Mesmo após salto no lucro trimestral, ação da Iguatemi tem queda de 3,7% na Bolsa: o que está por trás dos resultados?

(Divulgação)

SÃO PAULO – A rede de shoppings Iguatemi (IGTA3) registrou lucro líquido de R$ 279 milhões no segundo trimestre de 2021, montante seis vezes maior do que no mesmo período de 2020.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) atingiu R$ 108,9 milhões, recuo de 5,4% na mesma base de comparação. Já a margem Ebitda diminuiu 7,6 pontos porcentuais, para 63,9%.

Mesmo com o salto do lucro no trimestre, o papel encerrou o pregão desta terça-feira (10) com o pior desempenho do Ibovespa, com baixa de 3,74%, a R$ 38,36. Entre os motivos, o aumento de receita com a gradual reabertura de shoppings da empresa foi ofuscado em parte pelo efeito de descontos concedidos a lojistas na pandemia.

De acordo com o Itaú BBA, o Iguatemi apresentou um desempenho sólido na frente operacional, com as vendas aos lojistas chegando a níveis anteriores à crise e apresentando uma melhora significativa nos custos de ocupação.

No que diz respeito ao demonstrativo de lucros e perdas (P&L, em inglês), a receita da empresa e as margens operacionais vieram em linha com as expectativas do banco, mas os resultados financeiros vieram mais fracos, segundo o time de análise.

Mesmo com uma taxa de vacância acima da média, o Bradesco BBI afirma que o Iguatemi apresentou sinais positivos de recuperação das vendas dos lojistas, que devem eventualmente se traduzir em melhoria dos indicadores operacionais e financeiros.

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O reconhecimento contábil por trás do IPO do IFCM3 (IGTA tem 9% de participação) também permitiu que a empresa reduzisse os indicadores de alavancagem, destacam os analistas, aliviando a pressão de seus covenants de dívidas e começando a adicionar algum fôlego para movimentos estratégicos.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação neutra para os papéis da companhia, com preço-alvo de R$ 50 por papel.

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Para a Levante, os resultados do Iguatemi foram positivos, com um forte aumento no lucro líquido da companhia e um aumento expressivo no FFO.

O time de análise destaca que, com a retomada das atividades em todos os empreendimentos e a ampliação dos horários de funcionamento, a capacidade de utilização aumentou de 16%, no final do primeiro trimestre, para 92% em junho.

Recuperação e o que ter no radar

Na avaliação do Credit Suisse, os resultados corroboram com a visão de que a recuperação está ocorrendo mais rápido do que o esperado e que o médio prazo pode ser ainda melhor com a pandemia controlada no país.

Além disso, o time de análise destaca que a empresa parece estar à frente de seus pares em termos de transformação digital em seu portfólio e que a proposta de fusão em andamento indica um fluxo de notícias positivo para a companhia.

Segundo os analistas, o Iguatemi tem conseguido reduzir gradualmente os descontos concedidos na pandemia, o que deve se traduzir em resultados mais fortes no futuro. “Além disso, a conclusão da fusão em andamento com a Jereissati [ativo=JPSA3] pode levar a empresa a uma expansão transformacional”, destacam.

O Credit Suisse reiterou sua classificação de outperform (acima da média do mercado) para as ações, com preço-alvo de R$ 45.

Em relatório, o Bank of America escreve que a alta correlação entre as vendas e o horário de funcionamento dos estabelecimentos somados a uma aceleração da vacinação no Brasil sugerem que a tendência de bons resultados deve continuar no terceiro trimestre.

Segundo os analistas, o tráfego lento que afeta as receitas de estacionamento e mídia continua sendo uma preocupação; o repasse da inflação e a redução dos descontos e da inadimplência são pontos importantes a serem observados nos próximos trimestres, destacam.

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“Continuamos esperando que os shoppings de alto padrão focados em um consumidor mais resiliente vejam uma recuperação mais rápida em comparação com seus concorrentes de baixa renda. Mantemos nossa classificação de compra devido ao portfólio de alta qualidade exposto a São Paulo e ao consumidor resiliente de alta renda, além de um crescimento promissor na sua plataforma de marketplace”, escreve o time de análise.

O BofA tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 44 para os papéis IGTA3.

É importante lembrar que, em junho, a Iguatemi anunciou proposta de reestruturação que prevê incorporação de suas ações pela Jereissati Participações e saída do Novo Mercado da B3, alegando que isso lhe permitirá “executar a estratégia de crescimento de forma mais acelerada”.

Por Dentro dos Resultados
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Ação da PetroRio sobe 3% com alta do petróleo e Embraer avança após venda de jatos; Iguatemi e Minerva caem após balanços

SÃO PAULO – A temporada de resultados segue repercutindo na B3, mas o destaque fica com a Embraer (EMBR3), cujas ações chegaram a subir cerca de 3%, mas depois amenizaram a alta para cerca de 1%. Na véspera, após o fechamento, a companhia informou que que concluiu venda de 16 novos jatos E175 para a norte-americana SkyWest, com o valor do contrato, segundo preços de tabela das aeronaves, somando US$ 798,4 milhões. Segundo a fabricante brasileira, os aviões serão incluídos na carteira de pedidos da Embraer do terceiro trimestre. As entregas estão previstas para 2022.

Como reação aos balanços, a ação da Minerva (BEEF3) cai cerca de 1,7%, também após registrar uma forte alta de 4% na véspera, as units do BTG Pactual (BPAC11) avançam, enquanto Klabin (KLBN11) opera praticamente estável. Iguatemi (IGTA3) registra perdas de cerca de 2%, apesar de um resultado considerado positivo, enquanto Petz (PETZ3) avança cerca de 1%. As incorporadoras Direcional (DIRR3), Melnick (MELK3), Even (EVEN3) e Mitre (MTRE3) registram leve baixa após o resultado.

A ação da PetroRio (PRIO3), por sua vez, avança cerca de 3%, com os contratos de WTI e brent subindo mais de 1% após seguidas quedas em meio a temores sobre a demanda com novas restrições em meio à variante delta do coronavírus. Petrobras (PETR3;PETR4) tem alta de suas ações, mas mais modesta, de cerca de 0,8%.

Vale (VALE3) e siderúrgicas também avançam. Contudo, cabe ressaltar que os contratos futuros do minério de ferro em Dalian recuaram pela quinta sessão consecutiva nesta terça-feira, atingindo uma mínima de mais de quatro meses, à medida que preocupações com o enfraquecimento da demanda chinesa mantêm a matéria-prima siderúrgica sob pressão.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian, para entrega em janeiro de 2022 DCIOcv1, fechou em queda de 1,3%, a 853 iuanes (US$ 131,64) por tonelada, após tocar a marca de 823 iuanes, menor patamar desde 26 de março.

Confira no que ficar de olho:

Oncoclínicas (ONCO3)

A Oncoclínicas tem a sua estreia na B3 na sessão desta terça-feira. A companhia precificou sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 19,75 por papel em operação que movimentou cerca de R$ 2,67 bilhões, de acordo com o prospecto definitivo da operação.

O preço estabelecido para a ação da rede de clínicas de tratamento contra o câncer ficou abaixo da faixa estimada de preço para o IPO, entre R$ 22,21 e R$ 30,29.

A oferta compreendeu distribuição primária de 90.049.527 ações ordinárias e secundária de 45.024.764 ações de acionistas vendedores – FIPs Josephina e Josephina II.

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Os recursos da oferta primária serão destinados para projetos de investimento, aquisições futuras e em andamento, além de capital de giro.

A Embraer informou na segunda-feira que concluiu a venda de 16 novos jatos E175 para a norte-americana SkyWest, com o valor do contrato, segundo preços de tabela das aeronaves, somando US$ 798,4 milhões. Segundo a fabricante brasileira, os aviões serão incluídos na carteira de pedidos da Embraer do terceiro trimestre. As entregas estão previstas para 2022.

O Bradesco BBI destacou que a notícia é positiva para a empresa, pois este pedido deve ser adicionado à carteira de pedidos do terceiro trimestre, aumentando em 5%na comparação trimestral. “A Embraer totalizou pedidos firmes de 63 aeronaves em 2021, superando nossa estimativa de 50 aeronaves”, destacam os analistas.

A Minerva registrou lucro líquido de R$ 116,7 milhões no segundo trimestre, queda de 54% ante o mesmo período do ano passado. Apesar disso, a empresa ainda vê um cenário positivo puxado por exportação e sinergia entre as operações sul-americanas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia atingiu R$ 544,9 milhões no período, recuo de 7,7% no mesmo comparativo.

O diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, disse que o destaque do trimestre é o lucro líquido pois, apesar da queda, trata-se de um “resultado realmente muito forte”, mas que é comparado a uma base mais elevada — em 2020, a pandemia da Covid-19 elevou a demanda por alimentos em diversos setores.

“Houve queda ante o segundo tri do ano passado, mas porque (2020) foi um ponto fora da curva”, afirmou a jornalistas em videoconferência.

A receita líquida da empresa atingiu R$ 6,28 bilhões no segundo trimestre, alta de 42,9% no ano a ano.

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O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, disse que ainda há certas dificuldades logísticas no mercado global, com falta de contêineres e tempos mais longos para transportes de cargas, mas a demanda externa segue aquecida.

“A Ásia segue como o grande vetor comprador… e a China como o principal destaque. No segundo trimestre de 2021, cerca de 36% da nossa receita de exportação teve origem no mercado chinês”, informou a empresa, mesmo diante de entraves relacionados à pandemia da Covid-19.

Segundo o BBA, a Minerva reportou bons resultados referentes ao segundo trimestre, superando as expectativas de receita
para o período. A Athena Foods, divisão internacional, foi umas das principais surpresas: os volumes de venda saltaram 58% na comparação anual. Esse aumento teve influência da demanda da China, mercado que ainda sofre com os impactos da Febre Suína Africana, cenário que deve se manter por mais alguns trimestres.

No entanto, apesar do forte faturamento, a Minerva não conseguiu manter as margens nos níveis vistos no segundo trimestre do ano passado. Desta vez, elas foram penalizadas pelo custo mais elevado do gado, especialmente em território brasileiro. Isso impediu que o crescimento de receita expandisse a margem Ebitda, que ficou em 8,7% no segundo trimestre.

A Petz registrou lucro líquido de R$ 21,6 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 109% ante o mesmo período de 2020. O Ebitda ajustado, por sua vez, ficou em R$ 56,2 milhões, alta de 50,3%.

A empresa atingiu R$ 2 bilhões de faturamento nos últimos 12 meses pela primeira vez em sua história, com a receita bruta total em R$ 598 milhões no segundo trimestre, alta de 57,5% ante o valor apresentado um ano antes.

As vendas online representaram 30,3% do total das vendas no trimestre, chegando a R$ 181,2 milhões de receita bruta total, ganho de 85%.

Conforme destaca a Levante Ideias de Investimentos, os resultados mais uma vez vieram fortes, sobretudo no crescimento de receita, com ampliação das vendas via canal digital e expansão de lojas.

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O principal destaque, porém, fica com o indicador “Vendas em Mesmas Lojas” (Same Store Sales – SSS), que mostra o crescimento das vendas de lojas já inauguradas crescendo 36,6% na comparação anual.

A Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco (ITUB4), registrou lucro líquido de R$ 3,5 bilhões no segundo trimestre deste ano, valor 487% superior ao apresentado um ano antes.

O lucro líquido recorrente, por sua vez, foi de R$ 2,86 bilhões no período, alta de 99% sobre o mesmo período de 2020.

O resultado reflete a combinação de melhora da economia brasileira após o choque da pandemia do coronavírus, e também de efeitos fiscais extraordinários.

A alta do lucro foi impactada, principalmente pelo resultado de seu principal ativo, o Itaú, além de um ganho de R$ 476 milhões com a reavaliação de crédito tributário com a majoração da alíquota da CSLL.

Além disso, um ano antes, a Itaúsa tinha reportado despesa extraordinária de R$ 543 milhões com sua unidade CorpBanca, no Chile, e outra de R$ 312 milhões com doação a um programa para combate aos efeitos da pandemia.

A Itaúsa ainda reportou aumento de receitas com ativos não financeiros, incluindo a fabricante de calçados Alpargatas (ALPA4); a Dexco (DTEX3), de louças e painéis de madeira; da transportadora de gás NTS; e da Copa Energia.

Já o ativo total da holding passou de R$ 56,55 bilhões para R$ 69,42 bilhões entre o segundo trimestre do ano passado e este, uma alta de 22,8%.

O endividamento líquido, por sua vez, teve um salto de 1.715% em um ano, passando de R$ 213 milhões entre abril e junho de 2020 para R$ 3,867 bilhões no segundo trimestre deste ano.

O Credit diz que o lucro líquido recorrente de R$ 2,85 bilhões informado pelo Itaúsa para o segundo trimestre, alta de 19% no trimestre e 99% na comparação anual, é positivo. O banco diz que os resultados fortes refletem resultado melhor do Itaú Unibanco.

Além disso, em outro comunicado, a companhia informou o pagamento de juros sobre capital próprio brutos de R$ 0,03734 por ação, por conta do dividendo obrigatório do exercício de 2021. Com o desconto de 15% do imposto de renda na fonte, o JCP líquido será de R$ 0,031739.

O valor será pago no dia 26 de agosto e terão direito os acionistas com ações ITSA4 no dia 13 de agosto, com os papéis passando a negociar na forma “ex” a partir de 16 de agosto. Contando os dividendos já anunciados este ano, a companhia irá pagar R$ 798 milhões em proventos líquidos.

A Klabin registrou lucro líquido de R$ 719 milhões no segundo trimestre de 2021, ante prejuízo de R$ 383 milhões no mesmo período de 2020 e com alta de 71% frente os R$ 421 milhões registrados entre janeiro e março deste ano.

A receita líquida aumentou 38% na comparação anual, para R$ 4,076 bilhões, com crescimento em todas em todas as linhas de negócio, e 27% desconsiderando a receita proveniente das unidades adquiridas da International Paper (IP).

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 1,798 bilhão, alta de 35% frente os R$ 1,333 bilhão na base anual e 41% superior na comparação com o primeiro trimestre de 2021. Já a margem Ebitda ajustada caiu 1 ponto percentual na base anual, indo de 45% para 44%, enquanto avançou 8 pontos na comparação trimestre a trimestre.

O Fluxo de Caixa Livre (FCL) Ajustado somou R$ 4,7 bilhões nos últimos doze meses, o que representa um FCL yield Ajustado de 16,4%.

A relação entre dívida líquida e Ebitda em dólares encerrou o trimestre em 3,6 vezes, comparado a 4 vezes no primeiro trimestre de 2021. Em reais, 3,3 vezes no segundo trimestre versus 4,2 vezes nos primeiros três meses de 2021.

“O segundo trimestre de 2021 seguiu com forte demanda pelos produtos da Klabin tanto no mercado local quanto no mercado externo. Estas condições favoráveis de mercado, aliadas ao sólido desempenho operacional, impulsionaram os resultados da companhia no período”, afirmou a Klabin em seu release de resultados.

A XP aponta que a Klabin reportou números operacionais em linha com o esperado no segundo trimestre. O EBITDA recorrente  foi 1,5% acima do esperado pelos analistas e 2% acima do consenso. Os principais destaques positivos foram os volumes de papel mais fortes e melhores preços realizados no segmento de celulose. Os preços mais fortes de celulose mais do que compensaram a alta no custo caixa. A XP segue com recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 32 por ação.

Iguatemi (IGTA3)

A rede Iguatemi, dona de 14 shopping centers, dois outlets e três torres comerciais, apresentou lucro líquido de R$ 279 milhões no segundo trimestre de 2021, montante seis vezes maior do que no mesmo período de 2020.

O Ebitda atingiu R$ 108,9 milhões, recuo de 5,4% na mesma base de comparação. A margem Ebitda diminuiu 7,6 pontos porcentuais, para 63,9%.

A receita operacional líquida totalizou R$ 170,3 milhões, aumento de 5,8%.

A disparada no lucro líquido da Iguatemi partiu da linha de resultado financeiro, onde foi apurada uma receita de R$ 365,5 milhões em contrapartida a uma despesa de R$ 19,5 milhões um ano antes.

Por trás dessa linha está a participação de 10% que a Iguatemi possui, via fundo, na Infracommerce, empresa de soluções digitais para o comércio eletrônico. Esta empresa entrou na Bolsa em maio, levando a Iguatemi a fazer a marcação a mercado do ativo em seu balanço, o que gerou o ganho extraordinário ‘não caixa’.

A Iguatemi também apresentou melhora dos seus resultados operacionais. A receita líquida cresceu ajudada pela reabertura dos shoppings e pela redução dos descontos no aluguel dos lojistas com mais alívio da pandemia.

Os resultados acima também já embutem o efeito da linearização dos descontos – prática contábil que dilui os descontos nos aluguéis ao longo dos períodos de vigência dos contratos. A linearização contribuiu com apenas R$ 2,7 milhões neste trimestre, 97% menos do que um ano antes.

A reabertura dos shoppings também elevou a linha de custos e despesas em 92%, para R$ 74,4 milhões.

A Iguatemi chegou ao fim de junho com dívida total de R$ 3,08 bilhões, 6,2% abaixo de março. A disponibilidade de caixa encontrava-se em R$ 1,8 bilhões, 10% a mais nessa comparação sequencial. Com isso, a dívida líquida ficou em R$ 1,3 bilhões, com uma alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) de 2,58 vezes.

O Bradesco BBI aponta que, mesmo com uma vacância acima da média, o Iguatemi apresentou sinais positivos de
recuperação nas vendas dos lojistas, que esperam eventualmente se traduzir em melhoria contínua dos indicadores operacionais e financeiros. O reconhecimento contábil por trás do IPO do IFCM3 (IGTA tem 9% de participação) também permitiu à Iguatemi reduzir os indicadores de alavancagem, aliviando a pressão de seus covenants de dívida e começando a adicionar algum fôlego para movimentos estratégicos, um ponto de preocupação que os analistas esperam remover da lista se sua proposta de estrutura acionária for aprovada. “Nesse ínterim, mantemos nossa recomendação neutra para IGTA3
com um preço-alvo de R$ 50 por ação”, avaliam os analistas.

São Martinho (SMTO3)

A companhia de açúcar e etanol São Martinho reportou lucro líquido de R$ 190,1 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2021/22, alta de 64,3% na comparação anual, em período que a empresa obteve maior preço médio na venda de todos os seus produtos.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia somou R$ 688,3 milhões, avanço de 40,1% no ano a ano.

“Reflexo principalmente do maior preço médio de comercialização de etanol (+84,7%), açúcar (+28,3%), cogeração (+24,9%), além do volume de comercializado de CBios”, disse a empresa em relatório sobre o aumento do Ebitda.

A receita líquida da São Martinho atingiu R$ 1,32 bilhão, variação positiva de 28,8% em relação ao mesmo período do ano passado, também apoiada pelos preços mais elevados de vendas, enquanto o fluxo de caixa operacional totalizou R$ 448 milhões, crescimento de 49,7%.

Já a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, que mede a alavancagem da companhia, ficou em 1,02 vez, redução de 30,8% no ano a ano.

O Credit Suisse avaliou os resultados do primeiro trimestre de 2022 da São Martinho como bons, mas em linha com a expectativa do mercado. O banco diz que o Ebitda, que subiu 40% na comparação anual, ficou 2% acima de sua expectativa.

O Itaú BBA avaliou os resultados informados pela São Martinho como fortes, e ressaltou a alta de 40% do Ebitda na comparação anual, a R$ 688 milhões, em meio a preços favoráveis de commodities e apesar do clima desfavorável, que vinha prejudicando a produtividade. O banco ressaltou que a empresa divulgou geração de caixa de R$ 170 milhões, e diz que a empresa não foi afetada por geadas recentes, o que deve garantir resultados fortes para a colheita de 2021 e 2022.
O Itaú mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo para 2021 de R$ 42.

A construtora Even registrou lucro líquido de R$ 54 milhões entre abril e junho deste ano, uma alta de 102% na comparação com o mesmo período de 2020. Na comparação com o primeiro trimestre, porém, houve uma queda de 35,2% no lucro.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado teve um crescimento de 17,3% na comparação anual, ficando em R$ 65 milhões no segundo trimestre.

A receita líquida, por sua vez, cresceu 39,5%, ficando em R$ 522,38 milhões, puxadas principalmente pelas vendas de R$ 354 milhões, com VSO consolidada de 16%.

O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) anualizado, encerrou o segundo trimestre em 12,3%, um avanço de 6 pontos percentuais sobre os 6,6% apresentados entre abril e junho de 2020.

O BBI destacou os resultados da Even como sólidos, já que uma forte receita gerou números significativamente acima do consenso, enquanto a margem bruta ficou estável e a margem de backlog aumentou 2 pontos percentuais após uma forte revisão no primeiro trimestre de 2021. Além disso, os analistas encontraram conforto na forte posição de caixa da Even  e no valuation atraente, reafirmando recomendação de compra para EVEN3, com um preço-alvo para final de 2021 de R$ 15 por  ação.

Direcional (DIRR3)

A Direcional apresentou lucro líquido de R$ 40,688 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado somou $ 89,996 milhões, avanço de 47,8% na mesma margem de comparação. A margem Ebitda ajustado cresceu 6,4 pontos porcentuais, para 21,3%.

A margem bruta subiu 5,0 pontos porcentuais, para 38,0%, o maior patamar já registrado pela Direcional após o seu IPO. Já a receita operacional líquida totalizou R$ 422,162 milhões, aumento de 3,4%.

O resultado financeiro líquido piorou, ficando negativo em R$ 14,423 milhões, ante resultado negativo de apenas R$ 1,393 milhão um ano antes.

A grande responsável pelo crescimento do lucro da Direcional no período foi a melhora das margens. Segundo a companhia, essa melhora decorreu da apuração de economias nas obra dos projetos que estão em estágio avançado de construção e, portanto, com menor exposição ao aumento de custo de insumos que tem pressionado todo o setor.

A prática da incorporadora é de reconhecer eventuais economias apenas na parte final de cada obra. “Desse modo, a despeito do cenário atual de aumento de custos, as apropriações de economia de obra (…) foram mais do que suficientes para compensar a pressão inflacionária em projetos que estão sendo iniciados”, descreveu a empresa.

As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 64 milhões, um incremento anual de 36%, enquanto as despesas comerciais totalizaram R$ 45 milhões, avanço de 14%.

A Direcional encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 241,610 milhões, sete vezes mais do que um ano antes. Nesse período, a dívida bruta subiu 35%, para R$ 880,866 milhões, enquanto as disponibilidades em caixa subiram 13,3%, para R$ 946,589 milhões.

A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) foi de 2,3% para 18,6%, refletindo principalmente o pagamento de dividendos aos acionistas e operações para captação de recursos ao longo do último ano.

O Bradesco BBI destacou que a empresa bateu margem bruta de 37,8%  em função de: (i) maior agilidade na política de preços; (ii) maior contribuição da Riva; e (iii) redução de custos de projetos de construção em estágio final.

A revisão para cima da margem a reconhecer (margem REF) sugere que a tendência positiva deve continuar no terceiro trimestre de 2021.

“Embora a receita líquida da Direcional tenha ficado um pouco abaixo de nossa estimativa (2%), após a revisão para cima nas margens a serem reconhecidas para 40,5%, sentimos que há um potencial de alta para nossas estimativas do final do ano de 2021 e 2022, pois o reconhecimento da receita ainda tem que incorporar os lançamentos recentes que: (i) estão sendo vendidos com margens maiores; e (ii) deve levar a uma diluição adicional de custos no 2S21”, avalia o BBI.

Na visão dos analistas, ultrapassando seus pares e superando as estimativas já otimistas, o DIRR3 combina: (i) crescimento de dois dígitos; (ii) potencial de valorização para o consenso; e (iii) P / L de um dígito, “uma das histórias mais baratas em nossa cobertura”, seguindo assim a escolha principal.

A incorporadora Mitre teve lucro líquido de R$ 21,2 milhões no segundo trimestre, alta de 113% ante o mesmo período de 2020.

A receita líquida, por sua vez, aumentou 153%, para R$ 164,7 milhões, refletindo a aceleração da evolução física de obras e início das atividades em alguns canteiros.

Já a margem bruta da companhia passou de 31,9%, no segundo trimestre do ano passado, para 34,7% entre abril e junho de 2021. A incorporadora informou também margem bruta ajustada de 35,5%, ante 35% no mesmo período do ano passado.

Na avaliação do BBI, a Mitre surpreendeu positivamente em termos de velocidade de vendas e superou as estimativas
financeiras do banco em todas as categorias; até agora tem cumprido a fórmula.

“Olhando para o futuro, muito da avaliação da empresa depende de sua capacidade de manter isso e até mesmo impulsioná-lo mais rápido, especialmente em um segundo semestre agitado. Prevemos atritos operacionais que podem ser
particularmente onerosos para histórias crescentes como Mitre; preferimos ficar de fora do nome porque preferimos histórias estáveis”, avaliam, permanecendo com recomendação neutra e com um preço-alvo de R$ 19.

A Melnick lucrou R$ 12,32 milhões no segundo trimestre, queda de cerca de 45% ante o lucro de R$ 22,35 milhões registrado em igual período do ano passado.

Já a receita líquida de vendas e serviço teve baixa de 2,16%, a R$ 183 milhões.

A Alupar, empresa que atua em geração e transmissão de energia elétrica, teve lucro líquido atribuído aos sócios da empresa de R$ 332 milhões no segundo trimestre de 2021,  321% acima frente os R$ 79 milhões de igual período do ano passado.

A receita operacional líquida foi de R$ 1,3 bilhão, 27% superior ante os R$ 1,05 bilhão registrados um ano antes. O Ebitda foi de R$ 1,13 bilhão, alta de 153% na base anual.

O Itaú BBA destacou o Ebitda ajustado da companhia, que cresceu 45% na comparação com o mesmo período do ano passado, com o bom desempenho refletindo principalmente a entrada em operação de novas linhas de transmissão e o impacto positivo do reajuste pelo IGP-M das receitas de transmissão no período.

“No universo das empresas de transmissão sob nossa cobertura, a Alupar segue como nossa preferida, além de ser potencialmente a mais beneficiada pela reforma tributária em relação aos pares”, apontam os analistas.

BTG Pactual (BPAC11)

O BTG Pactual encerrou o segundo trimestre de 2021 com lucro líquido ajustado de R$ 1,719 bilhão, representando um crescimento de 74% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado, que foi de R$ 987 milhões. Frente ao trimestre imediatamente anterior, o lucro líquido ajustado subiu 43,6%. De acordo com o banco, o resultado trimestral foi recorde. O lucro líquido não ajustado somou R$ 1,678 bilhão, acima dos R$ 977 milhões do segundo trimestre de 2020.

O banco reportou receitas totais R$ 3,77 bilhões no segundo trimestre de 2021, crescimento de 52% sobre igual período do ano anterior e de 35% em relação ao primeiro trimestre. O retorno sobre o patrimônio ajustado cresceu 4,1 pontos-base para 21,6% em 12 meses. Frente ao primeiro trimestre, houve aumento de 5,1 pontos-base.

“Tivemos o melhor trimestre da nossa história, com resultados expressivos em todas as linhas de negócios, crescimento acelerado das nossas franquias de clientes, alta rentabilidade e manutenção de métricas de capital acima da média da indústria”, disse o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti.

O patrimônio líquido do BTG Pactual encerrou o segundo trimestre em R$ 35 bilhões, um crescimento de 36,7% frente ao mesmo período do ano passado e avançou 15,2% em comparação ao primeiro trimestre.

Os ativos totais do banco somaram R$ 335,2 bilhões, valor acima dos R$ 230,4 bilhões do segundo trimestre de 2020 e dos R$ 289,8 bilhões no primeiro trimestre.

O índice de Basileia caiu 2,1 pontos-base para 17,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre, estava em 17,7%.

Sequoia Logística (SEQL3)

A Sequoia Logística e Transportes teve lucro líquido de pouco mais de R$ 3 milhões no segundo trimestre, ante o prejuízo de R$ 8 milhões em igual período do ano passado.

No critério ajustado, excluindo despesas não recorrentes e amortização do ágio, o lucro foi de R$ 17,6 milhões, alta de quase 25 vezes ante os R$ 700 mil registrados no segundo trimestre de 2020.

A receita líquida subiu 75% na base de comparação trimestral, para R$ 368,9 milhões.

O Itaú BBA avaliou os resultados da Sequoia como levemente positivos e em linha com a expectativa. O crescimento do faturamento bruto na comparação anual foi ofuscado por margens menores por pressão de custos. O banco mantém avaliação outperform e preço-alvo para 2021 em R$ 36,70.

Blau Farmacêutica (BLAU3)

A Blau teve lucro de R$ 99 milhões no segundo trimestre, 35% acima frente igual período de 2020. Já a receita líquida subiu 15%, para R$ 371 milhões.

A XP apontou que a Blau reportou um forte resultado, com receita superior à esperada e margens também melhores. O forte desempenho de especialidades, oncológicos e outros medicamentos compensou o resultado abaixo do esperado dos produtos biológicos levando a um crescimento de receita de 15% em comparação ao segundo trimestre de 2020 e 4% acima das estimativas dos analistas da casa.

Além disso, a empresa apresentou uma forte melhora na margem Ebitda, em alta de 5,3 pontos percentuais na base de comparação anual, devido a maiores vendas para o mercado privado e à alavancagem operacional.

“Os resultados reforçam a nossa visão construtiva sobre a Blau, que tem uma perspectiva de crescimento muito forte, fruto do desenvolvimento de novos medicamentos aliado a uma maior capacidade de produção”, avaliam os analistas, que reiteraram recomendação de compra e preço alvo de R$ 64 por ação.

BR Partners (BRBI11)

O banco BR Partners  lucrou R$ 35 milhões no segundo trimestre, 47% acima do mesmo período de 2020. A receita líquida subiu 14,3%, a R$ 76,2 milhões.

Na avaliação da XP, a BR Partners apresentou bons resultados no segundo trimestre de 2021, com lucro de R$ 35 milhões o que implica um bom Retorno Sobre Patrimônio Líquido (ROE) de 19% no trimestre (recursos do IPO já incorporados).

O resultado foi impulsionado principalmente por: i) Sales & Trading, que saltou 81% anualmente e 159% trimestralmente para R$ 10,4 milhões, impulsionado pela maior demanda e capacidade do banco de aumentar limites devido aos recursos; ii) Mercado de Capitais, que continuou a apresentar bons resultados, expandindo 76% anualmente para R$ 18 milhões; e iii) Menor Alíquota de Imposto, uma vez que a empresa beneficiou de um crédito tributário extraordinário.

Por outro lado, as despesas de pessoal foram piores do que o esperado, crescendo 135% anualmente e 43% trimestralmente para R$ 22 milhões, implicando em um índice de remuneração de 25% (versus 22% esperado para 2021, embora acreditemos que seja sazonal).

“Embora acreditemos que a combinação de maiores despesas de pessoal com impostos extraordinariamente menores possa afetar a percepção de rentabilidade do banco por alguns investidores, reiteramos nossa recomendação de Compra com preço alvo de R$ 29 por ação”, avaliam.

A fabricante de peças automotivas Fras-le lucrou R$ 44,9 milhões no segundo trimestre, 220,8% acima na base de comparação anual.

A receita líquida totalizou R$ 599,1 milhões, salto de 113,9% na base anual.

A Mobly teve prejuízo de R$ 17 milhões no primeiro trimestre deste ano, 124% acima do registrado em igual período de 2020.

O InfoMoney conversou com Victor Noda, cofundador da Mobly, sobre os resultados do segundo trimestre e os planos para os trimestres seguintes.

Foram mais de 321 mil pedidos no segundo trimestre de 2021. O volume bruto de mercadorias ficou estável em R$ 247,4 milhões, alta de 0,4% na comparação entre o segundo trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021.

Mesmo com um GMV estável, a receita líquida cresceu: a Mobly registrou alta de 38,6% na mesma base de comparação, para R$ 175,7 milhões. Segundo Noda, o aumento da receita líquida apesar de um volume similar de mercadorias aconteceu porque a empresa reduziu seu prazo de entrega e reconheceu mais vendas ao longo do trimestre. O prazo médio de entrega no país caiu de 19,3 para 12,5 dias na comparação entre 1T2021 e 2T2021. Confira mais clicando aqui. 

O Bradesco BBI diz que os resultados da Mobly desapontam e ue tinha expectativas maiores no momento da oferta pública inicial de ações (IPO). As vendas subiram quase 39%, mas em grande medida porque uma parte das vendas do segundo trimestre foram reconhecidas como receita no terceiro trimestre do ano passado por conta do aumento dos tempos de entrega, o que reduziu a base de comparação deste ano. O banco ressalta que os custos de logística caíram 5,5 pontos percentuais por conta de penetração maior da plataforma de remessas da Mobly.

O banco avalia que a empresa enfrenta dificuldades de curto prazo, com demanda fraca com a reabertura do varejo físico e pressões de margens por conta de inflação da matéria prima. Mas espera que ambas as questões amenizem em algum momento, ainda que seja improvável que o próximo trimestre traga notícias melhores. O BBI diz que mantém uma avaliação positiva para a empresa no longo prazo, e ajustou a estimativa para a receita, com queda de entre 4% e 8% entre 2021 e 2023. Também reduziu o preço-alvo de R$ 30 de 2021 para R$ 26 de 2022, mas mantém avaliação outperform.

A JSL lucrou R$ 93,1 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo assim prejuízo de R$ 16,3 milhões em igual período de 2020.

A receita líquida teve um avanço de 58,6%, aa R$ 922,4 milhões. Já o Ebitda subiu 157,5%, para R$ 211,7 milhões.

Latam

A Latam Airlines, aérea em recuperação judicial, teve prejuízo de US$ 769,6 milhões no segundo trimestre 2021, uma cifra  13,5% menor na base de comparação anual.

Já a receita subiu  55,4%, a a US$ 888,7 milhões.

A BRF tem realizado importações de milho do Paraguai e da Argentina para “garantir o abastecimento da companhia com a melhor competitividade possível”, informou o vice-presidente de Planejamento Integrado e Logística da companhia, Leonardo DallOrto. O volume importado e os preços, porém, não foram divulgados, por serem considerados informações estratégicas da empresa.

“Estamos vivendo um momento de pressão de custos e alta volatilidade que pressiona toda a indústria no Brasil. Nossas estratégias de compras e abastecimento têm nos garantido uma vantagem competitiva importante nesse cenário, mas não estamos imunes a seus impactos”, disse o executivo.

As compras do milho estrangeiro ocorrem em um momento de elevação de preços por causa da quebra da safrinha brasileira. As lavouras do Centro-Sul do País foram drasticamente afetadas, primeiro pela estiagem, e, posteriomente, pelas geadas registradas no último mês. A consultoria AgRural, por exemplo, revisou na semana passada a projeção de colheita no Centro-Sul, de 54,6 milhões de toneladas em 1º de julho para 51,6 milhões de toneladas em agosto.

A BRF, nessa conjuntura, opta por trazer milho dos países vizinhos e segue analisando a possibilidade de trazer o grão dos Estados Unidos, com a isenção temporária da tarifa externa comum (TEC) para importações de grãos. “Ainda não fizemos compras dos EUA. No momento, as importações do Mercosul se mostram mais atrativas”, conforme Dall’Orto.

A Petrobras informou na segunda-feira que iniciou a fase vinculante do processo de venda, em conjunto com a Sonangol Hidrocarbonetos, da totalidade da participação de ambas as empresas no bloco exploratório terrestre POT-T-794, localizado na Bacia Potiguar.

Os potenciais compradores habilitados para essa fase receberão carta-convite com instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo orientações para o due diligence e o envio das propostas vinculantes, afirmou a Petrobras em comunicado.

A concessão do bloco foi adquirida em 2006, em rodada de licitações realizada pela ANP. A Petrobras detém 70% de participação, enquanto a Sonangol –operadora da concessão– possui os outros 30%.

“O consórcio perfurou dois poços na área, sendo um descobridor de gás e um de delimitação. Não há compromissos remanescentes do Programa Exploratório Mínimo (PEM) a serem cumpridos”, disse a petroleira estatal.

O Credit Suisse avaliou os dados operacionais divulgados na segunda pela B3 como neutros para os papéis. Os resultados relativos ao segundo trimestre serão divulgados na quarta após o fechamento. O Credit diz esperar lucro líquido de R$ 1,14 bilhão, queda de 9,7% na comparação trimestral, e lucro Ebitda de R$ 1,8 bilhão, o que indica margem de 80,6%. O banco mantém avaliação outperform e preço-alvo de R$ 22, frente à cotação de R$ 15,77 de segunda.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Lucro da Minerva cai 54% e da Iguatemi salta 6 vezes no 2º tri; Even, Direcional e mais empresas divulgam resultados

SÃO PAULO – A noite desta segunda-feira (9) é marcada por uma série de novos resultados do segundo trimestre, com atenção especial para os números da Minerva, Itaúsa e algumas construtoras.

Confira os principais resultados que foram publicados após o fechamento:

A Minerva registrou lucro líquido de R$ 116,7 milhões no segundo trimestre, queda de 54% ante o mesmo período do ano passado. Apesar disso, a empresa ainda vê um cenário positivo puxado por exportação e sinergia entre as operações sul-americanas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia atingiu R$ 544,9 milhões no período, recuo de 7,7% no mesmo comparativo.

O diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, disse que o destaque do trimestre é o lucro líquido pois, apesar da queda, trata-se de um “resultado realmente muito forte”, mas que é comparado a uma base mais elevada — em 2020, a pandemia da Covid-19 elevou a demanda por alimentos em diversos setores.

“Houve queda ante o segundo tri do ano passado, mas porque (2020) foi um ponto fora da curva”, afirmou a jornalistas em videoconferência.

A receita líquida da empresa atingiu R$ 6,28 bilhões no segundo trimestre, alta de 42,9% no ano a ano.

O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, disse que ainda há certas dificuldades logísticas no mercado global, com falta de contêineres e tempos mais longos para transportes de cargas, mas a demanda externa segue aquecida.

“A Ásia segue como o grande vetor comprador… e a China como o principal destaque. No segundo trimestre de 2021, cerca de 36% da nossa receita de exportação teve origem no mercado chinês”, informou a empresa, mesmo diante de entraves relacionados à pandemia da Covid-19.

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A Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco (ITUB4), registrou lucro líquido de R$ 3,5 bilhões no segundo trimestre deste ano, valor 487% superior ao apresentado um ano antes.

O lucro líquido recorrente, por sua vez, foi de R$ 2,86 bilhões no período, alta de 99% sobre o mesmo período de 2020.

O resultado reflete a combinação de melhora da economia brasileira após o choque da pandemia do coronavírus, e também de efeitos fiscais extraordinários.

A alta do lucro foi impactada, principalmente pelo resultado de seu principal ativo, o Itaú, além de um ganho de R$ 476 milhões com a reavaliação de crédito tributário com a majoração da alíquota da CSLL.

Além disso, um ano antes, a Itaúsa tinha reportado despesa extraordinária de R$ 543 milhões com sua unidade CorpBanca, no Chile, e outra de R$ 312 milhões com doação a um programa para combate aos efeitos da pandemia.

A Itaúsa ainda reportou aumento de receitas com ativos não financeiros, incluindo a fabricante de calçados Alpargatas (ALPA4); a Dexco (DTEX3), de louças e painéis de madeira; da transportadora de gás NTS; e da Copa Energia.

Já o ativo total da holding passou de R$ 56,55 bilhões para R$ 69,42 bilhões entre o segundo trimestre do ano passado e este, uma alta de 22,8%.

O endividamento líquido, por sua vez, teve um salto de 1.715% em um ano, passando de R$ 213 milhões entre abril e junho de 2020 para R$ 3,867 bilhões no segundo trimestre deste ano.

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Além disso, em outro comunicado, a companhia informou o pagamento de juros sobre capital próprio brutos de R$ 0,03734 por ação, por conta do dividendo obrigatório do exercício de 2021. Com o desconto de 15% do imposto de renda na fonte, o JCP líquido será de R$ 0,031739.

O valor será pago no dia 26 de agosto e terão direito os acionistas com ações ITSA4 no dia 13 de agosto, com os papéis passando a negociar na forma “ex” a partir de 16 de agosto. Contando os dividendos já anunciados este ano, a companhia irá pagar R$ 798 milhões em proventos líquidos.

Iguatemi (IGTA3)

A rede Iguatemi, dona de 14 shopping centers, dois outlets e três torres comerciais, apresentou lucro líquido de R$ 279 milhões no segundo trimestre de 2021, montante seis vezes maior do que no mesmo período de 2020.

O Ebitda atingiu R$ 108,9 milhões, recuo de 5,4% na mesma base de comparação. A margem Ebitda diminuiu 7,6 pontos porcentuais, para 63,9%.

A receita operacional líquida totalizou R$ 170,3 milhões, aumento de 5,8%.

A disparada no lucro líquido da Iguatemi partiu da linha de resultado financeiro, onde foi apurada uma receita de R$ 365,5 milhões em contrapartida a uma despesa de R$ 19,5 milhões um ano antes.

Por trás dessa linha está a participação de 10% que a Iguatemi possui, via fundo, na Infracommerce, empresa de soluções digitais para o comércio eletrônico. Esta empresa entrou na Bolsa em maio, levando a Iguatemi a fazer a marcação a mercado do ativo em seu balanço, o que gerou o ganho extraordinário ‘não caixa’.

A Iguatemi também apresentou melhora dos seus resultados operacionais. A receita líquida cresceu ajudada pela reabertura dos shoppings e pela redução dos descontos no aluguel dos lojistas com mais alívio da pandemia.

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Os resultados acima também já embutem o efeito da linearização dos descontos – prática contábil que dilui os descontos nos aluguéis ao longo dos períodos de vigência dos contratos. A linearização contribuiu com apenas R$ 2,7 milhões neste trimestre, 97% menos do que um ano antes.

A reabertura dos shoppings também elevou a linha de custos e despesas em 92%, para R$ 74,4 milhões.

A Iguatemi chegou ao fim de junho com dívida total de R$ 3,08 bilhões, 6,2% abaixo de março. A disponibilidade de caixa encontrava-se em R$ 1,8 bilhões, 10% a mais nessa comparação sequencial. Com isso, a dívida líquida ficou em R$ 1,3 bilhões, com uma alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) de 2,58 vezes.

São Martinho (SMTO3)

A companhia de açúcar e etanol São Martinho reportou lucro líquido de R$ 190,1 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2021/22, alta de 64,3% na comparação anual, em período que a empresa obteve maior preço médio na venda de todos os seus produtos.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia somou R$ 688,3 milhões, avanço de 40,1% no ano a ano.

“Reflexo principalmente do maior preço médio de comercialização de etanol (+84,7%), açúcar (+28,3%), cogeração (+24,9%), além do volume de comercializado de CBios”, disse a empresa em relatório sobre o aumento do Ebitda.

A receita líquida da São Martinho atingiu R$ 1,32 bilhão, variação positiva de 28,8% em relação ao mesmo período do ano passado, também apoiada pelos preços mais elevados de vendas, enquanto o fluxo de caixa operacional totalizou R$ 448 milhões, crescimento de 49,7%.

Já a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, que mede a alavancagem da companhia, ficou em 1,02 vez, redução de 30,8% no ano a ano.

A construtora Even registrou lucro líquido de R$ 54 milhões entre abril e junho deste ano, uma alta de 102% na comparação com o mesmo período de 2020. Na comparação com o primeiro trimestre, porém, houve uma queda de 35,2% no lucro.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado teve um crescimento de 17,3% na comparação anual, ficando em R$ 65 milhões no segundo trimestre.

A receita líquida, por sua vez, cresceu 39,5%, ficando em R$ 522,38 milhões, puxadas principalmente pelas vendas de R$ 354 milhões, com VSO consolidada de 16%.

O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) anualizado, encerrou o segundo trimestre em 12,3%, um avanço de 6 pontos percentuais sobre os 6,6% apresentados entre abril e junho de 2020.

Direcional (DIRR3)

A Direcional apresentou lucro líquido de R$ 40,688 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado somou $ 89,996 milhões, avanço de 47,8% na mesma margem de comparação. A margem Ebitda ajustado cresceu 6,4 pontos porcentuais, para 21,3%.

A margem bruta subiu 5,0 pontos porcentuais, para 38,0%, o maior patamar já registrado pela Direcional após o seu IPO. Já a receita operacional líquida totalizou R$ 422,162 milhões, aumento de 3,4%.

O resultado financeiro líquido piorou, ficando negativo em R$ 14,423 milhões, ante resultado negativo de apenas R$ 1,393 milhão um ano antes.

A grande responsável pelo crescimento do lucro da Direcional no período foi a melhora das margens. Segundo a companhia, essa melhora decorreu da apuração de economias nas obra dos projetos que estão em estágio avançado de construção e, portanto, com menor exposição ao aumento de custo de insumos que tem pressionado todo o setor.

A prática da incorporadora é de reconhecer eventuais economias apenas na parte final de cada obra. “Desse modo, a despeito do cenário atual de aumento de custos, as apropriações de economia de obra (…) foram mais do que suficientes para compensar a pressão inflacionária em projetos que estão sendo iniciados”, descreveu a empresa.

As despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 64 milhões, um incremento anual de 36%, enquanto as despesas comerciais totalizaram R$ 45 milhões, avanço de 14%.

A Direcional encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 241,610 milhões, sete vezes mais do que um ano antes. Nesse período, a dívida bruta subiu 35%, para R$ 880,866 milhões, enquanto as disponibilidades em caixa subiram 13,3%, para R$ 946,589 milhões.

A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) foi de 2,3% para 18,6%, refletindo principalmente o pagamento de dividendos aos acionistas e operações para captação de recursos ao longo do último ano.

A incorporadora Mitre teve lucro líquido de R$ 21,2 milhões no segundo trimestre, alta de 113% ante o mesmo período de 2020.

A receita líquida, por sua vez, aumentou 153%, para R$ 164,7 milhões, refletindo a aceleração da evolução física de obras e início das atividades em alguns canteiros.

Já a margem bruta da companhia passou de 31,9%, no segundo trimestre do ano passado, para 34,7% entre abril e junho de 2021. A incorporadora informou também margem bruta ajustada de 35,5%, ante 35% no mesmo período do ano passado.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Reorganização de Iguatemi e Jereissati pode destravar valor, mas analistas questionam governança corporativa

SÃO PAULO – Maior espaço para fusões e aquisições após um período bastante conturbado por conta da pandemia do coronavírus, mas com ainda muitas questões sobre a governança corporativa.

Foi desta forma que os analistas receberam a notícia da reorganização societária da Iguatemi (IGTA3) com a sua controladora Jereissati ([ativo=JPSA3]), que deve também representar o fechamento de um grande desconto da holding em relação a sua controlada.

Na sessão desta terça-feira (8), após o anúncio, os papéis IGTA3 registravam queda de 5,15%, a R$ 44,01 por volta das 13h30 (horário de Brasília), enquanto os ativos JPSA3 saltavam 10,28%, a R4 35,19, após chegarem a saltar 16,58% na máxima do dia.

Por meio da reorganização, os acionistas da Iguatemi, atualmente no Novo Mercado (ou seja, somente com ações ordinárias, com direito a voto), vão receber units (espécie de pacote de classes de ativos negociados em conjunto) da Jereissati, que assumiria o seu nome, passando a se chamar Iguatemi S.A, e negociando assim suas ações na forma de units.

A relação de troca ainda está para ser definida pelo Conselho da Jereissati e por um comitê independente da Iguatemi, mas a sinalização dos controladores é de que a avaliação deve considerar o valor de mercado da sua participação da Iguatemi (hoje os papéis são negociados com um desconto). Porém, os acionistas não controladores da Iguatemi devem receber um prêmio de 10% em relação à média da negociação dos últimos 30 dias.

Pela proposta, cada sete ações ordinárias  da JPSA3 serão convertidas em uma unit da nova Iguatemi. A composição das units será de uma ação ON e duas ações preferenciais (PNs), com as PNs possuindo direitos de proventos cerca de 3 vezes maiores que os da ONs. A transação ainda será negociada em comitê independente da Iguatemi, após a aprovação dos acionistas minoritários de ambas as companhias. A XP está assessorando a Jereissati Participações enquanto o BTG Pactual auxilia a Iguatemi.

Se a transação for aprovada, o grupo Jereissati passará a ter 68,5% do capital votante da Iguatemi (atualmente em 50,7%) e 29,2% de seu capital econômico (atualmente em 30,6%).

Carlos Jereissati, CEO da companhia, apontou que o motivo da reestruturação é a perspectiva de fusões e aquisições a serem realizados no mercado mais adiante, em meio a um cenário de forte potencial de consolidação do setor. Ainda, o processo teria como finalidade aumentar a capacidade de investimento da Iguatemi, enquanto permanece mantendo o controle na Jereissati.

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Caso a Iguatemi S.A. faça uma emissão de units para atrair novos investidores e a família Jereissati não acompanhe a injeção de dinheiro na empresa, o seu poder de voto não será ameaçado, levando em conta que os novos sócios receberão principalmente ações PN – sem direito a voto.

Além disso, o CEO do grupo também anunciou que irá passar o comando para a atual CFO, Cristina Betts, que atua há 13 anos no grupo. Na avaliação do Credit Suisse, a mudança de CEO pode ser vista como natural dado que Carlos ainda continuará no Conselho e Cristina tem uma carreira bastante sólida. A mudança nos postos ocorrerá a partir de 1º de janeiro de 2022.

Conforme destaca a Levante Ideias de Investimentos, a estratégia de reestruturação é uma forma da companhia continuar a expandir sem que haja riscos de diluição de controle, o que poderia ocorrer devido às limitações de capacidade de se usar ações da empresa como “moeda” em uma operação.

No atual formato, apontam os analistas, a empresa poderia se aproximar do limite da utilização de ações como meio de pagamento de aquisições de modo a evitar drenar seu caixa. Esse processo, caso persistisse, comprometeria a estrutura de controle atual. Nesse contexto, os analistas da casa de research veem a estratégia como acertada.

Além disso, ressaltam, a aprovação da estratégia ainda acarretará o fim do desconto de holding, com os acionistas da Jereissati Participações sofrendo uma diluição, o que poderá ser ainda mais benéfico para seus preços. Por fim, a companhia ainda será beneficiada com maior liquidez de suas ações.

Os papéis pulverizados entre diversos investidores fora do grupo controlador (o chamado free float) subiria em 45%, ampliando sua liquidez potencial, segundo o comunicado das companhias.

Conforme destaca o Credit Suisse, a operação indica um prêmio de 5% em relação ao fechamento da véspera para IGTA3 e para JPSA3 um re-rating de 40%. Daniel Gasparete e Pedro Hajnal, analistas do banco, apontam que a transação precisaria ainda passar por dois estágios principais: 1) conversão das ações de JPSA para unit (1 ordinária e 2 preferenciais) e 2) acionistas de IGTA irão receber a unit emitida pela JPSA com 10% de prêmio em relação aos últimos 30 dias ou 5% em relação ao fechamento de segunda-feira, relacionado à incorporação da IGTA pela JPSA.

De uma forma geral, os analistas veem mérito na transação e acreditam que há espaço para destravar crescimento. O aumento de free float, liquidez e algum prêmio para os acionistas de IGTA também podem ser vistos por um ângulo positivo.

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Porém, o contraponto destacado por Gasparete, Hajnal e outros analistas é de que o prêmio oferecido para os acionistas de IGTA3 não é muito alto dada a estrutura de units. Adicionalmente, contudo, pode ser lembrado que alguns pares listados aceitaram diluição para continuarem a crescer. Os analistas avaliam que realmente existe espaço para crescimento e que pragmaticamente parece fazer sentido estar do lado de uma gestão de muita qualidade e um portfolio também de alta qualidade nestes termos.

Os analistas do Credit lembram que a transação ainda está pendente de aprovação dos minoritários e que os investidores devem aceitar a operação, mas pedir um prêmio maior dado que o balanço parece bem mais favorável para os acionistas de JPSA.

O Itaú BBA também aponta que o anúncio é positivo para Iguatemi devido ao acréscimo de valor que poderia ser gerado com fusões e aquisições, mas também ressaltam um possível impacto negativo do ponto de vista da governança corporativa, ainda que a empresa siga destacando que continuará a respeitar todos os padrões do Novo Mercado e que a transação depende totalmente do voto dos acionistas minoritários.

“Nós vemos o anúncio como positivo para as ações da IGTA3, visto que oportunidades de fusões e aquisições provavelmente serão positivas devido à escalabilidade operacional do setor e a nossa convicção de que a empresa se engajará efetivamente na consolidação do mercado assim que o negócio for totalmente concluído. No entanto, notamos que a estrutura complexa de units levará um pedágio na governança corporativa, especialmente considerando que o grupo consolidado seria listado no Nível 1 da B3”, apontam. O Nível 1 da B3 é um degrau abaixo do Novo Mercado.

Cabe ressaltar que a mudança para um patamar de governança inferior demanda que o controlador faça uma oferta pública de aquisição de ações dos minoritários, o que não está nos planos. Portanto, os minoritários precisarão aprovar tanto a mudança e a dispensa de tal oferta.

O Morgan Stanley mostra ainda mais desconfiança com a mudança do nível de governança corporativa, trazendo ainda um breve histórico dos motivos para ter havido a criação do Novo Mercado na B3. “Não esperamos que os investidores se alinhem a favor da proposta, pois isso resultaria na retirada da IGTA do Novo Mercado, com direito a voto / propriedade econômica assimétrica”, apontam.

Nikolaj Lippmann e Jorel Guilloty, analistas do Morgan, apontam que, no Brasil, a década de 1990 ofereceu uma longa lista de eventos preocupantes de governança corporativa que resultaram na criação do Novo Mercado; um mercado com apenas uma classe de ações, as ordinárias, com direito a voto e baseadas nas melhores práticas de governança corporativa. Desta forma, eles apontam que não veem por que os investidores aceitariam abrir mão do princípio de “uma ação, um voto” que a Iguatemi oferece hoje. Eles avaliam que o problema com “as classes de ações duplas” no Brasil e em outros lugares é que, em última análise, é que elas criam um desalinhamento das estruturas de incentivos.

Já para Luís Sales, analista da Guide, o fato da troca na listagem no Novo Mercado pelo Nível 1 da B3, que pode prejudicar a nota de governança da nova companhia na métrica ESG (melhores práticas em termos de questões ambientais, sociais e de governança), pode ser compensado com a possível redução de despesas operacionais e financeiras, que deve melhorar suas margens, o que permitiria, além de futuras aquisições, resultados mais robustos.

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Os analistas do Bradesco BBI destacam também que, embora preferissem uma estrutura mais simples, tendem a ver a saída do Novo Mercado como menos relevante nesta fase, uma vez que a diluição do poder de voto das minorias não mudará
o processo de tomada de decisão existente nem o acionista controlador, ao mesmo tempo que adiciona alternativas estratégicas significativas para a empresa. “Enfim, vemos o movimento como estrategicamente positivo e necessário, que deve ajudar a Iguatemi a justificar o prêmio de avaliação atual sobre os pares”, avaliam. Segundo eles, a operação visa atender um dos principais pontos de preocupação com a tese, que é exatamente a flexibilidade limitada para fazer movimentos estratégicos e manter a empresa em um caminho de crescimento sustentável.

Desta forma, o próximo passo a ser acompanhado é a assembleia para deliberação da proposta, que ocorrerá no dia 8 de julho, às 10h e sem a votação dos controladores.

Enquanto isso, analistas seguem divididos sobre a ação da companhia, mesmo levando em conta um cenário mais positivo para o setor de shoppings com a tese de reabertura da economia (veja mais clicando aqui). Os analistas do Credit seguem destacando visão positiva para Iguatemi entre as ações de sua cobertura do setor no Brasil, mantendo recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 45 (ainda que 3% abaixo do fechamento da véspera). A mesma recomendação, mas com um preço-alvo de R$ 42,80 (ou um valor 7,7% menor), tem o Itaú BBA para os ativos.

Já o Morgan Stanley possui recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para os ativos, com preço-alvo de R$ 38 (ou queda de 18%), enquanto o BBI tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 50 (ou 7,7% acima do fechamento da véspera). Segundo compilação da Refinitiv, seis casas possuem recomendação de compra e seis possuem recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo médio de R$ 43,40, ou 6,5% abaixo do fechamento da véspera.

Ações da Iguatemi caem 3% e Jereissati salta 15% com reorganização societária; CVC sobe 6% com possível oferta de ações

SÃO PAULO – As ações da CVC (CVCB3) registram alta expressiva nesta terça-feira (8), de mais de 6%, em meio ao anúncio da companhia de oferta de ações.

De acordo com informações do Brazil Journal, a captação da CVC ficaria em torno de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões, completando o levantamento de R$ 1,1 bilhão em três tranches num intervalo de aproximadamente nove meses. A empresa está se preparando para a volta das atividades com o avanço da vacinação contra a Covid-19 no Brasil e no mundo. Além disso, a empresa visa reduzir seu endividamento.

Já os ativos de varejistas registram expressivos ganhos, na esteira dos dados de vendas do setor, que subiram 1,8% em abril de 2021 ante março, na série com ajuste sazonal, na maior alta para o mês desde 2000, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Na comparação com abril do ano passado, o volume de vendas no varejo cresceu 23,8%. O resultado veio acima do esperado.

A projeção, de acordo com consenso Refinitiv, era de alta de 0,1% na comparação com março e de alta de 19,8% na comparação com abril de 2020. Na base mensal, o resultado positivo atingiu sete das oito atividades investigadas pela pesquisa. A maior alta foi a de Móveis e eletrodomésticos (24,8%). Outras variações positivas vieram dos setores de Tecidos, vestuário e calçados (13,8%).

Ainda no radar do setor, o Magazine Luiza (MGLU3) comunicou a celebração de um contrato para aquisição da Bit55, plataforma de tecnologia para processamento de cartões de crédito e débito na nuvem, construída pelo Banco BS2 para processamento de seus próprios cartões. Os ativos MGLU3 sobem cerca de 1,5%; Via Varejo (VVAR3) avança 2,5%, enquanto Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3) sobem cerca de 1%.

Destaque ainda para a Iguatemi (IGTA3), com queda de cerca de 3%, enquanto a Jereissati ([ativo=JPSA3]), fora do Ibovespa, avança cerca de 15%. A Iguatemi anunciou na segunda-feira que seu conselho de administração aprovou proposta de reorganização societária pela qual a empresa será incorporada por sua controladora, o Grupo Jereissati.

Confira os destaques:

Iguatemi (IGTA3)

Em destaque, a administradora de shopping centers Iguatemi anunciou na segunda-feira que seu conselho de administração aprovou proposta de reorganização societária pela qual a empresa será incorporada por sua controladora, o Grupo Jereissati. A operação implica que a Iguatemi deixará de ter ações listadas no Novo Mercado da B3, segmento de mais alta governança corporativa, já que a nova empresa a ser formada terá units listadas no nível 1. Segundo comunicado conjunto ao mercado, apesar disso, a empresa terá direitos de acionistas e práticas de governança “similares” ao do Novo Mercado. O free float esperado da nova empresa a ser criada na reorganização, Iguatemi SA, será de 45%.

A companhia também anunciou que o conselho de administração aprovou início do processo de sucessão do atual presidente-executivo, Carlos Jereissati. Para o seu lugar, o nome da atual vice-presidente financeira, Cristina Betts, foi indicado para ocupar a função a partir de 1 de janeiro de 2022. Betts também será presidente da Iguatemi SA, caso a reorganização seja concluída. Saiba mais clicando aqui.

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Conforme destaca o Credit Suisse, a operação indica um prêmio de 5% em relação ao fechamento para IGTA3 e para JPSA3 um re-rating de 40%. Os analistas do banco comentaram que a transação precisaria passar por dois estágios principais: 1) conversão das ações de JPSA para unit (1 ordinária e 2 preferenciais) 2) acionistas de IGTA irão receber a unit emitida pela JPSA com 10% de premio em relação aos últimos 30 dias ou 5% em relação ao fechamento de segunda-feira, relacionado a incorporação da IGTA pela JPSA. A transação ainda esta pendente de aprovação dos minoritários e os analistas avaliam que os investidores devem aceitar a operação, mas pedir um prêmio maior dado que o balanço parece bem mais favorável para os acionistas de JPSA. A mudança de CEO pode ser vista como natural dado que Carlos ainda continuara no Conselho e Cristina tem uma carreira bastante sólida.

De forma geral, os analistas veem mérito na transação e acreditam que tem espaço para destravar crescimento. O aumento de free float, liquidez e algum prêmio para os acionistas de IGTA também podem ser vistos por um ângulo positivo. O contraponto pode vir de que o prêmio oferecido para os acionistas de IGTA3 não é muito alto dada a estrutura de units e um histórico de fusões e aquisições principalmente na aquisição de participação de minoritários dos shoppings em que já possuem presença. Adicionalmente, pode ser lembrado que alguns pares listados aceitaram diluição para continuarem a crescer. Os analistas avaliam que realmente existe espaço para crescimento e que pragmaticamente parece fazer sentido estar do lado de uma gestão de muita qualidade e um portfolio de alta qualidade nestes termos.

O Itaú BBA comentou a perspectiva de consolidação em uma única entidade de Iguatemi e Jereissati Participações, com o objetivo de impulsionar o poder do Iguatemi para se beneficiar de oportunidades de consolidação de mercado. O banco diz ver o anúncio como positivo para Iguatemi devido ao acréscimo de valor que poderia ser gerado com fusões e aquisições. Mas diz que deve haver um impacto negativo do ponto de vista da governança corporativa. O banco mantém recomendação outperform para o Iguatemi, e preço-alvo de R$ 42,80.

A CVC afirmou em fato relevante que estuda levantar recursos por meio de uma oferta pública primária de valores mobiliários.

“[A empresa] avalia constantemente alternativas de captação de recursos junto aos mercados de renda fixa ou variável, sempre alinhada com seu planejamento estratégico e as atuais condições”, comunicou, informando que já entrou em contato com bancos de investimentos para realizar a operação.

De acordo com informações do Brazil Journal, a captação da CVC ficaria em torno de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões, completando o levantamento de R$ 1,1 bilhão em três tranches num intervalo de aproximadamente nove meses. A empresa está se preparando para a volta das atividades com o avanço da vacinação contra a Covid-19 no Brasil e no mundo. Além disso, a empresa visa reduzir seu endividamento.

Conforme destaca a Guide, com a oferta, que ainda não foi definida se será aberta ao público ou restrita, deve tornar a CVC, que vem reduzindo a sua alavancagem, quase caixa líquido. “Vemos a notícia com bons olhos, pois acreditamos que a empresa esteja bem posicionada para aproveitar a reabertura da economia, e ainda poderá fazer futuras aquisições em um ambiente propicio para consolidações”, avalia.

A Petrobras afirmou em comunicado que a sua participação na Braskem faz parte da carteira de ativos à venda
pela companhia, conforme divulgado no Plano Estratégico 2021-2025. Contudo, destacou que, conforme já divulgado, ainda não há qualquer definição ou decisão sobre o modelo da venda. A companhia entende ser necessária a contratação de uma instituição financeira especializada e independente para o assessoramento financeiro da futura transação, tal como já feito em outras operações de venda de ativos. “A companhia manterá o mercado informado a respeito de eventuais informações relevantes sobre o assunto”, destacou a empresa.

BR Distribuidora (BRDT3)

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Já o conselho de administração da BR Distribuidora aprovou na segunda-feira a proposta de criação de um novo plano de previdência da companhia, batizado de FlexPrev, que será administrado pela Petros. Segundo a distribuidora de combustíveis, o FlexPrev será um plano exclusivo na modalidade de contribuição definida.

A companhia prevê oferecê-lo tanto para novas adesões quanto para migração voluntária de participantes ativos em planos atuais. A empresa disse que a introdução do novo plano de contribuição definida deverá reduzir o risco de natureza atuarial presente em seus planos atuais, cujo passivo atuarial é de R$ 1,7 bilhão.

O Credit Suisse avalia o movimento como positivo e diz que, se aprovado, o plano de pensão ajudará a abordar o deficit de R$ 1,7 bilhão no plano de pensão da BR Distribuidora, e os gastos de R$ 140 milhões sobre os resultados operacionais, destacando que as migrações seriam voluntárias.

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza comunicou que celebrou um contrato para aquisição da Bit55, plataforma de tecnologia para processamento de cartões de crédito e débito na nuvem, construída pelo Banco BS2 para processamento de seus próprios cartões.

A tecnologia proprietária da Bit55 foi desenvolvida ao longo dos últimos dois anos por uma equipe altamente
especializada em produtos financeiros digitais, informou o Magalu.

“Com um modelo escalável, a Bit55 possui uma capacidade de processamento de mais de 2.000 transações por segundo, o que garante um tempo de resposta muito rápido e uma melhor experiência de compra”, destacou a varejista no comunicado.

O Magalu ressalta que a Bit55 possibilita que cartões sejam emitidos e disponibilizados para uso em minutos, além de oferecer toda a estrutura necessária para a gestão de um portfólio de cartões de crédito, que inclui desde o recebimento da proposta, envio do cartão, captura e autorização das transações, emissão da fatura, recebimento e conciliação automática.

“Com a aquisição, a Bit55 complementa os serviços oferecidos pela Hub Fintech, que poderá oferecer aos seus
clientes a emissão de cartões de crédito e débito, além dos atuais cartões pré-pago e contas digitais. A Bit55 passa a
fazer parte das iniciativas de fintech do Magalu e é mais um importante passo na estratégia do Magalu de digitalização
do Brasil”, destaca a empresa.

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A conclusão da aquisição está sujeita ao cumprimento de obrigações e condições precedentes, usuais a esse tipo de
operação. O Magalu afirmou que manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados, nos termos da
legislação aplicável.

Para o Itaú BBA, a transação foi positiva, pois, além de complementar o ecossistema de fintech do Magazine Luiza, a principal justificativa para esta aquisição é aprimorar o banco de dados de clientes e comerciantes da empresa – um pilar fundamental para o objetivo de desenvolver um Super App abrangente e para a missão de digitalizar totalmente a experiência do varejo no Brasil.

Caixa Seguridade (CXSE3)

O Conselho de Administração da Caixa Seguridade aprovou a eleição de Camila de Freitas Aichinger para Diretora-Presidente.

Em comunicado, a Vale informou ter fechado até o momento acordos de indenização com mais de 10,3 mil atingidos pelo rompimento de uma de suas barragens em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, e por desocupações em consequência do desastre, com o pagamento de mais de 2 bilhões de reais, informou a mineradora nesta segunda-feira. Do total, foram fechados 1,4 mil acordos trabalhistas, envolvendo mais de 2,4 mil pessoas, e 3,6 mil acordos cíveis, contemplando 7,9 mil pessoas. A Vale não informou uma projeção de quantos ainda deverão ser indenizados ou do montante total que poderá ser pago no final. As pessoas que se sentirem atingidas de alguma forma podem acionar a empresa a qualquer momento.

Ainda no radar da companhia, os futuros do minério de ferro na China recuaram pela terceira sessão consecutiva nesta terça-feira, acompanhando uma queda nos preços do aço no país impulsionada por sinais de desaceleração na demanda siderúrgica.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1, para entrega em setembro, encerrou o pregão diurno com queda de 0,7%, a 1.149 iuanes (US$ 179,81) por tonelada, após chegar a cair até 4,5%, para o menor nível desde 1 de junho.

O recuo nos estoques de vergalhão de aço para construção na China desacelerou acentuadamente na semana passada, indicando uma demanda menor, que já era esperada devido à época de monções, que gera chuvas em províncias do sul e elevadas temperaturas no norte do país.

A JBS anunciou nesta terça-feira um acordo para comprar a processadora de carne suína australiana Rivalea, da empresa listada de Cingapura QAF, em um negócio avaliado em total de 175 milhões de dólares australianos, ou US$ 135 milhões.

Em comunicado ao mercado, a JBS disse que a Rivalea é líder na criação e processamento de carne de porco na Austrália, responsável por 26% dos suínos processados no mercado local, e que com a operação diversificará seus produtos no país.

“Com a aquisição da Rivalea, a JBS assume a liderança no processamento de suínos na Austrália. Adicionamos marcas importantes ao nosso portfólio e criamos melhores condições para acelerar o crescimento dos negócios de valor agregado e marca no país, além de fortalecer a nossa plataforma de exportação”, disse em nota o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni.

A operação envolverá a compra pela JBS de 100% da Rivalea Holdings Pty e 100% da Oxdale Dairy Enterprise junto à QAF.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, anunciou na segunda-feira a previsão de votação da MP da privatização da Eletrobras no Senado nesta semana ou na próxima. Lira relatou acordo selado com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para que os senadores tenham a liberdade de discutir e modificar o texto da medida provisória, caso considerem necessário, a tempo de devolvê-la para a Câmara. Segundo o presidente da Câmara, o andamento da MP está “dentro do script”.

Afya 

A Afya informou que o grupo alemão de mídia Bertelsmann comprou a totalidade da participação que o fundo Crescera (ex-Bozano) detinha no grupo educacional focado em cursos de medicina. O fundo Crescera tinha uma fatia de cerca de 25% das ações da companhia. A Bertelsmann foi a principal investidora desse fundo antes mesmo de a Afya abrir capital em 2019.

Isso garantirá poder de voto de 45,6% e o poder de indicar três membros do conselho da Afya. A transação está sujeita a aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O Morgan Stanley avalia que o investimento parece ser estratégico, e de longo prazo. O CEO da Afya afirmou que está interessado na área de negócios digitais e que pode trazer com o Softbank mais conhecimento para consolidação sobre metas digitais.

O banco mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para a Afya, com preço-alvo de US$ 32, frente aos US$ 24,52 de fechamento na segunda pelos papéis AFYA na Nasdaq.

Cosan (ativo=CSAN3])

A Raízen, joint venture entre a Cosan  e a Shell na área de distribuição de combustíveis e produção de açúcar e etanol, protocolou o prospecto de sua oferta inicial de ações, segundo registro disponibilizado pela CVM. A Raízen afirma no documento que pretende usar recursos da oferta para construir novas plantas para expandir a produção de e vendas de biocombustíveis, além de investir em eficiência e produtividade e na infraestrutura de armazenagem e logística para suportar o crescimento de volume de renováveis e açúcar.

Cyrela (CYRE3), Moura Dubeux (MDNE3) e Even (EVEN3)

Segundo um relatório do Credit Suisse sobre o setor imobiliário residencial no Brasil, apenas a Even teve um desempenho acima do Ibovespa em maio. O preço das ações se aproxima daquele de concorrentes, após a reavaliação para baixo dos papéis. As outras ações do setor tiveram uma performance pouco estimulante, à medida que a perspectiva para o setor fica menos otimista. O banco diz acreditar que, se os custos continuarem a se acelerar e se tornar mais difícil arcar com os custos das ações, é provável que os papéis tenham uma performance pouco interessante. O Credit mantém preferência por Cyrela e Moura Dubeux.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Grupo Jereissati propõe reestruturação societária na Iguatemi e mudança de CEO

SÃO PAULO – A empresa de shoppings Iguatemi (IGTA3) e a Jereissati Participações ([ativo=JPSA3]) informaram que seus conselhos de administração aprovaram iniciar um processo de reestruturação societária, que ainda será submetido à aprovação dos acionistas.

Em comunicado, as empresas disseram que o processo tem como objetivo simplificar a estrutura societária das duas, “consolidando as suas bases acionária sem uma única companhia, sem alteração da sua estrutura de controle, propiciando, assim, um aumento de liquidez de suas ações e uma maior capacidade de investimento e crescimento”.

Pela proposta, a Jereissati, holding que controla a Iguatemi, irá incorporar 100% da empresa de shoppings, além de assumir o seu nome, passando a negociar na forma de units na bolsa. Com isso, as ações IGTA3 deixarão de negociar no Novo Mercado da B3, segmento de mais alta governança corporativa, com as units ficando no nível 1.

Segundo o comunicado, apesar disso, a empresa terá direitos de acionistas e práticas de governança “similares” ao do Novo Mercado. O free float esperado da nova empresa a ser criada na reorganização, Iguatemi SA, será de 45%.

No comunicado, a Iguatemi e a Jereissati disseram que essas mudanças colocarão a companhia em uma posição mais favorável para “participar das oportunidades futuras de consolidação, combinações de negócios e aquisição de ativos estratégicos”.

A reestruturação prevê ainda um prêmio de 10% para as ações da Iguatemi em relação à média dos últimos 30 dias.

Para os acionistas, a conversão será voluntária: cada 7 papéis JPSA3 serão convertidos em 1 unit da nova Iguatemi. Essa unit será composta por uma ação ordinária e duas preferenciais. Os papéis PN terão direitos econômicos, como dividendos e Juros Sobre Capital Próprio três vezes maiores que os da ON.

Além disso, a companhia anunciou também que o conselho de administração aprovou início do processo de sucessão do atual presidente, Carlos Jereissati. Foi indicado para seu lugar a atual vice-presidente financeira, Cristina Betts, que passa a ocupar a função a partir de 1 de janeiro de 2022, sendo também presidente da Iguatemi SA, caso a reorganização seja concluída.

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Quais ações de shoppings podem ganhar mais com a tese da reabertura? Confira as opiniões de analistas

SÃO PAULO – Depois das restrições bastante fortes à mobilidade no início do ano por conta da pandemia (que ainda continuam em algumas localidades), a flexibilização das medidas permitiu o afrouxamento das atividades comerciais e a reabertura dos shoppings, setor este que sofreu consideravelmente durante a pandemia. Paralelamente, as vacinações continuam progredindo (embora em um ritmo mais lento do que em outros países), evento considerado fundamental para a retomada da recuperação da saúde financeira dos lojistas.

Em meio a esse cenário, analistas de mercado destacam como se dará a recuperação do setor de shoppings no Brasil – e quais ações estão mais atrativas para a tão esperada retomada, ainda mais levando em conta que parte dessa volta já pode estar no preço dos ativos.

Em evento realizado em meados de maio com analistas de shoppings da Austrália e do México, Daniel Gasparete e Pedro Hajnal discutiram a dinâmica de reabertura e as novas tendências da indústria de shoppings pelo mundo e apontaram que, apesar da pandemia ter gerado mudanças de longo prazo nos hábitos de consumo, o setor deve superar essa crise e continuar crescendo na sua proposta de ser um centro de lazer atrativo e de consumo experimental.

“A recuperação dos shoppings na Austrália indica uma luz no fim do túnel para a indústria em países onde a normalização esta acontecendo em ritmo mais lento, mais ainda no Brasil e no México, onde os shoppings atendem a uma falta estrutural de alternativas seguras de lazer. A medida que a vacinação avança nos países, acreditamos que a recuperação deve acelerar”, apontam.

Na Austrália, onde a reabertura está mais adiantada, o tráfego atingiu entre 80% e 95% dos níveis pré-Covid em shoppings regionais. A exceção fica para aqueles localizados em distritos comerciais centrais que foram mais afetados pelo lento retorno de funcionários de escritório, bem como pela falta de turismo. O México está se recuperando relativamente rápido desde que a segunda onda atingiu o país em janeiro, com tráfego de cerca de 100% fora da Cidade do México e de cerca de 80% na Cidade do México, onde a maioria dos shoppings listados estão localizados. No Brasil, o fluxo de clientes é de aproximadamente 60%, de acordo com o índice IPV calculado pela FX Data.

Com relação à multicanalidade, integrando o digital e o físico, os analistas destacam que, na Austrália, as vendas online tiveram uma participação estimada de cerca de 9% do total de vendas no varejo antes da pandemia, proporção esta que está agora em cerca 13% e pode chegar a 20% em um período entre dois e três anos. No México, a penetração era de 4,6% em 2019 e quase dobrou para 8,5% em 2020. De acordo com a Euromonitor, o e-commerce pode representar 19% do total das transações de vendas até 2023. No Brasil, a penetração saltou de 8% em 2019 para 14% em 2020.

“A tendência omnichannel se espalhou pelo mundo, mas o Brasil parece estar à frente [no processo de transformação]”, apontam os analistas, citando iniciativas como ter um marketplace próprio de luxo, como o Iguatemi 365, do Iguatemi (IGTA3) até criar companhias fulfillment. O termo fulfillment, muito usado no e-commerce, quer dizer que o estoque dos vendedores é gerenciado pela própria empresa  – desde o armazenamento da mercadoria até a entrega para o cliente. Os analistas do Credit destacam visão positiva para Multiplan (MULT3) e Iguatemi dentre as ações de sua cobertura no Brasil.

Vendo a vacinação e o relaxamento das medidas de restrição como catalisadores já em andamento, Renan Manda e Lucas Hoon, analistas da XP, veem o período mais desafiador da pandemia no passado e reafirmam a visão positiva para o segmento.

Os analistas atualizaram as estimativas para as companhias, incorporando os resultados do primeiro trimestre de 2021 e destacando que, de modo geral, apesar da forte performance no ano, continuam vendo potencial adicional para as ações dado a perspectiva mais positiva da velocidade de reabertura e da performance resiliente dos portfólios.

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“Apesar dos desafios após a recente restrição do varejo físico, a performance das operadoras de shoppings tem sido resiliente e em abril todos os shoppings dos portfólios das companhias reabriram e operam agora entre 80% e 90% da capacidade (em relação às horas em funcionamento em 2019). Adicionalmente, a atividade de locação de ativos de qualidade continuou forte, impedindo um maior aumento nas taxas de vacância. Daqui para frente, vemos o afrouxamento das restrições comerciais e as vacinações em todo o país fomentando uma recuperação mais rápida em relação ao ano passado, além de reduzir significativamente o risco de novas rodadas de lockdowns e novas restrições”, apontam.

Os analistas têm preferência por companhias com portfólio de shopping centers de alta qualidade e dominantes, pois acreditam que essas devem recuperar mais rapidamente do que média do setor após a recente reabertura dos shoppings.

A top pick (preferida) do setor para Manda e Hoon é a Multiplan. Isso porque, além do portfólio premium e dominante, a ação é negociada a um valuation atrativo na avaliação dos analistas. Em relatório desta semana, eles ainda elevaram o preço-alvo para os papéis MULT3 de R$ 25 para R$ 29,50, ou potencial de alta de 15% em relação ao fechamento de segunda-feira.

Por outro lado, apesar de terem também elevado o preço-alvo de R$ 41 para R$ 48 (potencial de alta de 11%), as ações da Iguatemi tiveram a recomendação reduzida de compra para neutra. “Os fundamentos da Iguatemi permanecem intactos, mas vemos seu upside potencial limitado após a recente alta”, destacam. Manda e Hoon veem o seu valuation atual já refletindo em grande parte a nossa perspectiva positiva para a empresa após a alta recente (de 17,5% em maio), limitando o espaço para um upside mais robusto.

A brMalls (BRML3), por sua vez, teve a recomendação elevada de neutra para compra, com o preço-alvo indo de R$ 10,70 para R$ 13, ou potencial de alta de 16,3%, visto que veem a ação negociando em patamares atrativos.

“Ainda, reconhecemos o esforço dos executivos em fortalecer seu portfólio core (focado em manter somente os principais ativos) após o desinvestimentos de ativos de menor qualidade nos últimos anos. Como um primeiro sinal da nova estratégia, os números operacionais foram razoavelmente resilientes durante a pandemia, mantendo uma taxa de ocupação de 96,3% (queda de apenas 0,6  ponto percentual em comparação ao primeiro trimestre de 2020)”, apontam os analistas.

Aliansce Sonae é top pick do BBI

Em comum com a XP, o Bradesco BBI possui recomendação equivalente à compra (outperform, ou desempenho acima da média do mercado) para a Multiplan, com preço-alvo de R$ 32 (upside de 24,7%), enquanto tem recomendação neutra para a Iguatemi, com preço-alvo de R$ 50, ou potencial de alta de 15,6% frente o fechamento de segunda. Já para a brMalls, a recomendação também é neutra, com preço-alvo de R$ 13,50 (potencial de alta de 20,75%), enquanto a sua ação preferida no setor é da Aliansce Sonae (ALSO3), com preço-alvo de R$ 39 para os ativos (ou alta de 30% em relação ao último fechamento de segunda-feira).

Bruno Mendonça e equipe, analistas do Bradesco BBI, destacam, além do momento positivo de reabertura, que os ativos ativos são de qualidade a aparente desconto, considerado o player mais propensos a realizar consolidações no setor e com uma combinação de operação resiliente e menor alavancagem.  Os analistas apontam que a operadora de shoppings conseguiu sustentar taxas de ocupação saudáveis e uma geração de caixa positiva, mesmo em meio à pandemia.

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Já sobre a Multiplan, os analistas destacam as vendas acima da média nos shoppings da operadora, fazendo com que haja uma disputa maior dos varejistas, além de citar novos empreendimentos e projetos multiuso para aluguel ou venda.

Com relação às empresas para as quais possui recomendação neutra, o BBI cita que a Iguatemi tem alta qualidade, sendo que seu portfólio é concentrado em poucos e bons ativos, muito resilientes. Contudo, esta característica também gera uma limitação em suas alternativas estratégicas. Outro ponto é que a empresa possui a maior taxa de desocupação, de 10%, entre todas as companhias de sua cobertura.

Já para a brMalls, os analistas veem como ponto positivo a mudança de estratégia nos últimos  cinco anos para elevar a a qualidade média do portfólio, colocando a companhia em uma “posição melhor do que nunca”. Os números operacionais também foram razoavelmente resilientes durante a pandemia, mantendo taxas de ocupação saudáveis ​​e sendo conservadora nas provisões para inadimplência, além de possuir uma ampla gama de iniciativas digitais realistas, com um foco claro na integração seus ativos com os consumidores. Contudo, a alavancagem mais alta pode gerar maior volatilidade em caso de novos fechamentos por conta da pandemia.

Assim, as perspectivas, no geral, estão mais positivas para o setor, mas os analistas ainda veem que algumas ações estão com um potencial mais limitado de alta.

Confira as recomendações dos analistas, de acordo com compilação da Refinitiv, para as ações de shoppings: 

Empresa Recomendação de compra Recomendação neutra Recomendação de venda Preço-alvo médio Upside (%)*
Aliansce Sonae 8 1 1 R$ 34,31 14,40%
brMalls 7 4 1 R$ 12,45 11,40%
Iguatemi 7 5 0 R$ 43,40 0,40%
Multiplan 7 5 1 R$ 26,60 3,70%
*Em relação ao fechamento de 31 de maio

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Ações da Gerdau saltam, Assaí e Iguatemi têm ganhos após resultados; Cielo avança mais de 3%

SÃO PAULO – A temporada de resultados segue sendo destaque na sessão desta quarta-feira (5). O destaque positivo fica para a Gerdau (GGBR4), que registra alta de mais de 5% na esteira do balanço do primeiro trimestre, registrando alta de 11 vezes do seu lucro na base de comparação anual. Outras ações de commodities, tanto de mineradoras quanto de siderúrgicas e petroleiras, caso de Petrobras (PETR3;PETR4), também sobem forte na sessão.

Quem também sobe, mais de 3%, é o Assaí (ASAI3), que dobrou o seu lucro, enquanto o Iguatemi (IGTA3) avança mais de 3% após triplicar a linha do resultado.

Bradesco (BBDC4), por sua vez, mesmo tendo resultado elogiado pelos analistas, tem queda de suas ações em continuidade ao movimento da véspera (veja análise clicando aqui).

Cielo tem alta de suas ações de mais de 3%: cabe destacar que, na véspera, o WhatsApp (FBOK34) anunciou que desde a última terça-feira (4) o serviço de pagamentos estará liberado em sua plataforma, permitindo que usuários do aplicativo transfiram dinheiro para outras pessoas, como amigos ou familiares. Analistas apontaram no fim de março que a liberação do WhatsApp Pay seria uma notícia positiva para a Cielo (veja aqui), empresa cuja ação cai 11% em meio ao aumento da competição no setor.

Após o fechamento, atenção para os números da AES, Braskem, BR Properties, Pão de Açúcar, Copel, Engie, Quero-Quero, Taesa, Tenda, TIM e Totvs. Confira os destaques:

A Gerdau registrou lucro líquido de R$ 2,471 bilhões no primeiro trimestre de 2021, alta de 1.016% na comparação anual, ou ganhos de 134% frente os R$ 1,057 bilhão do quarto trimestre de 2020, em desempenho beneficiado pela recuperação econômica da pandemia, alta no preço do aço e taxa de câmbio favorável. As vendas de aço cresceram 15% ano a ano, mas a produção de aço bruto caiu 1%.

A receita líquida somou R$ 16,3 bilhões, alta de 77% ante o mesmo período de 2020, ajudada pela apreciação do dólar frente ao real, que impactou positivamente as receitas das operações da companhia na América do Norte. A alta foi de 20% frente o quarto trimestre de 2020.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado mais do que triplicou, para R$ 4,318 bilhões, com a margem avançando para 28,4%, de 12,8% no primeiro trimestre de 2020.

Previsões de analistas compiladas pela Refinitv apontavam, na média, lucro líquido de R$ 1,758 bilhão e Ebitda de R$ 3,373 bilhões.

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A XP ressalta que os principais destaques foram os preços mais fortes em todas as unidades de negócios, resultando em margens saudáveis em praticamente todas as linhas. O Fluxo de Caixa Livre foi de R$ 1,1 bilhão, com o forte resultado operacional sendo parcialmente compensado pela recomposição do capital de giro (queda de R$ 2,6 bilhões). A dívida líquida atingiu R$ 10,8 bilhões (de R$ 9,9 bilhões no quarto trimestre), enquanto a alavancagem, medida pela razão entre dívida Líquida e o Ebitda, caiu para 0,98 vez, contra 1,25 vez no quarto trimestre.

Adicionalmente, a empresa anunciou dividendos de R$ 0,40 por ação (retorno de 1,2%, com data ex em 17 de maio). Os analistas da XP possuem recomendação de compra para a ação.

O Bradesco divulgou um lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre de 2021, uma queda de 4,2% na comparação com o quarto trimestre de 2020, porém aumento de 73,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido contábil foi de R$ 6,15 bilhões. A média das projeções dos analistas do mercado financeiro para o lucro do banco era de R$ 6,02 bilhões, de acordo com dados compilados pela Refinitiv.

No que se refere ao crédito, o Bradesco viu sua carteira expandida avançou 2,6% nos três primeiros meses deste ano e alcançou R$ 705,2 bilhões, saldo 7,6% superior ao verificado no fim de março de 2020.

A despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa, mais conhecidas pela sigla PDD, cederam 14,5% na comparação com o período imediatamente anterior e ficaram em R$ 3,9 bilhões, 41,8% abaixo em relação ao primeiro trimestre do ano passado. O estoque de provisões, no entanto, chegou a R$ 46 bilhões, uma alta de 11,3% sobre o resultado pouco acima de R$ 40 bilhões registrado há um ano.

Os últimos 12 meses foram de ajustes na operação do Bradesco, de acordo com o balanço divulgado ontem. No período, o banco fechou 1.088 agências e demitiu cerca de 8,5 mil funcionários. Apenas nos primeiros três meses de 2021, foram encerrados 83 pontos de atendimento e fechados 888 postos de trabalho.

O Bradesco manteve as projeções de desempenho para 2021, os chamados guidances, divulgadas no início deste ano. O banco espera que sua carteira de crédito cresça de 9% a 13% neste ano. No primeiro trimestre, os empréstimos tiveram incremento de 7,6%. O banco espera ainda que sua receita de prestação de serviços tenha aumento de 1% a 5% neste ano ante 2020. No primeiro trimestre, esse faturamento, porém, encolheu 2,6%.

Nas despesas, o Bradesco promete seguir com austeridade no corte de custos e vê a possibilidade de seus gastos operacionais se reduzirem em até 5%, no melhor cenário. No mínimo, devem cair 1%. De janeiro a março, o corte foi de 4,7%.

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O Credit Suisse destacou que Bradesco reportou bons resultados, com um ROE de 18,1% e registrando um balanço de boa qualidade, o que deixa a equipe de análise confiante de que a companhia está caminhando para um 2021 robusto, considerando a menor contribuição da margem financeira (NII, na sigla em inglês) com o mercado e a criação de provisões adicionais.

Para os analistas, embora alguns possam ver a margem do cliente estável como um ponto de preocupação, a equipe espera que acelere nos próximos trimestres, à medida que os volumes de crédito continuam a aumentar e o mix de empréstimos melhore com a maior participação de crédito de varejo e o retorno das linhas de credito rotativo.

O lucro líquido gerencial ficou 6% acima do consenso e 9% acima do esperado pelo Credit. O custo de risco ficou menor do que o esperado, grande queda em opex e resultados de seguro mais sólidos foram os principais destaques positivos. Os analistas reiteraram recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 30,91.

A Minerva registrou um lucro líquido de R$ 259,5 milhões no primeiro trimestre de 2021. O valor foi bem acima dos R$ 39 milhões esperados pelo mercado segundo dados compilados pela Refinitiv, mas ficou 4,3% abaixo do reportado no mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior o resultado dos três primeiros meses deste ano veio 127,4% melhor.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da Minerva foi de R$ 484,9 milhões, o que representa um crescimento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Houve um recuo de 21,4% na comparação trimestral. A expectativa dos analistas para o Ebitda do frigorífico era que o indicador ficasse em R$ 409 milhões.

A receita líquida, por sua vez, somou R$ 5,8 bilhões, uma expansão de 39,3% sobre o mesmo período do ano passado e de 1,8% na comparação com o quarto trimestre de 2020. As estimativas dos analistas apontavam para um faturamento de R$ 4,72 bilhões.

O fluxo de caixa livre foi positivo pelo décimo terceiro trimestre consecutivo e, após o resultado do hedge cambial, alcançou aproximadamente R$ 309 milhões no primeiro trimestre de 2021, totalizando R$ 1,3 bilhão nos últimos doze meses.

A bandeira de atacarejo Assaí, do grupo francês Casino, divulgou lucro líquido de R$ 240 milhões para o primeiro trimestre, mais do que o dobro (alta de 113%) em relação ao desempenho obtido no mesmo período do ano passado. O Ebitda cresceu 44%, para R$ 640 milhões.

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A companhia informou receita líquida de 9,45 bilhões de reais de janeiro a março, alta de 21% no comparativo anual.

As despesas com vendas, gerais e administrativas como parcela da receita líquida subiram de 9,2% para 9,5%. A margem bruta avançou de 15,6% para 16%.

Segundo o Assaí, as vendas mesmas lojas subiram 11,4% no período, apesar de “boa parte de nossas lojas terem tido restrições no fluxo de clientes e no horário de funcionamento, incluindo até o fechamento de algumas unidades durante os finais de semana”. No primeiro trimestre de 2020, as vendas mesmas lojas tinham crescido 7,1%, informou a empresa no balanço.

A empresa disse que o primeiro trimestre foi “positivamente impactado pelo forte movimento de estocagem da última quinzena de março”, em meio a ações de flexibilização de medidas de isolamento social tomadas por prefeituras e governos estaduais. A inflação dos alimentos do período também apoiou o desempenho.

O Assaí abriu em 12 meses até março 18 lojas e informou que está mantendo o plano de 25 a 28 aberturas neste ano.

A XP destacou que os resultados foram sólidos, em linha com as estimativas de Ebitda, mas acima das projeções de lucro, por conta de uma menor despesa financeira.

“Apesar de uma base de comparação muito difícil e de um cenário bastante desafiador no primeiro trimestre, a companhia apresentou um sólido crescimento de receita total de 21% na comparação anual, explicado por um crescimento de vendas mesmas lojas de 11,4% na base anual e expansão de lojas (mais 18 lojas nos últimos 12 meses). Além disso, a companhia apresentou expansão de margem bruta e Ebitda”, destacam os analistas.

Os analistas acreditam que os resultados de curto prazo permaneçam sólidos, enquanto veem o setor estruturalmente melhor no “novo normal” do que antes da pandemia devido a políticas flexíveis de home office e novos hábitos de consumo.

“Além disso, vemos o canal de Atacarejo como o formato que deve se beneficiar mais da retomada à normalidade, por ter um exposição ao segmento de bares, restaurantes e transformadores (B2B) que tem sofrido mais com as restrições, além de ser um canal que oferece um melhor custo benefício em meio ao aumento de inflação e uma renda mais fragilizada”, apontam. A XP mantém a recomendação de compra e preço alvo de R$ 120,0 por ação para o fim de 2021, reiterando o papel como preferência no setor.

O Morgan Stanley destacou que a receita líquida ficou 3% abaixo de suas estimativas e em linha com o consenso do mercado. A alta nas vendas em mesmas lojas, de 9,2%, ficou 5 pontos percentuais abaixo das estimativas do banco. O Morgan Stanley destaca a desaceleração da inflação dos alimentos, frente aos níveis altos do quarto trimestre e o cancelamento das festas de Carnaval como obstáculos enfrentados pelo setor no primeiro trimestre.

O Ebitda ajustado ficou em linha com o consenso do mercado, mas 3% abaixo da estimativa do Morgan Stanley.  O banco mantém a recomendação overweight para a empresa, e vê potencial de expansão do número de lojas e oportunidades para o Assaí tanto nos estados em que está presente como em novas regiões, incluindo Norte e Sul. O Morgan Stanley mantém preço-alvo em R$ 101.

Iguatemi (IGTA3)

O Iguatemi mais que triplicou seu lucro do primeiro trimestre, uma vez que a forte redução das despesas financeiras e do volume de impostos compensou na última linha a piora operacional com novo fechamento dos shoppings devido à pandemia.

A companhia anunciou seu lucro líquido de janeiro a março somou R$ 39,84 milhões, um salto de 220% em relação a igual etapa de 2020, quando o setor já havia sido afetado por um primeira onda de medidas de isolamento social que fecharam seus shoppings por meses.

O Iguatemi viu a receita bruta cair 4,6% ano a ano, para R$ 193,1 milhões. Já o faturamento líquido subiu 7,6%, devido sobretudo a uma política de escalonamento dos descontos para lojistas nos aluguéis.

Também refletindo redução de despesas operacionais, o resultado da companhia medido pelo Ebitda no trimestre teve queda de apenas 0,7%, a R$ 100,3 milhões. Mas a margem Ebitda caiu 5,1 pontos percentuais, para 60,2%.

A companhia viu seu índice de inadimplência líquida saltar 7,6 pontos percentuais sobre um ano antes, para 11,3%. A taxa de ocupação caiu quase quatro pontos, para 90,3%.

A empresa afirmou que tem atualmente 100% das suas unidades abertas e funcionamento em regime de 8 a 12 horas diárias, com capacidade de utilização de 73,5%.

De acordo com a XP, a Iguatemi divulgou resultado ligeiramente acima do que o esperado, com melhora nos resultados financeiros em comparação ao mesmo período do ano passado, apesar do maior impacto da pandemia. No lado operacional, a taxa de vacância subiu para 9,7%, com as vendas nas mesmas lojas caindo 25,6%. Por outro lado, o aluguel nas mesmas lojas mostrou certa resiliência e caiu somente 4,2% ano contra ano. Nos resultados financeiros, o FFO foi de R$77 milhões, em linha com nossas estimativas, mas acima do consenso de mercado.

“Vale ressaltar que todos os ativos da Iguatemi estão em operação (cerca de 86% de sua capacidade de horas), o que permite os lojistas aumentarem suas vendas nos próximos meses e deve ajudar a reverter o índice de inadimplência da companhia. Reiteramos a Iguatemi como o nosso nome preferido no setor de shopping centers (recomendação de compra e preço-alvo de R$ 41 por ação)”, destacam.

O Credit Suisse classificou os resultados divulgados pelo Iguatemi como neutros, prejudicados pelo fechamento de shoppings, mas em linha com suas estimativas. A performance operacional deteriorou, como esperado. O banco avalia que o portfólio de qualidade do Iguatemi contribuiu para impulsionar os resultados. A declaração sobre perdas e lucros veio em linha com a expectativa do Credit e refletiu a força do portfólio da empresa. O banco espera que a empresa se recupere mais cedo da crise, devido à dominância de seus shoppings e à sua exposição a um público de maior poder aquisitivo. Assim, mantém recomendação outperform para os papéis e preço-alvo de R$ 45.

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) registrou lucro líquido de R$ 219,787 milhões no primeiro trimestre de 2021, alta de 36,7% sobre o mesmo intervalo do ano passado.

O Ebitda somou no período R$ 520,197 milhões, avanço de 9,5% sobre o primeiro trimestre de 2020.

Entre janeiro e março, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 47,769 milhões, uma melhora em relação ao resultado financeiro negativo de R$ 92,688 milhões de igual período do ano passado. A receita líquida atingiu R$ 1,282 bilhão, alta de 6% sobre o mesmo intervalo de 2021.

Em março de 2021, a Copasa somava 640 concessões para a prestação dos serviços de abastecimento de água e 310 concessões para a prestação dos serviços de esgotamento sanitário.

De acordo com a companhia, ao fim do primeiro trimestre, 77,5% das receitas líquidas de água e esgoto eram provenientes de concessões cujos prazos de vencimentos ocorrem após janeiro de 2034. Na mesma data, encontravam-se vencidas concessões referentes a 69 municípios, representando cerca de 3,2% das receitas de água e esgoto.

O Credit Suisse destacou que a Copasa entregou um resultado muito melhor do que o esperado para o primeiro trimestre de 2021, impulsionado principalmente pelo impacto do ajuste de tarifas, aumento de volume e provisões mais baixas do que o esperado para inadimplência. Os resultados começaram a refletir um cenário melhor em relação ao pico da pandemia, e a taxa de inadimplência voltou aos níveis normalizados. A recomendação do Credit é neutra, com preço-alvo de R$ 17,03.

Na véspera, o WhatsApp Pay foi finalmente lançado no Brasil, permitindo aos usuários transferir dinheiro dentro da plataforma por valores entre R$ 1 a R$ 1000, por enquanto. A funcionalidade deve ser inicialmente apenas para transações P2P, com 9 instituições participantes (Banco do Brasil, Inter, Next, Itaú Unibanco, Mercado Pago, Nubank, Sicredi e Woop Sicredi).

De acordo com o BBI, embora restrito a transações P2P neste momento, não se espera uma mudança significativa na cadeia de valor do setor de pagamentos, principalmente levando em consideração que o PIX já é uma alternativa gratuita desde novembro de 2020. No entanto, isso pode colocar uma pressão adicional no negócio de adquirência se ou quando a plataforma atingir outros públicos, apontam os analistas.

A plataforma de comércio eletrônico B2W informou que fechou acordo com a plataforma OOOOO, especializada em live commerce, que usa streaming de lives para alavancar vendas. O acordo prevê o lançamento de um aplicativo de social commerce ainda neste mês e a opção de formar uma joint-venture mais adiante.

Segundo a B2W, a OOOOO tem o aplicativo de compras mais baixado da Inglaterra nos últimos meses e usa o conceito de ‘entertainment first, shopping later’ (diversão primeiro, depois as compras, em tradução livre).

“A parceria vai permitir a aceleração das verticais de advertising e entretenimento da companhia”, afirmou a B2W, afirmando que o live commerce representa 10% das vendas de comércio eletrônico na China.

Dona de sites de comércio eletrônico do país, como Submarino e Americanas.com, a B2W anunciou na semana passada aparovação de um plano de reestruturação societária com sua controladora Lojas Americanas, que pode incluir uma listagem em bolsa nos Estados Unidos.

A petroleira brasileira PetroRio permanece na disputa pelo campo de Albacora, na Bacia de Campos, colocado à venda pela Petrobras, mas também avalia a compra de outros ativos marítimos no mercado, disse na terça o presidente da companhia, Roberto Monteiro em conferência com analistas. A previsão é que uma fase de ofertas por Albacora ocorra em julho.

Petrobras

Em comunicado nesta quarta, a Petrobras informou que o conselho de administração da empresa deliberou, por maioria, não convocar a assembleia para eleição de um novo conselheiro após a renúncia de Marcelo Gasparino da Silva, anunciada em 16 de abril.

A Petrobras destaca que a renúncia só terá efeito a partir de 31 de maio. Assim, não há vaga no conselho de administração no momento.

E afirmou que, pelo estatuto social da empresa, a vaga do conselheiro de administração eleito por voto múltiplo poderá ser preenchida por um substituto eleito pelo colegiado até que seja realizada uma nova assembleia geral de acionistas.

A empresa também comentou os questionamentos sobre o processo de votação na eleição para o conselho de administração. A empresa diz que “entende ser pertinente prosseguir com a análise dos fatos ocorridos”, que, diz, continuam sob avaliação.

A CSN anunciou a aprovação do pagamento de dividendos de R$ 0,65 por ação (yield de 1,4%), totalizando R$ 901 milhões. Os detentores das ações deverão receber o pagamento dos dividendos no dia 12 de maio de 2021 (data ex em 3 de maio).

Em comunicado, a BRF, maior processadora de carne de frango do Brasil, anunciou que vai investir R$ 292 milhões no estado do Paraná até 2022, além de retomar a produção de peru em sua fábrica de Francisco Beltrão.

A C&A informou que vai emitir R$ 500 milhões em debêntures para reforçar caixa.

Hapvida (HAPV3) e Grupo Notre Dame (GNDI3)

O Credit Suisse atualizou os modelos para a Hapvida e para o Grupo Notre Dame, de forma a refletir a fusão entre os dois. O preço-alvo da Hapvida foi elevado de R$ 15,2 para R$ 20. O preço-alvo do Grupo Notre Dame foi elevado de R$ 76 para R$ 105.

O banco incorporou dados de 2020 e revisou as estimativas para ambas as empresas devido à segunda onda de Covid, mudanças no cenário macroeconômico e o acordo de fusão. O banco mantém avaliação de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para a Hapvida, e elevou a do Grupo Notre Dame de neutra (em linha com a média do mercado) para outperform.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Oportunidade na baixa liquidez: o caso Coelce

O Coffee & Stocks desta quinta-feira está bastante cearense. Não pelo convidado, Alexandre Martins, da Módulo Capital, que é carioca, mas pelas empresas analisadas: a Coelce (COCE5), distribuidora de energia cearense, e a Jereissati Participações (JPSA3), holding que controla a Iguatemi (IGTA3), cuja origem também está no Ceará.

São duas ações bastante diferentes em aspectos como setores, mercados e teses de investimento. Os principais trechos da conversa estão abaixo.

Coelce (COCE5) 

A Coelce é a concessionária de distribuição de energia elétrica do Ceará. Controlada pela Enel, que também controla ou tem participação em concessionárias de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, a companhia tem vantagens tributárias devido a políticas da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), operação bem redonda e dividend yield nas casa dos 4%. 

A ação contempla apenas a concessão, não é uma holding, como a Equatorial, por exemplo, e cresce bastante nos resultados. O retorno do papel tem sido de cerca de 12%, contando valorização e dividendos, mas mesmo assim é um papel que tem sido esquecido pelo mercado. A relação EV/RAB (valor da empresa pelo valor das concessões que ela possui) é bastante atrativo.

A liquidez de Coelce é baixa, negociando cerca de R$ 1 milhão por dia, mas aí também reside uma possível oportunidade. Em 2014 a Enel tentou fechar o capital da Companhia, mas não conseguiu. Um dos problemas principais era o uso das ações como garantia por parte da Eletrobras, mas a estatal vem trocando essas garantias recorrentemente. No caso do fechamento de capital acontecer, acreditamos em um upside de 40% no preço do papel.

Jereissati (JPSA3)

A Jereissati já foi uma empresa com muitos ativos, mas hoje é basicamente uma holding familiar que controla a Iguatemi (IGTA3). Ela tem 51% das ações da empresa de shoppings e caixa líquido de R$ 12 milhões.

Acreditamos que o mercado está impondo um desconto muito grande à empresa hoje com base na concorrência do e-commerce e na decadência dos shoppings nos Estados Unidos, mas esses dois fenômenos não serão capaz de destruir a empresa. 

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Em primeiro lugar, os shoppings que decaíram ou desapareceram nos Estados Unidos são diferentes dos da Iguatemi. Eram centros nos subúrbios, acessíveis apenas de carro, extremamente dependentes de grandes lojas de departamentos, como Sears. No Brasil shoppings têm muito mais serviços e são valorizados pela população, que vê neles um lugar limpo, seguro e confortável para estar. 

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Nos Estados Unidos a oferta de espaços também é muito maior, são 2.000 metros quadrados pode 100 mil habitantes, contra 70 no Brasil. 

Em relação ao e-commerce, acreditamos que, se alguma empresa de shoppings está preparada para ele, é a Iguatemi. A empresa já criou um market place de luxo, trouxe executivos do mercado e não mira apenas o entorno, busca vendas em todo Brasil. É o único market place no mundo usado pela joalheria Tiffany’s.

Para ouvir a conversa completa, clique no play acima.

“Uberização”, lojas físicas ainda fortes e incerteza no curto prazo: o futuro do varejo na visão dos CEOs de Arezzo, Iguatemi, Reserva e Vulcabras

SÃO PAULO – A pandemia impulsionou a digitalização do varejo no Brasil e a próxima etapa é a “uberização” desse setor, em que o ato da compra ficará cada vez mais ágil. Nesse processo, a loja física continuará tendo um papel relevante.

O futuro do varejo e as incertezas de curto prazo foram debatidas pelos CEOs de Arezzo (ARZZ3), Iguatemi (IGTA3), Reserva e Vulcabras (VULC3) na primeira live da série Super Lives – 1 ano de pandemia, organizada em parceria pelo InfoMoney e pela XP.

Há um ano, os estabelecimentos comerciais fechavam em meio às tentativas para conter o avanço da Covid-19. A primeira reação do setor a esse movimento foi manter o caixa e, na esteira dessa decisão, vieram as inovações que ajudaram a compensar parte da receita perdida.

“Desenhamos uma agenda nova com foco na pandemia. Com shoppings fechados, seguramos o caixa e adiamos investimentos. Fizemos um caixa até 2023. Hoje isso parece ter sido prudente”, disse Carlos Jereissati Filho, CEO do Grupo Iguatemi, que possui 16 centros de compras no país, entre shoppings e outlets.

Essa primeira fase contou com medida de apoio aos lojistas, como a suspensão dos pagamentos, e a aceleração da digitalização, que levou o grupo a criar o Iguatemi 365, plataforma de e-commerce com produtos de mais de 900 marcas.

Os shoppings da Iguatemi são, em geral, voltados para o público de maior renda que se viu impedido de realizar viagens ao exterior. Segundo o executivo, isso fez com que parte desses gastos fosse destinada a marcas presentes nos estabelecimentos do grupo.

Ainda assim, Jereissati vê incerteza no curto prazo, uma vez que a piora dramática do número de doentes e mortos no país levou ao fechamento do comércio e medidas de maior isolamento social em muitas cidades – sem previsão de término.

“O nível de incerteza é muito grande. Esperamos que o fechamento do comércio seja mais curto dessa vez, mas ainda estamos no meio de uma pandemia. Trabalhamos com o cenário de um ano bastante difícil”, disse.

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Apesar da incerteza, o executivo vê uma revolução no varejo, no que ele chama de “uberização” das lojas. O Uber trouxe não só uma maior facilidade na mobilidade urbana, mas também uma agilidade maior no pagamento.

“Tem muita revolução no setor. Na Ásia já vemos a uberização das lojas. Hoje, a parte chata é pagar e carregar, mas tem muita coisa acontecendo para mudar isso e ficará mais rápido e fácil comprar”, disse.

Um dos exemplos citados é o Amazon Go, em que os clientes entram no estabelecimento e pegam os produtos sem necessidade de passar por um caixa.

Exterior compensa o Brasil

Essa inovação também é vista na Arezzo Co, que comprou a Reserva no fim de 2020. Para lidar com as lojas fechadas, a empresa criou um show room virtual, para que os franqueados pudessem ter acesso a todas as coleções. O resultado foi uma venda mais ágil.

“Conseguimos fazer o lançamento de coleções quinzenais para as sete marcas da empresa. Essa revitalização foi um grande ganho e veio para ficar”, disse Alexandre Birman, CEO da Arezzo Co., que é dona de marcas como Anacapri, Schutz, Alexandre Birman e Fiever, além da própria Arezzo.

A receita líquida da companhia foi de R$ 1,6 bilhão no ano passado, uma queda de apenas 4% na comparação com 2019. Desse total, 13% são oriundos de vendas no exterior e o objetivo é aumentar a fatia, até para compensar o ano mais incerto no Brasil.

“Vamos lançar (as marcas) Arezzo e Anacapri nos Estados Unidos. Vamos calibrar as receitas para aumentar essa fatia (do exterior) em um momento d eprocesso mais difícil no Brasil”, afirmou Birman.

No curto prazo, a preocupação do executivo é com o período em que o varejo continuará fechado nessa segunda onda da Covid-19 no país. Se a reabertura ocorrer até meados de abril, Birman acredita que o segundo trimestre poderá ser positivo. Se o isolamento perdurar até o Dia das Mães, o cenário começa a ficar mais preocupante.

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Rony Meisler, CEO do grupo Reserva, reconhece que a pandemia é grave do ponto de vista sanitário e também econômico, já que causou desemprego.

Por outro lado, ele reforça que o ambiente de baixa taxa de juros deve favorecer o empreendedorismo e, com isso, a busca por franquias, favorecendo o crescimento da marca.

“A loja física não vai acabar. A jornada de compra começa no digital, mas é preciso estar presente onde o cliente quiser”, disse.

De olho no segundo trimestre

A inovação também foi necessária na cadeia de fornecimento. Na Vulcabras, o caminho foi a transformação digital, que mudou a forma de trabalhar da equipe comercial de 300 pessoas que atendem cerca de 10 mil clientes (varejistas do setor de calçados) no país.

“Essa equipe levava dois meses para visitar todos os clientes. Criamos ferramentas eletrônicas e passamos a fechar essas vendas em 15 dias. Isso melhorou muito a nossa cadeia de produção”, disse Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras Azaleia, que registrou em 2020 uma receita líquida de R$ 1,18 bilhão, uma queda de 13,3% na comparação anual.

Em meio à pandemia, a fabricante de calçados decidiu licenciar a marca Azaleia para a Grendene e assim se concentrar no segmento de calçados esportivos, sendo as principais marcas a Olympikus, Under Armour e Mizuno.

“Não vejo facilidade na retomada do consumo. Esse primeiro trimestre será difícil, mas estou mais otimista com o segundo trimestre. O avanço da vacinação também irá contribuir. Não é só otimismo, mas também uma esperança de que vamos conseguir normalizar a situação no segundo semestre.”

Exclusivas com Paulo Guedes, Campos Neto, Carlos Brito e mais

A série Super Lives – 1 ano de pandemia continua. A partir de 5 de abril, haverá lives exclusivas com Paulo Guedes, ministro da economia, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, Carlos Brito, CEO da AB InBev, Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá, e Caio Megale, economista-chefe da XP, entre outras.

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Confira aqui a programação atual. Mais entrevistas com investidores, especialistas em saúde, empresários e executivos serão confirmadas nos próximos dias.

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