Por que o mercado brasileiro azedou? Mariana Dreux explica

(CONDADO DA FARIA LIMA) – Queda de 15 mil pontos do Ibovespa desde a máxima histórica de junho, dólar de volta aos R$ 5,30 e juros futuros acima de 9,5% a partir de 2025: afinal, por que o Brasil piorou tanto e está tão descolado dos mercados internacionais?

Mariana Dreux, gestora das estratégias multimercados da Truxt, não só respondeu essa pergunta no Coffee & Stocks desta quarta-feira (18) como também mostrou que esse pessimismo com Brasil se traduz nas posições dos seus fundos: ela está comprada em dólar contra real, reduziu bolsa brasileira (compensando essa posição com ações americanas) e está tomada em juros com vencimentos intermediários.

Segundo Mariana, o mercado já projeta uma Selic voltando para 7,5% a 8% até o final desse ano, com risco de voltar a dois dígitos no ano que vem. “No ano passado, pensávamos que inflação podia romper a banda inferior da meta. Hoje, nós estamos cada vez mais revisando a inflação para cima”, diz a gestora da Truxt.

Confira a entrevista completa no vídeo acima ou direto em nosso canal no youtube (link aqui).

Riscos político e fiscal “tiram” 30 mil pontos da Bolsa, afirmam analistas

Em meio a uma crise institucional e ao aumento do risco fiscal, o mercado financeiro pareceu não se importar com o cenário político. Desde o começo do mês, não houve nenhuma variação brusca na Bolsa e no dólar, que estão praticamente no mesmo patamar, pouco acima dos 120 mil pontos e dos R$ 5,20, respectivamente.

Analistas do mercado, no entanto, afirmam que os ativos brasileiros estão sentindo, sim, a crise. A Bolsa estaria entre 142 mil e 152 mil pontos e o câmbio, inferior a R$ 5 se não houvesse tanto ruído em Brasília, dizem.

“Quando o presidente traz o tema do voto impresso (para o debate) ou aumenta a base de benefício social a um ano da eleição, ele acaba antecipando o risco das eleições nos preços dos ativos”, diz o gestor Luiz Felipe Laudari, da Mauá Capital.

Os cálculos de que o Ibovespa (principal índice da B3) deveria estar mais alto consideram a evolução de outras bolsas, os resultados das empresas listadas no País e também o preço das ações dessas companhias. “Quando você olha os mercados lá fora, vê o americano batendo recorde todo dia. Frankfurt também. Todas as bolsas estão com valorização de 15% no ano ou mais. E, aqui, ela beira a estabilidade, com pouco mais de 1%. Deveríamos estar subindo mais que o mercado americano, por causa do risco de ser um emergente”, afirma Alvaro Bandeira, sócio do Modalmais.

A alta acumulada do Ibovespa no ano é de 1,97%, enquanto a do indicador da Bolsa de Nova York é de 17,33%, a da Nasdaq, de 16,73% e a de Frankfurt, de 16,4%. Entre os emergentes, a Bolsa da Argentina subiu 26,6% e a da Rússia, 20,1%. Caso o Ibovespa tivesse acompanhado o nível dos emergentes, com uma alta de 20% no ano, o índice estaria em 142,6 mil pontos – na sexta-feira, no entanto, encerrou o pregão com 121,2 mil pontos.

Os analistas destacam que o desempenho pífio brasileiro só não é pior graças aos resultados das companhias, melhores do que previstos desde o início da pandemia. O estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, diz que 77% das empresas do Ibovespa que publicaram seus resultados do segundo trimestre até agora tiveram desempenho em linha ao esperado ou até melhor. “O que tem segurado a Bolsa é a história micro das empresas. Estamos tendo mais uma temporada de resultados fortes”, afirma Ferreira.

O gestor acrescenta que, se fossem considerados apenas os fundamentos das companhias e a expectativa de lucro atual delas, o Ibovespa estaria em 152 mil pontos.

Juros e câmbio

Para o economista Silvio Campos Neto, sócio da consultoria Tendências, no entanto, o câmbio e os juros são os ativos que mais têm sofrido o efeito das crises de Brasília. “Era para o dólar estar em um patamar mais baixo. Ele não está em parte devido à incerteza política. As tensões se traduzem em ameaça ao setor fiscal: mudança no Bolsa Família e precatórios. Além disso, estamos indo para outro tom, a institucionalidade (sendo ameaçada). Isso assusta os investidores.”

Cálculos da gestora Mauá Capital indicam que o dólar deveria estar abaixo de R$ 4,80. Na sexta, porém, encerrou o dia valendo R$ 5,25. “Tem um prêmio de risco aí causado pelo presidente. A situação fiscal vinha bem, com a surpresa positiva em razão da arrecadação mais alta e da contenção dos gastos. Era de se esperar que os ativos estivessem com um comportamento benigno”, diz Laudari.

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No caso da curva de juros, o impacto é ainda mais visível. A taxa do contrato de Depósitos Interfinanceiros (DI) que vence em 2029 estava em 8,7% no começo de julho e hoje está a 9,8%.

O economista Paulo Bokel, da ARX Investimentos, explica que essa alta não ocorreu devido ao aumento da taxa básica de juros, a Selic. Isso porque o mercado reagiu à Selic principalmente em junho, quando o Banco Central mudou de tom na condução da política monetária. “Não houve um grande aumento (na curva de juros) na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária, do BC). Na anterior (em meados de junho), o ajuste no mercado foi maior”, diz Bokel.

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Economia diz que mudança na regra de outro proposta na PEC dos precatórios busca agilizar disponibilização de recursos

(Rmcarvalho/Getty Images)

A Secretaria Especial de Tesouro e Orçamento disse, em nota, que a mudança na regra de ouro proposta na PEC dos Precatórios tem como objetivo “gerar mais agilidade na disponibilização dos recursos para o financiamento de políticas públicas, contribuindo para melhorar a gestão do gasto”. A regra impede o endividamento do governo para bancar despesas como salários e benefícios sociais.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que parcela dívidas judiciais da União incluiu um dispositivo para mexer na regra de ouro e dispensar o governo de pedir ao Congresso uma autorização específica para descumpri-la. Pela proposta, esse aval poderá vir embutido no próprio Orçamento.

Hoje, o governo precisa mandar um pedido de crédito suplementar durante o exercício para conseguir autorização do Congresso, isso depois de já ter o Orçamento aprovado e em vigor.

A PEC muda a regra para permitir que a autorização seja solicitada ainda no projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Dessa forma, a aprovação do Orçamento ocorreria já com o aval de descumprimento da regra de ouro embutido.

“A perspectiva é antecipar a análise e a autorização pelo Poder Legislativo, que tem condições de avalizar a insuficiência juntamente com a análise do PLOA, caso este apresente uma relação negativa entre o montante das despesas de capital e as receitas de operação de crédito”, diz a nota da Secretaria.

O comunicado diz ainda que o formato atual “provoca morosidade” e relembra o caso deste ano, em que o Orçamento só foi sancionado no fim de abril e, até aquele momento, o governo não podia solicitar o crédito suplementar da regra de ouro. “A situação colocou em risco diversas despesas que dependiam da aprovação desses créditos, como folha de pessoal”, diz a nota.

A Secretaria afirma ainda que, caso a autorização no Orçamento se mostre insuficiente, será mantida a possibilidade de pedir novo crédito durante a execução orçamentária.

Mais cedo, o Broadcast mostrou que técnicos que acompanham as contas afirmam que a mudança, na prática, representa a morte da regra fiscal. Para esse grupo, a regra de ouro já vinha se transformando em mera formalidade, já que o governo vem desde 2018 descumprindo o dispositivo com aval especial do Congresso Nacional. Outra fonte lembrou que esses créditos suplementares muitas vezes viravam moeda de troca nas mãos dos parlamentares, uma vez que sua aprovação já durante a execução do Orçamento deixava o governo com a “faca no pescoço”.

Um integrante da equipe econômica, porém, discordou da avaliação sobre o fim da regra na prática e afirmou que o texto busca mudar o momento da obtenção do aval necessário à emissão de dívidas para bancar despesas correntes.

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Desde 2014, a arrecadação de tributos e as demais receitas correntes não têm sido suficientes para cobrir todas essas despesas do orçamento. Os sucessivos rombos nas contas públicas nos últimos anos provocaram um desequilíbrio na regra de ouro, forçando os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro a recorrer ao Congresso para pedir a autorização e descumprir a regra via crédito suplementar.

Somente no ano passado, o crédito suplementar aprovado pelo Congresso para descumprir a regra de ouro totalizou R$ 343,6 bilhões. O valor se refere a despesas orçadas antes mesmo da pandemia que não teriam cobertura pela arrecadação de tributos prevista para 2020. Em 2019, esse crédito extra somou R$ 248,9 bilhões.

Para este ano, o governo já enviou um pedido de crédito de R$ 164 bilhões referente à regra de ouro.

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Real começa 2º trimestre na lanterna global por temores sobre contas públicas

(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar fechou em firme alta contra o real nesta quinta-feira, numa gangorra depois da forte queda da véspera, com operadores de mercado embutindo nos preços profunda preocupação com os rumos do Orçamento e a posição do ministro da Economia nesse embaraço.

O dólar à vista subiu 1,49%, a 5,7143 reais. Com isso, reduziu a queda acumulada na semana para 0,46%.

O real teve o pior desempenho entre as principais moedas globais nesta sessão.

A péssima repercussão ao Orçamento tido como “fictício” e aprovado pelo Congresso na semana passada esquentou ainda mais o clima entre o ministro Paulo Guedes e o Legislativo, o que tem gerado dúvidas sobre a capacidade da articulação política do governo e de Guedes de conseguirem um ajuste no texto orçamentário.

O relator do Orçamento, senador Márcio Bittar (MDB-AC), concordou em cortar em 10 bilhões de reais as emendas parlamentares, mas o time de Guedes ainda vê a medida como insuficiente.

No mercado, o entendimento é de que as tensões entre Guedes e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), estão numa crescente, num momento em que agentes financeiros ainda discutem impactos da recente reforma ministerial feita de forma inesperada pelo presidente Jair Bolsonaro.

“O Paulo Guedes e equipe estão brigando para conseguirem aprovar um Orçamento realista, mas a impressão que dá é de que você ou empata ou perde”, disse um gestor, avaliando que o país ganhou mais um elemento com que se preocupar, porque, segundo ele, até pouco tempo atrás não havia problemas na frente orçamentária.

A percepção de que o risco fiscal aumentou é compartilhada pelo Santander Brasil, que vê o Brasil em “teste mais difícil” para a política econômica desde a aprovação do teto de gastos, em 2016. “Vemos riscos de execução crescentes para o processo de consolidação fiscal”, afirmou a economista-chefe do banco, Ana Paula Vescovi.

Para ela, “nada é mais emblemático” do risco fiscal do que a “oscilação frenética” da taxa de câmbio –que já variou neste ano entre cerca de 5,12 reais e 5,87 reais, contra taxa em torno de 4,30 reais antes da pandemia– e o aumento do prêmio na taxa de juros nominal de dez anos, que saiu de 2% no começo de 2020 para em torno de 4,5% recentemente –próximo ao pico visto na perda do grau de investimento, em 2015.

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Pelos cálculos de Vescovi, se estivesse acompanhando seus pares, o real estaria perto de 4,50 por dólar. Com o prêmio de risco embutido na taxa de câmbio e os cenários para os “drivers” da moeda, a projeção para o dólar ao fim de 2021 foi elevada de 5,25 reais para 5,55 reais.

O Goldman Sachs vê o dólar em 5,00 reais em 12 meses. Caesar Maasry, chefe de estratégia de mercados emergentes do grupo de pesquisas do banco, reconhece os riscos fiscais que afligem os mercados, mas diz que, do ponto de vista externo, o fiel da balança para a taxa de câmbio atualmente é a perspectiva de retomada econômica.

Maasry prevê aceleração da vacinação no Brasil no segundo semestre, o que virá acompanhado de reabertura mais forte da economia. “Essa recuperação vai vir e vai pegar o real subvalorizado. Isso vai levar a moeda a superar seus pares emergentes”, disse.

Segundo pesquisa da Reuters, o dólar vai ficar em 5,31 reais em 12 meses.

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Campos Neto: “Duas coisas me tiram o sono, vacinação eficiente e descontrole fiscal”

(Raphael Ribeiro/BCB)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira, 30, que duas coisas lhe “tiram o sono”: um processo de vacinação em massa eficiente no País e o descontrole fiscal nas contas públicas.

“Duas coisas me tiram o sono, a primeira é a vacinação eficiente, que possibilitará o retorno das pessoas ao trabalho e a normalização da economia. A segunda coisa me tira o sono é o descontrole fiscal. É muito difícil segurar o monetário quando o fiscal está descontrolado”, afirmou ele, no evento virtual “Encontro Daycoval – Perspectivas Econômicas e de Investimentos para o Brasil 2021”.

Campos Neto voltou a dizer que no caso do fiscal política econômica é o piloto, enquanto o BC seria o passageiro.

“Precisamos de um plano de consolidação fiscal. Sem equilíbrio fiscal, o lado monetário fica bem menos eficiente”, completou o presidente do BC.

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Real é a 5ª pior moeda do mundo em 2021 e Copom pode aliviar pressão, mas governo precisa colaborar, dizem analistas

SÃO PAULO – O real aparece em quinto lugar no ranking das moedas de pior desempenho do mundo na comparação com o dólar, de acordo com levantamento da Austin Rating elaborado pelo economista-chefe Alex Agostini.

A queda da divisa brasileira no acumulado de 2021 é de 7%, considerando a cotação do dólar PTAX até o fechamento da última terça-feira (16), e perdendo apenas para as moedas do Sudão (nova libra sudanesa, com desvalorização de 85,3%), da Líbia (dinar, com baixa de 70%), da Venezuela (bolívar, com baixa de 40,4%) e da Argentina (peso argentino, em queda de 7,7%).

Na última terça, a cotação da PTAX fechou a R$ 5,5851, mas chegou a superar os R$ 5,80 na semana passada, também repercutindo o turbulento noticiário político.

Assim, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (17) é ansiosamente aguardada porque um aumento na taxa básica de juros, Selic, pode levar mais investidores estrangeiros a colocarem dinheiro aqui.

É o fenômeno conhecido como carry trade, que ocorre com a combinação entre fazer uma posição vendida em moeda com taxa de juros mais baixa e outra comprada em moeda com juro mais alto. Além da diferença entre os juros, o investidor também lucra com a variação cambial implícita. Claramente, quanto maior for a diferença entre as taxas, mais rentável fica a operação.

Contudo, para que haja um movimento mais forte de valorização da divisa brasileira, outras variáveis serão acompanhadas de perto pelos investidores – principalmente o fiscal.

O que esperar para o Copom: alta de juros é dada como certa

Os analistas, em geral, esperam por um aumento de juros de 0,5 ponto percentual da Selic segundo dados da Refinitiv, mas há até quem só enxergue espaço para manutenção das taxas (com sinalização clara de que o ciclo de aperto monetário começará na reunião seguinte) e também quem veja como ideal uma elevação de 0,75 p.p..

José Faria Jr., diretor da Wagner Investimentos, faz parte do segundo grupo. Para ele, o BC precisa se movimentar para conter o avanço da inflação, que já chegou a 5,2% em 12 meses segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. E a única forma de fazer isso, considerando que as principais responsáveis por esse aumento na inflação são as commodities, é atuando de forma a apreciar o real ante o dólar. Faria Jr. tem previsão de dólar a R$ 5, apontando que não mudará a projeção até ter mais certeza sobre o cenário.

“Pela primeira vez na história, a nossa inflação não está vindo dos serviços, que ainda estão sofrendo muito por conta da pandemia, e sim das commodities. O petróleo está se aproximando dos US$ 70, enquanto produtos alimentícios também continuam se valorizando. Para reduzir a inflação só se o real ficar mais competitivo”, avalia.

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Hideaki Iha, operador da Fair Corretora, diz que um aumento de 0,5 p.p. na taxa básica de juros já acalmaria o mercado, mas que 0,75 p.p. seria o ideal para mandar a mensagem de que o BC está firme no combate à inflação e traria mais investimento estrangeiro, o que apreciaria o real.

O diretor da Wagner Investimentos, todavia, apesar de defender um aumento maior, entende que o BC não fará isso para não prejudicar a comunicação com o mercado sobre os rumos da política monetária.

“Se o Copom realizar um choque muito grande nos juros será como passar um atestado de que o BC errou na política monetária antes. Esse ciclo de aumento de juros, para mim, vai levar a Selic para 4% ao ano, mas não deve começar de maneira muito agressiva.”

Sergio Goldenstein, consultor independente da Ohmresearch, disse à Reuters que ser mais agressivo na política monetária agora também poderia levantar dúvidas sobre o conceito de que não há relação mecânica entre as políticas cambial e monetária.

Ele ainda aponta que o início da correção na Selic ajuda na correção do câmbio, mas o câmbio depende de mais do que a Selic: depende do quadro fiscal, termos de troca, comportamento global do dólar, Treasuries e ambiente político. Para o consultor, a normalização da política monetária dará algum suporte ao câmbio, reduzindo o caso, nas condições atuais, de o dólar ir para R$ 6. Contudo, tampouco vê a moeda abaixo de R$ 5.

Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria, ressalta ainda a recente atuação do BC com leilões de swap e venda de dólar à vista, destacando que até agora obedece à ideia de câmbio relativamente flutuante. Há alguma intervenção apenas para conter a volatilidade e oferecer uma saída ao investidor sem que haja uma corrida por dólares agora devido ao temor de que a divisa dos Estados Unidos esteja muito mais valorizada no futuro.

“Isso não é uma situação de manter ou defender patamar. Do contrário, o BC teria que ter atuado antes e com mais força”, explica. Para Lavieri, o Copom deve manter a Selic no patamar atual, mas colocar uma mensagem bem clara de que os juros serão elevados na próxima reunião, de modo a sinalizar preocupação com o nível de preços sem colocar nas costas da política monetária a responsabilidade por impedir uma desvalorização do real.

O fiscal é o que importa

Apesar das divergências sobre o que o Copom fará, os especialistas foram unânimes em apontar que, para o câmbio, não adianta autoridade monetária se movimentar se a política fiscal não vier junto. Na segunda-feira (15), cabe destacar, o real teve o pior desempenho entre todas as moedas globais.

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Hideaki Iha vê responsabilidade do governo nessa situação. “Estamos vivendo um colapso nos sistema de Saúde, uma aceleração nos casos de coronavírus que prejudica as perspectivas para a economia, e ao mesmo tempo vemos os EUA se recuperando com um programa de imunização competente e um pacote de estímulos trilionário do governo Biden”, analisa.

Para ele, se o governo Bolsonaro colocasse uma pessoa competente no Ministério da Saúde e desse condições para esse profissional trabalhar, o mercado melhoraria, mas Iha não acredita que esse será o caso para o novo ministro, Marcelo Queiroga, sobre quem enxerga muita pressão política.

“O principal, que é a vacina, nós não temos em quantidade suficiente. Do jeito que está será necessário mais tempo de auxílio emergencial para ajudar as pessoas que estão sem renda por conta das medidas de isolamento social, e aí as preocupações com o teto de gastos voltarão à tona.”

Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, afirmou à Reuters que o investidor é primordial para a economia do Brasil, e quem vai investir aqui quer ter certezas. “O mercado fica à mercê de medidas mais restritivas (de combate à pandemia), da politização da crise sanitária… E a agenda de reformas está parada; a gente vai ficando para trás.”

Para Galhardo, os leilões de swap do BC se parecem com o ato de enxugar gelo diante do quadro de incerteza fiscal. “[O BC] tem dado a liquidez que a gente poderia estar recebendo do exterior via investimentos caso os investidores estivessem confortáveis.”

Bruno Lavieri, por sua vez, não enxerga muita consistência no ajuste fiscal promovido pelo governo e espera que as reformas Administrativa e Tributária, se forem aprovadas, sejam mais fracas do que os economistas projetavam antes.

Além disso, Lavieri defende que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, longe de tirar as incertezas fiscais do radar, foi até uma fonte de decepção, pois teve que ser desidratada na Câmara dos Deputados para não ser desfigurada por destaques da oposição.

“Não há sequer consenso interno no governo para passar essas medidas de austeridade”, conclui. Contudo, a expectativa segue a mesma para o dólar desde o início do ano, com a expectativa de que a moeda encerre 2021 a R$ 4,70.

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Com visão mais baixista para o real, os estrategistas do Société Générale preveem que o dólar fechará este ano por volta de R$ 6,40, destacando que a pandemia ainda tem altos custos econômicos, sociais e de saúde, e todos eles sugerem que a recuperação econômica pode estagnar e que as contas fiscais e a dívida pública provavelmente permanecerão sob pressão. “Isso significa um aumento nas vulnerabilidades macroeconômicas do Brasil e em prêmios de risco que eventualmente serão traduzidos em uma moeda mais fraca e curva mais inclinada”, apontam.

(com informações da Reuters)

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PEC pode levar a corte de até R$ 30 bi em subsídios em um ano

SÃO PAULO – O governo terá até setembro para propor o corte de aproximadamente R$ 30 bilhões em isenções, subsídios e desonerações em um ano, de acordo com projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. O corte está previsto n a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emergencial, formulada para destravar o auxílio emergencial e aprovada no Senado e na Câmara. O texto deve ser promulgado pelo Congresso na segunda-feira (15). Parlamentares e técnicos, porém, levantam dúvidas sobre a viabilidade política do fim das renúncias.

Atualmente, os chamados gastos tributários (ou seja, o que a União abriu mão na arrecadação) totalizam R$ 307,9 bilhões, conforme estimativa da Receita Federal no projeto de Orçamento para 2021. A PEC determina que o Planalto encaminhe ao Congresso em seis meses um plano emergencial para reduzir as renúncias fiscais em 10% no primeiro ano e limitar os incentivos a 2% do PIB em um prazo de oito anos – hoje, eles chegam a 4,25%. No final desse período, o governo poderá ser obrigado a cortar até R$ 150 bilhões em subsídios.

O Congresso Nacional blindou praticamente metade dos benefícios na proposta, diminuindo o espaço para o governo definir onde cortar. De acordo com a IFI, a blindagem forçará o governo a zerar todos os gastos tributários que não ficaram protegidos no prazo de oito anos. “Há um nó e, por isso, é difícil ser implementado em um prazo curto. O Executivo até pode mandar rapidamente a proposta, mas é preciso ver como será a discussão no Congresso. As blindagens que foram feitas são grandes”, afirmou Felipe Salto, diretor executivo da IFI.

Os parlamentares garantiram a manutenção de subsídios relacionados ao Simples Nacional, à cesta básica, às entidades sem fins lucrativos, à Zona Franca de Manaus, ao Prouni (financiamento estudantil) e aos fundos constitucionais que financiam projetos em regiões do País. No total, mais de R$ 149 bilhões foram preservados, praticamente metade de tudo que a União abre mão hoje.

Dessa forma, o governo terá de mirar, por exemplo, em deduções do Imposto de Renda, benefícios agrícolas e até desonerações em medicamentos e livros. De acordo com Salto, a tesourada aumenta a arrecadação do governo (funciona como um aumento de imposto) e ajuda o Executivo federal a cumprir a meta de resultado primário para os próximos anos, mas não abre espaço no teto de gastos, a regra que atrela o avanço das despesas à inflação, pois quase todos os gastos tributários não são considerados como despesas sujeitas a esse limite fiscal.

A reação de setores beneficiados pode ser um entrave. Bolsonaro tentou retirar o plano de cortes da PEC, conforme o Estadão/Broadcast antecipou. A equipe econômica, porém, conseguiu manter a proposta, mas em contrapartida teve de abrir mão de outras medidas, como o congelamento de progressões e promoções de funcionários públicos, previsto inicialmente na PEC. Procurado, o Ministério da Economia não apontou quais subsídios serão incluídos no corte e afirmou que os estudos estão em andamento.

“Duvido que o governo cumpra. Não há vontade política e não existe a percepção popular de que estamos abrindo mão sem saber se é bom ou ruim”, afirmou o senador Esperidião Amin (PP-SC). Além do plano emergencial, a PEC determina a elaboração de um sistema para avaliar a eficiência de cada benefício dado pela União por lei complementar, que poderá vir do Executivo ou do próprio Congresso. “É uma proposta que apresento desde 1991. O que eu defendo não é cortar, é analisar se o benefício trouxe competitividade, se o consumidor ganhou alguma coisa e se gerou ou manteve emprego.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Silêncio de Guedes após troca na Petrobras é sinal de que será difícil apaziguar investidores

Paulo Guedes, ministro da Economia (Foto: Edu Andrade/Ascom/ME)

(Bloomberg) — A decisão de mudar o comando da Petrobras (PETR3; PETR4) é o sinal mais recente de que o presidente Jair Bolsonaro está disposto a sacrificar a agenda pró-mercado do ministro da Economia, Paulo Guedes, para segurar sua popularidade.

A decisão de Bolsonaro de indicar o general Joaquim Silva e Luna, atual diretor-geral de Itaipu Binacional, para substituir o economista formado pela Universidade de Chicago, Roberto Castello Branco, após divergências sobre aumentos nos preços de combustíveis, surpreendeu até seu núcleo político.

Não houve espaço para discutir a decisão, o que mostra um presidente cada vez mais impaciente com a incapacidade do governo de apaziguar sua base de apoio, incluindo caminhoneiros, que ameaçam fazer greve devido a reajustes nos preços do diesel, disseram duas fontes do governo familiarizadas com o pensamento do presidente.

Bolsonaro justificou sua decisão no sábado alegando que, embora não pretenda interferir na Petrobras, a gestão da petroleira mostrou “compromisso zero” com o Brasil. Sem entrar de detalhes, ele disse que está se preparando para substituir outras áreas de seu governo que podem não estar funcionando, incluindo o setor de energia. O Palácio do Planalto não ofereceu comentários adicionais quando procurado pela Bloomberg no domingo.

“Isso nos lembra outros momentos de interferência do governo na política econômica”, disse Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, lembrando a decisão da ex-presidente Dilma Rousseff de reduzir os preços da energia elétrica em 2013. “O mercado quer saber se a decisão do presidente é uma nova diretriz para a política econômica.”

O real pode desvalorizar 2% nesta segunda-feira, enquanto o Ibovespa pode cair cerca de 4%, de acordo com a mediana das expectativas de 200 investidores institucionais consultados pela XP Investimentos no domingo.

James Gulbrandsen, diretor de investimentos para a América Latina da NCH Capital com cerca de US$ 3 bilhões em ativos sob gestão, disse que a incerteza deixa o Brasil sob o risco de ser evitado pelos investidores. “Se Bolsonaro interferir no preço da eletricidade, provavelmente é o fim do jogo para sua capacidade de atrair capital estrangeiro”, disse ele.

Castello Branco ganhou elogios dos investidores ao reduzir a dívida da empresa e defender sua independência do governo. A nomeação de Silva e Luna ainda precisa de aprovação do conselho da Petrobras.

O silêncio de Guedes

Paulo Guedes manteve-se em silêncio sobre a Petrobras porque não há nada que ele possa dizer sobre a decisão do presidente que a faça parecer melhor, disseram integrantes da equipe econômica.

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O ministro, no entanto, não desistiu de sua agenda e tentará minimizar as preocupações dos investidores sobre a intervenção política, acelerando a aprovação de uma pauta de austeridade no Congresso, disseram as pessoas, pedindo anonimato porque as discussões não são públicas.

Procurado, o Ministério da Economia não comentou o assunto.

Guedes passou os últimos dias negociando com parlamentares a aprovação de uma emenda constitucional que abre espaço para o governo fazer uma nova rodada de auxílio emergencial em troca de cortes de gastos públicos nos próximos anos. A chamada PEC Emergencial garantirá credibilidade fiscal e previsibilidade, e as negociações estão indo bem porque há um entendimento de que o país não tem tempo a perder, disseram as pessoas.

Apesar de ter perdido várias batalhas políticas recentemente, acrescentaram as fontes, Guedes não pretende deixar o cargo. O ministro quer deixar um legado econômico do qual possa se orgulhar.

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Ibovespa cai com expectativa por informações sobre novo auxílio antes do Carnaval; dólar zera ganhos

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (12) em meio ao dia de correção nas bolsas americanas após o S&P 500 renovar máxima máxima histórica. Por aqui, os investidores aguardam pela decisão do governo a respeito do auxílio emergencial. Vale destacar que a B3 não terá pregão na segunda-feira (15) e na terça-feira (16), só voltando quarta-feira às 13h, apesar da suspensão do feriado do Carnaval, o que deve incrementar a volatilidade.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro, disse que o benefício social seria renovado por três ou quatro meses a partir de março.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que, para que o governo possa conceder novas parcelas do programa, é preciso que o Congresso aprove uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Orçamento de Guerra que, a exemplo do que ocorreu no ano passado, que o autorize a liberar as despesas sem ferir parâmetros fiscais como a regra de ouro e o teto de gastos.

Entre os indicadores, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), cresceu 0,64% em dezembro, acima da mediana das projeções dos economistas compilada pela Refinitiv, que apontava para incremento de 0,4% no indicador no período. No ano, por outro lado, o IBC-Br, que é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) caiu 4,05%.

Às 10h15 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,61%, a 118.576 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera com leve variação positiva de 0,02% a R$ 5,3886 na compra e a R$ 5,3896 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em março se valoriza em 0,6%, a R$ 5,40.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe quatro pontos-base a 3,36%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de oito pontos-base a 4,94%, o DI para janeiro de 2025 avança nove pontos-base a 6,51% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de cinco pontos-base a 7,21%.

Voltando ao exterior, dados oficiais publicados na sexta indicam queda de 9,9% na economia do Reino Unido em 2020, a maior retração desde o início dos registros modernos. Mas os números indicam que, nos últimos três meses de 2020, o PIB do Reino Unido teve alta de 1%, apesar da imposição de novas medidas de lockdown em um esforço para desacelerar a propagação do coronavírus.

Já nos Estados Unidos, parlamentares democratas que conduzem o processo de impeachment contra o ex-presidente, Donald Trump, encerraram suas falas concluindo que o ataque ao Capitólio, sede do poder Legislativo americano, seria a culminação de uma Presidência marcada por mentiras e por uma retórica violenta.

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Eles afirmam que Trump continuaria a ser uma ameaça a política americana, caso não sofra impeachment e perca o direito de manter um cargo político.

Nesta sexta, mercados na China e na maior parte do Sudeste Asiático estão fechados por conta do feriado do Ano Novo Lunar. Os mercados chineses de títulos, comércio exterior, commodities futuras devem continuar fechados até 17 de fevereiro.

Bolsonaro e auxílio emergencial

O presidente Jair Bolsonaro demonstrou irritação com o mercado financeiro, que apresenta instabilidade nos últimos dias com o temor de que a prorrogação do auxílio emergencial e os planos de reduzir impostos sobre combustíveis desrespeitem pilares macroeconômicos como o teto de gastos, a regra de ouro e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Nós queremos tratar da diminuição dos impostos num clima de tranquilidade e não num clima conflituoso no Brasil. E o pessoal do mercado, qualquer coisa que se fala aqui, vocês ficam aí irritadinhos na ponta da linha, né. Sobe dólar, cai a bolsa”, afirmou, em sua live semanal nas redes sociais.

“Pessoal, se o Brasil não tiver um rumo, todo mundo vai perder. Vocês também, pô. Então vamos deixar de ser irritadinhos que não vai levar a lugar nenhum. A gente está buscando soluções. Uma das maneiras de nós diminuirmos o preço do combustível é se o dólar cair aqui dentro. Mas qualquer negocinho, qualquer boato na imprensa, está aí esse mercado nosso, irritadinho. Aí sobe o dólar. Todo mundo perde com isso, pessoal”, acrescentou.

Mais cedo, na véspera, Bolsonaro afirmou que o governo estuda renovar o auxílio emergencial por três ou quatro meses a partir de março, e voltou a defender a necessidade de se fazer isso com “responsabilidade fiscal”.

“Está quase certo, ainda não sabemos o valor, com toda certeza, a partir… com toda certeza, pode não ser, né, a partir de março, 3, 4 meses, isso está sendo acertado, com o Executivo, e com o Parlamento também, porque temos que ter responsabilidade fiscal”, disse Bolsonaro em rápida entrevista após evento em Alcântara (MA).

Coronavírus e fala de Pazuello ao Senado

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de quinta (11), o avanço da pandemia em 24 h no país.

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A média móvel de mortes em 7 dias foi de 1.073, alta de 1% frente ao patamar registrado 14 dias antes. Em apenas um dia houve 1.452 mortes, o terceiro maior registro de mortes em 24 horas desde o início da pandemia.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 45.504, queda de 13% frente ao período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 53.993 casos.

Até o momento, 4.584.338 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 2,16% da população brasileira. A segunda dose foi aplicada em 108.735 pessoas, ou 0,05% da população, em Amazonas, Alagoas, Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e no Distrito Federal.

Na quinta-feira, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que o Instituto Adolfo Lutz, vinculado a sua pasta, já confirmou seis casos de contaminação com a nova variante brasileira do coronavírus, encontrada inicialmente no Amazonas, conhecida como P1. Outros três casos foram confirmados por laboratórios privados, totalizando, portanto, nove casos.

Também na quinta, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello falou ao Senado, prestando esclarecimentos sobre o colapso no sistema de Saúde do Amazonas e outras questões ligadas à pandemia.

Em pronunciamento inicial no plenário, o general afirmou que análise realizada por técnicos de sua pasta indica que a variante amazônica do coronavírus é ao menos três vezes mais contagiosa do que o vírus original.

Ele alegou que “as vacinas têm resultado com essa variante”, sem detalhar, no entanto, quais imunizantes teriam demonstrado eficácia ou quais testes teriam sido realizados. Na segunda (8), o Instituto Butantan afirmou que ainda está testando a vacina CoronaVac, desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, contra a nova variante encontrada no Amazonas.

O general Pazuello também prestou esclarecimentos sobre a atuação do governo federal sobre a crise de saúde no estado. Ele afirmou que relatórios da Força Nacional do SUS de 8 de janeiro não teriam indicado falta de oxigênio, mas de “rede de gases” em Manaus.

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Pazuello afirmou: “Rede de gases são os tubos de gases e não o oxigênio que vai dentro. Pressurização entre o município e o estado é regulação entre um e outro”.

Em resposta, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou: “Desculpe-me, esse relatório que falou de rede pressurizada entre município e estado com relação a oxigênio —essa rede não existe, ministro, essa rede não existe. Portanto, não é possível dizer que a falta de oxigênio no Amazonas foi em função de falta de pressão entre redes inexistentes. Isso não é verdade”.

Rússia

O banco central da Rússia deve anunciar sua decisão sobre a taxa de juros mais tarde. Espera-se que o país mantenha as taxas de empréstimos a níveis baixos.

Investidores também acompanham a fala do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Em um fragmento de entrevista publicado no site de sua pasta na manhã desta sexta, Lavrov foi questionado se a Rússia caminhava para uma ruptura com a União Europeia.

O ministro respondeu: “nós partimos do fato de que estamos prontos [para isso]. Caso novamente vejamos sanções para determinados setores que representem riscos para nossa economia, incluindo as esferas mais sensíveis (…) Nós não queremos nos isolar da vida global, mas devemos estar prontos para isso. Se você quer paz, então prepare-se para a guerra”.

A fala ocorre em um momento em que Alexei Navalny, líder da oposição a Vladimir Putin, está preso no país, levando a protestos de setores políticos da União Europeia.

Radar corporativo

A temporada de resultados segue no radar dos investidores. Em destaque, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,695 bilhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 20,1% ante igual período de 2019. Em relação ao trimestre anterior, contudo, houve expansão de 6,1%. A melhora no fim do ano, porém, não foi suficiente para evitar que a instituição terminasse 2020 com queda no lucro acumulado, de 22,2%, para R$ 13,884 bilhões.

Já a varejista de moda Lojas Renner teve queda no lucro do quarto trimestre, uma vez que suas vendas seguiram afetadas por restrições para conter um repique na pandemia de Covid-19. A companhia anunciou nesta quinta-feira que seu lucro líquido de outubro a dezembro somou 354 milhões de reais, queda de 31% no comparativo com igual etapa de 2019. Cesp, Multiplan, Biosev, Sanepar e Engie também apresentam seus números do quarto trimestre.

Além da temporada de resultados, a Vale informou que seu conselho de administração aprovou propostas de incorporação pela empresa da Companhia Paulista de Ferro Ligas e da Valesul Alumínio. Também foi aprovada a cisão parcial da Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), com incorporação da parcela cindida pela Vale, acrescentou a companhia, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários.

A sexta-feira ainda marca o início da negociação das ações da Oceanpact e a precificação de IPO da CSN Mineração.

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)

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Ibovespa Futuro cai em meio a indicadores, exterior e expectativa por novo auxílio; dólar sobe a R$ 5,39

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda nesta sexta-feira (12) em meio ao dia de correção nas bolsas americanas após o S&P 500 renovar máxima máxima histórica. Por aqui, os investidores aguardam pela decisão do governo a respeito do auxílio emergencial.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro, disse que o benefício social seria renovado por três ou quatro meses a partir de março.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que, para que o governo possa conceder novas parcelas do programa, é preciso que o Congresso aprove uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Orçamento de Guerra que, a exemplo do que ocorreu no ano passado, que o autorize a liberar as despesas sem ferir parâmetros fiscais como a regra de ouro e o teto de gastos.

Entre os indicadores, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), cresceu 0,64% em dezembro, acima da mediana das projeções dos economistas compilada pela Refinitiv, que apontava para incremento de 0,4% no indicador no período. No ano, por outro lado, o IBC-Br, que é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) caiu 4,05%.

Às 9h13 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em fevereiro de 2021 tinha queda de 0,53%, a 119.025 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera com leve variação positiva de 0,1% a R$ 5,3926 na compra e a R$ 5,3936 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em março se valoriza em 0,64%, a R$ 5,403.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe um ponto-base a 3,33%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de quatro pontos-base a 4,90%, o DI para janeiro de 2025 avança cinco pontos-base a 6,47% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de quatro pontos-base a 7,16%.

Voltando ao exterior, dados oficiais publicados na sexta indicam queda de 9,9% na economia do Reino Unido em 2020, a maior retração desde o início dos registros modernos. Mas os números indicam que, nos últimos três meses de 2020, o PIB do Reino Unido teve alta de 1%, apesar da imposição de novas medidas de lockdown em um esforço para desacelerar a propagação do coronavírus.

Já nos Estados Unidos, parlamentares democratas que conduzem o processo de impeachment contra o ex-presidente, Donald Trump, encerraram suas falas concluindo que o ataque ao Capitólio, sede do poder Legislativo americano, seria a culminação de uma Presidência marcada por mentiras e por uma retórica violenta.

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Eles afirmam que Trump continuaria a ser uma ameaça a política americana, caso não sofra impeachment e perca o direito de manter um cargo político.

Nesta sexta, mercados na China e na maior parte do Sudeste Asiático estão fechados por conta do feriado do Ano Novo Lunar. Os mercados chineses de títulos, comércio exterior, commodities futuras devem continuar fechados até 17 de fevereiro.

Bolsonaro e auxílio emergencial

O presidente Jair Bolsonaro demonstrou irritação com o mercado financeiro, que apresenta instabilidade nos últimos dias com o temor de que a prorrogação do auxílio emergencial e os planos de reduzir impostos sobre combustíveis desrespeitem pilares macroeconômicos como o teto de gastos, a regra de ouro e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Nós queremos tratar da diminuição dos impostos num clima de tranquilidade e não num clima conflituoso no Brasil. E o pessoal do mercado, qualquer coisa que se fala aqui, vocês ficam aí irritadinhos na ponta da linha, né. Sobe dólar, cai a bolsa”, afirmou, em sua live semanal nas redes sociais.

“Pessoal, se o Brasil não tiver um rumo, todo mundo vai perder. Vocês também, pô. Então vamos deixar de ser irritadinhos que não vai levar a lugar nenhum. A gente está buscando soluções. Uma das maneiras de nós diminuirmos o preço do combustível é se o dólar cair aqui dentro. Mas qualquer negocinho, qualquer boato na imprensa, está aí esse mercado nosso, irritadinho. Aí sobe o dólar. Todo mundo perde com isso, pessoal”, acrescentou.

Mais cedo, na véspera, Bolsonaro afirmou que o governo estuda renovar o auxílio emergencial por três ou quatro meses a partir de março, e voltou a defender a necessidade de se fazer isso com “responsabilidade fiscal”.

“Está quase certo, ainda não sabemos o valor, com toda certeza, a partir… com toda certeza, pode não ser, né, a partir de março, 3, 4 meses, isso está sendo acertado, com o Executivo, e com o Parlamento também, porque temos que ter responsabilidade fiscal”, disse Bolsonaro em rápida entrevista após evento em Alcântara (MA).

Coronavírus e fala de Pazuello ao Senado

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de quinta (11), o avanço da pandemia em 24 h no país.

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A média móvel de mortes em 7 dias foi de 1.073, alta de 1% frente ao patamar registrado 14 dias antes. Em apenas um dia houve 1.452 mortes, o terceiro maior registro de mortes em 24 horas desde o início da pandemia.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 45.504, queda de 13% frente ao período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 53.993 casos.

Até o momento, 4.584.338 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 2,16% da população brasileira. A segunda dose foi aplicada em 108.735 pessoas, ou 0,05% da população, em Amazonas, Alagoas, Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e no Distrito Federal.

Na quinta-feira, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que o Instituto Adolfo Lutz, vinculado a sua pasta, já confirmou seis casos de contaminação com a nova variante brasileira do coronavírus, encontrada inicialmente no Amazonas, conhecida como P1. Outros três casos foram confirmados por laboratórios privados, totalizando, portanto, nove casos.

Também na quinta, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello falou ao Senado, prestando esclarecimentos sobre o colapso no sistema de Saúde do Amazonas e outras questões ligadas à pandemia.

Em pronunciamento inicial no plenário, o general afirmou que análise realizada por técnicos de sua pasta indica que a variante amazônica do coronavírus é ao menos três vezes mais contagiosa do que o vírus original.

Ele alegou que “as vacinas têm resultado com essa variante”, sem detalhar, no entanto, quais imunizantes teriam demonstrado eficácia ou quais testes teriam sido realizados. Na segunda (8), o Instituto Butantan afirmou que ainda está testando a vacina CoronaVac, desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, contra a nova variante encontrada no Amazonas.

O general Pazuello também prestou esclarecimentos sobre a atuação do governo federal sobre a crise de saúde no estado. Ele afirmou que relatórios da Força Nacional do SUS de 8 de janeiro não teriam indicado falta de oxigênio, mas de “rede de gases” em Manaus.

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Pazuello afirmou: “Rede de gases são os tubos de gases e não o oxigênio que vai dentro. Pressurização entre o município e o estado é regulação entre um e outro”.

Em resposta, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou: “Desculpe-me, esse relatório que falou de rede pressurizada entre município e estado com relação a oxigênio —essa rede não existe, ministro, essa rede não existe. Portanto, não é possível dizer que a falta de oxigênio no Amazonas foi em função de falta de pressão entre redes inexistentes. Isso não é verdade”.

Rússia

O banco central da Rússia deve anunciar sua decisão sobre a taxa de juros mais tarde. Espera-se que o país mantenha as taxas de empréstimos a níveis baixos.

Investidores também acompanham a fala do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Em um fragmento de entrevista publicado no site de sua pasta na manhã desta sexta, Lavrov foi questionado se a Rússia caminhava para uma ruptura com a União Europeia.

O ministro respondeu: “nós partimos do fato de que estamos prontos [para isso]. Caso novamente vejamos sanções para determinados setores que representem riscos para nossa economia, incluindo as esferas mais sensíveis (…) Nós não queremos nos isolar da vida global, mas devemos estar prontos para isso. Se você quer paz, então prepare-se para a guerra”.

A fala ocorre em um momento em que Alexei Navalny, líder da oposição a Vladimir Putin, está preso no país, levando a protestos de setores políticos da União Europeia.

Radar corporativo

A temporada de resultados segue no radar dos investidores. Em destaque, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,695 bilhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 20,1% ante igual período de 2019. Em relação ao trimestre anterior, contudo, houve expansão de 6,1%. A melhora no fim do ano, porém, não foi suficiente para evitar que a instituição terminasse 2020 com queda no lucro acumulado, de 22,2%, para R$ 13,884 bilhões.

Já a varejista de moda Lojas Renner teve queda no lucro do quarto trimestre, uma vez que suas vendas seguiram afetadas por restrições para conter um repique na pandemia de Covid-19. A companhia anunciou nesta quinta-feira que seu lucro líquido de outubro a dezembro somou 354 milhões de reais, queda de 31% no comparativo com igual etapa de 2019. Cesp, Multiplan, Biosev, Sanepar e Engie também apresentam seus números do quarto trimestre.

Além da temporada de resultados, a Vale informou que seu conselho de administração aprovou propostas de incorporação pela empresa da Companhia Paulista de Ferro Ligas e da Valesul Alumínio. Também foi aprovada a cisão parcial da Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), com incorporação da parcela cindida pela Vale, acrescentou a companhia, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários.

A sexta-feira ainda marca o início da negociação das ações da Oceanpact e a precificação de IPO da CSN Mineração.

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)

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