grandes demais, que deixem uma parcela muito significativa dos seus investimentos expostos a esse mercado que oscila muito, em geral não são aconselháveis.

Justamente porque, da mesma forma que existe uma possibilidade de ganhos significativos, as perdas também podem acontecer. Lembre-se de que esse mercado, como o próprio nome diz, é variável – para cima e para baixo.

2. Diversifique sua carteira

Quando você divide sua carteira em vários tipos de mercados e ativos, você está potencializando as possibilidades de retorno dos seus investimentos e pulverizando os riscos, de forma a não concentrar as possibilidades de perda em uma só modalidade.

A diversificação serve para sua carteira de investimentos como um todo, não só para sua carteira de ações.

“A regra é clara, Arnaldo”: diversificação é a melhor forma de se proteger das oscilações de todos os mercados/setores. Para quem investe de forma atenta, essa é a alternativa para lidar com a imprevisibilidade atrelada ao mercado financeiro.

Muitos questionam se, ao reduzir os riscos, os potenciais de retorno também são reduzidos. A resposta é: não necessariamente.

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O que você vai reduzir é a oscilação. Provavelmente, não lucrará o máximo possível com uma ação nem perderá o máximo possível com ela.

Neste ponto, torna-se importante esclarecer que a estratégia de diversificação não consiste apenas em diluir riscos. Ela também permite a garantia de melhores rentabilidades, de acordo com as alternativas de ganhos no longo prazo.

3. Foque em boas empresas e no longo prazo delas

Quando você se foca no longo prazo, tem um grande aliado trabalhando a seu favor: o tempo.

O investimento em ações pode trazer duas formas principais, mas não únicas, de ganhos: a valorização das empresas ao longo do tempo e os proventos (como os famosos dividendos, por exemplo). E para isso não há limites.

Na primeira, você ganha com a alta de preços das ações, caso o mercado esteja precificando a melhora operacional, potencial de crescimento e de expansão das operações – se você escolher boas empresas, claro.

No segundo caso, quem mantém as ações no portfólio no médio/longo prazo tem direito a receber parte dos lucros. Esse direito dos acionistas possibilita, além disso, a construção de um portfólio que pode te proporcionar uma “renda passiva” entrando de forma periódica na sua conta por meio de proventos.

Essa abordagem dilui perdas e riscos relacionados aos maus ventos que essas empresas possam enfrentar pelo caminho no curto prazo.

Espero que com essas três dicas de investimentos você desenvolva um novo olhar para sua carteira de ações e entenda que as oscilações de curto prazo fazem parte do jogo, principalmente para investidores do mercado de ações.

A paciência, a persistência nas boas teses de investimentos, o foco no longo prazo e a diversificação são o que realmente vão te deixar encostar a sua cabeça no travesseiro com tranquilidade quando os mares do mercado estiverem revoltos.

Abraços,
Aline Tavares

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Criptomoedas para iniciantes: como – e quanto – investir para não se arrepender

SÃO PAULO – Num dia, Elon Musk anuncia que sua empresa, a Tesla, comprou US$ 1,5 bilhão em Bitcoin (BTC). No outro, a Mastercard decide integrar criptomoedas à sua rede de pagamentos. Depois, o banco BNY Mellon divulga a criação de uma área totalmente dedicada aos ativos digitais.

Tudo isso em questão de uma semana, ao longo de fevereiro. A cotação do Bitcoin ultrapassou US$ 50 mil pela primeira vez na história, aproximando-se dos US$ 58 mil. Dez dias depois, após uma queda, estava de volta à casa dos US$ 45 mil.

Movimentos como esses naturalmente aguçam a curiosidade dos pequenos investidores – e, até pouco tempo atrás, era só isso o que movia esse mercado.

Criptoativos eram vistos como um nicho de aventureiros interessados em ganhar dinheiro em pouco tempo, o que costuma ser a receita para se dar mal.

Isso está mudando. Recentemente, diante da demanda dos clientes, mais consultores e assessores de investimento passaram a incluir Bitcoin e outras moedas digitais no rol de investimentos alternativos recomendados aos clientes com horizonte de longo prazo.

Por quê? A razão principal é a necessidade de diversificação.

Sem correlação com outros investimentos

O movimento em direção aos criptoativos não é isolado. “De um ano para cá, com os juros baixos, cresceu o interesse por investimentos não tradicionais, como fundos internacionais e de private equity ou metais, como prata e ouro”, diz Rodrigo Marcatti, sócio da Veedha Investimentos.

“Quando todos já tinham avançado muito, os investidores se voltaram para as criptomoedas, com a visão de que, se a aversão a risco subisse, elas poderiam ser opções de investimentos descorrelacionadas das suas carteiras”, explica.

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Ao contrário dos ativos correlacionados, que tendem a responder com movimentos semelhantes aos mesmos eventos, os descorrelacionados valorizam ou desvalorizam independentemente uns dos outros.

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Esse conceito está na base da clássica recomendação de diversificação dos investimentos como forma de reduzir o risco da carteira.

Para diversificar de forma eficiente, é preciso evitar a concentração em ativos correlacionados – caso contrário, situações como crises políticas ou aumento de juros podem ter o mesmo efeito sobre todos. E se o efeito for negativo, é perda na certa.

Por isso, especialistas defendem investir em criptomoedas como uma forma de aumentar a diversificação de uma carteira, sem acrescentar risco desproporcional a ela.

“Esses ativos reagem principalmente aos eventos relativos ao universo cripto, como notícias sobre a regulamentação do mercado ou a ampliação do seu nível aceitação”, diz João Marco Braga da Cunha, gestor de portfólio da Hashdex, gestora especializada em criptoativos. “A correlação com ativos tradicionais é baixa, o que abre espaço para acrescentá-los à carteira”.

Mas e a volatilidade?

As assessorias de investimentos começam a dar os primeiros passos nessa direção. Casas como a Veedha e a Valor Investimentos classificam as criptomoedas como ativos alternativos, um grupo composto por uma variedade de produtos.

Eles são incluídos nas carteiras recomendadas para investidores de perfil moderado ou agressivo.

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O segredo está na dose. “O investidor precisa saber que criptomoedas são voláteis, sim, e continuarão a ser”, diz Fabrício Tota, diretor do Mercado Bitcoin, plataforma de negociação de ativos digitais.

“O Bitcoin, criptomoeda mais bem estabelecida, não tem mais do que 12 anos de vida. Há novidades surgindo e muita gente tentando entendê-las, numa escala global. Por isso, os movimentos bruscos da cotação”, explica Tota.

Uma análise do banco JP Morgan, divulgada no mês passado, indica que a volatilidade do bitcoin havia alcançado 87% em três meses, contra 16% do ouro – um ativo com o qual a criptomoeda costuma ser comparada.

Por isso, os especialistas em investimentos têm sugerido que a exposição às criptomoedas seja limitada. “Para clientes de perfil moderado, sugerimos uma alocação de até 1% do capital em ativos digitais. No caso dos agressivos, de 1% a 5%”, diz Virgilio Lage, especialista em criptomedas da Valor Investimentos.

A exposição sugerida – ou tolerada – varia entre as casas. Na Criteria Investimentos, por exemplo, o limite indicado aos clientes para alocação em criptomoedas é de 0,5% a 1% da carteira.

“Para investir mais do que isso, o investidor precisa assumir o risco por sua conta”, diz Caio Schettino, head de produtos da Criteria.

Na Veedha, o usual é sugerir uma exposição de 2% ou 3% para os investidores interessados. “Não é um investimento para ter grande concentração. Não é para ficar rico”, explica Marcatti.

Regra de bolso

Para quem está começando a entender sobre o assunto, o próprio diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Rodrigo Monteiro, sugere uma exposição limitada a criptoativos. “Particularmente, penso que esses investimentos deveriam representar no máximo 5% da carteira, como os derivativos”, diz.

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Uma regra de bolso para Tota, do Mercado Bitcoin, é tomar como referência o retorno da renda fixa para estabelecer o valor a aplicar em criptomoedas.

“Nos investimentos de renda fixa, na melhor das hipóteses, o investidor conseguiria um retorno de 2% ao ano”, dado o patamar de juros atual, diz Tota. A sugestão é separar uma fatia equivalente para os ativos digitais.

“Sugiro destinar algo como 2% da carteira para as criptomoedas”, diz. “Na pior das hipóteses, o investidor perderia uma boa parte disso, mas conseguiria recuperar o valor em um ano com uma aplicação de renda fixa conservadora”.

Como investir

Existem maneiras diferentes de investir em criptomoedas, como mostrou reportagem do InfoMoney. Um jeito simples é por meio de fundos. Desde 2018, fundos brasileiros estão autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a fazer investimentos indiretos em criptomoedas no exterior – comprando derivativos ou cotas de outros fundos, por exemplo.

As carteiras são distribuídas por corretoras e plataformas de investimento, e frequentemente é possível acessá-los com valores pequenos – de até R$ 5.000.

Como são administrados por gestores especializados, os fundos podem ser uma boa opção para quem quer se expor ao mercado de criptomoedas, mas não se sente seguro para fazer isso sozinho.

Também é possível investir em Bitcoins e outros ativos digitais diretamente, por meio de uma corretora ou plataforma especializada. Existem algumas casas no Brasil – conhecidas como exchanges – que oferecem esse tipo de serviço.

Risco de volatilidade no mercado por eleições nos EUA aponta para dezembro

I vote today stickers roll, in US elections on American flag. (Joaquin Corbalan/Getty Images)

(Bloomberg) — A volatilidade mostra queda em várias classes de ativos com a possibilidade de vitória de Joe Biden contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas operadores ainda não estão fora de perigo, já que vários catalisadores podem reativar as oscilações de preços, de acordo com estrategistas.

Mesmo que Biden ganhe – e isso ainda não é certo – ainda há muito a caminho pela frente. Batalhas legais relacionadas aos resultados em estados-chave, a composição ainda incerta do Senado e possíveis protestos nas ruas se o resultado depender de votos contestados têm potencial de aumentar a volatilidade.

“O mercado atualmente acredita que é uma eleição prolongada, não necessariamente uma eleição contestada”, disse Amy Wu Silverman, estrategista de derivativos da RBC Capital Markets, em relatório na quarta-feira. “Se o mercado acreditar genuinamente que entramos em uma disputa feia e confusa, acho que veremos um aumento da volatilidade.”

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O Índice de Volatilidade da Cboe (VIX) caiu seis pontos na quarta-feira, ficando abaixo de 30 pela primeira vez em mais de uma semana, conforme os resultados favoreciam o candidato democrata. O índice ICE BofA MOVE, que acompanha as oscilações nas opções de títulos do Tesouro dos EUA, mostrou a maior queda desde 2014. Indicadores de moedas e volatilidade de crédito também recuaram.

Transferência do risco

A atual contagem das eleições prolonga a precificação de risco elevada, disse Stuart Kaise, estrategista do UBS, em relatório na quarta-feira. A possibilidade de um resultado adiado ou contestado atrasaria o estabelecimento de um piso para o VIX e poderia deslocar alguma precificação de risco para dezembro, acrescentou.

Silverman, da RBC, observa aumento da demanda relativa por proteção contra baixas em fundos de índice que seguem indicadores de referências mais amplos dos EUA, como S&P 500 e Russell 2000. A curva da volatilidade no mercado futuro agora mostra um salto perceptível de novembro a dezembro, antes de indicar tendência de baixa novamente, disse a estrategista.

“Um aumento da volatilidade não seria surpreendente, principalmente porque investidores analisam a retórica estridente, o prazo para a resolução e o impacto das contestações judiciais ao longo do caminho”, escreveram estrategistas da Columbia Threadneedle Investments em blog na quarta-feira.

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Criador do VIX vê perdas de centenas de milhões com opções

Ações Bolsa (Carl Court/Getty Images)

(Bloomberg) – Os contratos de opções envolvendo ações de tecnologia podem ter dominado as manchetes, mas um dos pensadores mais influentes do universo de finanças alerta que a confusão nos mercados este ano tem causado problemas em outras partes do sistema.

Robert Whaley, o criador do Índice VIX, está investigando uma ampla questão no mercado de derivativos de produtos negociados em bolsa.

O problema aparece quando determinados produtos ajustam suas estratégias de investimento. Era um evento raro, mas aconteceu várias vezes durante a turbulência extrema de 2020. Detentores de opções perderam centenas de milhões de dólares por causa disso.

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“Essas coisas não acontecem com tanta frequência, mas ocorreram com frequência crescente nos últimos meses”, disse Whaley em entrevista. “Estou interessado em questões de integridade e isto é a antítese para mim.”

Quando um produto negociado em bolsa altera sua alavancagem ou muda onde investe — como quando o United States Oil Fund (código de negociação USO) começou a comprar contratos futuros de petróleo de prazo mais longo à medida que os preços despencaram —, o perfil do produto pode se transformar radicalmente. Mas diferentemente de outras decisões corporativas, como a venda de ações ou desmembramento de papéis, as opções não são ajustadas para compensar.

Em outras palavras, qualquer um que comprasse opções para apostar que o valor do USO cairia provavelmente viu o valor da aposta despencar porque as decisões do fundo significavam que o mesmo estava melhor posicionado para enfrentar a turbulência.

“Enquanto fazem essas mudanças, eles estão reduzindo a volatilidade” de um produto, disse Whaley, que é professor de finanças na Universidade Vanderbilt, em Nashville. “Isso diminui o valor para quem comprou uma opção.”

À primeira vista, pode parecer uma preocupação esotérica. Os tipos de produtos que fazem esses ajustes tendem a ser alavancados ou especializados e não destinados ao público geral. E teoricamente, investir em seus derivativos deveria ser uma prática de nicho.

Mas o mercado de opções envolvendo produtos negociados em bolsa está crescendo. Apenas em agosto, foram negociados US$ 47 bilhões em derivativos de fundos negociados em bolsa (ETF), segundo a Options Clearing Corporation, comparado a US$ 34 bilhões um ano antes. Whaley acha que as autoridades reguladoras e a maioria dos participantes do mercado ainda não perceberam todas as consequências da situação.

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Medidas do governo reduzem volatilidade de curto prazo da Bolsa, mas investidores seguem cautelosos

bolsa ações mercados crash baixa down circuit breaker (Getty Images)

SÃO PAULO — Com o avanço da pandemia de coronavírus, o índice anualizado de volatilidade do Ibovespa sofreu um aumento do fim de fevereiro para o início de março deste ano. Nas últimas semanas, porém, a referência de oscilação tem indicado um respiro na tensão dos mercados.

É o que mostra um levantamento feito pela empresa de informações financeiras Economatica a pedido do InfoMoney. O estudo compara o índice anualizado de volatilidade do principal índice de ações da B3 com seu desempenho semanal anualizado e mensal anualizado.

Os números mostram que o pico semanal de instabilidade na Bolsa brasileira foi no início de março, quando os casos de coronavírus começaram a sair do controle na Itália e o mundo iniciou o movimento de lockdown. Agora, na primeira metade de abril, o índice de volatilidade semanal anualizado está bem próximo do nível de fevereiro. Veja o gráfico abaixo.

Índice de volatilidade do Ibovespa (Economatica/Reprodução)

Índice de volatilidade do Ibovespa (Economatica/Reprodução)

“Os picos mais altos estão nos dias que o mercado estava estressado com as consequências [da pandemia] nas economias e como os governos iriam reagir”, disse Renato Ometto, gestor de renda variável da Mauá Capital.

“A partir do momento que os governos começaram a agir em relação às taxas de juros, pacotes econômicos e recompras de títulos por parte do Fed principalmente, isso foi trazendo uma calma para o mercado.”

Ometto citou a variação do VIX, o índice global de volatilidade dos mercados de renda variável, que no início de março chegou bem perto dos níveis registrados no auge da crise de 2008/2009, mas em seguida recuou. Veja o gráfico abaixo.

Gráfico do VIX Global em 2020 (Bloomberg/Reprodução)

Gráfico do VIX Global em 2020 (Bloomberg/Reprodução)

Assim como o VIX e os demais índices de volatilidade do mercado, o comportamento de alguns produtos considerados “seguros”, como o ouro, também sempre foi referência de medo dos investidores. Mas na atual crise do coronavírus foi diferente.

“O que vimos foi a liquidação de todos os ativos. Não só os preços das ações e dos títulos, mas também os preços do ouro e outras commodities caíram muito. No escuro sobre como a Covid-19 vai impactar as economias, eles preferiram desfazer boa parte das suas posições e alocar apenas uma pequena fatia restante em ativos mais seguros”, disse Ometto.

Na avaliação dele, as ajudas anunciadas pelos governos têm dado um certo alívio nas preocupações, mas o mercado só vai voltar a se posicionar nos ativos, bem lentamente, a medida em que forem mais claras as maneiras que se darão a saída gradual de um mundo em lockdown.

“Algumas indústrias vão demorar mais para se recuperar porque dependem da volta da confiança das pessoas, como a indústria do entretenimento, como cinemas, por exemplo, ou a própria aviação. Mas uma vez que você sabe quanto tempo terá que ficar parado, consegue contabilizar o prejuízo e fazer projeções futuras. É disso que o mercado precisa, previsibilidade.”

Segundo o gestor, caso não haja uma segunda onda mais intensa da Covid-19 no mundo, o cenário vai se encaminhando aos poucos para a normalidade. “Sem essa segunda onda, acho que o Ibovespa não deve voltar para as mínimas, mas pode ter uma correção pontual de 5% a 10%.”

“Se o pior acontecer, aí sim o medo volta e o índice terá uma correção maior. Mas o tombo não será tão intenso e tão duradouro quanto foi no mês passado, já que todos os gestores já reduziram suas posições e aumentaram a proteção de suas carteiras. Bem diferente do cenário que a gente tinha no início de março, com muita exposição ao risco”, completou Ometto.

Mercado mais vazio

Rafael Cota Maciel, gestor de renda variável da AF Invest, concorda com Ometto sobre um esvaziamento do mercado, o que colaborou para a menor volatilidade nos últimos dias.

“O que vimos principalmente nas duas últimas semanas de março foram muitas posições sendo zeradas. Tem muitos fundos que, com a volatilidade muito alta, atingiram os limites das suas métricas de risco, então tiveram que liquidar posições”, avaliou.

Segundo ele, como as carteiras já estão ajustadas, é natural a queda da volatilidade de curto prazo, mas ele ressaltou que ainda é cedo para afirmar que o pior já passou.

“Temos que monitorar uma possível segunda onda da doença, mais forte, mas os governos têm sido assertivos em suas decisões para melhorar o impacto econômico ao redor do mundo”, disse.

Alexandre Aoude, sócio da Vectis Gestão, chamou as medidas de “maciças” e disse que no curtíssimo prazo elas acalmam os mercados porque dão um pouco de perspectiva de como pode ser a saída da quarentena, como os setores vão ter acesso ao dinheiro daqui para frente.

“As informações passam a ser mais consistentes, os casos vão acontecendo e você vai tendo mais estatística sobre o assunto. O governo injetou dinheiro como nunca antes na história”, disse.

“Isso quer dizer que a gente vai sair dessa crise super bem? Não. A gente diminui a volatilidade, mas tem o próximo passo. Quando a economia real começar a voltar, vamos ter a magnitude do impacto que foi o coronavírus para a o mundo.”

Segundo ele, há um certo medo do tamanho das recessões que os países devem ter. “A maioria dos grandes economistas compara o atual momento à crise de 1929, o caos dos anos 1930, a grande depressão. Vai ser uma coisa muito guiada pelos EUA e como eles estão lidando com isso por lá”, avaliou.

Para o gestor, os países mais fragilizados, os emergentes, tendem a sofrer mais numa situação dessa apenas se o vírus tiver um impacto maior do que o esperado, maior do que o governo tem se preparado para enfrentar nos próximos meses.

“As chances de dias com 12% para cima ou para baixo [na Bolsa] diminuíram muito. Se as medidas que os governos adoraram serão eficazes para ajudar a economia real, não se sabe, isso vamos ter que aguardar para ver”, concluiu.

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Em queda, volatilidade passa de inimiga a amiga do mercado, diz JPMorgan

(Shutterstock)

(Bloomberg) – Na visão do JPMorgan Chase, a volatilidade das ações e da renda fixa diminuiu para níveis que poderiam impulsionar os mercados em vez de estimular mais turbulência.

As oscilações começam a diminuir em resposta às medidas de bancos centrais e governos com pacotes de estímulo sem precedentes para amortecer o impacto econômico do Covid-19.

Isso tem melhorado as condições nos mercados de financiamento, a liquidez e a desalavancagem por investidores sensíveis ao valor em risco – três áreas-chave para a volatilidade -, segundo a equipe de estrategistas liderada por Nikolaos Panigirtzoglou.

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“Após a deterioração do funcionamento do mercado e da liquidez em março, com condições de liquidez em alguns mercados piores do que durante a crise financeira, existem alguns sinais preliminares de melhora da liquidez nas classes de ativos”, escreveu Panigirtzoglou.

O índice de volatilidade Cboe, ou VIX, fechou abaixo de 40 na terça-feira, depois de ter atingido 85 no período mais caótico do mês passado. O índice ICE BofA MOVE, que mede oscilações nas opções dos Treasuries, encerrou pouco abaixo de 70 na terça-feira, depois de ter ultrapassado 160 em 9 de março.

A queda desde o final de março reverteu cerca de metade das vendas anteriores dos fundos de paridade de risco equivalentes a cerca de US$ 90 bilhões em títulos, US$ 30 bilhões em ações e US$ 30 bilhões em commodities, disse o JPMorgan.

A emissão doméstica de títulos corporativos com grau de investimento nos EUA subiu em março para mais de US$ 190 bilhões, mais do que o dobro da máxima anterior nas últimas duas décadas. E a reabertura do mercado primário de títulos corporativos de alto rendimento aumenta as expectativas de que o ciclo de inadimplência da dívida possa ser muito menos grave do que na recessão anterior. A profundidade e a liquidez do mercado também se recuperam, embora em ritmos diferentes em distintas classes de ativos, de acordo com o relatório.

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