As ações preferidas de um caçador de small caps

Segundo seu perfil no Linkedin, Rafael Maisonnave é um gestor, ou portfolio manager, como se diz na Faria Lima. Mas conversando com ele e olhando sua carteira de ações, chegamos a conclusão de que seria mais preciso se o chamássemos de caçador de small caps.

Maisonnave é o convidado do episódio 85 do Stock Pickers, que você pode ouvir clicando no play acima ou aqui mesmo.

A lógica que faz Maisonnave focar nas small caps é simples. As empresas com menor capitalização, liquidez diária ou cujo free float (a parte do total de ações que é negociada em bolsa) costumam ser quase sempre as menos analisadas pelos profissionais. E a chance de um investidor encontrar algo que ninguém mais viu será sempre muito maior se ele procurar onde ninguém mais está olhando.

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Com essa filosofia, o fundo Tarpon GT (clique aqui para conhecer o fundo), que Maisonnave toca, chegou a uma carteira com papéis bastante fora do radar para a maioria. O fundo hoje tem 30% do seu patrimônio em ações da Kepler Weber (KEPL3), construtora de silos para produtores de grãos; 8,5% em Wilson & Sons (WSON33), dona de rebocadores e terminais navais de carga no Rio Grande do Sul e Bahia e 14,5% na Fras-le, fabricante de auto peças.

Para entender melhor a carteira do caçador de small caps, é só dar play.

Por que a fabricante de máquinas Romi deve sair fortalecida da crise

Depois de um período de incertezas por conta dos sérios impactos econômicos da pandemia, volto a analisar esses efeitos nas empresas que costumam estar presentes neste espaço.

Destaco a Indústrias Romi, que completou 90 anos em junho e, ao longo das décadas, já atravessou e superou muitas crises.

Para aqueles que acompanham as publicações deste blog, a Romi é uma empresa que analisamos desde 2016.

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E seguimos, pari passu, sua melhora operacional desde a “depressão” de 2015, que atingiu profundamente seus negócios e toda a cadeia ligada aos investimentos do país.

Para relembrar, em 2015 e 2016, a empresa fez um downsizing profundo no seu corpo de colaboradores, além de diversas melhorias nas linhas de produção e processos internos.

Ao mesmo tempo, manteve os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o que permitiu que ela saísse da crise com uma linha de produtos renovada, garantindo, assim, uma retomada consistente da sua rentabilidade.

Falando da atual crise, extremamente severa pelo ineditismo da implantação de um isolamento geral, impactando tanto a oferta quanto a demanda, percebemos uma postura cautelosa da empresa, mas muito ciente das medidas necessárias a serem tomadas.

A vantagem de ser uma empresa internacionalizada permitiu com que a Romi pudesse tomar medidas antecipadas. Por ter unidades na Europa e Ásia, percebeu logo a complexidade da pandemia, e rapidamente agiu para ajustar sua produção, reduzindo os estoques e gerando caixa.

Para quem conhece a empresa, normalmente no primeiro semestre ela consome caixa, aumentando seus estoques para a produção de máquinas que são vendidas nas feiras que ocorrem no segundo trimestre.

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Mostrando ser uma empresa antenada ao seu tempo, a Romi apresentou neste período de exceção uma excelente solução para aumentar sua produção: um serviço de locação de máquinas, que vem repercutindo muito bem junto aos seus clientes.

Com a entrega da primeira leva de máquinas já programada, o serviço é mais uma opção aos clientes, que até então tinham duas opções: comprar ou não comprar uma máquina.

A Romi, por ser a fabricante da máquina, conta também com mais uma vantagem: participa de todo o processo de produção e negociação, sem dividir margens com mais ninguém.

Para se ter uma ideia das vantagens do serviço, além de ter um controle do uso da máquina por meio remoto, após um ou dois anos de locação a empresa pode vendê-la como seminova, o que gera benefícios tributários importantes.

Se a locação de máquinas é boa para a Romi, é extraordinária para a indústria de um modo geral.

Essa nova opção permite que projetos que atendam demandas pontuais das empresas saiam do papel, além de permitir a renovação de seus parques industriais antigos.

Isso aumenta a fidelidade dos clientes, além de ser uma barreira competitiva em relação aos concorrentes estrangeiros.

Em função das taxas de juros baixas, a Romi também tem percebido uma movimentação de seus clientes para a aquisição de equipamentos sem a necessidade de captar financiamentos.

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Foi verificado também que muitos empresários estão sacando suas aplicações em renda fixa e investindo na produtividade das suas empresas, projetos esses que não faziam sentido com os juros elevados.

Passado, assim, o pior da tempestade, a boa notícia trazida nos resultados do segundo trimestre de 2020 é que, a partir de junho, a produção e o aumento dos pedidos voltaram fortes, e sem cancelamentos relevantes.

Em função das condições macroeconômicas favoráveis ao investimento, como juros historicamente baixos, câmbio competitivo e inflação controlada, encontramos o ambiente perfeito para que projetos industriais saiam do papel, garantindo uma relevância maior das cadeias de produção nacional.

Ressaltamos ainda que, com a competitividade da taxa de câmbio e os desafios geopolíticos que se impõem, há chances de o Brasil se tornar uma alternativa à China no fornecimento de produtos manufaturados, cenário que acaba por beneficiar diretamente a Romi.

Portanto, estamos diante de um momento favorável. Nossa economia finalmente pode crescer por meio de ganhos de produtividade real, sem gerar inflação. É também um bom momento para a Romi.

É importante ressaltar que a empresa, apesar dos ajustes feitos, tem uma capacidade ociosa elevada, situação essa que vemos como uma enorme oportunidade, vez que a empresa poderá absorver esse crescimento do investimento sem necessidade de CAPEX.

Na nossa visão, o valor da ação não reflete o potencial da empresa e, por isso, mantemos a ação no portfólio*.

A ação chegou a ser cotada a R$ 17,43 nos últimos 12 meses. O preço caiu bastante na fase mais aguda da crise (menos de R$ 7 por ação, em março) e se recuperou – hoje, está em torno de R$ 12. Mas acreditamos que há muito valor a ser gerado no longo prazo.

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É a primeira vez que nosso país vive uma situação como a atual, na qual investir e empreender rende mais do que aplicações de renda fixa. Acreditamos que a Romi, estando na base de todos os investimentos com seus produtos e serviços, deve se beneficiar como nunca dessa nova condição.

Vamos aguardar os próximos movimentos! Até mais!

*Disclaimer: o fundo Venture Value FIA possui participação de 0,63% das ações da Romi em circulação

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Desde a última crise, volatilidade do índice de small caps da B3 é menor do que a do Ibovespa

The businesswoman in glasses standing near the display (Artem Peretiatko/ Getty Images)

SÃO PAULO — As small caps são empresas de menor porte que têm ações negociadas na Bolsa, mas com menor liquidez do que os papéis mais tradicionais, como Petrobras e Vale, por exemplo. Ou seja, por serem menos negociadas, os preços dessas ações podem sofrer oscilações maiores.

Apesar disso, o índice de small caps da B3 (SMLL) registrou uma variação média de preços menor do que a do Ibovespa desde a crise do subprime em 2008, quando houve a quebra do Lehman Brothers nos Estados Unidos — e analistas consultados pelo InfoMoney dizem que há boas oportunidades fora do radar principal do mercado.

Desde 15 de setembro de 2008, a volatilidade do SMLL foi de 25,66%, enquanto a do IBOV ficou em 28,70% no mesmo período. Os dados são da empresa de informações financeiras Economatica. Considerando apenas 2020, a volatilidade de ambos os índices está próxima — 62% do SMLL e 57,3% do IBOV.

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Ao contrário da volatilidade, a diferença de performance dos dois índices foi expressiva: enquanto o SMLL teve crescimento de 202% desde a última crise, o IBOV subiu 95,4% no mesmo período. Em 2020, o primeiro cai 14,2 % e o segundo recua 10,7%.

“Na composição do Ibovespa sempre houve uma participação muito pesada de commodities e do setor financeiro. Petrobras, Vale e bancos. Alguns eventos específicos envolvendo essas companhias provocaram uma variação grande em suas ações nos últimos anos, o que pode ter influenciado na volatilidade geral do índice, como Brumadinho com a Vale, por exemplo”, disse Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos.

“Tem muitos novos investidores pessoas físicas na Bolsa e eu imagino que a maioria deles procure papéis que são mais conhecidos, das empresas maiores as quais eles conhecem. Mas é possível também olhar para o lado B do disco, fazendo uma analogia aos antigos vinis”, completou.

O especialista da Levante ressaltou que, desde a mínima do Ibovespa neste ano, em março, na casa dos 63 mil pontos, o principal índice da Bolsa brasileira já subiu cerca de 65% até chegar aos atuais 104 mil pontos. É a mesma variação do índice de small caps desde a sua mínima, também em março.

Mas, segundo ele, o potencial de valorização de algumas small caps tende a ser maior no médio prazo, mesmo que possam individualmente apresentar uma volatilidade também maior. “A Santos Brasil, por exemplo, é uma small cap que deve multiplicar em muitas vezes seu lucro e geração operacional de caixa nos próximos anos. Ela é líder no Porto de Santos. Empresas grandes não são capazes de multiplicar tanto assim as linhas do balanço. Você não vê um Itaú aumentando em três, quatro vezes sua geração de caixa em um ano.”

Esse desempenho potencial é refletido nos preços das ações. Guimarães citou a Weg, que divulgou na semana passada seu resultado no segundo trimestre de 2020, com avanço de 32% do lucro líquido na comparação anual, o que provocou uma disparada de 13,4% dos papéis da empresa no pregão de 22 de julho.

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“A Panvel é outro exemplo de boa small cap. Ela fez uma oferta de follow on recentemente que vai ampliar a liquidez dos papéis, entrando no radar de mais investidores”, afirmou o especialista da Levante. Ele citou alguns pontos que os investidores precisam analisar na hora de “garimpar” boas small caps na Bolsa.

Entre eles, Guimarães considera importante olhar o lucro recorrente das companhias e o retorno sobre o capital (ROE ou ROIC). “Essa empresa gera caixa? Isso é importante porque elas podem pagar dividendos. Ela tem baixo nível de endividamento? Se a empresa estiver em expansão, às vezes faz sentido um endividamento mais elevado, mas quando as dívidas são menores, o risco diminui também”, disse.

Sobre a parte mais qualitativa da análise, o especialista gosta de observar o posicionamento de mercado e a estratégia de cada companhia. “Outro ponto é a governança corporativa, a transparência nas informações. Se tem duas empresas aparentemente boas no mesmo setor, prefira a mais transparente. O investidor novato pode usar as carteiras recomendadas de small caps feitas por analistas certificados e também tem a opção de começar a investir através de ETFs de small caps, sempre diversificando seu portfólio”, concluiu.

Sem preconceito

Na avaliação de Jorge Junqueira, sócio-fundador da Gauss Capital, mais do que comprar uma ação de small cap, o investidor tem que comprar a história que ela constrói. “A Magazine Luiza, uma das ações que mais sobem hoje na Bolsa brasileira, já foi uma small cap um dia. A Unidas e a Locamerica também”, disse.

“A Sinqia tem performado bem também, ela passou por uma transformação grande nos últimos anos. Enfim, quando você investe, tem que buscar uma tese que você gosta muito. São boas histórias que estão se consolidando. Não deveria haver preconceito por parte dos investidores com as empresas que são consideradas small caps. O Peter Lynch ganhou muito dinheiro com essas empresas”, completou Junqueira.

O sócio da Gauss afirmou que o investidor deve considerar a menor liquidez dos papéis de empresas de menor porte antes de investir, mas que o mais importante é checar se a “tese” da empresa é interessante.

“É preciso checar os dados do balanço, ver o retorno sobre capital investido, se ela consome muito caixa e, se consumir, ver se isso casa com o ganho dela de mercado ou não”, afirmou. “Nós no Brasil não temos muitas empresas listadas e acaba que as que vão para a Bolsa geralmente são as líderes de seus setores, mas é preciso fazer a lição de casa.”

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Os investimentos mais rentáveis de 2019: ações de small caps lideram, com alta de 58%

loja casas bahia shopping via varejo (Shutterstock)

SÃO PAULO – Foi o ano da renda variável. Enquanto o rendimento de aplicações conservadoras de renda fixa ficou abaixo de 6% em 2019, índices de ações, fundos imobiliários e fundos multimercado fecharam com retornos de dois dígitos, prolongando o ciclo de ganhos dos investidores que decidiram arriscar.

Além do otimismo com a retomada da economia brasileira nos próximos anos, a forte demanda dos brasileiros por ativos de mais risco foi um motor para as altas. No fim de 2018, havia cerca de 810 mil investidores pessoas físicas na Bolsa brasileira, a B3. A última atualização disponível, de novembro de 2019, coloca esse número em 1,59 milhão.

No topo do ranking de retornos de 2019, ficou o índice Small Cap (SMLL). Criado em 2005 pela Bolsa, o referencial reúne ações de empresas de menor capitalização de mercado e terminou o ano com alta de 58,2%. O resultado ficou bem acima do Ibovespa, principal índice de ações do país, que subiu 31,6%.

Entre as 73 empresas que compõem o SMLL, nenhuma ultrapassa hoje R$ 15 bilhões em valor de mercado. Para efeito de comparação, a Petrobras, a maior da Bolsa brasileira atualmente, está avaliada acima dos R$ 400 bilhões no mercado.

Essa foi a segunda maior valorização anual do SMLL. Em 2009, o índice subiu 137,5%, logo após marcar uma queda de 53,2% em 2008, seu recorde negativo. Esses dois anos evidenciam a forte volatilidade das small caps.

Por isso, a recomendação dos especialistas é que o investimento nessa classe seja bem calibrado, para que o investidor não se exponha tanto às oscilações. “São papéis indicados para perfis agressivos e com foco no longo prazo”, afirma o assessor de investimentos Renan Hamilko, sócio da Allez Invest.

Para um investidor com apetite a risco que tenha 30% dos investimentos em renda variável, ele considera recomendável aplicar em small caps de 5% a 10% do portfólio. “É um pouco mais arriscado, a liquidez e disponibilidade de informação não é tão grande. Mas o potencial de retorno compensa”, avalia.

Em segundo lugar no ranking, o Índice Dividendos (Idiv) fechou o ano com alta de 45,2%. Na composição do portfólio, o índice é considerado a antítese do SMLL. Isso porque as companhias que são boas pagadoras de dividendos tendem a estar em um estágio mais maduro, em que não há tanto espaço para as valorizações explosivas, mais buscadas entre as small caps.

“Os dois têm funções opostas. Em tese, as ações que têm foco em dividendos são mais previsíveis e os ganhos são potencializados ao se reinvestir os proventos”, explica Henrique Bousquat, assessor da All Investimentos.

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Em terceiro lugar no ranking do ano está o Ifix, cesta que mede o desempenho dos fundos imobiliários, que subiu 36%, seguido do BDRX, índice de BDRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociadas na Bolsa brasileira).

Além das valorizações das empresas que integram o BDRX, a alta de 4% do dólar contribuiu para o bom retorno, já que os BDRs embutem a variação do câmbio em seu preço.

Completa o quadro da renda variável o ouro, que andou 28,1%, procurado por investidores como proteção em tempos de maior incerteza, e de 10,7% do IHFA, índice de fundos multimercado calculado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O IHFA reflete carteiras de fundos multimercados com maior exposição a risco.

Ganhos com títulos públicos

Os investimentos em renda variável não foram os únicos que se beneficiaram da queda dos juros no país.

Entre os ativos de renda fixa, os títulos públicos atrelados à inflação registraram uma valorização de 22,9%, na cesta IMA-B, da Anbima. A forte valorização se deve ao movimento de redução das taxas de juros no país.

Isso acontece por conta da “marcação a mercado”, isto é, o valor que os títulos têm se forem vendidos antes do prazo de vencimento. Quanto mais os juros caem, mais os títulos se valorizam. O título público Tesouro IPCA+ 2045, por exemplo, teve valorização de quase 60%.

Os prefixados da IRF-M, que seguem raciocínio similar, porém com foco em títulos com retornos prefixados, registraram alta de 12%.

Já o IDA, composto por debêntures (títulos de dívida privada) atrelados ao DI e ao IPCA, teve alta de 8,4%.

Destaques entre as small caps

Por trás da escalada do SMLL estão as valorizações de empresas como Eneva, Via Varejo e Qualicorp, que subiram respectivamente 171%, 154% e 243%. A maior valorização no índice foi registrada pelo Banco Pan, que disparou 451% – o peso da empresa no índice, no entanto, é de apenas 1%.

Em relatório relativo ao mês de novembro, a Vinci Partners afirmou que a Eneva “demonstrou estar atenta a várias oportunidades de crescimento em projetos que devem gerar bons retornos aos acionistas.”

Já a Via Varejo foi destaque de relatório da Ibiuna Investimentos, também em novembro. “A companhia continua trabalhando para resolver seus problemas internos e capturar o valor de suas marcas”, escreveram os gestores.

Por fim, os papéis da Qualicorp sofreram em 2018, quando a empresa teve problemas de governança envolvendo o presidente da empresa e principal acionista, Jose Seripieri Filho. As ações vêm se recuperando e ganharam fôlego extra em agosto de 2019, após Seripieri concordar em vender uma fatia e deixar o cargo de presidente da empresa.

Entre os índices setoriais de ações, o maior ganho foi do Índice Imobiliário (Imob), que disparou cerca de 70%, com destaque para papéis da MRV, Cyrela e Even.

Os setores de consumo e energia elétrica também se destacaram, com altas superiores a 50%.

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As small caps que se destacaram em 2019 e podem continuar subindo

Reforçando o objetivo desta coluna de trazer cases de empresas em turnaround, escreverei sobre três que se destacaram neste ano e podem continuar dando muitas alegrias em 2020 – e, que, por isso, fazem parte da carteira do fundo Venture Value FIA, que administro.

São elas:
1) Jereissati Participações (JPSA3)
2) Indústrias Romi (ROMI3)
3) RNI Negócios Imobiliários (RDNI3)

Em 12 meses até 26/12/2019, essas ações subiram, respectivamente, 72,03%, 132,29% e 184,88%.
As três empresas desempenham atividades econômicas com as melhores expectativas para 2020.
Vamos a elas!

Jereissati Participações

Comecemos pela Jereissati Participações que, na nossa opinião, possui o melhor portfólio de shoppings do Brasil.

Para quem não sabe, é uma holding pura do Iguatemi Shoppings (IGTA3).

Após um início de ano titubeante, os números do varejo no terceiro trimestre apresentaram uma recuperação consistente. Isso foi evidenciado pela Black Friday, e os dados de encomendas do varejo para o Natal devem confirmar as expectativas do melhor fim de ano dos últimos cinco anos.

Para se preparar para essa demanda, o Iguatemi criou uma plataforma digital chamada Iguatemi 365, que tem como função fazer uma curadoria de grandes marcas, e assim atender de forma rápida e num único canal todos os desejos de compras, principalmente das consumidoras.

Isso permitirá uma melhor gestão dos pedidos de compras, além de aferir o comportamento dos clientes com alto poder aquisitivo.

Com essa nova ferramenta comercial, o Iguatemi passa a ser uma referência na reunião de grandes marcas de moda de luxo, trazendo uma solução omnichannel (canal único e integrado de vendas) perfeita para o consumidor.

Além disso, com a recuperação do valor dos imóveis, novas oportunidades de lançamentos ao redor dos shoppings gerará uma nova percepção do valor desses ativos.

Por fim, novos investimentos estão em gestação. Temos o caso do terreno da Cruz Vermelha nas proximidades do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, que mostra para onde a empresa entende que será o vetor de crescimento nos próximos anos.

Essa conjugação de potencial de valorização imobiliária associada ao crescimento das vendas do varejo, focado no consumo de luxo, nos dá a tranquilidade necessária para acreditar na resiliência e consistência da empresa no longo prazo e no bom desempenho das ações em 2020.

Indústrias Romi

Vamos falar agora de uma empresa menos glamourosa, mas que deve se destacar ao longo de 2020.
Fazendo os ajustes necessários para aproveitar a retomada dos investimentos do país, encontramos nessa empresa o que chamamos de proxy perfeita do PIB da indústria.

Fabricante de máquinas, peças e equipamentos e sendo demandada pelas principais indústrias do país, a Romi (ROMI3) pode evidenciar o potencial de desenvolvimento da indústria nos próximos anos.

Com uma política de horizontalização do crédito ditada pelo ministro Paulo Guedes, que se concretizou com a aplicação efetiva da taxa de juros TLP, mais uma valorização de um projeto de reindustrialização do Brasil por mio de políticas responsáveis de redução do preço da energia, acreditamos que o investimento será o destaque deste novo momento do Brasil.

O indicador que retrata perfeitamente essa realidade é a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), e ele é um dos destaques nos dados divulgados até o momento sobre as perspectivas de crescimento do país.

Com todos os investimentos programados para 2020, resultado dos últimos leilões de privatização feitos pelo governo, além dos que virão, as oportunidades que uma empresa como a Romi pode capturar são enormes.

Concessões rodoviárias, novo marco do saneamento, retomada da indústria de óleo e gás, volta da construção civil e da indústria automobilística, e principalmente novos parques eólicos são as atividades econômicas que dependerão da Romi com máquinas e equipamentos e fundição de peças, que darão base para todo esse investimento.

E isso tudo ajudado por: menor taxa de juros da história, inflação controlada e câmbio favorável à indústria. Ou seja, todos os elementos necessários para garantir crescimento ao longo dos próximos anos.

Logo, acreditamos que as ações refletirão em valorização à medida que capturem a alavancagem operacional que se dará com a diminuição da capacidade ociosa das fábricas, sem a necessidade de novos investimentos.

RNI – Negócios Imobiliários

Essa é outra empresa interessante (RDNI3) que deve ser salientada, principalmente pelo setor em que atua.

Sendo uma incorporadora imobiliária, seu crescimento não é tão bem retratado pelos balanços, uma vez que ela deve diferir seus resultados de vendas ao longo do prazo da entrega de imóveis.

Explico: um boom de vendas de imóveis na planta não poderá ser mostrado pelos resultados no momento zero, e sim ao longo do período de construção, que em média se dá em 11 meses.

Isso deve ser frisado e explicado, pois como a construção civil é cíclica, quando os resultados financeiros aparecerem, pode ser que o ciclo econômico já tenha se encerrado.

E é isso que acontece com nossa pequena notável.

Ela já identificou uma retomada em seu setor de atuação, mas seus números financeiros ainda não refletem essa realidade.

Com a previsão de lançamentos que podem chegar a R$1 bi por ano, acreditamos que isso será traduzido em valor para o acionista e acabará refletindo positivamente no valor das ações.

A empresa tem uma estratégia muito bem definida, que é atuar na faixa 3 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em condomínios horizontais fechados, com áreas de lazer e segurança, focados na qualidade de vida e da construção, em regiões onde se localizam cidades médias cuja principal atividade seja o agronegócio. Cremos que estamos diante de uma grande oportunidade para os próximos anos.

Sendo assim, fechamos o ano com essas três pequenas notáveis, mas que podem continuar performando brilhantemente em 2020, diante das oportunidades que expomos acima.

Um feliz 2020 e até a próxima.

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Small caps: ações de pequenas empresas têm melhor resultado na Bolsa

Painel de ações (Crédito: Shutterstock)

Os fundos small caps foram o tipo de fundo de investimento em ações que mais rendeu no acumulado de 12 meses até novembro de 2019: 40%, segundo dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Esses fundos privilegiam papéis de valores considerados baixos no mercado de ações, cuja capitalização vai de R$ 300 milhões a R$ 2 bilhões. A carteira é composta por pelo menos 85% dessas ações, que não estão listadas entre as 25 maiores companhias que compõem o índice IBrX, o Índice Brasil da Bolsa de Valores.

Em um cenário de juros baixos – a taxa básica, Selic, está no piso histórico de 4,5% ao ano – e com sinais de recuperação da economia – vide a mudança de perspectiva de nota de crédito atribuída ao País pela S&P recentemente, com o avanço das reformas -, o mercado de ações toma a dianteira entre os investimentos com melhor rendimento.

Nesse contexto, os fundos small caps se beneficiam da pulverização da liquidez de ativos maiores listados na Bolsa, explicou o gestor da Rio Verde Investimentos Eduardo Cavalheiro.

Segundo ele, quando o País estava passando pela crise econômica, o investidor privilegiou a rapidez com que um ativo poderia ser negociado.

“A liquidez do mercado brasileiro está concentrada nas grandes empresas e o investidor queria estar nas coisas mais líquidas para tomar a decisão de investir ou desinvestir a qualquer momento. Agora, com a estabilidade da economia, ele já vê que não precisa disso tanto assim.”

Composição

O Índice de Small Cap (SMLL)), que mede a rentabilidade de um conjunto de 75 ações, acumula alta de 50% em 2019, com trajetória similar à do Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, composto por 68 ações, que subiu 28% no mesmo período.

A representatividade dos setores nos dois índices, no entanto, é diferente. Enquanto um terço do Ibovespa é composto apenas por ações de serviços financeiros, no Índice Small Cap a maior fatia, de 16,4%, é de papéis de empresas de energia elétrica.

A maior variedade de setores que compõem o índice é apontada por especialistas como um ponto positivo no quesito flexibilidade de investimento.

A pedido do Estado, a consultoria Economatica compilou o desempenho de todas as ações small caps listadas na Bolsa brasileira: 14 delas tiveram retornos acima de 100% em 12 meses; 12 tiveram resultados negativos.

No topo do ranking, ficou o Banco Pan (BPAN4), com rendimento de 383,79%.

Segundo o analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, o que pode explicar o resultado do Pan é sua carteira de crédito voltada especialmente para o financiamento de veículos, no mercado de baixa e média rendas. “Além disso, eles conseguem ter uma estabilidade relevante na carteira de crédito, muito pela participação de servidores públicos e com menor nível de inadimplência.”

Cavalheiro, da Rio Verde, mencionou as construtoras de imóveis residenciais entre os destaques do ano. “A gente está no início do ciclo de recuperação mais forte do setor, com queda de juros e maior disponibilidade de financiamento imobiliário.” A Caixa, líder nesse tipo de crédito, anunciou a redução nas taxa de juros para o crédito imobiliário no dia seguinte ao último corte da Selic.

Para os experientes

As small caps são mais indicadas para o investidor que tem familiaridade com o mercado de ações e sabe que está sujeito tanto a lucros quanto a prejuízos.

“Quem investe em large caps normalmente vê seus rendimentos correlacionados ao Ibovespa. Se o índice subiu, meu fundo também, o que traz mais conforto. Quem investe em small caps tem de saber que o retorno não é imediato ou tabelado”, explicou Cavalheiro.

Independentemente do tipo de ação, o investidor tem de estar preparado para as oscilações do mercado.

As small caps costumam pertencer a empresas menos consolidadas quando comparadas àquelas que compõem o Ibovespa. Mas Arbetman lembra que algumas das grandes empresas estiveram listadas entre as small caps, como o Magazine Luiza (MGLU3), hoje uma das principais varejistas.

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MILS3: A ação que está a “Mills por hora” na bolsa

O maior aprendizado que tive em 2019 convivendo com gestores de grandes fortunas é que minha profissão de analista não abre espaço para preconceitos. Criar um filtro de seleção de empresas é essencial para evitar perda desnecessária de tempo, mas descartar uma recomendação que faça sentido somente pelo fato de no passado a mesma ação ter gerado dor de cabeça, é a pior escolha possível.

Um exemplo disso aconteceu com Mills (MILS3), uma das recomendações do nosso relatório de $mall Cap$. A ação mais do que dobrou em 2019 e disparou quase 40% só em dezembro.

Preparei um Stock Pills (áudio que é divulgado em nossas redes sociais contendo a análise de uma tese de investimento) e expliquei por que ela está entre as small caps que mais gostamos para surfar a recuperação do Brasil.

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A Mills fez o seu IPO em 2010 e na época era uma empresa conhecida por vender projetos de engenharia e alugar equipamentos para grandes obras.

De 2010 até 2013 ela era a queridinha do mercado, e não era para menos: tivemos Copa do Mundo, Olimpíadas no Rio de Janeiro, sem contar os incentivos à importação do período.

Diante desse boom de construção, a Mills era a empresa que representava todo o potencial do país.

O problema é que de 2013 pra cá, os principais parceiros da Mills (Odebrecht, OAS, que eram empreiteiras relevantes do setor) se envolveram na Lava Jato, maior esquema de corrupção do país e que praticamente varreu as empreiteiras do mapa.

No melhor ano da companhia, que foi 2013, a Mills chegou a faturar mais de R$ 1 bilhão; em 2017, o faturamento bateu sua mínima em R$ 291 milhões. Outro indicador de rentabilidade, o Ebitda, saiu de R$ 438 milhões para R$ 4,9 milhões negativo no mesmo período. Ela beirou a recuperação judicial e o mercado de fato acreditou que ela não seria capaz de pagar a sua dívida líquida de R$ 600 milhões.

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Todo esse cenário se refletiu no preço da ação. E por isso eu entendo o preconceito que muitos gestores tinham dela: a ação da Mills saiu a R$ 11,00 no IPO feito em 2010, foi para R$ 35,00 em 2013 e chegou a ficar abaixo de R$ 2,00 em 2018. Muitos deles jamais esqueceram isso, e faz sentido.

Conversar com todos eles foi um aprendizado gigantesco, ninguém conhecia mais os erros da empresa no passado do que eles. Mas felizmente para nós, o passado fez com que muitos não quisessem nem olhar a empresa de perto.

E foi então que eu descobri que a Mills não só havia se salvado e aprendido com os erros, como também se transformado em uma nova empresa. Se você quer saber porque gostamos tanto da Mills e por que achamos que ela pode ir ainda mais longe, escute este Stock Pills.

Apresentado por Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, o Stock Pickers vai ao ar toda quinta-feira às 17h. Você pode seguir e escutar pelo Spotify, Spreaker, Deezer, iTunes e Google Podcasts.