“Tempestade perfeita” derruba cenário de crescimento econômico para 2022

grafico (Getty Images)

Inflação e juros em alta, desemprego, dólar caro, crise hídrica, conflitos institucionais, atropelo nas votações de projetos do Congresso e novos riscos fiscais. A “tempestade perfeita” dos últimos dias obrigou economistas e investidores a reverem suas estimativas para o crescimento da economia no próximo ano para o mesmo patamar baixo comum nos anos pré-pandemia, abaixo de 2%.

Enquanto a população sente os efeitos da deterioração da economia no bolso e reclama da alta dos preços do gás de cozinha, da gasolina, da conta de luz e dos alimentos, o mercado parece estar caindo na real.

O Estadão aponta os principais problemas que azedaram o humor e por que o Brasil segue com risco de ter mais um crescimento estilo “voo de galinha”, depois da retomada mais rápida da crise econômica provocada pela pandemia da covid-19, sem aproveitar todo o potencial do ciclo de commodities (produtos básicos, como alimentos e minério de ferro) que bombou as exportações.

A aceleração da inflação está obrigando o Banco Central a ser mais duro na alta dos juros e esfriar a economia, comprometendo o crescimento do PIB em 2022. O cenário internacional também ficou menos favorável. No front doméstico, a crise política entre os poderes se acirra, elevando a percepção de risco de populismo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro para recuperar a popularidade e chegar em 2022 com chances de se reeleger.

“Podemos ter um momento melhor no curto prazo, um ano um pouco melhor, mas a perspectiva é de um País medíocre”, diz o presidente do Insper, Marcos Lisboa, que se diz assustado com a tramitação dos projetos no Congresso: a reforma do Imposto de Renda e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos do precatórios, dívidas judiciais que a União é obrigada pela Justiça a quitar. A aprovação desses projetos é chave para Bolsonaro porque, sem eles, será mais difícil para o governo anunciar um benefício elevado do novo Bolsa Família para impulsionar a campanha eleitoral, sem mudar as regras fiscais. “O governo faz grandes anúncios e, quando se vai ler os projetos, eles decepcionam e, em muitos casos, assustam”, diz.

A PEC dos precatórios reabriu a discussão sobre a quebra do teto de gastos (regra que controla a alta das despesas) e trouxe de volta o fantasma da contabilidade criativa nas contas públicas. Para o consultor do Senado, Leonardo Ribeiro, a PEC promove uma triangulação financeira para abrir espaço no teto de gastos. “Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro, Arno Augustin, do governo Dilma”, diz ele, que defende retirar o precatório do teto com medidas adicionais de controle dessas despesas.

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Produção de aço bruto cresce 14,5% em um ano e chega a 3 milhões de toneladas em julho

A produção brasileira de aço bruto, em julho de 2021, foi de 3 milhões de toneladas, 14,5% a mais do que em julho de 2020. No acumulado de janeiro a julho de 2021, a produção alcançou 21 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 22% frente ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Aço Brasil.

Em julho, as vendas internas atingiram 2 milhões de toneladas, representando crescimento de 11,2% frente ao apurado no mesmo mês de 2020. O consumo aparente de produtos siderúrgicos, em julho, foi de 2,4 milhões de toneladas, apresentando crescimento de 23,9% em relação ao verificado no mesmo período de 2020.

As vendas internas, nos primeiros sete meses deste ano, foram de 14,1 milhões de toneladas, representando uma alta de 38,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O consumo aparente de produtos siderúrgicos, nos primeiros sete meses deste ano, foi de 16,4 milhões de toneladas, acumulando alta de 44,9% frente ao registrado no mesmo período de 2020.

Este desempenho levou o Aço Brasil a rever as previsões de crescimento do consumo aparente em 2021 de 15% para 24%, devendo atingir 26,6 milhões de toneladas.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, diz que os números mostram que a indústria brasileira do aço está produzindo e atendendo seus clientes em volumes superiores àqueles verificados antes do início da pandemia do covid-19, não se justificando, portanto, pedidos de redução do imposto de importação de produtos siderúrgicos apresentados ao governo.

“O mercado encontra-se plenamente abastecido e sem qualquer excepcionalidade que justifique tal iniciativa”, diz em nota publicada no site da Instituição.

Segundo o Instituto, o excesso de capacidade produtiva de aço no mundo, da ordem de 560 milhões de toneladas, tem provocado práticas predatórias de comércio fazendo com que vários países adotem medidas de defesa comercial mais restritivas como, por exemplo, a taxação das importações de aço em 25% nos EUA e salvaguardas para importação de produtos siderúrgicos na Europa.

“Como consequência, países com excedente de produção estão desviando suas exportações de aço para mercados sem proteção, como é o caso do Brasil e demais países da América do Sul, o que requer cuidado e responsabilidade na avaliação de pleitos dessa natureza”, diz Lopes.

O Aço Brasil divulgou nesta quinta-feira também o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), referente ao mês de agosto. O ICIA cresceu 9,6 pontos frente ao mês anterior, para 68,9 pontos. A alta, após dois meses de queda, fez o indicador ficar 7,7 pontos acima da média histórica, de 61,2 pontos. “O aumento da confiança dos CEOs da indústria do aço se deveu, principalmente, à melhora das expectativas em relação aos próximos seis meses”, comenta.

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Conselheiro de segurança dos EUA discute 5G no Brasil e deflagra reação da China

A visita do conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, ao Brasil deflagrou um novo capítulo da queda de braço entre os americanos e a China em torno do leilão da tecnologia 5G no País.

Após encontro de Sullivan com o presidente Jair Bolsonaro, a embaixada americana afirmou que os Estados Unidos “continuam a ter fortes preocupações sobre o papel potencial da Huawei na infraestrutura de telecomunicações do Brasil, bem como em outros países ao redor do mundo”. A Huawei é uma companhia chinesa que já atua no Brasil e deve participar do leilão.

Em resposta, a embaixada da China no Brasil divulgou comunicado dizendo que os ataques dos EUA “são mal-intencionados e infundados”. “Seu verdadeiro objetivo é difamar a China e cercear as empresas chinesas de alta tecnologia com a finalidade de preservar seus interesses egoístas da supremacia americana e o monopólio na ciência e tecnologia. A esse tipo de comportamento que busca publicamente coagir os outros países na construção do 5G e sabotar a parceria sino-brasileira, manifestamos forte insatisfação e veemente objeção”, afirma a nota.

A tecnologia 5G promete velocidades até 20 vezes superiores ao 4G e permite um consumo maior de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. O leilão do 5G está previsto para este ano, depois da autorização do Tribunal de Contas da União (TCU).

A Huawei tem sido o principal alvo da diplomacia norte-americana, que defende o banimento mundial da companhia sob a alegação de que ela atua como um braço de espionagem do partido comunista chinês. Essa visão encontra respaldo na ala ideológica do governo brasileiro. A Huawei, no entanto, nega as acusações, diz que atua há mais de vinte anos no Brasil e reafirma que nunca registrou qualquer problema de violação de dados nos países em que atua.

Em junho, uma comitiva liderada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, e composta também por ministros do TCU e pelos senadores Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI), agora ministro da Casa Civil, esteve em Washington. Eles visitaram empresas, como Motorola, IBM e Nokia, e se reuniram com integrantes do governo americano, incluindo membros do Conselho de Segurança Nacional, Departamento de Estado e Departamento de Segurança Interna.

A posição dos Estados Unidos a respeito do 5G é um dos poucos pontos em que a política da Casa Branca não foi alterada na mudança de governo de Donald Trump para Joe Biden. Os americanos continuam a pressionar o Brasil para que não permita mais a participação da chinesa Huawei no mercado nacional, embora ela esteja presente no País há 23 anos. A justificativa dos americanos é de que a participação da chinesa representa riscos à segurança nacional.

Diante da pressão da bancada ruralista, que tem na China seu principal parceiro comercial, o Brasil optou por não vetar a companhia – o que exigiria um decreto presidencial e teria um elevado custo político e uma provável disputa judicial. Decidiu, no entanto, criar uma alternativa: impor às teles que participarem do leilão do 5G a construção de uma rede privativa de uso exclusivo do governo, com requisitos que não mencionam a Huawei, mas, na prática, dificultam a escolha de seus equipamentos. A adoção dessa saída, porém, não tem sido vista como uma medida suficiente pelos americanos.

Enquanto a embaixada dos EUA no Brasil foi sucinta ao tratar do tema 5G em seu comunicado, a representação chinesa no País fez uma longa defesa da Huawei, citando a criação de 16 mil postos de trabalho pela empresa no Brasil, e rebateu as acusações de espionagem afirmando que os americanos “são reconhecidamente o maior `império de hackers’ do mundo e constituem uma verdadeira ameaça à segurança cibernética global”.

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“Durante muito tempo, agências de inteligência dos Estados Unidos conduziram, em grande escala e de forma organizada e indiscriminada, atividades de vigilância e espionagem cibernéticas contra governos, até mesmo dos seus aliados, empresas e indivíduos estrangeiros, com graves violações da privacidade e da segurança de terceiros. Sem nenhuma base factual, os EUA abusam do seu poder de Estado para difamar, por qualquer meio, as empresas chinesas de alta tecnologia”, disse a embaixada da China.

A representação chinesa afirmou ainda acreditar que o Brasil fornecerá “regras de mercado em sintonia com os parâmetros de transparência, imparcialidade e não discriminação” para as empresas no leilão.

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Volta ao mundo em 6 minutos

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 31 de julho de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

No episódio #107 do Stock Pickers, recebemos um dos gestores que mais ganhou dinheiro no Brasil em 2020 (e vale dizer que ele continua ganhando em 2021) e que tem uma grande habilidade para falar sobre temas diversos de forma simples e compreensível.

Apesar disso, Bruno Garcia, da Truxt, é um daqueles gestores que você não conseguirá acompanhar em velocidade 2.0 no seu podcast. A velocidade de sua fala junto com o acelerador do streaming torna dificil acompanhar o raciocínio.

Para o Salomão, Garcia está no grupo daqueles gestores que precisam ser escutados em no máximo 1,5x.

Como não sabemos em que velocidade você costuma escutar e considerando a aula sobre cenário macro que Garcia nos proporcionou logo no começo do episódio, colocamos logo abaixo a transcrição dos 5 principais blocos de sua análise: cenário global, Estados Unidos, China, Europa e Brasil.

Cenário Global:

O cenário parece muito bom ainda para tomada de risco, estamos num mundo ainda com bastante liquidez. Continuamos num mundo muito pró-risco, propício a tomada de risco, compra de ações e investimentos financeiros de um modo geral.

O mundo, de um modo geral, está crescendo de forma acentuada no pós-pandemia com as economias voltando ao normal.

As empresas que sobreviveram estão numa posição competitiva muito mais forte e ganhando market share com lucros explodindo tanto lá fora como aqui no Brasil.

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Estados Unidos:

Como quase 70% das ações globais estão nos EUA, o Fed acaba sendo o responsável pelo definição da taxa de juros mais importante do mundo.

Toda a discussão lá tem a ver com o timing da retirada dos estímulos. O Fed foi muito agressivo nos estímulos fiscais e monetários e isso resultou numa economia com recuperação em “V” e inflação subindo com força.

O resumo é que a inflação está rodando bem alta e a economia está se recuperando bem. E o mercado começa a discutir quando o Fed irá retirar esses estímulos.

Tudo leva a crer é que a retirada da compra dos títulos feito pelo Tesouro Americano deve começar por volta do final do ano. Mas o aumento da taxa de juros deve iniciar somente em 2023 com o mundo voltando a normalidade.

Pensando em alocação de recursos, o cenário está propício para tomada de risco, mas está tudo apontando para uma alta de juros e por isso estamos comprados nessa tese.

China:

A discussão atual, na China, está relacionada à governança coorporativa e o papel do PCC (Partido Comunista da China) na questão da regulação das empresas, principalmente de techs.

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A bolsa chinesa caiu bastante nos últimos dias por conta de medidas reulgatórias em relação a empresas de educação.

O ponto principal é que a China possui uma economia extremamente centralizada e está muito preocupada com questões de acesso a dados pelos estrangeiros, porque quem tiver o monopólio de dados da população terá uma capacidade absurda em relação a implementação de medidas e desenvolvimento da economia com uso de inteligência artificial.

Essa discussão é muito importante e como o Brasil é um país emergente o que acontece lá acaba repercurtindo aqui, porque, na pior das hipóteses, o dinheiro que não entra lá acaba vindo para cá e pode nos beneficiar em termos relativos.

Europa:

Está se recuperando em meio a toda discussão da variante delta da covid-19, mas o fato é que a economia está reaquecendo.

Os europeus convivem com um problema de inflação grave, ou de falta, na verdade. Por mais que eles façam estímulos a economia é deflacionária.

E, no longo prazo, isso precisa ser muito bem pensado.

Brasil:

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O cenário de curto prazo é conjunturalmente bom, porque temos uma recuperação muito forte após a pandemia, mesmo que tardia por conta de uma vacinação mais demorada.

Mas existem riscos importantes no Brasil que mercem ser monitorados: : inflação, fiscal e defieiência de crescimento de longo prazo.

Estamos trabalhando com uma inflação para esse ano na casa de 6,5% e para o ano que vem a projeção já está alta também.

O Banco Central vendo isso e sabendo que não temos a credibilidade do Fed está tendo que subir os juros, que deve chegar ano que vem a 7,5%.

Isso acaba acentuando nosso problema fiscal, que parece eterno.

Além disso, existe um risco no crescimento estrutural por produtividade muito baixa devido a falta de investimento em estrutura e educação.

Infelizmente o Brasil está tendo um bom momento de curto prazo, impulsionado pelo mundo e pela alta das commodities, mas acaba sendo um país, do ponto de vista macro, de baixo crescimento.

Com esse panorama mundial e local, e enfatizando a necessidade de saber separar o curto prazo do longo, a carteira da Truxt está praticamente 100% alocada em ações: 75% no Brasil e 25% nos EUA.

Para Garcia, enquanto os juros permanecerem nesses patamares (baixíssimos), todo e qualquer ativo de risco será beneficiado.

Se você está achando o papo muito macro, calma!

O panorama mundial foi apenas a introdução da conversa. Bruno, além de outras teses, usou nosso quadro “1 tese em 2 minutos” para explicar duas empresas que estão em sua carteira: Petz e PetroRio. E Leonardo Martins, CIO do Turim Family Office, falou sobre um case de rabertura: Disney.

Sobre um investimento de 12.700% e a arte de stopar a tese, não o preço

No episódio #107 do Stock Pickers, recebemos um dos gestores: Bruno Garcia (Truxt Investimentos), um dos gestores de ações que mais ganhou dinheiro no mercado em 2020, e Leonardo Martins (Turim Family Office), que revelou um investimento que rendeu 12.700% em uma empresa que fez IPO recentemente nos EUA, a RobinHood.

Assista a conversa completa clicando aqui. O episódio também está disponível no Spotify ou em qualquer plataforma de streaming.

Zerou bolsa americana e comprado em Brasil: veja como está o fundo XP Macro…

No Coffee & Stocks desta quarta-feira (28), recebemos Bruno Marques, um dos gestores do fundo XP Macro. Ele explicou por que a gestora zerou a posição em bolsa americana e mantiveram em bolsa brasileira (mas trocaram parte dessa posição para ficar comprado no real contra o dólar) e por que está “tomado” em juros tanto aqui mas principalmente nos EUA (tomado em juros = apostando que a curva de juros vai subir).

Confira a entrevista completa direto em nosso canal no Youtube (link aqui).

Convite especial: Como investir baseado em uma visão de longo prazo…

Após quase 2 anos da gravação do epsiódio #18Guilherme Benchimol, Fundador e Presidente Executivo do Conselho de Administração da XP Inc, volta ao Stock Pickers para celebrar os 02 anos da estratégia XP Long Term Equity ao lado do idealizador e gestor da estratégia XP Long Term Equity, Rodrigo Furtado.

Quando gravamos pela primeira vez com Benchimol, a XP ainda não havia realizado seu IPO e tinha sido avaliada, em 2017, em R$ 12 bilhões quando teve parte do seu capital comprado pelo Itaú. Atualmente, após o IPO, o valor de mercado da empresa é de aproximadamente US$ 23,3 bilhões.

Criada em maio de 2001 com com um capital inicial de cerca de R$ 15 mil, suficientes para alugar uma sala comercial e comprar computadores usados de uma lan house, a XP se tornou o que é hoje por conta de um fator extramemente relevante no mundo dos investimento: visão de longo prazo.

E é sobre isso que conversamos com nossos convidados no episódio que irá ao ar no dia 05/08, às 18h. Não perca!

Inscreva-se no canal e ative as notificações: https://lnkd.in/dtaJxaP

Biblioteca Stock Pickers: uma novidade…

Fã de triatlo, Leonardo Martins recomendou um livro sobre resiliência que conta a história da final do campeonato Ironman em 1989 no Havaí: Iron War.

Bruno Garcia, da Truxt, recomendou dois livros que já foram recomendados mais de 1 vez no programa: A psicologia financeira e Fora de série.

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers

Alta de preços de commodities ajuda uns e derruba outros países; confira a posição do Brasil

(Frank Mckenna/Unsplash)

(Bloomberg) — A recuperação mundial após a pandemia de coronavírus causou a disparada dos preços de energia, metais e alimentos, ajudando grandes exportadores de commodities enquanto castiga países que importam a maior parte das matérias-primas.

De forma agregada, os preços das commodities subiram mais de 20% este ano. No caso do petróleo, a alta foi de aproximadamente 50%. O Bloomberg Commodity Spot Index está no maior patamar em uma década e perto de registrar o quarto ganho mensal consecutivo. Com muito dinheiro no caixa, grandes petrolíferas e mineradoras estão devolvendo bilhões de dólares aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações.

Leia também:
Retorno da Vale ao topo da produção de minério enfrenta riscos

Poucos analistas esperam que o avanço de preços seja revertido no curto prazo e muitos apostam em ganhos adicionais.

É bom sinal para países como a Rússia e a Arábia Saudita, os maiores exportadores de energia do mundo. Para outros, o movimento exerce grande pressão sobre o balanço de pagamentos e o câmbio, elevando a inflação.

Segue abaixo uma análise dos países que estão se beneficiando e os mais vulneráveis neste contexto.

Vencedores e perdedores

Os produtores de petróleo e gás do Golfo Pérsico devem ser os maiores vencedores do ano economicamente, de acordo com um estudo da Bloomberg Economics com quase 45 nações. Nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, as exportações líquidas aumentarão em mais de 10% do Produto Interno Bruto em comparação com 2020. A Arábia Saudita não ficará muito atrás.

Já o Japão e a maior parte da Europa Ocidental são forçados a gastar mais com a importação de commodities. Os cinco maiores perdedores estão localizados na Ásia. Países como Vietnã e Bangladesh sofrem com combustíveis e alimentos mais caros.

Transferência de US$ 550 bilhões

Os ganhos para os exportadores de commodities vão superar facilmente as perdas que sofreram no ano passado, quando a pandemia se espalhou e destruiu a demanda por matérias-primas. A Bloomberg Economics estima que US$ 550 bilhões passarão de importadores para exportadores em 2021, quase o dobro da transferência reversa de US$ 280 bilhões no ano passado, quando os preços desabaram.

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Em termos absolutos, a Rússia será a mais beneficiada: suas exportações líquidas aumentaram em quase US$ 120 bilhões em 2021. Austrália, Arábia Saudita, Brasil e Emirados Árabes Unidos vêm em seguida, cada um com ganhos de mais de US$ 50 bilhões. As exportações líquidas da China cairão em cerca de US$ 218 bilhões. Índia e Japão vêm logo em seguida com valores muito menores de perdas, ao redor de US$ 55 bilhões.

EUA x China

As exportações líquidas dos EUA também vão diminuir, mas em apenas US$ 22 bilhões, uma quantia ínfima em relação ao PIB anual de US$ 21 trilhões. O país praticamente eliminou a exposição a commodities importadas na última década, em grande parte graças ao enorme aumento na produção de gás e óleo de xisto.

A China também está menos vulnerável, mas a melhoria tem sido muito menor, especialmente quando se trata de energia.

Problemas com alimentação no Oriente Médio

Os preços dos alimentos subiram em 12 dos últimos 13 meses e estão perto do maior nível desde 2011, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas. É um problema especialmente grave no Oriente Médio, onde o encarecimento de itens básicos, como pão e carne, ajudou a desencadear os protestos da Primavera Árabe 10 anos atrás. Sete dos 10 países mais frágeis por este ângulo ficam na região, de acordo com uma análise da Bloomberg Economics sobre mercados emergentes. A lista inclui o Iêmen, devastado pela guerra civil, bem como Sudão, Tunísia e Argélia, que recentemente enfrentaram grandes protestos contra a piora da qualidade de vida.

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Brasil abre 309.114 vagas formais de trabalho em junho, mostra Caged

Carimbo de admissão ou demissão com carteira de trabalho (Gabriel Ramos/Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil abriu 309.114 vagas formais de trabalho em junho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Economia.

Em junho do ano passado, o país havia fechado 30.448 vagas com carteira assinada em meio às medidas restritivas de combate à Covid-19.

No ano de 2021, o país acumula agora a criação de 1.536.717 empregos com carteira assinada. De janeiro a junho do ano passado, haviam sido fechadas 1.198.363 vagas formais.

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Decisão do Fomc, dados de Caged e Pnad, resultados e IPOs: o que acompanhar nesta semana

SÃO PAULO – Descolado do exterior, o Ibovespa voltou a ter uma semana negativa, conforme aumentam as preocupações sobre a variante delta do coronavírus, enquanto se elevam também as tensões políticas no país e com um noticiário corporativo mais pesado.

E para os próximos dias, as atenções se voltam para a temporada de resultados do segundo trimestre, que ganha força e com várias gigantes da Bolsa apresentando seus números, como a mineradora Vale (VALE3), que na semana passada desapontou com seu relatório de produção.

Outras companhias como Gol (GOLL4), TIM (TIMS3), Santander Brasil (SANB11), CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Pão de Açúcar (PCAR3) também anunciarão seus balanços do período entre abril e junho deste ano.

Ainda no campo corporativo, destaque para uma nova leva de estreias previstas na B3: AgroGalaxy e Livetech da Bahia na segunda; Unifique na terça; Armac e Traders Club na quarta; Brisanet na quinta; e Clearsale na sexta.

Entre os indicadores, esta semana contará com muitas divulgações no âmbito nacional, entre dados de atividade econômica, mercado de trabalho e inflação.

A equipe de analistas do Bradesco destaca as sondagens da FGV, que segundo eles “deverão corroborar a percepção de atividade econômica robusta em julho”, enquanto no lado inflacionário, o Índice Geral de Preços – Mercados (IGP-M) deve “apresentar alguma descompressão, mas ainda deve se manter em patamar bastante elevado”.

Além disso, atenção ainda para a divulgação dos dados de emprego do Caged, que não tem data oficial ainda mas é previsto para essa semana, além da taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua, que será divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (30).

“Todos esses indicadores serão relevantes para a próxima decisão de política monetária, que ocorrerá na primeira semana de agosto”, avaliam os analistas sobre a importância do investidor ficar atento aos dados.

Já no exterior, o grande destaque fica para a reunião do Fomc na quarta-feira, que não deve trazer surpresas ao manter as taxas de juros nos Estados Unidos próximas de zero. Com isso, as atenções se mantêm voltadas para o comunicado, que pode trazer mais detalhes sobre quando o BC americano pretende iniciar a retirada de estímulos no país.

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Por fim, alguns dados serão apresentados na China, com destaques para o Índice de Gerentes de Compras (PMI) oficial do governo, que segundo o Brasdeco deve apontar um início de terceiro trimestre com expansão.

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Expansão da indústria do Brasil ganha força em junho e tem ritmo mais forte em 4 meses, mostra PMI

SÃO PAULO (Reuters) – O crescimento do setor industrial do Brasil acelerou em junho e chegou ao maior nível em quatro meses, com aumento das vendas e da produção e fortalecimento da confiança, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

A IHS Markit divulgou nesta quinta-feira que seu PMI da indústria brasileira avançou a 56,4 em junho, de 53,7 em maio, nível mais elevado desde fevereiro e bem acima da marca de 50, o que indica crescimento.

“Os resultados do PMI de junho apresentaram outro conjunto de desfechos positivos no setor industrial brasileiro. Apesar da batalha contínua contra outra onda de casos da Covid-19, as empresas viram seus pedidos aumentarem substancialmente em relação ao mês passado”, afirmou em nota a diretora associada da IHS Markit, Pollyanna De Lima.

O setor apontou fortalecimento da demanda em junho, com a entrada de novos negócios em alta pelo segundo mês seguido.

Esse resultado teve como base o aumento dos pedidos de exportação pelo quinto mês consecutivo e no ritmo mais rápido desse período. Os participantes da pesquisa citaram a retomada da atividade normal dos clientes no exterior e a oferta de itens escassos em outros lugares como razão para a expansão.

Diante do aumento de novos pedidos, os fabricantes brasileiros elevaram a produção, superando a média de longo prazo da pesquisa.

A força da demanda também ajudou na criação de novas vagas de trabalho no setor industrial, com a taxa de aumento sendo a mais alta em sete meses.

“A resiliência do setor industrial alimentou o mercado de trabalho, já que as empresas estavam confiantes na retomada e contrataram mais trabalhadores”, disse De Lima.

O mês ainda registrou a expansão mais intensa da compra de insumos desde fevereiro, com os fabricantes buscando se proteger contra a escassez de insumos.

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Mas os preços de insumos registraram nova alta, com muitas empresas citando a falta de matéria-prima, com destaque para metais, embalagens, plásticos e semicondutores.

Com as margens sob crescente pressão, os aumentos dos custos foram repassados aos clientes, com a taxa de inflação de venda sendo uma das mais intensas desde o início da coleta de dados no começo de 2006.

“Além da COVID-19, a escassez de matéria-prima continua sendo um risco-chave de queda para a recuperação do setor… Como os custos adicionais continuam sendo transferidos para os preços de venda, a força da demanda será testada nos próximos meses”, alertou De Lima.

Ao longo do próximo ano, os fabricantes registraram previsões de crescimento da produção, com o nível de sentimento positivo no patamar mais elevado em seis meses.

O otimismo se deve às expectativas de maior disponibilidade de vacinas e de que a pandemia recue, e as empresas pretendem aumentar o marketing e preveem crescimento dos investimentos.

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Tesouro emite US$ 2,25 bilhões em títulos em dólares no exterior

(Shutterstock)

Com um cenário fiscal mais benigno e ampla liquidez de recursos no mercado internacional, o Tesouro Nacional emitiu US$ 2,25 bilhões em dois tipos de bônus soberanos em dólar nesta terça-feira (29).

Mais cedo, o Broadcast mostrou que o governo brasileiro observou demanda expressiva, equivalente a US$ 7,5 bilhões.

As taxas de retorno asseguradas aos investidores ficaram maiores do que na última vez que o Brasil acessou o mercado internacional. Isso significa que o Tesouro precisou oferecer uma remuneração maior aos investidores. Ainda assim, elas são menores do que em algumas emissões realizadas quando o País tinha grau de investimento, o selo de bom pagador perdido em 2015. O resultado da emissão é considerado uma “janela bem aproveitada”.

A emissão foi feita com um novo vencimento de 10 anos (Global 2031) e a reabertura do papel de 30 anos (Global 2050), inaugurado em 2019 e que já havia tido uma nova emissão em dezembro do ano passado.

O governo foi ao mercado para levantar recursos e cobrir a necessidade de financiamento para vencimentos da dívida em moeda estrangeira programados para 2022. No início do ano, o Tesouro Nacional já havia informado ter os recursos em moeda estrangeira necessários para fazer frente à totalidade dos vencimentos da dívida externa em 2021.

A venda sincronizada de bônus de médio e longo prazos também servirá de referência para as captações externas de empresas brasileiras num cenário de grande liquidez de recursos no mercado internacional.

Segundo o Tesouro, foi emitido US$ 1,5 bilhão do Global 2031, com vencimento em 12 de setembro de 2031. O papel tem cupom de juros de 3,750% ao ano, com pagamento em 12 de março e 12 de setembro de cada ano. A emissão foi realizada ao preço de 98,948% do seu valor de face, resultando em uma taxa de retorno para o investidor de 3,875% ao ano, o que corresponde a um spread de 240,2 pontos-base acima da treasury (título do Tesouro dos Estados Unidos) de referência.

Em dezembro passado, a reabertura do Global 2030, até então o benchmark de 10 anos nas emissões externas do Tesouro, havia assegurado um yield de 3,450% ao ano ao investidor.

Já o Global 2050, com vencimento em 14 de janeiro de 2050, teve nova emissão de US$ 750 milhões. Com isso, o papel atinge um volume total em mercado de US$ 4,0 bilhões. Esse título possui cupom de juros de 4,750% ao ano, com pagamento nos dias 14 de janeiro e 14 de julho de cada ano. A emissão foi realizada ao preço de 97,333% do seu valor de face, resultando em uma taxa de retorno para o investidor de 4,925% ao ano, o que corresponde a um spread de 282,5 pontos-base acima da treasury de referência.

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Em dezembro passado, uma primeira reabertura do Global 2050, mesmo título emitido hoje, havia assegurado um yield de 4,500% ao ano ao investidor.

A operação foi liderada pelos bancos Bradesco BBI, Goldman Sachs e HSBC e será liquidada em 7 de julho de 2021.

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Populismo fiscal, reforma ou Fed: economistas do JP Morgan e da WHG discutem o que vai impactar mais o mercado brasileiro

SÃO PAULO – A soma de política monetária mais dura tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos com entrega de reforma tributária pelo governo ao Congresso fez com que esse final de junho ficasse marcado pelo rebalanceamento de riscos no mercado.

Para ajudar o investidor a enxergar as consequências desses eventos e traçar perspectivas, Cassiana Fernandes, economista-chefe para o Brasil do JP Morgan e Tony Volpon, estrategista-chefe da Wealth High Governance (WHG), deram suas opiniões no evento Melhores da Bolsa do InfoMoney.

Na avaliação de Cassiana, um dos riscos no horizonte brasileiro é o populismo fiscal, que pode inverter a trajetória de apreciação do real registrada nos últimos meses. “As empresas estão otimistas, mas chegando para o fim do ano teremos um ambiente um pouco mais delicado para ativos brasileiros. Final do ano é a época de discussão do Orçamento”, lembra.

Cassiana entende que o espaço aberto no teto de gastos graças à surpresa no Produto Interno Bruto (PIB) e na arrecadação federal no primeiro trimestre será certamente usado para aumentar alguns gastos sociais. Entretanto, a dúvida que ficaria é se esse gasto será usado para aumentar a eficiência da economia ou para render dividendos políticos em 2022.

“Ainda teremos muita volatilidade no âmbito fiscal no fim do ano. Vejo o dólar fechar em R$ 5,40 até o final deste ano”, projeta a economista do JP.

Mais otimista, Volpon prevê um dólar encerrando 2021 a R$ 4,75. Na opinião dele, os fundamentos externos são positivos e os termos de troca da economia brasileira estão muito melhores hoje do que estavam em 2010, quando o câmbio operava entre R$ 2,00 e R$ 3,00.

“As pessoas estão pensando nos condicionantes desses últimos 10 anos, que foram uma década perdida, por isso não enxergam o quanto nossos fundamentos mudaram”, diz.

O economista se mostrou otimista com o andamento de reformas como a tributária e a administrativa, admitindo a possibilidade de aprovação de alguma delas ainda este ano. “Eu acho que o ímpeto reformista tem durado mais do que muitas pessoas pensavam. O ponto é a qualidade do produto final. Considerando as restrições do nosso sistema político acho que as coisas estão andando bem.”

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Sobre o texto da reforma tributária, houve uma certa concordância entre os economistas. Volpon afirmou que sem uma simplificação efetiva no sistema tributário nacional é difícil chamar o projeto de reforma: “acaba sendo mais um rearranjo”. Cassiana, por sua vez, elogiou a busca por maior progressividade na tributação, porém ressaltou que o texto atual eleva a carga de impostos para as empresas.

Os dois apontam, entretanto, que é muito cedo para dar uma opinião sobre a reforma tributária, uma vez que os parlamentares devem colocar muitas emendas e destaques na redação atual, que tem sido bastante debatida na Câmara dos Deputados.

Fed pode abortar crescimento global

No ponto que considerou ser de maior relevância no longo prazo, Volpon disse que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, “pode abortar o crescimento global” dependendo de como conduzir sua política monetária daqui para frente.

“Temos que distinguir os dois choques inflacionários, o de oferta, com picos de inflação, e o choque estrutural de demanda, que não deve se normalizar tão facilmente ao longo do tempo”, explica.

O economista da WHG comenta que a recessão provocada pela pandemia do coronavírus foi muito atípica, talvez única na história, pois o cidadão americano não teve uma implosão no seu patrimônio como em 2008. “As famílias americanas estavam no topo do ciclo de prosperidade em termos de posição patrimonial”, relembra.

Todavia, as medidas de isolamento social reduziram o ritmo da atividade, provocando demissões e obrigando o governo dos EUA a elevar o gasto fiscal em níveis só comparáveis aos da Segunda Guerra Mundial ao mesmo tempo em que o Fed expandiu muito o seu balanço.

“O que veremos nos EUA é o descompasso entre oferta e demanda. É isso que vai puxar a inflação para cima. Quando os componentes transitórios acabarem teremos uma inflação bem acima do que o mercado espera no momento”, previu.

Para ele, quando o Fed começar a retirar estímulos, poderá tomar dois caminhos, o gradual realizado de 2004 a 2008 ou a alta abrupta e inesperada de 1994, que provocou uma grave crise nos países emergentes. Ou seja, em suas próprias palavras: “a grande dúvida é se esse ciclo acaba mal ou bem.”

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Menos alarmista, Cassiana acredita que o repique inflacionário nos EUA é transitório e o objetivo da condução econômica nos EUA foi estimular esse aumento da inflação, com mudança explícita do regime de metas, destacou. Para ela, o Fed tem os instrumentos para lidar com a inflação mais alta e conta com muita credibilidade no mercado.

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