Expert XP confirma Hillary Clinton como palestrante; veja os demais painéis do evento que começa dia 24

SÃO PAULO – Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e ex-senadora dos Estados Unidos, é a mais nova palestrante confirmada para a 11ª edição da Expert XP, evento anual realizado pela companhia e um dos maiores festivais de investimentos do mundo.

O evento, que acontece de forma online e gratuita entre os dias 24 e 26 de agosto, conta ainda com a participação de nomes como Michael Bloomberg, empresário e ex-prefeito de Nova York, Randi Zuckerberg, CEO da Zuckerberg Media e irmã do cofundador do Facebook, e a renomada jogadora de futebol brasileira Marta Silva.

Grandes gestores de fundos de investimento também estão com presença confirmada, como Howard Marks (Oaktree), Larry Fink (BlackRock), Luis Stuhlberger (Verde Asset) e Mohamed El-Erian (Allianz), além de Manny Roman, CFO da gestora Pimco.

Todos os conteúdos da Expert, que incluem palestras, mesas redondas, talks e entrevistas, serão transmitidos via plataforma da XP. Serão ao todo seis palcos pelos quais vão passar alguns dos nomes mais importantes da atualidade, com mediação de jornalistas e do time de profissionais da XP.

Dentre os assuntos que serão abordados, destaque para a retomada global da economia, open banking, eleições de 2022, tendências em relação às criptomoedas e ao mercado de investimentos, bem como o papel dos influenciadores digitais na educação financeira.

“Buscamos trazer as melhores referências e especialistas do Brasil e mundo afora para compartilhar com o público suas visões de mundo e os principais temas da atualidade, assim como histórias inspiradoras. Essa edição não será diferente, com nomes de peso já confirmados e muitos outros que ainda serão anunciados”, afirma Karel Luketic, diretor de conteúdos digitais da XP Inc, em nota.

Na edição de 2020, a primeira a ser realizada de forma online, por conta da pandemia de Covid-19, o evento impactou mais de cinco milhões de pessoas e contou com mais de 200 palestrantes.

Para conferir a programação da Expert 2021, bem como acompanhar as palestras, basta fazer a inscrição no site do evento.

“A gente estima que no final de setembro teremos nossos BDRs negociados na B3”, diz CFO da XP Inc.

SÃO PAULO — Desde que fez seu IPO na Nasdaq, em dezembro de 2019, as ações da XP Inc. têm alta de mais de 35%, sendo 15,6% só neste ano. Dona das corretoras XP, Rico, Clear, além do InfoMoney, a XP Inc. viu seu lucro líquido ajustado superar R$ 1 bilhão no segundo trimestre de 2021, uma alta de 83% sobre o mesmo período do ano passado.

Muitos investidores por aqui aguardam ansiosos pela estreia dos BDRs da XP Inc. na Bolsa brasileira, a B3. Os recibos de ações, que representam os papéis da empresa negociados na Nasdaq, devem estar disponíveis até o final de setembro. Pelo menos essa é a estimativa de Bruno Constantino, CFO do grupo, que foi citada em live do InfoMoney na quinta-feira (5).

“A gente está muito ansioso para ter nosso BDR negociado na B3. Quando do nosso IPO, a gente não tinha opção, por conta da nossa estrutura societária. A gente precisava de uma estrutura de super voting rights, ter ações com poder de voto diferenciado, o que no mercado americano é super comum. No mercado brasileiro, a lei não permite. Tem uma discussão agora para mudar isso, mas fato é que em 2019 a gente precisou fazer o IPO lá fora”, disse.

Um ano após o IPO, a XP Inc. poderia ter seu BDR listado na B3, mas teve que segurar o processo por conta de uma reorganização societária anunciada pelo Itaú, que aprovou uma cisão da participação minoritária que ele tinha da XP. Essa empresa cindida será incorporada na XP, o que ainda depende de aprovação em assembleia. Quando isso ocorrer, os acionistas dessa empresa receberão ações ou BDRs da XP.

“Neste momento, a gente estima que [a aprovação pela assembleia] ocorra ao final do terceiro trimestre, ou seja, ao final do mês que vem nós teremos os nossos BDRs negociados na B3. Não dá para fazer antes porque tem essa operação em curso”, explicou Constantino.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Thiago Maffra, CEO da XP Inc. e que também participou da live, destacou o potencial de crescimento da companhia. “Quando a gente olha o tamanho da oportunidade do mercado, a gente está falando de R$ 800 bilhões de revenue pool, e a gente tem, pegando 12 meses atrás, algo em torno de 1% disso. A gente tem um market share desse revenue pool muito pequeno”, disse.

“E se a gente pegar especificamente investimentos, não estou nem falando dessas novas linhas de negócio que abrimos [como crédito e seguros, por exemplo], 90% dos investimentos ainda estão dentro dos grandes bancos incumbentes. Então, tem uma avenida de crescimento enorme no mundo de investimentos. A gente vai continuar crescendo, vai continuar acelerando, é uma avenida enorme, daria para fazer algumas XPs focadas no mundo de investimentos, mas em paralelo a gente está abrindo essas novas linhas de negócio que vão dar um growth enorme”, completou o CEO.

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Maffra e Constantino falaram ainda sobre como enxergam o aumento recente da Selic impactando os negócios da XP Inc., sobre as iniciativas ESG do grupo, sobre a cultura de partnership da companhia e seus efeitos sobre os resultados, além do cenário de maior concorrência no setor. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Sobre o que é longo prazo e por que nem todos podem ser Jeff Bezos

Existe um conceito que, para o investidor e para o empreendedor, é tão importante quanto difícil de definir: o de prazo. Particularmente o de longo prazo.

Quanto tempo esperar para um empreendimento dar certo? Quanto tempo esperar para um investimento ter retorno? Nenhuma dessas respostas existe se esse conceito não estiver claro. 

No episódio 108 do Stock Pickers pedimos essa resposta para um empreendedor e para um stock picker. Na verdade, para dois empreendedores e dois investidores: Guilherme Benchimol, fundador e presidente-executivo do conselho de administração da XP Inc e Rodrigo Furtado, fundador e gestor do XP Long Term (ambos empreendedores e investidores, para quem esperava uma lista de quatro nomes). 

Longo prazo é o infinito

“Longo prazo é o que não termina. É estar focado no que vai ser para a sua vida, no que não vai terminar. É o que você tem que garantir que tem alicerces sólidos, por que é a sua vida e vai ser a vida de outras pessoas”, diz Benchimol, usando seu chapéu de empreendedor. 

Se para o empreendedor a resposta quase metafísica, para o investidor ela é muito mais material: “curto prazo é um ano; médio prazo são três anos; longo prazo são cinco anos”, diz Furtado. Mas isso serve para quem está se tornando um cotista. Para o stock picker, é diferente: “quando a gente escolhe uma empresa para investir, a gente escolhe quem está criando uma coisa muito grande. E isso não se faz em um curto prazo”, completa Furtado.

Ser Amazon não é para todos

Analisar o valor de uma empresa depois que a internet trouxe a palavra disrupção para a mesa e que os bancos centrais e as circunstâncias econômicas do planeta facilitaram o acesso ao capital tornou- se muito mais difícil. O melhor exemplo disso é a Amazon. “Na época da bolha ponto com, a Amazon quase desapareceu, por que não dava lucro. Hoje é o que é”, reflete Furtado. 

Isso quer dizer que os empreendedores devem queimar caixa hoje para, daqui a 20 anos passear de foguete, como Jeff Bezos? Não, afirma Benchimol. “A Amazon é uma exceção. Uma empresa que passa anos e anos e anos sem ter resultado e de repente vira o que virou. É importante ter em mente que tem que gerar resultado no curto prazo, pois pode haver uma crise, você pode não ter mais como se financiar e tomar risco”, resume.

XP inicia cobertura de WEG com recomendação de compra e vê upside de 37% para a ação: “cenário macro favorável e DNA inovador”

SÃO PAULO – A XP iniciou a cobertura das ações da WEG (WEGE3), com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50 por papel, o que implica potencial de alta de 37,3% em relação ao fechamento de terça-feira (3).

Na avaliação dos analistas, a WEG está bem posicionada para sustentar seu “sólido perfil de valor”, com base em conjunturas macro favoráveis para suportar o momento da receita de curto a médio prazo.

“Dada a alta correlação da receita da WEG com os ciclos de investimentos globais, acreditamos que a forte recuperação das economias em todo o mundo e domesticamente deve apoiar mais investimentos a serem implantados, traduzindo-se em um momento positivo para a receita da companhia. Além disso, vemos a contínua transição energética para fontes renováveis ​​como um importante vetor de crescimento”, escreve o time de análise, em relatório.

O crescimento de longo prazo em setores como mobilidade elétrica, serviços de armazenamento de energia e soluções digitais, suportado pela internacionalização e pelo “DNA inovador” – que busca mercados de alto crescimento e ainda pouco explorados –, também foram mencionados entre as justificativas.

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“Com um crescimento de receita entre 1996 e 2020 de 17% ao ano e um retorno sobre o capital investido (ROIC) da ordem de 30%, vemos na WEG um alinhamento impressionante de crescimento e retorno. Em nossa opinião, sua estrutura industrial altamente verticalizada e voltada para a tecnologia auxilia a empresa na superação consistente de seus pares em termos de lucratividade”, escrevem os analistas.

A XP cita ainda o perfil diversificado de receita da WEG, a execução “sólida” da companhia para sustentar seus altos níveis de retorno, bem como o forte posicionamento em relação à agenda ESG (de melhores práticas sociais, ambientais e de governança).

A casa estima lucro líquido de R$ 3,1 bilhões, R$ 3,5 bilhões e R$ 4,1 bilhões para o triênio 2021 a 2023, implicando um crescimento de lucro de 15% ao ano nos próximos três anos.

Múltiplos mais caros justificáveis

Na avaliação dos analistas, a WEG não está sendo negociada a um valuation esticado, uma vez que o time vê um alinhamento de forte crescimento com altos níveis de retorno justificando o “valuation premium” da companhia.

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Para a XP, os múltiplos atuais, de 44 vezes o preço sobre lucro para 2022 (ante 20 vezes a média global de empresas industriais), são uma resposta “razoável” às altas expectativas de crescimento e aos retornos sustentáveis elevados ​​no longo prazo.

“Embora a WEG não apareça como a mais barata numa perspectiva de valuation ajustado pelo crescimento, vemos seus retornos acima da média, medido pelo ROE de 2022, posicionando a WEG em uma quadrante atrativo em uma análise de valuation ajustado por retorno e crescimento”, escrevem os analistas.

Fontes renováveis impulsionando crescimento futuro

No relatório, a XP destaca o papel importante da WEG na nova capacidade de energia ao redor do mundo, com a empresa se beneficiando do aumento da relevância da energia renovável nas próximas décadas.

Isso porque muitos países têm adotado metas de longo prazo para zerar a emissão de carbono, bem como buscado custos unitários menores e mais competitivos para fontes mais limpas.

Como a WEG desenvolve e fabrica equipamentos de energia para empresas de geração, distribuição e transmissão (o que representa hoje a segunda maior fonte de receita para a companhia), a empresa deve surfar essa onda das energias eólica e solar.

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A XP avalia que, em um cenário de modernização e ampliação da infraestrutura elétrica atual, a WEG deve se beneficiar de futuros investimentos no setor, com expectativa de aumento de 67% das linhas de transmissão no mundo na próxima década.

Para os analistas, a WEG é uma das empresas melhor posicionadas dentro da cobertura da casa sob as lentes ESG devido à governança robusta e aos grandes esforços para abraçar a crescente demanda por energia limpa.

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Lucro líquido ajustado da XP Inc. supera R$ 1 bilhão no 2º trimestre, alta de 83% na comparação anual

(XP/Divulgação)

SÃO PAULO – A XP Inc. registrou um lucro líquido ajustado de R$ 1,034 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 83% na comparação com mesmo período do ano passado, quando lucrou R$ 565 milhões, e de 22% frente os R$ 846 milhões registrados no primeiro trimestre de 2021. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3), após o fechamento do mercado.

“Mais um trimestre recorde, com resultados financeiros sólidos e crescimento exponencial, ultrapassando a marca de R$ 1 bilhão de lucro líquido ajustado no trimestre. O início da expansão em produtos e serviços de banking tornam nosso modelo de negócio ainda mais resiliente e diversificado. A rentabilidade do negócio continuará sendo reinvestida em nossos clientes, com melhorias em experiência, tecnologia, mais produtos e serviços”, afirmou Bruno Constantino, sócio e CFO da XP Inc.

A receita bruta foi de R$ 3,2 bilhões no segundo trimestre de 2021, ante R$ 2,04 bilhão do mesmo trimestre de 2020, alta de 57%. Na comparação com os três primeiros meses de 2021, quando a receita bruta foi de R$ 2,784 bilhões, a alta foi de 15%. A receita líquida totalizou R$ 3,018 bilhões, também em uma alta de 57% na base anual e de 15% frente o primeiro trimestre deste ano.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado também registrou avanço no período, alcançando R$ 1,245 bilhão no trimestre, um valor 77% maior em relação aos R$ 704 milhões registrados nos meses entre abril e junho de 2020. Frente os R$ 1,043 bilhão entre janeiro e março de 2021, a alta foi de 19%.

A XP Inc. somou 3,14 milhões de clientes ativos no segundo trimestre de 2021, alta de 33% em relação ao mesmo período do ano passado.

No período encerrado em 30 de junho, a companhia registrou R$ 817 bilhões em Ativos Sob Custódia (AUC, na sigla em inglês), alta de 88% na comparação com igual período de 2020.

Já o chamado Net Promoter Score (o chamado NPS, índice que avalia a satisfação dos clientes) aumentou de 74 em março para 76 em junho. A XP Inc. também aponta que foi destaque no trimestre o número de novos assessores autônomos conectados à rede. Foram 1.198 novos assessores, número 165% maior frente igual  período de 2020 e um aumento de 31% na comparação com o trimestre anterior.

A carteira de crédito chegou a R$ 6,8 bilhões no segundo trimestre de 2021, alta de 43% sobre o primeiro trimestre de 2021, com inadimplência de 0%. No período, foram gerados R$ 2,1 bilhões em volume total de pagamentos no cartão de crédito, alta de 316% ante o primeiro trimestre. A XP Inc lançou em março o cartão de crédito XP Visa Infinite.

“Aceleramos no segundo trimestre a evolução de produtos e serviços de banking, em linha com nosso objetivo de endereçar a vida financeira do cliente por completo. O volume transacionado em cartão de crédito no segundo trimestre de 2021 foi 4 vezes maior do que o volume do primeiro trimestre de 2021, ultrapassando a marca de R$ 2 bilhões. Isso demonstra a capacidade de cross sell de nossa plataforma, com forte aderência de nossos clientes à novos produtos e serviços oferecidos através do ecossistema XP. No segundo semestre seguiremos focados na entrega de uma conta digital integrada, tornando a experiência de nossos clientes ainda mais completa”, destacou no release de resultados Thiago Maffra, CEO da XP Inc.

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Copom: mercado “crava” que Selic deve subir 100 pontos (ou até mais)

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Como em toda semana de Copom, o Stock Pickers abre a semana mostrando como estão as apostas do mercado para onde a Selic deve ir na reunião que acontece na quarta-feira. Nesta segunda, o Anibal Furuguem, especialista em opções da XP, mostrou que o mercado praticamente “cravou” que a taxa de juros vai subir mais do que os 75 pontos-base que vimos nas reuniões anteriores.

O contrato “CPMQ21C101000“, que indica que o Copom subirá a Selic em 100 pontos, está sendo negociado a R$ 80 – ou seja, o mercado acredita que há 80% desse cenário tornar-se realidade (veja mais abaixo como funciona o mercado de opções de Copom).

Já o contrato que aponta alta de 125 pontos-base (CPMQ21C101250)fechou a sexta-feira em R$ 11. Juntos, eles somam mais de 90% de probabilidade de acontecer. Até o dia 22, as apostas do mercado para um dos dois cenários eram muito menores: somavam 39%.

A grande expectativa até então era de que o Copom manteria o mesmo ritmo de 75 pontos de elevação: a chance era de 68%, apontam os preços das opções de Copom da época. Mas após o IPCA-15 de julho vir acima do esperado, as apostas de alta de 75 pontos despencaram e atualmente apontam 7,5% de chance de acontecer. Ou seja: hoje o mercado acredita mais em uma alta de 125 pbs do que de 75 pbs.

Com a Selic está em 4,25% ao ano, se o cenário mais esperado acontecer, ela irá para 5,25%. O boletim Focus do Banco Central aponta que ela deve fechar o ano em 7%, mas cada vez mais gestores começam a trabalhar com um cenário mais alto para juro brasileiro em dezembro.

ENTENDA COMO FUNCIONAM AS OPÇÕES DE COPOM

Cada contrato indica a probabilidade do que o Copom fará com a Selic no dia da reunião (subir, cortar ou manter o juro) e todos esses contratos vencem no dia da respectiva reunião.

Os contratos são negociados entre R$ 0,01 e R$ 99,99, onde cada centavo indica a probabilidade deste evento acontecer. Exemplo: um contrato negociado a R$ 80,00 indica que há 80% de probabilidade daquele evento acontecer.

Logo no dia seguinte da reunião do Copom, o contrato que “acertou” o que aconteceu com a Selic passará a valer R$ 100,00, enquanto todos os outros contratos referentes àquela reunião virarão pó (expressão do mercado para dizer que valerão zero reais).

CUSTOS DE OPERAÇÃO E PROBABILIDADE DE LUCRO 

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Cada 1 unidade é negociada em lotes de 100 contratos. Ou seja, se você comprar 1 unidade de uma opção de Copom que está valendo R$ 30,00, terá que desembolsar R$ 3.000 (30 por opção x 100 contratos).

Se essa opção “acertar” a decisão do Copom, ela passará a valer R$ 100,00 no dia seguinte da decisão – ou seja, seus R$ 3.000,00 virarão R$ 10.000,00 (a conta não considera os custos operacionais e o imposto de renda, que é de 15% sobre o lucro da operação).

Caso o cenário previsto não ocorra, todo seu capital investido virará pó – no exemplo acima, você perde R$ 3.000.

ENTENDA O “CÓDIGO” DE CADA CONTRATO

Cada contrato tem 13 letras e números na sua composição. Pegando como exemplo o contrato com maior probabilidade de ocorrer nesta semana, que é o de alta de 100 pontos-base: o código dele na B3 é CPMQ21C101000, onde:

CPM = é o nome da opção, e nunca muda. Designa Copom.

Q = mês da reunião de acordo com a linguagem da B3. As letras são as mesmas que as usadas nos contratos futuros (este caso, agosto).

21 = ano da reunião.

C = tipo da reunião (C para ordinária, P para extraordinária). Como não temos uma reunião extraordinária desde 2002, o mais comum é vermos os contratos com a letra C.

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101000 =os 6 últimos números vão indicar qual é a “aposta” desta opção para a decisão do Copom. Os números partem de 100000 (cem mil), onde 100000 indica “manutenção da Selic”, e qualquer número acima ou abaixo disso sinaliza alta ou queda da Selic. No exemplo acima (101000), o contrato indica alta de 100 pontos-base.

A opção que sinaliza alta de 50 pontos-base teria no final 100500, enquanto um contrato que indica queda de 25 pbs teria no final 099750.

COMO COMPRAR ESTAS OPÇÕES?

A compra de uma opção de Copom tem o mesmo processo de uma opção de ação. O investidor precisa abrir o home broker, digitar o código e comprar (se a sua corretora não te permite comprar estes contratos, verifique seu perfil de investidor ou faça a operação utilizando o canal de atendimento online).

Mais informações: a B3 tem uma página no site focada em opções de Copom.

Geadas no Sul e no Sudeste: qual o impacto para a inflação e para as ações de agro da Bolsa

Frio na Serra Catarinense (Foto: Paulo/Fotos Públicas)

SÃO PAULO – Em meio a condições climáticas adversas, com uma intensa onda de frio prejudicando o agronegócio e uma crise hídrica contribuindo para custos mais elevados de energia elétrica, o bolso dos consumidores deve sentir mais nos próximos meses.

O mesmo vale para investidores de ações, que têm empresas do agronegócio na carteira, que devem ficar atentos aos potencias impactos nas companhias.

Em relatório divulgado nesta sexta, a XP avalia que a geada de julho e dessa semana nas regiões Sul e Sudeste podem se traduzir em uma inflação ainda mais alta no curto prazo.

Isso porque, com a diminuição da oferta, devido ao impacto das geadas nas colheitas, os preços tendem a subir e esse repasse aos consumidores costuma ser rápido.

Na avaliação da XP, isso pode significar alta de 0,10 ponto percentual na projeção de inflação para 2021, já em 6,7%.

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Entre as culturas mais impactadas pela intensa onda de frio, a XP destaca o café, as hortaliças e as frutas.

O frio intenso, somado ainda à estiagem severa, que impactou fortemente os preços de grãos – como soja e milho, cana de açúcar, café e cítricos –, e elevou o custo da energia elétrica, especialmente no setor industrial, tende a pressionar ainda mais o índice de preços.

No caso da carne bovina, a XP escreve que a alta segue sustentada pelas exportações brasileiras de carne para a China em um cenário de escassez de animais prontos para abate. E a falta de chuvas fez com que o confinamento do gado aumentasse, gerando mais custos aos produtores.

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Tatiana Nogueira, economista da XP que assina o relatório, chama atenção ainda para a reabertura da economia pós-Covid, permitindo que serviços tenham seus preços reajustados, de uma forma mais rápida do que a projetada já esse ano.

Desta forma, a inflação pode ficar acima de 7% no ano, segundo Nogueira.

Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,72% frente junho, acima do esperado pelo mercado financeiro, de alta de 0,64%, e na maior variação para o mês desde 2004.

No ano, o indicador acumula alta de 4,88%, enquanto em 12 meses, sobe 8,59%.

E o impacto na Bolsa?

No mercado de renda variável, investidores com papéis ligados ao agronegócio também devem monitorar as questões climáticas no país.

Embora colheitas possam ser afetadas pelas geadas, alguns nomes podem se beneficiar de uma menor oferta de produtos, elevando os preços no mercado. É o caso, por exemplo, de São Martinho (SMTO3).

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a produção da empresa deve ser impactada negativamente pelas geadas nas colheitas de 2021 e 2022, com a situação podendo perdurar até a colheita de 2022 e 2023.

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Ao mesmo tempo, a companhia pode se beneficiar de um aumento nos preços do açúcar diante da menor oferta, destaca o time de análise.

O Itaú tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para os papéis SMTO3, com preço-alvo de R$ 42.

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XP inicia cobertura de Boa Safra Sementes com recomendação de compra e vê potencial de alta de 32% para ação

O mesmo acontece com SLC Agrícola (SLCE3), que deve, segundo o Itaú BBA, ver seus preços de milho subirem no mercado nos próximos meses em meio à menor oferta da commodity.

O caso é semelhante em M. Dias Branco (MDIA3), cuja produção é concentrada, em sua maioria (cerca de 80%), na região Nordeste do país – também contribuindo para uma alta no preço do trigo, escrevem os analistas.

De acordo com o Itaú BBA, JBS (JBSS3) deve ser blindada dos efeitos da geada, em grande parte, dada a menor exposição ao mercado brasileiro. A oferta restrita de grãos, contudo, pode reprimir as margens da marca Seara.

Por fim, o banco escreve que o cenário deve continuar elevando os custos para a BRF (BRFS3). A companhia, contudo, pode compensar parcialmente as tendências negativas por meio de aumentos de preços, destaca o time de analise.

“Embora haja pressão sobre os custos dos grãos para ração, a compressão de margem esperada para a BRF foi mitigada pelos preços mais altos, uma vez que os preços dos alimentos processados no Brasil mantiveram seu ritmo de crescimento anual de dois dígitos”, escreve o Itaú, em relatório.

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O banco tem recomendação de market perform (performance em linha com o mercado) para os papéis de BRF e M. Dias Branco, com preço-alvo estimado de R$ 25 e R$ 30, respectivamente. Para SLC e JBS, a recomendação é de outperform, com preço-alvo de R$ 55 e R$ 47, respectivamente.

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XP inicia cobertura de Boa Safra Sementes com recomendação de compra e vê potencial de alta de 32% para ação

Plantação de soja em Mato Grosso; Agronegócio (Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

SÃO PAULO – A XP iniciou nesta sexta-feira (30) a cobertura das ações da Boa Safra Sementes (SOJA3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 18, o que implica potencial de alta de 32% ante o fechamento de quinta (29).

Os analistas apontam que a ação está sendo negociada a 4,6 vezes o valor da empresa sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) para 2022, o que representa um desconto em relação ao múltiplo-alvo da casa, de 7,3 vezes.

Em relatório, a XP escreve que o agronegócio brasileiro vem se tornando cada vez mais tecnológico, seja pelo uso de novas técnicas de plantio e máquinas mais inteligentes, como pelo uso de sementes de maior qualidade.

Segundo a casa, esse processo deve continuar se aperfeiçoando nos próximos anos diante de uma demanda em crescimento e alta de preços gerando inflação.

Diante disso, Boa Safra é um dos nomes para se posicionar neste cenário, sendo a empresa a mais preparada, segundo a XP, para capturar essa oportunidade criada pelo avanço da adoção de tecnologia no campo.

“Entendemos que a empresa conta com diferenciais estratégicos relevantes, como seu modelo leve em termos de ativos, sua integração na cadeia de produção, seu alto nível tecnológico, além da base de clientes diversificada”, escreve a XP.

Entre os principais destaques da tese de investimento, os analistas citam que a Boa Safra possui uma estrutura operacional pouco complexa, favorecendo a construção de novas plantas e, consequentemente, o crescimento orgânico da companhia.

Ao mesmo tempo, o setor de processamento de sementes é bastante fragmentado, composto por pequenas empresas espalhadas pelo país. Isso permite que empresas maiores e mais capitalizadas, como a Boa Safra, tenham facilidade para realizar fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês) – crescendo de forma inorgânica.

Outra justificativa para a recomendação, segundo a XP, é a de que há no Brasil um grande potencial para a adoção de sementes mais tecnológicas, que aumentam a produtividade da lavoura.

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Enquanto nos EUA mais de 80% das sementes já são tratadas com Tecnologia de Tratamento Industrial de Sementes (TSI), escreve a casa, por aqui esse número é inferior a 10% – um oceano azul em termos de demanda para a Boa Safra.

Os analistas esperam ainda que a empresa seja capaz de negociar rebates mais interessantes nos royalties cobrados pelas multinacionais de genética, dado que a Boa Safra vem expandindo sua capacidade produtiva e sua participação de mercado.

De olho em oportunidades, a XP destaca que a Boa Safra está focada hoje em sementes de soja, seguindo um determinado padrão sazonal, mas que pode expandir sua atuação para outras sementes, inclusive milho, e mitigar a sazonalidade do seu negócio, criando mais estabilidade ao longo do ano.

“Entendemos que o mercado potencial da Boa Safra para sementes de soja deve continuar a crescer rapidamente, apesar da questão das sementes salvas. O crescimento da área de plantio de soja no Brasil, conforme estimativas da CONAB, em conjunto com o aumento dos investimentos em produtividade da lavoura no país devem impulsionar os resultados da SOJA3, na nossa visão”, escreve o time de análise.

As sementes “salvas” de soja são aquelas separadas após uma produção e guardadas para serem utilizadas na próxima safra. Os analistas explicam que no Brasil, “salvar sementes” é permitido, enquanto em países como os EUA, não.

Já entre os principais riscos para a tese de investimento, a XP destaca o risco de eventos climáticos; de integração com parceiros comerciais – dado que a empresa não produz diretamente suas sementes –; de consolidação de mercado; do ciclo de commodities, com preços que variam a nível internacional; e risco das sementes salvas, que não são compradas de empresas de processamento de sementes, mas que hoje ainda representam um pequeno percentual do total usado para plantio no Brasil.

A Boa Safra, que abriu seu capital recentemente na Bolsa brasileira (em abril), tem queda de 1,8% na B3 no ano desde então, ante alta de 3,8% do Ibovespa no período. Nesta sexta, por volta das 10h40, os papéis apresentavam leve alta de 0,51%, a R$ 13,70.

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Sem atacado e com impactos da Covid, Pão de Açúcar decepciona no 2º tri; ações caem na Bolsa

Pão de açúcar supermercado loja varejo (divulgação)

SÃO PAULO – Impactado por maiores restrições relacionadas à Covid-19 e com uma forte base de comparação no ano anterior, o grupo varejista GPA (PCAR3), controlador do Pão de Açúcar, decepcionou ao divulgar seus resultados referentes ao segundo trimestre na noite da última quarta-feira (29).

No período, a varejista teve lucro líquido consolidado de R$ 4 milhões, uma queda da ordem de 96% ante o mesmo intervalo de 2020, quando os consumidores correram aos mercados para comprar mantimentos em meio ao início da pandemia.

A receita também caiu, em 5,3%, para R$ 11,9 bilhões, enquanto o resultado operacional medido pelo lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou R$ 899 milhões, baixa de 7,7% ano a ano.

Como esperado, o mercado teve uma reação negativa dos resultados, levando os papéis da companhia a apresentarem queda na Bolsa nesta quinta-feira (29). As ações PCAR3 fecharam o pregão com queda de 7,4% na B3, a R$ 31,42.

Na avaliação da casa de análise Levante, os dados do balanço da companhia vieram ruins, principalmente se considerada a forte inflação de alimentos dos últimos dois anos.

“O GPA mostra que sua base forte de geração de caixa no passado vinha das operações do Assaí e ainda trabalha para rentabilizar melhor a sua base de ativos remanescentes”, destacam os analistas.

No segundo trimestre, a operação de “atacarejo”, que une o varejo ao atacado, foi o grande destaque das varejistas de alimentos, tanto nos resultados do Assaí quanto nos do Carrefour Brasil. Leia mais aqui.

Resultado mais fraco que o do Carrefour?

Em relatório, o Bradesco BBI destaca que os resultados do Grupo Pão de Açúcar mostraram uma queda de 10% na base anual da receita no Brasil, em linha com o esperado pela casa. O dado, contudo, veio mais fraco do que o apresentado pela operação de varejo do Carrefour no dia anterior, de crescimento de 2%, escreve.

Para o Bradesco BBI, o desempenho da receita da companhia no trimestre decepcionou, com apenas 4% de crescimento de vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) em dois anos.

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“Isso está bem abaixo das taxas de crescimento observadas pelos varejistas Cash & Carry, que estão entregando pilhas de dois anos em torno da marca de 20%”, escrevem os analistas.

“Também continuamos um pouco céticos sobre até que ponto o crescimento das vendas online é incremental ou está simplesmente substituindo um canal por outro”, completam.

Para o time de análise do Bradesco BBI, o nome preferido no setor é Assaí (ASAI3), que tem apresentado maior crescimento nos lucros.

O banco tem recomendação neutra para os papéis PCAR3 e preço-alvo de R$ 44.

Empresa mais afetada no setor

Na avaliação do Itaú BBA, embora investidores já esperassem as comparações difíceis na base anual (principalmente para as categorias de não alimentos), o Pão de Açúcar é, até agora, a varejista de alimentos, sob a cobertura do banco, mais afetada diante do fechamento de lojas e limitações de capacidade de funcionamento das lojas físicas no trimestre.

Em relatório, os analistas escrevem que os resultados da companhia vieram em linha com o esperado, de uma receita mais fraca, mas sustentando os ganhos de lucratividade do primeiro trimestre de 2021.

Para o banco, a capacidade da empresa de sustentar os ganhos de produtividade e continuar avançando na implementação de suas iniciativas estratégicas – como a implantação das lojas G7 na bandeira Pão de Açúcar e o novo formato Extra –, bem como na conquista de marcos importantes em seu ecossistema omnichannel, podem aumentar a confiança dos investidores à medida que evoluem, permitindo ao Pão de Açúcar alcançar os demais concorrentes.

Entre os destaques positivos do balanço, os analistas do Morgan Stanley citam as operações digitais da companhia, com aumento de 38% nas vendas na base trimestral e de 32% na base anual, representando 8,2% de penetração na venda de alimentos (acima dos 5,7% no primeiro trimestre).

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O time de análise destaca ainda que o Pão de Açúcar segue com sua estratégia de ser uma plataforma de e-commerce mais aberta, com resultados mostrando o impacto positivo de iniciativas como novas parcerias e ampliação do leque de produtos oferecidos.

“Embora os resultados não tenham atendido às nossas expectativas, o PCAR mostrou controle de custos no trimestre, com as margens Ebitda caindo modestos 20 pontos-base ano a ano, mesmo com uma queda de 5% na receita”, escrevem os analistas do Morgan Stanley.

Visão positiva já está no preço

O otimismo que recai sobre a companhia, em especial sobre as novas iniciativas do grupo podem, contudo, já estarem no preço das ações PCAR3.

Ao menos essa é a avaliação da XP. Segundo os analistas, parte da visão positiva com as novas iniciativas já está refletida no nível de valuation atual, em 27 vezes o preço sobre lucro estimado para 2021.

Além disso, desafios relacionados à venda no curto prazo da participação da empresa de marketplace Cnova devem continuar pesando sobre os ativos da companhia, destaca o time.

Assim como o Bradesco BBI, a XP manteve sua recomendação neutra para as ações PCAR3, e preço alvo de R$ 39 por ação.

De 13 casas que cobrem o papel, quatro têm recomendação de manutenção para os ativos e nove de compra, das quais uma delas recomenda forte exposição.

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Ambev superará principal desafio? Analistas se dividem após pressão de custos impactar de novo a companhia no 2º tri

SÃO PAULO – A Ambev (ABEV3) reportou na manhã desta quinta-feira (29) seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2021.

Os resultados, a princípio, se apresentaram como bastante sólidos, com a companhia mais que dobrando o seu lucro, chegando perto dos R$ 3 bilhões.

Apesar disso, e embora tenha apresentado um forte volume de vendas no período, tanto no mercado doméstico quanto internacional, o grande desafio para a companhia permanece o da pressão de custos, que teve aumento da ordem de 20% no período, com preços altos para a maioria das matérias-primas e real desvalorizado frente ao dólar, levando o custo por hectolitro a subir mais rápido do que os preços médios.

Por conta disso, após os resultados, os papéis da cervejaria registram queda na sessão desta quinta-feira (29), chegando a ter baixa de 4,62% na mínima do dia. Às 12h20 (horário de Brasília), a baixa era de 2,77%, a R$ 16,85.

Olhando para frente, os analistas de mercado seguem divididos. Enquanto alguns seguem otimistas com a tese, de olho em melhorias no futuro e estratégias de inovação da companhia, apesar dos custos mais elevados, há quem defenda que o cenário é desafiador e que as despesas devem pesar ainda mais no próximo ano.

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a expectativa é de que a pressão de custos continue nos próximos trimestres, mas em um ritmo de crescimento mais lento na base anual de comparação.

“Esperamos que essa tendência diminua no restante de 2021, mas o cenário de pressão de custos deve continuar a gerar alguns obstáculos para a recuperação da lucratividade da Ambev”, escreve o time de análise.

Segundo o banco, apesar de esperar uma reação negativa do mercado ao balanço, o Itaú já tinha rebaixado os papéis para recomendação de market perform (em linha com o mercado) após o balanço do primeiro trimestre e, com isso, já estava esperando resultados menos animadores.

Um ponto a ser destacado, de acordo com os analistas, é que as despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram devido aos investimentos em novas iniciativas (como Zé Delivery e BEES).

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“Se essas iniciativas derem frutos no médio e longo prazo, será uma parte fundamental da tese de investimento, e vamos monitorar isso de perto”, conclui o Itaú BBA.

Copo meio cheio

Na avaliação do Bradesco BBI, a pressão de custos que a Ambev está enfrentando com as matérias-primas será positivo para os resultados no futuro, uma vez que está permitindo que a empresa aumente os preços – que historicamente se fixam ou continuam a aumentar mesmo quando os custos caem –, impulsionando os ganhos futuros.

“Esperamos que os preços das commodities agrícolas caiam 21% em 2022 e mais 7% em 2023, após um aumento esperado de 17% para 2021”, escrevem os analistas, em relatório.

Neste cenário, o banco diz ver a relação preço sobre lucro (P/E) da Ambev em 20 vezes para 2022, abaixo da média histórica, de 23 vezes, caindo para um múltiplo atrativo de 17 vezes em 2023, dado o alívio dos custos de insumos.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação outperform (acima da média do mercado), com preço-alvo estimado de R$ 21.

Para o Credit Suisse, apesar dos ventos contrários da pressão de custos e um ambiente de consumo ainda incerto no Brasil, a Ambev continua a se mostrar bem posicionada para navegar em meio a turbulências, superar o desempenho da indústria (como tem sido o caso) e gerar caixa.

O banco manteve sua recomendação outperform com preço-alvo estimado de R$ 21,50.

Inovação como destaque

Apesar da pressão de custos, a XP diz acreditar que a companhia continua a superar seus pares diante de iniciativas de inovação (BEES, Zé Delivery, Donus), capilaridade comercial, base de clientes atomizada e processo contínuo de desenvolvimento de portfólio, especialmente no core-plus.

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Em relatório, os analistas escrevem que a inovação tem desempenhado um papel cada vez mais importante à medida que a plataforma BEES aumenta sua presença e já é utilizada por mais de 70% dos clientes ativos no Brasil, enquanto o aplicativo Zé Delivery entregou 15 milhões de pedidos no trimestre e a Donus atingiu 80 mil clientes.

“São inúmeros os desafios de curto prazo, mas seguimos otimistas com a AmBev uma vez que a empresa tem conseguido mudar seu DNA e construir novas avenidas de crescimento futuro, apesar de passar por uma das piores crises já registradas”, escrevem os analistas da XP.

A casa reiterou sua recomendação de compra para os papéis da Ambev, com preço-alvo de R$ 20 para o fim de 2022.

Mas nem todos estão otimistas…

Em relatório divulgado nesta quinta, o Morgan Stanley escreve que apesar de boa parte do mercado financeiro ter dado destaque para a receita da Ambev no segundo trimestre, que veio forte, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) decepcionou e prejudicou o resultado no período.

A margem Ebitda recorrente ficou em 14,8% no trimestre, abaixo do dado já deprimido de 17,8% um ano antes e da expectativa do Morgan Stanley, de 17,7%.

O banco americano manteve sua recomendação underweight (abaixo da média do mercado) diante de um cenário ainda desafiador para a companhia, de redução da demanda por cerveja no Brasil, maior capacidade de concorrentes e investidores voltando suas atenções para os custos da empresa em 2022.

Na avaliação dos analistas, ainda que a companhia tenha sido transparente e abordado a questão dos custos do segundo trimestre nas conversas com investidores, o Morgan permanece cauteloso com relação às despesas esperadas para o próximo ano. O preço-alvo para os ativos é de R$ 13,80, o que representa uma queda de 20% em relação ao fechamento da véspera.

Assim, analistas de mercado, no geral, seguem divididos com a tese de investimentos na companhia. De quatorze casas que cobrem o papel, quatro têm recomendação de compra para os ativos, sete de manutenção e três de venda. O preço-alvo médio é de R$ 17,32, o que corresponde a uma quase estabilidade em relação ao fechamento da véspera, de R$ 17,33.

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