Yduqs: analistas celebram metas atingidas apesar de cenário desafiador e reiteram otimismo; ação fecha em alta de 6,23%

SÃO PAULO – A ação da companhia de educação Yduqs (YDUQ3) abriu entre perdas e ganhos na sessão desta terça-feira (17), apesar dos resultados serem destacados como positivos pelos analistas (ainda que em linha com o esperado). Eles destacaram positivamente o fato da companhia ter atingido o guidance (projeção) para a primeira metade do ano, ainda que em um cenário bastante desafiador para o setor como um todo.

Assim, se o início da manhã foi morno, os papéis foram ganhando força ao longo do dia. Os ativos YDUQ3 fecharam com alta de 6,23%, a R$ 25,24, após chegarem a cair cerca de 1% mais cedo.

Na véspera, a Yduqs informou lucro líquido de R$ 116,5 milhões para o trimestre de abril a junho. Analistas ouvidos pela Refinitiv esperavam resultado positivo de R$ 145,5 milhões.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi três vezes maior do que o mesmo período de 2020, a R$ 349 milhões entre abril e junho deste ano.

Já a receita líquida no período teve alta de 17%, para R$ 1,161 bilhão, enquanto os custos de serviços prestados avançaram cerca de 13%. As despesas comerciais caíram 22,3%, em meio a uma redução de 30,5% em gastos com provisões para inadimplência. As despesas gerais e administrativas recuaram 7,6%.

Na avaliação do Credit Suisse, a Yduqs reportou notável crescimento no ensino à distância (30% na base anual ex-aquisições) e importância consolidada do segmento premium e EAD nos resultados (sendo já 66% do Ebitda).

“Os resultados foram melhores do que as expectativas do nosso time em muitos aspectos, entregando um Ebitda de R$ 349 milhões (margem de 30%) e um lucro líquido de R$ 116 milhões (margem de 10%)”, apontam os analistas do banco, que avaliam que a performance ainda foi afetada pela queda da receita líquida on campus – OC  (queda de 15% ao ano ex-aquisições), dada a captação ainda baixa da indústria desde o início da crise da Covid-19.

Neste contexto, os analistas destacaram que reconhecem a disciplina da empresa, que continua a navegar na crise da Covid com lucratividade relativamente boa e pouca alavancagem. O crescimento e a lucratividade simultâneos no EAD refletem a eficácia comercial e a escalabilidade do conteúdo, avaliam.

Por outro lado, os analistas seguem cautelosos quanto à captação no ensino presencial, tanto no segundo semestre deste ano quanto em 2022.

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Mesmo assim, reforçam os analistas do banco suíço, a empresa se redesenhou para uma nova realidade, reforçando a tese (case de fluxo de caixa, ainda que crescendo modestamente). Dados os custos fixos no presencial, o retorno de alunos pode ajudar nas margens daqui para frente, avaliam. O Credit tem recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 38.

Já a XP aponta que o resultado veio estritamente em linha com as estimativas da casa, o que significa que seu guidance para o primeiro semestre foi atingido. A receita líquida ficou apenas 0,5% acima das estimativas da XP, enquanto o Ebitda ajustado ficou 0,4% acima do esperado pela XP.

Vale destacar que os cursos presenciais tradicionais representam atualmente 51% da receita ante 74% no segundo trimestre de 2019 e os analistas esperam que a participação de outros cursos (premium e online) continue crescendo, uma vez que 450 novas vagas de medicina devem ser aprovadas no segundo semestre e que 79% dos polos de ensino à distância da Yduqs ainda estão em maturação, com mais de 55% ainda no primeiro ano de operação.

“Portanto, acreditamos que os fundamentos de longo prazo para a empresa (crescimento da base de alunos – principalmente online – e melhoria de margem – maior participação de cursos online e premium) permanecem intactos, apesar das perspectivas desafiadoras para 2021”, avalia a XP, que reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50,70 por ação.

Já o BBI destaca que a receita líquida continuou a se expandir no segmento de ensino à distância, de crescimento ainda rápido, que teve forte captação de 125 mil alunos no trimestre, enquanto o segmento premium continuou a mostrar sua resiliência. Em termos de sua margem Ebitda ajustada, Yduqs permaneceu estável em relação ao ano anterior, com altos números contínuos de provisionamento de inadimplência.

“Em suma, mantemos nossa recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 45 para a empresa, pois somos construtivos quanto às suas perspectivas de crescimento nos segmentos de ensino à distância e premium”, avaliam.

O Bank of America ressalta que o trimestre foi em linha para os analistas, sem grandes surpresas. Mas destaca positivamente o fato da companhia ter alcançado seu guidance do semestre, “mostrando compromisso com os investidores e previsibilidade do negócio em meio a um ambiente tão volátil”.

“Em nossa opinião, o destaque positivo foi o desempenho das mensalidades, enquanto os dias de recebíveis e o fluxo de caixa pioraram em relação ao ano anterior. Apesar disso, continuamos a ver a Yduqs elevando a exposição a cursos de medicina e premium combinados com seu negócio de ensino à distância (EAD) de alto crescimento como uma vantagem competitiva contra seus pares”, avaliam.

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Além disso, veem a recente queda das ações YDUQ3 como exagerada, o que implica uma oportunidade de compra particularmente atraente, apontam. Os analistas possuem preço-alvo de R$ 43 por ação. Após o resultado, o Morgan Stanley também reiterou recomendação overweight (exposição acima da média) com preço-alvo de R$ 40 por ativo, destacando que a companhia apresentou bons números e com tendências melhores pela frente.

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Ações do IRB e de Mosaico caem forte, enquanto Cemig avança após resultados; Vale tem baixa de 2%

SÃO PAULO – A temporada de resultados segue repercutindo nesta terça-feira (17). As ações do IRB (IRBR3) registram queda, de cerca de 4%, enquanto a Mosaico (MOSI3) chegaram a ter forte queda de mais de 9%, mas amenizaram, ainda que com baixa de cerca de 5%

Já a ação da Cemig (CMIG4) avança mais de 6%: a elétrica estatal mineira informou lucro líquido de R$ 1,94 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 80% em relação a igual período do ano anterior.

Os ativos da Yduqs (YDUQ3) oscilam, chegando a subir 1% e a cair 1%, mesmo após resultados considerados positivos. Outras companhias como Cruzeiro do Sul (CSED3), Focus Energia (POWE3), Boa Vista (BOAS3), Gafisa (GFSA3) divulgaram balanços.

Ainda em destaque, a Camil (CAML3) anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento. Os papéis CAML3 operam perto da estabilidade.

Já a Petrobras (PETR3;PETR4) chegou a registrar alta de mais de 1%, mas virou para queda em meio ao movimento geral de baixa do mercado e também em um dia de queda para o petróleo. No radar da empresa, ela está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras.

Os papéis da Vale (VALE3), que chegaram a ter perdas amenas no início da sessão, intensificaram a baixa para cerca de 2%, em um novo dia de queda do minério. De acordo com a publicação especializada Fastmarkets MB, o minério com teor de 62% de ferro teve baixa de 1,7% no porto de Qingdao, para US$ 160,75 por tonelada. A queda em agosto já é de 11%.

Confira os destaques:

IRB Brasil (IRBR3)

O IRB Brasil RE  registrou prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que indica perdas 68,5% menores em relação ao mesmo período de 2020, quando reportou prejuízo de R$ 656,7 milhões. No primeiro trimestre de 2021, o ressegurador teve lucro de R$ 35,1 milhões.

Nos primeiros seis meses de 2021, o prejuízo líquido totalizou R$ 156,1 milhões, ante perdas de R$ 621,7 milhões no ano anterior, ou uma queda nas perdas de 74,9%.

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Apesar da baixa, os analistas do Credit Suisse veem os resultados do IRB como neutros a ligeiramente positivos para as ações, com melhorias nos índices de retrocessão e de perda em relação ao segundo trimestre. Eles avaliam que os resultados negativos foram parcialmente precificados pelo mercado em vista de um prejuízo líquido reportado de R $ 49 milhões em abril, divulgado anteriormente na base de dados da Susep.

Os prêmios continuam a ser impactados pela estratégia de “re-underwriting”  [de limpeza do balanço] da empresa, enquanto os índices de perdas viram um resultado positivo por conta disso.

Os resultados foram novamente ajudados por um impacto positivo no valor de R $ 27,1 milhões de créditos tributários relacionados a Imposto de PIS / Cofins no 2T21 e resultado financeiro.

Apesar dos números, o Credit reiterou a recomendação underperform (perspectiva de desempenho inferior), uma vez que avaliam que as ações continuam a ser negociadas com um valuation injustificado.

A elétrica estatal mineira Cemig  informou lucro líquido de R$ 1,94 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 80% em relação a igual período do ano anterior.

A variação positiva é devida, basicamente, ao reconhecimento dos ganhos com a repactuação do risco hidrológico, à alienação de ativos mantidos para venda (Light) e ao aumento da margem bruta no primeiro semestre de 2021, informa a empresa.

O Ebitda consolidado apresentou um aumento de 38,8% no segundo trimestre em comparação ao mesmo período de 2020, já o Ebitda ajustado teve elevação de 39,2%. A margem do Ebitda ajustado passou de 17,2% para 18% na comparação anual.

A receita líquida alcançou R$ 7,354 bilhões no período, 33,7% maior que o visto no mesmo intervalo de 2020. A Cemig encerrou junho com R$ 6,99 bilhões disponível em caixa. Ao final do trimestre, a dívida líquida da Cemig era de R$ 6,32 bilhões, queda de 31,4% na comparação anual.

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A XP destaca que o lucro líquido atingiu impressionantes R$ 1,942 bilhão, bem acima da estimativa da casa de R$ 276,9 milhões e do consenso da Bloomberg de R$ 685,0 milhões. O resultado foi impulsionado por R$ 909,6 milhões de ganhos não recorrentes com prorrogações de outorgas (lei 14.052 / 2020) e R$ 618,7 milhões. com variação cambial.

“Temos uma avaliação neutra dos resultados da Cemig no trimestre, que vieram acima das nossas projeções de Ebitda ajustado, mas abaixo do consenso de mercado. Mantemos nossa recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 12 por ação”, apontam.

A Yduqs informou lucro líquido de R$ 116,5 milhões para o trimestre de abril a junho. Analistas ouvidos pela Refinitiv esperavam resultado positivo de R$ 145,5 milhões.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi três vezes maior do que o mesmo período de 2020, a R$ 349 milhões entre abril e junho deste ano.

Já a receita líquida no período teve alta de 17%, para R$ 1,161 bilhão, enquanto os custos de serviços prestados avançaram cerca de 13%. As despesas comerciais caíram 22,3%, em meio a uma redução de 30,5% em gastos com provisões para inadimplência. As despesas gerais e administrativas recuaram 7,6%.

Na avaliação do Credit Suisse, a Yduqs reportou notável crescimento no ensino à distância (30% na base anual ex-aquisições) e importância consolidada do Premium e EAD nos resultados (sendo já 66% do Ebitda).

“Os resultados foram melhores do que as expectativas do nosso time em muitos aspectos, entregando um Ebitda de R$ 349 milhões (margem de 30%) e um lucro líquido de R$ 116 milhões (margem de 10%)”, apontam os analistas do banco, que apontam que a performance ainda foi afetada pela queda da receita liquida on campus – OC  (queda de 15% ao ano ex-aquisições), dado o intake baixo que a indústria vem sofrendo desde o inicio da crise da Covid.

Neste contexto, os analistas destacaram que reconhecem a disciplina da empresa, que continua a navegar na crise da Covid com lucratividade relativamente boa e pouca alavancagem. O crescimento e a lucratividade simultâneos no EAD refletem a eficácia comercial e a escalabilidade do conteúdo, avaliam.

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Por outro lado, os analistas seguem cautelosos quanto ao intake no ensino presencial, tanto no segundo semestre deste ano quanto em 2022. Mesmo assim, a empresa se redesenhou para uma nova realidade, reforçando a tese (case de fluxo de caixa, ainda que crescendo modestamente). Dados os custos fixos no presencial, o retorno de alunos pode ajudar nas margens daqui para frente, avaliam. O Credit tem recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 38.

Já a XP aponta que o resultado veio estritamente em linha com as estimativas da casa, o que significa que seu guidance para o primeiro semestre foi atingido. A receita líquida ficou apenas 0,5% acima das estimativas da XP, enquanto o Ebitda ajustado ficou 0,4% acima do esperado pela XP.

Vale destacar que os cursos presenciais tradicionais representam atualmente 51% da receita ante 74% no segundo trimestre de 2019 e os analistas esperam que a participação de outros cursos (premium e online) continue crescendo, uma vez que 450 novas vagas de medicina devem ser aprovadas no segundo semestre e que 79% dos polos de ensino à distância da Yduqs ainda estão em maturação, com mais de 55% ainda no primeiro ano de operação.

“Portanto, acreditamos que os fundamentos de longo prazo para a empresa (crescimento da base de alunos – principalmente online – e melhoria de margem – maior participação de cursos online e premium) permanecem intactos, apesar das perspectivas desafiadoras para 2021”, avalia a XP, que reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50,70 por ação.

Já o BBI destaca que a receita líquida continuou a se expandir no segmento de ensino à distância, de crescimento ainda rápido, que teve forte captação de 125 mil alunos no trimestre, enquanto o segmento premium continuou a mostrar sua resiliência. Em termos de sua margem Ebitda ajustada, Yduqs permaneceu estável em relação ao ano anterior, com altos números contínuos de provisionamento de inadimplência.

“Em suma, mantemos nossa recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 45 para a empresa, pois somos construtivos quanto às suas perspectivas de crescimento nos segmentos de ensino à distância e premium”, avaliam.

Jalles Machado (JALL3)

A Jalles Machado teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da temporada 2021/22, revertendo prejuízo de R$ 16,9 milhões obtido no mesmo período da safra anterior.

A receita líquida teve alta 86,8%, para R$ 378,5 milhões, com a aceleração das vendas de etanol. Com os preços elevados do biocombustível, a Jalles antecipou vendas que costumavam ser feitas apenas na entressafra.

A XP ressalta que, enquanto a pior seca em 90 anos afetou a maior parte das lavouras do Centro-Sul do Brasil (seguida também por uma forte geada) e impulsionou o preço das commodities agrícolas, a Jalles aproveitou preços mais altos para o açúcar (alta de 25,5%) e também para o etanol (alta de 90,8%) sem perda de produtividade devido à localização de suas plantas industriais.

“Continuamos otimistas com a Jalles e reiteramos nossa recomendação de compra com preço-alvo de R$ 14/ação. Além disso, JALL3 é atualmente nossa principal escolha para o setor de açúcar e etanol”, avaliam.

Cruzeiro do Sul (CSED3)

A Cruzeiro do Sul Educacional teve lucro líquido de R$ 28 milhões no segundo trimestre deste ano, ante prejuízo de R$ 48,8 milhões apurados em igual intervalo de 2020.

A receita líquida caiu 0,8% na base anual, a R$ 478,2 milhões entre abril e junho, com o impacto negativo da liminar de desconto na Unipê, de R$ 9 milhões. A receita bruta teve alta de 25,4%, para 1,19 bilhão, em meio ao aumento de alunos nos cursos de ensino à distância (EAD).

O Ebitda totalizou R$ 125,3 milhões no trimestre, mais do que o dobro em relação ao mesmo período do ano passado. A margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) avançou 15,7 pontos percentuais, a 26,2%.

Focus Energia (POWE3)

A Focus Energia registrou lucro de R$ 17,7 milhões no segundo trimestre deste ano, 103,5% acima dos R$ 8,7 milhões registrados no mesmo período de 2020.

A receita líquida teve alta 17,7% no comparativo anual, para R$ 312,6 milhões.

O Ebitda foi de R$ 26,7 milhões, crescimentos de 79,4% e 26,7%, em comparação com o segundo trimestre de 2020 e
o primeiro trimestre de 2021, respectivamente.

Boa Vista (BOAS3)

A Boa Vista Serviços registrou lucro líquido de R$ 22,193 milhões no segundo trimestre, alta de 416,6% na comparação anual.

A receita teve alta anual de 31,1%, a R$ 181,649 milhões.

O Morgan Stanley avalia o mercado se mostrará satisfeito com os resultados e mantém recomendação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 16.

Agrogalaxy (AGXY3)

A Agrogalaxy teve prejuízo líquido no segundo trimestre deste ano foi de R$ 51,4 milhões, alta de 140% ante perda líquida de R$ 21,4 milhões entre abril e junho de 2020.

A receita líquida foi de R$ 1,01 bilhão, 25,3% maior que o do mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado foi de R$ 2,5 milhões no segundo trimestre de 2021, com margem positiva de 0,2%. Em 2020, o resultado havia ficado em R$ 18,7 milhões negativos, com margem negativa de 2,3%.

A Gafisa registrou lucro líquido ajustado de R$ 26,404 milhões no segundo trimestre deste ano, ante prejuízo de igual período do ano passado. Sem ajuste, o lucro totalizou R$ 13,108 milhões, ante perda de R$ 23,545 milhões na mesma base de comparação.

O Ebitda ajustado teve alta de quase 10 vezes, indo de R$ 7,7 milhões para R$ 73,36 milhões.

A receita líquida foi de R$ 259,2 milhões no segundo trimestre, três vezes acima dos R$ 83,8 milhões registrados entre abril e junho de 2020.

Segundo o BBI, os resultados do trimestre foram ligeiramente negativos, com o resultado final impactado por fatores exógenos às operações deste ciclo.

“A Gafisa é uma história de turnaround (virada operacional) em evolução e a administração tem muito a mostrar a seu respeito. Mas o aumento das vendas da Gafisa é sobrecarregado por seu legado e a deixa diante de um segundo semestre
desafiador”, avaliam os analistas.

O BBI tem uma visão estrutural que privilegia nomes mais consolidados e encontra melhores propostas de risco-retorno em outros nomes, incluindo a Direcional no segmento de baixa renda e a Trisul no segmento de média / alta renda. “Mantemos uma recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 5,50 para GFSA3”, apontam.

Hidrovias do Brasil (HBSA3)

A Hidrovias do Brasil teve lucro líquido de R$ 97,8 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 7,4 milhões em igual período de 2020. A receita líquida subiu  9,5% na base anual, para R$ 466,9 milhões.

A receita líquida operacional no corredor Sul totalizou R$ 227,2 milhões, crescimento de 141,4% na comparação anual, enquanto a receita no corredor Norte foi de R$ 176,4 milhões, 36% abaixo do apurado em igual trimestre do ano passado. Já a navegação costeira (cabotagem) somou R$ 58,1 milhões em receita líquida, alta de 18,3%.

O Ebitda ajustado foi de R$ 215 milhões, alta de 21% na base anual e ficou 9% acima das estimativas da XP, que apontou que a empresa apresentou bons números no trimestre, ao mesmo tempo em que abordou as preocupações do mercado em relação a uma perspectiva de calado abaixo da média em suas operações no sul (Corredor Sul).

“Com transparência detalhada, a administração da Hidrovias revisou para baixo suas projeções financeiras para 2021, dada (i) a baixa visibilidade dos volumes transportados para o segundo semestre devido às fracas perspectivas da safra de milho (evento limitado à safra deste ano, em nossa visão, não impactando nossas expectativas positivas de demanda no longo prazo), e (ii) cenário de estiagem anormalmente baixo no Corredor Sul”, ressaltam os analistas.

Dado o perfil não-estrutural da revisão de guidance para 2021 (guidance 2025 reiterado pela administração da empresa), os analistas veem como fundamentalmente excessiva a queda de 35% nas ações nos últimos 30 dias. Eles reiteram a recomendação de compra e visão positiva de longo prazo da Hidrovias do Brasil.

A Mosaico, dona de sites como Buscapé e Zoom, teve lucro de R$ 3,7 milhões no segundo trimestre, 73,5% abaixo na comparação anual. A receita teve queda 19,9%, a R$ 47,2 milhões, na comparação anual.

As vendas brutas de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) originadas nas plataformas da empresa foram de R$ 902,7 milhões, queda de 17,2%.

A XP apontou que, como esperado, a companhia enfrentou dinâmicas desafiadoras no trimestre em meio a uma forte base de comparação, maior custo de aquisição de clientes devido à competição por tráfego com empresas de e-commerce e fintechs e um ambiente com maiores atividades promocionais através de cashback e cupons.

Como resultado, a receita líquida caiu 20% na base anual, enquanto o Ebitda ajustado veio em R$ 2,6 milhões versus R$ 22,7 milhões no segundo trimestre de 2020.

“Apesar dos fracos resultados, eles já eram esperados. Além disso, a companhia detalhou iniciativas interessantes que já estão implementadas e que devem contribuir para a melhora de resultados à frente. Além do resultado, a Mosaico também anunciou que vai substituir o atual CEO, Thiago Flores, por Mauricio Cascão, um executivo com vasta experiência no segmento de tecnologia, tendo ocupado cargos de liderança em companhias como a AT&T, HP Labs e Mandic Cloud Solutions”, destaca a XP.

O Itaú BBA aponta que a plataforma de comércio eletrônico reportou resultados mais fracos no segundo trimestre – porém, em linha com o esperado. O valor de vendas foi 17% menor em relação ao mesmo período do ano passado, reflexo da substancial queda de 50% nos acessos na comparação anual.

“Vale ponderar que a empresa passa por um momento de expansão acelerada e criação de novos produtos, o que elevou as despesas com pessoal a pressionar a rentabilidade”, avaliam.

Os analistas observam ainda uma pressão adicional em rentabilidade devido aos investimentos da companhia em
seu quadro de funcionários. Para dar um contexto, a Mosaico vem contratando para fazer frente a sua expansão acelerada a à criação de novos produtos. Como consequência, a elevada despesa com pessoal levou a uma contração de margem Ebitda maior do que o estimado pela casa.

“Reconhecemos que os resultados de Mosaico no primeiro semestre colocam pressão nas nossas projeções para o consolidado de 2021 e para o ano que vem. Por ora, mantemos nossa recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da companhia”, aponta o BBA, com preço-alvo de R$ 39.

A Bemobi teve lucro líquido de R$ 18 milhões no segundo trimestre deste ano, alta de 251% na base anual.

A receita líquida teve alta de 8% na base anual, para R$ 62 milhões.

Segundo a XP, a Bemobi divulgou resultados sólidos, embora em linha, no segundo trimestre, com a receita líquida e o Ebitda ajustado crescendo 7,6% e 17,7% na base anual, respectivamente.

Apesar de um trimestre desafiador devido à Covid-19 e seu impacto no segmento pré-pago, a Bemobi registrou um crescimento de receita de 7,6% na base anual.

Além disso, a Bemobi está executando bem sua estratégia de diversificação de serviços e as receitas provenientes de Microfinanças e Comunicação cresceram 37% na base anual e já representam 30,3% da receita total da empresa (29,3% no segundo trimestre de 2020).

“Apesar do resultado sólido do trimestre, acreditamos que todas as atenções serão voltadas agora para entender mais sobre as empresas adquiridas e suas sinergias. Em suma, mantemos nossa recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 30 por ação para o final de 2021”, avaliam os analistas.

GetNinjas NINJ3)

A GetNinjas teve prejuízo de R$ 17,8 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 282 mil registrado em igual período do ano passado. A receita da companhia teve alta de  55,3%, para R$ 15,5 milhões, com o aumento de 40% no número de clientes utilizando a plataforma.

O Ebitda ficou em R$ 19 milhões negativos, ante dado positivo de R$ 569 mil no segundo trimestre de 2020, face à forte aceleração dos custos, especialmente relacionados com marketing e vendas, de forma a continuar a aumentar o envolvimento com clientes e profissionais da plataforma.

“Com apenas um leve crescimento sequencial nas receitas, o mercado pode ver esses resultados como negativos, já que a aceleração do ecossistema pode demorar mais do que o esperado. Mantemos, no entanto, nossa visão positiva de longo prazo sobre a Getninjas, embora reconheçamos os desafios de curto / médio prazo, pois a empresa continua gerando o efeito de rede necessário para que sua plataforma continue ganhando força”, aponta o BBI.

O lucro líquido da Panvel foi recorde e atingiu R$ 24,2 milhões, aumento de 242,1% em comparação a igual período de 2020.

“A estratégia de expansão de serviços e de novas lojas adotada pela Panvel Farmácias, aliada à retomada do fluxo de clientes nas unidades físicas e ao desempenho crescente das vendas digitais, levaram a empresa a obter resultado recorde no 2º trimestre de 2021”, destaca a empresa.

A receita da Panvel aumentou, no período, 28,9% em relação a 2020, totalizando R$ 766,8 milhões.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 39,9 milhões, equivalente a 4,8% da receita bruta e 107,1% acima do 2º trimestre de 2020.

A Panvel inaugurou, no período, 20 lojas, totalizando 494 filiais na Região Sul e em São Paulo e mantém o objetivo de abrir 65 novas unidades em 2021.

“Após um primeiro trimestre de resultado significativo, mas marcado por novas restrições causadas pela pandemia do Covid 19, o segundo trimestre de 2021 deixou clara a capacidade da Panvel de acelerar o seu crescimento, ancorada principalmente em equipes motivadas e em uma operação robusta e preparada para atender nossos clientes com qualidade e agilidade em suas demandas de saúde e bem-estar, seja nas lojas físicas ou por meio dos canais digitais”, afirma o presidente do Grupo Dimed, Julio Mottin Neto, no release de resultados.

HBR Realty (HBRE3)

O Bradesco BBI aponta que os resultados da HBR Realty foram mistos, com Comvem gradualmente aumentando. Já descontos e despesas gerais e administrativas afetam as margens.

A HBR reportou seus resultados mostrando uma boa evolução no plano de negócios da Comvem, apontam os analistas. A taxa de ocupação aumentou 3,4 pontos percentuais no trimestre, encerrando o trimestre em 83,6% mesmo com a entrega de 3.190 m² do empreendimento Comvem Bosque Maia, enquanto a empresa firmou parcerias com a Cury e a Espaçolaser, que contribuirão para alavancar a aceleração das vendas da unidade de negócios.

Do lado negativo, a margem Ebitda ajustada teve um impacto significativo de -22,7 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, impactado por descontos de aluguel em HBR Malls e Comvem, e também devido a um reforço estrutural em G&A (despesas gerais e administrativas), preparando a empresa para acelerar o crescimento (com diluição esperada ao longo do tempo).

Nas demais unidades de negócios, o BBI aponta que os principais destaques positivos foram relacionados à ainda sólida 3A (unidade de negócios corporativos), 100% ocupada e repassando integralmente o índice de inflação IGP-M nos contratos, enquanto a unidade de negócios Opportunities avançou bem, também impulsionado pela inflação do IGP-M. Os analistas mantiveram recomendação de compra.

A Petrobras está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras.

A estatal brasileira propôs nove plataformas para Búzios, seu projeto de águas profundas com ritmo mais acelerado de crescimento, no plano de negócios 2021-2025.

PetroRecôncavo (RECV3)

A PetroRecôncavo fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 94,5 milhões, ante prejuízo de R$ 15,1 milhões registrado em igual período de 2020. A receita líquida totalizou R$ 249 milhões, alta de 34% na comparação anual.

O Ebitda foi de  R$ 131,4 milhões no segundo trimestre, alta de 10,4% frente aos R$ 118,9 milhões de igual período de 2020.

O Morgan Stanley comentou os resultados, cujas margens ficaram abaixo da expectativa. O banco diz que enxerga alta de atividade nos próximos trimestres, que contribui para justificar sua nota overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado). O banco diz que o Ebitda ficou abaixo de sua estimativa por conta de receita maior na área Potiguar e contratos menores de serviço e fluxo de receita das operações do Remanso.

O banco mantém avaliação overweight por avaliar que a empresa tem qualidade e seus papéis e perspectiva de valorização com fusões e aquisições. O banco mantém preço-alvo de R$ 25,50.

Já o BBA apontou que a companhia reportou resultados em linha com o esperado no segundo trimestre.

“Aproveitamos para reforçar nossa recomendação de compra para RECV3, ação que estreou na Bolsa em maio deste ano. Nossa tese de investimento é baseada no potencial aumento da produção, nas novas oportunidades que estão sendo criadas por meio de incentivos regulatórios, e na perspectiva de crescimento da empresa via aquisições, na esteira do programa de desinvestimentos da Petrobras”, avaliam os analistas da casa.

A Camil anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

A comercializadora de energia Comerc pediu na segunda-feira o registro para uma oferta pública inicial de ações, em busca de recursos para financiar seus projetos de expansão.

BRF (BRFS3) e AES Brasil (AESB3)

A BRF comunicou ter firmado acordo de investimento para a constituição de uma joint venture com uma subsidiária da AES Brasil Energia para construção de um parque para auto geração de energia eólica no Complexo Eólico Cajuína, Rio Grande do Norte, com capacidade instalada de 160MWm, gerando 80MWm a serem comercializados com a Companhia por meio de contrato de compra e venda de energia de 15 anos.

Segundo a BRF, o projeto está em consonância com a Visão 2030, com a Política de Sustentabilidade da Companhia e com compromisso de se tornar Net Zero em emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2040, tanto em suas operações como em sua cadeia produtiva. Com essa parceria, a Companhia atenderá cerca de um terço de suas necessidades energéticas no Brasil, e evolui com sua meta de chegar a 2030 com mais de 50% da matriz energética proveniente de fontes renováveis e limpas, além de mitigar riscos de escassez de abastecimento e operar com custos mais competitivos.

O investimento estimado do projeto é de aproximadamente R$ 5,2 milhões/MW instalado, sendo que a BRF investirá diretamente o valor aproximado de R$ 80 milhões, a ser desembolsado durante o desenvolvimento do Projeto. O início das operações do parque está previsto para 2024.

O fechamento desta parceria está sujeito à aprovação das autoridades competentes e à verificação de outras condições usuais em operações dessa natureza.

“A companhia continuará a prospectar oportunidades para investir em fontes alternativas de autoprodução de energia limpa, em conexão com suas metas de longo prazo em sustentabilidade”, aponta a BRF.

Usiminas (USIM5)

O Credit Suisse realizou uma reunião com o CFO da Usiminas, Alberto Ono, e com sua equipe de relações com investidores. O banco diz que foi discutida a perspectiva atual para o setor, e temas centrais da estratégia da Usiminas. O banco afirma que a empresa diz que as condições de demanda no terceiro trimestre parecem ser tão fortes quanto aquelas do trimestre anterior. A empresa diz esperar que as remessas de aço se mantenham em níveis similares. No quarto trimestre, a sazonalidade mais fraca deve se apresentar neste ano, mas sob um ambiente internacional favorável.

De acordo com o banco, a Usiminas afirmou que, em junho, os preços estiveram 4,4% mais fortes do que a média do segundo trimestre, e que ela poderia implementar reajustes adicionais com clientes industriais. Além disso, a Usiminas disse acreditar que volumes mais altos de importação são excepcionais, e que o patamar deve se estabilizar nos próximos trimestres.

O banco mantém recomendação outperform, e diz que a empresa é um forte veículo para se beneficiar do minério de ferro mais caro e dos fortes preços do aço. O banco também acredita que chapas de aço devem ter desempenho superior àquele de aços longos, o que deve beneficiar a Usiminas. O banco prevê que a Usiminas seja negociada por 3,1 vezes a relação entre preço da empresa (EV na sigla em inglês) e lucro Ebitda em 2022, abaixo da média de entre 6 e 6,5 vezes, com Ebitda de R$ 6,7 bilhões e forte geração de caixa, de 21% em 2022.

O banco mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 28,50.

Siderúrgicas

O BBI destaca que novo rumor sobre impostos prejudica as exportações de aço da China. Rumores recentes do mercado de que a China vai impor novos impostos sobre as exportações de aço a partir deste mês reduziram ainda mais a atividade de exportação de aço da China, de acordo com a MySteel.

Caixa Seguridade (CXSE3) e BB Seguridade (BBSE3)

O Itaú BBA  afirma que o número alto de reivindicações de seguros no trimestre relativas à pandemia no Brasil pesou sobre as expectativas para a margem em 2021. Assim, o banco está atualizando suas estimativas para as empresas de seguros sob sua cobertura: Caixa Seguridade, com recomendação outperform, e iniciando a cobertura da BB Seguridade, com avaliação market perform. O novo preço-alvo para 2022 para a Caixa é de R$ 18 e para o BB Seguridade, é de R$ 23.

O desempenho mensal de planos de pensão indica uma aceleração da Caixa Seguridade no segundo semestre, na avaliação do banco.

O banco diz que dá preferência à Caixa Seguridade sobre a BB Seguridade por conta da perspectiva de crescimento.

BR Properties (BRPR3), Syn (CCPR3) e São Carlos Empreendimentos (SCAR3)

O Bradesco BBI retomou a cobertura do segmento de escritórios, com visão especialmente favorável à BR Properties, com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 12,50, em detrimento à Syn, antiga CCP, com recomendação neutra (perspectiva de valorização dentro da média) e preço-alvo de R$ 12,60 e à São Carlos Empreendimentos e Participações, com avaliação neutra e preço-alvo de R$ 47.

O banco diz que o setor é negociado com um desconto médio de 40% sobre o valor líquido do ativo (NAV na sigla em inglês). O banco diz que a BR Properties é, no entanto, uma exceção positiva, por conta da estratégia de venda ativa de ativos.

Ainda no radar da companhia, a BR Properties informou por meio de documento enviado ao mercado, que fechou contrato com o Fundo de Investimento Imobiliário VBI Logístico, administrado pelo BTG Pactual Serviços Financeiros, para a venda de uma parte de um galpão logístico em desenvolvimento, por R$ 123,2 milhões, com previsão de término da construção para o segundo trimestre de 2022.

De acordo com a Guide, a notícia é positiva. A BR Properties segue reformulando seu portfólio através da venda de ativos não estratégicos para a companhia. Em todo caso, ainda vemos uma pressão forte no setor imobiliário a curto prazo, com pressão dos juros futuros e ainda os efeitos negativos da pandemia nos setores de shoppings e lajes corporativas.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Segundo o Valor, o Pátria e os médicos acionistas que, juntos detém o controle da rede de medicina diagnóstica Alliar, não devem vender seus papéis pelo valor estipulado em R$ 11,50 na oferta pública de aquisição (OPA) proposta pela Rede D’Or, de acordo com fonte ouvida pelo jornal. O fundo possui 20% do capital social atualmente.

Segundo a Guide, a notícia é potencialmente negativa. “Caso a recusa por parte dos acionistas da Alliar seja de fato confirmada em função do baixo valor ofertado, pode levar a Rede D’Or a realizar uma segunda proposta, com prêmio consideravelmente maior ou então desistir da aquisição, fazendo com que o maior grupo hospitalar do país volte a analisar oportunidades a preços mais atrativos”, aponta a casa de análise.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Resultados de Cemig, Mosaico, Yduqs, Gafisa e de outras empresas; Camil faz aquisição no mercado de massas e mais notícias

SÃO PAULO – A temporada de resultados chega na reta final com a divulgação de resultados, com destaque para o IRB (IRBR3), Yduqs (YDUQ3), Cemig (CMIG4), Cruzeiro do Sul (CSED3), Focus Energia (POWE3), Boa Vista (BOAS3), Gafisa (GFSA3), Mosaico (MOSI3), entre outras companhias.

Ainda em destaque, a Camil (CAML3) anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

Já a Petrobras (PETR3;PETR4) está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras. Confira os destaques:

IRB Brasil (IRBR3)

O IRB Brasil RE  registrou prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que indica perdas 68,5% menores em relação ao mesmo período de 2020, quando reportou prejuízo de R$ 656,7 milhões. No primeiro trimestre de 2021, o ressegurador teve lucro de R$ 35,1 milhões.

Nos primeiros seis meses de 2021, o prejuízo líquido totalizou R$ 156,1 milhões, ante perdas de R$ 621,7 milhões no ano anterior, ou uma queda nas perdas de 74,9%.

Apesar da baixa, os analistas do Credit Suisse veem os resultados do IRB como neutros a ligeiramente positivos para as ações, com melhorias nos índices de retrocessão e de perda em relação ao segundo trimestre. Eles avaliam que os resultados negativos foram parcialmente precificados pelo mercado em vista de um prejuízo líquido reportado de R $ 49 milhões em abril, divulgado anteriormente na base de dados da Susep.

Os prêmios continuam a ser impactados pela estratégia de “re-underwriting”  [de limpeza do balanço] da empresa, enquanto os índices de perdas viram um resultado positivo por conta disso.

Os resultados foram novamente ajudados por um impacto positivo no valor de R $ 27,1 milhões de créditos tributários relacionados a Imposto de PIS / Cofins no 2T21 e resultado financeiro.

Apesar dos números, o Credit reiterou a recomendação underperform (perspectiva de desempenho inferior), uma vez que avaliam que as ações continuam a ser negociadas com um valuation injustificado.

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A elétrica estatal mineira Cemig  informou lucro líquido de R$ 1,94 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 80% em relação a igual período do ano anterior.

A variação positiva é devida, basicamente, ao reconhecimento dos ganhos com a repactuação do risco hidrológico, à alienação de ativos mantidos para venda (Light) e ao aumento da margem bruta no primeiro semestre de 2021, informa a empresa.

O Ebitda consolidado apresentou um aumento de 38,8% no segundo trimestre em comparação ao mesmo período de 2020, já o Ebitda ajustado teve elevação de 39,2%. A margem do Ebitda ajustado passou de 17,2% para 18% na comparação anual.

A receita líquida alcançou R$ 7,354 bilhões no período, 33,7% maior que o visto no mesmo intervalo de 2020. A Cemig encerrou junho com R$ 6,99 bilhões disponível em caixa. Ao final do trimestre, a dívida líquida da Cemig era de R$ 6,32 bilhões, queda de 31,4% na comparação anual.

A XP destaca que o lucro líquido atingiu impressionantes R$ 1,942 bilhão, bem acima da estimativa da casa de R$ 276,9 milhões e do consenso da Bloomberg de R$ 685,0 milhões. O resultado foi impulsionado por R$ 909,6 milhões de ganhos não recorrentes com prorrogações de outorgas (lei 14.052 / 2020) e R$ 618,7 milhões. com variação cambial.

“Temos uma avaliação neutra dos resultados da Cemig no trimestre, que vieram acima das nossas projeções de Ebitda ajustado, mas abaixo do consenso de mercado. Mantemos nossa recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 12 por ação”, apontam.

A Yduqs informou lucro líquido de R$ 116,5 milhões para o trimestre de abril a junho. Analistas ouvidos pela Refinitiv esperavam resultado positivo de R$ 145,5 milhões.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi três vezes maior do que o mesmo período de 2020, a R$ 349 milhões entre abril e junho deste ano.

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Já a receita líquida no período teve alta de 17%, para R$ 1,161 bilhão, enquanto os custos de serviços prestados avançaram cerca de 13%. As despesas comerciais caíram 22,3%, em meio a uma redução de 30,5% em gastos com provisões para inadimplência. As despesas gerais e administrativas recuaram 7,6%.

Na avaliação do Credit Suisse, a Yduqs reportou notável crescimento no ensino à distancia (30% na base anual ex-aquisições) e importância consolidada do Premium e EAD nos resultados (sendo já 66% do Ebitda).

“Os resultados foram melhores do que as expectativas do nosso time em muitos aspectos, entregando um Ebitda de R$ 349 milhões (margem de 30%) e um lucro líquido de R$ 116 milhões (margem de 10%)”, apontam os analistas do banco, que apontam que a performance ainda foi afetada pela queda da receita liquida on campus – OC  (queda de 15% ao ano ex-aquisições), dado o intake baixo que a indústria vem sofrendo desde o inicio da crise da Covid.

Neste contexto, os analistas destacaram que reconhecem a disciplina da empresa, que continua a navegar na crise da Covid com lucratividade relativamente boa e pouca alavancagem. O crescimento e a lucratividade simultâneos no EAD refletem a eficácia comercial e a escalabilidade do conteúdo, avaliam.

Por outro lado, os analistas seguem cautelosos quanto ao intake no ensino presencial, tanto no segundo semestre deste ano quanto em 2022. Mesmo assim, a empresa se redesenhou para uma nova realidade, reforçando a tese (case de fluxo de caixa, ainda que crescendo modestamente). Dados os custos fixos no presencial, o retorno de alunos pode ajudar nas margens daqui para frente, avaliam. O Credit tem recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 38.

Já a XP aponta que o resultado veio estritamente em linha com as estimativas da casa, o que significa que seu guidance para o primeiro semestre foi atingido. A receita líquida ficou apenas 0,5% acima das estimativas da XP, enquanto o Ebitda ajustado ficou 0,4% acima do esperado pela XP.

Vale destacar que os cursos presenciais tradicionais representam atualmente 51% da receita ante 74% no segundo trimestre de 2019 e os analistas esperam que a participação de outros cursos (premium e online) continue crescendo, uma vez que 450 novas vagas de medicina devem ser aprovadas no segundo semestre e que 79% dos polos de ensino à distância da Yduqs ainda estão em maturação, com mais de 55% ainda no primeiro ano de operação.

“Portanto, acreditamos que os fundamentos de longo prazo para a empresa (crescimento da base de alunos – principalmente online – e melhoria de margem – maior participação de cursos online e premium) permanecem intactos, apesar das perspectivas desafiadoras para 2021”, avalia a XP, que reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50,70 por ação.

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Já o BBI destaca que a receita líquida continuou a se expandir no segmento de ensino à distância, de crescimento ainda rápido, que teve forte captação de 125 mil alunos no trimestre, enquanto o segmento premium continuou a mostrar sua resiliência. Em termos de sua margem Ebitda ajustada, Yduqs permaneceu estável em relação ao ano anterior, com altos números contínuos de provisionamento de inadimplência.

“Em suma, mantemos nossa recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 45 para a empresa, pois somos construtivos quanto às suas perspectivas de crescimento nos segmentos de ensino à distância e premium”, avaliam.

Jalles Machado (JALL3)

A Jalles Machado teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da temporada 2021/22, revertendo prejuízo de R$ 16,9 milhões obtido no mesmo período da safra anterior.

A receita líquida teve alta 86,8%, para R$ 378,5 milhões, com a aceleração das vendas de etanol. Com os preços elevados do biocombustível, a Jalles antecipou vendas que costumavam ser feitas apenas na entressafra.

A XP ressalta que, enquanto a pior seca em 90 anos afetou a maior parte das lavouras do Centro-Sul do Brasil (seguida também por uma forte geada) e impulsionou o preço das commodities agrícolas, a Jalles aproveitou preços mais altos para o açúcar (alta de 25,5%) e também para o etanol (alta de 90,8%) sem perda de produtividade devido à localização de suas plantas industriais.

“Continuamos otimistas com a Jalles e reiteramos nossa recomendação de compra com preço-alvo de R$ 14/ação. Além disso, JALL3 é atualmente nossa principal escolha para o setor de açúcar e etanol”, avaliam.

Cruzeiro do Sul (CSED3)

A Cruzeiro do Sul Educacional teve lucro líquido de R$ 28 milhões no segundo trimestre deste ano, ante prejuízo de R$ 48,8 milhões apurados em igual intervalo de 2020.

A receita líquida caiu 0,8% na base anual, a R$ 478,2 milhões entre abril e junho, com o impacto negativo da liminar de desconto na Unipê, de R$ 9 milhões. A receita bruta teve alta de 25,4%, para 1,19 bilhão, em meio ao aumento de alunos nos cursos de ensino à distância (EAD).

O Ebitda totalizou R$ 125,3 milhões no trimestre, mais do que o dobro em relação ao mesmo período do ano passado. A margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) avançou 15,7 pontos percentuais, a 26,2%.

Focus Energia (POWE3)

A Focus Energia registrou lucro de R$ 17,7 milhões no segundo trimestre deste ano, 103,5% acima dos R$ 8,7 milhões registrados no mesmo período de 2020.

A receita líquida teve alta 17,7% no comparativo anual, para R$ 312,6 milhões.

O Ebitda foi de R$ 26,7 milhões, crescimentos de 79,4% e 26,7%, em comparação com o segundo trimestre de 2020 e
o primeiro trimestre de 2021, respectivamente.

Boa Vista (BOAS3)

A Boa Vista Serviços registrou lucro líquido de R$ 22,193 milhões no segundo trimestre, alta de 416,6% na comparação anual.

A receita teve alta anual de 31,1%, a R$ 181,649 milhões.

O Morgan Stanley avalia o mercado se mostrará satisfeito com os resultados e mantém recomendação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 16.

Agrogalaxy (AGXY3)

A Agrogalaxy teve prejuízo líquido no segundo trimestre deste ano foi de R$ 51,4 milhões, alta de 140% ante perda líquida de R$ 21,4 milhões entre abril e junho de 2020.

A receita líquida foi de R$ 1,01 bilhão, 25,3% maior que o do mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado foi de R$ 2,5 milhões no segundo trimestre de 2021, com margem positiva de 0,2%. Em 2020, o resultado havia ficado em R$ 18,7 milhões negativos, com margem negativa de 2,3%.

A Gafisa registrou lucro líquido ajustado de R$ 26,404 milhões no segundo trimestre deste ano, ante prejuízo de igual período do ano passado. Sem ajuste, o lucro totalizou R$ 13,108 milhões, ante perda de R$ 23,545 milhões na mesma base de comparação.

O Ebitda ajustado teve alta de quase 10 vezes, indo de R$ 7,7 milhões para R$ 73,36 milhões.

A receita líquida foi de R$ 259,2 milhões no segundo trimestre, três vezes acima dos R$ 83,8 milhões registrados entre abril e junho de 2020.

Segundo o BBI, os resultados do trimestre foram ligeiramente negativos, com o resultado final impactado por fatores exógenos às operações deste ciclo.

“A Gafisa é uma história de turnaround (virada operacional) em evolução e a administração tem muito a mostrar a seu respeito. Mas o aumento das vendas da Gafisa é sobrecarregado por seu legado e a deixa diante de um segundo semestre
desafiador”, avaliam os analistas.

O BBI tem uma visão estrutural que privilegia nomes mais consolidados e encontra melhores propostas de risco-retorno em outros nomes, incluindo a Direcional no segmento de baixa renda e a Trisul no segmento de média / alta renda. “Mantemos uma recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 5,50 para GFSA3”, apontam.

Hidrovias do Brasil (HBSA3)

A Hidrovias do Brasil teve lucro líquido de R$ 97,8 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 7,4 milhões em igual período de 2020. A receita líquida subiu  9,5% na base anual, para R$ 466,9 milhões.

A receita líquida operacional no corredor Sul totalizou R$ 227,2 milhões, crescimento de 141,4% na comparação anual, enquanto a receita no corredor Norte foi de R$ 176,4 milhões, 36% abaixo do apurado em igual trimestre do ano passado. Já a navegação costeira (cabotagem) somou R$ 58,1 milhões em receita líquida, alta de 18,3%.

O Ebitda ajustado foi de R$ 215 milhões, alta de 21% na base anual e ficou 9% acima das estimativas da XP, que apontou que a empresa apresentou bons números no trimestre, ao mesmo tempo em que abordou as preocupações do mercado em relação a uma perspectiva de calado abaixo da média em suas operações no sul (Corredor Sul).

“Com transparência detalhada, a administração da Hidrovias revisou para baixo suas projeções financeiras para 2021, dada (i) a baixa visibilidade dos volumes transportados para o segundo semestre devido às fracas perspectivas da safra de milho (evento limitado à safra deste ano, em nossa visão, não impactando nossas expectativas positivas de demanda no longo prazo), e (ii) cenário de estiagem anormalmente baixo no Corredor Sul”, ressaltam os analistas.

Dado o perfil não-estrutural da revisão de guidance para 2021 (guidance 2025 reiterado pela administração da empresa), os analistas veem como fundamentalmente excessiva a queda de 35% nas ações nos últimos 30 dias. Eles reiteram a recomendação de compra e visão positiva de longo prazo da Hidrovias do Brasil.

A Mosaico, dona de sites como Buscapé e Zoom, teve lucro de R$ 3,7 milhões no segundo trimestre, 73,5% abaixo na comparação anual. A receita teve queda 19,9%, a R$ 47,2 milhões, na comparação anual.

As vendas brutas de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) originadas nas plataformas da empresa foram de R$ 902,7 milhões, queda de 17,2%.

A XP apontou que, como esperado, a companhia enfrentou dinâmicas desafiadoras no trimestre em meio a uma forte base de comparação, maior custo de aquisição de clientes devido à competição por tráfego com empresas de e-commerce e fintechs e um ambiente com maiores atividades promocionais através de cashback e cupons.

Como resultado, a receita líquida caiu 20% na base anual, enquanto o Ebitda ajustado veio em R$ 2,6 milhões versus R$ 22,7 milhões no segundo trimestre de 2020.

“Apesar dos fracos resultados, eles já eram esperados. Além disso, a companhia detalhou iniciativas interessantes que já estão implementadas e que devem contribuir para a melhora de resultados à frente. Além do resultado, a Mosaico também anunciou que vai substituir o atual CEO, Thiago Flores, por Mauricio Cascão, um executivo com vasta experiência no segmento de tecnologia, tendo ocupado cargos de liderança em companhias como a AT&T, HP Labs e Mandic Cloud Solutions”, destaca a XP.

O Itaú BBA aponta que a plataforma de comércio eletrônico reportou resultados mais fracos no segundo trimestre – porém, em linha com o esperado. O valor de vendas foi 17% menor em relação ao mesmo período do ano passado, reflexo da substancial queda de 50% nos acessos na comparação anual.

“Vale ponderar que a empresa passa por um momento de expansão acelerada e criação de novos produtos, o que elevou as despesas com pessoal a pressionar a rentabilidade”, avaliam.

Os analistas observam ainda uma pressão adicional em rentabilidade devido aos investimentos da companhia em
seu quadro de funcionários. Para dar um contexto, a Mosaico vem contratando para fazer frente a sua expansão acelerada a à criação de novos produtos. Como consequência, a elevada despesa com pessoal levou a uma contração de margem Ebitda maior do que o estimado pela casa.

“Reconhecemos que os resultados de Mosaico no primeiro semestre colocam pressão nas nossas projeções para o consolidado de 2021 e para o ano que vem. Por ora, mantemos nossa recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da companhia”, aponta o BBA, com preço-alvo de R$ 39.

A Bemobi teve lucro líquido de R$ 18 milhões no segundo trimestre deste ano, alta de 251% na base anual.

A receita líquida teve alta de 8% na base anual, para R$ 62 milhões.

Segundo a XP, a Bemobi divulgou resultados sólidos, embora em linha, no segundo trimestre, com a receita líquida e o Ebitda ajustado crescendo 7,6% e 17,7% na base anual, respectivamente.

Apesar de um trimestre desafiador devido à Covid-19 e seu impacto no segmento pré-pago, a Bemobi registrou um crescimento de receita de 7,6% na base anual.

Além disso, a Bemobi está executando bem sua estratégia de diversificação de serviços e as receitas provenientes de Microfinanças e Comunicação cresceram 37% na base anual e já representam 30,3% da receita total da empresa (29,3% no segundo trimestre de 2020).

“Apesar do resultado sólido do trimestre, acreditamos que todas as atenções serão voltadas agora para entender mais sobre as empresas adquiridas e suas sinergias. Em suma, mantemos nossa recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 30 por ação para o final de 2021”, avaliam os analistas.

GetNinjas NINJ3)

A GetNinjas teve prejuízo de R$ 17,8 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 282 mil registrado em igual período do ano passado. A receita da companhia teve alta de  55,3%, para R$ 15,5 milhões, com o aumento de 40% no número de clientes utilizando a plataforma.

O Ebitda ficou em R$ 19 milhões negativos, ante dado positivo de R$ 569 mil no segundo trimestre de 2020, face à forte aceleração dos custos, especialmente relacionados com marketing e vendas, de forma a continuar a aumentar o envolvimento com clientes e profissionais da plataforma.

“Com apenas um leve crescimento sequencial nas receitas, o mercado pode ver esses resultados como negativos, já que a aceleração do ecossistema pode demorar mais do que o esperado. Mantemos, no entanto, nossa visão positiva de longo prazo sobre a Getninjas, embora reconheçamos os desafios de curto / médio prazo, pois a empresa continua gerando o efeito de rede necessário para que sua plataforma continue ganhando força”, aponta o BBI.

O lucro líquido da Panvel foi recorde e atingiu R$ 24,2 milhões, aumento de 242,1% em comparação a igual período de 2020.

“A estratégia de expansão de serviços e de novas lojas adotada pela Panvel Farmácias, aliada à retomada do fluxo de clientes nas unidades físicas e ao desempenho crescente das vendas digitais, levaram a empresa a obter resultado recorde no 2º trimestre de 2021”, destaca a empresa.

A receita da Panvel aumentou, no período, 28,9% em relação a 2020, totalizando R$ 766,8 milhões.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 39,9 milhões, equivalente a 4,8% da receita bruta e 107,1% acima do 2º trimestre de 2020.

A Panvel inaugurou, no período, 20 lojas, totalizando 494 filiais na Região Sul e em São Paulo e mantém o objetivo de abrir 65 novas unidades em 2021.

“Após um primeiro trimestre de resultado significativo, mas marcado por novas restrições causadas pela pandemia do Covid 19, o segundo trimestre de 2021 deixou clara a capacidade da Panvel de acelerar o seu crescimento, ancorada principalmente em equipes motivadas e em uma operação robusta e preparada para atender nossos clientes com qualidade e agilidade em suas demandas de saúde e bem-estar, seja nas lojas físicas ou por meio dos canais digitais”, afirma o presidente do Grupo Dimed, Julio Mottin Neto, no release de resultados.

HBR Realty (HBRE3)

O Bradesco BBI aponta que os resultados da HBR Realty foram mistos, com Comvem gradualmente aumentando. Já descontos e despesas gerais e administrativas afetam as margens.

A HBR reportou seus resultados mostrando uma boa evolução no plano de negócios da Comvem, apontam os analistas. A taxa de ocupação aumentou 3,4 pontos percentuais no trimestre, encerrando o trimestre em 83,6% mesmo com a entrega de 3.190 m² do empreendimento Comvem Bosque Maia, enquanto a empresa firmou parcerias com a Cury e a Espaçolaser, que contribuirão para alavancar a aceleração das vendas da unidade de negócios.

Do lado negativo, a margem Ebitda ajustada teve um impacto significativo de -22,7 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, impactado por descontos de aluguel em HBR Malls e Comvem, e também devido a um reforço estrutural em G&A (despesas gerais e administrativas), preparando a empresa para acelerar o crescimento (com diluição esperada ao longo do tempo).

Nas demais unidades de negócios, o BBI aponta que os principais destaques positivos foram relacionados à ainda sólida 3A (unidade de negócios corporativos), 100% ocupada e repassando integralmente o índice de inflação IGP-M nos contratos, enquanto a unidade de negócios Opportunities avançou bem, também impulsionado pela inflação do IGP-M. Os analistas mantiveram recomendação de compra.

A Petrobras está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras.

A estatal brasileira propôs nove plataformas para Búzios, seu projeto de águas profundas com ritmo mais acelerado de crescimento, no plano de negócios 2021-2025.

PetroRecôncavo (RECV3)

A PetroRecôncavo fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 94,5 milhões, ante prejuízo de R$ 15,1 milhões registrado em igual período de 2020. A receita líquida totalizou R$ 249 milhões, alta de 34% na comparação anual.

O Ebitda foi de  R$ 131,4 milhões no segundo trimestre, alta de 10,4% frente aos R$ 118,9 milhões de igual período de 2020.

O Morgan Stanley comentou os resultados, cujas margens ficaram abaixo da expectativa. O banco diz que enxerga alta de atividade nos próximos trimestres, que contribui para justificar sua nota overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado). O banco diz que o Ebitda ficou abaixo de sua estimativa por conta de receita maior na área Potiguar e contratos menores de serviço e fluxo de receita das operações do Remanso.

O banco mantém avaliação overweight por avaliar que a empresa tem qualidade e seus papéis e perspectiva de valorização com fusões e aquisições. O banco mantém preço-alvo de R$ 25,50.

Já o BBA apontou que a companhia reportou resultados em linha com o esperado no segundo trimestre.

“Aproveitamos para reforçar nossa recomendação de compra para RECV3, ação que estreou na Bolsa em maio deste ano. Nossa tese de investimento é baseada no potencial aumento da produção, nas novas oportunidades que estão sendo criadas por meio de incentivos regulatórios, e na perspectiva de crescimento da empresa via aquisições, na esteira do programa de desinvestimentos da Petrobras”, avaliam os analistas da casa.

A Camil anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

A comercializadora de energia Comerc pediu na segunda-feira o registro para uma oferta pública inicial de ações, em busca de recursos para financiar seus projetos de expansão.

BRF (BRFS3) e AES Brasil (AESB3)

A BRF comunicou ter firmado acordo de investimento para a constituição de uma joint venture com uma subsidiária da AES Brasil Energia para construção de um parque para auto geração de energia eólica no Complexo Eólico Cajuína, Rio Grande do Norte, com capacidade instalada de 160MWm, gerando 80MWm a serem comercializados com a Companhia por meio de contrato de compra e venda de energia de 15 anos.

Segundo a BRF, o projeto está em consonância com a Visão 2030, com a Política de Sustentabilidade da Companhia e com compromisso de se tornar Net Zero em emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2040, tanto em suas operações como em sua cadeia produtiva. Com essa parceria, a Companhia atenderá cerca de um terço de suas necessidades energéticas no Brasil, e evolui com sua meta de chegar a 2030 com mais de 50% da matriz energética proveniente de fontes renováveis e limpas, além de mitigar riscos de escassez de abastecimento e operar com custos mais competitivos.

O investimento estimado do projeto é de aproximadamente R$ 5,2 milhões/MW instalado, sendo que a BRF investirá diretamente o valor aproximado de R$ 80 milhões, a ser desembolsado durante o desenvolvimento do Projeto. O início das operações do parque está previsto para 2024.

O fechamento desta parceria está sujeito à aprovação das autoridades competentes e à verificação de outras condições usuais em operações dessa natureza.

“A companhia continuará a prospectar oportunidades para investir em fontes alternativas de autoprodução de energia limpa, em conexão com suas metas de longo prazo em sustentabilidade”, aponta a BRF.

Usiminas (USIM5)

O Credit Suisse realizou uma reunião com o CFO da Usiminas, Alberto Ono, e com sua equipe de relações com investidores. O banco diz que foi discutida a perspectiva atual para o setor, e temas centrais da estratégia da Usiminas. O banco afirma que a empresa diz que as condições de demanda no terceiro trimestre parecem ser tão fortes quanto aquelas do trimestre anterior. A empresa diz esperar que as remessas de aço se mantenham em níveis similares. No quarto trimestre, a sazonalidade mais fraca deve se apresentar neste ano, mas sob um ambiente internacional favorável.

De acordo com o banco, a Usiminas afirmou que, em junho, os preços estiveram 4,4% mais fortes do que a média do segundo trimestre, e que ela poderia implementar reajustes adicionais com clientes industriais. Além disso, a Usiminas disse acreditar que volumes mais altos de importação são excepcionais, e que o patamar deve se estabilizar nos próximos trimestres.

O banco mantém recomendação outperform, e diz que a empresa é um forte veículo para se beneficiar do minério de ferro mais caro e dos fortes preços do aço. O banco também acredita que chapas de aço devem ter desempenho superior àquele de aços longos, o que deve beneficiar a Usiminas. O banco prevê que a Usiminas seja negociada por 3,1 vezes a relação entre preço da empresa (EV na sigla em inglês) e lucro Ebitda em 2022, abaixo da média de entre 6 e 6,5 vezes, com Ebitda de R$ 6,7 bilhões e forte geração de caixa, de 21% em 2022.

O banco mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 28,50.

Siderúrgicas

O BBI destaca que novo rumor sobre impostos prejudica as exportações de aço da China. Rumores recentes do mercado de que a China vai impor novos impostos sobre as exportações de aço a partir deste mês reduziram ainda mais a atividade de exportação de aço da China, de acordo com a MySteel.

Caixa Seguridade (CXSE3) e BB Seguridade (BBSE3)

O Itaú BBA  afirma que o número alto de reivindicações de seguros no trimestre relativas à pandemia no Brasil pesou sobre as expectativas para a margem em 2021. Assim, o banco está atualizando suas estimativas para as empresas de seguros sob sua cobertura: Caixa Seguridade, com recomendação outperform, e iniciando a cobertura da BB Seguridade, com avaliação market perform. O novo preço-alvo para 2022 para a Caixa é de R$ 18 e para o BB Seguridade, é de R$ 23.

O desempenho mensal de planos de pensão indica uma aceleração da Caixa Seguridade no segundo semestre, na avaliação do banco.

O banco diz que dá preferência à Caixa Seguridade sobre a BB Seguridade por conta da perspectiva de crescimento.

BR Properties (BRPR3), Syn (CCPR3) e São Carlos Empreendimentos (SCAR3)

O Bradesco BBI retomou a cobertura do segmento de escritórios, com visão especialmente favorável à BR Properties, com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 12,50, em detrimento à Syn, antiga CCP, com recomendação neutra (perspectiva de valorização dentro da média) e preço-alvo de R$ 12,60 e à São Carlos Empreendimentos e Participações, com avaliação neutra e preço-alvo de R$ 47.

O banco diz que o setor é negociado com um desconto médio de 40% sobre o valor líquido do ativo (NAV na sigla em inglês). O banco diz que a BR Properties é, no entanto, uma exceção positiva, por conta da estratégia de venda ativa de ativos.

Ainda no radar da companhia, a BR Properties informou por meio de documento enviado ao mercado, que fechou contrato com o Fundo de Investimento Imobiliário VBI Logístico, administrado pelo BTG Pactual Serviços Financeiros, para a venda de uma parte de um galpão logístico em desenvolvimento, por R$ 123,2 milhões, com previsão de término da construção para o segundo trimestre de 2022.

De acordo com a Guide, a notícia é positiva. A BR Properties segue reformulando seu portfólio através da venda de ativos não estratégicos para a companhia. Em todo caso, ainda vemos uma pressão forte no setor imobiliário a curto prazo, com pressão dos juros futuros e ainda os efeitos negativos da pandemia nos setores de shoppings e lajes corporativas.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Segundo o Valor, o Pátria e os médicos acionistas que, juntos detém o controle da rede de medicina diagnóstica Alliar, não devem vender seus papéis pelo valor estipulado em R$ 11,50 na oferta pública de aquisição (OPA) proposta pela Rede D’Or, de acordo com fonte ouvida pelo jornal. O fundo possui 20% do capital social atualmente.

Segundo a Guide, a notícia é potencialmente negativa. “Caso a recusa por parte dos acionistas da Alliar seja de fato confirmada em função do baixo valor ofertado, pode levar a Rede D’Or a realizar uma segunda proposta, com prêmio consideravelmente maior ou então desistir da aquisição, fazendo com que o maior grupo hospitalar do país volte a analisar oportunidades a preços mais atrativos”, aponta a casa de análise.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Yduqs reverte prejuízo e tem lucro de R$ 116 milhões no 2º trimestre

SÃO PAULO – A companhia de educação Yduqs (YDUQ3) reverteu o prejuízo apresentado um ano atrás e registrou lucro de R$ 116,5 milhões no segundo trimestre de 2021. O resultado, porém, ficou abaixo dos R$ 145,5 milhões esperados pelos analistas consultados pela Refinitiv.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi três vezes maior do que o mesmo período de 2020, a R$ 349 milhões entre abril e junho deste ano.

Já a receita líquida no período teve alta de 17%, para R$ 1,161 bilhão, enquanto os custos de serviços prestados avançaram cerca de 13%. As despesas comerciais caíram 22,3%, em meio a uma redução de 30,5% em gastos com provisões para inadimplência. As despesas gerais e administrativas recuaram 7,6%.

A Yduqs também viu sua base de alunos subir 9,5% no segundo trimestre, para 824,1 mil, com o ensino presencial recuando 15,3% e o digital avançando 32,1%, reflexo das medidas de isolamento social por conta da pandemia.

Já o valor médio das mensalidades cobradas dos alunos subiu cerca de 5% no primeiro semestre no segmento premium, que inclui graduação de medicina e a escola de negócios Ibmec. No ensino digital, os valores ficaram praticamente estáveis e no presencial houve aumento de 8,4%.

(Com Reuters)

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Yduqs ainda tem R$ 2 bilhões em caixa para aquisições após comprar a QConcursos

A Yduqs (YDUQ3), segunda maior empresa de educação do Brasil e dona de universidades como Estácio, Ibmec e Damásio, decidiu fazer sua aposta no mundo das edtechs, como são conhecidas as startups do setor de educação. Na sexta, a companhia anunciou a aquisição da QConcursos, de ensino a distância (EAD) para alunos que buscam passar em concursos e também em vestibulares. O negócio, que não teve o valor revelado, foi o primeiro da Yduqs com uma empresa totalmente digital. E não deve ser o único nos próximos meses.

A empresa tem R$ 2 bilhões em caixa para aquisições, tanto em ensino virtual quanto no presencial. De acordo com Eduardo Parente, CEO da Yduqs, trata-se de um bom momento para ir às compras. “Tem uma fila de pessoas oferecendo negócios, já que o momento de dificuldade é grande. Há muita coisa boa aparecendo”, afirma.

A QConcursos, que dobrou de tamanho nos últimos dois anos e fatura R$ 70 milhões, será parte importante em uma das grandes apostas da Yduqs: a expansão do sistema EnsineMe, uma plataforma de material didático.

“Nosso ensino digital já é muito avançado, mas vamos aprender com as tecnologias adaptativas da QConcursos, que são customizadas para cada pessoa por meio de inteligência artificial, o que vai encurtar o caminho para uma personalização inédita no EAD”, diz Parente.

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Para William Klein, CEO da consultoria Hoper, a Yduqs se posicionou com uma das empresas que melhor entenderam o ensino a distância. Ele acredita que a companhia está caminhando para alcançar a Cogna em número de alunos em breve. A dona da Kroton, que passa por uma reestruturação, encerrou o primeiro trimestre com 920 mil alunos. A Yduqs prevê chegar a 1 milhão de alunos até 2023.

Regiões

Apesar da aposta no digital, o ensino presencial continuará a ser importante. O foco é entrar em mercados em que a empresa não é forte, como o de São Paulo e as Regiões Sul e Centro-Oeste.

O perfil das aquisições será de grandes universidades e faculdades do segmento premium, que têm sido mais resilientes na pandemia. Com marcas como Ibmec e também com a Idomed, braço que reúne as 14 escolas de medicina do grupo, o segmento premium teve alta de 44% na captação de alunos no primeiro semestre de 2021, em comparação ao ano passado.

O ensino presencial foi afetado pelas medidas de distanciamento e viu o número de entrantes cair em 30%, tendência que deve continuar no segundo semestre, pois hoje só 20% dos alunos estão estudando presencialmente nas escolas da Yduqs.

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Parente acredita que, com o ritmo de vacinação acelerado, cerca de 80% dos alunos voltem às salas de aula ainda em 2021. Segundo pesquisa realizada pela Estácio com seus alunos do EAD, 85% deles gostariam de ir para o ensino presencial. “As pessoas gostam de dizer que a pandemia mostrou que vai ser o fim do ensino presencial, mas para mim só confirmou que ele é fundamental.”

Se ainda está atrás da Cogna em número de alunos, a Yduqs ja é a empresa mais valiosa do setor na Bolsa. Hoje, vale cerca de R$ 10,7 bilhões, ante R$ 8,6 bilhões da rival. Mesmo assim, a companhia ainda está com um valor 40% menor do que o registrado pré-pandemia.

Segundo o analista da XP, Vitor Pini, a Yduqs está bem posicionada por ter feito poucas mudanças na sua estratégia. Por isso, enxerga que as ações podem ter uma valorização de 46% até o fim do ano. “A empresa tem um dos modelos de maior rentabilidade no setor e apostou em três frentes que deram certo: o segmento premium, o EAD e o presencial. Não precisou equilibrar tantos pratos no meio da pandemia”, afirma Pini. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Cogna, Yduqs, Ânima, Afya e mais: é a hora da recuperação do setor de educação na Bolsa? Confira as expectativas dos analistas

SÃO PAULO – Os resultados das empresas de educação do primeiro trimestre mostraram que muitas das estratégias para recuperação em meio à pandemia do coronavírus estão se mostrando acertadas, como o foco no digital e cursos considerados premium (com tíquete médio mais alto). Porém, muitas das companhias ainda têm um longo caminho a percorrer até apresentarem números que realmente empolguem os investidores.

Desta forma, apesar da valorização recente de muitas ações, principalmente com as perspectivas mais positivas para a economia com a aceleração da vacinação – como foi o caso da Cogna (COGN3), com alta de cerca de 10% e Yduqs (YDUQ3) com ganhos de 5% no acumulado de junho -, muitos analistas seguem seletivos sobre quais são os papéis promissores do setor. Apesar da alta recente, COGN3 tem ganhos modestos em 2021, de 0,65%, após cair 59,5% em 2020, enquanto YDUQ3 avança 5,22%.

Os analistas do Itaú BBA reiniciaram a cobertura para as ações do setor de educação com estimativa para oito empresas, em que destacam as oportunidades de consolidação no espaço de graduação médica, o impacto da pandemia nas taxas de admissão de empresas de ensino superior e uma visão geral do ensino fundamental e médio.

Eles avaliam que os melhores players no setor, atualmente, são Ânima (ANIM3) e Afya (negociada na Nasdaq), mas também temos uma visão construtiva sobre Vitru, Arco e Vasta, esta última subsidiária da Cogna voltada para o fornecimento de conteúdo digital a escolas. Por outro lado, “preferem ficar à margem”, ou ter recomendação neutra, para Yduqs, Ser (SEER3) e Cogna.

Gustavo Miele, Emerson Vieira e Lucca Marquezini, analistas do BBA, ainda veem espaço para consolidação no espaço da graduação médica, apesar dos crescentes múltiplos de fusões e aquisições.

Os analistas apontam que os cursos de graduação em medicina atraíram muitos players nos últimos anos, que encontraram uma importante alavanca de crescimento neste segmento. “Notamos que várias aquisições ocorreram no setor, permitindo que empresas de ensino superior aumentassem sua exposição a este segmento. No entanto, dada a oferta limitada devido a especificações regulatórias, a alta demanda levou a uma elevação de múltiplos de avaliação”, destacam.

Porém, mesmo assim, eles acreditam que ainda há espaço para novas consolidações, amparadas por consideráveis
oportunidades disponíveis no mercado que poderiam ser alvos potenciais para consolidadores no mercado como a Afya.

No geral, contudo, os analistas esperam que as empresas de ensino superior enfrentem um momento desafiador de ganhos no restante do ano.  “Desde o início da pandemia, vimos empresas de ensino superior lutando com um ingresso menor de alunos”, apontam.

Contudo, essa volatilidade na base de alunos das empresas vem acontecendo desde que as regras do FIES começaram a mudar – desde o início de 2016, Yduqs, Ser e Cogna perderam 26%, 8% e 49% de suas respectivas bases (considerando alunos de graduação e pós-graduação apenas no campus), enquanto a base da Ânima aumentou 37% (mais qualidade levando mais resiliência em meio ao cenário macroeconômico mais complexo).

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Os analistas acreditam que o setor pode continuar lutando com uma menor entrada de novos alunos enquanto as restrições à pandemia continuarem afetando o Brasil, potencialmente afetando o lucro até o final do ano.

Ao fazerem uma análise estimando os passos para a recuperação da taxa de matrícula, os analistas veem que, do ponto de vista relativo, a Cogna terá um caminho mais difícil para se recuperar e voltar aos níveis pré-pandêmicos, de 2019, enquanto
a Ânima deverá ter uma dificuldade menor para tanto.

Mudando de segmento, Miele, Vieira e Marquezini possuem uma visão construtiva sobre o ensino voltado à educação infantil até o ensino médio, destacando que é uma alternativa atrativa no espaço da educação, especialmente diante dos desafios do setor de educação além dos cursos de medicina.

Eles veem as empresas neste segmento desfrutando de i) fluxos de caixa mais previsíveis em contratos de baixa rotatividade e de longo prazo; ii) um ambiente mais benigno para aumento de ingressos; iii) dinâmica de mercado atrativa devido à ainda baixa penetração dos sistemas de aprendizagem; e iv) mais espaço para crescimento no mercado total endereçável das empresas.

Esses pontos, combinados com as baixas participações de mercado da Arco e da Vasta, de 6,6% e 4,9%, respectivamente, em 2020, são um bom presságio para um crescimento robusto adiante, seja de forma orgânica ou inorgânica. Esta é uma das razões pelas quais os analistas possuem recomendação outperform (desempenho acima da média) para ambas as companhias.

As preferidas do Itaú BBA do setor são Ânima, com preço-alvo de R$ 19 por ação para 2022 (potencial de alta de 54%) e Afya, negociada na Nasdaq e com preço-alvo de US$ 38 (upside de 46,7%). “Acreditamos que a melhor execução da Ânima em seu segmento e o aumento dos lucros esperados proveniente da integração da Laureate podem fornecer alguma resiliência versus outros cases de ensino superior”, destacam. A Afya, por sua vez, apontam os analistas, possui uma posição ímpar no setor, com uma larga avenida pela frente de consolidação no espaço médico-educacional.

Eles também possuem recomendação outperform para as ações da Vitru, com preço-alvo de US$ 24 por ação (alta de 45,5%), para a Arco, com preço-alvo de US$ 47 (alta de 45,4%) e para a Vasta, com preço-alvo de US$ 16 (ou potencial de alta de 85,2%).

A Vitru, apontam os analistas, possui um modelo acadêmico de educação digital diferenciado, ressaltando que ela é líder no segmento de ensino digital, que está no centro das atenções principalmente com aceleração da tendência no pós-pandemia, sendo que ela deve persistir no próximos anos. “A Vitru combina uma marca sólida e respeitada com um modelo híbrido altamente escalável”, apontam.

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A equipe de análise ressalta ainda que a Arco desenvolveu um produto focado em tecnologia que pode entregar educação de alta qualidade em escala, aproveitando uma vasta experiência em metodologias de sucesso para escolas particulares associado a um sólido histórico de  excelência acadêmica. “O desenvolvimento de um conteúdo dinâmico da Arco é um diferencial fundamental em um setor altamente competitivo”, ressaltam.

Já a Vasta, além de oferecer um grande e reconhecido portfólio de marcas de ensino fundamental e médio privado, possui soluções que incluem tradicionais sistemas de aprendizagem, atendendo também as preferências de escolas parceiras. Além disso, conta com uma equipe de vendas integrada e estratégia diferenciada ao visar buscar clientes por meio de vários canais.

Por outro lado, os analistas do BBA estão mais cautelosos com três ações: i) Yduqs, possuindo preço-alvo de R$ 45 (ou upside de 29,4%) para os ativos, ii) Ser, com preço-alvo de R$ 22 (alta de 20,9%) e iii) Cogna, com preço-alvo de R$ 6 (com projeção de alta de 29,3%).

A recomendação neutra para Yduqs leva em conta a exposição significativa da empresa no segmento presencial, que pode se traduzir em um cenário desafiador para os resultados para o restante do ano. Já para a Ser, além da alta exposição ao segmento presencial, os analistas também destacam que a ação não está mais tão barata aos atuais níveis.

Para a Cogna, os analistas ainda apontam o alto grau de alavancagem da companhia, destacando que a transição para a educação digital é crucial. Eles lembram que, em 2020, a Kroton (braço de ensino superior da Cogna) anunciou uma reviravolta completa que incluiu a otimização do portfolio de cursos e da infraestrutura imobiliária, bem como da estrutura de custos. Além disso, a empresa fechou 45 unidades. “Como uma resposta ao ambiente desafiador para os cursos de graduação presenciais nos últimos anos, o turnaround provavelmente será importante para a Kroton recuperar a lucratividade. A empresa espera que os resultados sejam refletidos já a partir deste ano”, destacam.

Cabe destacar que, enquanto os analistas no geral ainda mostram mais ceticismo com a Cogna, as recomendações divergem para os outros papéis do setor.

Em relatório do final de maio, o Morgan Stanley apontou que, levando em conta os resultados do primeiro trimestre do setor, estão atentos aos preços e às taxas de retenção das empresas de educação. Os analistas afirmam seguirem preferência por papéis expostos a fusões e aquisições, medicina e com exposição ao ensino digital.

Desta forma, os analistas destacam preferência por Afya e Vitru, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado), mas também possuem essa recomendação para a Yduqs, considerando as companhias os “melhores veículos para navegar pelo ainda complexo ano de 2021”.

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Na esteira do anúncio da compra da QConcursos pela Yduqs, os analistas do Bradesco BBI também reiteraram a recomendação outperform para YDUQ3, com preço-alvo de R$ 45. A Qconcursos é uma sociedade 100% digital da área de educação continuada que oferta cursos preparatórios, guias de estudos, simulados e provas para concursos. “Com essa aquisição, a Yduqs ultrapassa a marca de 1 milhão de alunos e amplia seus serviços e sua presença no ecossistema de educação digital”, afirmou a empresa de educação em fato relevante.

Já para a Cogna, os analistas seguem com recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 5,20 (ou alta de 11,6%), avaliando que, no geral, acreditam que os impactos positivos da reestruturação devam acontecer no longo prazo, enquanto os resultados da Vasta e os números de captação da Kroton devam começar a se recuperar com a redução das restrições à mobilidade.

Atualmente, os analistas do Morgan também possuem recomendação neutra para Cogna, com preço-alvo de R$ 6, ou alta de 29%: eles destacam que a reestruturação da Cogna é uma estratégia correta, mas cria ventos contrários de crescimento de curto prazo adicionais, além de verem uma fraca dinâmica de lucros no curto prazo. O valuation ainda é visto como acima dos múltiplos da média histórica e acima dos pares locais. Além disso, preferem operar diretamente com a subsidiária Vasta.

Confira abaixo as recomendações para as ações das empresas do setor de educação de acordo com compilação feita pela Refinitiv com casas de análises que cobrem os ativos:

Empresa Recomendações de compra Recomendações neutra Recomendações de venda  Preço-alvo médio Upside**
Ânima 7 1 1 R$ 15,54 25,32%
Afya* 6 1 0 US$ 26,73 2,14%
Vitru* 6 1 0 US$ 19,34 17,21%
Arco* 7 2 0 US$ 40,17 24,37%
Vasta* 5 2 0 US$ 16,36 91,35%
Yduqs 8 5 0 R$ 41,90 20,96%
Ser 6 5 1 R$ 19,44 5,94%
Cogna 0 12 0 R$ 5,45 16,95%
**empresas cujos ativos são negociados na Nasdaq
*em relação ao fechamento de 17 de junho de 2021

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Ações da Eletrobras disparam 9% após MP da privatização passar no Senado; Vale avança com anúncio de dividendos e Wiz tem alta

SÃO PAULO – O noticiário corporativo tem como grande destaque a Eletrobras (ELET3;ELET6), que vê suas ações dispararem após o Senado aprovar a Medida Provisória  que permite a privatização da Eletrobras em uma votação acirrada, por 42 votos favor ante 37 contra. Às 10h18 (horário de Brasília), os ativos abriram com alta de 9,26%, enquanto ELET6 avançavam 8,96%, a R$ 47,14.

Já os ativos da Vale (VALE3) avançam mais de 1% depois de uma sequência de quedas e tendo no radar o pagamento de dividendos extraordinários pela companhia.

Fora do índice, a Wiz (WIZS3) chegou a subir 6% no início do pregão em meio à notícia de parceria com o BRB para uma nova corretora, mas amenizou a alta. No ano, contudo, os ganhos são de 75%. Confira os destaques:

O Senado aprovou na véspera a Medida Provisória  que permite a privatização da Eletrobras em uma votação acirrada, por 42 votos favor ante 37 contra.

O relator da Medida Provisória da privatização da Eletrobras na Câmara, Elmar Nascimento (DEM-BA), afirmou que os deputados devem manter o texto aprovado. “Foi tudo acordado”, disse o deputado sobre o parecer construído pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO). A previsão é que a Câmara vote a matéria na próxima segunda-feira (21).

O texto precisa do aval do Congresso até terça-feira, 22, ou perderá a validade.

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Etapa crucial para privatização da Eletrobras é cumprida e analistas projetam alta de até 60% das ações: confira próximos passos

A MP foi aprovada no Senado com placar apertado. Associações do setor calculam que, da forma como foi aprovado o texto, o custo total da operação para os consumidores será de R$ 84 bilhões, considerando impostos e recursos para programas regionais. Segundo as entidades, os custos devem onerar os consumidores “por décadas”.

O Bradesco BBI avalia que a votação no Senado marca a aprovação efetiva da privatização da Eletrobras, que agora dependerá da execução pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

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O maior desafio na execução pelo BNDES é determinar o valor da usina nuclear de Angra 3. Ainda falta concluir estudos sobre as despesas de capital pendentes, estimadas em R$ 15 bilhões, e uma tarifa final. O BNDES também deve definir o título de concessão a ser pago pela Eletrobras ao governo, que deve ficar em cerca de R$ 20 bilhões, com base em uma avaliação preliminar baseada nas mudanças aprovadas pelo Senado. Quanto à aprovação pelo TCU, a Eletrobras vem realizando reuniões semanais para mantê-lo informado e facilitar a aprovação.

O banco avalia que o valor de uma Eletrobras privatizada poderia ficar em entre R$ 60 e R$ 70, frente ao patamar atual de R$ 43 por ação. Levando em consideração o aumento de R$ 25 bilhões no capital da empresa para diluir a participação do governo abaixo do controle, a ação poderia atingir um patamar de entre R$ 50 e R$ 55, diz o banco.

O Bradesco BBI ressalta que a elevação de capital ainda não foi calculada pelo governo com base em estudos do BNDES. Uma alternativa seria elevar menos o capital e fazer com que a Eletrobras assumisse dívidas para pagar pelo título de concessão que será de propriedade do governo federal. Neste cenário, o governo não precisaria vender ações diretamente ao mercado para diluir o controle. Veja mais clicando aqui.

A JBS informou que a Pilgrim’s Pride, sua controlada, assinou acordo para adquirir os negócios de alimentos do Kerry Group no Reino Unido e na Irlanda. O valor do negócio chega próximo da marca de US$ 1 bilhão.

“A operação fortalece a posição da companhia como uma das empresas líderes na indústria de alimentos na Europa”, disse o grupo de alimentos, em nota. O negócio vem para reforçar a estratégia global da gigante dos alimentos brasileira, que recentemente também fez uma aquisição na área de carne suína na Austrália.

De acordo com a JBS, o conselho de administração da Pilgrim’s aprovou o negócio, que é avaliado em mais de US$ 950 milhões (ou cerca de R$ 4,75 bilhões). Entre as marcas comercializadas pela Kerry Group estão Denny, Richmond e Fridge Raiders. O presidente global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse, em comunicado, que a aquisição reforça a plataforma da empresa na Europa e a capacidade de inovação para atender às necessidades dos clientes.

De acordo com a JBS, a aquisição inclui a Kerry Meats, líder na produção de alimentos à base de carnes e produtos prontos para o consumo no Reino Unido e na Irlanda, e a Kerry Meals, líder na produção de refeições prontas congeladas e resfriadas no Reino Unido. Combinados, os negócios registraram cerca de US$ 1 bilhão receita durante 2020 e possuem mais de 4,5 mil colaboradores.

De acordo com a JBS, a conclusão desta aquisição é esperada para o quarto trimestre de 2021 e está sujeita a aprovações regulatórias usuais nesse tipo de transação.

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O Itaú BBA destaca que a Kerry é uma das maiores empresas de comida pronta no Reino Unida, com 9 unidades de produção em dois países, dona de marcas como Denny, Richmond e Fridge Raiders. Em sua avaliação, a compra eleva a exposição da Pilgrim em segmentos em expansão, como comida à base de plantas, DTC e snacks de carne, solidificando a empresa como uma líder no setor Europa. O banco vê o negócio como positivo, e mais um passo na estratégia de diversificação da JBS. O Itaú mantém recomendação outperform para a empresa, e preço-alvo para 2021 em R$ 47.

Ainda em destaque, a JBS comunicou que concluiu a aquisição da Vivera, terceira maior produtora de produtos plant-based (produtos à base de plantas) na Europa.

Segundo a empresa, a companhia adquirida oferece um amplo portfólio de produtos em mais de 25 países, com presença relevante nos mercados da Holanda, Reino Unido e Alemanha. A transação inclui três unidades produtivas e um centro de pesquisa e desenvolvimento localizados na Holanda.

Wiz (WIZS3) e Banco de Brasília (BSLI3)

O Banco de Brasília anunciou que a empresa de corretagem de seguros Wiz vai comprar participação de 50,1% em uma nova corretora que será formada com ativos do BRB. O valor do negócio é de R$ 585,2 milhões.

O preço envolve valor à vista de R$ 300 milhões, três parcelas anuais fixas de R$ 57 milhões e mais três parcelas anuais variáveis estimadas em R$ 38 milhões, informou o BRB em fato relevante. “A transação está alinhada ao planejamento estratégico do BRB que definiu como um de seus objetivos a realização de fusões, aquisições e parcerias estratégicas para acelerar a expansão, modernização e potencializar os negócios do conglomerado”, afirmou o BRB.

A Petrobras protocolou o pedido de registro da oferta secundária (follow on) de 436.875.000 ações ordinárias de emissão de BR Distribuidora (BRDT3) que a petrolífera possui, a serem distribuídas no Brasil, com esforços de colocação no exterior.

Conforme prospecto preliminar da oferta, seu valor total pode chegar a R$ 11,542 bilhões, e o período de reserva termina em 29 de junho, com precificação prevista para o dia seguinte, 30.

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O valor, meramente indicativo, considera a cotação de fechamento das ações no pregão de ontem, de R$ 26,42.

Segundo o documento, a oferta está sendo estruturada pelo Morgan Stanley (coordenador líder), Bank of America Merrill Lynch, Goldman Sachs, JPMorgan, Itaú BBA, Citi e XP.

A decisão do desinvestimento já tinha sido tomada no começo do ano passado, na gestão de Roberto Castello Branco, mas a operação foi atrasada por conta da pandemia, que afetou o preço das ações da companhia na Bolsa brasileira. Agora a operação também foi referendada pela administração de Joaquim Silva e Luna.

A estatal ainda informou que sua subsidiária integral Petrobras Bolívia (PEB) foi comunicada da decisão do Tribunal Agroambiental da cidade de Sucre que anulou a sentença de primeira instância que obrigava a PEB a pagar US$ 61 milhões, além de juros e custas, a título de indenização por uso de propriedade onde estão localizadas as instalações do campo de San Alberto, na Bolívia.

“A decisão do Tribunal indicou evidências de violação a direitos fundamentais e garantias constitucionais da PEB na sentença de primeira instância, e anulou todos os atos desde o início do processo, destacando a ausência de demonstração de propriedade da área por parte da autora da ação”, diz a Petrobras em fato relevante.

A sentença ainda extingue as medidas cautelares anteriormente impostas, impõe multa à juíza de primeira instância e determina que o Conselho de Magistratura local seja notificado. A petroleira diz que a sentença do Tribunal Agroambiental “reforça a confiança da companhia nas instituições da Bolívia, onde atua há 25 anos, sempre em respeito às leis e às comunidades”. O bloco San Alberto é operado pela PEB com 35% de participação, em parceria com a YPFB Andina S.A. (50%) e Total E&P Sucursal Bolivia (15%).

A Vale, por sua vez, anunciou a distribuição de R$ 2,177096137 por ação em dividendos aos seus acionistas. Esses proventos serão pagos aos investidores que possuírem papéis VALE3 em carteira no fechamento do pregão do dia 23 de junho. Para os  que possuírem os ADRs a referência será o dia 25 de junho na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse).

Diversos analistas destacaram o anúncio de dividendos da Vale. Yuri Pereira e Thales Carmo, da XP, ressaltam que o  anúncio da véspera não tem relação com os dividendos a serem pagos em setembro de 2021, de acordo com a política de dividendos atual.

Os analistas da XP estimam uma distribuição de dividendos de US$ 4,33 bilhões em setembro de 2021 (ou um dividend yield de 4,0%). “Continuamos vendo uma diferença relevante entre geração de caixa e a distribuição de dividendos. Para 2021, esperamos um retorno com fluxo de caixa de 15%, considerando a média do minério de ferro de US$ 135 a tonelada (versus o preço atual de US$ 220 a tonelada), e isso se compara à nossa estimativa de dividend yield de cerca 6,0% em relação ao ano fiscal de 2021”, ressaltam.

Pereira e Carmo reiteraram recomendação de compra para VALE3 com preço-alvo de R$ 122 por ação, o que corresponde a um potencial de valorização de 15,20% frente o fechamento de quinta-feira. A recomendação é baseada na combinação de forte geração de caixa e valuation atrativo, mesmo na hipótese de queda do minério de ferro.

O Bradesco BBI, que possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ADRs com preço-alvo de US$ 25 (ou potencial de valorização de 18,6% frente o fechamento de quinta), também destacaram o anúncio como positivo.

Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos, analistas do banco, apontam que a distribuição de dividendos extraordinários  estava dentro de suas expectativas, tendo em vista as condições de mercado e a baixa alavancagem da mineradora.

A avaliação é de que possa haver uma outra distribuição de dividendos extraordinários no valor de US$ 3 bilhões nos próximos três trimestres. Isso levaria a uma distribuição entre US$ 15,7 bilhões e US$ 16,7 bilhões em dividendos entre junho de 2020 e março de 2022, também com o pagamento de dividendos mínimos.  Além disso, a Vale segue com seu programa de recompra de ações.

O Credit Suisse destaca que esses dividendos extraordinários vêm além dos valores mínimos esperados para setembro com base no primeiro semestre de 2021 e que reafirma o compromisso de aumentar os retornos de caixa. Os analistas veem espaço para mais. Atualmente, os analistas do banco suíço, assim como o BBI, têm recomendação outperform para os ADRs da companhia, com preço-alvo de US$ 25.

O Morgan Stanley vê o anúncio como positivo para os papéis da Vale, já que indica o comprometimento da empresa em devolver o excesso de caixa aos acionistas, além de mostrar uma alocação disciplinada de capital. O banco estima em US$ 12,8 bilhões o pagamento de dividendos pela Vale em 2021 e reitera sua avaliação overweight (exposição acima da média do mercado), com preço alvo de US$ 22, alta de 4,4% frente o fechamento de quinta.

A BRF comunicou na sexta que a subsidiária BRF Pet, dedicada ao segmento de pet food, celebrou no mesmo dia contrato para compra de 100% do capital social das empresas que compõem o Grupo Hercosul. O custo será comunicado no fechamento da compra.

A BRF diz que a aquisição foi aprovada pelo conselho de administração e não depende da aprovação da assembleia geral, já que será realizada por meio da subsidiária BRF Pet. Mas ainda precisa ser aprovada por autoridades comerciais brasileiras.

A empresa destaca que o Grupo Hercosul se destaca ao segmento de rações para cães e gatos, por meio de marcas como Biofresh, Three Dogs, Three Cats, Primocão, Primogato, Apolo e Átila. Segundo a BRF, a compra fortalece e diversifica a companhia sobre o mercado de rações, permitindo que se torne uma das maiores empresas do setor no Brasil até 2025. Com a compra, a BRF passa a ter 4% desse mercado, segundo suas próprias estimativas, baseadas em dados da Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação).

A Yduqs Participações comunicou nesta sexta que a subsidiária Athenas Serviços Administrativos celebrou contrato para a aquisição da QCX Serviços Educacionais Ltda., ou Qconcursos. A Yduqs afirmou que a empresa de educação continuada, cursos preparatórios, simulados e provas para concursos é 100% digital.

A empresa diz que, com a aquisição, ultrapassa a marca de 1 milhão de alunos e amplia sua presença digital.

As ações da Dasa começam a negociar no Novo Mercado a partir de 23 de junho.

BR Partners

Ainda em destaque, o banco de investimentos BR Partners arrecadou R$ 364 milhões em oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de esforços restritos, com as units precificadas a R$ 16. Os papéis serão negociados na próxima segunda com o ticker BRBI11.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Yduqs anuncia compra da Qconcursos e ultrapassa marca de 1 milhão de alunos

(Nutthaseth Vanchaichana/Getty Images)

A Yduqs Participações (YDUQ3) comunicou nesta sexta-feira (18) que a sua subsidiária Athenas Serviços Administrativos celebrou contrato para a aquisição da QCX Serviços Educacionais Ltda., ou Qconcursos.

A Qconcursos é uma sociedade 100% digital da área de educação continuada que oferta cursos preparatórios, guias de estudos, simulados e provas para concursos.

“Com essa aquisição, a Yduqs ultrapassa a marca de 1 milhão de alunos e amplia seus serviços e sua presença no ecossistema de educação digital”, afirmou a empresa de educação em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A empresa não detalhou o valor da operação.

“Acreditamos que a aquisição da Qconcursos é mais um passo na mudança da Yduqs para a educação digital, como parte da estratégia da empresa para reduzir sua exposição ao ambiente desafiador para cursos de ensino superior presenciais não premium. Os 412 mil alunos da empresa serão agregados à base de alunos da YDUQS para cursos de pós-graduação e preparatórios, fortalecendo sua presença no segmento de cursos extracurriculares. O perfil do aluno tem sinergia com perfis de alunos de outras instituições do grupo, o que aumentará as ofertas de aprendizagem para ex-alunos, além de fornecer oportunidades para iniciativas de vendas cruzadas e desenvolvimento de novos produtos”, avalia o Itaú BBA.

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Cogna: com reestruturação da Kroton começando a dar frutos e novo “vilão” no balanço, analistas mantêm cautela com ação

Kroton passa a se chamar Cogna NOVA EMPRESA: Kroton passa a se chamar Cogna, holding reunindo quatro companhiar

SÃO PAULO – A continuidade da pandemia segue impactando os números da Cogna (COGN3), mas os sinais da reestruturação já começam a ser sentidos, levando a uma alta das ações COGN3 nesta sexta-feira (14). Cabe destacar que a concorrente Yduqs (YDUQ3), que subiu quase 10% ontem após o balanço, também registra ganhos expressivos na sessão, assim como outras empresas do setor.

Os ativos da Cogna subiram 2,84%, a R$ 3,98, após chegarem a subir 5,94% na máxima. Registrando um desempenho ainda mais forte, YDUQ3 avançou 6,04%, a R$ 31,76, após chegar a subir 6,48%. A Ser (SEER3) avançou 4,37%, a R$ 14,09, acelerando os ganhos na reta final e fechando perto das máximas, enquanto Ânima (ANIM3) subiu 1,11% (R$ 11,85) após chegar a ter alta de 2,99%, também após  a divulgação dos balanços.

Conforme apontam os analistas do Bradesco BBI, os resultados da Cogna seguiram pressionados, mas os impactos positivos das mudanças, em especial no ensino superior com a Kroton – anunciadas no ano passado como o curso híbrido (mesclando presencial e online) e maior foco no segmento premium, como medicina, com tíquete médio mais alto – já aparecem.

Já a XP aponta que os resultados foram fracos mas, desta vez, houve um novo “ofensor” no balanço: a Vasta, subsidiária voltada para o fornecimento de conteúdo digital a escolas, enquanto a Kroton, de graduação, apresentou números melhores.

O BBI também reitera que houve um aumento considerável nas margens da Kroton, enquanto a Vasta desapontou. Já a receita líquida ficou em linha com a estimativa do banco. Em termos de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda), apesar de um sólido desempenho na Kroton, com alta de 18% na base anual, os fracos desempenhos na Vasta e Saber impactaram o consolidado.

“A captação do ensino presencial continuou bastante pressionada, impactando negativamente a receita da Kroton. O ensino básico registrou os maiores impactos da pandemia até então, uma vez que o recrudescimento da pandemia ocorreu de forma aguda no começo de 2021, precisamente durante o pico do período de matrículas para o ano letivo. Com isto, as escolas Saber e as escolas parceiras da Vasta registraram redução no número de alunos, o que trouxe um cenário desafiador para o crescimento de receitas”, apontou a Cogna no comunicado de divulgação de resultados.

A Cogna teve prejuízo líquido de R$ 90,975 milhões no primeiro trimestre, um salto de 132,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas, pontuou a companhia, o resultado foi impacto por efeitos não recorrentes (que totalizaram R$ 130,037 milhões), justamente em função dos gastos com a reestruturação da Kroton e impairment na Saber.

Em termos ajustados pela amortização do intangível, mais valia de estoques e impairment (todos efeitos não-caixa), a Cogna apurou lucro líquido de R$ 6,495 milhões no período, ainda uma forte queda de 86,1% frente ao primeiro trimestre do ano passado.

Já a receita líquida caiu 22,4%, para R$ 1,262 bilhão, enquanto as despesas operacionais recuaram apenas 1,6%, para R$ 230,546 milhões.

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O Ebitda recorrente somou R$ 365,814 milhões, declínio de 16,9% ano a ano. Porém, um ponto de atenção fica para a margem, que subiu 1,9 ponto percentual, para 29%.

Apesar da queda na receita líquida, os impactos positivos da recente reestruturação geraram aumento de margem no comparativo anual. Com ela, a margem Ebitda do segmento Kroton teve expansão de 9,3 pontos percentuais.

Com relação à captação de alunos no primeiro trimestre, a alta foi de 5%, com destaque para o digital, que aumentou 42% em volume e 43% em receita. Já na mobilidade de cursos híbridos, o volume caiu 1%, enquanto a receita teve alta de 15%. No ensino presencial, o volume e a receita recuaram 40% na comparação anual.

A base total de alunos teve uma queda de 0,1%. O ensino presencial teve uma forte baixa, de 29%, a  225 mil, enquanto o número de unidades de ensino foi de 176 para 131 no período de um ano. Já no ensino à distância, a base de alunos teve alta de 15,1% para 695 mil.

Já o tíquete da Kroton teve baixa de 12%, para R$ 336 mensais. Enquanto o preço médio das mensalidades subiu 11% no ensino presencial, para R$ 783 mensais, teve baixa de 13,5% no EAD, para R$ 191 em 2021. “Os menores custos de ocupação, associados ao menor número de unidades em funcionamento e redução da área útil de outras unidades, gerou uma diminuição em custos e despesas gerais e administrativas. O custo docente reduziu 30%, em função do maior uso de EAD no currículo presencial, da maior presença de alunos digitais na base e da menor quantidade de turmas de calouros devido à menor captação de alunos presenciais”, afirmou a companhia.

Olhando os números gerais, o Bradesco BBI aponta que os resultados ficaram um pouco acima do esperado pelos analistas, mas ligeiramente abaixo do consenso de mercado. E, apesar de verem os números da Kroton mostrando impactos positivos das mudanças (enquanto a Vasta foi o destaque negativo do trimestre), os analistas seguem cautelosos com a ação.

“No geral, acreditamos que os impactos positivos da reestruturação devam acontecer no longo prazo, enquanto os resultados da Vasta e os números de captação da Kroton devam começar a se recuperar com a redução das restrições à mobilidade”. Contudo, os analistas seguem com recomendação neutra para as ações; o preço-alvo para o papel é de R$ 5,20, um potencial de valorização de 34% em relação ao fechamento de quinta-feira.

Também avaliando que os resultados estão começando a mostrar melhora, principalmente no ensino superior, o Morgan Stanley também adota cautela quando o tema é comprar ações da companhia. A recomendação para os ativos segue em equalweight (exposição em linha com a média do mercado), com preço-alvo de R$ 6 por ação da companhia.

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Javier Martinez, Caio Moscardini e Daniela Santoro, analistas do Morgan, reforçam que os resultados do Cogna estão começando a melhorar, com a reestruturação já mostrando melhorias nas margens do ensino superior. Este segmento proporcionou maior eficiência em custos e forte gerenciamento de despesas. O ensino fundamental e médio continuam enfrentando o impacto da redução da base de alunos devido à pandemia e as receitas foram pressionadas. “Em suma, os resultados da Cogna estiveram amplamente em linha com nossas estimativas para receitas e Ebitda”, avaliam os analistas do banco.

Contudo, apontam preferência por empresas de educação com maior exposição a cases de fusões e aquisições, medicina e ensino à distância e, desta forma, avaliam que Afya, Vitru, cujas ações são negociadas na Nasdaq, e Yduqs (essa última com preço de R$ 44) são os melhores players para transitar por essas tendências durante 2021.

A Cogna também segue com recomendação neutra para a XP, com um preço-alvo de R$ 5,10 por ação (alta de 32%); a avaliação é de que, apesar da alta do Ebitda no segmento Kroton, 45% dele são de itens não recorrentes que devem ser monitorados. “Com o lucro ainda pressionado e resultados poluídos com itens não recorrentes, permanecemos com a recomendação neutra”, afirma o analista Vitor Pini.

Cabe ressaltar que, de treze casas que cobrem o papel COGN3, apenas uma recomenda compra, sendo que dez recomendam manutenção e duas recomendam venda, de acordo com compilação da Refinitiv. Isso ainda que o preço-alvo médio seja de R$ 6,13, valor 58% superior ao fechamento da véspera.

A Yduqs, por sua vez, conta também com treze casas cobrindo o papel, sendo que nove têm recomendação de compra e quatro de manutenção, com preço-alvo médio de R$ 42,47, o que configura um potencial de valorização de 42% em relação ao fechamento da véspera. Assim, ainda que muitos analistas vejam progressos com a Cogna, a expectativa é de um caminho mais tranquilo para a Yduqs já a partir do segundo semestre, em que veem um ponto de virada para a companhia.

Ser e Ânima no radar do setor

Vale ressaltar que outras companhias do setor também repercutem seus resultados nesta sessão, como a Ser e a Ânima.

A Ser Educacional registrou lucro líquido de R$ 30,068 milhões no primeiro trimestre deste ano, alcançando alta de 79,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro líquido ajustado, por sua vez, ficou em R$ 36,221 milhões, alta de 23% em um ano. O grupo aponta que teve crescimento de 32,8% na captação de alunos, adicionando 77 mil estudantes. A base estudantil cresceu 17,8% na comparação anual, totalizando 218,1 mil.

Já a Ânima Educação encerrou o primeiro trimestre de 2021 com lucro líquido ajustado de R$56,3 milhões, 28,5% a mais na comparação anual. Houve um aumento de base de alunos de 11,3%, com um ticket líquido médio superior em 12,1% em relação ao primeiro trimestre de 2020. Além disso, a taxa de evasão da graduação no primeiro trimestre de 2021 foi de 7,0%, representando 0,5% inferior ao mesmo período do ano anterior.

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De acordo com a XP, a Ser postou resultados bastante impressionantes na frente de ensino à distância, com alta na base de alunos de 123% (embora a receita tenha sido apenas 6% maior, devido ao tíquete médio inferior). No entanto, o presencial ainda está sob pressão: a base de alunos caiu 9% no comparativo anual e ficou 8% abaixo do esperado pelo analista, resultando em uma queda de 1% na receita consolidada e também 1% abaixo do projetado.

“Apesar do desempenho positivo no segmento de EAD, continuamos com recomendação neutra para SEER3 e reiteramos nosso preço alvo de R$17 por ação devido ao desempenho ainda fraco do presencial. Também estamos cautelosos com relação às tendências do tíquete médio de EAD e devemos observar que houve uma melhora de 2,0 pontos percentuais na margem bruta relacionada às menores despesas com ocupação, que deve subir novamente com a retomada das aulas presenciais”, avalia Pini.

Já sobre o Ânima, a projeção é mais otimista, com o analista reiterando recomendação de compra e preço-alvo de R$ 15 por ação. “A Ânima conseguiu nos surpreender em meio ao ambiente difícil do trimestre com receita acima do esperado (tíquete médio maior), margens maiores e uma nova estimativa de sinergias relacionadas à aquisição da Laureate de R$ 350 milhões, comparado a R$ 230 milhões anteriormente. Também acreditamos que estamos chegando em um ponto de inflexão no que diz respeito ao impacto negativo da pandemia no setor e esperamos que o ciclo de captação do 2S21 seja mais promissor”, avalia.

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Yduqs: analistas veem “ponto de virada” no 2º semestre após período desafiador e ações disparam

SÃO PAULO – Ainda com um forte impacto da pandemia, mas mostrando resiliência e melhores dias por vir. Desta forma, mesmo com os números ainda inspirando cautela, as ações da Yduqs (YDUQ3), segunda maior empresa do setor educacional na Bolsa, registram fortes ganhos na Bolsa. Às 13h16 (horário de Brasília), os papéis subiam 7,36%, a R$ 29,32, perto das máximas do dia, também em um dia de alta expressiva para o Ibovespa.

A Yduqs teve lucro líquido de R$ 43,2 milhões no primeiro trimestre, 74% menor na comparação anual, impactada pela depreciação de ativos tecnológicos. Cerca de metade da perda de R$ 125 milhões, no período, veio dessa depreciação, uma vez que a companhia vem investindo fortemente em tecnologia.

Outra parte foi decorrente de despesa financeira por conta da dívida captada para aquisição da Adtalen (R$ 35 milhões), redução do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) em R$ 25 milhões e R$ 4 milhões em impostos.

O Ebitda totalizou R$ 313 milhões, queda de 7% na base anual, enquanto a margem caiu oito pontos percentuais, para 29%.

A receita foi de R$ 1,082 bilhão, alta de 17%, sendo que 54% vieram de cursos presenciais, 27% do ensino digital e 19% dos cursos premium, como medicina. Já a captação de alunos no processo seletivo do começo do ano subiu 7%, com mais 265 mil estudantes à base total.

A XP destacou, entre os principais números, a queda de 34% na captação consolidada para graduação com a pressão negativa da Covid-19 no trimestre.

Além disso, como resultado de um ciclo de captação mais difícil e mais longo, a empresa gastou mais em marketing e teve maiores provisões para devedores duvidosos, devido ao ambiente macroeconômico pior também devido à pandemia.

Consequentemente, o Ebitda teve queda anual (embora apenas 1% abaixo das estimativas da XP). No entanto, avaliam os analistas, é importante destacar que a empresa forneceu um guidance para o primeiro semestre de 2021 com receita líquida 4% acima das estimativas da XP e Ebitda apenas 2% inferior (considerando o meio do intervalo do guidance ou 5% acima, considerando o topo dele).

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“Além disso, estamos otimistas com o ciclo de captação do segundo semestre de 2021 devido ao processo de vacinação em andamento e acreditamos que a situação atual não altera as perspectivas de longo prazo para a empresa, pois acreditamos que o crescimento contínuo da base de alunos (impulsionado principalmente pela EAD), aliado ao processo de amadurecimento de seu novo modelo acadêmico presencial resultará em margens maiores”, apontam os analistas. Assim, eles reiteram  recomendação de compra para YDUQ3, com preço alvo de R$50,70 por ação.

Já o Credit Suisse acredita que os efeitos da crise devam se prolongar ao longo de 2021, mas que a Yduqs deve conseguir manter margens positivas e geração de caixa. O segmento premium deve ser um componente essencial para crescimento assim como ensino à distância (mesmo com pressão de preços). Os mesmos devem compensar o menor ensino presencial. “Acreditamos que a Yduqs tem disciplina e escala para emergir mais forte do que os pares quando a crise passar”, avaliam. Os analistas possuem recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 38.

Felipe Leão, especialista em renda variável da Valor Investimentos, destaca que o cenário desafiador, evidenciado no balanço, já está refletido no preço. Assim, o balanço, apesar de ruim, veio muito próximo das estimativas.

Assim como a XP, Leão também aponta que o segundo semestre de 2021 deve ser um “ponto de virada”, com melhora na captação de novos alunos e maior Ebitda. No longo prazo, a plataforma EAD deve refletir em melhora nas margens.

O Bradesco BBI também aponta que, em termos de entrada de alunos, o ensino à distância continuou se expandindo em um ritmo rápido, enquanto o presencial foi prejudicado por um ciclo fraco e seguiu em queda.

No final de março, a Yduqs tinha uma base total de 716 mil alunos, sendo 286,6 mil no ensino presencial (queda de 6,3% ano a ano) e 417,2 mil estudantes no ensino digital (alta de 29,5% ano a ano). No chamando Premium, que inclui medicina, havia 12,7 mil (alta de 176,9%). “As aquisições foram decisivas para a preservação da base de alunos em meio à pandemia e adicionam muito valor”, ressaltou a companhia em seu resultado.

O ciclo prolongado de captação também teve efeitos negativos no Ebitda, uma vez que a empresa teve que aumentar seus esforços de marketing devido ao cenário adverso que, combinado com maiores provisões para devedores duvidosos e despesas gerais e administrativas, resultaram em uma queda acentuada da margem em relação ao ano anterior.

Durante a teleconferência com analistas para comentar o balanço, a Yduqs passou uma mensagem positiva, conforme aponta o Bradesco BBI, com os executivos sugerindo que o pior deve ficar para trás para a empresa.

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“Embora continue a haver incerteza, o aumento das despesas de marketing parece ser um evento pontual e a perspectiva de longo prazo para expansão das margens continua sólida. Com relação ao crescimento da base de alunos, embora acreditemos que ainda é muito cedo para ter uma estimativa precisa para a segunda metade do ano, a empresa parece confiante quanto ao crescimento na base anual após uma segunda metade de 2020 fraca”, avaliam Fred Mendes, Lucca Brendim e Gustavo Tiseo, analistas do BBI.

Já na frente de fusões e aquisições, a empresa compartilhou mensagens positivas sobre possíveis caminhos de crescimento futuro, especialmente relacionados ao promissor segmento digital. A gestão da Yduqs começou a ver novas oportunidades no segmento digital, visando empresas menores que podem adicionar novos produtos e recursos, ao mesmo tempo que trazem pessoas talentosas para a empresa, o que deve permitir a expansão em um segmento que não seria alcançável de outra forma.

Além disso, a administração continua em busca de oportunidades no ensino superior, principalmente no segmento premium. Desta forma, os analistas reforçam a recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 45 para a ação YDUQ3.

Segundo dados da Refinitiv, de treze casas que cobrem o papel, nove têm recomendação de compra e quatro de manutenção, com preço-alvo médio de R$ 42,47, o que configura um potencial de valorização de 55,5% em relação ao fechamento da véspera.

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