Commodities agrícolas: ainda fortes ou no fim do ciclo de alta? Confira a opinião de analistas e o impacto nas ações

Produção de soja, commodities, agricultura (fotokostic/GettyImages)

SÃO PAULO – Os preços das commodities agrícolas, em especial grãos como a soja e o milho, dispararam ao longo do primeiro semestre de 2021, o que teve impacto disseminado na economia brasileira. Tanto efeitos positivos, uma vez que o Brasil tem o perfil de exportador dessas commodities, quanto negativos, pois a inflação de alimentos e o setor de frigoríficos acabaram sentindo essa valorização.

A dúvida hoje é se essa trajetória de incremento nos valores dos grãos irá continuar pelos próximos meses ou se o superciclo já acabou.

Em números, é importante ressaltar que a soja teve um aumento de 12,9% no seu valor desde o fim do ano passado, atingindo R$ 173,75 a saca de 60 kg no fechamento da terça-feira (16) segundo dados da Esalq/BM&F Bovespa. O milho se valorizou ainda mais, acumulando ganhos de 27,01% até ontem, a R$ 99,89 a saca de 60 kg.

Segundo Leonardo Alencar, analista da XP, o cenário atual não permite análises de queda no preço de grãos até 2022. “A colheita de milho da safrinha [com plantio nos meses de fevereiro e março depois da colheita da safra principal] teve sucessivas revisões para baixo e como o preço está muito alto, há previsões até de possibilidade de aumento na importação de milho”, explica.

A estiagens e as ondas de frio recentes fizeram com que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisasse suas projeções para a safra total de 2021, que de recorde histórico agora é estimada em queda de 1,2% ante a anterior, totalizando 253,98 milhões de toneladas.

Para Alencar, esperar um fim no ciclo de alta de grãos e outras commodities agrícolas até 2022 enquanto a demanda global se recupera dos impactos do coronavírus e os efeitos climáticos adversos estão cada vez mais presentes é, no mínimo, temerário.

“Não vejo queda em 2022. Os preços devem, no máximo, mostrar acomodação até lá. Esperar queda, com os riscos climáticos atuais, está cada vez mais arriscado”, defende.

Essa avaliação é oposta à da equipe de análise do Bradesco BBI, que acredita que as commodities agrícolas estão no fim do seu ciclo de valorização.

O analista Leonardo Fontanesi escreve em relatório que historicamente os preços de commodities agrícolas têm ciclos de alta (como o que vem ocorrendo de 2019 a 2021) de dois anos, em média, com um incremento de aproximadamente 20% ao ano no valor de cada grão, ao passo que os ciclos de queda duram, em média, três anos e meio e os preços caem em torno de 10% ao ano.

PUBLICIDADE

“Esperamos um declínio de 30% nos preços de produtos agrícolas até 2024, ao mesmo tempo em que o consenso da Bloomberg projeta uma retração de 15%”, ressalta Fontanesi.

Os motivos para essa previsão não são meramente estatísticos. O analista do Bradesco BBI considera provável que a China corte importações de produtos agrícolas até 2022 depois dessas compras avançarem 50% nos últimos dois anos.

“Este aumento nas importações ocorreu porque a China dobrou seu número de criação de porcos nos últimos dois anos, depois de perder animais para a peste suína africana de 2018, e precisava comprar comida para alimentá-los. A população de suínos da China é relevante para a agricultura global porque a carne de porco é de longe a proteína mais importante do país e as necessidades de ração da China são responsáveis ​​por aproximadamente 15% da demanda global de trigo, milho e soja”, destaca o Bradesco.

Todavia, desde junho de 2021, as margens da indústria de suínos chinesa se tornaram negativas com um excesso de oferta de porcos e custos mais altos de grãos. “Nós estimamos que os preços do milho na China (correlacionados com os EUA e o Brasil) têm que cair de 20% a 30% para que as margens voltem a convergir para a média histórica.”

A questão do plantel de suínos da China, por outro lado, não existe sem algum grau de controvérsia. Leonardo Alencar diz ver com ceticismo esse anúncio do país de que repôs os rebanhos perdidos durante a epidemia da febre suína.

“Na nossa leitura, o preço deve começar a subir novamente. Nos últimos tempos, os pecuaristas chineses voltaram a abater animais com medo da peste. Teremos ainda aquela demanda extraordinária que ocorre no ano-novo chinês [em 1º de fevereiro] e a população do país está consumindo cada vez mais carne, inclusive proteínas de origem mais diversificada, graças ao aumento da renda”, argumenta.

A opinião do analista da XP é que os preços cairiam apenas se a demanda recuasse devido a um recrudescimento da pandemia, mas que nem isso é certo, pois as últimas ondas da Covid-19 foram mitigadas pelo suporte de programas governamentais.

Na linha dessas projeções mais otimistas com grãos, a equipe de análise do Bank of America comenta que a Balança Comercial brasileira mostrou que as exportações de alimentos no segundo trimestre foram muito fortes em todos os quesitos, com os preços em dólares avançando dois dígitos na comparação com o mesmo período do ano passado.

PUBLICIDADE

“O bom desempenho vem na hora certa, conforme as empresas sofrem no mercado doméstico com um desafiador pass-through [impacto da depreciação da moeda local na inflação] para os consumidores e custos em alta”, escrevem os analistas Guilherme Palhares e Isabella Simonato.

Para o segundo semestre deste ano, a equipe do BofA espera que a demanda chinesa e a reativação da cadeia global de serviços alimentícios sejam os principais catalisadores para volumes e preços, providenciando um impulso para a atual inflação de custos.

Frigoríficos sofrem

Enquanto empresas que vendem commodities agrícolas como SLC (SLCE3), Brasil Agro (AGRO3) e Terra Santa ([ativo=LAND3]) se beneficiam desse quadro de elevações no valor de grãos, frigoríficos como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3) e, principalmente BRF (BRFS3), são impactadas negativamente.

Alencar destaca que aves e suínos têm alimentação quase que 100% composta de rações de milho e de farelo de soja. Como a BRF é a companhia do setor mais posicionada na venda de carne de aves e porcos, acaba sendo a mais afetada.

Marfrig e JBS, por sua vez, sofreriam impactos menores, pois o uso de grãos na dieta do boi ocorre apenas quando ele está em confinamento e as duas empresas têm ainda um outro trunfo, que são suas operações nos Estados Unidos.

“O cenário americano é de boa oferta e bons preços, com uma demanda muito aquecida nesta retomada pós-Covid. O maior problema para essas empresas no Brasil atualmente não é nem tanto o aumento dos custos como a demanda pressionada”, afirma.

Vale lembrar que no segundo trimestre de 2021, a Marfrig teve seu melhor desempenho histórico, lucrando R$ 1,7 bilhão, alta de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um resultado impulsionado pelos EUA.

A operação dos Estados Unidos, de acordo  analistas da XP, foi responsável por 96% do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) total da Marfrig. O preço do gado aumentou 12% na comparação anual, mas o preço da carne bovina veio em linha com o segundo trimestre de 2020 e os spreads caíram 8,9%, algo que os analistas da casa veem como positivo.

PUBLICIDADE

Leia também 

Mais de 70% da receita: como a Marfrig ancorou seu balanço na forte demanda por carne bovina dos americanos

A JBS, por sua vez, teve lucro líquido recorde de R$ 4,4 bilhões no 2º trimestre. Na teleconferência de resultados, o CEO da companhia, Gilberto Tomazoni, apontou que o custo de produção dos animais vivos aumentou com a alta dos preços dos grãos, porém que a redução do volume de carne suína produzida, que foi impactada pelas condições climáticas e pela escassez de mão de obra combinada com o crescimento da demanda acima do esperado, impulsionaram o preço deste tipo de carne no mercado doméstico.

Já a BRF teve prejuízo líquido de R$ 199 milhões no trimestre, revertendo um lucro de R$ 307 milhões na base anual.

Na teleconferência de resultados, Lorival Luz, CEO da empresa, disse que cada vez mais o custo médio do estoque de grãos ou de outros insumos e matérias-primas da empresa vão aumentar. “Com os desafios desta safra e das próximas, de forma geral o custo de produção – e é visto já na margem do produtor – chegará a todas as empresas, todas as indústrias. O que traz a necessidade que exista o reequilíbrio sustentável da nossa operação”, defendeu.

Segundo o CEO, o caixa de R$ 9 bilhões do frigorífico, combinado com um valor relativamente baixo de vencimentos de curto prazo (R$ 700 milhões em 2021), permitem que impactos como o do atual patamar dos preços de grãos sejam mitigados.

“A companhia está absolutamente preparada, robusta, com uma liquidez financeira, suficiente para que atravessemos esse segundo semestre mesmo com um aumento de grãos, o aumento de custos que tivemos”, assegurou.

Falando especificamente do mercado de carne, o BofA ressalta que apesar da baixa disponibilidade de gado e da queda de 7% em volumes na comparação anual durante o segundo trimestre, os preços atingiram recordes históricos em junho.

“Em junho, os preços de carne bovina chegaram a US$ 5,20 por kg, valor 21% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado e 5% acima de maio”, destacam os analistas. Para eles, essa sequência de valorizações levou os preços no segundo trimestre a subirem 14% em dólar e 11% em reais.

“Nós acreditamos que uma performance assim poderia ser em larga medida explicada por uma crescente demanda da China depois que plantéis de porcos foram abatidos. A reativação do canal de serviços alimentícios e restrições de oferta tanto na Austrália quanto no Brasil devem continuar provocando alta de preços”, explica o BofA.

O banco lembra que as margens de exportação de carne atingiram uma média de 15% no segundo trimestre, estável na comparação com o trimestre anterior apesar do aumento de 5% no preço médio do gado.

Já o mercado de aves, segundo os analistas, foi destaque pelos fortes volumes e preços. O volume diário médio bateu 12,1 mil toneladas em junho, em um crescimento de 13% em relação ao segundo trimestre de 2020, ao mesmo tempo em que os preços em dólares aumentaram em 4%.

“A demanda internacional por aves deve se beneficiar diretamente da recuperação do canal de serviços alimentícios, especialmente na região do Oriente Médio, onde o consumo depende do turismo”, escreve a equipe do BofA.

Entretanto, o banco aponta riscos no horizonte vindos da Arábia Saudita, que representa 14% do mercado externo de aves do Brasil. O país tem banido importações de diversos frigoríficos.

Já em suínos, as exportações de carne de porco tiveram, segundo o BofA, mais um ótimo mês, com os volumes crescendo 11% na comparação mensal em junho e 12% na base anual, tornando-se o melhor mês da história em termos de volumes exportados pelo Brasil, em mil toneladas por dia.

“Os preços em dólar ficaram estáveis na comparação mensal em junho, mas cresceram 21% na comparação anual, totalizando US$ 2,60 por kg. No segundo trimestre, os volumes se expandiram em 25% na base trimestral e os preços melhoraram em aproximadamente 5% na mesma base, implicando um sonoro crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2020.”

Para os analistas, esse desempenho comprova a opinião do banco de que apesar da China estar recompondo o seu plantel de porcos, a produção ainda está baixa devido aos mais baixos níveis de rentabilidade da carne.

“Esperamos que a demanda continue forte no segundo trimestre depois da liquidação de estoques que ocorreu no primeiro semestre na região, o que beneficia exportadores brasileiros.”

Revisões do Bradesco

Devido à visão mais negativa dos seus analistas para commodities agrícolas, o Bradesco BBI revisou recentemente as recomendações para uma série de papéis.

Ambev (ABEV3) foi de neutro para compra em meio à aposta de que os custos agrícolas irão cair. “Leva cerca de 12 meses para que os preços das commodities reflitam nos resultados da Ambev dados os hedges, mas o mercado provavelmente irá antecipar ganhos mais fortes devido à queda nos preços agrícolas”, escreve a equipe do banco. O múltiplo valor de mercado da empresa dividido pelo lucro (P/L) da Ambev cairia, assim, de 20 vezes em 2022 (contra 23 vezes na média histórica) para 17 vezes em 2023, um patamar considerado atrativo.

O preço-alvo das ações ABEV3 é de R$ 21,00, o que corresponde a uma valorização de 19,73% sobre o nível de fechamento dos papéis na sexta-feira (20).

A São Martinho (SMTO3), por sua vez, teve recomendação cortada de compra para neutra. “Dada nossa visão mais baixista sobre os preços agrícolas, cortamos nossa previsão de preço do açúcar em cerca de 5% na média para 2022.”

O preço-alvo das SMTO3 projetado pelo Bradesco é de R$ 38,00, em um upside de 16,31% ante o fechamento da sexta.

Já a M.Dias Branco (MDIA3) foi mantida como a top pick do setor para o Bradesco, pois na visão dos analistas a fabricante de biscoitos e bolachas sofreu forte compressão na margem por conta do aumento nos custos agrícolas e, com preços mais baixos das commodities a partir do segundo semestre a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita líquida) se recuperaria de 7% em 2021 para 16% em 2022.

O preço-alvo das ações MDIA3 é de R$ 40, o que equivale a uma alta de 22,29% na comparação com o fechamento da sexta.

Para os frigoríficos, as recomendações do Bradesco não foram alteradas, embora os analistas tenham elevado estimativas de Ebitda para 2021 e 2022 em 10% em média para JBS e Marfrig. As projeções a partir de 2023, por outro lado, foram reduzidas pela visão revisada das margens da carne bovina nos EUA com base na previsão de oferta de gado.

“Embora tenhamos reduzido nossas estimativas de custo de grãos para nossa cobertura de proteína (responsável por cerca de 30% dos custos totais para BRF e aproximadamente 12% para JBS, mas não é relevante para Marfrig), que impacta principalmente as divisões de frangos, suínos e alimentos processados dessas empresas, nós conservadoramente assumimos que este impacto será principalmente compensado por preços mais baixos de carne fresca, dado que o excesso de oferta de carne suína na China pode pesar sobre as importações, fazendo com que nossas estimativas da BRF mudem apenas ligeiramente.”

Os preços-alvos de JBS, Marfrig e BRF projetados pelo Bradesco são R$ 38,00, R$ 25,00 e R$ 32,00. Os upsides esperados até atingir esses valores são 19,84%, 24,01% e 34,74% respectivamente.

Abaixo uma tabela com um compilado da Refinitiv de recomendações de bancos, corretoras e casas de análise para as empresas citadas.

Empresa Ticker Recomendações de compra Recomendações neutras Recomendações de venda Preço-alvo médio Valorização (upside) esperado
Ambev ABEV3 4 7 4 R$ 17,20 -1,94%
BRF BRFS3 4 8 1 R$ 28,69 +20,8%
JBS JBSS3 11 0 0 R$ 42,17 +32,99%
Marfrig MRFG3 8 4 0 R$ 23,36 +15,87%
M.Dias Branco MDIA3 3 4 2 R$ 34,81 +6,42%
São Martinho SMTO3 7 7 0 R$ 35,89 +9,86%

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

Após 7 dias em queda, preços do petróleo saltam 3% com desvalorização do dólar

Instalações de petróleo da Aramco Instalações de petróleo da Aramco (divulgação)

LONDRES (Reuters) – Os preços do petróleo saltavam 3% nesta segunda-feira, recuperando-se de uma sequência de sete dias de perdas, apoiados pela desvalorização do dólar, apesar das preocupações de demanda causadas pelo aumento no número de casos da variante Delta do coronavírus.

Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o petróleo Brent avançava cerca de 3%, a 67,11 dólares por barril, após ter atingido o menor nível desde 21 de maio, a 64,60 dólares.

Já o petróleo dos Estados Unidos (WTI) para entrega em outubro apurava alta de 2,85%, a 63,93 dólares/barril.

Ambas as referências haviam registrado na semana passada as maiores perdas semanais em mais de nove meses, com o Brent cedendo cerca de 8% e o WTI recuando por volta de 9%.

Muitas nações têm respondido ao aumento das taxas de infecção pelo coronavírus com a imposição de novas restrições de circulação.

“Esperamos ver mais ajustes nesta semana, mas o sentimento do mercado provavelmente permanecerá baixista, com o aumento das preocupações com a desaceleração da demanda por combustíveis no mundo”, disse Kazuhiko Saito, analista-chefe da Fujitomi Securities.

Curso gratuito ensina a ter consistência na bolsa para ganhar e rentabilizar capital. Participe!

Para presidente da Anglo American no Brasil, preço do minério é incógnita

A brusca desvalorização do minério de ferro é um movimento irracional, e o melhor para as empresas é “assistir da arquibancada” à flutuação da commodity, sem “participar do jogo”, afirma o presidente da Anglo American no Brasil, Wilfred Bruijn, o Bill. Ao Estadão, ele reconhece que a instabilidade gera uma incógnita sobre o preço a ser lançado pelas empresas no orçamento de 2022.

Na semana passada, o preço “spot” do minério com 62% de teor de ferro para entrega na China, referência do produto, acumulou perdas de US$ 30 de terça a quinta-feira, negociado ao menor valor em seis meses. Na sexta-feira, o minério recuperou US$ 7 das perdas, cotado a US$ 140,44 a tonelada, mas o sentimento ainda era de cautela.

Para Bruijn, a desvalorização tem origem nas medidas regulatórias do governo chinês para reduzir a produção de aço, o que resultaria em menor demanda por minério.

“O sentimento era de que a queda estacionaria em algum ponto, mas não foi o que aconteceu. O preço continuou caindo”, diz o executivo. “É algo mais emotivo de um mercado que busca um novo patamar. Não sei dizer se o próximo movimento vai ser de mais uma queda de 20% ou uma alta de 20%.”

Apesar da baixa recente, a commodity permanece negociada acima dos valores de antes da pandemia. Em fevereiro de 2020, o produto era vendido perto de US$ 80 a tonelada, quase a metade da cotação de sexta-feira. O avanço seria resultado de um mercado “apertado”, fruto da pouca oferta adicional de minério no mundo e uma demanda crescente, sobretudo das siderúrgicas da China.

Bill explica que a oscilação de preços acaba refletida no balanço financeiro, uma vez que a companhia não “trava” a cotação em operações de hedge. A Anglo American deve produzir, neste ano, de 24 a 25 milhões de toneladas de minério de ferro no sistema Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG). A produção é exportada, sobretudo, para China, Coreia do Sul, Taiwan e Oriente Médio.

Investimentos

As incertezas não devem afetar o plano de investimentos no país. Segundo Bill, estão sendo investidos US$ 200 milhões no sistema Minas-Rio, que, além da mina, conta com uma planta de beneficiamento e um mineroduto de 529 quilômetros de extensão até o Porto de Açu, no Rio. No ano que vem, serão mais US$ 250 milhões investidos para aprimorar a operação e a manutenção da operação.

A unidade brasileira da Anglo trabalha ainda para cumprir, neste ano, a meta de utilizar 100% de energia renovável em suas atividades, incluindo uma parcela de autoprodução. Segundo ele, hoje, 96% da energia consumida pela operação local é renovável, entre eólica e solar. Para atingir a meta de 100%, a empresa aguarda apenas o vencimento de um contrato mais antigo de energia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Curso gratuito ensina a ter consistência na bolsa para ganhar e rentabilizar capital. Participe!

PUBLICIDADE

Lucros saltaram, mas temporada do 2º tri foi mesmo positiva? Veja ações e setores que se destacaram – e o que esperar daqui para frente

Investment stock market Entrepreneur Business Man discussing and analysis graph stock market trading,stock chart concept (Getty Images)

SÃO PAULO – A temporada de resultados do segundo trimestre de 2021 teve fim nesta semana, dando indicações bastante importantes sobre a recuperação das empresas um ano depois após o pior período de restrições com a pandemia do coronavírus – ainda que alguns impactos sigam sendo percebidos em diversos setores da economia.

À primeira vista, os dados são bastante fortes: de acordo com levantamento da Economática, as companhias não financeiras da B3 tiveram crescimento de 1.026% no lucro na comparação com igual período de 2020, para R$ 74 bilhões, em conta que exclui as gigantes Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3PETR4). Quando a petroleira e a mineradora são incluídas, o avanço salta para 1.615%, chegando a R$ 157 bilhões, ante R$ 9 bilhões do ano passado.

Cabe destacar que o crescimento na alta anual foi forte por conta da baixa base de comparação em relação ao segundo trimestre de 2020, no auge do impacto da pandemia de coronavírus na economia.

De qualquer modo, na avaliação do Bank of America, a safra de resultados do segundo trimestre no Brasil teve um encerramento em tom positivo, com a relação entre os balanços que superaram as estimativas e as que decepcionaram (número de companhias que superaram projeções/empresas que decepcionaram) sendo de 1,8 vez, levando em conta as principais estimativas do mercado para lucro, receita, lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda). Ou seja, o número de empresas que superou as estimativas foi quase o dobro das decepções.

A XP também destaca os números positivos e ressalta que, com a melhora nas perspectivas econômicas e redução de riscos ao longo do segundo trimestre, os lucros continuaram a mostrar crescimento.

“E é importante lembrar que os lucros gerados pelas empresas são os fatores que impulsionam a Bolsa no médio e longo prazo”, apontam em relatório Fernando Ferreira e Jennie Li, estrategistas de ações da XP.

Mas isso nem sempre quer dizer que os números apresentados levaram a um impacto positivo para as ações imediatamente após a divulgação, conforme também aponta estudo da XP – esse  levantamento contou com  cerca de 83% das empresas do Ibovespa, que divulgaram resultados até o dia 13. As companhias que surpreenderam as estimativas do consenso quanto aos lucros operacionais e receita tiveram um desempenho médio de queda de 1,1% e de 1,2%, respectivamente, depois dos resultados. Enquanto isso, as companhias que desapontaram as expectativas foram mais penalizadas, com uma média de desempenho com queda de 1,8% e de 2,1% para os mesmos indicadores, avalia a estrategista Jennie Li.

A explicação para tanto foi que o Ibovespa também foi pressionado, desde o início da temporada, por um aumento de incertezas políticas e riscos fiscais.

Contudo, não é só por conta somente do cenário macroeconômico que alguns papéis de empresas não reagiram positivamente ao balanço: possíveis indicações mais negativas sobre os próximos trimestres também pesaram nos papéis.

PUBLICIDADE

Um exemplo claro é o caso do e-commerce, conforme destacou Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos. As companhias do setor, aponta, conseguiram alcançar uma dinâmica interessante no segundo trimestre, com alta nas vendas online mesmo em meio a uma base de comparação bastante forte no segundo trimestre de 2020, quando elas foram particularmente beneficiadas por conta das maiores restrições.

Porém, os principais ativos com maior exposição ao setor reagiram com forte queda após o resultado. No dia 12 de agosto, a ação da Via (VIIA3) caiu 7,3% e, no dia seguinte, Americanas (AMER3) teve baixa de 7,88% e Magazine Luiza (MGLU3) fechou em queda de 3,34% na sessão pós-balanço (veja mais clicando aqui).

Esse movimento ocorre uma vez que a competição mais acirrada tem sido uma preocupação crescente no segmento, em um cenário em que os lucros divulgados recentemente mostraram margens pressionadas e comissões menores, enquanto empresas internacionais continuam investindo fortemente no país.

Já para outras varejistas, o Bank of America destaca que algumas conseguiram se destacar com o case de reabertura, como Lojas Renner (LREN3), Petz (PETZ3) e Vivara (VIVA3).

Um setor que é visto como uma surpresa positiva e que pode seguir se destacando com uma boa performance é o de shoppings, destaca Akamine, também em meio à tese da reabertura. O Credit Suisse também apontou que, para frente, o sentimento com relação ao setor é positivo, principalmente com relação ao ritmo de recuperação.

Commodities: siderúrgicas em destaque, mas… 

O setor de commodities, mais uma vez, foi um grande destaque, que ficou particularmente com as siderúrgicas, aponta Akamine, com lucros e revisões para cima nas projeções em meio a um cenário para o segundo trimestre que já se apontava bastante positivo para as companhias com os fortes preços das commodities.

A CSN (CSNA3) reportou um lucro líquido de R$ 5,5 bilhões no segundo trimestre de 2021, o que corresponde a uma queda de 3% ante o primeiro trimestre, mas uma disparada de 1.136% na comparação com o mesmo período do ano passado (aumento de 12 vezes). O lucro da Gerdau (GGBR4) foi de de R$ 3,934 bilhões, alta de 1.149% na comparação anual e de 59% frente aos três primeiros meses de 2021.

Já a Usiminas (USIM5) teve um lucro líquido de R$ 4,5 bilhões no segundo trimestre de 2021, revertendo o prejuízo líquido de R$ 395 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado representa um aumento de 277% ante o trimestre anterior (de R$ 1,2 bilhão nos primeiros três meses de 2021) e é um lucro recorde trimestral para a companhia.

PUBLICIDADE

Porém, muito além do lucro, as companhias registraram números recordes em outras linhas do balanço. A visão da maior parte dos analistas segue de otimismo para os ativos de siderúrgicas mas, conforme pontua Akamine, atualmente, há um ambiente bem maior de incerteza sobre commodities metálicas.

Cabe ressaltar que, nas últimas semanas, além de haver uma maior preocupação com a queda da demanda por conta da variante delta e o seu impacto na atividade econômica, a atuação da China, que vem pressionando o mercado de commodities pressionando siderúrgicas a limitarem a produção para reduzir a poluição.

Também entre as ações pressionadas, estão as da Vale (VALE3) que, no segundo trimestre, registrou lucro líquido de R$ 40,095 bilhões no segundo trimestre de 2021. Na comparação com igual período do ano passado, o salto do lucro foi de 658%.

Contudo, os números acabaram decepcionando o mercado, principalmente a linha do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), em meio aos custos acima do esperado. Na ocasião, o otimismo com a mineradora continuou “intacto” (veja mais clicando aqui), com os investidores também de olho nos altos dividendos a serem pagos pela companhia. O ânimo do mercado continua a ser testado, com os ativos sendo pressionados recentemente (nesta semana, os papéis operaram abaixo de R$ 100 pela primeira vez desde abril) em meio à volatilidade do minério.

Entre os destaques das commodities, não poderia faltar a Petrobras (PETR3;PETR4), que ganhou R$ 30,7 bilhões de valor de mercado apenas na sessão após resultado, principalmente por conta do anúncio da antecipação do pagamento de dividendos no valor de R$ 31,6 bilhões no mesmo dia. O BofA também ressalta que a empresa foi o destaque entre as exportadoras, com altos preços realizados e crescimento dos volumes.

Porém, apesar desse movimento ter representado que a companhia fez “as pazes” com os investidores após um início de ano bastante turbulento com a troca de CEOs, os investidores e analistas de mercado seguem monitorando o risco político, ainda mais levando em conta a proximidade das eleições presidenciais de 2022, que devem adicionar mais volatilidade ao papel.

No segmento de distribuição de combustíveis, quem acabou sendo o grande destaque negativo foi a Ultrapar (UGPA3), que viu as suas ações caírem 12% após o balanço, em meio aos dados fracos da rede de postos de combustíveis Ipiranga. Com os volumes ainda em recuperação, a então BR Distribuidora, agora Vibra Energia (BRDT3), também registrou números abaixo do esperado, ainda que as projeções para a companhia sejam mais positivas.

Na avaliação dos analistas do Credit Suisse, o progresso da vacinação, o ganho de participação de mercado dos postos com bandeiras e a privatização de refinarias são importantes para a agora Vibra, que recentemente anunciou um reposicionamento de marca, de forma a mostrar que não é apenas uma distribuidora de combustíveis, mas uma empresa de energia (veja mais clicando aqui).

Alimentos, bebidas e construção: impactadas por altos custos

PUBLICIDADE

Entre as empresas de alimentos, companhias como a JBS (JBSS3) e a Marfrig (MRFG3) se beneficiaram do cenário de alta demanda nos Estados Unidos mas, de uma forma geral, os resultados das companhias no Brasil foram afetados pela inflação dos custos de insumos, com a forte alta dos preços dos grãos (veja mais clicando aqui, aqui e aqui).

Na mesma linha, a Ambev (ABEV3reportou seus resultados com dados que, a princípio, se apresentaram como bastante sólidos, com a companhia mais que dobrando o seu lucro, chegando perto dos R$ 3 bilhões. Apesar disso, e embora tenha apresentado um forte volume de vendas no período, tanto no mercado doméstico quanto internacional, o grande desafio para a companhia permanece o da pressão de custos, que teve aumento da ordem de 20% no período, com preços altos para a maioria das matérias-primas e real desvalorizado frente ao dólar, levando o custo por hectolitro a subir mais rápido do que os preços médios.

De um setor bastante diferente, mas também sofrendo com a alta dos custos, esteve o setor de construção. A alta da inflação pressionou os custos de materiais de construção e levou grande parte das incorporadoras e construtoras a apresentarem margens menores no período.

Enquanto o segmento de baixa renda foi o mais impactado, devido à maior sensibilidade dos clientes ao aumento de preços e ao teto de valor dos programas habitacionais, as construtoras residenciais de média e alta renda conseguiram repassar parte do preço – mas não saíram imunes. Confira mais clicando aqui. 

Nesse cenário, o Credit Suisse aponta que, ainda que o cenário de curto prazo pareça atrativo para as incorporadoras de média e alta renda, as preocupações para o segundo semestre têm aumentado em função do aumento das taxas de financiamento e do preço dos imóveis, bem como diante de uma competição mais acirrada.

Com relação às incorporadoras voltadas para o segmento de baixa renda, a avaliação do banco é negativa, dado que o aumento dos custos de materiais pesou bastante para o segmento.

Saúde: Números negativos, mas que podem se recuperar

Por mais um trimestre, o destaque negativo ficou para os balanços de seguradoras, de operadoras de plano de saúde e rede de hospitais, bastante impactadas pelos efeitos da Covid-19. Contudo, destaca Akamine, a depender da atuação da companhia, o desempenho pior pode ser temporário, com as atividades se normalizando à medida que a vacinação acelerar (e a depender também do efeito da variante delta).

Entre os números que mais desagradaram o mercado, destaque negativo para a ação da Qualicorp (QUAL3), que despencou mais de 15% após o balanço. A empresa líder no Brasil na comercialização, administração e gestão de planos de saúde coletivos por adesão e empresariais  teve adições nos seus planos no segundo trimestre, mas em troca de altas despesas, enquanto o índice de cancelamento dos clientes (churn) mais alto também decepcionou.

Em teleconferência, a companhia destacou que o reajuste nos planos de saúde por adesão, aplicado no segundo trimestre, levou ao cancelamento de 138,2 mil convênios médicos na Qualicorp, uma alta de 71% na base anual. Da elevação de 23,2%, uma fatia de 14,8% é referente ao reajuste do ano passado, que foi adiado para 2021. Após o resultado, o Credit Suisse rebaixou a recomendação das ações de outperform (desempenho acima da média do mercado) para neutro.

Mudando o segmento, mas ainda relacionado à área de saúde, após o resultado, o Itaú BBA revisou para baixo as suas projeções de lucro para Caixa Seguridade (CXSE3) e para BB Seguridade (BBSE3), destacando que os resultados de ambas as companhias foram duramente afetados.

O efeito da segunda onda de Covid no balanço das seguradoras foi a elevação dos índices de sinistralidade, que é a relação entre os custos dos serviços garantidos aos clientes no caso de um “sinistro” (por exemplo, morte do segurado em um seguro de vida) e os valores recebidos pelas seguradoras pela contratação dos planos. Contudo, os analistas seriam positivos com a ação da Caixa Seguridade.

Já a Notre Dame Intermédica (GNDI3) destacou ter enfrentado o seguinte fenômeno, conforme explicou em relatório.: “…há uma tendência cada vez mais presente de retorno gradual dos comportamentos pré-pandemia, que inclui uma pressão pelo retorno de procedimentos médicos de rotina e eletivos que ocorrem simultaneamente aos custos associados aos tratamentos da pandemia do Covid-19, que ainda impõe uma sobrecarga de custo significativa em todo o setor”. Mas, diversos analistas destacaram estarem com a visão positiva em meio à operação de fusão com a Hapvida (HAPV3). Saiba mais clicando aqui.

Bancos: Bradesco foi destaque negativo 

Os resultados das operações de seguros, previdência e capitalização impactaram principalmente os números do Bradesco  (BBDC4) entre os grandes bancos, enquanto o Itaú (ITUB4) acabou se saindo como o destaque positivo entre as grandes instituições.

Na avaliação do BofA, contudo, os grandes bancos apresentaram, no geral, bons números. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido [ROE] do setor permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior em 18% e bem acima do mínimo de 12% no segundo trimestre de 2020, mas ainda abaixo dos níveis pré-Covid de 20%.

Mas, além disso, os analistas reforçaram as tendências operacionais encorajadoras, que incluem melhoria do mix de empréstimos, aceleração do crescimento da receita de serviços, bom controle de despesas e inadimplência a índices próximos a mínimos históricos (ainda que esse seja um ponto de atenção para analistas para os próximos trimestres), enquanto os índices de cobertura de reserva estavam acima dos níveis pré-Covid. Veja análise do setor clicando aqui. 

Já no setor de maquininhas, a Cielo (CIEL3) mostrou recuperação revertendo prejuízo líquido de R$ 75,2 milhões para lucro de R$ 180,4 milhões, na base de comparação anual.

Na avaliação de analistas do mercado financeiro, os números mostram uma continuidade no processo de retomada de crescimento da companhia, com dados sólidos. O ambiente de aumento da concorrência, contudo, segue pesando sobre a tese de investimento, levando a uma análise mais cautelosa dos papéis na Bolsa. Por sinal, o aumento da concorrência também segue sendo monitorado de perto por analistas que cobrem as ações do setor bancário, principalmente com a força das fintechs.

Turismo e mobilidade: ainda impactadas, riscos no radar

As ações das empresas de turismo e aéreas seguiram bastante impactadas no segundo trimestre de 2021 pela segunda onda da Covid-19,  e com sinalizações de que a recuperação pode demorar mais para vir. A Gol (GOLL4), além disso, fez uma revisão para baixo das projeções da companhia para o segundo semestre do ano que não agradaram.

A empresa reportou prejuízo líquido recorrente de R$ 1,2 bilhão, ante prejuízo de R$ 771,8 milhões um ano antes, enquanto o  lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) recorrente ficou negativo em R$ 466,6 milhões, de um resultado negativo de R$ 282,5 milhões um ano antes.

Já no caso da Azul (AZUL4), os números trimestrais foram interpretados de forma mista por analistas do mercado financeiro. Enquanto alguns seguem reforçando o cenário incerto pela frente, com projeções mais modestas apesar de destacarem a capacidade da companhia aérea, outros veem forte potencial de alta para as ações na B3. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, revertendo boa parte do prejuízo de R$ 1,6 bilhão sofrido um ano antes.

A CVC (CVCB3), por sua vez, viu suas ações caírem forte no pós-resultado. A operadora de viagens reportou  prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões

Na avaliação do Bradesco BBI, os resultados foram mistos com uma tendência mais forte do que o esperado nas reservas, mas por outro lado com uma taxa de aquisição fraca. Para os analistas, o problema da take rate (percentual da receita liquida sobre as reservas) parece temporário, visto que um dos motivadores foi o embarque de reservas anteriores à Covid que haviam sido adiadas, embora possa haver algum empecilho adicional durante o próximo trimestre. Os analistas destacaram que os riscos claramente ainda permanecem, principalmente com o potencial de impactos negativos da nova variante delta do coronavírus.

Com relação às locadoras de veículos, analistas destacaram os resultados em geral como positivos, mas com o destaque ficando para a Movida (MOVI3). Ricardo Oliboni, sócio e chefe de Mesa da Axia Investing, fez bons prognósticos para o setor como um todo, apontando que com a flexibilização das restrições à mobilidade e a retomada da economia as águas a navegar ficarão mais calmas do que em trimestres como abril, quando o pico da segunda onda da Covid prejudicou as operações das empresas.

Contudo, assim como no caso das aéreas e das empresas de turismo, a variante delta segue sendo um fator a ser monitorado, além dos sinais de desaceleração das principais economias do globo.

Conforme destaca o Bradesco, o crescimento econômico global deve ser mais moderado no terceiro trimestre frente o trimestre anterior, destacando tanto dados de varejo dos EUA quanto indicadores industriais chineses menos empolgantes, o que terá reflexo também no mercado brasileiro. Mas o impacto não é só indireto, uma vez que a variante delta também pode diminuir o ritmo de reabertura com a aceleração no Brasil, ainda que haja otimismo com a retomada.

Aprender a ganhar e a rentabilizar capital. Essa é a proposta de curso gratuito que mostra o passo a passo da consistência na Bolsa. Participe!

Perdas recordes do minério de ferro trazem presságio de ainda mais volatilidade para o setor

(Bloomberg) — O forte colapso das cotações do minério de ferro pressagia mais volatilidade em meio ao cenário de uma política complexa na China e recuperação desigual da demanda global.

Antes uma das commodities mais procuradas no boom de matérias-primas este ano, o minério de ferro rapidamente se tornou uma das mais voláteis. As perdas de cinco semanas nos contratos futuros e a queda de 14% no mercado à vista na quinta-feira levaram a uma baixa de 40% desde o recorde de maio, sob o impacto das medidas da China para controlar a produção de aço e reduzir a poluição.

A atenção agora se volta para um cenário incerto sobre o consumo, o que reforça a perspectiva de oscilações mais fortes e de curto prazo. A demanda da China dá sinais de desaceleração, embora com crescentes expectativas de que as autoridades possam recorrer à infraestrutura para ajudar a sustentar a economia. E o aumento dos casos de Covid-19 pesa sobre o crescimento em muitos países.

O minério à vista de referência, com teor de 62% de ferro, despencou 14% na quinta-feira, a maior queda já registrada. Os futuros em Singapura subiram 5,9%, para US$ 138,30 a tonelada na sexta-feira, após a queda de 12% na sessão anterior, mas permanecem perto do menor nível desde dezembro.

“Estamos extremamente otimistas em relação a esses níveis, dada a expectativa de recuperação da demanda por aço quando a China superar o atual surto de Covid”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities. “Vemos um forte suporte para o minério de ferro a US$ 140 a tonelada e, na verdade, parece incrivelmente sobrevendido.”

O mercado tem sido afetado por políticas às vezes conflitantes da China. Autoridades recorreram ao estímulo para recuperar a economia, o que impulsionou a demanda por commodities essenciais para infraestrutura e mercado imobiliário. Ao mesmo tempo, buscaram cortar a produção de aço, e expectativas de restrições levaram usinas a concentrar a produção no primeiro semestre.

Leia também: 

Da disparada à forte queda, o que esperar para as ações de Vale, CSN Mineração e siderúrgicas com o “novo cenário” para o minério?

Isso levou rapidamente o minério de ferro e o aço a níveis recordes, e pressões inflacionárias resultaram em controles sobre a especulação com commodities, crédito mais restrito e cortes dos gastos em construção.

PUBLICIDADE

Observadores do mercado agora tentam medir até que ponto esse consumo mais baixo se reflete nos preços. O Morgan Stanley disse que o minério de ferro pode cair ainda mais devido à fraca demanda de aço da China, enquanto Tomas Gutierrez, analista da Kallanish Commodities, acredita que o minério está perto de um piso e um segundo semestre fraco está precificado.

Desaceleração

Ainda assim, o crescimento irregular pode sustentar a demanda por minério de ferro além do segundo semestre, se forem necessárias medidas para impulsionar a economia. A economia da China se desacelerou mais do que o esperado em julho, uma vez que os surtos causados pela variante delta trouxeram novos riscos à recuperação e aumentaram o otimismo de que o país possa recorrer a mais estímulos monetários e fiscais para evitar um desaquecimento mais acentuado.

“A demanda por aço vai se enfraquecer no segundo semestre, juntamente com uma desaceleração do setor imobiliário, mas é improvável que haja uma grande queda, já que o país se comprometeu a aumentar o investimento em infraestrutura para compensar os possíveis riscos econômicos”, disse Xu Xiangchun, que cobre o setor há mais de 30 anos e é diretor de informações da consultoria Mysteel Global.

Também há restrições de oferta de longo prazo que devem apoiar o minério de ferro. A Vale busca recuperar a produção desde o desastre da barragem de Brumadinho há mais de dois anos, enquanto a gigante australiana Rio Tinto disse que tem sido difícil acompanhar a demanda.

“Os preços agora caíram para um nível sustentável”, disse Rohan Kendall, chefe de pesquisa de minério de ferro da Wood Mackenzie. “O mercado de minério de ferro permanece suscetível a interrupções de oferta, e aumentos de curto prazo no preço do minério de ferro são prováveis.”

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Ipea: restrição de oferta e demanda maior devem manter preço agropecuário em alta

As restrições de oferta provocadas por problemas climáticos e o aumento na demanda doméstica e internacional devem manter os preços de produtos agropecuários em níveis elevados. O comportamento da taxa de câmbio nos próximos meses também será determinante para o possível encarecimento dos alimentos. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na Carta de Conjuntura publicada nesta quinta-feira, 19.

Considerando os valores médios praticados no primeiro semestre de 2021 em relação aos do primeiro semestre de 2020, houve alta de preços em todos os produtos pesquisados, exceto a batata. Os grãos se sobressaíram, com aumentos de mais de 40% em todos os itens: soja (78%), milho (77%), trigo (40%), algodão (75%) e arroz (55%).

“Deve-se destacar o importante impacto negativo desse aumento sobre os custos de produção na pecuária, o que pode influenciar negativamente a oferta de proteínas no País. Em termos de perspectivas, para a maior parte dos produtos acompanhados, espera-se aumento ou estabilidade em alto patamar dos preços no curto e médio prazos”, escreveu Ana Cecília Kreter, pesquisadora associada na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea.

Segundo a pesquisadora, os problemas meteorológicos, que incluem tanto as geadas quanto a estiagem em diferentes regiões do País, devem continuar a ter um papel decisivo na formação de preços desses alimentos.

“A intensidade desse possível aumento de preços também depende estreitamente do comportamento da taxa de câmbio nos próximos meses e dos preços internacionais”, acrescentou Cecília Kreter, no documento.

O Ipea lembra que as commodities mais exportadas pelo Brasil mantiveram demanda aquecida mundialmente no primeiro semestre de 2021 e os preços internacionais estiveram mais elevados que no mesmo período do ano anterior: grãos, carnes e café.

“No caso dos grãos, essa alta dos preços internacionais é reflexo do balanço apertado entre produção e consumo na safra corrente, somado a estoques que vinham decrescendo nas últimas safras. Para as carnes, o que se observa é um movimento de substituição entre as proteínas animais, seja por questões sanitárias ou pela busca de proteínas mais baratas”, justificou a carta do Ipea.

Apenas o arroz registrou redução nos preços internacionais no primeiro semestre de 2021 em comparação a 2020, uma queda de 11%. As altas ocorreram na soja (65,9%), milho (72,3%), trigo (24,4%), algodão (38,1%), boi gordo (18,3%), porco magro (65,3%) e carne de frango (24,2%).

O estudo do Ipea contou com a colaboração do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP) para as análises dos preços domésticos e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para as informações de produção e balanços de oferta e demanda domésticos.

PUBLICIDADE

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Dólar fecha em alta de 0,88%, a R$5,42 em meio a commodities e ata do Fomc

Dólar - câmbio “Shutterstock”

*Texto atualizado às 19h08 (horário de Brasília) para acréscimo de informações. 

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar escalou mais um degrau ao fechar nesta quinta-feira acima de 5,40 reais, um dia após se firmar acima de 5,30 reais e pulverizar uma série de níveis de resistência técnica, com a força da moeda no exterior por incertezas sobre a política monetária nos EUA e Covid-19 se somando ao contínuo desconforto na cena doméstica.

O dólar à vista subiu 0,88%, a 5,4231 reais na venda, maior valor desde 4 de maio (5,4322 reais).

A cotação se manteve em alta praticamente durante todo o pregão. Na máxima, alcançada ainda no começo dos negócios, foi a 5,4568 reais (+1,50%) e na mínima, tocada por volta de 14h30, operou brevemente em queda de 0,08%, a 5,3801 reais.

Lá fora, a alta do dólar era generalizada, com a moeda dos EUA ganhando terreno ante 31 de 33 pares.

De forma geral foi o exterior que deu o tom da formação de preço da taxa de câmbio nesta sessão, com investidores dando sequência a um movimento iniciado já no fim do pregão da véspera, quando o dólar aqui acelerou a alta seguindo a piora de humor em Wall Street pelo entendimento de que o banco central dos EUA estaria mais próximo de anunciar corte de estímulos –talvez já em setembro.

O índice do dólar frente a uma cesta de divisas fortes subia 0,36% no fim da tarde, indo a máximas em nove meses. Rand sul-africano, coroa norueguesa, dólar canadense e dólar australiano –divisas correlacionadas às matérias-primas– cediam entre 1% e 1,8%.

Mas o mal-estar local persistiu, impedindo que o dólar experimentasse alguma correção depois da disparada da véspera –o que seria um movimento esperado. Nesta quinta, falas dos dois mais importantes membros da equipe econômica serviram de marcador dos riscos atuais.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o pagamento de 90 bilhões de reais em precatórios no Orçamento do ano que vem não é exequível. Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que ruídos envolvendo questões locais têm afetado as projeções de crescimento do PIB para 2022 e também as expectativas de inflação, processo que, frisou, está sendo acompanhado de perto pelo Bacen.

PUBLICIDADE

“Está ficando cada vez mais difícil achar uma luz no fim do túnel”, disse Leon Abdalla, analisa de Investimentos da Rio Bravo. “Pior do que a pontualidade dos precatórios ficarem extra-teto é uma abertura de margem para colocar qualquer coisa fora do teto, bem ao estilo ‘passa boi, passa boiada’”, completou.

Na véspera, o dólar spot saltou 2,04%, maior alta desde o fim de julho, impulsionado por temores fiscais que, por sua vez, provocaram uma onda de contenção de perdas no mercado de juros que fez as taxas de DI dispararem mais de 40 pontos-base no fim da tarde.

Dados da B3 mostraram que estrangeiros e fundos de investimento aumentaram na quarta-feira, conjuntamente, posições líquidas compradas em dólar (vendo alta da moeda) em 921 milhões de dólares –considerando mercados futuro, de cupom cambial e swap cambial.

Nesta quinta, os DIs longos caíram até 17 pontos-base, devolvendo menos da metade do ganho de prêmio do dia anterior.

A exemplo da quarta, o Banco Central se manteve sem realizar ofertas líquidas de dólares, e nas falas desta quinta Campos Neto não mencionou o tema câmbio.

“Atuar agora seria como enxugar gelo, porque o problema é fora do BC. Mas se houver uma comunicação mais acertada do governo sobre o fiscal, que aliás foi um pedido do Campos Neto, e mesmo assim o dólar continuar pressionado, aí, sim, acredito que o BC intervirá”, afirmou Abdalla, da Rio Bravo.

À Reuters, Fabio Zenaro, diretor de Produtos de Balcão e Novos Negócios da B3, disse que o movimento de compra de dólar visto ao longo deste ano deve perdurar, uma vez que vários eventos de risco se acumulam, entre eles a expectativa pela eleição presidencial no Brasil em 2022 e pela redução de estímulos nos Estados Unidos.

Dados da bolsa revelaram que empresas de comércio exterior compraram, em termos líquidos, mais de 29 bilhões de dólares de janeiro e julho em contratos a termo sem entrega física (NDF, na sigla em inglês) negociados na B3.

PUBLICIDADE

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Opep+ poderia adiar próximo aumento da produção, diz Citigroup

petróleo bomba plataforma índices preços queda baixa óleo (Getty Images)

(Bloomberg) — Quase uma semana depois de a Casa Branca pedir à Opep+ para aumentar a produção de petróleo mais rapidamente, uma rota muito diferente pode estar nos planos do grupo.

Com os preços da commodity no nível mais baixo em três meses em meio ao aumento de casos de Covid-19 que esfria a demanda, o Citigroup e a consultoria Energy Aspects dizem que o cartel poderia suspender o próximo aumento de produção planejado. O grupo de 23 países liderado pela Arábia Saudita tem reunião agendada para 1º de setembro.

“A visão de que o crescimento chinês está desacelerando” domina os mercados globais de petróleo, disse Ed Morse, chefe de pesquisa de commodities do Citigroup. Se a Opep+ se reunisse hoje, “quase certamente optaria por suspender o aumento da oferta por pelo menos um mês”.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e parceiros estão repondo grandes volumes de barris retirados do mercado durante a pandemia, em cotas mensais de 400 mil barris por dia. Na semana passada, o governo Biden instou o grupo a acelerar a produção para frear os preços da gasolina nos Estados Unidos.

O mercado de petróleo reverteu a tendência no último mês. A variante do coronavírus se espalha pelo mundo, inclusive nas duas maiores economias, China e EUA. E interrompeu a recuperação do petróleo do colapso causado pela pandemia. Os preços em Londres caíram pela sexta sessão seguida na quinta-feira, o período mais longo de perdas em um ano e meio.

“A Arábia Saudita não vai gostar da ideia de que a Opep+ aumente a oferta mais rápido do que o planejado”, disse Amrita Sen, analista-chefe de petróleo da Energy Aspects. “No mínimo, devido à recente onda vendedora, Riade provavelmente está pensando se deve fazer uma pequena pausa nos próximos aumentos das cotas.”

Os delegados da Opep+, em conversas nos bastidores na quinta-feira, tinham opiniões divergentes sobre a necessidade e a praticidade de adiar o próximo aumento programado da produção. Nos últimos meses, membros como Rússia e Emirados Árabes Unidos estavam especialmente ansiosos para retomar as vendas para clientes.

Os preços podem se recuperar até a Opep+ se reunir, permitindo que a organização prossiga com seu plano original, disse Morse. Os estoques de petróleo dos EUA continuam a cair, e os sinais de desaceleração na China foram distorcidos pelas políticas do governo para refinarias e liberação de estoques estratégicos.

“Os fundamentos subjacentes permanecem bastante firmes”, disse Morse. “Também há boas evidências de que a economia da China está longe de estar tão fraca quanto muitas pessoas temem.”

PUBLICIDADE

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Ibovespa cai 1% e volta aos 115 mil pontos puxado por commodities e mau humor externo; dólar sobe a R$ 5,43

Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera com queda de cerca de 1% nesta quinta-feira (19), acompanhando o pessimismo das bolsas mundiais, com os investidores repercutindo a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que sinalizou a discussão sobre a redução do ritmo de compra de títulos ainda em 2021, além do dia de forte queda das commodities.

Nesta manhã saíram os dados de auxílio desemprego nos Estados Unidos, com o número caindo 29 mil na semana encerrada em 14 de agosto, a 348 mil pedidos, segundo dados com ajustes sazonais do Departamento do Trabalho americano.

O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Refinitiv, que previam 363 mil solicitações. O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 375 mil para 377 mil pedidos.

Outro ponto negativo nesta quinta são as commodities, que desabam em dia negativo no mercado global, com o minério de ferro negociando em Singapura em baixa de 12%, passando a cair no ano após estar subindo 55% até meados de julho.

A queda ocorre tanto pela ata do Fomc quanto pelo consumo chinês menor (tanto pelo crescimento menor quanto pela ação das autoridades de diminuir a poluição). O preço do petróleo também cai e já acumula 15% de queda desde as máximas de julho.

Por aqui, atenção ainda para eventos que contarão com participação de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e de Paulo Guedes, ministro da Economia.

Às 10h13 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 1,07%, a 115.397 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 1,13% a R$ 5,435 na compra e a R$ 5,436 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro sobe 0,85% a R$ 5,442.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai um ponto-base a 6,77%, DI para janeiro de 2023 tem queda de um ponto-base a 8,63%, DI para janeiro de 2025 recua dois pontos-base a 9,98% e DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de quatro pontos-base a 10,40%

PUBLICIDADE

As bolsas asiáticas tiveram quedas na quinta, ainda por conta de temores sobre pressão regulatória na China. Em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Já as bolsas europeias recuam forte nesta quinta após o desempenho fraco das bolsas asiáticas e a divulgação das minutas do Fed na quarta.

O índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, perde 2% pela manhã. Todos os setores operam no vermelho, com destaque negativo para recursos básicos, bens domésticos e varejo.

Por Dentro dos Resultados

InfoMoney entrevista às 15h Kai Schoppen (CEO), Fábio Bortolotti (DRI), da Infracommerce (IFCM3). Às 18h, o PDR será com Thiago Grechi (CFO) e David Abuhab (CSO), da Neogrid (NGRD3).

Quer fazer perguntas aos CEOs das empresas que se destacam na Bolsa? Acompanhe a série Por Dentro dos Resultados no YouTube do InfoMoney

Covid, CPI, precatórios e vacinação

Na quarta (18), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 813, queda de 8% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 985 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 41.017 casos.

Chegou a 118.860.218 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,13% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 52.453.993 pessoas, ou 24,77% da população.

PUBLICIDADE

Na quarta, falou à CPI da Covid no Senado Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, que intermediou o acordo de compra pelo governo de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. Ele confirmou que abriu um escritório dias antes da assinatura do contrato de compras. Agora, ele passa a condição de investigado, na qual será obrigado a responder às perguntas dos senadores.

Também na quarta, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou a jornalistas que o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, será formalmente investigado pelo que chamou de “conjunto da obra” e não apenas pelas suspeitas envolvendo as negociações para compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Nesta quinta, falará à CPI Francisco Maximiano, sócio da Precisa. A atuação da empresa como intermediária do acordo de compra da Covaxin é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Também na quarta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade não autorizar o uso da vacina contra Covid-19 CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.

O Butantan, responsável pelo envase no Brasil da vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, havia pedido à Anvisa no mês passado para ampliar a faixa etária para a aplicação da CoronaVac de modo que crianças e adolescentes também pudessem receber o imunizante.

Mas a agência afirmou que falta ao instituto apresentar dados que possam estabelecer o perfil de eficácia e segurança do imunizante na população pediátrica, uma vez que o estudo apresentado contou com apenas 586 participantes, número que considerou insuficiente.

Na mesma reunião, a agência reguladora também fez uma recomendação oficial ao Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, para que seja considerada a aplicação de uma terceira dose da CoronaVac, em caráter experimental, em especial para públicos-alvo prioritários, como pacientes imunocomprometidos ou idosos.

Além disso, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso na quarta-feira, o secretário de Orçamento do Ministério da Economia, Ariosto Culau, afirmou que a conta de precatórios de R$ 89,1 bilhões para 2022 inviabiliza o financiamento da terceira dose de vacina contra a Covid-19, prevista em plano de imunização encaminhado pelo Ministério da Saúde.

PUBLICIDADE

Culau afirmou que a confecção do Orçamento para o ano que vem está sendo desafiadora e que o aumento de R$ 34,4 bilhões verificado nas despesas com precatórios é sem precedentes.
Requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais, os precatórios são despesas obrigatórias. Como têm crescido vertiginosamente, eles têm na prática comido espaço, sob a regra do teto, para outras despesas.

Com a fala de Culau, a viabilização do programa de vacinação se soma aos argumentos do governo a favor de sua proposta de emenda constitucional (PEC) que visa parcelar os precatórios.

O texto divide em dez parcelas o pagamento dos precatórios de mais de R$ 66 milhões e impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Com a PEC, a estimativa do Ministério da Economia é de ganhar R$ 33,5 bilhões em espaço orçamentário no ano que vem. Anteriormente, quadros do governo já afirmaram que, sem o parcelamento, seria impossível financiar a expansão do Bolsa Família e mesmo o pagamento de salários do funcionalismo.

“(Pela) magnitude do comprometimento que a gente tem com essa despesa que, pela Constituição, deve ser honrada e vai ser honrada, temos realmente muitas dificuldades para atender essas demandas das mais diversas áreas”, disse o secretário.
Também presente na audiência, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, voltou a dizer que, antes de conhecido o impacto dos precatórios para o ano que vem, o governo previa ter um espaço adicional de R$ 30,4 bilhões para despesas em 2022 dentro do teto de gastos.

Agora, a perspectiva é de envio para o Congresso de um projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 sem qualquer folga orçamentária, o que será feito até o fim deste mês.

Imposto de Renda, teto de gastos e tensão institucional

Em entrevista concedida na quarta-feira à agência internacional de notícias Reuters, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), disse avaliar que o projeto que altera regras do Imposto de Renda “subiu no telhado”, tem poucas perspectivas de aprovação no momento e precisará ser reconstruído para chegar a um mínimo de convergência.
O parlamentar disse ter se comprometido com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a participar das negociações.

Para o deputado, a proposta do IR, que teve sua votação adiada mais uma vez na terça-feira, conta com pouco apoio e correria o risco de ser derrotada em plenário se fosse a voto, mesmo se tratando de um projeto simples, sem a necessidade de quórum qualificado de aprovação.

Para o deputado, a investida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, buscando viabilizar um novo programa social em substituição ao Bolsa Família coloca em risco dois “patrimônios” conquistados pelo país nas últimas décadas: o controle da inflação e os sinais de austeridade fiscal.

“Para mim está claro que há um abandono da política de austeridade fiscal, porque a prioridade absoluta do presidente é turbinar o programa de transferência de renda. Não por um desejo de ajudar os brasileiros, mas por uma métrica absolutamente eleitoral, porque ele começa a enxergar que essa pode a ser a última tábua de salvação para o projeto dele de reeleição. Se o preço disso for romper o teto de gastos, que se rompa”, disse Ramos.

“Na verdade, me parece muito claro que o ministro Paulo Guedes já decidiu romper o teto de gastos. A discussão não é se vai romper. É como vai romper”, afirmou. Ele disse avaliar que saídas como parcelar “compulsoriamente” os precatórios ou classificando-os como despesa corrente ferem teto de gastos.

O parlamentar diz avaliar, ainda, que o discurso mais agressivo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a integrantes das cortes, integram parte de sua estratégia eleitoral.

Na quarta, os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) notícia-crime contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, pelo suposto crime de prevaricação por suposta omissão em relação aos ataques do presidente Jair Bolsonaro e aliados ao sistema eleitoral brasileiro, na defesa do regime democrático brasileiro e na fiscalização do cumprimento da lei no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

A peça, dirigida à ministra do STF Cármen Lúcia, pede que o caso seja analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Em entrevista de 13 minutos publicada como reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo nesta quinta, Aras nega ter se omitido em relação aos ataques do presidente Bolsonaro contra o sistema de votação. Questionado sobre se o sistema é confiável, ele afirma: “não há nenhuma prova [contrária ao sistema] do Ministério Público Eleitoral”.

Na quarta, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a retomada de uma reunião entre os chefes dos Poderes, ressaltando que o radicalismo e o extremismo são capazes de derrotar a democracia.

O presidente do STF cancelou no início do mês uma reunião que estava marcada entre os chefes dos Poderes, citando como razão os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro a magistrados do Supremo, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Pacheco ressaltou que a democracia “não pode ser aviltada e questionada como está sendo recentemente no país”, e destacou a necessidade de diálogo para a solução da crise institucional vivida atualmente, em especial entre o Executivo e o Judiciário.

Na abertura da sessão do Supremo na quarta, Fux fez um breve comunicado aos demais ministros sobre o encontro que teve com Pacheco e disse que o pedido do presidente do Senado será avaliado.

Em um evento de entrega de casas em Manaus na quarta, Bolsonaro disse que no dia 7 de setembro estará “onde o povo estiver”, indicando que deve efetivamente participar das manifestações marcadas para o dia. Uma fonte disse à agência Reuters que Bolsonaro irá aos atos organizado por apoiadores em São Paulo e em Brasília, que têm entre suas pautas a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

O presidente também voltou a falar da alta da inflação e do preço dos combustíveis. Reclamou que o preço do botijão de gás e do litro da gasolina era “absurdo”, mas fez questão de culpar os governos estaduais pela alta.

“Pensar nos mais humildes é zerar impostos, não aumentar impostos para que os produtos cheguem mais baratos na ponta”, afirmou.

Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaques Vale, Petrobras, entre outras companhias, confira abaixo:

Vale (VALE3)

A Vale comunicou que recebeu “com surpresa”, pela mídia, a notícia de que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) propôs um incidente de desconsideração da personalidade jurídica da Samarco, em que solicitou que suas duas sócias fossem integradas ao processo de recuperação judicial em curso. A mineradora afirma que não foi formalmente notificada da ação, e apresentará a sua defesa no prazo legal.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras retomou o processo de arrendamento do seu Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bahia para a texana Excelerate Energy, única a apresentar proposta em uma licitação do ativo feita em junho.

Ainda em destaque, a Petrobras ampliou a oferta de combustíveis para térmicas, o que permitiu aumentar, em nove meses (de setembro de 2020 a junho de 2021), a geração termelétrica de suas usinas e de clientes de cerca de 2 mil megawatts (MW) para quase 8 mil MW.

Copel (CPLE6)

A Copel lançou na quarta o Programa de Demissão Incentivada (PDI), em função da venda da Copel Telecom. Segundo a empresa, o PDI é estimado em R$ 80,6 milhões de indenizações, com prazo para adesão no período de 18 a 31 de agosto deste ano e com os desligamentos previstos para 15 de fevereiro de 2022.

Braskem (BRKM5)

A Braskem confirmou que fechou com a Nexeo Plastics uma parceria de distribuição de filamento de polipropileno (PP) e pellets para fabricação de aditivos. O acordo irá ampliar a distribuição internacional dos produtos da petroquímica para a América do Norte e Europa.

Ambipar (AMBP3)

A Ambipar informou que apresentou à CVM pedido de oferta pública inicial de distribuição primária de ações de sua controlada Environmental ESG Participações, que atua no segmento de soluções ambientais para gestão e valorização de resíduos pós e pré-consumo e na gestão de gases do efeito estufa e originação de créditos de carbono.

JBS (JBSS3)

A agência Standard & Poor’s elevou de estável para positiva a escala global da JBS, com a classificação de crédito em BB+, informou a segunda maior companhia de alimentos do mundo nesta quarta-feira.

Vinci Partners (NASDAQ:VINP)

A Vinci Partners, que abriu seu capital em janeiro deste ano na Nasdaq, fechou o segundo trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 53,4 milhões, representando uma alta de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seis meses, o lucro foi de R$ 100,4 milhões, um crescimento de 53% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

A Alliar (Centro De Imagem Diagnósticos) informou que a Rede D’Or comprou mais 63 mil ações ordinárias de emissão da companhia nesta quarta-feira, 18, totalizando R$ 721,95 mil, após outras aquisições informadas na segunda e terça-feira. Até esse momento, a empresa possui 3,708 milhões de ações da Alliar.

BRF (BRFS3)

A companhia de alimentos BRF inaugurou na quarta-feira uma nova fábrica de salsichas localizada em Seropédica (RJ), com investimento em torno de R$ 300 milhões, atenta a uma demanda excedente pelo produto que ganhou fôlego durante a pandemia da Covid-19.

Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre anunciou nesta quarta-feira acordo para ser acionista do Aleph Group com a aquisição de participação de US$ 25 milhões na empresa de mídia digital, que opera na América Latina por meio da Internet Media Services (IMS).

Dexco

Após a alteração de seu nome, a antiga Duratex, que agora se chama Dexco, vai mudar o seu ticker na Bolsa de DTEX3 para DXCO3, com mudança que passe a valer a partir do pregão desta quinta.

IPOs

A fabricante de meias e de roupa íntima Lupo pediu autorização para uma oferta inicial de ações (IPO), em busca de recursos para investir em tecnologia, distribuição e aquisições de negócios, segundo registro na CVM na quarta.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.

Minério de ferro despenca até 12% em Singapura, com riscos para crescimento abalando metais; ADR da Vale cai 4% no pré-market de NY

(Bloomberg) — Os contratos de minério de ferro despencaram e o cobre caiu para uma mínima de quatro meses em meio às crescentes preocupações com a produção de aço na China, os riscos para o crescimento global e a perspectiva de redução do estímulo nos Estados Unidos.

O minério de ferro acelerou as perdas nesta semana, e os futuros caíram 12% em Singapura, para a menor cotação desde dezembro. A desvalorização é motivada por expectativas de que a produção e o consumo de aço chinês vão diminuir no resto do ano, em parte devido às medidas para reduzir a poluição. Os preços acumulam baixa de mais de 40% em relação ao recorde alcançado há apenas três meses.

Os mercados de metais também são pressionados pela expectativa de que o Federal Reserve possa em breve começar a reduzir o enorme estímulo que ajudou a elevar os preços no último ano, bem como pelos riscos da variante delta do coronavírus, que se espalha rapidamente. Dados mais fracos nos EUA e na China recentemente reforçaram a percepção de que a recuperação econômica global está perdendo força.

Essas preocupações empurraram o cobre abaixo de US$ 9.000 a tonelada na quinta-feira, e o estanho se desvalorizou 11% com a queda de todos os metais básicos. Ações do setor de mineração também foram afetadas: BHP, Rio Tinto, Glencore e Antofagasta chegaram a cair mais de 3%. No pré-market da Bolsa de Nova York, os ADRs da Vale (VALE3) caíam 4,19%, a US$ 18,50, no início da manhã.

O petróleo também perdeu terreno, sendo negociado abaixo de US$ 65 o barril, a menor cotação desde maio.

“A recente desaceleração dos números macro chineses, a propagação da Covid-19 na China e agora também um dólar ainda mais forte são riscos potenciais que, no curto prazo, podem desafiar as perspectivas altistas de longo prazo para o cobre”, disse Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank.

A ata do Fed divulgada na quarta-feira mostrou que a maioria das autoridades do banco central dos EUA estava de acordo com a possibilidade de desacelerar o ritmo de compras de títulos no fim deste ano devido ao avanço rumo às metas de inflação e de emprego, o que favorece o dólar e reduz o apelo das commodities.

Na Bolsa de Metais de Londres, o cobre chegou a cair 2,8%, para US$ 8.786,50 a tonelada às 10h16 no horário local. O metal, considerado um termômetro da economia, atingiu máxima histórica de mais de US$ 10.700 em maio.

Ferro e aço

A China tem repetidamente instado siderúrgicas a limitarem a produção para reduzir a poluição, e o menor volume produzido em julho sinaliza que as medidas começam a fazer efeito. Alguns grandes produtores já tomaram providências para reduzir a oferta, enquanto a gigante de mineração BHP disse esta semana que a crescente probabilidade de cortes severos da produção no segundo semestre “testa a resolução altista dos mercados de futuros”.

PUBLICIDADE

O minério de ferro caiu 12%, para US$ 131,40 a tonelada em Singapura, enquanto os futuros em Dalian perderam 7%.

“O minério de ferro continua sendo a commodity mais centrada na China, então, quando a atividade econômica desacelera, o vírus se espalha e as linhas de suprimento são interrompidas, o minério de ferro está na linha de fogo”, disse Hansen.

A perdas do minério de ferro atingiram os preços do aço, que também caíram devido às expectativas de demanda mais fraca na China. Com as medidas do país para controlar o mercado imobiliário e segurar a inflação, os preços dos imóveis subiram no ritmo mais lento em seis meses.

“Os preços do aço ao redor do mundo começam a esfriar como esperávamos e mantemos nossa visão de que haverá uma maior desaceleração das cotações no restante de 2021 e em 2022, à medida que a demanda chinesa da indústria de construção enfraquece”, disse a Fitch Solutions em relatório.

Quer atingir de uma vez por todas a consistência na Bolsa? Assista de graça ao workshop “Os 4 Segredos do Trader Faixa Preta” com Ariane Campolim.