Gol volta a voar com 737 Max, mas cliente pode trocar passagem

Avião da GOL em voo (Shutterstock)

A Gol (GOLL4) vai voltar a voar com o modelo 737 Max a partir de hoje, com uma novidade: os passageiros poderão remarcar o bilhete caso não se sintam seguros em viajar no avião. O retorno acontecerá com dois dos sete modelos da aeronave que a empresa tem e em rotas nacionais, já que a companhia não está operando voos internacionais por causa da pandemia do novo coronavírus. As primeiras rotas a utilizarem o 737 Max não foram divulgadas.

Os Boeing 737 Max tiveram a operação suspensa pelas agências de aviação de todo o mundo em março de 2019, depois de dois aviões desse modelo, um da Ethiopian Airlines e outro da Lion Air, da Indonésia, terem caído, matando um total de 346 pessoas. O acidente da Lion Air ocorreu em outubro de 2018. O da Ethiopian, em março de 2019.

Após uma série de medidas adotadas pela fabricante e pelas empresas aéreas, a FAA, autoridade de aviação civil dos Estados Unidos, liberou a volta do avião em 18 de novembro. No Brasil, o retorno do 737 Max foi autorizado pela Agência Nacional de Aviação (Anac) no dia 25 de novembro. A Gol é a única empresa a voar com o modelo em território nacional.

A revisão feita pela FAA ocorreu sobre o mecanismo de estabilização automática da aeronave, o chamado MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System), o sistema de pilotagem utilizado pelo modelo, que teria apresentado problemas. Os acidentes com os aparelhos das duas empresas, no entanto, ainda devem passar por mais análises.

A Gol tenta agora implantar uma estratégia de convencimento de passageiros a usar o equipamento. “Informações sobre as alterações feitas no aparelho serão repassadas em nossos canais e também a bordo do avião. O que fizemos (de mudanças) é o que trará confiança. É simplesmente impossível que as panes que ocorreram voltem a acontecer”, argumentou o diretor-presidente da Gol, Paulo Kakinoff.

Os aparelhos seguem com o nome 737 Max 8 na parte externa, abaixo da janela da cabine do piloto, e haverá informação aos passageiros no momento da compra da passagem de que a rota poderá usar um modelo 737 Max. Ao confirmar que a viagem será com o modelo, e o passageiro não quiser seguir, será feita remarcação sem custos. As outras cinco aeronaves Gol do modelo devem voltar a ser operadas até o fim do mês.

“Não estamos aqui celebrando nada. Ocorreram dois acidentes. Porém, do ponto de vista da aviação, andamos muito nesses 20 meses”, disse o vice-presidente de operações da Gol, Celso Ferrer. Sobre a estratégia de retorno e informação aos passageiros, Ferrer avalia ser importante deixar claro que há segurança. “E que não é preciso se preocupar em que aparelho está voando”, avaliou.

A Gol tem uma frota total de 130 aeronaves. A empresa negou haver pressão financeira para o retorno dos aparelhos. “Não existe urgência. Fizemos os testes necessários e estamos prontos para voltar”, disse Kakinoff. A Boeing está arcando com os custos dos aviões parados.

Modificações

A Gol atuou em duas frentes para a volta do modelo. A primeira foi a modificação no sistema de operação do aparelho. A empresa divulgou um vídeo produzido pela Boeing sobre a nova forma de funcionamento do MCAS. O sistema foi alterado e passará a operar com dois sensores de movimentação da aeronave, um de cada lado na parte frontal, e que trocarão dados sobre as condições de voo.

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Antes, o modelo possuía apenas um desses sensores. O vídeo afirma que, nos dois acidentes, o equipamento passou informações incorretas ao MCAS. As modificações foram feitas no centro de manutenção da empresa, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo Ferrer, os dois sensores já existiam, mas o sistema captava informações de apenas um. “Agora, divergências entre os dois sensores desabilitarão o MCAS”, explicou. Desta forma, o controle do avião vai automaticamente para o piloto.

Outra modificação é que o sistema é desligado uma só vez. Nos acidentes, o MCAS desligava e religava. “Virou uma briga entre os pilotos e as aeronaves”, apontou.

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Retorno de 737 Max fora dos EUA é desacelerado por reguladores

Boeing 737 Max estacionado

(Bloomberg) — Reguladores europeus e canadenses ainda discutem com a Boeing os últimos detalhes técnicos da atualização do 737 Max, o que deixa alguns clientes preocupados que a certificação em mercados críticos fora dos Estados Unidos possa ficar para o próximo ano.

Em uma rara boa notícia para a Boeing e sua linha de jatos aterrada, em 3 de agosto a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) iniciou um processo que poderia levar à reemissão de um certificado de aeronavegabilidade nos EUA para o Max em outubro.

No entanto, reguladores internacionais dizem que não estão prontos para seguir os mesmos passos. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA, na sigla em inglês) ainda espera por mais clareza da Boeing sobre uma atualização importante a ser realizada depois que o avião estiver novamente no ar, segundo pessoas a par do assunto.

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E a Transport Canada, em seus comentários mais detalhados até agora, disse na segunda-feira que suas preocupações não foram totalmente abordadas sobre como silenciar a ativação errônea do “stick shaker” do Max, que pode distrair pilotos e aumentar a carga de trabalho em caso de emergência.

Já a China, o segundo maior mercado de aviação do mundo, disse muito pouco sobre seu plano para avaliar o Max.

Ganhar a aprovação dos EUA até outubro poderia permitir que voos comerciais ocorram antes do fim do ano. Com isso, a Boeing finalmente começaria a gerar receita novamente com seu modelo mais vendido. O Max foi aterrado em março de 2019, após dois acidentes que mataram 346 pessoas.

A EASA busca mais clareza da Boeing em seu cronograma para fazer as revisões depois que o Max retomar o serviço comercial, incluindo marcos para monitorar o progresso rumo à implementação, disseram duas pessoas.

No entanto, uma pessoa a par das discussões disse que isso não deve impedir a decisão da EASA de suspender a proibição de voos.

A Boeing havia dito que esperava a liberação do Max pela FAA ao longo do quarto trimestre.

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“Continuamos a fazer progressos constantes para que o avião retome o serviço com segurança trabalhando por meio do rigoroso processo estabelecido pela FAA, EASA e outras autoridades”, disse a Boeing em comunicado. “A segurança continua sendo nossa prioridade e reguladores continuarão a determinar o cronograma de retorno ao serviço.”

Na semana passada, a FAA disse que o software reprojetado da Boeing “demonstrou conformidade” com os requisitos da EASA. Mas a EASA sinalizou que ainda havia problemas a serem resolvidos além da programação de voos de teste.

O Canadá também sinalizou que ainda não está confortável de que as mudanças traçadas pela FAA na semana passada tenham sido suficientes.

Na China, os principais órgãos responsáveis pela supervisão da indústria de aviação incluem a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a Administração da Aviação Civil da China e a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais.

As três agências não responderam a perguntas enviadas por fax sobre como a China determinará a aeronavegabilidade do avião e se as companhias aéreas domésticas planejam aceitar entregas.

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Fim de acordo com a Boeing pressiona Embraer a correr para se reestruturar

Depois de um fim nada amigável do acordo firmado com a gigante americana Boeing, a Embraer (EMBR3) começou uma intensa reestruturação de seus negócios em meio ao cenário de caos no setor aéreo em razão da pandemia da covid-19.

A questão do contrato de US$ 5,2 bilhões com a Boeing será resolvida em arbitragem. A atenção do setor agora se volta para as medidas que a fabricante brasileira vai tomar para superar esse duro revés.

Entre as possibilidades para a empresa se reerguer estão parcerias internacionais e também o acesso a uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estimada em R$ 3 bilhões e que pode sair nas próximas semanas, segundo executivos da companhia.

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A Embraer vem de um primeiro trimestre difícil: em um ano, seu prejuízo foi multiplicado por seis e encostou em R$ 1,3 bilhão.

Embora a queda de receitas e as perdas cambiais tenham sido os principais fatores para o resultado, a Embraer vinha gastando dinheiro para segregar sua operação comercial, que passaria às mãos do grupo americano – só de janeiro a março, foram R$ 96,8 milhões. Apesar das perdas, os papéis da empresa subiram 3,64% ontem, fechando a R$ 7,41.

Como a pandemia tem feito clientes, como a Azul, postergarem compras, não adianta muito esforço para vender agora. Por isso, o foco é revisar estratégias para os próximos cinco anos, com a reintegração do setor de aviação comercial.

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Quem poderia ficar com a Embraer após a parceria fracassada com a Boeing – e os desafios de curto prazo da companhia

Segundo o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, esse trabalho interno, que deve ser concluído nos próximos meses, abre espaço para novas parcerias em desenvolvimento de produtos, engenharia e produção.

Crescem no mercado especulações de que a brasileira já está sendo sondada por outros grupos, como a chinesa Comac, além de empresas da Rússia e da Índia.

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A avaliação é que a Embraer sairá enfraquecida se resolver seguir sozinha, pois a Airbus comprou parte do programa de jatos C-Series da canadense Bombardier, principal concorrente da brasileira.

Efeito coronavírus

A empresa também teve perdas no trimestre decorrentes da crise da covid-19, como R$ 108,6 milhões em variações negativas no valor da participação da Embraer na Republic Airways Holdings, e R$ 163,1 milhões em reservas contra eventuais calotes.

A empresa disse que adotou “abordagem mais conservadora no contexto da pandemia”.

Mesmo com o rol de dificuldades, executivos da Embraer tentam passar otimismo. O vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores, Antonio Garcia, disse que a crise trouxe um dado favorável.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) estima que a retomada começará por voos regionais, filão no qual a Embraer é forte. Isso, diz Garcia, já estaria ocorrendo na Europa. Outra oportunidade é a aviação executiva, que tende a crescer com a migração da classe empresarial para voos particulares.

Em relatório, o banco BTG disse que o fraco resultado da Embraer era esperado. “Com o fim do acordo com a Boeing, os investidores vão focar nas potenciais parcerias com outras fabricantes, assim como as negociações com o BNDES para um crédito de R$ 3 bilhões”, destacou o analista Lucas Marquiori.

O UBS destacou que, mesmo com as dificuldades, a Embraer mostrou boas margens. “Estamos curiosos se, em níveis mais baixos de entrega para o ano inteiro, sobretudo na aviação comercial, (as margens) vão persistir”, apontou, em relatório.

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Quem poderia ficar com a Embraer após a parceria fracassada com a Boeing – e os desafios de curto prazo da companhia

SÃO PAULO – A sessão da última sexta-feira (29), último dia do mês de maio, foi emblemática para as ações da Embraer (EMBR3), que chegaram a saltar 18,62%.

O movimento ocorreu após a notícia da agência Reuters da última sexta-feira de que a fabricante de aeronaves estaria atraindo interesse da chinesa Comac e da russa Irkut estariam interessadas na companhia após o fracasso da fusão com a Boeing. A Índia, outra potência aeroespacial em ascensão focada principalmente na defesa, mas com um enorme mercado civil, também sinalizou interesse ao estudar o assunto, através da Hindustan Aeronautics. Naquela sessão, os papéis fecharam com alta bem mais modesta, de 2,44%, enquanto a Embraer não se pronunciou.

Já nesta segunda-feira, em comunicado à CVM, a empresa afirmou que avalia potenciais parcerias, mas que no momento não há nenhuma em negociação. Contudo, apesar da negativa no curto prazo, em teleconferência após o resultado do primeiro trimestre de 2020, a companhia apontou o que seriam as potenciais parcerias.

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Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer, afirmou que as parcerias podem abranger desenvolvimento, comercialização e produção de aviões. “Estamos revisando neste momento nossa estratégia para os próximos cinco anos e, sem dúvida alguma, dentro dessa estratégia há iniciativas para potenciais parcerias para desenvolvimento e, eventualmente, até para produção”, apontou. Gomes Neto ainda ressaltou que uma turboélice regional poderia ser o novo alvo de parceria com outra fabricante.

Em meio ao noticiário intenso sobre a companhia, o Bradesco BBI apontou na última sexta-feira os possíveis cenários destacados pela reportagem da Reuters. Conforme avaliam Victor Mizusaki e Gabriel Rezende, analistas do Bradesco BBI, a novidade desta vez é a inclusão da Irkut e da Hindustan como possíveis interessadas.

Caso houvesse a confirmação do interesse por parte das empresas estrangeiras, a estrutura de negócio poderia ser parecida com a estabelecida pelo fracassado acordo com a Boeing e aprovado pelo governo federal e acionistas.

Contudo, reforçam, se um potencial acordo avançar, o investimento potencial deve ser materialmente inferior à oferta de US$ 4,2 bilhões da Boeing, porque: 1) no acordo anterior com a americana, a Embraer iria complementar o portfolio da Boeing para competir com a Airbus (o que implicaria um valor maior de negociação), 2) a pandemia do Covid-19 desencadeou uma crise global nos setores aéreo e aeroespacial e 3) a Embraer terá que lutar com adiamentos recentes de pedidos de aeronaves e cancelamentos. “Portanto, o momento é mais favorável para o potencial comprador do que para o vendedor”, apontam os analistas.

Ainda na visão deles, dentre as três companhias estrangeiras destacadas, a chinesa Comac seria a que “naturalmente” faria o negócio com a Embraer. Isso porque, com uma possível aquisição da divisão de aviação comercial da Embraer, a Comac ganharia força para desenvolver novos produtos e ameaçar o duopólio da Boeing-Airbus.

O portfólio da Comac inclui um jato regional ARJ21 (78-90 assentos), com 25 entregas de aeronaves
até o momento e um modelo de longas distâncias C919 (158-168 assentos) com entregas de seus 815 pedidos com início previsto para 2021. A companhia chinesa também está desenvolvendo o CR929 (280 assentos) através de uma parceria com a Russian United Aircraft Corporation (UAC).

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O Bradesco BBI ainda destaca algumas informações sobre a russa Irkut e a indiana Hindustan. Sobre a primeira companhia, em fevereiro de 2020, a Sukhoi Aircraft Company foi renomeada como Irkut Corporation. Desde 2000, Sukhoi tem desenvolvido e promovido a aeronave Superjet 100. No entanto, o Superjet 100 teve número limitado de clientes e, nas Américas, a Interjet no México era a única companhia aérea que usava em sua frota.

Já sobre a Hindustan Aeronautics, os analistas ressaltam que ela é uma fabricante de aeronaves estatal indiana focada no segmento de defesa. No entanto, o projeto UDAN, que foi lançado pelo governo indiano em 2017 para desenvolver aeroportos regionais, pode sugerir que o país poderia ter interesse em uma parceria com a Embraer – o que não necessariamente envolveria uma participação acionária.

Resultado bom, mas desafios pela frente…

Os analistas do BBI mantêm recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para as ações da companhia, apesar do resultado do primeiro trimestre de 2020 considerado melhor do que o esperado.

Como destaque, eles apontaram o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado acima do esperado, totalizando US$ 65 milhões, versus a estimativa de Ebitda ajustado do BBI negativo de US$ 50 milhões e do mercado positivo em US$ 12 milhões. Por outro lado, a receita líquida ficou 10% abaixo do esperado pelos analistas e 20% abaixo do consenso de mercado.

A recomendação segue equivalente à venda, com preço-alvo de US$ 4 para os ADRs da companhia, o que levaria a um downside de 27% frente o fechamento da última sexta-feira, em meio ao adiamento das entregas de aeronaves e novos cancelamentos em potencial e uma concorrência acirrada vinda da Airbus.

O UBS, por sua vez, possui recomendação neutra para os ADRs, com preço-alvo de US$ 9 (ou potencial de valorização de 63%). Os analistas do banco destacaram também um resultado melhor do que o esperado, com atenção para margem Ebitda de 10,2% e para o Ebitda, muito acima do que o esperado pelo banco de US$ 31 milhões e margem de 3,5%. O principal ponto, segundo os analistas, fica para as projeções de queima de caixa para o ano.

Durante a teleconferência, Antonio Carlos Garcia, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da empresa, apontou que a “liquidez da Embraer permanece sólida, com uma contínua disciplina de caixa. A companhia fechou o trimestre com caixa total de US$ 2,5 bilhões, sem grandes vencimentos antes de 2022”, disse. Contudo, para o Bradesco BBI, a queima esperada de caixa deve aumentar a dívida líquida. Segundo Garcia, a meta é chegar ao fim deste ano com cerca de US$ 2 bilhões em caixa.

Dentre as medidas para preservar o caixa, o executivo apontou que a Embraer tem monitorado os recebíveis e negocia diretamente com os fornecedores a postergação de pagamentos. Além disso, 50% da força de trabalho no país está sob regime de redução salarial.

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Enquanto isso, algumas notícias apontam que a Embraer estaria em negociações para conseguir financiamento. Segundo o Valor Econômico, o BNDES e bancos privados um financiamento de US$ 600 milhões. Os recursos, que poderiam ser liberados ainda em junho, seriam usados para atender demanda de jatos executivos e comerciais da empresa para os próximos meses.

Durante a teleconferência, Garcia apontou que a empresa continua em tratativas com bancos, tanto nacionais quanto estrangeiros, para ter acesso a linhas adicionais de financiamento para ultrapassar a crise em curso e espera ter novidades sobre esse tema nas próximas semanas, mas não detalhou os termos que estão sendo negociados com os bancos.

Em meio ao cenário complicado para o setor aéreo em geral, a companhia ainda terá que reintegrar a sua unidade de aviação comercial, que foi transformada em empresa independente como parte do acordo com a Boeing.

Francisco Gomes Neto afirmou que a companhia está trabalhando na reintegração da unidade, apontando que a Embraer buscará “recuperar as sinergias e eliminar duplicações”.  A separação da unidade, que já havia custado à Embraer cerca de R$ 490 milhões no ano passado, gerou custo adicional de R$ 97 milhões no primeiro trimestre de 2020; a brasileira buscará reparação através da arbitragem aberta contra a Boeing.

Com um ambiente desafiador para a companhia no curto e no longo prazo, tanto em termos macro quanto microeconômicos, os analistas de mercado estão bastante cautelosos com o papel. De 9 casas que cobrem os ADRs da empresa, apenas 1 recomenda compra, 6 recomendam manutenção e 2 recomendam venda.

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Ação da Embraer chega a saltar 18% com notícia de interesse russo e chinês, mas fecha em alta de só 2,44%

SÃO PAULO – A ação da Embraer (EMBR3) teve um dia de forte volatilidade nesta sexta-feira (29). Após operar em queda durante boa parte da manhã, os papéis passaram a ganhar força a partir das 11h20 (horário de Brasília), entrando e saindo de leilões sucessivamente após a notícia da Reuters de que a fabricante de aeronaves está atraindo interesse da chinesa Comac e da russa Irkut. Na máxima do dia, os ativos subiram 18,62%, a R$ 8,28.

Contudo, o papel foi diminuindo os ganhos ao longo do pregão e, no último sinal, passou de alta de mais de 6% para fechar com ganhos de apenas 2,44%, a R$ 7,15.

Confira como foi a sessão para a ação da Embraer, conforme gráfico da Bloomberg:

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Sobre a notícia, segundo a Reuters, a chinesa COMAC sinalizou interesse em cooperação com a unidade comercial da terceira maior fabricante de jatos do mundo, conforme disseram duas pessoas ouvidas pela agência. A Irkut, da Rússia, também estudou o caso, disseram outras duas fontes, apesar de a empresa negar interesse na Embraer.

De acordo com a agência, a Índia, outra potência aeroespacial em ascensão focada principalmente na defesa, mas com um enorme mercado civil, também sinalizou interesse ao estudar o assunto.

A Embraer não se pronunciou sobre os rumores à Reuters.

Vale destacar que, no final do mês de abril, a Boeing abandonou os planos para uma combinação histórica na aviação comercial o que, combinado ao cenário de retração das operações das aéreas e expectativa de queda das encomendas, levou a uma forte queda das ações em maio, de 18,93%.

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Equipe econômica quer que Embraer permaneça como empresa privada

Jato executivo Embraer Praetor 600, que oferece alcance intercontinental com excelente capacidade de carga útil.

(Bloomberg) — A equipe econômica quer que a Embraer (EMBR3) siga como uma empresa privada, segundo pessoas com conhecimento direto do assunto, e está organizando um empréstimo sindicalizado para ajudar a fabricante de aviões depois que o acordo com a Boeing foi abandonado.

O BNDES está organizando um empréstimo sindicalizado de US$ 1 bilhão e tentando atrair bancos privados para o negócio, disse uma das pessoas, que pediu para não ser identificada porque as discussões não são públicas. Os termos do empréstimo ainda não estão definidos e podem incluir garantias de preservar empregos, segundo a pessoa, além de debêntures conversíveis.

O governo, que ainda tem uma golden share na Embraer desde a sua privatização em 1994, não vê a empresa em necessidade de resgate, outra pessoa disse.

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O BNDES, que tem uma fatia de cerca de 5% na Embraer, não quis comentar, assim como o Ministério da Economia.

Mais cedo, a Embraer disse em uma resposta por email que não ia comentar sobre nenhuma discussão específica de financiamento, mas “qualquer acesso a fontes adicionais e complementares de financiamento envolverá bancos internacionais e nacionais como sempre foi prática da Embraer.”

O jornal Valor Econômico disse na segunda-feira que o BNDES planejava comprar pelo menos US$ 1 bilhão em ações a serem emitidas pela Embraer, uma operação que diluiria outros acionistas e colocaria o governo de volta no controle da empresa. Mais tarde, o jornal afirmou que o governo não queria retomar o controle da companhia e estava em discussões com bancos privados para uma solução.

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Embraer sem Boeing: os caminhos da brasileira sem o acordo de US$ 4,2 bi – e o que esperar para as ações

SÃO PAULO – Ainda mais nebuloso. É assim que se define o futuro da Embraer (EMBR3) após a Boeing anunciar o fim do acordo de joint venture com a companhia brasileira no valor de US$ 4,2 bilhões, mais de um ano após o enlace inicial entre as empresas. Com isso, após uma queda de 10,68% das ações na última sexta-feira, quando as notícias ganharam forças, os ativos EMBR3 chegaram a cair até 16,55% na sessão desta segunda-feira (27), a R$ 6,91. Os papéis fecharam em uma baixa bem menos expressiva, de 7,49%, a R$ 7,66, mas, ainda assim, sendo a maior baixa do Ibovespa.

Boeing e Embraer planejavam uma joint venture composta pelo negócio de aviação comercial da Embraer e uma segunda joint venture para desenvolver novos mercados para a aeronave de transporte aéreo médio e mobilidade C-390 Millenium (as companhias, porém, manterão um acordo para que a Boeing faça a comercialização e manutenção conjunta do C-390).

Apesar do fim da joint venture, o desenrolar dos acontecimentos para as duas fabricantes de aeronoves está longe do fim.

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Para justificar a desistência, a Boeing afirmou, entre outros motivos, que a brasileira não cumpriu as condições necessárias para que a data inicial de rescisão do acordo (24 de abril) fosse prorrogada. Contudo, horas depois que a americana anunciou a desistência, a Embraer classificou a medida como indevida e afirmou que a empresa americana fabricou falsas alegações para não pagar o preço de compra de US$ 4,2 bilhões acertado, e que buscará todas as medidas cabíveis pelos danos sofridos.

Nesta segunda, a brasileira comunicou ter iniciado procedimentos arbitrais por conta da rescisão de contrato.

Vale destacar que o anúncio da Boeing se deu em meio a maior crise de sua história, que envolve dois acidentes com seu principal avião, o 737 MAX, e a paralisação do setor aéreo em decorrência do coronavírus. Nos Estados Unidos, são debatidas formas do governo americano ajudar a companhia, mas que o auxílio, caso fosse concedido, não deveria ser utilizado para fechar a compra da Embraer.

O rompimento do contrato, apesar de ser mal recebido no mercado, não foi visto exatamente como uma surpresa, pelo menos não dentro do governo brasileiro, que já tratava o desfecho como esperado, diante da crise enfrentada pela empresa americana e pelo baque que a pandemia do novo coronavírus provocou no setor aéreo. Na ala militar, conforme ressaltou o jornal O Estado de S. Paulo, o negócio não era unanimidade e, por esse motivo, o desmanche do acerto não foi lamentado, pelo contrário, foi até comemorado.

Isso ocorre por conta da expectativa de que a companhia recupere o controle de sua nova geração de aviões E2, o que pode dar um impulso a longo prazo. “A Embraer se sentiu um pouco apática sem a franquia de E-Jets”, destacou George Ferguson, analista da Bloomberg Intelligence. “Vai ser um ano difícil para todo mundo, mas esse é um gerador de caixa da Embraer”, avaliou à Bloomberg.

Porém, enquanto isso, o fim das negociações adicionam mais incertezas para a companhia, em um cenário que já era bastante complicado para ela. Após investimentos de R$ 485,5 milhões em 2019 no processo de separação do braço de aviação comercial, que iria para a Boeing, a demanda pelo E2, da sua nova família de aviões, está fraca. O setor aéreo, que enfrenta dificuldades por conta da pandemia do coronavírus, agrava a situação de baixa demanda para a companhia.

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Assim, como impacto inicial do cancelamento do negócio, a fabricante de aeronaves deve ajustar os níveis de produção e as despesas de capital. Durante teleconferência aberta ao mercado na manhã desta segunda, os executivos disseram que a Embraer está trabalhando em iniciativas de redução de custos para preservar e reduzir as saídas de caixa em US $ 1 bilhão, o que foi visto como excessivamente otimista pelo Bradesco BBI, apesar dos analistas destacarem que a companhia tem caixa suficiente para 2020 e 2021.

Victor Mizusaki e Gabriel Rezende, analistas do banco, cortaram a projeção para encomendas de jatos comerciais e executivos em 49% e 10%, respectivamente, para 2020 levando a uma redução nas expectativas para a receita em 22%. Para 2021, a queda esperada é de 44% e 14%, também levando a uma baixa nas expectativas de receita em 22%. ” Em nossa opinião, a Covid-19 levará ao adiamento de entregas de aeronaves e novos pedidos. Além disso, a Embraer precisará competir com a Airbus no mercado de jatos regionais”, apontam.

Alguns caminhos são destacados para a Embraer após o fracasso da joint venture, uma delas sendo apontada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o governo pode negociar a venda da Embraer com outra companhia e que a decisão cabe a ele, já que o governo federal tem a chamada golden share, que dá ao governo poder de veto em decisões estratégicas na empresa.

De acordo com o Bradesco BBI, um acordo de venda poderia acontecer na China, que quer crescer na aviação com a estatal China Commercial Aircraft (Comac), colocando o setor aeroespacial como de valor estratégico.

A Comac, cabe lembrar, enfrentou várias dificuldades com a certificação de seus dois modelos de aeronaves ARJ21 (70 a 80 assentos) e C919 (158 a 168 assentos) nos EUA e na Europa. A fabricante chinesa também analisou um possível acordo com a Bombardier em 2017, mas o governo canadense preferiu a união com a Airbus. “A Embraer possui um histórico comprovado em desenvolvimento e certificação de produtos, o que poderia explicar o interesse da Comac em buscar uma joint venture com a brasileira, nos mesmos moldes da usada pela Boeing”, avalia o Bradesco BBI. Para os analistas, essa transação não enfrentaria dificuldades para ser aprovada pelo Antitrust autoridades, pois deve fortalecer um terceiro ator para quebrar o duopólio da Boeing-Airbus.

O banco suíço também aponta que, com o acordo agora quebrado e a lógica de reforçar seus negócios de aviação comercial ainda como meta, não é estranho que outras empresas conversem com a brasileira. Os analistas também apontam a China como uma possível interessada, destacando que a Embraer traria talento para o design e desenvolvimento mas, o que é mais importante, a experiência e a capacidade global em uma rede de serviços globais e suporte.

Outras possibilidades são aventadas pelo mercado, mas de mais curto prazo, e que envolveriam o governo: a brasileira pode precisar de socorro governamental em meio à crise (seguindo o exemplo da Boeing, que pediu ajuda de Washington).

Em vídeo enviado no sábado a funcionários, porém, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirma que a empresa tem liquidez “suficiente e acesso a fontes de financiamento para alavancar seus negócios”.

O Bradesco BBI aponta que a Embraer tem US$ 2,8 bilhões em caixa, suficiente para sobreviver a dois anos de zero encomendas. “Apesar da situação financeira confortável, a Embraer precisará reduzir seus custos fixos para superar o novo cenário, que pode reduzir o interesse das companhias aéreas em fazer pedidos com a Embraer, uma situação semelhante ao vivido pela Bombardier até o fechamento da parceria com a Airbus”, avaliam os analistas.

Mais pressão no curto prazo

Como já observado na sessão em que o rumor ganhou força no mercado e também no pregão desta segunda, a expectativa é de que os papéis da companhia sejam fortemente impactados no curto prazo por conta do enfraquecimento competitivo da Embraer sem a parceria com a Boeing, já somado ao cenário dificil com o coronavírus. Um dos argumentos para a união entre as duas companhias era de que a Embraer tinha ficado muito pequena em um mercado com grandes empresas se consolidando, o que tornava necessário o apoio da Boeing.

A empresa vai enfrentar uma competição ainda maior com a Airbus no segmento de aviões comerciais, empresa de maior escala e com amplo portfólio de clientes.

Desde que a Airbus comprou o controle do programa de aeronaves CSeries, da Bombardier (renomeado posteriormente para A220), a participação da Airbus atingiu 88%, ante os 12% do jato E2 da Embraer, apontam Mizusabi e Rezende.

“A Airbus utilizará seu relacionamento com companhias aéreas para conseguir novas encomendas pelo A220. Além disso, em sua intensa competição com a Boeing, a Airbus pode vender com desconto os A220 para conseguir novas encomendas, o que deve resultar em efeitos colaterais para a Embraer”, avaliam.

Em meio a esse cenário, somado ao impacto do coronavírus, o Bradesco BBI cortou a projeção de US$ 179 milhões para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para um valor negativo de R$ 217 milhões.

“Se as aéreas globais já estão ‘sangrando’ com o coronavírus, os efeitos para a Embraer são ainda mais sérios”, apontam os analistas.

Eles lembram ainda que a Covid-19 também tem implicações em novos pedidos de aeronaves com as fabricantes devido a: 1) excesso de aeronaves no mercado secundário e 2) baixos preços do petróleo reduzindo necessidade de comprar uma nova aeronave com baixo consumo de combustível. Por fim, as restrições regulatórias impostas para o setor de companhias aéreas, como a configuração do assento da aeronave, podem mudar substancialmente a economia de jatos regionais. A Aeromexico, por exemplo, reduziu a capacidade de assento dos jatos Embraer e aeronaves B737 em 50% e 33%, respectivamente, devido à necessidade de distanciamento de passageiros.

Com todo esse cenário no radar, os analistas do banco fizeram um corte duplo na recomendação para os American Depositary Receipts (ADRs na sigla em inglês, ou recebido de ações) negociados na bolsa americana, de outperform (desempenho acima da média do mercado) para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), além de um corte no preço-alvo em 84%, passando de US$ 25 para US$ 4, uma queda de 31% frente o fechamento de US$ 5,82 da última sexta-feira (24).

O corte incorpora uma previsão de queda de 49% nas entregas de aviões comerciais em 2020 e de 50% no longo prazo. “Nossa recomendação de venda está baseada na covid-19 levando companhias aéreas a atrasar, em 2020 e 2021, recebimentos e novas encomendas, na intensa competição com a Airbus e um ‘valuation’ considerado pouco atrativo”, afirmam.

O UBS, por sua vez, segue com recomendação neutra e preço-alvo de US$ 9 para os ADRs (com potencial de alta de 54%), também avaliando verem queda nos pedidos, com destaque para os E-Jets – a projeção atual é de 65 pedidos ante 89 em 2020. O Morgan Stanley, que tinha como cenário uma redução dos valores do acordo em 25% levando em conta os fracos resultados comerciais nos últimos dois anos, mas não uma suspensão, também possui recomendação equivalente à neutra e preço-alvo de US$ 9.

Apesar da pressão de curto prazo, o Morgan avalia que o que poderia limitar a queda das ações é que ela não possui grandes preocupações de liquidez a médio e longo prazo. Além disso, um pequeno fator atenuante do cancelamento do negócio é que o governo brasileiro poderia fornecer mais apoio ao a ela e efetuar pagamentos para o setor de defesa de maneira mais oportuna no futuro.

“Será um desafio, pois esse ambiente será um desafio para todos “, disse Ron Epstein, analista do Bank of America, acrescentando que não espera que o tráfego aéreo global volte aos níveis do ano passado até 2023. “Mas eu esperaria que eles [a Embraer] sobrevivessem e seguissem em frente”, avalia.

A Embraer ainda apontou um outro caminho após o fim da parceria. “Nosso negócio da aviação comercial continua forte, somos líderes no mercado de jatos regionais com mais de 60% de participação de mercado e acreditamos que os jatos regionais liderarão a recuperação do setor de aviação, à medida que as companhias aéreas retomarem suas operações por meio de rotas regionais e domésticas, que são nossos principais mercados. Outra vantagem para a Embraer é a exposição nos Estados Unidos que representa quase dois terços das nossas entregas no curto prazo”, disse a Embraer, em entrevista por escrito ao Broadcast.

Enquanto isso, outras questões estão no radar para a companhia. Entre os quase R$ 500 milhões gastos para completar o negócio com a Boeing, houve despesas com assessores financeiros e jurídicos, a criação de novas empresas para acomodar a parceria, adaptação de suas fábricas e migração de funcionários. Com a revisão de tudo isso, provavelmente haverá custos extras nas operações.

Além disso, uma questão pendente é que, se acordo fosse concretizado, previa-se o pagamento de um dividendo especial de US$ 1,6 bilhão aos acionistas da Embraer, o que não irá acontecer.

Também ganha destaque como será a disputa na Justiça entre as duas companhias, que terá como palco o Distrito Sul de Nova York, conforme as partes definiram no memorando de entendimentos.

A aplicação da lei de Nova York na disputa seria desfavorável para a brasileira, conforme apontaram fontes ao Broadcast. “A lei de NY tende a proteger o que está no contrato. É muito mais difícil declarar nula uma cláusula. No Brasil, caso se provasse que a Boeing agiu com culpa grave ou dolo, haveria uma chance muito grande que possíveis cláusulas de limitação de dano fossem revertidas”, afirmou uma das fontes. Todas as cláusulas do contrato, entretanto, ainda são desconhecidas. “Há alguns contratos em que até os custos com a operação de M&A não podem ser cobrados caso o acordo não aconteça”, explicou a fonte. De qualquer forma, a expectativa, conforme especialistas, é de um longo processo de litígio entre as concorrentes.

O cenário é de incertezas para os acionistas da Embraer, que ficarão de olho nas disputas entre a Boeing e a brasileira e também sobre uma possível ajuda do governo para o setor, assim como interesses de outras companhias em sua operação comercial. Até que mais definições aconteçam, a expectativa dos analistas é de maior pressão no curto prazo para os ativos.

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Bolsonaro afirma que Embraer poderá negociar venda com outra empresa

(Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira, 27, que o governo pode negociar a venda da Embraer (EMBR3) para outra empresa, após a norte-americana Boeing desistir da compra. Bolsonaro destacou que a decisão cabe a ele, já que o governo federal tem a chamada golden share, que dá ao governo poder de veto em decisões estratégicas na empresa.

“Estamos avaliando, tenho o golden share, é minha, eu assino, tá? Se o negócio realmente for desfeito, talvez recomece uma nova negociação com outra empresa”, disse Bolsonaro, ao sair do Palácio da Alvorada ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes.

No último sábado, a Boeing anunciou que encerrou as negociação para comprar a divisão de aviação comercial da Embraer. As empresas haviam anunciado o acordo de US$ 4,2 bilhões em julho de 2018 e o fim das conversas deixa a empresa brasileira em situação delicada.

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A desistência acontece em meio à paralisação do setor aéreo em decorrência da pandemia da covid-19

Em resposta, a fabricante brasileira de aeronaves convocou investidores para uma teleconferência nesta segunda-feira.

Caso decidam judicializar o contrato com a Boeing, o litígio entre as empresas terá como palco a Justiça dos Estados Unidos, no distrito sul de Nova York, conforme as partes definiram no memorando de entendimentos.

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Após Boeing, Embraer aposta na retomada de setor dos EUA para recuperar fôlego

A maior exposição ao mercado de jatos regionais nos Estados Unidos e a expectativa de pronta retomada depois da ajuda do governo norte-americano às companhias aéreas são a aposta da Embraer (EMBR3para sua recuperação depois do fim do acordo com a Boeing em meio à crise do covid-19.

“Nosso negócio da aviação comercial continua forte, somos líderes no mercado de jatos regionais com mais de 60% de participação de mercado e acreditamos que os jatos regionais liderarão a recuperação do setor de aviação, à medida que as companhias aéreas retomarem suas operações por meio de rotas regionais e domésticas, que são nossos principais mercados. Outra vantagem para a Embraer é a exposição nos Estados Unidos que representa quase dois terços das nossas entregas no curto prazo”, disse a Embraer, em entrevista por escrito ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A fabricante brasileira, que deve entrar em um embate com a norte-americana Boeing, que desistiu de formar uma parceria no mercado de aviação comercial, disse que as companhias aéreas dos EUA estão mais avançadas em seu pacote de resgate do governo Donald Trump, o que facilitará o reinício das operações.

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“É importante mencionar ainda que nossas entregas nos EUA estão relacionadas principalmente à substituição de aeronaves e, com o retorno das atividades das companhias aéreas, acreditamos que essas entregas também serão retomadas”, disse a Embraer

A companhia brasileira destacou seu portfólio de aeronaves de última geração, com a família E2 de jatos regionais, que foi desenvolvida em conjunto com várias campanhas de vendas ativas. “Também temos uma linha de montagem flexível que pode produzir jatos E1 e E2 para ajustar nossa produção a possíveis mudanças no mix de aeronaves”, informou.

A Embraer reafirmou que planeja tomar as medidas cabíveis contra a Boeing e exigir uma compensação financeira pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido e da violação do acordo de transação. “A realização dos termos do acordo exigiu investimentos significativos e um complexo e demorado processo iniciado há mais de dois anos”, disse.

Questionada se a Boeing teria, ao longo de quase dois anos de negociação, tomado posse de informações estratégicas sobre projetos de engenharia e desenvolvimentos de produtos da Embraer, a fabricante de aviões respondeu como um singelo “não”.

Sem o acordo da Boeing, a empresa disse que sua posição como líder mundial na indústria aeronáutica e seu portfólio de produtos nos segmentos de aviação comercial, aviação executiva e de defesa e segurança atrai o interesse de outros parceiros internacionais. “No entanto, não temos nada a comentar sobre novas parcerias.”

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Embraer e Boeing elegeram corte no Distrito Sul de NY para eventual litígio

Um dos maiores litígios do Globo da década, entre a brasileira Embraer (EMBR3e a norte-americana Boeing, se confirmado, terá como palco a Justiça dos Estados Unidos, em particular o Distrito Sul de Nova York, conforme as partes definiram no memorando de entendimentos, firmado há mais de dois anos e que foi obtido pelo Broadcast.

A aplicação da lei de Nova York na disputa seria desfavorável para a brasileira, conforme fontes, que falaram na condição de anonimato. “A lei de NY tende a proteger o que está no contrato. É muito mais difícil declarar nula uma cláusula. No Brasil, caso se provasse que a Boeing agiu com culpa grave ou dolo, haveria uma chance muito grande que possíveis cláusulas de limitação de dano fossem revertidas”, afirmou uma das fontes. Todas as cláusulas do contrato, entretanto, ainda são desconhecidas. “Há alguns contratos em que até os custos com a operação de M&A não podem ser cobrados caso o acordo não aconteça”, explicou a fonte.

De qualquer forma, a expectativa conforme especialistas é de um longo processo de litígio entre as concorrentes, exatamente em um momento de amplas dificuldades diante das consequências da crise trazida pela pandemia da covid-19, que afetou em cheio o setor da aviação. Procurada, a Embraer disse que não vai comentar a corte eleita para eventuais litígios. A companhia acrescentou que encerrou 2019 com uma sólida posição de caixa e não tem dívidas significativas nos próximos dois anos. “Mesmo assim, vamos passar a adotar medidas adicionais para preservar nossa liquidez e manter nossas sólidas finanças durante esses tempos turbulentos, o que inclui ajustes de estoque e produção, extensão de ciclos de pagamento, redução de despesas e capex e acesso a fontes complementares de financiamento”.

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A Embraer já tinha começado a se movimentar para concluir o negócio e gastou cerca de R$ 485 milhões para segregar sua divisão comercial. A empresa também transferiu sua sede da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São José dos Campos, para o bairro Eugênio de Melo, na mesma cidade paulista. Conforme os executivos da Embraer, em teleconferência para apresentar os números do quarto trimestre, o atraso no fechamento do acordo representa custo adicional mensal entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões.

Logo depois que o negócio foi anunciado o modelo da operação foi fortemente criticado pelos acionistas minoritários da Embraer, que acusaram que o formato a escondia a troca de controle da empresa. Na época, acionistas minoritários recorreram à Comissão Europeia para tentarem impedir a consumação da venda do controle da divisão de aviação comercial da Embraer como foi proposto pela Boeing, já que, segundo o grupo, seria vendida a parte mais rentável da empresa, deixando sem fôlego o restante. A expectativa, agora, é que Associação Brasileira de Investidores questione a Embraer na Justiça brasileira, principalmente por conta dos gastos já desembolsados por conta da operação que não saiu do papel.

Ao cancelar a operação, a Boeing afirmou que a Embraer não atendeu às “condições necessárias” para que o acordo fosse concluído. Questionada pela reportagem sobre que questões seriam essas, a Boeing se limitou a dizer que são “elementos-chave dos termos da parceria”.

A Embraer, por sua vez, fez duras críticas à norte-americana e deu sinais que a disputa será iminente ao afirmar que a Boeing adotou um padrão sistemático de atrasar e violar o acordo em razão da sua intenção de não concluir a operação por causa dos seus “problemas reputacionais” envolvendo a crise do 737 MAX e dificuldades financeiras.

De acordo com o sócio da Giamundo Neto Advogados e Especialista em arbitragem, Camillo Giamundo, a crise da pandemia não seria uma justificativa para se romper o contrato. “É um acordo longo. Nesses quase dois anos uma série de custos foram contabilizados”, disse.

Segundo o especialista em arbitragem comercial internacional da Clyde & Co LLP, Felipe Sperandio, muitas dúvidas ainda pairam sobre o futuro dessa disputa. As principais linhas de argumentação devem ser a condição precedente do acordo (que a Boeing disse não ter sido cumprida pela Embraer, que nega) e se houve má fé da Boeing ao supostamente ter procrastinado o processo para justificar o cancelamento.

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