“Tempestade perfeita” derruba cenário de crescimento econômico para 2022

grafico (Getty Images)

Inflação e juros em alta, desemprego, dólar caro, crise hídrica, conflitos institucionais, atropelo nas votações de projetos do Congresso e novos riscos fiscais. A “tempestade perfeita” dos últimos dias obrigou economistas e investidores a reverem suas estimativas para o crescimento da economia no próximo ano para o mesmo patamar baixo comum nos anos pré-pandemia, abaixo de 2%.

Enquanto a população sente os efeitos da deterioração da economia no bolso e reclama da alta dos preços do gás de cozinha, da gasolina, da conta de luz e dos alimentos, o mercado parece estar caindo na real.

O Estadão aponta os principais problemas que azedaram o humor e por que o Brasil segue com risco de ter mais um crescimento estilo “voo de galinha”, depois da retomada mais rápida da crise econômica provocada pela pandemia da covid-19, sem aproveitar todo o potencial do ciclo de commodities (produtos básicos, como alimentos e minério de ferro) que bombou as exportações.

A aceleração da inflação está obrigando o Banco Central a ser mais duro na alta dos juros e esfriar a economia, comprometendo o crescimento do PIB em 2022. O cenário internacional também ficou menos favorável. No front doméstico, a crise política entre os poderes se acirra, elevando a percepção de risco de populismo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro para recuperar a popularidade e chegar em 2022 com chances de se reeleger.

“Podemos ter um momento melhor no curto prazo, um ano um pouco melhor, mas a perspectiva é de um País medíocre”, diz o presidente do Insper, Marcos Lisboa, que se diz assustado com a tramitação dos projetos no Congresso: a reforma do Imposto de Renda e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos do precatórios, dívidas judiciais que a União é obrigada pela Justiça a quitar. A aprovação desses projetos é chave para Bolsonaro porque, sem eles, será mais difícil para o governo anunciar um benefício elevado do novo Bolsa Família para impulsionar a campanha eleitoral, sem mudar as regras fiscais. “O governo faz grandes anúncios e, quando se vai ler os projetos, eles decepcionam e, em muitos casos, assustam”, diz.

A PEC dos precatórios reabriu a discussão sobre a quebra do teto de gastos (regra que controla a alta das despesas) e trouxe de volta o fantasma da contabilidade criativa nas contas públicas. Para o consultor do Senado, Leonardo Ribeiro, a PEC promove uma triangulação financeira para abrir espaço no teto de gastos. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro, Arno Augustin, do governo Dilma”, diz ele, que defende retirar o precatório do teto com medidas adicionais de controle dessas despesas.

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Scott Galloway e Luiz Orenstein: um debate sobre trabalhar e ser feliz

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 21 de agosto de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

Faça aquilo que te faz feliz.

Esse conselho profissional faz sentido para você?

Com certeza, fazer o que te faz feliz é fundamental, porque você irá passar mais da metade da sua vida exercendo uma atividade profissional, mas, como aprendemos nos ensinou Newton (adaptado pelo STPK): a toda opinião sempre há uma outra opinião de mesma intensidade e direção, porém com sentidos opostos.

E no caso de conselhos para escolha profissional não é diferente.

Uma das grandes vantagens da geração atual é poder navegar na internet e se conectar com pessoas extremamente genais que gratuitamente dão verdadeiras aulas sobre um mesmo assunto com visões igualmente geniais mas completamente diferentes.

E foi com isso que nos deparamos recentemente.

No começo dessa semana, Daniel Haddad, criador da maior e melhor videoteca do Condado, compartilhou um conselho que o Scott Galloway, um dos maiores conselheiros dentro do Vale do Silício, deu para uma platéia de estudantes sobre esse tema e o conselho dele é bem claro: não siga o conselho de fazer o que te faz feliz (“seguir sua paixão”).

Galloway, após décadas observando palestra de bilionários, diz que a recomendação “siga sua paixão” é sempre dada por pessoas ricas e que geralmente fizeram fortuna fazendo coisas sem nenhum glamour como metalurgia ou fundição.

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O fundamental, para Galloway, é encontrar algo que você seja bom e depois gastar milhares de horas, e ser perseverante, ter garra, dedicação, se sacrificar e ter disposição de lidar com a dificuldade para você conseguir se tornar ótimo naquela atividade, porque quando você é excelente em alguma coisa, os benefícios econômicos, prestígio, relevância, a camaradagem, auto avaliação de ser excelente, vai lhe tornar apaixonado por qualquer coisa que seja.

O pensamento de Galloway, que vai na contramão da maioria, é como uma engenharia reversa: encontre algo em que você consegue se destacar, dedique-se muito e você inevitavelmente se tornará apaixonado por isso.

Para quem se interessou pelas ideias do renomado professor e empreendedor, irá gostar de saber que ele estará ao vivo na Expert XP no dia 24/08 falando sobre os aprendizados pós-coronavírus. O evento é gratuito e você pode se inscrever clicando aqui.

Por outro lado, quem deu um conselho totalmente diferente do Galloway foi o Luiz Orenstein.

Talvez esse nome não te diga nada, porque Orenstein não costuma aparecer muito nas redes, mas ele é simplesmente um dos fundadores da Dynamo.

A Dynamo não é só um dos maiores e mais respeitados fundos de ações do Brasil como também abriu o mercado para todos os outros que vieram depois.

Eles estão para o mercado de ações brasileiro assim com o Pelé para o futebol. Existe um antes e depois deles.

Semana passada, Orenstein, numa de suas raras aparições, participou de uma live no canal Manual do Brasil e na conclusão da entrevista foi perguntando sobre um conselho que poderia dar para os mais jovens que estão no começo da carreira.

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Com um currículo no mínimo interessante (engenharia na UFRJ. mestrado em Economia e doutorado em Ciência Política), Orenstein acha que a geração atual deve ter muita cautela ao ouvir o conselho das gerações mais velhas e isso tem um motivo claro: os jovens de hoje viverão bem mais da sua geração.

Apesar do “disclaimer”, Orenstein não deixou de falar seu conselho: siga sua curiosidade e não abra mão de ser feliz.

“Esqueça esse negócio de se sacrificar para ganhar dinheiro. Não se sacrifique. Tente seguir aquilo que te deixa bem na vida do ponto de vista profissional. E experimente, porque, como a vida se tornou muito longa, você aos 40 ou 50 ainda poderá recomeçar. A minha geração não podia. Não se acomode: siga sua curiosidade e se der errado tenha a coragem de abandonar para tentar uma coisa nova”, aconselhou Orenstein.

Como no mercado, ver duas pessoas brilhantes falando sobre um mesmo tema com visões completamente diferente só demonstra a complexidade que é entender o mundo e a vida.

Em Rápido e Devagar, livro presente em nossa biblioteca, Daniel Kahneman explica que a nossa reconfortante convicção de que o mundo faz sentido repousa sobre uma base segura: nossa capacidade quase ilimitada de ignorar nossa ignorância.

Não é que um conselho esteja errado e o outro certo, se você pensa assim, talvez esteja precisando de uma grande dose de curiosidade intelectual e uma mente aberta para conseguir perceber a beleza que existe na magia do caos.

Reserve um tempo no seu final de semana para assistir a live com Orenstein e aprenda como a Dynamo sua o princípio científico da falseabilidade, de Karl Popper, para selecionar as ações do fundo.

Josué Guedes

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CMO do Stock Pickers

Startup de cibersegurança diz que ataque à Renner gerou pânico nas empresas

Em janeiro de 2021, a startup brasileira de cibersegurança PSafe identificou o maior vazamento de dados da história do País, quando 223 milhões de brasileiros (incluindo já mortos) tiveram dados expostos e vendidos na internet. Diante de uma brecha desse tamanho, Marco DeMello, presidente da PSafe, não vê a alta de casos de sequestro de dados de empresas com surpresa. Segundo ele, as companhias ainda não se deram conta do tamanho do prejuízo a que podem estar expostas ao não proteger seus sistemas de forma diligente.

O caso da Renner criou pânico, diz Mello, que recebeu ligações de empresários com medo de virarem a próxima vítima. “Mas eu pergunto: por que o pânico só agora? A ficha tinha de ter caído há muito tempo.”

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. enxerga esse momento com tantos ataques? As empresas estão se precavendo?

A obrigação de um criminoso é o de cometer crime. O ransomware vai gerar mais de US$ 20 bilhões de receita neste ano. Virou uma indústria. Então, a obrigação e a responsabilidade das empresas é de se defender. A única solução para as empresas é a prevenção. O empresário brasileiro ainda pensa que esse tipo de problema só acontece com multinacional, mas a história está mostrando que todas são alvo.

Leia mais:
O que é ransomware e como funciona?

Os empresários estão preocupados com esses ataques?

Recebi várias ligações de empresários em pânico após esse ataque da Renner. Mas eu pergunto: por que o pânico só agora? A ficha tinha que ter caído há muito tempo. A proteção não é por antivírus, mas com uma defesa inteligente. Os ataques podem ser nos servidores, mas 90% dos ataques começam por uma máquina vulnerável e só depois vão para os servidores.

Como ocorrem esses ataques?

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Por meio de inteligência artificial. Temos de acabar com a imagem do hacker com um gorro na cabeça e espinha no rosto. É uma indústria. Os criminosos utilizam inteligência artificial para tomar o controle da empresa e sequestram tudo por meio da tecnologia. São criminosos muito sofisticados e que investiram muito. E a defesa das empresas não tem nada de sofisticada. A proteção precisa ser contínua e proativa.

Quais são as opções das empresas após ter os seus dados sequestrados?

Depois que o ataque acontece, a empresa não tem o que fazer. As opções são pagar o resgate, o que acontece na maioria das vezes, ou ter um backup de todo o servidor – dependendo da empresa, restaurar os dados pode ser até mais caro do que o resgate. Para completar, o valor do resgate não é feito de maneira aleatória: eles passam a ter acesso a todos os dados da empresa e conseguem fazer o cálculo exato do dinheiro que a empresa tem para pagar.

Por que o número de casos vem crescendo tanto?

A explosão aconteceu, principalmente, desde 2020. Todos os dados das empresas, por causa da pandemia, passaram a estar online, e a segurança não acompanhou. Os hackers evoluíram dez anos em dez meses e perceberam que se trata de um negócio lucrativo: ninguém é preso, ninguém é perseguido ou rastreado pelo governo e nem paga imposto, pois tudo é feito por bitcoin.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Braskem afirma não ter conhecimento sobre oferta de ações para saída de acionistas

A Braskem comunicou que não tem conhecimento sobre a realização de uma oferta pública de ações da companhia como uma possível estratégia de saída dos acionistas, como mostrou a Coluna do Broadcast. A empresa diz que “não é parte de eventuais discussões de seus acionistas sobre a venda das suas participações acionárias”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como esclarecimento de notícia veiculada na mídia.

Leia mais:
Oferta de ações da Braskem volta à mesa para saída de acionistas

A petroquímica afirma que solicitou esclarecimentos sobre a informação aos seus acionistas Novonor (novo nome da Odebrecht) e Petrobras.

“A Novonor está considerando uma potencial transação envolvendo a participação da Novonor S.A. na Braskem e, nesse contexto está avaliando potenciais estruturas para tal transação. No entanto, não há elementos suficientes para assegurar a concretização de qualquer transação e tampouco foi definida qualquer estrutura para tanto. Desta forma, no momento, não há qualquer informação adicional a ser prestada sobre o tema”, apontou a Novonor.

Já a Petrobras informou que “não há qualquer definição ou decisão sobre a forma de alienação da sua parte na Braskem, sendo importante ressaltar que, conforme informado em 09/08/2021, contratou o JP Morgan para assessoramento financeiro da eventual e futura transação referente à sua participação na companhia.”

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Para presidente da Anglo American no Brasil, preço do minério é incógnita

A brusca desvalorização do minério de ferro é um movimento irracional, e o melhor para as empresas é “assistir da arquibancada” à flutuação da commodity, sem “participar do jogo”, afirma o presidente da Anglo American no Brasil, Wilfred Bruijn, o Bill. Ao Estadão, ele reconhece que a instabilidade gera uma incógnita sobre o preço a ser lançado pelas empresas no orçamento de 2022.

Na semana passada, o preço “spot” do minério com 62% de teor de ferro para entrega na China, referência do produto, acumulou perdas de US$ 30 de terça a quinta-feira, negociado ao menor valor em seis meses. Na sexta-feira, o minério recuperou US$ 7 das perdas, cotado a US$ 140,44 a tonelada, mas o sentimento ainda era de cautela.

Para Bruijn, a desvalorização tem origem nas medidas regulatórias do governo chinês para reduzir a produção de aço, o que resultaria em menor demanda por minério.

“O sentimento era de que a queda estacionaria em algum ponto, mas não foi o que aconteceu. O preço continuou caindo”, diz o executivo. “É algo mais emotivo de um mercado que busca um novo patamar. Não sei dizer se o próximo movimento vai ser de mais uma queda de 20% ou uma alta de 20%.”

Apesar da baixa recente, a commodity permanece negociada acima dos valores de antes da pandemia. Em fevereiro de 2020, o produto era vendido perto de US$ 80 a tonelada, quase a metade da cotação de sexta-feira. O avanço seria resultado de um mercado “apertado”, fruto da pouca oferta adicional de minério no mundo e uma demanda crescente, sobretudo das siderúrgicas da China.

Bill explica que a oscilação de preços acaba refletida no balanço financeiro, uma vez que a companhia não “trava” a cotação em operações de hedge. A Anglo American deve produzir, neste ano, de 24 a 25 milhões de toneladas de minério de ferro no sistema Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG). A produção é exportada, sobretudo, para China, Coreia do Sul, Taiwan e Oriente Médio.

Investimentos

As incertezas não devem afetar o plano de investimentos no país. Segundo Bill, estão sendo investidos US$ 200 milhões no sistema Minas-Rio, que, além da mina, conta com uma planta de beneficiamento e um mineroduto de 529 quilômetros de extensão até o Porto de Açu, no Rio. No ano que vem, serão mais US$ 250 milhões investidos para aprimorar a operação e a manutenção da operação.

A unidade brasileira da Anglo trabalha ainda para cumprir, neste ano, a meta de utilizar 100% de energia renovável em suas atividades, incluindo uma parcela de autoprodução. Segundo ele, hoje, 96% da energia consumida pela operação local é renovável, entre eólica e solar. Para atingir a meta de 100%, a empresa aguarda apenas o vencimento de um contrato mais antigo de energia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Jackson Hole, PIB e PCE nos EUA e prévia da inflação no Brasil: o que acompanhar nesta semana

SÃO PAULO – Com o Ibovespa abaixo dos 120 mil pontos, após uma semana de muita volatilidade, o noticiário segue agitado em todas as frentes, mantendo o mercado em clima de alerta nos próximos dias.

No exterior, seguem os temores com relação à pandemia do coronavírus, em especial a variante Delta, ao mesmo tempo em que o cenário no Afeganistão e a forte queda das commodities preocupam, tudo isso após o Federal Reserve indicar que deve começar a reduzir os estímulos à economia dos Estados Unidos em breve.

Com isso, ganha muita importância nesta semana o simpósio anual de Jackson Hole, encontro que ocorre de forma virtual no dia 27, com participação de importantes nomes da economia e política monetária de diferentes países. Anteriormente, estava previsto um evento presencial, como costuma ocorrer, entre 26 e 28, mas por conta da pandemia, na última sexta foi anunciada a mudança de formato.

O destaque fica para o chairman do Fed, Jerome Powell, que pode dar novas sinalizações sobre a redução das compras de títulos por parte do banco central americano, além de quando eles esperam começar a subir os juros nos EUA. Lembrando que em 2020, neste evento, Powell anunciou um novo arcabouço de política monetária, com a implementação de uma meta de inflação média.

Ainda no EUA, o calendário reserva alguns indicadores importantes, como a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, na quinta-feira (26), com projeção, segundo economistas consultados pela Refinitiv, de alta de 6,7%, contra um avanço de 6,5% no dado anterior.

Além disso, na quarta (25) saem os números de pedidos de bens duráveis no país, com expectativa de queda de 0,2% em julho, enquanto no mês anterior houve uma alta de 0,9%. Já na sexta (27) será apresentado o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), um dos principais números de inflação acompanhado pelo Fed.

Agenda doméstica

Por aqui, o ambiente político segue no centro das atenções, com debates sobre reforma do Imposto de Renda, reforma eleitoral, PEC dos Precatórios, além da disputa entre poderes. Tudo isso, junto com um clima de muitas surpresas quase todos os dias no noticiário, tem mantido os investidores receosos no Brasil.

Na agenda de indicadores, o principal destaque fica para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), na quarta-feira (25). Para a equipe do Bradesco, o indicador de inflação “deverá mostrar alguma descompressão, mas núcleos devem se manter com dinâmica desfavorável, indicando que os desafios à política monetária continuam no radar”.

Além disso, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgará as sondagens do consumidor e da indústria, relativas a agosto, que para os analistas do Bradesco deverão apontar continuidade do processo de recuperação da confiança.

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Do lado corporativo, a Petrobras (PETR3; PETR4) reúne os acionistas em assembleia para eleger 8 dos 11 membros do conselho e o presidente do colegiado. O governo federal indicou a recondução de Eduardo Bacellar Leal Ferreira para a presidência do conselho, além de indicar o atual presidente, Joaquim Silva e Luna, para um dos assentos (veja outros eventos corporativos previstos para essa semana clicando aqui).

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“A urna eletrônica também conecta à impressora. Estamos tranquilos”, diz CFO da Positivo sobre voto impresso

SÃO PAULO — Com contratos que somam mais de R$ 1 bilhão com entidades públicas para 2021, em sua maioria para o fornecimento de notebooks para escolas estaduais, e também para a entrega de 225.000 urnas eletrônicas que serão utilizadas nas Eleições de 2022, a Positivo Tecnologia (POSI3) diz não ter sido abalada pelas recentes discussões em torno da possível adoção de voto impresso no país — proposta que foi rejeitada pela Câmara em 10 de agosto.

Em live do InfoMoney, o CFO da companhia, Caio de Moraes, destacou que as urnas são seguras, mas que permitem a conexão à impressora, caso o voto impresso tivesse sido aprovado. A empresa atua em várias frentes — além do braço que atende o setor público, tem o segmento consumer, voltado às pessoas físicas, e o segmento corporativo, com vendas de equipamentos para empresas.

“Nós estamos fornecendo as urnas, o equipamento urnas, que é um equipamento que passou por todos os testes de segurança necessários para ser homologado e ganhar a licitação. Passamos com louvor. Nossa solução foi a solução tecnicamente mais completa. E eu ressalto também que a urna tem a possibilidade de conexão à impressora. Não estamos fornecendo as impressoras, estamos fornecendo as urnas, mas isso é possível ser feito. Então, estamos bastante tranquilos, a gente acredita que essas discussões todas [sobre voto impresso] são absolutamente neutras para a companhia, não teriam impacto nenhum”, disse o executivo.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

A Positivo viu sua receita bruta crescer 89% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período do ano passado, e 87% no semestre, frente à primeira metade de 2020, totalizando R$ 1,7 bilhão entre janeiro e junho. Ela também teve recorde histórico de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) trimestral, de R$ 102 milhões, e de Ebitda nos últimos 12 meses, de R$ 327 milhões.

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A margem bruta da companhia atingiu 26% no segundo trimestre deste ano, com margem Ebitda de 13%. O lucro líquido semestral foi de R$ 107 milhões. Moraes destacou que houve crescimento em todas as unidades de negócio da companhia — a receita bruta da unidade de consumer cresceu 131% no semestre, para R$ 1 bilhão; no corporativo, o crescimento foi de 36% no semestre, a R$ 279 milhões; e no segmento público, o avanço foi de 54%, a R$ 425 milhões.

“Eu destaco a manutenção do alto volume de vendas de computadores. É um mercado que continua bastante aquecido, com crescimento de 52% na comparação ano contra ano semestral”, disse. “Na área de mobilidade, representada por celulares e tablets, também tivemos crescimento expressivo, especialmente em tablets, que cresceram 92% na base semestral, ano contra ano”, completou.

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O executivo afirmou ainda que a Positivo reestruturou a área de negócios corporativos. “É a unidade de negócios com o maior potencial de crescimento do portfólio”, disse. A companhia também reformulou sua área de relações com investidores e reativou sua área voltada à educação, visando conectar edtechs, escolas públicas e privadas e as soluções de hardwares e softwares educacionais da Positivo.

Moraes falou ainda sobre a falta de componentes gerada pela pandemia de Covid-19 e como a Positivo conseguiu contornar o problema com seus fornecedores na Ásia, falou sobre o licenciamento e primeiras vendas da marca Compaq no semestre, sobre o crescimento da avenida de casa inteligente, com produtos como a smart lâmpada e parcerias com construtoras, como a MRV, e também sobre os investimentos na Hilab, o braço de venture capital do grupo.

O CFO da companhia explicou que 90% dos insumos utilizados pela Positivo na fabricação de seus produtos são dolarizados, por isso a empresa possui um hedge para a variação cambial. Além disso, ele comentou ainda sobre o fim do contrato de exclusividade com a Cielo para as soluções de meios de pagamento, o que abre oportunidade para a empresa captar novos clientes na área. Moraes falou também sobre a estratégia da companhia para o HaaS (Hardware as a Service).

“A gente está numa situação muito confortável de endividamento e alavancagem, de 1x a relação dívida líquida/Ebitda, com posição de caixa bastante robusta para fazer face ao crescimento que a gente enxerga nos próximos trimestres. Temos um otimismo maior com a segunda metade do ano porque geralmente ela representa aproximadamente 55% da receita anual da companhia, tendo como base os últimos anos. Este ano não deve ser diferente”, afirmou o CFO. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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O dilema que todo investidor tem

(Liza Summer/Pexels)

Investimentos são feito de teses. Histórias que acreditamos e que vão se confirmar, ou não, no futuro.

Essas teses tem duas grandes vertentes: a história e o comportamento humano. Até a década de 1970, a grande maioria das teorias económicas eram baseadas em analises dos ativos no decorrer do tempo, com a ideia, que é bastante válida, de que o futuro não repete o passado, mas guarda grande similaridade com ele.

Com o desenvolvimento dos computadores e o aumento da capacidade de se analisar dados, começou a se notar que, para efeitos de mercado financeiro, isso não era suficiente. Então surgiram as teorias de finanças comportamentais, demonstrando que nossos comportamentos não são racionais.

Com base nisso, foram definidos os vieses comportamentais, aos quais todos nós, de uma forma ou de outra, estamos sujeitos. Um deles é o viés de inatividade ao ser exposto a muitas opções.

Em cripto, isso é uma constante. Com quase 12 mil tokens diferentes, muita gente acaba não entrando nesse mercado simplesmente por conta desse viés. Como não conseguimos analisar todos, ficamos sempre na dúvida de qual comprar, pois a chance de ter um que será melhor do que o que compraríamos é imensa.

Por outro lado, o FOMO (fear of missing out – medo de perder a oportunidade) faz com que compremos o que mais subiu e que, muitas vezes, tem uma relação de risco-retorno não favorável.

Existem várias formas de se tentar minimizar isso. Uma das que mais uso é focar nas teses de investimento e dar uma importância relativa menor ao preço no dia a dia. E, se formos ver as teses de investimento dos grandes investidores, elas passam um pouco por isso também.

Warren Buffett, por exemplo, investe em empresas com um olhar de longuíssimo prazo. Cathie Wood foca nas teses de inovação, também com um horizonte de longo prazo. E até Ray Dalio não foge muito disso. Todos analisam muito o passado para definir suas teses futuras. Desses três, eu diria que o Dalio é o que acaba tendo uma visão de investimentos de mais curto prazo.

Minha escola de investimentos de tesouraria e fundos no Brasil, infelizmente, sempre teve um olhar muito forte sobre resultados de curtíssimo prazo.

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O resultado mensal, a cota diária do fundo e por aí vai. Analisando hoje, vejo as inúmeras oportunidades perdidas por conta disso.

A indústria de fundos brasileira, especificamente, é uma que sofre muito disso e é afetada imensamente pela questão dos vieses comportamentais.

Mesmo com prazos de resgate cada vez maiores, D+60 ou mais para a maioria dos fundos de risco, o fato de terem cota diária acaba fazendo com que resgates em massa dos investidores em momentos ruins ocorram. Sabendo isso, os gestores impreterivelmente trabalham com um horizonte de investimentos de curto prazo.

Na minha forma de fazer investimentos, atualmente uso muito a ideia de ter uma grande parte deles em segurança (títulos públicos americanos ou até dinheiro parado em conta corrente) e uma outra parte, menor, em investimentos que são considerados de altíssimo risco.

Aqui, dou sempre o exemplo de um portfólio que tem 95% de títulos do tesouro brasileiro de curto prazo e 5% de Bitcoin, e outro que tenha 60% de títulos do tesouro brasileiro de curto prazo e 40% de Bolsa (Ibov). Qual é mais arriscado? Quem é mais agressivo?

Estatisticamente falando, o portfolio que detêm Bitcoin é mais conservador, já que para ele cair 5% em um mês, o Bitcoin tem que ir a zero, o que não ocorreu nos últimos 12 anos. Para o portfolio com Ibov ter a mesma queda, a Bolsa teria que cair 12,5%, o que já ocorreu algumas vezes na história.

O que importa é o percentual do ativo de alto risco no portfólio e não ele estar lá ou não.

Investir em ativos de altíssimo risco requer uma capacidade mental de não ser influenciado pelos movimentos de curto prazo. Aí entra a tese e, onde estão as grandes rentabilidades que alcançamos. Não ficar olhando a tela a todo o momento, sempre focar no que o movimento de curto prazo afeta a tese de investimento de longo prazo, e acima de tudo, ter confiança nessa tese, é essencial.

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Ainda mais quando falamos de cripto, que não só tem uma volatilidade imensa, mas também é 24/7.

Investir um percentual baixo em ativos de alta capacidade disruptiva e que sigam uma tese bem embasada de investimentos, muitas vezes com a história como um bom guia, é a melhor formula para fugir dos vieses comportamentais e rentabilizar os investimentos. Concorda? Qual sua tese de investimentos?

Videos interessantes sobre esse assunto:
Cathie Woods – Investing in disruptive innovation | SingularityU ExFin South Africa Summit – YouTube
Principles by Ray Dalio – YouTube

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“Quero expressar minha repulsa ao que aconteceu com a Renner. Não é fragilidade deles”, diz CEO da Marisa sobre ataque cibernético

SÃO PAULO — O ataque cibernético que sofreu a Renner (LREN3) nesta semana gerou “repulsa” ao CEO da Marisa (AMAR3), Marcelo Pimentel, que destacou que o chamado ransomware não foi fruto de fragilidade da concorrente e que todas as empresas estão vulneráveis a esse tipo de crime.

“Eu quero expressar aqui toda a minha repulsa ao que aconteceu com a Renner e dizer que isso não é uma fragilidade deles, é um problema dos criminosos. Todas as empresas estão vulneráveis. Somos competidores no high street, mas os respeitamos muito e sabemos o quanto eles trabalham com muita diligência neste contexto. Todo meu apoio a eles”, disse o executivo em live do InfoMoney na sexta-feira (20).

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Pimentel destacou que a Marisa tem trabalhado em segurança há muitos anos, com processos jurídicos de monitoramento. “No contexto de LGPD, nós também fizemos um esforço para ficar 100% compliant. (…) Você tem que ficar varrendo seu sistema constantemente porque é um mercado muito grande da parte criminal tecnológica. É prejudicial para a organização, mas também para o cliente”, afirmou.

Adalberto Pereira Santos, CFO da companhia, que também participou da live, comentou sobre o braço financeiro da Marisa, o MBank. “Estamos trabalhando na digitalização de todo o nosso portfólio de produtos e tudo isso já foi traduzido em nosso app. Hoje, via app, a contratação de serviços, a contratação de empréstimos e de seguros, essas operações são feitas de forma bem mais prática do que quando só eram feitas no mundo físico”, disse.

Os executivos falaram ainda sobre o impacto da pandemia sobre os negócios da empresa, o que retardou a virada de prejuízo para lucro no balanço, algo que agora só deve acontecer em 2022. Além disso, o plano de abertura de lojas que estava previsto para 2021 também deve ficar para o ano que vem. A Marisa, no entanto, planeja abrir dark stores para potencializar as operações das vendas online.

Segundo Pimentel, o objetivo estratégico da companhia estima que nos próximos cinco anos as vendas online possam chegar a 25% das vendas totais da marca. Hoje, são 15%. Por isso a empresa tem feito investimentos em tecnologia e inovação. As iniciativas se refletem no nível de satisfação dos clientes, medido pelo chamado NPS, que atingiu o maior valor da história da empresa.

O CEO descartou a possibilidade de um movimento de M&A (fusão e aquisição) no curto prazo e disse que em breve a companhia também deve colocar no ar um market place da mulher. “Nós estamos num posicionamento muito peculiar que a gente quer proteger muito. (…) Nós acreditamos que a Marisa está posicionada de uma forma única para atender a mulher brasileira de classe C, trabalhadora, que é a única [marca] que pode falar de mulher para mulher e avançar nos produtos oferecidos especificamente para ela”, disse. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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Smart Fit: depois do IPO, como a rede de academias encara alto desemprego, renda menor e variantes

SÃO PAULO – A Smart Fit (SMFT3) fez pesquisas internas que mostraram uma intenção de volta às academias. Mesmo assim, a maior rede de estabelecimentos do tipo no país está de olho em riscos como variantes do novo coronavírus, alto nível de desemprego e queda na renda do brasileiro.

Apostando na diversificação geográfica como estratégia, o grupo se prepara para uma retomada às academias na América Latina – que deve ser concretizada apenas em 2022.

O InfoMoney conversou com Edgard Corona, fundador e CEO do negócio, sobre o caminho até a oferta pública inicial de ações; o impacto da pandemia nos negócios; e planos após o IPO.

O caminho até o IPO

Ao todo, o grupo de academias acumula 2,8 milhões de clientes ativos em frentes presenciais e digitais. A primeira academia da Smart Fit foi aberta em 2009. Hoje, a marca acumula 981 unidades em 13 países da América Latina. O grupo é mais conhecido pelas academias de baixo custo, mas também conta com outras bandeiras. A primeira delas foi a rede de academias premium Bio Ritmo, fundada em 1996. Outro exemplo é a plataforma de streaming de atividades físicas Queima Diária, fundada em 2016.

O grupo de academias estreou no mercado acionário há pouco mais de um mês: as ações começaram a ser negociadas na B3 no dia 14 de julho. A oferta pública inicial de ações movimentou R$ 2,3 bilhões e os papéis tiveram valorização de quase 35% no primeiro dia, indo dos R$ 23 por ação definidos no prospecto para R$ 31. A ação encerrou em R$ 28 nesta sexta-feira (20).

Os planos de levar o grupo ao mercado acionário pública são de longa data, porém. Segundo Corona, as conversas com investidores começaram em 2012. A Smart Fit já tinha uma captação privada com o Pátria Investimentos. “Não era o momento de fazer um IPO. Mas tivemos reuniões e os investidores tomaram notas”, diz o CEO.

Em 2018, a ideia de um IPO voltou para a mesa. “Nossos investidores procuram uma saída, e sempre avaliamos qual era o momento de fazê-la. Mas naquele momento havia uma incerteza sobre qual preço iríamos alcançar, e a avaliação não atendia os fundos”, diz Corona. A Smart Fit voltou para as captações privadas: recebeu no ano seguinte aportes dos fundos Canada Pension Plan Investment Board e Dynamo.

“Recompomos nossa base de investimentos, com alguns saindo e outros entrando. Apresentamos também uma base sólida com nossos resultados entregues em 2018 e 2019. Provamos principalmente que as novas lojas apresentavam uma boa performance”, diz Corona.

Porém, 2020 foi marcado pela pandemia do novo coronavírus. A Smart Fit foi bastante impactada pelas restrições às atividades sociais. Na primeira onda da pandemia, a partir de abril de 2020, o grupo teve de suspender a operação das academias em nível nacional e por um longo período. Em 2021, a segunda onda provou um novo fechamento, mas desta vez em algumas regiões e por menos tempo.

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Durante o período, a Smart Fit diminui o ritmo de expansão de novas academias e fortaleceu seu caixa, com aumento de capital social no valor de R$ 500 milhões em dezembro de 2020. Por fim, investiu em canais de fitness digital, como o Queima Diária.

O IPO veio junto da expectativa de retomada do negócio após a pandemia. “Vimos como lugares com vacinação bem sucedida tiveram volta consistente e crescente das academias. Não sabíamos quando a vacinação ia acontecer por aqui, mas sabíamos que tínhamos unidades com boas estruturas e bons resultados. Em algum momento, a história vista no exterior iria se repetir no Brasil e na América Latina. Queríamos encher o tanque de combustível e preparar nossa expansão”, diz Corona.

O número de clientes estava em queda até junho deste ano, que teve alta de 4% no número de consumidores ante o mês anterior. Em julho de 2021, quando 100% das academias do grupo ficaram de portas abertas, houve nova alta de 4%. A ocupação atual das unidades está entre 60% a 70%, dependendo das condições de reabertura em cada cidade onde está a Smart Fit. Corona estima que a ocupação voltará a 82% em algum ponto de 2022. O número se baseia em uma pesquisa que a Smart Fit fez com ex-clientes neste mês: 82,3% dos consumidores respondeu que voltaria a treinar após ser vacinado, e colocou academia entre suas opções de local de treino.

“A despeito dos impactos negativos de curto prazo, acreditamos que, a longo prazo, a pandemia terá um impacto positivo no aumento da prática de exercícios físicos em busca de um estilo de vida mais saudável (…). De acordo com tendências de mercado, 71% dos brasileiros buscará fazer exercícios físicos após a pandemia, além de saúde, exercício e academias serem prioridades para os brasileiros em 2021”, escreveu a Smart Fit em seu prospecto. “Os players high value low price [serviço de alto valor agregado com preço acessível] têm recuperado sua base de clientes após a melhora da pandemia em países europeus, além de as projeções da Fitch Ratings indicarem que apenas esse segmento será capaz de retornar a níveis ‘pré-Covid’ em 2022.”

Recentemente, a concorrente Blue Fit também protocolou um pedido de IPO na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Criada em 2015 sob a marca Health Place, a Bluefit conta hoje com unidades próprias e franquias em 15 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Perguntado sobre diferenciais da Smart Fit, Corona ressaltou o grande número de clientes por loja, consistência do modelo de negócios e foco em musculação, exercícios cardiovasculares e ginásticas.

“Devemos ter 30% a 35% mais clientes por loja, além de um processo estruturado de formatação de unidades. Unificamos processos de atendimento, layout e aplicativo em quase mil lojas, e medimos métricas como recorrência e NPS. Também sou contra a grande diversidade de exercícios. Quando você coloca jiu jitsu e as pessoas não querem fazer, por exemplo, você ocupa muito espaço e gasta com treinamento do professor e indumentária específica. E nosso negócio é de faturamento por metro quadrado”, diz Corona.

Desemprego, pouca renda e variantes x internacionalização

Mesmo com o avanço da vacinação contra Covid-19, diversos países estão preocupados com o avanço das variantes do novo coronavírus, como a Delta. A Smart Fit está monitorando o avanço das mutações. “O maior impacto das variantes aparecem em grupos de pessoas que não tomaram nenhuma vacina. Sim, é uma preocupação.”

No Brasil, soma-se um contexto de alto desemprego e perda de renda. “Algumas regiões se beneficiaram da alta das commodities e não foram tão afetadas, como o Centro-Oeste. Em geral, porém, a renda do brasileiro não aumenta no mesmo passo da inflação e o desemprego de fato impacta na operação. Em 2009, cobrávamos R$ 69,90 por mês num plano Black. Hoje, cobramos R$ 109,90. Sabíamos que não dava para aumentar acompanhando a inflação, e que captaríamos mais gente dessa forma”, diz Corona. O CEO também enxerga um movimento de migração de consumidores de academias mais premium, assim como uma redução na oferta geral de academias por conta do fechamento de operações pequenas durante a pandemia.

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Uma forma de mitigar tais efeitos é diversificar a operação geograficamente. Hoje, mais de 40% da receita da Smart Fit está fora do Brasil. Corona estima que essa divisão fique meio a meio nos próximos anos. “A América Latina tem a característica de que uma hora um país está bem enquanto outro não está. Temos 13 alternativas, que permitem rebalanceamento de investimentos diante de um estoque disponível de imóveis.”

Planos de expansão

A Smart Fit considera que o mercado latino-americanos de academias tem baixa penetração e é fragmentado. Segundo seu prospecto, o mercado de fitness latino-americano cresceu a uma taxa anual média de 7,1% em número de clientes entre 2010 e 2019, chegando a 20,8 milhões de clientes. Naquele ano, a penetração do mercado de centros de exercícios no Brasil, no México e na Colômbia era de 4,9%, 3,3% e 2,1% respectivamente. Nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha essa mesma penetração era de 21,2%, 15,6% e 14,0%.

Segundo Corona, a Smart Fit detém hoje cerca de 15% do mercado brasileiro de academias, e 13% do mercado latino-americano. Essa participação deve crescer entre 2% e 3% ao ano com a abertura de novas lojas. Foram 53 unidades entregues no segundo trimestre de 2020, número que superou o total de academias abertas em 2020 (74).

“O plano apresentado é de abrir 200 unidades por ano. Mas estamos calmos no momento, não queremos ser taxativos. Temos capacidade de execução em condições normais de temperatura e pressão, mas imagina que vem uma terceira onda da pandemia”, reflete Corona.

Em receita líquida, a diferença entre os segundos trimestres de 2020 e de 2021 foi de 410%, indo de R$ 67 milhões para R$ 343 milhões. Vale lembrar que, no segundo trimestre de 2020, alunos da Smart Fit foram isentados do pagamento das mensalidades enquanto as academias estavam fechadas. Mesmo assim, os R$ 343 milhões ficaram abaixo dos R$ 372 milhões vistos no primeiro trimestre deste ano e dos R$ 386 milhões vistos no último trimestre de 2020. O terceiro trimestre deste ano deverá ter apenas períodos em que as academias ficaram de portas abertas.

O prejuízo no segundo trimestre ficou em R$ 175,2 milhões, ante R$ 272,2 milhões no mesmo período de 2020. No primeiro trimestre deste ano o prejuízo foi menor, ficando em R$ 144,7 milhões. Corona credita o prejuízo ao foco da Smart Fit em continuar expandindo seu número de academias.

A Smart Fit está usando a maioria dos recursos captados em sua estreia na bolsa, cerca de 70%, para expandir sua base de clientes na América Latina. Serão três frentes de investimento: amadurecer academias já inauguradas; aumentar o número de academias por crescimento orgânico; e aumentar o número de academias por aquisições.

Em termos de expansão orgânica, o grupo deve focar em abrir unidades nos 13 países em que já opera, como Brasil e México. Esses países representam 96,4% do mercado latino-americano, segundo o prospecto da Smart Fit. As unidades devem ser abertas em praças ainda não alcançadas pela companhia, ou próximas a unidades que tenham demanda suficiente para justificar outras academias.

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“O foco maior de crescimento continua em cidades de grande porte, com população acima de 1 milhão, e de médio porte, com população entre 300 mil e 1 milhão de habitantes. Um foco de crescimento para o futuro seriam cidades de pequeno porte, entre 100 e 300 mil habitantes, em que também há espaço para crescimento. A Smart Fit já está presente em 79% e 61% das cidades acima de 1 milhão de habitantes e entre 300 mil e 1 milhão de habitantes respectivamente”, disse o grupo em seu prospecto.

A companhia também disse que poderia se valer de aquisições pontuais, “caso identifique oportunidades interessantes para complementação de sua base atual de academias, mantendo a disciplina na seleção das empresas alvo e buscando principalmente a conquista de pontos comerciais atrativos, de maneira consistente e complementar ao vetor principal de crescimento orgânico”. A pandemia teria facilitado os termos de aquisições com outras academias, que depois têm seus imóveis convertidos para o padrão da Smart Fit. Corona negou rumores de mercado de que a Smart Fit estaria negociando a aquisição da Bodytech.

Outra frente de expansão é o investimento em fitness digital. A Smart Fit está focando especialmente na Queima Diária. O grupo vai inaugurar produtos e serviços em categorias como luta, dança e spinning; investir em melhoria das plataformas digitais; ampliar a estratégia de marketing digital; e expandir a operação da plataforma para o restante da América Latina.

O grupo Smart Fit fechou o segundo trimestre deste ano com 2,381 milhões de alunos nas academias e 435 mil alunos exclusivamente digitais. A frente virtual apresentou expansão de 15% sobre os números vistos no final de 2020.

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