Democratas trazem proposta de Orçamento de 2022 nos EUA com pacote de US$ 3,5 trilhões

(Getty Images)

Os senadores do Partido Democrata divulgaram nesta segunda-feira uma proposta de orçamento para o ano fiscal de 2022 nos Estados Unidos. O texto prevê um pacote de investimentos sociais de US$ 3,5 trilhões, com foco em educação e saúde. Também voltado para o combate à mudança climática, o documento menciona uma série de incentivos fiscais para a geração de energia limpa.

Esse novo pacote de gastos não tem apoio do Partido Republicano. Por isso, os democratas pretendem usar o dispositivo orçamentário chamado de “reconciliação” para aprovar o texto.

Dessa forma, o partido do presidente norte-americano, Joe Biden, conseguiria passar a legislação no Senado por maioria simples.

Normalmente, seriam necessários pelo menos 60 votos no Senado, mais da metade dos 100 assentos na Casa, para aprovar o projeto. Como não há apoio de parlamentares republicanos, portanto, não seria possível passar a medida sem a “reconciliação”. Isso porque os democratas têm 50 votos na Casa mais o voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris.

Desde a semana passada, o Senado analisa um pacote de infraestrutura de US$ 1 trilhão apresentado por Biden. Essa proposta, contudo, tem apoio bipartidário e a oposição participou, inclusive, da elaboração do texto.

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Áudio vazado de Trump esquenta eleição para o Senado na Geórgia: por que ela é tão importante para os EUA?

SÃO PAULO – O estado da Geórgia, no sul dos Estados Unidos, se tornou um dos centros de atenção de eleitores e do mercado nas eleições presidenciais em novembro, com o democrata Joe Biden vencendo o republicano Donald Trump em uma disputa bem apertada e que ajudou a definir o resultado final.

Porém, a corrida pelo Senado ganhou outra proporção exatamente por conta desse estado, que ganhou um raro segundo turno marcado para esta terça-feira (5). E o resultado tem poder para impactar toda a estrutura do futuro governo Biden.

Isso porque até a eleição, o democratas tinham a maioria da Câmara do Representantes (similar à Câmara dos Deputados no Brasil), enquanto o Senado era comandado pelos republicanos. Essa divisão entre as Casas é importante porque traz ponderação para o governo, já que um presidente não terá facilidade de passar qualquer projeto que quiser.

Com as chances de vitória de Biden, havia um grande temor da chamada “onda azul”, em que os democratas conseguiriam manter a Câmara e também assumiriam o Senado. Porém, a projeção de especialistas até novembro era de que a divisão no Congresso permaneceria.

Com o resultado do pleito, o Senado ficou dividido em 50 cadeiras para os republicanos, 46 para os democratas, dois independentes (que costumam votar com os democratas) e duas cadeiras vagas a serem definidas pelo segundo turno da Geórgia.

Se os democratas conseguirem vencer as duas cadeiras em disputa nesta terça, irão empatar com os republicanos no controle do Senado. Nos EUA, porém, quem decide as votações na Casa em casos de empate é o vice-presidente, que agora será Kamala Harris, deixando os democratas com o poder de decisão.

Após sua vitória, Biden decidiu também entrar na campanha para ajudar seu partido a ganhar essa disputa na Geórgia, o que tem elevado as chances de realmente os republicanos perderem o controle do Senado.

Para piorar, no último fim de semana, o caso envolvendo um áudio em que o presidente Donald Trump pede para que o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, “encontre 11.780 votos” a favor dele, virou mais um peso contra os republicanos.

Desde antes de Biden ser declarado vencedor da eleição, em 7 de novembro, Trump tem alegado que ocorreram diversas fraudes em vários estados americanos, mas até o momento nenhuma delas foi comprovada pela Justiça. Na conversa, publicada pelo Washington Post, Raffensperger rebate o presidente diversas vezes dizendo que os números em seu estado estão corretos.

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Todos os 50 estados americanos certificaram os seus resultados das urnas, o Colégio Eleitoral também já confirmou a eleição de Biden, enquanto o Congresso deve protocolar o democrata como novo presidente na próxima quarta-feira (6). Além disso, os tribunais dos EUA já rejeitaram 60 contestações da eleição.

Confira o que está em jogo na eleição para o Senado na Geórgia:

Por que ocorreu um 2º turno e quem está disputando?

As regras eleitorais nos EUA são de responsabilidade dos estados e na Geórgia é estipulado que um candidato precisa de 50% dos votos para vencer a disputa. Neste pleito, duas cadeiras estão em disputa e em nenhum dos casos houve alguém que atingiu esse percentual.

Em ambos os casos o cenário é de um republicano tentando a reeleição e um democrata como adversário. A primeira é do senador David Perdue contra Jon Ossoff, enquanto a segunda vaga é disputada pela senadora Kelly Loeffler contra o Reverendo Raphael Warnock.

Por que essa disputa é tão importante?

O Senado é controlado pelos republicanos desde 2014. Comandar a chamada câmara alta do Congresso é muito importante porque ela é decisiva para a aprovação de leis, nomeações de integrantes do governo e até da escolha de integrantes do Supremo Tribunal do país.

Se os democratas vencerem na Geórgia, as duas cadeiras extras darão a eles controle efetivo. Na teoria, existem atualmente 46 democratas e dois senadores independentes – Bernie Sanders e Angus King – mas eles normalmente votam com os democratas.

Portanto, em um empate de 50 a 50, a vice-presidente democrata Kamala Harris teria o voto decisivo, dando a vantagem para seu partido. Caso os republicanos consigam manter o controle do Senado, quem fica no comando é o líder da maioria, Mitch McConnell.

Como o resultado impacta o mercado?

Como destaca a equipe da XP Política em relatório, um Congresso dividido dificultaria o andamento de pautas mais arrojadas do Executivo. “Em vista disso, mercados tendem a se favorecer com uma vitória republicana no Senado”, apontam os analistas lembrando que democratas têm maioria na Câmara.

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Por outro lado, mesmo que os democratas consigam empatar o Senado, analistas apontam que não haverá uma certeza de que Biden terá vida fácil no Congresso.

“De todo modo, ressaltamos que mesmo na hipótese de uma maioria democrata, o governo Biden deve enfrentar dificuldades para aprovar propostas mais polêmicas diante do fato de uma parcela relevante de senadores, mesmo sendo democratas, figurarem como representantes de estados onde eleitores conservadores têm maior peso”, explicam. “Esse cenário torna mais provável o voto contrário a propostas de certos temas, como regulações ambientais e revisão de impostos”, .

Quem está na frente na disputa?

Um democrata não vence uma corrida para o Senado na Geórgia há décadas, o que torna essa eleição historicamente difícil para eles. Além disso, os dois republicanos ficaram na frente no primeiro turno, em novembro.

Por outro lado, Biden venceu a disputa presidencial no estado fazendo uma campanha voltada para os afro-americanos, que segundo o Censo de 2019 representam cerca de 32% da população da Geórgia.

As pesquisas mostram uma disputa acirrada nas duas corridas, mas analistas têm destacado o fato de os levantamentos não terem muita qualidade, deixando o pleito ainda mais incerto.

A votação começou de forma antecipada há algumas semanas e terminou no dia 1 de janeiro, período em que houve um recorde de 3 milhões de votos, o que equivale a 38,8% de todos os eleitores registrados no estado. O pleito presencial ocorre nesta terça-feira (5).

O vazamento do áudio de Trump pode impactar o resultado?

Não se sabe qual será o real impacto desse vazamento, mas já é possível ver uma mudança no humor, mesmo com as preocupações com a qualidade das pesquisas.

Segundo o agregador Five Thirty Eight, o democrata Jon Ossoff tem vantagem de 1,4 ponto percentual em uma das disputas o democrata Raphael Warnock está 2 pontos à frente na outra.

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Porém, a equipe da XP Política destaca que essas pesquisas não capturam o potencial efeito da notícia do vazamento da ligação de Trump. “O mercado de apostas, que já começa a refletir esse impacto, mostra aumento da chance atribuída a uma vitória democrata”, destacam os analistas. Segundo o site PredictIt, as chances de uma vitória de Warnock passaram de 0,54 para 0,61 entre o dia 31 de dezembro e 4 de janeiro.

Na mesma linha, Ossoff passou a liderar a disputa, com 0,54 de chance de vitória, contra 0,44 no dia 31 de dezembro. Ou seja, os dois candidatos democratas estariam hoje na liderança, segundo as apostas.

Apesar disso, a equipe da XP reforça que a Geórgia é um estado tradicionalmente republicano que, até 2020, não havia votado por um candidato democrata à presidente desde Bill Clinton em 1992. No ano passado, Biden venceu no estado por apenas 0,2%, ou 12.670 votos.

“Os conservadores têm um peso relevante na composição do eleitorado estadual e, por isso, uma vitória nas duas disputas não será nada fácil para os democratas”, conclui a XP.

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Os 3 cenários mais prováveis para a eleição dos EUA e como cada um irá impactar o mercado

(Reprodução)

SÃO PAULO – Apesar de pouco impacto no mercado financeiro por enquanto, a corrida eleitoral americana já começou e em apenas duas semanas já foi recheada de surpresas do lado democrata, que precisa definir quem será seu candidato a tentar tirar o posto de presidente de Donald Trump.

O que se viu neste início de primárias é que ainda existe uma grande divisão dentro dos democratas, com pelo menos quatro candidatos disputando a vaga (sem contar nomes que ainda não desistiram e a futura entrada de Michael Bloomberg).

Além disso, os resultados em Iowa e New Hampshire mudaram completamente a visão que existia até então para esta corrida eleitoral: o até então favorito Joe Biden começou mal e tem perdido muita força, enquanto o “esquecido” Pete Buttigieg mostrou que deve ser um dos principais concorrentes, praticamente empatando com Bernie Sanders na liderança dos pleitos que já ocorreram.

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Em relatório, a equipe de análise política da XP Investimentos (para conferir na íntegra, clique aqui) traçou três cenários possíveis para as eleições dos Estados Unidos, prevendo que a reação do mercado será forte e bem diferente a depender de qual deles se materializar.

Para o economista e analista político da XP, Victor Scalet, a primária de New Hampshire não só marcou mais uma decepção para Biden, como foi uma vitória para Sanders e Buttigieg. Porém, no caso deste último, ele diz que é importante observar se o candidato será capaz de conquistar um eleitorado mais diverso, como o dos de Nevada e South Carolina, próximos no calendário eleitoral.

De olho no cenário que está se formando após o início das primárias, a XP acredita em três possíveis cenários, em que Trump será o candidato republicano contra Sanders, Buttigieg ou Bloomberg. Confira como cada um pode impactar o mercado:

Cenário 1 – Trump contra Sanders (40% de chance de acontecer)

Segundo a XP, este é o pior cenário possível para os mercados, já que Sanders tem uma postura bastante intervencionista. Caso o senador consiga a indicação, a expectativa é que os setores de energia, tecnologia e assistência médica do S&P 500 sofram mais.

“As opiniões de Sanders sobre fracking [processo para extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo], preços de medicamentos prescritos e a participação da iniciativa privada no setor de seguros de saúde são muito problemáticas; e mesmo que algumas dessas visões sejam infactíveis, a mera menção a elas durante a campanha provavelmente gerará reações materiais do mercado”, afirma o relatório da XP.

Para os analistas, a chance de Sanders vencer nessa disputa é muito baixa, de menos de 10%, mas tem potencial para agitar o mercado, com o S&P caindo forte após a convenção democrata em junho, recuperando nos meses seguintes até a eleição por conta da chance de Trump vencer.

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Além disso, a XP avalia que o VIX (conhecido como índice do medo) ficará mais alto, o petróleo irá cair, enquanto o dólar deverá operar com mais força, ou seja, subindo mais, o que não é nada positivo para ativos emergentes e América Latina.

“Uma vitória de Sanders levaria os mercados financeiros mundiais ao caos virtual, independentemente da capacidade limitada que um presidente dos EUA tem de “implementar uma revolução”. Os preços de mercado devem se manter graças a verificações e balanços bem projetados no sistema político dos EUA”, diz a XP.

Cenário 2 – Trump contra Buttigieg (35% de chance de acontecer)

Por conta de uma posição mais de centro, o ex-prefeito de South Bend como candidato democrata seria positivo para os mercados, já que ele tem um posicionamento mais convencional sobre os mercados financeiros e economia.

Apesar disso, Trump também deve vencer neste cenário por conta da economia atual muito forte, “à primazia da juventude em relação à inexperiência’ de Buttigieg”. Além disso, a XP destaca que parte dos americanos ainda não se sentem à vontade com a orientação sexual de Buttigieg, “o que pode alienar alguns eleitores ou energizar alguns grupos de interesse religiosos que poderiam fazer campanha contra ele”.

No mercado, se esta for a disputa entre julho e novembro, a expectativa é que o VIX recue sobre o nível atual, enquanto o preço do petróleo subiria para a casa de US$ 60, ao passo que o dólar teria espaço para cair. “Além disso, os mercados de ações de emergentes provavelmente superarão os mercados dos EUA e a Europa deve ter melhor desempenho que os mercados dos EUA, por causa de avaliações mais atraentes”, afirma o relatório.

Cenário 3 – Trump contra Bloomberg (25% de chance de acontecer)

O cenário mais improvável também seria o mais positivo, segundo a XP, já que as opiniões de Bloomberg sobre negócios e economia são favoráveis ao mercado. “Bloomberg também tem grande consideração pelas questões ambientais, portanto, se eleito, suas visões mais intervencionistas provavelmente se concentrariam na regulamentação ambiental”.

Além disso, os analistas acreditam que o ex-prefeito de Nova York também é quem tem mais chance de derrotar Trump já que se tornaria uma opção para os republicanos moderados que estão desconfortáveis com algumas partes do atual governo.

Assim como no cenário anterior, caso esta seja a disputa eleitoral do segundo semestre, a XP acredita que o VIX e o dólar irão recuar, enquanto o petróleo deverá se valorizar, em um cenário positivo para emergentes e América Latina.

Para os analistas, se isso se comprovar, os mercados acionários de emergentes e da Europa deverão superar as bolsas americanas.

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