Em assembleia tensa, acionistas da Petrobras destituem Castello Branco; Carlos Alberto Oliveira é nomeado CEO interino

Roberto Castello Branco (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O governo venceu a batalha com o mercado financeiro e conseguiu eleger 7 dos 8 nomes que indicou ao conselho da Petrobras (PETR3; PETR4). Grandes fundos de investimento estrangeiros ficaram com apenas uma das duas vagas disputadas com a União, numa conturbada Assembleia-Geral Extraordinária (AGE) de mais de três horas de duração. Entre os eleitos está o general Joaquim Silva e Luna, substituto de Roberto Castello Branco. O executivo foi demitido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e deixou a estatal nesta segunda-feira, 12.

A definição do conselho de administração da Petrobras estava sendo aguardada pelo mercado financeiro. Isso porque vai ficar nas mãos dos seus membros a responsabilidade de decidir possíveis mudanças de rota na gestão da empresa. Há dúvidas, por exemplo, se os novos gestores vão manter a atual política de reajustes de preços dos combustíveis e também o programa de venda de ativos da companhia, conduzidos até então por Castello Branco.

O executivo deixa o cargo após ser alvo de severas críticas de Bolsonaro. Castello Branco foi demitido no dia 19 de fevereiro pelas redes sociais, um dia após ser acusado de ser insensível às dificuldades de consumidores em arcar com a alta dos preços dos combustíveis neste ano. O foco da desavença foram os caminhoneiros, uma importante base eleitoral do presidente da República.

Diante dos sucessivos aumentos de preços do óleo diesel neste ano, a categoria ameaçou repetir a greve histórica que parou o País em maio de 2018.

Na tentativa de ampliar a resistência a possíveis intervenções do governo na companhia, os acionistas minoritários chegaram a indicar quatro candidatos. Mas, no meio da AGE, mudaram de ideia e retiraram duas candidaturas – do advogado Leonardo Antonelli, que tentaria uma recondução, e do banqueiro José João Abdalla. Cientes de que não conseguiriam todos os votos que esperavam, preferiram concentrar os esforços no advogado Marcelo Gasparino. Eleito, ele vai ocupar a vaga de Antonelli no colegiado.

Uma única indicada do governo não conseguiu se eleger, a advogada e especialista em recursos humanos e governança Ana Silvia Corso Matte. Ela não atingiu a marca de 4,6 bilhões de votos mínimos. A União precisaria da ajuda de minoritários para emplacar a candidata, mas não teve sucesso.

O conselho da Petrobras foi reformulado para atender a uma determinação da Lei das Sociedades Anônimas. Pela legislação, se um membro do colegiado sai, todos os demais eleitos na mesma chapa também devem sair. Com a demissão de Castello Branco, ficaram oito vagas em aberto. O conselho é formado, ao todo, por 11 membros, mas três deles foram eleitos separadamente. Permanecem no colegiado os representantes dos empregados, Rosângela Buzanelli, e dos acionistas minoritários, Marcelo Mesquita e Rodrigo Pereira.

A União conseguiu eleger o executivo do setor de petróleo e gás Márcio Weber e Murilo Marroquim; a administradora de empresas Sonia Vilallobos (um pedido do Ministério da Economia); e a engenheira elétrica Cynthia Silveira, ex-funcionária da petrolífera francesa Total. Os militares Eduardo Bacellar e Ruy Schneider vão ser reconduzidos. Bacellar permanecerá na presidência do conselho.

Também eleito por indicação do governo, o general Silva e Luna vai precisar ainda da aprovação do novo colegiado para assumir o comando executivo da companhia. A data em que isso vai acontecer ainda não está definida. Enquanto isso, um presidente interino foi indicado.

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Bacellar nomeou o diretor-executivo de Exploração e Produção, Carlos Alberto Oliveira, como presidente interino até a eleição e posse de Luna, conforme prevê o estatuto social da empresa. “A Petrobras esclarece que os diretores-executivos que já informaram que não têm interesse de renovar seus mandatos seguem em seus cargos até a posse dos seus sucessores, conforme divulgado em 24 de março de 2021”, disse a empresa.

Oposição

A assembleia foi marcada também pela oposição de acionistas do setor público ao governo. O fundo de pensão e a gestora de recursos do Banco do Brasil, a Previ e o BB DTVM, respectivamente, se abstiveram de votar pela destituição de Castello Branco. A mesma posição tomou o fundo de investimento em renda variável da Caixa Econômica Federal. Na contramão, o BNDESPar se posicionou favorável à saída do executivo, em liga com as pretensões de Bolsonaro.

(com Estadão Conteúdo)

Petrobras reforça que Castello Branco e diretoria cumprirão mandatos

A Petrobras voltou a reforçar que os membros da diretoria e o presidente Roberto Castello Branco estão comprometidos a cumprir seus mandatos, que se encerram no dia 20 deste mês.

A estatal lembra que após esta data, os mandatos serão estendidos automaticamente até que o conselho de administração delibere sobre a eleição do novo presidente e da diretoria.

O esclarecimento vem um dia depois da notícia apurada pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) de que Castello Branco será indicado pelos minoritários da Vale para ser presidente do conselho da mineradora.

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“Quanto mais livre for o mercado, melhor”, afirma diretor-geral da ANP

petróleo plataforma índices preços queda baixa óleo (Getty Images)

Há menos de três meses na direção-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o contra-almirante Rodolfo Saboia tem como uma das prioridades para este ano regulamentar o setor de refino do País, o que vai viabilizar a entrada de agentes privados nas refinarias da Petrobras sem risco de desabastecimento.

Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Saboia ressalta que o livre mercado é o melhor caminho para equilibrar os preços dos combustíveis no Brasil. Qualquer subsídio deve passar por políticas públicas.

Segundo ele, o fato de o presidente indicado para a Petrobras ser um militar não é motivo para mudar a relação da agência com a estatal. “Na hora em que a gente preserva o caráter institucional dessas relações e quando as pessoas agem da forma como as relações institucionais devem acontecer, isso independe da pessoa. Tenho uma relação muito boa com o Roberto Castello Branco (atual presidente da Petrobras) e espero ter uma relação muito boa com o futuro presidente também”, afirma.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O sr. se define como um militar nacionalista ou liberal?

Eu sou um brasileiro. É o máximo que vou te dizer. Eu acredito que o melhor benefício é sempre resultado das leis de mercado funcionando, de um mercado bem regulado, de práticas que impeçam o abuso e que resultem no benefício do consumidor. O consumidor, em última análise, é a meta das nossas práticas.

Seria um liberal de olho no consumidor?

Um liberal tem de estar de olho no consumidor. O bom funcionamento das empresas é benéfico ao consumidor, porque ele vai ter emprego, vai ter renda, recolhimento de impostos. Tudo isso é resultado de um mercado funcionando, com o consumidor no fim da linha. Quanto mais livremente o mercado funcionar, melhor.

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O que a agência vai fazer para proteger o consumidor das sucessivas altas do preço do petróleo?

Os preços dos derivados de petróleo oscilam a partir dos seus insumos, basicamente o petróleo. No momento, a commodity está em alta e praticamente forma o preço do combustível aqui dentro. Agora, se vai haver ações no campo político para tentar mitigar esse ou aquele efeito… Nisso a ANP não se envolve. Subsidia o debate, a discussão do assunto, mas não se envolve nas soluções.

O que fazer com o gás de cozinha, por exemplo, que já ultrapassou os R$ 100?

O GLP é muito difícil. Tanto que existem pessoas situadas abaixo da linha de pobreza que utilizam lenha. O governo adota políticas para isso. São decisões do campo político. É possível alterar o que o consumidor vai pagar, mas não o preço do produto.

Como a agência está se preparando para a mudança no mercado de refino após a quebra do monopólio da Petrobras?

O monitoramento, até o momento, é muito menor do que será no futuro. A gente vai ter de ter capacidade de acompanhar os estoques e o risco de desabastecimento. A gente vai instituir mecanismos de controle. O que a gente precisa para fazer esse controle é informação, inteligência dos estoques, comportamento do mercado. É, basicamente, um sistema de informação que vai contemplar todos os agentes econômicos.

Há uma grande preocupação com a formação de monopólios regionais. Como a regulamentação da ANP pode evitar isso?

O que a gente espera é que sejam abertas oportunidades para que outros agentes enxerguem chances de bons negócios, construindo refinarias menores que atendam aos mercados regionais com eficiência. Vamos garantir que as infraestruturas essenciais de abastecimento, como os terminais marítimos de importação, estejam sempre com acesso liberado a importadores. Nossa agenda regulatória está voltada para essas transformações e o desinvestimento da Petrobras é apenas um deles. Até o fim do ano essa parte particular dos desinvestimentos da Petrobras estará pronta.

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No ano passado não foi possível realizar leilões de áreas de petróleo e gás. Como fica este ano, o preço alto do petróleo ajuda a atrair interessados?

Sem dúvida, o bom preço do petróleo é estimulante. No ano passado, não fazia sentido fazer um leilão com aquele preço. A gente obteria valores muito menores. Mesmo assim, no fim do ano, fizemos o primeiro ciclo da oferta permanente e fomos bem-sucedidos.

Além da 17ª Rodada de Leilão de petróleo, a ANP pensa em fazer mais licitações este ano?

A gente espera também que, condicionado ao fim das negociações entre Petrobras e PPSA (empresa que faz a gestão do pré-sal), a gente possa promover a segunda rodada de (leilão de petróleo) excedentes da cessão onerosa, das áreas de Sépia e Atapu. Mas isso está condicionado ainda a esses entendimentos, que vão deixar mais claro em que termos a negociação com a Petrobras é feita. É preciso definir o que é devido como compensação ao investimento já feito pela Petrobras (em Sépia e Atapu, no pré-sal da Bacia de Santos).

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CVM abre terceiro processo administrativo desde início da crise na Petrobras

Edifício da Petrobras (Shutterstock)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu na segunda-feira, 1º de março, mais um processo para apurar informações envolvendo a Petrobras. É o terceiro aberto pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) desde o início da queda de braço entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e a administração da companhia, que culminou com a troca do comando da petroleira.

O primeiro processo havia sido iniciado no sábado, 20, um dia após Bolsonaro anunciar pelo Facebook a indicação do general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro de administração e presidente da companhia, em substituição a Roberto Castello Branco.

No dia 23, a CVM abriu outro procedimento, já em meio às discussões da administração da companhia sobre a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para efetivar a substituição do executivo e a análise do currículo do general.

Todos os processos administrativos constam em pesquisa no sistema da autarquia, com a informação de que tratam de supervisão de “notícias, fatos relevantes e comunicados”, sem maiores detalhes.

As apurações são conduzidas por duas gerências da SEP. A área técnica é responsável por coordenar, supervisionar e fiscalizar os registros de companhias abertas e de outros emissores, além de fiscalizar a observância de normas sobre registros e a divulgação de informações pelas companhias.

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O sistema da CVM não indica a apuração de eventuais operações atípicas com papéis da petroleira no período recente. Esse tipo de evento costuma ser monitorado pela Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI), mas nem sempre as análises se tornam públicas.

Questionada sobre a existência de investigação de uso de informação privilegiada (insider trading) com ações da Petrobras nas últimas semanas, a CVM informou apenas que “acompanha e analisa informações e movimentações envolvendo companhias abertas, tomando as medidas cabíveis, sempre que necessário”.

Os processos já abertos devem analisar os fatos recentes envolvendo a Petrobras, a partir das declarações do presidente da República, que derrubaram as ações da petroleira e a fizeram perder bilhões em valor de mercado.

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Além desses três casos, há ainda o registro da abertura de uma reclamação de investidor não identificado e outra feita pela Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro), ambas levadas à gerência de orientação aos investidores.

A abertura de um processo administrativo é o primeiro passo para a apuração de potenciais irregularidades por participantes do mercado de capitais. Se a área técnica reunir elementos suficientes pode formalizar uma acusação em um processo administrativo sancionador, isso pode levar ao julgamento e punição dos envolvidos com multa e até inabilitação.

Há ainda a hipótese de a apuração se tornar um inquérito, para que seja aprofundada antes de se chegar a uma acusação.

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Camiseta com “recado” a Bolsonaro e promessa de transição suave: a última tele de resultados de Castello Branco como CEO da Petrobras

Roberto Castello Branco com a camiseta com os dizeres Mind the Gap (Foto: Reprodução/Petrobras)

O presidente da Petrobras (PETR3; PETR4), Roberto Castello Branco, se pronunciou nesta quinta-feira (25) pela primeira vez após a intervenção do presidente da República, Jair Bolsonaro, na estatal – ele indicou o general da reserva Joaquim Silva e Luna para o comando da empresa, em meio a críticas à política de preços de combustíveis da companhia, que seguem a cotação internacional do petróleo.

Ao apresentar a analistas do mercado o resultado da Petrobras no quarto trimestre de 2020, Castello Branco defendeu a política de preços de combustíveis da estatal, a Política de Paridade Internacional (PPI), e afirmou que as decisões sobre o assunto são reflexo do mercado de petróleo e levam em conta princípios da governança. “Ninguém fica sentado em casa aumentando preços, é um trabalho de equipe”, explicou.

Ele disse ter sido acusado injustamente de falta de transparência e que “o preço dos combustíveis ainda é alvo de palpites de jogo de futebol”.

Para o executivo, não há exagero nos preços no Brasil, embora os impostos sejam elevados. “Falo isso baseado em estatísticas com preços de 160 países. A média dos preços do País está abaixo da média global. Mesmo se corrigirmos pela renda per capita, o preços ficam ligeiramente abaixo da média global”, afirmou, na teleconferência.

Castello Branco vestia uma camiseta com a frase “mind the gap”, que significa “cuidado com o vão” e é usada em estações de metrô em cidades de língua inglesa para alertar os passageiros sobre o vão entre o trem e a plataforma. “Gap” também pode se referir a intervalo ou à defasagem entre duas coisas, o que muitos entenderam como um recado para Bolsonaro em meio ao aumento da disparidade dos preços de combustíveis praticados pela Petrobras em relação à cotação internacional. O reajuste do diesel e da gasolina realizado na semana passada para diminuir o “gap” dos preços foi um dos grandes motivos para o governo indicar um novo nome para comandar a estatal.

Mas, ao ser questionado sobre o assunto, ele afirmou que ‘mind the gap’ foi o lema adotado pela diretoria da Petrobras na elaboração do planejamento estratégico da empresa. O compromisso era “fechar o gap/vão” que separa a Petrobras dos seus pares internacionais.

Ele ainda afirmou: “É surpreendente dedicarmos tanta atenção ao tema da PPI no século 21. Petróleo é commodity, cobrada em dólar, não há como fugir”. “A empresa ainda é muito endividada, em dólar; como conciliar com receita em real?”, comentou executivo, acrescentando que, “se o Brasil quer ser uma economia de mercado, tem que ter economia de mercado”. “Preços abaixo do mercado geram consequências negativas.”

Este ano a Petrobras já reajustou os preços nas suas refinarias quatro vezes. Com isso, diesel e a gasolina acumulam alta de 27,5% e 34,8%, respectivamente, em 2021.

Os números de 2020, divulgados na quarta-feira, 24, mostram que a empresa teve lucro líquido de R$ 59,9 bilhões no últimos três meses do ano, um salto de 635% ante igual período de 2019, resultado muito acima do esperado por analistas e o maior para um trimestre, pelo menos, desde 2008. No acumulado do ano, a empresa conseguiu um resultado positivo, mas bem menor, de R$ 7,1 bilhões.

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“A Petrobras de hoje é melhor do que era um ano atrás”, afirmou Castello Branco. “Nosso compromisso foi terminar (a crise) melhor do que começamos.” Com o resultado, a petroleira conseguiu reverter o prejuízo dos três primeiros trimestres do ano, apagando as perdas causadas pela pandemia de covid-19, que parou a economia e derrubou a demanda por petróleo.

O lucro, no entanto, foi puxado, principalmente, por reversões de baixas contábeis que foram feitas por causa da crise causada pela covid-19, mas puderam ser desfeitas na esteira da retomada da economia mundial.

Home office

O executivo destacou a adoção do home office por parte dos funcionários da companhia durante a pandemia. “O home office contribuiu não só para diminuir a contaminação pelo coronavírus, mas também contribuiu para reduzir custos e aumentar a produtividade”, disse.

Segundo ele, o home office é uma inovação que o momento exige e “vitorioso é quem sabe mudar”.

Saiba mais sobre o resultado da Petrobras assistindo ao vídeo abaixo: 

Na semana passada, Bolsonaro criticou o fato de Castello Branco estar trabalhando de casa por causa da covid-19 – o executivo tem mais de 60 anos e faz parte do grupo de risco da doença. “O atual presidente da Petrobras está há 11 meses de casa, sem trabalhar. Trabalha de forma remota. O chefe tem que estar na frente, bem como seus diretores. Isso para mim é inadmissível. Descobri isso faz poucas semanas”, afirmou o presidente.

Dividendos

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Castello Branco citou ainda a distribuição de R$ 10,3 bilhões em dividendos, em abril. Segundo ele, o retorno aos acionistas “é muito pobre, mas é o que podemos fazer”.

Mudança de comando na estatal

O executivo afirmou que a transição da sua saída da empresa para a entrada de Silva e Luna “deve ser suave” e que ele estará disponível a ajudar para que assim seja. Ele informou, porém, que não tem informação sobre o processo de transmissão de comando.

Antes de realizar suas perguntas, analistas de mercado elogiaram o trabalho de Castello Branco e o parabenizaram pelos resultados alcançados.

As consequências de sua saída da presidência da Petrobras, prevista para março, concentrou as perguntas dos especialistas na teleconferência.

Ele afirmou que continuará a torcer por uma trajetória virtuosa da Petrobras, mesmo fora da companhia, e se recusou a fazer comentários sobre o futuro da empresa. “Não devo nem posso opinar, cabe aos que me sucederem”, frisou.

Contudo, reconheceu que os recentes acontecimentos geraram preocupações de investidores a respeito da compra de refinarias. “Quanto aos proponentes para comprar as refinarias, eu vi manifestações de preocupação apenas. Mas, até o momento, não houve nenhuma desistência”, afirmou.

Perguntado, ele informou que a diretoria vai permanecer até o fim do mandato (20 de março) e que vai continuar trabalhando até lá com um forte compromisso com a companhia.

(Com Agência Estado)

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Estatais precisam ter função social e Silva e Luna dará nova dinâmica à Petrobras, diz Bolsonaro

Jair Bolsonaro, presidente da República (REUTERS/Ueslei Marcelino) Jair Bolsonaro, presidente da República (REUTERS/Ueslei Marcelino)

(Reuters) – Todas as estatais precisam cumprir uma função social e é inadmissível um presidente de uma dessas companhias que não tenha essa compreensão, disse nesta quinta-feira o presidente Jair Bolsonaro, que afirmou ainda que o general Joaquim Silva e Luna dará uma nova dimensão à Petrobras (PETR3; PETR4).

“Uma estatal, seja ela qual for, tem que ter sua visão de social. Não podemos admitir uma estatal e um presidente que não tenha essa visão”, disse Bolsonaro em discurso durante cerimônia sobre a revitalização do sistema elétrico de alta tensão de Furnas em Foz do Iguaçu (PR), com a presença de Luna e Silva, atual presidente pelo lado brasileiro da Itaipu Binacional e indicado por Bolsonaro para comandar a Petrobras.

“O convite que fizemos ao senhor general Silva e Luna para presidir a Petrobras visa uma nova dinâmica àquela empresa e neste momento eu agradeço a ele por ter aceitado esse convite. E pode ter certeza que todos aqueles que dependem do produto da Petrobras vão se surpreender positivamente com o seu trabalho quando ele lá assumir.”

Bolsonaro decidiu trocar o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, por Silva e Luna após o mais recente reajuste no preço dos combustíveis promovido pelo estatal, que foi criticado pelo presidente.

O preço do óleo diesel é uma das principais reclamações de caminhoneiros que vêm ameaçando realizar graves e foram uma base eleitoral importante para Bolsonaro.

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Petróleo é commodity, cobrada em dólar e não há como fugir, diz Castello Branco

O presidente da Petrobras (PETR3;PETR4), Roberto Castello Branco, defendeu nesta quinta-feira, 25, novamente a política de preços de combustíveis da estatal, a Política de Paridade Internacional (PPI), no foco das críticas de Jair Bolsonaro. “É surpreendente dedicarmos tanta atenção ao tema da PPI no século XXI. Petróleo é commodity, cobrada em dólar, não há como fugir”, afirmou em teleconferência sobre os resultados da companhia.

“A empresa ainda é muito endividada, em dólar; como conciliar com receita em real?”, disse o executivo, acrescentando que se o Brasil quer ser uma economia de mercado, tem que ter economia de mercado. “Preços abaixo do mercado geram consequências negativas”, comentou.

Como vem argumentando, novamente o presidente da Petrobras refutou que o combustível no País esteja caro, principalmente o óleo diesel. Segundo o executivo, pelo contrário, o valor cobrado no mercado interno está abaixo do da média global.

Ao ressaltar cortes de custos em sua gestão, destacou o plano de demissão voluntária (PDV), que contou com a adesão de 11 mil funcionários, dos quais 6 mil já deixaram a empresa.

O retorno aos acionistas ainda é “muito pobre”, afirmou Castello Branco. Segundo ele, “o caixa ao longo do tempo deve ser reduzido para melhorar a eficiência na alocação de capital”.

Castello Branco concluiu sua fala, então, elogiando os funcionários da companhia. “A empresa está numa trajetória excelente para ser a maior petrolífera com entrega de valor a acionistas”, disse.

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O que Joaquim Silva e Luna, indicado para a presidência da Petrobras, pretende fazer à frente da companhia

General Joaquim Silva e Luna, anunciado por Bolsonaro como novo presidente da Petrobras (WikimediaCommons)

(Bloomberg) — A Petrobras (PETR3;PETR4)  precisa de austeridade, previsibilidade de preços e transparência, disse o general Joaquim Silva e Luna, indicado para a presidência da estatal pelo presidente Jair Bolsonaro, em entrevista à Bloomberg.

Atual diretor-geral de Itaipu e ex-ministro da Defesa, ele afirmou que vai trabalhar com o Conselho de Administração da estatal para avaliar a questão dos preços dos combustíveis.

Para Silva e Luna, a empresa deve continuar com o foco nas operações do pré-sal e pode atrair empresas nacionais e estrangeiras interessadas em sua área de refino.

Veja os principais trechos da entrevista:

Ao longo da última década, a Petrobras reduziu suas operações no exterior e vendeu campos nacionais para concentrar recursos no pré-sal. Como o senhor ou o presidente Bolsonaro enxergam essa estratégia de desinvestimento?

Silva e Luna – Ainda é muito cedo para eu opinar sobre a política da Petrobras e sobre suas estratégias de negócios. Mas acho, e é achismo mesmo, que não se pode esquecer o básico: a Petrobras é a empresa com maior know-how e detém a liderança mundial em exploração de águas profundas, onde se localizam as reservas do pré-sal. E é no pré-sal que o Brasil possui as maiores reservas de petróleo e gás. Não dá para deixar de se explorar essas riquezas.

A expectativa de resultados da Petrobras em 2020, ainda a serem divulgados, é muito boa e deve mostrar que foi uma decisão acertada investir no pré-sal.

Como sabemos, as refinarias brasileiras ainda não estão preparadas para refinar todo petróleo extraído no Brasil. Na forma como é hoje, o Brasil exporta petróleo que não consegue refinar e importa petróleo mais leve ou combustíveis. Acredito que haja oportunidade de se atrair empresas interessadas em refinar nosso petróleo, tanto para o mercado interno quanto externo.

Onde haverá continuidade e onde haverá novos caminhos na Petrobras?

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Silva e Luna – O Dr. Roberto Castello Branco é um gestor de altíssimo nível, preparado, qualificado e reconhecido, mas no momento, acho ilegítimo e inoportuno, avaliar o que pode ser mantido ou mudado do que fez e faz a atual diretoria, já que o presidente continua em sua cadeira. Aprovada a minha indicação pelo Conselho de Administração da Petrobras, procurarei me reunir com os demais diretores, inclusive se ele me der oportunidade, com o Dr. Roberto Castello Branco.

Quais serão as suas prioridades à frente da Petrobras?

Silva e Luna – Caso meu nome seja aprovado, as prioridades serão definidas em consenso com os demais diretores e Conselho Administrativo. Mas sempre pensando no bem da companha, no melhor possível para os parceiros da Petrobras, sem esquecer dos investidores, dos consumidores e da população brasileira. A Petrobras é a estatal mais importante do País e continuará sendo, independentemente de quem esteja no seu comando. Entendo que se deva ter foco na austeridade, previsibilidade de preços e transparência de suas ações.

Como o senhor pretende administrar o fato de a empresa e os consumidores terem interesses por vezes conflitantes em matéria de preços de combustíveis?

Silva e Luna – Há questões que praticamente não temos o poder de alterar, como o câmbio e o preço internacional do petróleo, que vão impactar fortemente no preço dos combustíveis e afetar o bolso dos consumidores.

Teremos que buscar outros meios – como eu disse, sempre em consenso com os demais diretores e Conselho – tomando medidas em colegiado, para ver o que é possível fazer para que, sem sofrer perdas, a Petrobras possa estabelecer mecanismos que reduzam essas variações de preços constantes e, às vezes, capazes de mexer com quase todos os setores da economia.

Como o senhor pretende conduzir a sua relação com o presidente Bolsonaro à frente da Petrobras?

Silva e Luna – Meu relacionamento com o presidente será como sempre foi, de respeito, consideração e apreço. Ele já declarou que não interferirá na política de preços da empresa. A Petrobras é a empresa mais emblemática e estratégica do Brasil. O presidente Bolsonaro é presidente do Brasil. Nada mais legítimo do que ele acompanhar e torcer por suas vitórias.

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Ingerência de Bolsonaro na Petrobras divide eleitores, mostra XP/Ipespe

Presidente Jair Bolsonaro após reunião no Ministério da Economia em Brasília 27/01/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino Presidente Jair Bolsonaro após reunião no Ministério da Economia em Brasília (REUTERS/Ueslei Marcelino)

SÃO PAULO – A decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de substituir o comando da Petrobras praticamente dividiu ao meio os eleitores entre apoiadores e críticos. É o que mostra rodada extra da pesquisa XP/Ipespe, realizada nos dias 22 e 23 de fevereiro.

Na última sexta-feira (19), Bolsonaro anunciou a troca do atual presidente da estatal, Roberto Castello Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna, que comandava a usina de Itaipu. A decisão ainda precisa ser submetida à análise do conselho de administração da companhia.

De acordo com o levantamento, 70% dos entrevistados tomaram conhecimento da notícia. Deste grupo, 40% dizem que Bolsonaro errou com o movimento, interpretado no mercado financeiro como sinal de alerta de interferência política sobre o funcionamento da estatal – e que levou as ações a uma queda acumulada de 20% em dois pregões.

Já 38% concordaram com a decisão, ao passo que 23% não manifestaram posição a respeito. A pesquisa XP/Ipespe contou com 800 entrevistas telefônicas de abrangência nacional, conduzidas por operadores. A margem máxima de erro é de 3,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Entre os que dizem ter votado em Bolsonaro no segundo turno da corrida presidencial de 2018, o apoio à decisão de trocar o comando da estatal sobe para 62%, contra 18% que dizem não concordar. Já considerando os demais eleitores, os críticos são maioria: 60%, contra 15% de defensores.

O estopim para a troca no comando da Petrobras foi o novo reajuste da companhia sobre os preços dos combustíveis – de 14,7% no diesel e 10% na gasolina. A disparada dos preços fez Bolsonaro zerar a incidência de impostos federais sobre o diesel por dois meses, cedendo à pressão de caminhoneiros, que ameaçavam com a realização de greve.

Segundo a pesquisa, 41% acreditam que os preços dos combustíveis devem ser definidos pelo mercado, mas que o governo estabeleça prazos para os reajustes. Já 25% defendem decisão pelo mercado sem qualquer interferência do governo. Outros 18% dizem que é o governo quem deve ditar os preços, mesmo que isso levasse a um aumento de impostos em geral.

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A pesquisa revelou, ainda, apoio popular a uma postura mais intervencionista do governo na economia. Medidas como a regulação de preços e do comércio entre países são defendidas por 53% da população – 3 pontos percentuais acima do verificado em junho de 2018.

Por outro lado, a resistência a privatizações diminuiu no mesmo comparativo, embora ainda supere o apoio a esse tipo de medida.

Segundo o levantamento, 59% são contra a venda de empresas estatais – 5 pontos percentuais a menos do que em junho de 2018. Já os favoráveis subiram de 28% para 32% no período.

O levantamento também mostrou que a avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro junto ao eleitorado se manteve praticamente inalterada em comparação com o início do mês.

A atual administração é considerada ótima ou boa por 31% dos entrevistados – 1 ponto percentual acima da registrada em 4 de fevereiro. Já o grupo que avalia negativamente a gestão se manteve em 42%.

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Petrobras: o que esperar do resultado hoje, definições do Conselho e possível “bolsa caminhoneiro” movimentam noticiário

SÃO PAULO – Depois da derrocada das ações na segunda-feira e da forte alta dos ativos na sessão seguinte, a ação da Petrobras (PETR3;PETR4) tem uma sessão relativamente tranquila nesta quarta-feira, ainda que isso não queira dizer que não haja volatilidade nos ativos. Depois de abrir com alta de 3%, os ativos zeraram os ganhos durante a manhã, com os investidores ainda repercutindo o cenário de bastante incerteza e o noticiário movimentado para a estatal.

Vale destacar que a Petrobras divulga os números trimestrais e consolidados de 2020 após o fechamento do mercado, um dia depois de seu Conselho de Administração autorizar a realização de uma assembleia extraordinária para a destituição do atual presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, do cargo de membro do colegiado.

Enquanto isso, os investidores monitoram o noticiário sobre medidas para reduzir impactos da alta dos preços do diesel sobre os caminhoneiros sem interferir nas políticas da estatal. Confira os destaques do agitado noticiário da Petrobras e o que esperar do balanço da companhia a seguir:

1. Expectativa por resultado da Petrobras

Em meio a tantas polêmicas, a Petrobras divulgará os seus resultados do quarto trimestre de 2020 nesta quarta-feira depois do fechamento, com a teleconferência de resultados na próxima quinta às 10h (horário de Brasília).

A equipe de análise do Credit Suisse espera resultados sólidos, mas sequencialmente mais fracos devido aos níveis menores de produção, que refletem paralisações para manutenção realizadas no quarto trimestre do ano passado, algo que deve, contudo, ser parcialmente ofuscado pelo valor mais alto do barril do Brent.

“Projetamos um Ebitda [Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações] de US$ 6,5 bilhões, valor 6% inferior ao do terceiro trimestre, nos últimos três meses de 2020. Já para o lucro esperamos US$ 1,9 bilhão, melhor que os US$ 633 milhões registrados no terceiro trimestre, uma vez que os resultados financeiros foram beneficiados pelo efeito da apreciação do real sobre a parcela desprotegida do passivo”, escrevem os analistas do Credit.

Já o Morgan Stanley tem a expectativa de um Ebitda ajustado de US$ 5,166 bilhões, queda de 25% na base trimestral e de 43% na base anual (US$ 9,04 bilhões).

As estimativas da XP, por sua vez, são de que a companhia seguirá com a tendência positiva de resultados no consolidado do ano em meio a uma produção recorde de petróleo no ano passado.

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“Soma-se a isso, uma maior taxa de utilização do parque de refino, estimada em 78% (dados da ANP de outubro e novembro). Além disso, evidentemente destacamos os maiores preços médios de petróleo Brent no quarto trimestre de US$ 45,07 o barril comparados a US$ 43,31 o barril no terceiro trimestre de 2020”, avaliam os analistas.

2. AGE da Petrobras

Mas, muito além do resultado, a repercussão fica para o desfecho da reunião do Conselho de Administração da companhia na véspera. O Conselho autorizou a realização de uma assembleia extraordinária para a destituição do atual presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, do cargo de membro do colegiado, em uma medida que quase garante a saída completa do executivo da companhia.

Em comunicado, a petroleira estatal informou que convocou a reunião em resposta a pedido do Ministério de Minas e Energia, para substituir Castello Branco na liderança da empresa e no colegiado. Na assembleia, os acionistas deverão formalizar a substituição de Castello Branco por Joaquim Silva e Luna no cargo de membro do conselho de administração, general escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro.

O estatuto da Petrobras define que o presidente da Petrobras deve ser escolhido pelo conselho dentre os seus membros. A data de realização da assembleia, que ocorrerá antes da assembleia ordinária de 2021, será definida pelo atual presidente do conselho, “considerando a necessidade de adoção de providências preliminares à citada convocação”, afirmou a Petrobras.

A destituição de Castello Branco do cargo de membro do conselho, uma vez efetivada, acarretará a destituição dos demais sete membros do colegiado, eleitos pelo processo do voto múltiplo em 2020, conforme está previsto na lei, explicou a Petrobras. Dessa forma, a assembleia também irá realizar a eleição de oito membros e do presidente do colegiado.

Conforme aponta o Bradesco BBI, a eleição dos novos membros deve seguir os mais rígidos processos de verificação de antecedentes e de capacidade de atuação. “Por outro lado, resta saber se se mudanças importantes no conselho poderiam levar a possíveis alterações nos rumos da empresa”, avaliam os analistas.

Em comunicado, a Petrobras afirmou que a indicação de Luna será submetida ao processo de análise de gestão e integridade da companhia e objeto de análise pelo Comitê de Pessoas.

Segundo a companhia, o conselho informou ainda que “continuará a zelar com rigor pelos padrões de governança da Petrobras, inclusive no que diz respeito às políticas de preços de produtos da companhia. Os membros da Diretoria Executiva têm mandato vigente até o dia 20 de março de 2021 e contam com o apoio do conselho”.

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Conforme destaca a Reuters, o comunicado da companhia praticamente descarta a possibilidade de uma prolongada luta legal e política em torno da troca do CEO. Embora sete dos 11 conselheiros da Petrobras sejam indicados pelo governo, a maioria permaneceu leal a Castello Branco nas últimas semanas, mesmo sob pressão de Bolsonaro, segundo duas fontes.

Pouco antes da assembleia, a votação sobre a reeleição de Castello Branco para mais um mandato, que termina em 20 de março, foi substituída na ordem do dia por uma que definisse a assembleia geral, disse uma das fontes à agência.

3. Medidas para a transição

O Estadão, por sua vez, destaca que a equipe do general Silva e Luna já entrou em contato com a Petrobras para iniciar o processo de transição para a nova gestão da companhia, que deve ser iniciada entre o final de março e o início de abril.

A publicação aponta que, enquanto não assumir o posto, dificilmente o general deverá emitir sua opinião sobre os temas mais polêmicos da estatal, informaram fontes próximas, como a forma que irá utilizar para tornar os preços dos combustíveis mais “transparentes e previsíveis”, como deseja o presidente da República, Jair Bolsonaro, e prioridade de Luna, e também sobre o processo de venda das oito refinarias da companhia.

Mas o entendimento do general é de que será buscado um equilíbrio nos preços, o que será feito com suporte técnico e sem atropelos. Os estudos, porém, já começam a ser feitos pela equipe, formada por um número pequeno de pessoas, segundo uma fonte, e que deve acompanhar o general na mudança para o Rio de Janeiro.

Sobre o assunto de equilíbrio de preços, em entrevista à Rádio Bandeirantes na segunda-feira, Luna falou sobre a possível criação de um fundo de compensação dentre os mecanismos para conter o grau de reajustes. Ele mencionou sua experiência em Itaipu, onde segundo ele buscava-se manter sempre um volume de água no reservatório que assegurasse o cumprimento dos contratos da usina, o que funcionava como um “colchão regulador”.

Ao comentar a notícia na véspera, o Bradesco BBI destacou que a medida poderia ser positiva, uma vez que haveria (1) a criação ou uma política de preços racional, que evitaria perdas para a empresa, e (2) ventos favoráveis para apoiar a continuação do processo de venda da refinaria (ponderando se isso for algo que o governo ainda deseja fazer).

Porém, nesta data, o BBI apontou uma outra notícia, desta vez do Valor Econômico, que ressalta que Paulo Guedes, ministro da Economia, é contra a criação desse fundo porque, dentre outros motivos, não haveria espaço no Orçamento para tanto, algo já alertado pelos analistas do banco.

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O BBI ressaltou que o país estaria abrindo mão de receitas significativas para esse propósito em especial. “Por exemplo, hoje, para financiar os preços da gasolina e do diesel 10% abaixo da paridade, o governo precisaria gastar cerca de R$ 15 bilhões por ano, enquanto as receitas de royalties variaram de R$ 40 bilhões a R$ 60 bilhões nos últimos anos (30%). De qualquer forma, se essa iniciativa avançar, essa seria uma solução racional e estrutural para o dilema do diesel no Brasil”, avaliaram.

4. Outras medidas: bolsa caminhoneiro?

O jornal Folha de S. Paulo, por sua vez, apontou que o governo do presidente Jair Bolsonaro tem avaliado medidas para reduzir impactos da alta dos preços do diesel sobre os caminhoneiros sem interferir nas políticas da Petrobras, o que incluiria a criação de um “voucher caminhoneiro”.

O mecanismo envolveria restituição de valores equivalentes à tributação federal sobre o combustível (PIS/Cofins) quando os preços aumentam, com um cálculo por média de quilômetros rodados e consumo, de acordo com a publicação, que não citou fontes.

O Executivo ainda estuda um pacote de bondades para os caminhoneiros que passaria também pela alteração em regra de pesagem, mas ainda não há uma data para que isso seja apresentado, acrescentou o jornal.

(Com informações de Bloomberg,  Reuters e Agência Estado)

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