Volume do setor de serviços cai 4% em março frente fevereiro e volta a ficar abaixo do patamar pré-pandemia

Transportes e armazenagem de cargas crescem com aumento das exportações e das vendas do comércio online (Foto: José Fernando Ogura-AEN)

SÃO PAULO – O volume de serviços no Brasil caiu 4% em março na comparação com fevereiro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o setor voltou a ficar abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020. O resultado elimina boa parte do ganho do mês anterior, que foi de 4,6%, quando superou o nível pré-pandemia pela primeira vez.

De acordo com o consenso Refinitiv, a expectativa era de queda de 3,2% frente fevereiro e de alta de 3,4% ante março de 2020.

Na comparação com março de 2020, contudo, o setor teve alta de 4,5%, acima do esperado pelos investidores e após 12 taxas negativas seguidas. Isso aconteceu por conta da revisão de dados anteriores.

Já o fechamento do primeiro trimestre teve queda de 0,8% frente ao mesmo período de 2020. Com isso, o volume de serviços apresenta a quinta queda consecutiva nas comparações trimestrais. O acumulado nos últimos 12 meses é de -8%.

“O setor mostrava um movimento de recuperação desde junho do ano passado e chegou a superar o patamar pré-pandemia. Mas, com a queda em março, encontra-se 2,8% abaixo do volume de fevereiro do ano passado”, explica o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Três das cinco atividades investigadas na PMS tiveram queda, com destaque para o resultado de serviços prestados às famílias, que caiu 27%, a taxa negativa mais intensa desde abril de 2020 (-46,5%). Também contribuíram para o índice as quedas de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-1,9%) e de profissionais, administrativos e complementares (-1,4%).

Lobo explica que o resultado para essas atividades retrata o recrudescimento das medidas restritivas por conta do avanço da pandemia da Covid-19 no país. “Foram menos impactantes do que março de 2020, mas suficientes para fazer o setor de serviço recuar e voltar ao patamar pré-pandemia”, salienta o analista.

Regionalmente, pouco mais da metade (14 das 27) das unidades da federação teve queda no volume de serviços na passagem de fevereiro para março. Entre os locais com taxas negativas, o impacto mais importante veio de São Paulo (-2,6%), seguido por Distrito Federal (-6,1%), Minas Gerais (-1,6%), Santa Catarina (-3,4%) e Rio de Janeiro (-0,8%). Em contrapartida, o Mato Grosso do Sul (11,8%) registrou a principal alta.

Em comparação com março de 2020, o volume do setor de serviços cresceu 4,5% e interrompeu 12 taxas negativas seguidas neste indicador. O resultado deste mês apresentou alta em quatro das cinco atividades de divulgação e contou ainda com crescimento em 45,2% dos 166 tipos de serviços investigados.

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Influenciaram a alta os setores de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (8,8%) e os serviços de informação e comunicação (6,2%). Com menores impactos, outros serviços (7,3%) e profissionais, administrativos e complementares (0,7%) também tiveram contribuições relevantes.

(com Agência de notícias do IBGE)

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IBGE confirma indicação de Eduardo Rios Neto para a presidência do órgão

Eduardo Rios Neto (fonte: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou que o seu atual diretor de Pesquisas, Eduardo Rios Neto, foi indicado pelo Ministério da Economia para assumir a presidência do órgão.

“O IBGE confirma a indicação de Eduardo Luiz Gonçalves Rios Neto, pelo Ministro Paulo Guedes, à Presidência do IBGE. Rios Neto é o atual Diretor de Pesquisas do IBGE. Formado em Economia, Eduardo possui doutorado em Demografia e é professor titular aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Eduardo é membro da Academia Brasileira de Ciências e sempre foi servidor público como professor universitário”, informou o órgão, em nota à imprensa.

Rios Neto sucederá Susana Cordeiro Guerra, que teve sua exoneração publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 14, retroativa ao dia 12. Presidente do IBGE desde fevereiro de 2019, Susana cumpriu na sexta-feira passada, 9, seu último expediente à frente do instituto, conforme antecipou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Ela pediu demissão ao fim de março, no dia seguinte à aprovação no Congresso Nacional do corte de 96% no orçamento do Censo Demográfico previsto para ir a campo este ano.

Na ausência de Susana, a presidência foi assumida interinamente pela diretora-executiva do órgão, Marise Ferreira, servidora de carreira do IBGE há 37 anos. Formada em Direito, ela estava à frente da Diretoria-Executiva da instituição desde o ano passado.

O futuro presidente, Eduardo Rios Neto, foi empossado na diretoria de Pesquisas por Susana em 2019.

Formado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde foi pesquisador e professor, Rios Neto tem doutorado em Demografia pela Universidade da Califórnia em Berkeley e já presidiu a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), entre 1998 e 2002.

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Taxa de desemprego no Brasil vai a 14,1% em novembro, diz IBGE; número de desempregados é de 14 milhões

Carimbo de admissão ou demissão com carteira de trabalho (Gabriel Ramos/Getty Images)

A taxa de desemprego foi de 14,1% no trimestre encerrado em novembro de 2020, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (28) pelo IBGE. A taxa foi a mais alta para esse trimestre móvel desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Em relação ao trimestre encerrado em agosto (14,4%), o cenário é de estabilidade. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (11,2%), o aumento é de 2,9 pontos percentuais. O número de desempregados foi estimado em 14 milhões.

O número ficou praticamente em linha com o esperado. A estimativa, segundo consenso Refinitiv, era de queda de 14,3% no trimestre encerrado em outubro para 14%.

O número de pessoas ocupadas aumentou 4,8% no trimestre encerrado em novembro e chegou a 85,6 milhões. São 3,9 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre anterior. Com isso, o nível de ocupação subiu para 48,6%.

De acordo com a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, o crescimento da ocupação é explicado pelo retorno das pessoas ao mercado de trabalho após a flexibilização das medidas adotadas para combate da pandemia de Covid-19 e pela sazonalidade de fim de ano especialmente no comércio.

“O crescimento da população ocupada é o maior de toda a série histórica. Isso mostra um avanço da ocupação após vários meses em que essa população esteve em queda. Essa expansão está ligada à volta das pessoas ao mercado que estavam fora por causa do isolamento social e ao aumento do processo de contratação do próprio período do ano, quando há uma tendência natural de crescimento da ocupação”, explica.

O aumento na ocupação atingiu nove dos dez grupos de atividades observados na pesquisa, mas foi mais intenso no Comércio: mais 854 mil pessoas passaram a trabalhar no setor no trimestre encerrado em novembro. “O Comércio nesse trimestre, assim como no mesmo período do ano anterior, foi o setor que mais absorveu as pessoas na ocupação, causando reflexos positivos para o trabalho com carteira no setor privado que, após vários meses de queda, mostra uma reação”, ressalta.

A Indústria Geral (4,4%, ou mais 465 mil pessoas) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,6%, ou mais 427 mil pessoas) também se destacaram no aumento da população ocupada. “Além do Comércio, outras oito atividades econômicas investigadas pela pesquisa cresceram significativamente na ocupação, mostrando que esse processo de absorção de trabalhadores também avançou em outros setores, como Construção (8,4%, ou mais 457 mil pessoas), Transporte, armazenagem e correio (5,9%, ou mais 238 mil pessoas) e Alojamento e alimentação (10,8%, ou mais 400 mil pessoas)”, diz a pesquisadora.

A maior parte do crescimento da ocupação veio novamente do mercado informal. Um exemplo é o número de empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada, que cresceu 11,2%, somando agora 9,7 milhões. Com esse acréscimo, a taxa de informalidade chegou a 39,1% da população ocupada, o que representa 33,5 milhões de trabalhadores informais no país. No trimestre anterior, a taxa foi de 38%.

“Os trabalhadores informais foram os mais afetados no começo da pandemia e também foram os que mais cedo retornaram a esse mercado. A população informal nesse mês de novembro corresponde a cerca de 62% do crescimento da ocupação total e, no trimestre encerrado em outubro, respondia por quase 89% da reação da ocupação. Então, a informalidade passa a ter uma participação menor em função da reação da carteira de trabalho assinada”, explica.

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O contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada aumentou 3,1% (895 mil pessoas a mais) e agora soma 30 milhões. No mesmo período, a categoria dos trabalhadores domésticos aumentou 5,1% e agora é formada por 4,8 milhões de pessoas. Também houve crescimento de 1,4 milhão de pessoas no contingente de trabalhadores por conta própria, que chegou a 22,9 milhões. No entanto, se comparado ao mesmo período de 2019, essa categoria perdeu 1,7 milhão de pessoas.

“Embora haja esse crescimento na ocupação nesse trimestre, quando a gente confronta a realidade de novembro de 2020 com o mercado de trabalho de novembro de 2019, as perdas na ocupação ainda são muito significativas”, afirma Beringuy, que ressalta que atividades como Alojamento e alimentação, Serviços domésticos e o próprio Comércio ainda acumulam perdas anuais relevantes.

O contingente total de pessoas ocupadas no país caiu 9,4% na comparação com o trimestre encerrado em novembro de 2019, o que representa uma redução de 8,8 milhões de pessoas. “O avanço da ocupação é significativo, tanto em aspectos quantitativos quanto qualitativos, uma vez que vimos o crescimento da população com carteira assinada e a sua disseminação por diversas atividades. Mas a gente ainda está bem distante de um cenário pré-pandemia”, completa.

A pesquisa também apontou que a população fora da força caiu 3,4%, uma retração de 2,7 milhões de pessoas quando comparada com o trimestre anterior. Já em relação ao mesmo período de 2019, o contingente cresceu 17,3%, ou 11,3 milhões de pessoas a mais.

Também houve redução na força de trabalho potencial, que inclui pessoas que não estavam nem ocupadas nem desocupadas, mas que possuíam potencial para se transformar em força de trabalho. Esse grupo caiu 15,8% frente ao trimestre anterior, o que representa uma redução de 2,1 milhões de pessoas.

Subgrupo de pessoas da força de trabalho potencial, os desalentados foram estimados em 5,7 milhões, ficando estável em relação ao último trimestre. Se comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, quando havia no país 4,7 milhões de pessoas desalentadas, houve um crescimento de 22,9%.

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Inflação medida pelo IPCA sobe 0,86% em outubro, em linha com o esperado pelos economistas

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,86% em outubro na comparação com setembro, mostrou nesta sexta-feira (6) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o maior resultado para um mês de outubro desde 2002 (1,31%).

A expectativa era de alta de 0,84% na base mensal, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, contra 0,64% na leitura anterior; no comparativo anual, a projeção era de alta de 3,9% após avanço de 3,14% na medição anterior.

No ano, o indicador acumula alta de 2,22% e, em 12 meses, de 3,92%, acima dos 3,14% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2019, a variação havia sido de 0,10%.

A maior variação (1,93%) e o maior impacto (0,39 p.p.) no índice do mês vieram do grupo Alimentação e bebidas, que desacelerou em relação a setembro (2,28%). Houve altas em outros sete grupos. O segundo maior impacto (0,24 p.p.) veio dos Transportes (1,19%), enquanto a segunda maior variação veio dos Artigos de residência (1,53%), que contribuíram com 0,06 p.p. no resultado geral. Outro destaque no lado das altas foi o grupo Vestuário (1,11%), que acelerou frente a setembro (0,37%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,04% em Educação e a alta de 0,36% em Habitação.

A desaceleração observada no grupo Alimentação e bebidas (1,93%) ocorreu principalmente em função de altas menos intensas em alguns alimentos para consumo no domicílio (2,57%), como o arroz (13,36%) e o óleo de soja (17,44%). As variações no mês anterior haviam sido de 17,98% e 27,54%, respectivamente.

Por outro lado, a alta no preço do tomate (18,69%) foi maior que em setembro (11,72%) e itens cujos preços haviam recuado no mês anterior, como as frutas (-1,59%) e a batata-inglesa (-6,30%), registraram alta em outubro (de 2,59% e 17,01%, respectivamente). No lado das quedas, destacam-se a cebola (-12,57%), a cenoura (-6,36%) e o alho (-2,65%).

A alimentação fora do domicílio passou de 0,82% em setembro para 0,36% em outubro, influenciada principalmente pelas altas menos intensas da refeição (0,41%) e do lanche (0,42%), que haviam subido 0,66% e 1,12%, respectivamente, no mês anterior.

No grupo dos Transportes (1,19%), a maior variação veio das passagens aéreas (39,83%), que contribuíram com 0,12 p.p. no IPCA de outubro, maior impacto individual no índice do mês. Houve alta nos preços das passagens em todas as regiões pesquisadas, que foram desde os 21,66% de Porto Alegre até os 49,71% de Curitiba. A segunda maior contribuição no grupo (0,04 p.p.) veio da gasolina, cujos preços subiram 0,85%, desacelerando em relação à alta de 1,95% observada no mês anterior. Outro destaque foi o seguro voluntário de veículo, com aumento de 2,21%, após sete meses consecutivos de quedas.

A segunda maior variação em outubro veio dos Artigos de Residência (1,53%), cuja alta foi influenciada, principalmente, pelos eletrodomésticos e equipamentos (2,38%), que aceleraram frente a setembro (0,47%) e contribuíram com 0,02 p.p. no índice do mês. Também houve aceleração nos itens cama, mesa e banho (de 0,82% para 1,92%), mobiliário (de 1,10% para 1,55%), consertos e manutenção (de 0,47% para 1,30%) e utensílios e enfeites (de 0,46% para 0,72%). Os preços dos artigos de tv, som e informática (1,07%) também subiram, mas desaceleraram frente a setembro (1,99%).

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O grupo Vestuário (1,11%) teve alta pelo segundo mês consecutivo, acelerando em relação a setembro (0,37%). As joias e bijuterias subiram 1,98% e acumulam no ano alta de 13,66%. Os preços das roupas masculinas (1,76%), femininas (0,79%) e infantis (1,00%) também subiram, bem como os dos calçados e acessórios (0,78%).

Em Habitação (0,36%), o maior impacto no índice do mês (0,01 p.p.) veio do gás de botijão (1,27%). O resultado da energia elétrica, por sua vez, ficou em 0,03%, com as áreas variando entre os -2,71% de São Luís até o 1,55% de Porto Alegre. Houve reajustes ou reduções tarifárias em três regiões: Brasília (-0,44%): redução de 0,63%, vigente desde 22 de outubro; Goiânia (0,45%): reajuste de 2,57%, válido desde 22 de outubro; e São Paulo (-0,21%): reajuste de 3,87% em uma das concessionárias, em vigor desde 23 de outubro. Em São Paulo, apesar do reajuste tarifário, houve redução na alíquota de PIS/COFINS em uma das concessionárias pesquisadas, o que fez com que o resultado da área tenha ficado negativo.

Ainda em Habitação, cabe mencionar também a variação positiva da taxa de água e esgoto (0,29%), que reflete o reajuste de 5,88%, a partir de 1º de outubro, nas tarifas de uma das concessionárias de Porto Alegre (2,70%).

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Inflação medida pelo IPCA sobe 0,64% em setembro, acima do esperado pelos economistas

Gráfico (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu a 0,64% em setembro na comparação com agosto, mostrou nesta sexta-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o maior resultado para um mês de setembro desde 2003 (0,78%).

O número também ficou acima do esperado pelo mercado. A projeção mediana dos economistas consultados pela Bloomberg era de um avanço de 0,54% na comparação mensal, ante dado anterior de 0,24%, e alta de 3,04% na comparação mensal.

No ano, o indicador acumula alta de 1,34% e, em 12 meses, de 3,14%, acima dos 2,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2019, a variação havia sido de -0,04%.

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A maior variação (2,28%) e o maior impacto (0,46 p.p.) no índice do mês vieram do grupo Alimentação e bebidas, que acelerou em relação a agosto (0,78%). Houve altas em outros seis grupos, com destaque para Artigos de residência (1,00%), Transportes (0,70%) e Habitação (0,37%). O grupo Vestuário, após quatro meses em queda, também apresentou alta (0,37%) contribuindo com 0,02 p.p. para o resultado de setembro.

No lado das quedas, o destaque foi Saúde e cuidados pessoais (-0,64%), com impacto de -0,09 p.p. Os demais grupos ficaram entre o recuo de 0,09% em Educação e a alta de 0,15% em Comunicação.

A aceleração no grupo Alimentação e bebidas (2,28%) ocorreu especialmente em função dos alimentos para consumo no domicílio, cujos preços subiram 2,89% frente a agosto. Entre as maiores variações, estão o óleo de soja (27,54%) e o arroz (17,98%), que acumulam no ano altas de 51,30% e 40,69%, respectivamente. Em conjunto, os dois itens contribuíram com 0,16 p.p. no IPCA de setembro.

Os preços de outros produtos importantes, como o tomate (11,72%), o leite longa vida (6,01%) e as carnes (4,53%) também subiram. No lado das quedas, os destaques foram cebola (-11,80%), batata-inglesa (-6,30%), alho (-4,54%) e frutas (-1,59%).

A alimentação fora do domicílio, que havia caído 0,11% em agosto, subiu 0,82% em setembro, influenciada pela alta nos preços do lanche (1,12%) e da refeição (0,66%).

A segunda maior variação no índice do mês veio dos Artigos de Residência (1,00%), cuja alta ocorreu principalmente por conta dos itens TV, som e informática (1,99%) e mobiliário (1,10%). Este último, apesar de alta observada no mês, acumula queda de 8,73% no ano.

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Os preços dos Transportes (0,70%) subiram pelo quarto mês seguido, embora tenham desacelerado em relação a agosto (0,82%). A gasolina, com alta de 3,22% em agosto, subiu 1,95% em setembro, contribuindo com 0,09 p.p.

Quanto à gasolina, as localidades pesquisadas apresentaram variações desde a queda de 6,04% em Salvador até a alta de 4,21% em Fortaleza. Os preços do óleo diesel (2,47%) e do etanol (2,21%) também subiram, enquanto os do gás veicular caíram 3,16%.

Ainda em Transportes, outro destaque foram as passagens aéreas, com alta (6,39%) após quatro meses consecutivos de variações negativas. No lado das quedas, ressalta-se o recuo de 2,73% no seguro voluntário de veículo, que acumula no ano queda de 11,86%.

Em Habitação (0,37%), o maior impacto no índice do mês (0,02 p.p.) veio do gás de botijão, cujos preços subiram 1,61%. Já a maior variação veio do tijolo (4,67%), que acumula no ano alta de 22,32%. Destacam-se também a alta da taxa de água e esgoto (0,56%), por conta do reajuste de 3,40% nas tarifas de São Paulo (1,91%), vigente desde 15 de agosto, e a queda do gás encanado (-0,85%), em virtude de duas reduções: em Curitiba (-6,39%), redução de 8,88% a partir de 19 de agosto; e Rio de Janeiro (-0,54%), redução de 5,16% a partir de 1° de agosto.

Ainda em Habitação, a energia elétrica (0,07%) teve ligeira alta em setembro, com variações que foram desde a queda de 1,76% em Belo Horizonte até a alta de 3,41% em Campo Grande, onde a alíquota de PIS/COFINS aumentou. Destacam-se, ainda, os reajustes de 5,93% em Vitória (0,40%) e de 2,86% em Belém (-0,09%), ambos vigentes desde 7 de agosto. Em São Luís (-0,72%), houve redução de 0,31% nas tarifas, desde 28 de agosto.

O grupo Vestuário (0,37%) subiu em setembro, após a queda de 0,78% observada em agosto. Contribuíram para isso os calçados e acessórios (0,56%) e as roupas masculinas (0,58%), ambos com impacto de 0,01 p.p. As joias e bijuterias (1,22%) seguem em alta, embora tenha havido desaceleração em relação ao mês anterior (2,32%). O único item em queda foi roupa feminina (-0,11%).

A queda (-0,64%) e a contribuição negativa (-0,09 p.p.) do grupo Saúde e cuidados pessoais foram as mais intensas sobre o IPCA de setembro. Isso se deve ao item plano de saúde (-2,31%), que contribuiu com -0,10 p.p. Em 21 de agosto, por ocasião da 16ª Reunião Extraordinária de Diretoria Colegiada, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu suspender até o fim de 2020 os reajustes dos planos de saúde. Com isso, todo o fator apropriado antecipadamente em maio, junho, julho e agosto, referente ao reajuste que seria anunciado em julho deste ano, foi descontado no IPCA-15 de setembro e replicado para o IPCA de setembro, conforme disposto na nota técnica 03/2020.

Os índices das 16 regiões pesquisadas apresentaram alta em setembro. O menor resultado ficou com a região metropolitana de Salvador (0,23%), por conta da queda nos preços da gasolina (-6,04%). Já o maior índice foi do município de Campo Grande (1,26%), em função da alta das carnes (6,63%), da gasolina (2,69%) e da energia elétrica (3,41%).

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Taxa de desemprego sobe para 11,6% no trimestre até fevereiro e atinge 12,3 milhões, aponta IBGE

(Wikimedia Commons)

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a taxa de desemprego no país subiu para 11,6% no trimestre móvel encerrado em fevereiro, atingindo 12,3 milhões de pessoas.

O aumento, na comparação com o trimestre terminado em novembro (11,2%), significa a interrupção de dois trimestres seguidos de quedas estatisticamente significativas no desemprego.

Porém, a taxa teve queda na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro de 2019, quando estava a 12,4%.

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“É normal que no início do ano ocorra essa interrupção, porque já vínhamos numa trajetória de taxas declinantes no fim do ano. Não tínhamos visto essa reversão em janeiro, no entanto, ela veio agora no mês de fevereiro, provocada por uma queda na quantidade de pessoas ocupadas e um aumento na procura por trabalho”, disse a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

Adriana observa, ainda, que o aumento na desocupação não veio do comércio, setor que, tradicionalmente, costuma demitir no início do ano os profissionais contratados temporariamente para o Natal. Desta vez, a alta na taxa foi puxada pelos setores de construção (-4,4%), administração pública (-2,3%) e também pelos serviços domésticos (-2,4%).

“A construção não sustentou o movimento de recuperação que ela vinha apresentando no fim do ano passado. Já a administração pública tem uma sazonalidade, pois ela dispensa pessoas no fim e no início do ano em função de términos nos contratos temporários das prefeituras, nas áreas de educação e saúde, retomando as contratações a partir de março, após a aprovação dos orçamentos municipais. O serviço doméstico está muito ligado ao período de férias das famílias, as dispensas das diaristas, já que muitas famílias viajam, interrompendo a demanda por esse serviço”, avalia Beringuy.

Já a taxa de informalidade caiu de 41,1% no trimestre de setembro a novembro de 2019 para 40,6% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, mais ainda representando um total de 38 milhões de informais. Nesse grupo estão os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem CNPJ, os conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

De acordo com Adriana, essa queda da informalidade está concentrada na redução de contingentes de trabalhadores por conta própria sem CNPJ e também de trabalhadores empregados sem carteira.

“A gente ainda vive sob a influência do mês de dezembro, em que tivemos um desempenho muito bom das contratações com carteira trabalho. Muitas pessoas foram contratadas via carteira de trabalho no comércio, o que deu um pouco mais de consistência aos dados de formalidade. Isso pode estar contribuindo para a queda na quantidade de informais”, avaliou ela. Outro reflexo da queda da informalidade foi o aumento no rendimento, que subiu para R$ 2.375, alta de 1,8% no trimestre encerrado fevereiro, frente ao trimestre anterior.

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(com Agência IBGE)

IPCA-15 sobe 0,02% em março, o menor valor para o mês desde o início do Plano Real

Mulher segurando cesta de supermercado enquanto escolhe alguns itens da prateleira (Shutterstock)

A taxa de 0,02% registrada em março pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real. No mês de março de 2019, o IPCA-15 tinha sido de 0,54%.

Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses passou de 4,21% em fevereiro para 3,67% em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado do IPCA-15 de março ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, do sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que esperavam desde uma queda de 0,04% a um avanço de 0,19%, com mediana positiva de 0,07%.

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Com o resultado agora anunciado, o IPCA-15 acumulou um aumento de 0,95% no ano de 2020.

Inflação medida pelo IPCA acelera em dezembro e fecha 2019 em 4,31%, acima do centro da meta

SÃO PAULO – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro subiu 1,15% na comparação mensal. Este foi o maior resultado para um mês de dezembro desde 2002, quando o IPCA ficou em 2,10%. Considerando todos os meses, o IPCA de dezembro foi o mais elevado desde junho de 2018, quando a greve de caminhoneiros levou o índice a um avanço de 1,26%.

A expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg era de um avanço para 1,08% em dezembro na comparação  mensal, depois de ter ficado em 0,51% na medição anterior.

No ano, o IPCA subiu 4,31%, levemente acima do centro da meta do Conselho Monetária Nacional (CMN) de 4,25%. Para o ano, a projeção Bloomberg era de alta de 4,24%.

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A inflação ficou acima do centro da meta, mas dentro do limite de variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Pela meta estabelecida, a inflação poderia ficar entre 2,75% e 5,75%.

O índice, que é o medidor oficial de inflação acompanhado pelo Banco Central, foi divulgado nesta sexta-feira (10), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A maior pressão na inflação em dezembro veio das carnes, que tiveram alta de 18,06% na base mensal, que contribuiu com o maior impacto individual no IPCA de dezembro (0,52 p.p.).

O IPCA de 2019 foi o maior desde 2016, quando a inflação foi de 6,29%.

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Ibovespa Futuro supera os 118 mil pontos e dólar cai para 4,04 com desemprego abaixo do esperado e dados da China

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O rali de fim de ano segue ditando o rumo da bolsa brasileira, que caminha para renovar novo recorde histórico no penúltimo pregão do ano na esteira de dados positivos da produção industrial chinesa e de uma taxa de desemprego menor do que a esperada no Brasil.

Às 9h09 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em fevereiro de 2020 registrava alta de 0,42%, a 118.220 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento em janeiro tinha queda de 0,41%, a R$ 4,04. A moeda comercial, por sua vez, tinha baixa de 0,48%, a R$ 4,043.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego fechou em 11,2% no trimestre encerrado em novembro, caindo em comparação com o trimestre anterior, quando a taxa foi de 11,8%, e em relação ao mesmo trimestre de 2018 (11,6%). A estimativa era de que o desemprego caísse a 11,4%, segundo mediana da Bloomberg.

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A pesquisa não usa só os trimestres tradicionais, mas períodos móveis (como fevereiro, março e abril; março, abril e maio etc.).

No cenário internacional, as companhias do setor industrial da China voltaram a registrar crescimento no lucro em novembro, em linha com a recuperação da produção das fábricas, conforme as políticas do governo começam a fazer efeito. O lucro industrial teve crescimento de 5,4% em novembro, na comparação anual, a 593,9 bilhões de yuans (US$ 84,9 bilhões), segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas.

Em outubro, o lucro industrial havia tido queda de 9,9% na comparação anual. Nos primeiros 11 meses de 2019, o lucro industrial na China registrou recuo de 2,1% ante igual intervalo do ano passado.

O maior ânimo também ocorre em meio a um amplo clima positivo de risco nos mercados globais, com as ações americanas
em níveis recordes e commodities em alta.

Os futuros de Nova York operam em alta na manhã desta sexta-feira, após os três principais índices de Wall Street terem batido recordes na jornada de ontem, com o Nasdaq fechando acima de 9.000 pontos pela primeira vez. As bolsas da Ásia fecharam mistas, embora Hong Kong tenha avançado 1,3% na volta do feriado de Natal. A percepção do mercado é que Estados Unidos e China assinarão a primeira fase do acordo comercial no início de janeiro.

Enquanto isso, os juros futuros não registram direção definida, com o contrato com vencimento em janeiro de 2021 em alta de 1 ponto-base, a 4,59%, enquanto o de janeiro de 2023 está estável a 5,86%.

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Vale destacar o dado do IGP-M, da FGV, que subiu 2,09% em dezembro, ante 0,30% em novembro. A alta ficou em linha com estimativa de 2,11% compilada pela Bloomberg; de janeiro a dezembro de 2019, índice acumulou alta de 7,30%. A pressão das carnes bovinas seguiu presente em vários estágios; no Índice de Preços ao Consumidor, que subiu 0,84%, o item carnes bovinas passou de 3,76% para 18,03%.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais na última quinta-feira, Bolsonaro afirmou que, apesar da reclamação da população não vai tabelar o preço da carne, porque é a favor do livre mercado.

“É acomodação. Tivemos lá atrás crise de outros alimentos, do tomate, do feijão, devagar o mercado vai se acertando. O pessoal dizendo que o preço do boi subiu porque o dólar estava R$ 4,26, agora tá R$ 4. Outros países estão comprando? Estão, estão fazendo negócio. A questão do pecuarista é isso, passaram 9 anos no zero a zero, perdendo, conseguiram dar uma recuperada agora”, afirmou.

Vendas de Natal 

As vendas de Natal tiveram crescimento de 9,6% em 2019, informa a Alshop, Associação de Lojistas de Shopping centers. Foi o melhor desempenho do varejo brasileiro na data desde 2014, quando começou a recessão, que afetou as vendas do comércio até 2018.

O presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, disse ao jornal Valor Econômico desta sexta-feira que a queda na inflação e na taxa de juros, no decorrer do ano, bem como a lenta retomada no nível de emprego – mesmo que informal – contribuíram para o aumento nas vendas. Sahyoun disse que os shoppings brasileiros tiveram um faturamento bruto de R$ 168,2 bilhões em 2019, uma expansão de 7,5% sobre o ano passado e acima da projetada, que era de 5%.

Noticiário corporativo

A MRV Engenharia aprovou a incorporação da sua subsidiária MDI Desenvolvimento Imobiliário na empresa matriz, uma operação avaliada pela construtora mineira em R$ 685 milhões e que demandará a emissão de 37,2 milhões de ações ordinárias.

A BRF comunicou ontem que contratou uma linha de crédito rotativo no valor de R$ 1,5 bilhão com o Banco do Brasil. Já a Construtora Rossi Residencial, da capital paulista, informou que chegou a um acordo com o Bradesco para liquidar em 180 dias sua dívida de R$ 800 milhões com o banco. A Rossi informou que o débito representa 70% do seu endividamento e que sua solução permitirá à empresa se capitalizar para lançamentos a partir de 2020.