O futuro da CVC em meio à saída de 4 conselheiros e aos desafios do setor de turismo em 2021

Loja franqua da CVC (Roberto Tamer / Divulgação)

SÃO PAULO – Na última semana, a CVC (CVCB3) divulgou, em fato relevante, a renúncia de quatro membros do seu Conselho de Administração. Em nota, a empresa disse que a mudança faz parte de um processo natural de renovação da administração, “depois de um ciclo de importantes realizações, como o processo de apuração dos fatos relacionados às distorções contábeis, a republicação e a regularização das demonstrações financeiras, a reestruturação de dívidas e o aumento de capital da companhia”.

Eles haviam sido eleitos em maio de 2020 e os mandatos iriam até agosto de 2022. Além do presidente do conselho, Silvio José Genesini Junior, também deixaram a empresa Deli Koki Matsuo, Cristina Helena Zingaretti Junqueira e Henrique Teixeira Alvares.

Em entrevista ao InfoMoney, Leonel Andrade, CEO da CVC Corp., falou sobre os desafios da companhia em meio à crise, ressaltou a nova fase da CVC, que recentemente anunciou novos braços de negócio, as lições aprendidas, além de explicar a situação do conselho de administração.

Nova formação do conselho

A notícia da saída dos conselheiros foi recebida com certa surpresa, afinal não é comum quatro membros renunciarem ao cargo ao mesmo tempo. Na terça-feira (9), as ações da empresa chegaram a cair 4,7%, mas a queda foi amenizada e a CVC fechou o pregão com 1% de baixa.

O motivo da renúncia teria sido uma troca natural de conselheiros, já que os agora ex-membros já tinham a intenção de deixar o Conselho da companhia em 31 de agosto do ano passado, após o agravamento da situação da empresa.

Andrade diz que a notícia surpreendeu mais pelo anúncio da saída conjunta de quatro membros, do que pela alteração na formação do Conselho em si. Ele ressaltou que a saída foi consensual e motivada por uma mudança de controle acionário, cujos detalhes ainda não foram divulgados ao mercado.

Os acionistas majoritários, que fazem parte dessa nova composição acionária, teriam contribuído para a mudança. Eles mesmos indicaram os novos membros, que ainda precisam ser aprovados na Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas, marcada para o dia 11 de março.

“[No dia da divulgação da renúncia] A ação caiu 1%, não despencou. Essa mudança é mais que natural. O que aconteceu: quando a pandemia chegou, a CVC sofreu e o preço da ação caiu. Hoje o preço da ação está até maior. Esse processo abriu espaço para novos investidores. Como resultado, tivemos uma troca substancial no controle acionário da companhia. Hoje temos maior participação de alguns fundos. Com a mudança desse controle acionário e novas posições, é natural que os acionistas queiram se posicionar mais e participar da gestão da companhia”, afirmou Andrade.

Se os nomes indicados forem aprovados de fato, os acionistas majoritários terão membros de sua confiança no Conselho e poderão acompanhar mais de perto as decisões da empresa sobre a alocação dos investimentos feitos.

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“Os acionistas têm mostrado uma fé muito grande no futuro do negócio e visão de longo prazo. Fica claro quando falamos da capitalização. […] R$ 1,1 bilhão é muito dinheiro e você só aplica dinheiro dessa ordem de grandeza quando acredita no futuro da empresa”, afirmou Andrade, que complementou que a empresa “não teria sobrevivido” se não fosse essa rodada de capitalização.

A primeira fase da capitalização foi encerrada em setembro de 2020 e totalizou R$ 301,7 milhões. A segunda etapa, concluída neste mês de fevereiro, resultou em um acréscimo de capital de R$ 363,9 milhões. E em 2021 a empresa ainda fará uma nova rodada de capitalização, de R$ 436 milhões, para atingir a captação de R$ 800 milhões até setembro desse ano. O valor total em 2020 e 2021 somará R$ 1,1 bilhão.

Assista abaixo um trecho da entrevista sobre a nova formação do conselho, em que Andrade compartilha as expectativas sobre a mudança e detalha a importância da participação dos acionistas: 

2020 conturbado

A CVC já vinha enfrentando uma série de desafios antes de a pandemia começar. Há quase um ano, em fevereiro de 2020, a empresa divulgou ao mercado que havia encontrado indícios de erros e irregularidades contábeis nos valores transferidos a operadores turísticos entre 2015 e 2019. O impacto das distorções nas demonstrações financeiras na receita da empresa foi de R$ 362,4 milhões, R$ 117 milhões referentes ao exercício de 2019 e o restante a anos anteriores.

Em setembro, a empresa explicou, em fato relevante, que concluiu a apuração sobre os problemas e desde então o Conselho de Administração está à frente da organização da apuração dos fatos. Uma assembleia está marcada para abril, quando o conselho apresentará sua recomendação sobre os resultados da investigação aos acionistas.

Além dos problemas que já existiam, a situação em 2020 se agravou com as dificuldades financeiras provocadas pela pandemia, com as restrições de viagens e as dívidas milionárias.

Na mínima do ano de 2020, em 18 de março, a ação da CVC chegou a R$ 6,10. De lá para cá, o papel subiu 226% até o fechamento da última sexta-feira (12), quando a ação fechou aos R$ 19,89. Porém, nos últimos 12 meses, registra baixa de 37,5% e em 2021 a queda é de 3,3%.

Crise no turismo

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O setor de turismo foi muito afetado pela pandemia e suas consequentes restrições. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor deixou de faturar R$ 261 bilhões em 2020 e fechou 397,1 mil postos formais de emprego ano passado.

“O ano passado foi uma catástrofe. Não há outra maneira de descrevê-lo. A recuperação que vimos até setembro estagnou no último trimestre e a situação piorou dramaticamente durante as férias de fim de ano, à medida que restrições mais severas às viagens foram impostas em função de novos surtos e novas variantes do coronavírus”, disse Alexandre de Juniac, CEO da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), em nota. “O mundo está mais fechado hoje do que em qualquer momento nos últimos 12 meses e os passageiros enfrentam uma série de restrições de viagem que mudam rapidamente e estão descoordenadas”, afirmou.

Porém, Andrade entende que, conforme a vacinação for avançando no país, a retomada do turismo será acelerada. “Acho que vamos chegar ao fim do ano com o Brasil imunizado e o turismo vai explodir, vai ter uma demanda reprimida realizada, principalmente, do turismo doméstico – no qual a CVC é dominante no país. Estamos com a operação inteira rodando, investimentos e pessoas alocados. Eu acredito que no final deste ano a CVC vai ter uma retomada sólida junto com o turismo […]”, afirmou.

Ele acrescenta que, atualmente, o volume de vendas da empresa corresponde a 40% do registrado antes da pandemia, no início de 2020, considerando viagens nacionais e internacionais.

“Saímos de um patamar negativo em abril de 2020, pior mês da história da empresa, quando havia mais cancelamentos do que vendas, para chegarmos em dezembro vendendo 70% do que vendíamos um ano antes no turismo doméstico, ou 55% considerando o turismo internacional. Porém, desde dezembro a segunda onda se apresentou, o risco voltou e as pessoas ficaram mais conservadoras. Hoje, as vendas estão em torno de 40% do que eram antes da pandemia”, explicou.

Esse movimento da CVC acompanhou os dados globais. A demanda de passageiros internacionais em 2020 ficou 75,6% abaixo dos níveis de 2019, e a do turismo doméstico caiu 48,8% no mesmo período de comparação, segundo dados da Iata.

E ainda há um longo caminho até a recuperação plena. “Os volumes de passageiros devem retornar aos níveis de 2019 apenas em 2024, com os mercados domésticos se recuperando mais rápido do que os serviços internacionais”, diz um relatório da Iata. O número de passageiros deve crescer para 2,8 bilhões em 2021, segundo a associação. Embora o número represente quase 1 bilhão de viajantes a mais do que em 2020, ainda seria 1,7 bilhão de viajantes a menos do registrado em 2019.

Mudança na liderança

Em abril de 2020, a CVC Corp. passou por uma troca na diretoria. Luiz Fernando Fogaça, deixou a empresa, depois um ano e meio no cargo, e em meio à revelação das distorções nas demonstrações financeiras da empresa. Em abril, Andrade assumiu a empresa em uma situação complicada.

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“Eu fiz o acordo em fevereiro e combinei que só assumiria em abril. Entre o acordo e eu de fato assumir, a empresa revelou problema contábeis, a pandemia começou e a marca perdeu confiança. A empresa vinha com uma confiança debilitada. E isso se aprofundou com a pandemia. O maior desafio foi reestabelecer essa confiança dos investidores, dos acionistas, do mercado de um modo geral, dos nossos franqueados e funcionários. Porque sem isso não teríamos caixa, capitalização, renegociação das dívidas, não conseguiríamos trazer profissionais e muito menos investir em novas iniciativas”, afirmou.

Em novembro do ano passado, a empresa anunciou seu acordo de reestruturação de dívidas, no valor de R$ 1,5 bilhão, oriundas da segunda, terceira e quarta emissões públicas de debêntures. A empresa realizou o alongamento parcial da dívida de curto prazo, relacionada à 2ª emissão de debêntures (CVCB12), realizou o pagamento de 10% do montante total das dívidas em 23 de novembro de 2020, com exceção da CVCB12, cujo pagamento foi de 57% do total, e dividiu o pagamento das terceira e quarta emissões até 2025.

Novos negócios

Mesmo com um cenário ainda incerto, Andrade entende que o ano de 2020 já deixou algumas lições para o setor. “Nós aprendemos todo dia com a pandemia. Hoje valorizamos mais os protocolos, entendemos que o cliente não quer só ter lazer, quer ter segurança, se sentir protegido e ter assistência”, afirma.

Andrade destacou a atenção à diversidade e à personalização como lições da pandemia. A primeira porque o cliente quer ter mais opções e a segunda porque cada vez mais as pessoas buscam soluções exclusivas para viajar, segundo ele. Foi a partir desse raciocínio que a CVC anunciou dois novos braços de negócio.

O investimento na VHC Hospitality, uma startup do grupo CVC Corp., focada em aluguel de temporada e concorrente do Airbnb, e o lançamento do marketplace da CVC, que está marcado para este ano e terá uma marca própria, com o objetivo de oferecer pacotes segmentados para os clientes.

Sobre a VHC, Andrade afirmou que ela pertence ao único segmento do turismo que teve crescimento na pandemia. “As pessoas estão buscando mais privacidade, mais comodidade. Entramos com a VHC em uma proposta que é mais do que só um aluguel de uma casa por uma temporada, mas é também de serviços diferenciados. Você pode escolher desde arrumação, serviços de cozinha, motoristas, até segurança extra, eventos e organização de festas”, disse. A proposta é ampliar a base de imóveis disponíveis de 450 residências entre Brasil e Estados Unidos para cerca de 8 mil nos próximos cinco anos.

Sobre o marketplace, ele explicou que a CVC vai se conectar com várias empresas parceiras para ofertar pacotes de viagens em diferentes formatos.

“Vamos desenvolver conteúdo e disponibilizar a venda tanto no canal online, quanto no físico. Seguramente lançaremos ainda neste ano no Brasil e mais para a frente na Argentina. O cliente vai encontrar, por exemplo, uma aba de turismo gastronômico, outra de turismo religioso, de ecoturismo, de turismo para mulheres, ou seja, vários segmentos com proposta de valor, pacotes, produtos, de empresas diferentes, de modo que ele tenha algo que se identifique e um ambiente com muita oferta e especialização”, disse.

Além dessas duas frentes, na última quarta-feira (10), durante seu Investor Day, a empresa anunciou um programa de fidelidade e o programa Agente Autônomo de Turismo, para profissionais que não trabalham nas agências da CVC.

“Esses quatro negócios são completamente novos e complementares a tudo o que já temos dentro grupo. Somos um grupo muito grande, mas com muita tradição de fazer mais do mesmo e estamos começando a diversificar a empresa porque o consumidor está mudando”, explicou o CEO.

A empresa está com cerca de 1.250 lojas abertas no país, 90% da base que a empresa tinha antes da pandemia.

Hoje a CVC Corp. conta com 11 marcas dentro de seu portfólio, sendo a CVC, focada em viagens de lazer, a mais conhecida. Porém, Andrade já se pronunciou sobre a importância de as aquisições gerarem sinergias. Segundo ele, a CVC tem 10 departamentos internos, que praticamente não se conversam e que trabalham manualmente.

“É estranho que uma empresa desse tamanho, com milhares de funcionários, bilhões passando aqui dentro opere com muito trabalho manual. Isso é resultado de tecnologia obsoleta com legado muito confuso, mas todos os problemas estão endereçados e vão melhorar”, afirmou durante o “Investor Day”.

Agências serão pontos de experiência

Como parte do processo de inovação da CVC em meio à crise, Andrade destacou a mudança de papel das agências franqueadas. “Muitos clientes querem o contato físico, ouvir especialistas, entender os protocolos. A agência física ajuda bastante nesse suporte”, diz.

Por isso, ele garante que as agências físicas têm espaço no mercado. “Vão permanecer para sempre, não tenho dúvida disso, mas elas têm que ser modernizadas. As lojas precisam se transformar em experiência, com conteúdo, interação frequente com o consumidor por meio de produtos digitais. É a mistura entre o físico e o digital que vai transformar as lojas em espetaculares pontos de experiência”, afirma.

Segundo ele, a CVC lidou por anos com um debate interno: a digitalização vai ou não acabar com as agências? “Eu não acredito nisso. A digitalização pode ajudar as agências a venderem muito mais”, diz.

Hoje, no Brasil, do total de vendas feitas pela CVC Corp. cerca de 50% ainda são feitas nas agências físicas, incluindo viagens de lazer e as corporativas. “Por isso, nós acreditamos que vai ser fundamental ter no nosso universo de venda todos os canais convergindo e interagindo entre si. Não importa em qual canal o cliente esteja, eles precisam ser vistos como uma coisa só”, afirmou o CEO.

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Azul volta a operar no Galeão em janeiro e lançará 3 voos no Rio durante verão

Avião da Azul com as cores da bandeira brasileira. Turbina possui as estrelas (Divulgação/Azul)

A Azul (AZUL4) anunciou, nesta quinta-feira, 26, que retomará suas operações no Galeão a partir do dia 1º de janeiro. O destino será Campinas, principal centro de conexões da empresa no Brasil, e usará a aeronave Embraer E195 E1, com capacidade para até 118 clientes. A empresa lançou ainda três destinos de verão.

A retomada foi informada inicialmente na quarta-feira, 25, em encontro entre representantes da empresa e o governador do Estado, Cláudio Castro, em reunião no Palácio Guanabara, sede do Executivo estadual.

Com a Azul Conecta, empresa sub-regional da Azul, Búzios, Paraty e Angra dos Reis contarão com voos inéditos para Belo Horizonte, Santos Dumont e Congonhas, em São Paulo.

Somadas, as operações nos três aeroportos fluminenses resultarão em uma oferta semanal de 32 voos, que serão cumpridos a bordo das aeronaves modelo Cessna Gran Caravan, com capacidade para nove Clientes.

Cabo Frio, que volta a receber aeronaves da Azul a partir de 14 de dezembro, terá um reinício relevante, com diversas frequências e destinos durante o verão.

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A cidade contará com 21 voos semanais para Belo Horizonte, Santos Dumont e Congonhas, operados com aeronaves ATR 72-600, de 70 assentos, e jatos da Embraer, com 118 lugares. Depois do fim da alta temporada, no início de fevereiro, a base permanecerá recebendo aviões da Azul e tendo BH como destino.

“Estamos com muitas novidades em nossa malha de alta temporada e o Rio será um dos estados mais beneficiados pela nossa operação especial”, destaca Marcelo Bento Ribeiro, diretor de relações institucionais da Azul.

“Estamos felizes de poder contar novamente com as operações da Azul no Galeão e garantimos aos clientes da companhia que o Aeroporto Internacional Tom Jobim está preparado para recebê-los com segurança e responsabilidade”, afirma Patrick Fehring, diretor de Negócios Aéreos do Galeão, em nota.

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CVC reverte lucro e tem prejuízo de R$ 215,6 milhões no 3º trimestre

A CVC Corp (CVCB3) divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2020 na noite da sexta-feira, 13, e reportou prejuízo líquido de R$ 215,6 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 13,2 milhões em igual período de 2019. A empresa explicou que a perda refletiu os impactos das restrições provocadas pela pandemia de covid-19 nas suas atividades operacionais.

O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do período foi negativo em R$ 117,2 milhões, contra resultado positivo de R$ 159 milhões um ano antes. A margem fechou negativa em 189% contra margem Ebitda positiva de 37,2% em igual base.

No documento, a empresa disse que a covid-19 seguiu impactando as vendas e embarques. As Reservas confirmadas no Brasil somaram R$ 874 milhões no trimestre, queda de 78,2% na comparação anual. As reservas confirmadas da CVC Corp, incluindo as operações na Argentina, totalizaram R$ 1,039 bilhão no período, queda de 76% em igual base de comparação.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 11,7 milhões no trimestre, baixa de 79,5% no ano, refletindo a “redução dos encargos financeiros, redução do volume de vendas através da cessão de direitos creditórios às financeiras e ganho nas operações de hedge”, explicou a empresa.

A receita líquida de vendas totalizou R$ 62 milhões no trimestre, retração de 85,5% na comparação anual, ainda sobre influencia das restrições provocadas pelo isolamento social no cenário de pandemia, “com relevante impacto nas viagens nacionais e internacionais”, disse a empresa.

O grupo destacou que apesar do difícil cenário, a geração de caixa operacional nos primeiros nove meses de 2020 atingiu R$ 1,242 bilhão, contra uma geração de caixa de R$ 247,2 milhões em igual período de 2019, “em função da postergação dos embarques já contratados e redução significativas das novas vendas, aliadas a medidas de contenção de gastos como resposta à crise”, disse a empresa.

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Com inovações, algumas empresas de viagens sobrevivem à pandemia

dólar turismo (Shutterstock)

Em janeiro, a plataforma de viagens de experiências Peek comemorou US$ 1 bilhão em reservas desde sua fundação em 2012. Mas então surgiu o coronavírus.

Ruzwana Bashir, fundadora da startup com sede em São Francisco, diz que os negócios desaparecerem da noite para o dia. “Em abril, estávamos em zero”, afirma. “Com os EUA em lockdown, as pessoas não podiam experimentar nada. Tudo parecia terrível.”

Depois dos turbulentos meses da primavera e início do verão no hemisfério norte, Bashir agora conta uma história diferente. Seu negócio é uma das poucas empresas de viagens que estão crescendo; em julho, a Peek registrou US$ 50 milhões em reservas e continuou a bater recordes de vendas mensais desde então, em meio à demanda por maneiras empolgantes de explorar destinos próximos.

Os poucos segmentos que mostram desempenho positivo no setor de viagens oferecem esperança de uma recuperação e a possibilidade de viajar com segurança, mesmo durante um período incerto. Podem despertar o desejo de viajar ou permitir experiências com segurança, mas também lembram que a indústria de viagens ainda representa um grande negócio.

Experiências locais

A Peek é um mercado de dois lados que conecta consumidores a milhares de proprietários de pequenas empresas, criando experiências de viagem como aulas de culinária ou passeios de caiaque. “Quando nossos operadores não recebem reservas, não recebemos reservas”, diz Bashir, cuja empresa recebe uma comissão de cada atividade comprada em seu site. A Peek iniciou a pandemia com um financiamento da Série B de US$ 23 milhões.

Bashir usou sua recém-descoberta estabilidade financeira para aconselhar clientes sobre como solicitar empréstimos para desastres, implementar pagamento sem contato e criar tours seguros para a Covid-19. As reservas dispararam para US$ 50 milhões em julho quando as restrições começaram a ser suspensas.

A Viator, uma empresa da Tripadvisor, também usou o auxílio para pequenas empresas para manter seus fornecedores – e seus próprios negócios – operando. E o Airbnb sobreviveu aos primeiros dias da pandemia com o lançamento de cerca de 400 experiências virtuais, como a classe “Pedalar com um atleta olímpico”, ao estilo da Peloton.

A Broadway pode estar fechada até 2021 em Nova York, mas ainda é possível cantar com atores que servem como guias no tour de US$ 40 da Peek, um passeio a pé de duas horas pelo bairro de teatros.

Covid torna voo de classe executiva mais parecido com econômica

Boeing 777X (Divulgação)

(Bloomberg) – Esqueça a taça de Moet & Chandon gelada antes da decolagem, a gim-tônica no meio do voo e um carrinho de sobremesas vagando depois do jantar. Voar em classe executiva não é o que costumava ser.

As medidas para minimizar a interação humana e reduzir o risco de infecção por Covid-19 tiram o brilho dos assentos mais caros a bordo de aeronaves comerciais. Adeus aos banquetes com vários pratos e serviço pessoal caloroso, que já foram as marcas de companhias aéreas como Singapore Airlines e Cathay Pacific Airways.

Hoje em dia, o que resta das viagens de nível premium é funcional, higiênico e mais próximo da classe econômica, apenas com mais espaço para as pernas.

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As limitações são mais uma dor de cabeça para o setor, que enfrenta o colapso quase total da demanda depois de anos de disputa com ofertas de luxo para atrair os passageiros mais rentáveis.

Classe econômica

“Não há ninguém para ajudá-lo com sua bagagem, você não é acompanhado até o assento e definitivamente não há champanhe antes do voo”, disse Sandra Lim, que voou em classe executiva de Los Angeles para Cingapura com a Singapore Air no final do mês passado. “Parece uma reversão para a classe econômica.”

A tripulação usava máscaras e proteção para os olhos, evitando pontos de contato compartilhados sempre que possível, disse Lim. Embora os passageiros pudessem pedir uma bebida, não era oferecida gratuitamente e não havia cardápio. As refeições vinham com tudo em uma bandeja, assim como na classe econômica, e não em pratos separados.

“Quando você tira a comida e o serviço, é apenas um meio de transporte para ir do ponto A ao B”, disse Lim, consultora de alimentos e bebidas de 38 anos.

Algumas rotas no exterior foram retomadas, mas o tráfego global é fraco. A demanda de passageiros internacionais caiu 92% em julho, e os aviões que voaram normalmente estavam aproximadamente metade cheios, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês).

Mudança estrutural

Também não está claro até que ponto o mercado premium, que a IATA diz ter gerado 30% das receitas internacionais das companhias aéreas em 2019, pode se recuperar. Muitos passageiros de negócios se acostumaram a videoconferências em vez de fazer visitas pessoalmente, e a recessão global ameaça orçamentos corporativos.

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“Estamos enfrentando um longo e incerto caminho para a recuperação”, disse o diretor comercial e de clientes da Cathay, Ronald Lam, na segunda-feira. “Simplesmente não vamos sobreviver a menos que adaptemos nossas companhias aéreas para o novo mercado de viagens.”

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Com hotéis vazios, setor de turismo global calcula perdas

(Bloomberg) – No lago de Como, no norte da Itália, a primavera normalmente significa o retorno dos turistas. Celebridades como George Clooney frequentam vilas à beira-mar, casais perambulam pelas ruas de paralelepípedos e feiras de design lotam quartos de hotéis com viajantes endinheirados. Este ano, por causa do coronavírus, donos de hotéis se perguntam se os turistas virão.

Hotéis da região registraram o cancelamento de mais da metade das reservas em três dias na semana passada em meio à propagação do vírus no norte da Itália, o maior surto fora da Ásia. Agora, proprietários esperam ansiosamente para ver o impacto nos importantes meses do verão.

“Tivemos nossos altos e baixos no passado, mas nada como isto”, disse Roberto Cassani, de 58 anos, presidente da associação de operadores de hotéis de Como. “Os turistas americanos, em particular, parecem vítimas de uma psicose coletiva. Estou realmente preocupado.”

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Com a doença que surgiu na China e se tornou global, o setor de turismo enfrenta uma ameaça crescente. Muitos dos turistas chineses que impulsionaram a expansão do setor já haviam deixado de viajar depois que o governo “trancou” dezenas de milhões de pessoas e proibiu a venda de pacotes turísticos. A medida esvaziou hotéis em Macau, meca de cassinos, praias do sudeste da Ásia e eliminou filas do lado de fora das butiques Louis Vuitton em Paris.

Apesar da diminuição da contaminação na China, o vírus se espalha em outros lugares, como Coreia do Sul e Itália, que juntas registram mais de 8 mil do total global de cerca de 93 mil casos. Agora não são apenas os chineses que ficam em casa. Alemães e belgas estão repensando as viagens de esqui para a Itália. Japoneses cancelam visitas a Bali. Em jogo, está a receita de US$ 1,7 trilhão gerada pelo turismo internacional em 2018, segundo a Organização Mundial de Turismo da ONU.

É o maior revés para a indústria de viagens desde a crise que seguiu os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o surto da SARS e a guerra no Iraque dois anos depois.

A Associação Global de Viagens de Negócios diz que o coronavírus pode custar à indústria US$ 47 bilhões por mês. Companhias aéreas e operadoras de pacotes de turismo de pacote pintaram uma imagem igualmente sombria: a Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê quase US$ 30 bilhões em vendas perdidas com voos.

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