6 dicas para encontrar os melhores vídeos de finanças da internet

Texto de Daniel Haddad, profissional com 15 anos de experiência no mercado financeiro e que ganhou fama no twitter por compilar e compartilhar vídeos com conteúdos valiosos do mercado financeiro.


Meu hábito de assistir vídeos relacionados a negócios no YouTube começou em 2013, durante meu curso de MBA em NYU Stern. Percebi que aquele conteúdo que eu tinha acesso no campus não era restrito à sala de aula, já que vários professores publicavam suas palestras em plataformas de streaming gratuitas, na internet.

Não demorou para que eu me tornasse um consumidor ávido, dado que a gama de assuntos ia muito além daquilo que eu tinha acesso no MBA. O meu novo hábito rapidamente provou ser uma ferramenta poderosa e fui organizando uma lista de favoritos para meu controle pessoal.

Eu compartilhava os vídeos com amigos, que por sua vez compartilhavam reflexões interessantes e/ou me apresentavam outros vídeos. Ao longo desses anos minha lista foi expandindo (e segue aumentando a cada dia), resultando em uma videoteca constantemente atualizada, que posto no meu Twitter e Instagram.

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Dando um passo adiante, comecei a cortar os trechos que julgava mais interessantes e colocar legenda – facilitando pra quem tem interesse, mas pouco tempo para assistir – o que me permitiu alcançar uma base ainda  mais ampla de pessoas. Isso impulsionou um dos aspectos mais enriquecedores disso tudo: a troca de conhecimento.

Como acredito muito no poder do conhecimento compartilhado, caso tenha visto algum vídeo interessante, por favor, não deixe de me enviar uma mensagem pelo twitter ou instagram.

Abaixo compartilho 6 princípios que me nortearam e continuam norteando na criação/atualização da videoteca. Como o mercado americano tem sido meu foco de atuação e acredito que os brasileiros estejam mais familiarizados com os conteúdos produzidos localmente, utilizarei exemplos de conteúdos disponibilizados aqui nos EUA.

1) Aprenda com empreendedores/executivos de sucesso

É incrível a quantidade de lições que podem ser aprendidas com pessoas que tiveram sucesso.

Nessa palestra do Marc Randolph, um dos fundadores do Netflix, ele explica a história por trás da criação da companhia, usando um exemplo muito interessante da expedição de Shackleton. Nesse mesmo video, Marc apresenta uma série de dicas para startups. Uma verdadeira aula de empreendedorismo. Sensacional.

Nessa entrevista com o irmão, Jeff Bezos traz diversos insights bem bacanas como, por exemplo, o de que para inovar é necessário estar ciente de que muitos inicialmente vão lhe achar um idiota. E ele exemplifica com o episódio de quando criou a ideia dos reviews de livros (as famosas 5 estrelas que, posteriormente viraram padrão e hoje vemos em todo tipo de produtos).Naquela época, as editoras dos livros acharam a ideia ruim e sugeriram que só deixassem as opiniões positivas. E Bezos bateu o pé, dizendo que teria que ter todo tipo de opinião, já que seu objetivo era ajudar seu consumidor a fazer a melhor compra.

Outra passagem que me marcou nas entrevistas do Bezos foi quando ele explicou o porquê de ter saído de uma gestora de recursos, onde estava super bem, pra criar a Amazon: o famoso regret minimization framework. Basicamente, ele diz que pensa que quando estiver mais velho, quer olhar pra trás e ter minimizado ao máximo os arrependimentos que teve na vida. E acha que os maiores arrependimentos são aqueles que acontecem quando você deixa de fazer alguma coisa.

2) Procure pelos melhores professores do mundo. Certamente você vai achar ao menos uma aula.

A quantidade de informações disponíveis de graça na internet é impressionante. Existem diversos professores que disponibilizam as aulas completas na internet ou ao menos uma palestra sobre determinado tema.

O papa do valuation, Damodaran, por exemplo, disponibiliza no site dele 100% do material e dos vídeos das aulas que ele ministra em NYU Stern. É só entrar na página dele e ir na parte de “teaching/regular classes”.

As aulas do curso do prêmio Nobel de economia, Robert Shiller, de Financial Markets (2011) em Yale, estão todas disponíveis no YouTube. Dessas, eu gostei bastante de duas: (1) a que teve o David Swensen como convidado e (2) a que o Robert Shiller explica sobre Monetary Policy e a história dos bancos centrais no mundo.

Outros professores falam sobre temas específicos. Um que eu gosto de ver é o professor de Stanford, Tony Seba. O Tony faz a gente abrir bastante a cabeça com as previsões dele em relação a indústria de energia e transporte. Como por exemplo, se as pessoas deixarem de ser proprietárias de carros e só utilizarem quando necessário, via companhias de rideshare, qual o impacto que isso traria para o mercado de real estate, já que em muitas cidades, os estacionamentos tomam mais que 10% da área urbana?

Em inovação, vale citar o vídeo do Bill Barnett, professor de Stanford. É uma verdadeira aula sobre o tema e a dificuldade de empresas grandes inovarem.

Outro também bem legal é o Scott Galloway, que sempre traz provocações sobre as big techs.

3) Antes de ler um livro, veja uma apresentação do autor a respeito do tema.

Muitos autores falam sobre os livros que escreveram em palestras de 1 hora. Assim, você pode ver a palestra antes, e se gostar, comprar o livro e estudar o tema mais a fundo.

Steve Pinker, por exemplo, fala sobre seu livro e mostra uma série de gráficos onde conclui que o mundo hoje é muito melhor do que há décadas atrás, em diversas métricas. Num mundo em que somos bombardeados por notícias negativas, esse vídeo mostra bem como o mundo hoje é bem melhor. A partir do minuto 8, nesse link:

Clay Chirstensen, professor de Harvard que faleceu em 2020, tem diversos vídeos falando sobre os mais variados livros que escreveu. Todos best sellers. Nesse link por exemplo, ele fala sobre o livro Where Does Growth Come From?

James Robinson, Kai-Fu Lee e Yuval Harari são exemplos de outros autores de best sellers que possuem diversos vídeos na internet.

4) Veja documentários sobre empresas

Eu gosto de assistir documentários antigos de empresas porque além de entender como foram criadas e se tornaram bem sucedidas na época, muitas vezes aprendo como empresas líderes de mercado foram completamente disruptadas.

Por exemplo, assistir sobre a história da Sears mostra como ela foi pioneira no mundo do varejo e nos faz refletir sobre o porquê dela não ter conseguido seguir lider no mercado.

Certamente um dos documentários que mais me marcou foi o do Alibaba. Jack Ma, começou a filmar sua trajetória antes mesmo de criar a empresa. O documentário é uma viagem incrível no tempo de como o Alibaba foi criado e todas as dificuldades enfrentadas. Imperdível.

5) Aprenda com investidores de sucesso

Da mesma forma que no Brasil conseguimos aprender com investidores locais através de canais como o Stock Pickers, é possível também ter acesso a diversos investidores internacionais.

Aqui, não teria como não falar do Buffett e Munger. E nesse caso, não existe melhor acervo do que o site da cnbc:  Nele você encontra todos os vídeos das reuniões anuais da Berkshire Hathaway desde 1994, além das cartas, entrevistas e uma série de outras informações. Isso aqui sozinho já é um MBA a parte.

Além deles, você pode encontrar diversos tipos de investidores bem sucedidos em diferentes áreas, como public equities, private equity, venture capital etc. Por exemplo, Howard Marks, Seth Klarman, Bill Ackman, Naval Ravikant, Chuck Akre, Joel Greenblatt, Doug Leone, Jim Chanos, Terry Smith, dentre outros.

6) Tenha uma cabeça multidisciplinar

Por fim, acho que é sempre importante estudar sobre assuntos que possam afetar de alguma forma a performance do seu portfolio e que vai além dos números e das ciências exatas.

Por exemplo, em marketing, minha sugestão é o vídeo do Rory Sutherland, vice chairman da Ogilvy e autor de diversos livros sobre o tema. Nessa palestra ele mostra como pequenas e baratas mudanças podem fazer uma diferença enorme na decisão do consumidor.

Em negociação, Deepak Malhotra, professor de Harvard, traz nesse vídeo 22 simples dicas do que fazer .

Na área de comportamento humano, minha sugestão são dois vídeos. O primeiro é um documentário sobre experimentos feitos com seres humanos.

O segundo, é uma palestra do professor de Stanford, Ken Shots, sobre como somos afetados por incentivos. É incrível pensar como o  ambiente externo nos influencia sem darmos conta.

Por fim, caso queira ver algo mais motivacional, sugiro sempre os discursos de formatura. Esse aqui do Steve Jobs, por exemplo, é sensacional.

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Netflix ainda é imbatível, mas resultados das concorrentes começam a preocupar

streaming vídeo tv controle remoto (Shutterstock)

SÃO PAULO – Dois anúncios de resultados da última semana deixaram claro que a Netflix pode ter saído na frente, mas a disputa pela supremacia do nascente mercado do streaming ainda está longe de ter um vencedor.

Primeiro, o Google ofereceu pela primeira vez uma espiadela nos números do YouTube, algo que até então era mantido em segredo. Depois, a Disney revelou o crescimento espetacular de seu serviço de assinatura Disney+, lançado em novembro passado nos Estados Unidos (os brasileiros devem ter acesso ainda este ano). As duas notícias, mais o iminente lançamento do HBO Max, certamente foram examinadas com atenção em Los Gatos, a sede da Netflix.

Quando o Google adquiriu o YouTube, em outubro de 2006, a startup estava somente começando a fazer sucesso fora do círculo das pessoas ligadas nas últimas novidades. Muita gente ficou perplexa com o valor pago pelo Google: US$ 1,65 bilhão. Hoje, está claro que foi uma das maiores pechinchas da história da internet.

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O YouTube gerou US$ 15,1 bilhões em receitas no ano passado. A imensa maioria desse total corresponde a anúncios, e uma parte importante é repassada aos criadores de conteúdo.

Como o Google não discriminava o faturamento do YouTube em seus resultados financeiros, alguns analistas suspeitavam que o negócio fosse ainda maior. De qualquer modo, o YouTube é o terceiro maior negócio de mídia online do mundo, atrás apenas do Facebook (US$ 69,7 bi) e do próprio Google (119,7 bilhões).

YouTube e Netflix têm modelos de negócios muito diferentes. A Netflix investe na produção de séries e filmes próprios, além do licenciamento, e suas receitas vêm das assinaturas. O YouTube depende da programação criada por seus usuários, e as receitas vêm basicamente da publicidade. Mas ambas as empresas concorrem diretamente pela atenção dos consumidores – o dia tem apenas 24 horas, afinal de contas.

Apesar de YouTubers celebridades terem audiências cativas, em geral elas são muito focadas (ao contrário de séries que viram fenômenos culturais, como “Guerra dos Tronos” ou “Stranger Things”). Mas a popularidade desses criadores entre millennials e a geração Y sem dúvida aponta para um novo modelo de consumo de mídia: conteúdos “amadores” cada vez mais dividem espaço com produções profissionais de alta qualidade (e alto custo).

Concorrentes se aproximam

E, quando se fala de qualidade, um dos nomes mais confiáveis de Hollywood é a Disney. Nos primeiros resultados financeiros divulgados desde o lançamento do serviço Disney+, a empresa afirmou que o número de assinantes mais que dobrou nos três primeiros meses de operação.

O Disney+ atingiu 28,6 milhões de usuários pagantes desde a estreia, em novembro passado. E por enquanto o serviço está disponível apenas em cinco países (EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Holanda). O lançamento nos maiores mercados europeus está previsto para o final de março.

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“O lançamento do Disney+ foi um enorme sucesso e superou nossas expectativas mais otimistas”, disse o CEO da Disney, Bob Iger, na teleconferência com os analistas de Wall Street. Não é exagero. O Disney+ já é maior que o serviço HBO Now (a assinatura de streaming da HBO, que não inclui quem assina o canal por meio das operadoras de TV paga).

A Netflix, que hoje conta com 167 milhões de assinantes, levou cinco anos para atingir o mesmo número obtido pelo Disney+ em pouco mais de um trimestre.

Um dos motivos para o sucesso imediato da Disney no mundo do streaming é o catálogo. O Disney+ reúne animações clássicas (de “Branca de Neve e os Sete Anões” e “Fantasia” aos recentes “Rei Leão” e “Dumbo”, da era da computação gráfica), todos os universos Marvel e Star Wars e também 30 anos de “Os Simpsons”, sitcom animada que é um dos maiores sucessos da história da televisão.

E o preço agressivo — 7 dólares mensais, contra os 13 do plano mais popular da Netflix — também ajudou, é claro (ainda não foi divulgado o preço da assinatura no Brasil).

Competição

A realidade é que o mercado de streaming está ficando mais cada vez mais concorrido, e a Netflix terá uma tarefa cada vez mais complicada para defender a liderança no mercado que inventou.

Apesar das produções cada vez mais prestigiadas e estreladas – “O Irlandês”, com Robert De Niro e Al Pacino e direção de Martin Scorsese, concorre a 10 Oscars no domingo) –, competidores com história, como a Disney, e com experiência em TV de prestígio, como a HBO, vêm com apetite.

David Einhorn, do fundo de hedge Greenlight Capital, costuma apostar contra empresas na bolsa. Seu alvo da vez? A Netflix. “Estamos pessimistas em relação às perspectivas da Netflix há muito tempo, e usamos o salto da ação no final de 2019 para fazer um investimento mais substancial”, escreveu ele numa carta para seus clientes.

Einhorn menciona os custos crescentes para produzir conteúdo original, além do aumento da concorrência, principalmente nos Estados Unidos. Além do Disney+ e do Amazon Prime Video, a Apple lançou seu serviço de streaming no fim de 2019.

Em abril, a NBCUniversal vai lançar o Peacock; em maio, deve entrar no ar a versão reformulada da HBO por assinatura, batizada de HBO Max. “Nem todo cliente vai assinar todos os serviços”, escreve Einhorn.

Por enquanto, a presença global da Netflix – tanto em alcance geográfico como em produções originais de diversos países, em várias línguas – é imbatível.

Segundo os resultados financeiros mais recentes, a companhia amealhou 8,3 milhões de novos assinantes fora dos Estados Unidos no último trimestre do ano passado. Mas é inevitável que a concorrência também vá atrás do mercado global. Aguarde as cenas do próximo capítulo.

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