China mira nível de moeda estrangeira em bancos para frear yuan

(Bloomberg) — A China obrigou bancos a manterem mais moedas estrangeiras em reserva pela primeira vez em mais de uma década, a medida mais significativa até agora para frear a valorização do yuan.

Instituições financeiras do país precisarão manter 7% das divisas em reserva a partir de 15 de junho, segundo comunicado do banco central na segunda-feira. O nível representa um aumento de 2 pontos percentuais, e é o primeiro desde 2007. A medida, que segundo o Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) ajudará na gestão da liquidez, reduz efetivamente a oferta de dólares e outras moedas onshore, fazendo pressão de baixa sobre o yuan.

Embora analistas digam que o impacto direto pode ser pequeno, a medida é o sinal mais claro de descontentamento do PBOC com a alta do yuan em relação ao dólar. Até o momento, a resposta do governo havia se limitado à retórica: uma ex-autoridade do banco central e um comentário na mídia estatal buscaram esfriar os preços da moeda no fim de semana.

“O PBOC quer mostrar ao mercado que, se o rali continuar, tem várias medidas para desacelerá-lo, e o mercado vai cair se quiser fazer apostas especulativas”, disse Zhou Hao, economista do Commerzbank, em Singapura.

Apostar no yuan foi uma estratégia de sucesso no último ano. A moeda subiu 13% em relação ao dólar desde maio passado, quando estava perto do nível mais baixo desde 2008 em meio aos efeitos da pandemia e da guerra comercial com os Estados Unidos. Corretoras como Citic Securities, Scotiabank e Westpac Banking esperam que a moeda suba para 6,2 frente ao dólar em relação à cotação atual de 6,3650. Seria o nível mais alto desde a desvalorização de 2015.

O yuan é apoiado pela recuperação econômica da China e seus mercados de maior rendimento são atraentes para investidores globais. Um cenário de inflação importada reforça o argumento para um yuan mais forte. Contra uma cesta de parceiros comerciais, a moeda chinesa mostra a cotação mais alta desde 2016.

A história recente mostra que operadores devem ser cautelosos. Na sequência da desvalorização, o yuan caiu cerca de 11% até o final de 2016, subiu 11% até o pico de 2018, antes de reverter novamente a trajetória para uma queda de 13% até setembro de 2019. Quando o yuan subiu muito, autoridades muitas vezes adotaram medidas para frear o rali. No início de 2018, por exemplo, o yuan teve a maior queda em dois meses, quando autoridades deram luz verde aos bancos para apresentarem cotações para taxas mais baixas.

“Não vemos isso como uma mudança extraordinária, mas provavelmente o início de uma tendência”, disse Becky Liu, chefe de estratégia macro da China no Standard Chartered, em comentário sobre a medida do PBOC na segunda-feira. “Pode ser visto como um novo mecanismo de gestão do yuan no médio prazo, juntamente com outras medidas anticíclicas.”

Sócia da XP Investimentos oferece curso gratuito de como alcançar a liberdade financeira. Clique aqui para se inscrever.

PUBLICIDADE

Complacência pode jogar balde de água fria em mercado de câmbio

(Bloomberg) — Investidores têm se afastado de moedas consideradas refúgios, desafiando uma infinidade de manchetes negativas sobre riscos. As chances são de que essa combinação de notícias desafiadoras e posicionamento otimista do mercado não dure.

Mesmo com o yuan offshore da China perto de nível recorde em meio às tensões entre os governos de Washington e Pequim, o iene – uma moeda de refúgio -, mostrava pouca variação em relação à maioria dos pares do G-10.

E a divergência entre o yuan onshore e o iene só cresce, aumentando o risco de uma recuperação da moeda japonesa caso uma nova Guerra Fria se torne o foco principal do mercado.

PUBLICIDADE

São sinais de complacência em alguns segmentos do mercado. O mesmo ocorre com a queda do índice Bloomberg Dollar Spot para o menor nível em de mais de dois meses na terça-feira, principalmente devido à flexibilização das restrições de isolamento social e controle das infecções por coronavírus.

Como parte dessa disposição de seguir notícias positivas, o euro atingiu a maior cotação desde 1º de abril, com o anúncio do plano de estímulo fiscal da União Europeia. A libra subiu para o maior nível em duas semanas na terça-feira depois da notícia de que a UE está disposta a abandonar a abordagem “maximalista“ nas negociações de pesca com o Reino Unido na próxima rodada de negociações sobre o Brexit.

No entanto, ainda há potencial para correção, pois as notícias precisam se tornar positivas nos três principais fatores – Covid-19, comércio e geopolítica – ou os operadores podem ser obrigados a reavaliar sua exposição.

China pretende manter política monetária ‘normal’ por maior tempo possível

A China deve manter uma política monetária “normal” pelo maior tempo possível, à medida que a economia global pode estar “em um período de ajuste descendente de longo prazo”, afirmou o presidente do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), Yi Gang, em artigo publicado pelo jornal Qiushi, do Partido Comunista.

“Mesmo que a política monetária das principais economias do mundo esteja se aproximando de taxas de juros nulas, devemos seguir um progresso e precisão constantes, e não nos envolver em taxas de juros zero competitivas ou políticas de flexibilização quantitativa (QE, em inglês)”, argumentou.

Yi Gang enfatizou ainda que a taxa de câmbio do yuan é determinada pela oferta e demanda do mercado e não será usada como instrumentos. “Não instrumentaremos a taxa de câmbio e nunca nos envolveremos em desvalorizações competitivas de vizinhança”, disse.

PUBLICIDADE

Segundo ele, o banco vai continuar as reformas do mecanismo da taxa de câmbio de sua moeda, para manter sua flexibilidade e “implementar a gestão macroprudencial necessária quando o mercado mostrar sinais de prociclicidade”.

O país também deve estar atento ao papel da política fiscal ativa da “otimização da estrutura”, reduzindo impostos e taxas”.

Proteja seu patrimônio das incertezas: abra uma conta de investimentos na XP – é de graça!