Movida e CS Frotas dão mais um passo para reorganização societária e fusão: qual o impacto para as companhias?

SÃO PAULO – A Simpar (SIMH3) propôs no final da última semana a incorporação da operação de aluguel de frotas da CS Brasil (CS Frotas) à Movida (MOVI3), em um movimento já antecipado pelo mercado. A nova etapa ocorre uma vez que que os Conselhos de Administração da Movida e da CS Participações aprovaram os documentos finais da reorganização societária, com o objetivo de integrar os negócios da Movida e da CS Frotas, conforme divulgado no dia 3 de fevereiro de 2021.

A incorporação de ações e documentos correlatos serão submetidos à aprovação dos acionistas da Movida e da CS Participações em assembleias convocadas para o próximo dia 26 de julho. De acordo com o documento, a reorganização representa a possibilidade de a Movida atuar no mercado de gestão de frotas (GTF) leves no setor público, atualmente explorada pela CS Frotas no âmbito do grupo Simpar. “A Movida, se implementada a reorganização, se tornaria a segunda maior companhia de GTF leves do Brasil”, diz o fato relevante.

A XP destaca que, embora já esperada (a intenção de incorporação foi anunciada em 21 de fevereiro), a transação potencial é positiva pois: (i) faz sentido estratégico para Simpar e Movida; e (ii) o valuation implícito parece justo também para ambos os grupos de acionistas. Assim, os analistas reiteram visão positiva para os ativos com recomendações de compra para ambas as ações Simpar e Movida, com preços-alvos respectivos de R$ 59 e R$ 23 por ação. Às 11h, os ativos SIMH3 subiam 1,25%, a R$ 55,15, enquanto MOVI3 avançavam 2,55%, a R$ 19,70.

Já o Bradesco BBI destaca que a Simpar continua a executar a estratégia de desbloquear valor. Além da criação de unidades de negócios independentes e da listagem da Movida, Vamos e JSL, a nova etapa com a venda do CS Frotas para a Movida deve ajudar a materializar o valor escondido na CS.

Os analistas destacam que em 25 de junho, a Simpar estava sendo negociada com um desconto de participação de 22%; com esta transação, o desconto de holding real é de 27%, acima do desconto justo de 15%. “Esperamos que esse desconto diminua em função da implementação bem-sucedida de sua estratégia de desbloquear valor e também da possibilidade de outras reestruturações societárias, que poderia ajudam a materializar o valor de ativos não cotados”, avaliam.

O BBI possui recomendação outperform para Movida, Simpar e Vamos (VAMO3), com preços-alvos respectivos de R$ 32, R$ 81 e R$ 70 para 2022.

O Safra avalia que, com a aquisição, acredita que a Movida está reforçando sua posição como um dos principais players no negócio de gestão de frotas no Brasil, o que aponta como mais promissor para o crescimento no curto prazo (somando-se à sua maior resiliência demonstrada durante a pandemia), principalmente considerando a ainda reduzida penetração de mercado (10,5% do total da frota corporativa no país).

Os analistas do Safra reforçam a recomendação de compra da Movida, avaliando como a favorita no setor, com preço-alvo de R$ 22,50.

A XP destaca que a CS Frotas é o sexto maior player de aluguel de frotas do Brasil (com cerca de 17 mil veículos) e concentra as operações de aluguel de frotas de veículos leves da Simpar para clientes do setor público e empresas de economia mista.

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A proposta consiste em incorporar a CS Frotas à Movida (terceira maior locadora de frotas do Brasil, com cerca de 52 mil veículos), criando assim, como já destacado, a segunda maior operação do Brasil.

“Saudamos principalmente duas ações da Simpar ao anunciar a proposta: (i) a decisão de aceitar a proposta e levá-la à assembleia de acionistas pelo conselho de administração da Movida foi tomada exclusivamente por membros independentes (com base em laudo terceirizado de fairness opinion); e o mais importante (ii) a Simpar concordou em acompanhar a maioria dos votos dos acionistas minoritários da Movida”, destacam os analistas.

Segundo os analistas da XP, faz sentido estratégico para a Movida já que (i) CS Frotas implica uma grande oportunidade de crescimento com redução de alavancagem (em linha com o foco da administração em crescer no aluguel de frotas organicamente e por meio de fusões e aquisições); (ii) os clientes do setor público são uma nova via de crescimento para a Movida (segmento em que atualmente possui contrato de não concorrência com a CS Frotas); e (iii) sinergias com a incorporação (entre R$ 35 milhões e R4 40 milhões por ano esperado pela administração em 5 anos).

Já para a Simpar, ela (i) se beneficiaria dos ganhos da Movida por meio de sua participação de controle (cerca de 55% hoje); (ii) aumentaria sua participação na Movida para cerca de 63% adicionando um colchão extra à sua posição de controle; e (iii) avançaria em sua estratégia de listar suas operações mais relevantes (considera-se IPO da CS Frotas, caso a operação não seja aprovada).

O Safra aponta que, com base nos números do primeiro trimestre, o negócio resultará em uma companhia que deve atingir faturamento de R$ 909 milhões, Ebitda de R$ 367 milhões e lucro líquido de R$132 milhões. As frotas das empresas somadas totalizam 151 mil veículos, sendo 70 mil na divisão de frotas.

“Com a combinação, a Movida terá acesso a um enorme mercado pouco penetrado e fragmentado na gestão de frotas públicas, com um mercado potencial de 600 mil veículos, aumentando o potencial de crescimento em negócios de gestão de frotas nos próximos anos”, avaliam os analistas do banco.

O Safra ainda ressalta que, se aprovada, a operação pode desbloquear valor para a nova empresa, que seria capaz de utilizar: i)sinergias da plataforma de carros usados da Movida, obtendo menores custos e maior preço pela venda via B2C (estimada em ganhos anuais de R$ 20 milhões); ii) redução do custo de implantação e manutenção (ganho anual estimado de pelo menos R$ 10 milhões ao ano); iii) melhorar a eficiência na alocação da frota, com uma base de ativos centralizada, aumentando o ROIC das empresas; e iv) aumentar a eficiência corporativa reduzindo despesas administrativas redundantes.

A transação, vale destacar, foi proposta por meio de uma troca de ações em que a Simpar receberia cerca de 0,17 novas ações emitidas pela Movida para cada ação da CS Frotas (cerca 63,4 milhões de ações da MOVI3). A relação de cerca de 0,17 vez proposta atualmente implica um valuation de cerca de R$ 1,2 bilhão para a CS Frotas (que compara com o valuation de cerca de R$ 1,4 bilhão da XP estabelecido para a CS Brasil ao final de 2021).

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(com Estadão Conteúdo)

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Futuro com veículos elétricos é boa notícia para mineradoras

(Bloomberg) – A incerteza do mercado sobre os metais que abastecerão os carros do futuro começa a diminuir.

O excesso de oferta e a pandemia de coronavírus afetaram as perspectivas de curto prazo para minerais usados na fabricação de baterias recarregáveis. Porém, novos compromissos de governos com o transporte ecológico na China e na Europa, bem como restrições à mineração e futuros investimentos, levam a um consenso crescente de que os mercados estão chegando ao fundo do poço.

Além disso, tecnologias de baterias continuam a ficar mais baratas, e há razões para otimismo “nos próximos anos, depois de superarmos a situação atual“, disse Chris Berry, presidente da consultoria House Mountain Partners.

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“A União Europeia, em particular, está essencialmente reconstruindo suas cadeias de suprimentos automotivos em torno de metais para baterias e incentivando a adoção de veículos elétricos“, disse Berry em entrevista por telefone. “Os chineses também restabeleceram o regime de subsídios para veículos elétricos.”

A exuberância sobre o futuro dos veículos elétricos levou a um excesso de oferta de metais como lítio e cobalto, fazendo com que os preços caíssem mais da metade em relação aos picos de 2018. Então, justo quando certo otimismo voltava aos mercados, a pandemia de coronavírus desacelerou a demanda e obscureceu as perspectivas de recuperação desses metais, bem como do níquel.

Embora as previsões de curto prazo tenham sido rebaixadas, as perspectivas de longo prazo continuam impressionantes. A BloombergNEF prevê que as vendas globais de veículos elétricos voltarão a crescer nos próximos anos, de 2 milhões no ano passado para 8,5 milhões em 2025, e para cerca de 26 milhões em 2030.

O mercado mundial de cátodo para baterias de íon-lítio, o tipo mais comum em carros recarregáveis, deve atingir US$ 58,8 bilhões até 2024 em relação aos US$ 7 bilhões em 2018, segundo relatório das Nações Unidas.

Com essas perspectivas, o maior produtor mundial de lítio espera uma virada do mercado até 2022.

A demanda “começa a voltar” com os preços à vista no piso agora, disse Kent Masters, novo diretor-presidente da Albemarle, em entrevista. A demanda “vai aumentar e usar esse excesso de oferta”. E, com o tempo, a demanda ultrapassará a oferta “e os preços mudarão drasticamente”, disse.

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