Para presidente da Anglo American no Brasil, preço do minério é incógnita

A brusca desvalorização do minério de ferro é um movimento irracional, e o melhor para as empresas é “assistir da arquibancada” à flutuação da commodity, sem “participar do jogo”, afirma o presidente da Anglo American no Brasil, Wilfred Bruijn, o Bill. Ao Estadão, ele reconhece que a instabilidade gera uma incógnita sobre o preço a ser lançado pelas empresas no orçamento de 2022.

Na semana passada, o preço “spot” do minério com 62% de teor de ferro para entrega na China, referência do produto, acumulou perdas de US$ 30 de terça a quinta-feira, negociado ao menor valor em seis meses. Na sexta-feira, o minério recuperou US$ 7 das perdas, cotado a US$ 140,44 a tonelada, mas o sentimento ainda era de cautela.

Para Bruijn, a desvalorização tem origem nas medidas regulatórias do governo chinês para reduzir a produção de aço, o que resultaria em menor demanda por minério.

“O sentimento era de que a queda estacionaria em algum ponto, mas não foi o que aconteceu. O preço continuou caindo”, diz o executivo. “É algo mais emotivo de um mercado que busca um novo patamar. Não sei dizer se o próximo movimento vai ser de mais uma queda de 20% ou uma alta de 20%.”

Apesar da baixa recente, a commodity permanece negociada acima dos valores de antes da pandemia. Em fevereiro de 2020, o produto era vendido perto de US$ 80 a tonelada, quase a metade da cotação de sexta-feira. O avanço seria resultado de um mercado “apertado”, fruto da pouca oferta adicional de minério no mundo e uma demanda crescente, sobretudo das siderúrgicas da China.

Bill explica que a oscilação de preços acaba refletida no balanço financeiro, uma vez que a companhia não “trava” a cotação em operações de hedge. A Anglo American deve produzir, neste ano, de 24 a 25 milhões de toneladas de minério de ferro no sistema Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG). A produção é exportada, sobretudo, para China, Coreia do Sul, Taiwan e Oriente Médio.

Investimentos

As incertezas não devem afetar o plano de investimentos no país. Segundo Bill, estão sendo investidos US$ 200 milhões no sistema Minas-Rio, que, além da mina, conta com uma planta de beneficiamento e um mineroduto de 529 quilômetros de extensão até o Porto de Açu, no Rio. No ano que vem, serão mais US$ 250 milhões investidos para aprimorar a operação e a manutenção da operação.

A unidade brasileira da Anglo trabalha ainda para cumprir, neste ano, a meta de utilizar 100% de energia renovável em suas atividades, incluindo uma parcela de autoprodução. Segundo ele, hoje, 96% da energia consumida pela operação local é renovável, entre eólica e solar. Para atingir a meta de 100%, a empresa aguarda apenas o vencimento de um contrato mais antigo de energia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Ibovespa fecha em alta nesta sexta, mas não apaga queda de 2,6% em semana de más notícias políticas e internacionais; dólar sobe 2,7% em 5 dias

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (20), mas isso não foi o bastante para apagar as perdas de 2,59% do índice na semana. Os últimos dias tiveram uma soma de más notícias no front político com avanço da variante delta do coronavírus, sinalizações do Federal Reserve de que irá começar a reduzir estímulos no fim do ano e dados da China que causaram uma correção nos preços das commodities.

Para Júlio Erse, gestor da Constância, falta visibilidade no cenário macro, o que faz o mercado pedir mais prêmio nos ativos de risco. No entanto, ele acredita que não exista uma mudança estrutural nos fundamentos e que a tendência da Bolsa ainda é de alta até o fim do ano.

“A atividade vai continuar a crescer conforme a economia se reabre no pós-pandemia. O que traz uma reprecificação mais forte é essa incerteza política para o ano que vem, ainda mais com essa retórica de confronto entre os poderes. Isso tomou atenção dos investidores e respingou na preocupação com o andamento das reformas”, avalia Erse.

Já Leonardo Santana, analista da Top Gain, comenta que a Bolsa hoje seguiu a toada da semana e à medida em que o mercado americano devolveu perdas os ativos aqui começam a seguir. “Nas commodities, a prata começou a subir e o cobre também”, nota.

Todavia, Santana ressalta que as medidas recentes do governo apontando para uma “maquiagem” do teto fiscal, acabaram levando o benchmark da B3 a encerrar a semana em baixa.

No radar econômico desta sexta, de acordo com notícia do Broadcast, o governo deve propor um déficit de R$ 70 bilhões no Orçamento de 2022.

O dia ainda contou com focos de incertezas como o avanço da variante delta do coronavírus e a pressão regulatória do governo da China. Na terça, os Estados Unidos registraram mais de mil mortes pela Covid-19 em um dia pela primeira vez desde março.

Também na terça, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “se for para taxar dividendos em 15% é melhor nem ter reforma do Imposto de Renda”, rejeitando a possibilidade de reduzir a alíquota de 20% que propôs.

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O Ibovespa teve alta de 0,76%, a 118.052 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,317 bilhões.

Ontem, Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto, e Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, falaram ao InfoMoney sobre o horizonte repleto de incertezas para o mercado entre Federal Reserve disposto a reduzir estímulos no fim do ano, riscos fiscais, ruídos políticos e China impondo freios à valorização de algumas commodities.

Enquanto isso, o dólar comercial registrou queda de 0,7% a R$ 5,384 na compra e a R$ 5,385 na venda. Apesar disso, na semana, a moeda dos EUA se valorizou em 2,67% ante o real. Já o dólar futuro com vencimento em setembro cai 0,58% a R$ 5,394 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu dois pontos-base a 6,69%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de cinco pontos-base a 8,41%, o DI para janeiro de 2025 recuou 13 pontos-base a 9,56% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 15 pontos-base a 9,98%.

Voltando ao exterior, no Japão os papéis de empresas do setor automobilístico continuaram a registrar perdas, após o anúncio na quinta-feira de que a Toyota deverá cortar em 40% sua produção global em setembro em relação àquilo planejado anteriormente, segundo informações reproduzidas pela agência internacional de notícias Reuters.

Já na Europa, a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid é impulsionada pela suspensão de medidas de distanciamento social e pela forte demanda interna após o PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido 1,5% no segundo trimestre.

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam queda de 2,5% nas vendas no varejo em julho em relação ao mês anterior, quando a escassez global de chips e o clima chuvoso impactaram o comportamento dos consumidores britânicos.

Covid, CPI e política

Na quinta (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 821, queda de 9 em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.030 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

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A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.895, o que representa queda de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.793 casos.

Chegou a 120.228.060 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,78% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 53.437.018 pessoas, ou 25,24% da população.

Na quinta, falou à CPI da Covid no Senado o dono da farmacêutica Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele limitou-se a responder à CPI da que conhece o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), recusando-se a responder às demais perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) amparado em habeas corpus concedido pela ministro Rosa Weber, do STF.

Maximiano disse que seria apenas fiador de um imóvel usado por um amigo de Barros, apesar de aparecer como locatário.

Maximiano evitou perguntas sobre as negociações suspeitas para compra da vacina contra Covid-19 Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tinha como representante no Brasil a Precisa. Mas responsabilizou uma empresa localizada nos Emirados Árabes Unidos por falsificar documentos entregues ao Ministério da Saúde.

As denúncias de irregularidades envolvendo as tratativas para compra da Covaxin foram feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Após as denúncias, o Ministério da Saúde cancelou o contrato para compra da Covaxin e a Bharat Biotech encerrou o relacionamento com a Precisa.

Barros tornou-se na quarta-feira formalmente investigado pela CPI da Covid. De acordo com depoimento de Luís Miranda à CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou o envolvimento do líder do governo nas supostas irregularidades envolvendo a Covaxin. Bolsonaro não desmentiu o relato de Miranda, e Barros nega quaisquer irregularidades.

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Na quinta, a CPI da Covid aprovou novo pedido de quebra de sigilo fiscal de Barros. O colegiado vai requerer os dados à Receita Federal e informações sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI também deu aval ao requerimento de quebra de sigilo fiscal do advogado Frederick Wassef, que defende o presidente Bolsonaro e sua família.

Além disso, nesta semana o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Felipe Salomão, ordenou a plataformas de mídias sociais que suspendam o pagamento por publicidade veiculada de 11 páginas acusadas de publicar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Todas elas eram de apoiadores radicais de Bolsonaro e, em vários casos, se sustentam apenas com a chamada monetização.

Segundo reportagem de capa publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta, a suspensão da monetização dos canais bolsonaristas deve congelar valores milionários. Somente no YouTube, os 14 canais atingidos podem gerar até US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 15 milhões), de acordo com estimativa da ferramenta Social Blade, que produz estatísticas sobre as redes sociais. O ganho exato dos youtubers foi solicitado às empresas de redes sociais, que têm 20 dias para responder.

Ao participar de evento no Mato Grosso na quinta, o presidente Jair Bolsonaro usou o caso para defender o que chamou de liberdade de imprensa. Ele chamou a suspensão da monetização de “cerceamento de mídias sociais” e “ditadura branca”.

Bolsonaro também afirmou que não cometerá uma ruptura institucional porque sabe das consequências, mas reclamou que o “provocam o tempo todo” e que o país está sendo “sufocado” por uma minoria.

“Da minha parte não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal. Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico”, disse o presidente.

Reforma do IR e fundo eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, na tentativa de driblar os obstáculos ao avanço da proposta que muda o Imposto de Renda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve se reunir na semana que vem com deputados da oposição na Câmara em busca de um denominador comum que resulte em maior apoio à iniciativa.

Mesmo com esse gesto, porém, as concessões recentes em nome de mais votos acenderam o alerta na equipe econômica, que pode abandonar de vez o projeto caso fique claro que ele será desfavorável para as contas do País.

Integrantes da equipe econômica já têm hoje a avaliação de que a reforma do IR “não se paga” e que as disputas em torno do projeto são até positivas por adiar ainda mais a votação, deixando tudo como está. Apesar do ceticismo dessa ala da equipe, o ministro da Economia tentará buscar na oposição uma “tábua de salvação” para a proposta.

Em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve decidir hoje o futuro do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A expectativa é que ele vete o fundo e o negocie dentro do orçamento, com um valor esperado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Líderes no Congresso pressionam para aumentar esse valor para R$ 4 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo.

Já a AGU pediu ao STF a suspensão da decisão que determinou o pagamento de R$ 8,7 bilhões ao Fundef da Bahia e deve fazer o mesmo com a dívida com Pernambuco, Ceará e Amazonas. Com estes estados, o alívio seria de R$ 15,6 bilhões no caixa de 2022.

Ainda em destaque, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), agendou para a próxima terça a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, que poderá levar à sua recondução ao cargo. Mas não marcou sabatina para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça, que continua na fila de espera apesar de sua indicação ao STF ter chegado ao Senado nove dias antes da formalização do caso de Aras.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque notícias sobre Gerdau, Renner, JBS e BRF. Confira abaixo:

Gerdau (GGBR4)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Lojas Renner (LREN3)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas. Em comunicado, a companhia afirmou ter atuado para mitigar os efeitos do ataque e que a maior parte das operações já foram restabelecidas, com os principais bancos de dados preservados. Além disso, a Lojas Renner afirmou que suas lojas físicas não tiveram as atividades interrompidas.

JBS (JBSS3)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032. 

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

BRF (BRFS3)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3)

A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui. 

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Na quinta-feira, o empresário Nelson Tanure afirmou que fundos com os quais tem ligações compraram cerca de 26% da empresa de diagnósticos médicos Alliar. Isso complica uma proposta de compra pela rede de hospitais Rede D’Or. Tanure diz que não tem planos de mudar a gestão da Alliar.

CVC (CVCB3)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

IPOs

A provedora de serviços de internet Vero pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO), ilustrando a movimentação de empresas do setor para buscar recursos no mercado para ganhar musculatura antes do leilão do 5G. Criada em 2019 com a união de oito empresas do interior de Minas Gerais, a empresa se expandiu para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e afirma ter atualmente cerca de 500 mil clientes, com 18,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Pressão regulatória atinge mais setores em “nova China” de Xi Jinping

(Crédito: Shutterstock)

(Bloomberg) — A repressão regulatória da China sobre mercados vistos como injustos encontrou mais alvos na sexta-feira entre fabricantes de bebidas, empresas de cosméticos e farmácias online.

Uma série de comentários e artigos na mídia estatal defendiam uma supervisão mais rigorosa para proteger consumidores, uma vez que a campanha do presidente Xi Jinping para abordar a desigualdade amplia seu alcance por meio dos setores de tecnologia e saúde. Isso trouxe mais dor de cabeça para investidores, com instituições globais vendendo US$ 1 bilhão em ações da China continental por meio de links de trading na sexta-feira, enquanto empresas chinesas negociadas nos EUA enfrentam semanas de perdas.

“Com as preocupações sobre regulamentação e o início de uma desaceleração do crescimento econômico, é extremamente difícil ganhar dinheiro agora”, disse Hou Anyang, gestor da Frontsea Asset Management, em Shenzhen. “Nesse ritmo, mesmo ações vencedoras em veículos elétricos e chips podem não permanecer fortes por muito mais tempo.”

Destiladoras estavam entre os destaques de queda no índice CSI 300, referência da China continental, enquanto o indicador Hang Seng de Hong Kong entrou em mercado baixista, tendo caído 20% em relação à máxima no início deste ano.

A ação da Kweichow Moutai, maior fabricante de bebidas da China, perdeu 4,4%. Os papéis do setor saúde online também caíram. A JD Health International despencou 10% após o People’s Daily ter pedido mais proteções e garantias para medicamentos vendidos na Internet.

O indicador CSI caiu cerca de 3,6% nesta semana e fechou no menor nível desde 28 de julho.

A mídia estatal também aumentou a pressão sobre o setor de cirurgia estética, pedindo mais escrutínio de regulamentações incompletas e aumento das disputas médicas. A ação da Ping An Healthcare & Technology se desvalorizou 14%, uma queda recorde.

As perdas nesses novos setores chegam em um momento de apreensão de investidores sobre quais empresas podem entrar na mira de autoridades. Nas últimas semanas, vários setores foram atingidos, como de reforço escolar, cigarros eletrônicos, jogos e fórmulas infantis.

O foco em compartilhar a prosperidade na sociedade se traduz em “menores ganhos e maior prêmio de risco, e bastante incerteza”, disse Sean Taylor, diretor de investimentos para Ásia-Pacífico do DWS Group, em entrevista à Bloomberg Television. “Tivemos mudanças regulatórias no passado e, no geral, foram muito boas para ações de maior peso, porque estimularam a concorrência. Mas isso é muito diferente, porque não sabemos onde está o poço.”

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Ibovespa repete dia anterior e zera perdas seguindo Wall Street; dólar vira para queda

(Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa segue o script do dia anterior e, depois de uma queda consistente durante a manhã, passa a subir no início da tarde desta sexta-feira (20) seguindo o desempenho das bolsas dos Estados Unidos, que novamente são puxadas por ações de empresas do setor de tecnologia.

Segundo Leonardo Santana, analista da Top Gain, a Bolsa segue a toada da semana e à medida em que o mercado americano devolve perdas os ativos aqui começam a seguir. “Nas commodities, a prata começou a subir, o cobre também, o petróleo, que caía 2%, já está reduzindo bem as perdas”, avalia.

Todavia, Santana ressalta que as medidas recentes do governo apontando para uma “maquiagem” do teto fiscal, acabarão levando o benchmark da B3 a encerrar a semana em baixa.

O radar macroeconômico ainda conta com focos de incertezas como o avanço da variante delta do coronavírus e a pressão regulatória do governo da China. Na terça, os Estados Unidos registraram mais de mil mortes pela Covid-19 em um dia pela primeira vez desde março.

Também na terça, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “se for para taxas dividendos em 15% é melhor nem ter reforma do Imposto de Renda”, rejeitando a possibilidade de reduzir a alíquota de 20% que propôs.

Já Bruno Funchal, secretário do Tesouro, fala à tarde sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios.

Às 12h44 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha leve variação positiva de 0,11%, a 117.291 pontos.

Vale lembrar que não é incomum um movimento de venda nas sextas-feiras em momentos nos quais o cenário macro está mais incerto, pois os investidores temem entrar no fim de semana posicionados na renda variável.

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Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,35% a R$ 5,403 na compra e a R$ 5,404 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro cai 0,35% a R$ 5,406.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe um ponto-base a 6,72%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de dois pontos-base a 8,44%, o DI para janeiro de 2025 recua nove pontos-base a 9,60% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de nove pontos-base a 10,04%.

Voltando ao exterior, no Japão os papéis de empresas do setor automobilístico continuam a registrar perdas, após o anúncio na quinta-feira de que a Toyota deverá cortar em 40% sua produção global em setembro em relação àquilo planejado anteriormente, segundo informações reproduzidas pela agência internacional de notícias Reuters.

Já na Europa, a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid é impulsionada pela suspensão de medidas de distanciamento social e pela forte demanda interna após o PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido 1,5% no segundo trimestre.

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam queda de 2,5% nas vendas no varejo em julho em relação ao mês anterior, quando a escassez global de chips e o clima chuvoso impactaram o comportamento dos consumidores britânicos.

Covid, CPI e política

Na quinta (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 821, queda de 9 em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.030 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.895, o que representa queda de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.793 casos.

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Chegou a 120.228.060 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,78% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 53.437.018 pessoas, ou 25,24% da população.

Na quinta, falou à CPI da Covid no Senado o dono da farmacêutica Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele limitou-se a responder à CPI da que conhece o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), recusando-se a responder às demais perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) amparado em habeas corpus concedido pela ministro Rosa Weber, do STF.

Maximiano disse que seria apenas fiador de um imóvel usado por um amigo de Barros, apesar de aparecer como locatário.

Maximiano evitou perguntas sobre as negociações suspeitas para compra da vacina contra Covid-19 Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tinha como representante no Brasil a Precisa. Mas responsabilizou uma empresa localizada nos Emirados Árabes Unidos por falsificar documentos entregues ao Ministério da Saúde.

As denúncias de irregularidades envolvendo as tratativas para compra da Covaxin foram feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Após as denúncias, o Ministério da Saúde cancelou o contrato para compra da Covaxin e a Bharat Biotech encerrou o relacionamento com a Precisa.

Barros tornou-se na quarta-feira formalmente investigado pela CPI da Covid. De acordo com depoimento de Luís Miranda à CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou o envolvimento do líder do governo nas supostas irregularidades envolvendo a Covaxin. Bolsonaro não desmentiu o relato de Miranda, e Barros nega quaisquer irregularidades.

Na quinta, a CPI da Covid aprovou novo pedido de quebra de sigilo fiscal de Barros. O colegiado vai requerer os dados à Receita Federal e informações sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI também deu aval ao requerimento de quebra de sigilo fiscal do advogado Frederick Wassef, que defende o presidente Bolsonaro e sua família.

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Além disso, nesta semana o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Felipe Salomão, ordenou a plataformas de mídias sociais que suspendam o pagamento por publicidade veiculada de 11 páginas acusadas de publicar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Todas elas eram de apoiadores radicais de Bolsonaro e, em vários casos, se sustentam apenas com a chamada monetização.

Segundo reportagem de capa publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta, a suspensão da monetização dos canais bolsonaristas deve congelar valores milionários. Somente no YouTube, os 14 canais atingidos podem gerar até US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 15 milhões), de acordo com estimativa da ferramenta Social Blade, que produz estatísticas sobre as redes sociais. O ganho exato dos youtubers foi solicitado às empresas de redes sociais, que têm 20 dias para responder.

Ao participar de evento no Mato Grosso na quinta, o presidente Jair Bolsonaro usou o caso para defender o que chamou de liberdade de imprensa. Ele chamou a suspensão da monetização de “cerceamento de mídias sociais” e “ditadura branca”.

Bolsonaro também afirmou que não cometerá uma ruptura institucional porque sabe das consequências, mas reclamou que o “provocam o tempo todo” e que o país está sendo “sufocado” por uma minoria.

“Da minha parte não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal. Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico”, disse o presidente.

Reforma do IR e fundo eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, na tentativa de driblar os obstáculos ao avanço da proposta que muda o Imposto de Renda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve se reunir na semana que vem com deputados da oposição na Câmara em busca de um denominador comum que resulte em maior apoio à iniciativa.

Mesmo com esse gesto, porém, as concessões recentes em nome de mais votos acenderam o alerta na equipe econômica, que pode abandonar de vez o projeto caso fique claro que ele será desfavorável para as contas do País.

Integrantes da equipe econômica já têm hoje a avaliação de que a reforma do IR “não se paga” e que as disputas em torno do projeto são até positivas por adiar ainda mais a votação, deixando tudo como está. Apesar do ceticismo dessa ala da equipe, o ministro da Economia tentará buscar na oposição uma “tábua de salvação” para a proposta.

Em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve decidir hoje o futuro do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A expectativa é que ele vete o fundo e o negocie dentro do orçamento, com um valor esperado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Líderes no Congresso pressionam para aumentar esse valor para R$ 4 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo.

Já a AGU pediu ao STF a suspensão da decisão que determinou o pagamento de R$ 8,7 bilhões ao Fundef da Bahia e deve fazer o mesmo com a dívida com Pernambuco, Ceará e Amazonas. Com estes estados, o alívio seria de R$ 15,6 bilhões no caixa de 2022.

Ainda em destaque, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), agendou para a próxima terça a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, que poderá levar à sua recondução ao cargo. Mas não marcou sabatina para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça, que continua na fila de espera apesar de sua indicação ao STF ter chegado ao Senado nove dias antes da formalização do caso de Aras.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque notícias sobre Gerdau, Renner, JBS e BRF. Confira abaixo:

Gerdau (GGBR4)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Lojas Renner (LREN3)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas. Em comunicado, a companhia afirmou ter atuado para mitigar os efeitos do ataque e que a maior parte das operações já foram restabelecidas, com os principais bancos de dados preservados. Além disso, a Lojas Renner afirmou que suas lojas físicas não tiveram as atividades interrompidas.

JBS (JBSS3)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032. 

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

BRF (BRFS3)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3)

A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui. 

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Na quinta-feira, o empresário Nelson Tanure afirmou que fundos com os quais tem ligações compraram cerca de 26% da empresa de diagnósticos médicos Alliar. Isso complica uma proposta de compra pela rede de hospitais Rede D’Or. Tanure diz que não tem planos de mudar a gestão da Alliar.

CVC (CVCB3)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

IPOs

A provedora de serviços de internet Vero pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO), ilustrando a movimentação de empresas do setor para buscar recursos no mercado para ganhar musculatura antes do leilão do 5G. Criada em 2019 com a união de oito empresas do interior de Minas Gerais, a empresa se expandiu para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e afirma ter atualmente cerca de 500 mil clientes, com 18,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Perdas recordes do minério de ferro trazem presságio de ainda mais volatilidade para o setor

(Bloomberg) — O forte colapso das cotações do minério de ferro pressagia mais volatilidade em meio ao cenário de uma política complexa na China e recuperação desigual da demanda global.

Antes uma das commodities mais procuradas no boom de matérias-primas este ano, o minério de ferro rapidamente se tornou uma das mais voláteis. As perdas de cinco semanas nos contratos futuros e a queda de 14% no mercado à vista na quinta-feira levaram a uma baixa de 40% desde o recorde de maio, sob o impacto das medidas da China para controlar a produção de aço e reduzir a poluição.

A atenção agora se volta para um cenário incerto sobre o consumo, o que reforça a perspectiva de oscilações mais fortes e de curto prazo. A demanda da China dá sinais de desaceleração, embora com crescentes expectativas de que as autoridades possam recorrer à infraestrutura para ajudar a sustentar a economia. E o aumento dos casos de Covid-19 pesa sobre o crescimento em muitos países.

O minério à vista de referência, com teor de 62% de ferro, despencou 14% na quinta-feira, a maior queda já registrada. Os futuros em Singapura subiram 5,9%, para US$ 138,30 a tonelada na sexta-feira, após a queda de 12% na sessão anterior, mas permanecem perto do menor nível desde dezembro.

“Estamos extremamente otimistas em relação a esses níveis, dada a expectativa de recuperação da demanda por aço quando a China superar o atual surto de Covid”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities. “Vemos um forte suporte para o minério de ferro a US$ 140 a tonelada e, na verdade, parece incrivelmente sobrevendido.”

O mercado tem sido afetado por políticas às vezes conflitantes da China. Autoridades recorreram ao estímulo para recuperar a economia, o que impulsionou a demanda por commodities essenciais para infraestrutura e mercado imobiliário. Ao mesmo tempo, buscaram cortar a produção de aço, e expectativas de restrições levaram usinas a concentrar a produção no primeiro semestre.

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Da disparada à forte queda, o que esperar para as ações de Vale, CSN Mineração e siderúrgicas com o “novo cenário” para o minério?

Isso levou rapidamente o minério de ferro e o aço a níveis recordes, e pressões inflacionárias resultaram em controles sobre a especulação com commodities, crédito mais restrito e cortes dos gastos em construção.

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Observadores do mercado agora tentam medir até que ponto esse consumo mais baixo se reflete nos preços. O Morgan Stanley disse que o minério de ferro pode cair ainda mais devido à fraca demanda de aço da China, enquanto Tomas Gutierrez, analista da Kallanish Commodities, acredita que o minério está perto de um piso e um segundo semestre fraco está precificado.

Desaceleração

Ainda assim, o crescimento irregular pode sustentar a demanda por minério de ferro além do segundo semestre, se forem necessárias medidas para impulsionar a economia. A economia da China se desacelerou mais do que o esperado em julho, uma vez que os surtos causados pela variante delta trouxeram novos riscos à recuperação e aumentaram o otimismo de que o país possa recorrer a mais estímulos monetários e fiscais para evitar um desaquecimento mais acentuado.

“A demanda por aço vai se enfraquecer no segundo semestre, juntamente com uma desaceleração do setor imobiliário, mas é improvável que haja uma grande queda, já que o país se comprometeu a aumentar o investimento em infraestrutura para compensar os possíveis riscos econômicos”, disse Xu Xiangchun, que cobre o setor há mais de 30 anos e é diretor de informações da consultoria Mysteel Global.

Também há restrições de oferta de longo prazo que devem apoiar o minério de ferro. A Vale busca recuperar a produção desde o desastre da barragem de Brumadinho há mais de dois anos, enquanto a gigante australiana Rio Tinto disse que tem sido difícil acompanhar a demanda.

“Os preços agora caíram para um nível sustentável”, disse Rohan Kendall, chefe de pesquisa de minério de ferro da Wood Mackenzie. “O mercado de minério de ferro permanece suscetível a interrupções de oferta, e aumentos de curto prazo no preço do minério de ferro são prováveis.”

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Da disparada à forte queda: o que esperar para as ações de Vale, CSN Mineração e siderúrgicas com o “novo cenário” para o minério?

SÃO PAULO – Contratos futuros negociados em Dalian com queda de mais de 7%, os de Singapura com baixa de mais de 12%, derrocada de 13,5% no porto de Qingdao.

Por onde quer que se olhe, o dia é de forte queda para o minério de ferro que, à vista, chegou ao menor patamar desde 1 de dezembro, a US$ 132,66 a tonelada, após chegar a beirar os US$ 240 em maio. Ou seja, mais que uma queda pontual, essa é uma tendência observada no mercado, com os preços acumulando baixa de mais de 40% em relação ao recorde alcançado há apenas três meses.

A queda já vinha ocorrendo uma vez que a China tem pressionado siderúrgicas a limitarem a produção para reduzir a poluição, e o menor volume produzido em julho sinaliza que as medidas começam a fazer efeito. Alguns grandes produtores já tomaram providências para reduzir a oferta, enquanto a gigante de mineração BHP disse esta semana que a crescente probabilidade de cortes severos da produção no segundo semestre “testa a resolução altista dos mercados de futuros”.

O cenário de queda foi agravado pela percepção maior de risco com a variante delta do coronavírus, que se espalha rapidamente e com dados mais fracos nos EUA e na China, que recentemente reforçaram a percepção de que a recuperação econômica global está perdendo força.

Somou-se a isso ainda a expectativa de que o Federal Reserve possa em breve começar a reduzir o enorme estímulo que ajudou a elevar os preços no último ano (ainda que os dados mais fracos de atividade possam levar o Fed a adiar esse anúncio).

Por mais que essa baixa fosse já bastante esperada e até em certa parte precificada pelos investidores – em análises anteriores, a expectativa de queda para o minério já era destacada -, o impacto é invariavelmente sentido nas ações dos setores de mineração e siderurgia. Pela primeira vez desde abril, a Vale (VALE3) fechou abaixo dos R$ 100 na B3, com queda de 5,71%, a R$ 97,51, um valor quase 17% abaixo da máxima de fechamento da Vale, registrada em 28 de julho, quando os ativos fecharam a R$ 117,30.

O papel da CSN Mineração (CMIN3), por sua vez, fechou com perdas menos expressivas, de 0,28%, a R$ 6,99, após cair até 4,42%, mas ainda acumulando perdas de 18,26% apenas em agosto.

Nesta sessão, os papéis de siderúrgicas também caíram forte, com CSN (CSNA3) em baixa de 5,78% e acumulando perdas de 16% no mês, Usiminas (USIM5) também com desvalorização de 5,69% na sessão e de cerca de 17% em agosto. Já Gerdau (GGBR4) teve perdeu 3,52% na sessão e acumula baixa de 8,5% no mês. Ainda assim, os papéis dessas companhias registram ganhos acumulados entre 17% e 24% em 2021, ainda na esteira de resultados recordes no auge dos preços das commodities, mas com muitas dúvidas no radar sobre o que esperar daqui para frente.

Para o Morgan Stanley, embora os analistas já esperassem que a dinâmica de oferta e com a demanda desacelerando levassem a um declínio de preço para uma média de US$ 118 a tonelada em 2022, eles ficaram surpresos com a velocidade com que essa “normalização” de preço está ocorrendo. E, para os analistas do banco, dada a demanda mais fraca por aço da China, ainda é possível ver mais quedas potenciais a partir desse ponto.

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Grande parte do foco do mercado tem sido sobre as restrições à produção de aço da China – com cerca de 27 milhões de toneladas de cortes de produção anunciados para o segundo semestre-, mas o Morgan acredita que a desaceleração da demanda de uso final de aço na China também está desempenhando um papel significativo.

“A correção de 5% no preço do vergalhão da China desde o início de agosto pode apontar para um ambiente de redução da demanda. Na verdade, os dados de produção industrial da China para julho, divulgados no início desta semana, destacam uma desaceleração significativa nos principais setores de uso final do aço da China, principalmente nos setores de construção e infraestrutura”, apontam.

A atual tendência de baixa pode levar a medidas de estímulo, mas o Morgan acredita que pode levar seis meses antes que se traduza em demanda real de aço. Enquanto isso, a ‘redefinição regulatória’ no setor imobiliário da China torna improvável uma recuperação rápida da demanda, segundo o Morgan. “Embora a demanda de aço da China possa se recuperar com a melhora sazonal da atividade de construção em setembro, uma melhora rápida seria necessária para compensar a atual fraqueza do mercado”, aponta.

Nesse contexto, e também levando em conta um aumento da oferta sazonal de minério, os analistas apontam que ainda podem ver pressão de baixa no preço atual e risco de queda significativo na projeção que possuem para o quarto trimestre (do minério a US$ 160 a tonelada).

Por outro lado, os analistas do Bradesco BBI destacaram que o movimento do minério de ferro nesta quinta foi de uma queda exagerada, levando em conta que a produção de aço chinesa não deve entrar em colapso no segundo semestre, os níveis de estoque não estão “inchados” e as margens das siderúrgicas chinesas permanecem em bases positivas.

Para o BBI, o mercado de minério de ferro não estará mais tão apertado em 2022, mas os preços ainda estarão acima dos níveis normais. Eles ainda elevaram as projeções: “Esperamos que os preços do minério de ferro fiquem em média US$ 170 a tonelada em 2021 e US$ 120 a tonelada em 2022, ante previsão anterior respectiva de US$ 150 a tonelada e US$ 110 a tonelada.”, apontam.

A casa acredita que haverá um aumento na demanda global de minério de ferro, a 7,5% em 2021 e em mais 1% em 2022, chegando a 2 bilhões de toneladas. Por outro lado, haverá um crescimento “limitado” da oferta de minério de ferro (de 90 milhões de toneladas em 2021 e de 60 milhões em 2022, principalmente da Vale, que está crescendo gradualmente), o que deve sustentar o mercado de minério de ferro.

Os analistas avaliam que as margens das siderúrgicas devem permanecer sustentadas em níveis saudáveis ​​e acima da média em 2022 e por outros anos, devido a: (i) restrições de produção na China para conter as emissões, que no fim do dia limitam a capacidade de produção disponível do país e  (ii) menores exportações da China, apoiando siderúrgicas fora do país; os analistas esperam que a China exporte entre 15-20 milhões de toneladas a menos de aço em 2022, após exportar 70 milhões de toneladas em 2021 e (iii) nenhuma mudança muito significativa sobre a demanda de aço (embora o crescimento seja a taxas mais baixas em relação aos dias atuais).

Mineradoras e siderúrgicas: depois das fortes quedas…

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Com esse cenário, o que esperar para as ações das mineradoras e siderúrgicas negociadas na B3?

O Morgan, em seu caso-base para o ano que vem, ainda está levando em conta preços projetados abaixo dos valores atuais da commodity. Contudo, os analistas avaliam que a queda dos preços pode aumentar o foco sobre os riscos de ganhos das mineradoras. Nas Américas, Vale e CSN Mineração aparecem com as maiores proporções de seu portfólio atreladas à dinâmica de preços do minério, podendo ser afetadas.

O Bradesco BBI, por sua vez, reforça que as ações das companhias de mineração e siderurgia na B3 estão refletindo um cenário excessivamente pessimista.

“Os nomes do minério de ferro refletem os preços da commodity entre US$ 50 e US$ 60 a tonelada para sempre”, aponta em relatório Thiago Lofiego, analista do Bradesco BBI, o que seria um valor entre 55% e 62% menor frente o patamar atual. As siderúrgicas, aponta, refletem uma correção entre 50% e 55% nos preços domésticos.

O analista ressalta que os preços dos metais estão sendo negociados naturalmente com base no backwardation (relação entre os preços atuais versus os preços do mercado futuro), com os investidores constantemente esperando uma correção, que se materializou parcialmente nos últimos meses.

“Mas, no final do dia, o que realmente importa é em que patamar os metais realmente são negociados contra as expectativas e, em última análise, o que esse FCF (fluxo de caixa livre) em excesso significa para os preços das ações”, aponta. Assim, reforça, os preços atuais dos papéis estão sendo negociados precificando um cenário muito mais negativo.

Os analistas veem Usiminas, Vale e CSN Mineração sendo as melhores opções no setor, todas negociando a múltiplos muito atraentes e, no caso da Vale e CMIN, oferecendo atrativos dividendos de 15% e 19% para 2022.

Sobre Vale, o BBI ressalta que o minério de ferro agora está sendo negociado mais perto dos fundamentos de oferta e demanda, o que implica que os investidores podem ficar mais confortáveis ​​com a compra de ações após a recente queda nos preços. Os analistas ainda elevaram o preço-alvo do ADR da companhia de US$ 25 para US$ 26, um potencial de alta de 33% em relação ao último fechamento, enquanto possuem um preço-alvo de R$ 133 para VALE3, ou alta de 28%.

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Para CSN Mineração, o preço-alvo é de R$ 14, alta de 94% em relação ao fechamento de quarta.

Já sobre CSN, o BBI retomou a cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 67 por ação, ou um potencial de alta de 72% em relação ao último fechamento.

Usiminas, assim como a Vale, teve o preço-alvo elevado, passando de R$ 32 para R$ 34, ou um potencial de alta de 85%.

O analista aponta que, embora acredite que os volumes de aço e os preços atingiram o pico no Brasil, por enquanto, o ambiente operacional segue muito saudável para a companhia. Isso porque a produção de automóveis (a Usiminas produz aço plano, utilizado para esses fins) tende a melhorar nos próximos trimestres, também suportada pela reposição de estoque, uma vez que os estoques de automóveis estão historicamente baixos. Além disso, o maquinário e a demanda de bens de capital devem continuar a crescer à medida que o Brasil sai da pandemia e os preços e margens globais do aço devem permanecer em níveis elevados.

A Gerdau também tem recomendação de compra pelo BBI, com preço-alvo sendo elevado de R$ 45 para R$ 46 para GGBR4, um potencial de alta de 61%. “Acreditamos que a dinâmica dos ganhos deve permanecer forte nos próximos trimestres, uma vez que a Gerdau desfruta de uma combinação de sólida demanda de uso final e preços saudáveis ​​nas principais divisões. No Brasil, apesar dos preços domésticos de aço mais fracos em 2022, volumes saudáveis ​​e menores pressões de custos devem implicar em margens ainda muito saudáveis ​​(perto de 30%)”, avaliam.

Um risco para o mercado de aços longos (mais utilizado na construção civil) pode ser o ritmo de aumento de novas capacidades que estão sendo adicionadas ao mercado. Já nos EUA, um spread de metal maior do que a média ainda deve ser a norma em 2022, já que a atividade de construção permanece sólida, avaliam.

Enquanto o BBI está mais otimista, o Itaú BBA fez ponderações sobre o setor antes mesmo da forte derrocada das ações do setor nesta quinta-feira.

Os analistas do banco reduziram a recomendação para as ações de CSN e Usiminas de outperform para market perform,  (perspectiva de valorização dentro da média do mercado), destacando que as perspectivas de valorização da CSN e da Usiminas não representam proposições atraentes de risco e recompensa. O preço-alvo para CSN passou de R$ 61 para R$ 48 e para Usiminas passou de R$ 28 para R$ 24.

Já a Gerdau é a favorita dos analistas no setor, sendo uma empresa mais focada em aço, sem exposição a mineração. “Gostamos mais da dinâmica para aço do que para minério no curto prazo”, apontam. O preço-alvo para o ativo GGBR4 é de R$ 40.

Eles reforçam a avaliação de que, apesar da média estimada por eles para o minério de ferro em 2021 ter subido levemente de US$ 150 a tonelada para US$ 170 a tonelada, veem um cenário desafiador para a commodity, destacando os dados recentes indicando queda na produção de aço na China.

Sobre a Vale, os analistas do BBA seguem com recomendação equivalente à compra para os ativos da companhia, mas reduziram o preço-alvo de US$ 26 para US$ 25 (em um movimento contrário ao do BBI). “Ainda acreditamos que a Vale apresenta uma boa proposta de valor, com a geração de caixa apresentando um retorno de 21% em 2021 e potencialmente levando a uma distribuição de dividendos extraordinária de aproximadamente US$ 5 bilhões durante a segunda metade de 2021 – o equivalente a um total de mais de US$ 18 bilhões retornando aos acionistas por meio de dividendos ou recompras”, apontam.

(com informações da Bloomberg)

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Ibovespa sobe e encerra sequência negativa, mas analistas recomendam cautela diante de cenário repleto de incertezas

ações bolsa gráfico índice mercado opções compra venda sell buy (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (19), recuperando-se depois de três quedas consecutivas, mas os analistas avaliam que ainda há incertezas demais no radar para que o investidor tenha tanta certeza de que o movimento de baixa do índice atingiu seu fundo.

Segundo Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, o risco fiscal aumentou drasticamente com a edição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, que mina ainda mais a credibilidade do teto de gastos.

Além disso, ele explica que o grande driver de alta da Bolsa no ano, a valorização das commodities energéticas e metálicas, parou de ser um suporte para o mercado. Essa mudança se deveu às políticas implementadas pela China, que na opinião de Zanetti, “uniu o útil ao agradável” para diminuir a poluição no país.

“Essas intervenções no setor de aço e de construção ajudaram a frear o ciclo de valorização das propriedades chinesas”, destaca. De acordo com o gestor, embora o múltiplo valor da empresa dividido pelo lucro na Bolsa esteja atrativo, é preciso ponderar que esse nível, a um desvio-padrão da média histórica, parece razoável diante de uma eleição polarizada para presidente da república em 2022, com risco cada vez maior de guinada populista para obtenção do apoio popular.

“Não vejo este como um ótimo momento para compra indiscriminada. É importante olhar para empresas específicas que estejam menos expostas ao ciclo econômico e a fatores políticos”, defende.

Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto Investimentos, tem uma visão parecida. Para ele, o mercado brasileiro está se descolando para baixo do movimento internacional devido ao uso do Orçamento para melhorar a imagem do governo, como ficou claro com as notícias de aumento no benefício do Bolsa Família e de PEC dos Precatórios.

Sobre a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) divulgada ontem, o estrategista vê algum grau de surpresa, pois havia expectativa de que o Federal Reserve esperasse o simpósio de Jackson Hole para dar mais clareza sobre política monetária. O movimento, contudo, não é totalmente negativo.

“Parece que o Fed busca cada vez mais dar clareza para o mercado. É importante separar os fatores. O início da redução de compras de ativos pode não significar que vai começar o aumento de juros tão cedo”, diz.

Além disso, com a crise entre os Três Poderes, Komura enxerga maior dificuldade do Executivo em emplacar reformas econômicas no Congresso. Entretanto, o estrategista não dá o ano como perdido.

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“Toda a desvalorização faz sentido dado todo esse cenário, mas até o fim do ano tem esperança de um alívio por conta da vacinação, que está avançando em diversas regiões do Brasil, principalmente em São Paulo, o que vai permitir um relaxamento das restrições”, explica.

Nesta quinta

Hoje, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%, a 114.801 pontos, mas recuperou-se junto com o exterior conforme o desempenho dos índices S&P 500 e Nasdaq, em Wall Street melhorava puxado por ações de empresas de tecnologia e ativos do setor de saúde.

Mais cedo, a ata do Fomc, que sinalizou ontem a discussão sobre a redução do ritmo de compras mensais de títulos ainda em 2021, ainda trazia muita preocupação globalmente.

Por outro lado, nesta manhã saíram os dados de auxílio desemprego nos Estados Unidos, com o número caindo 29 mil na semana encerrada em 14 de agosto, a 348 mil pedidos, segundo dados com ajustes sazonais do Departamento do Trabalho americano.

O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Refinitiv, que previam 363 mil solicitações. O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 375 mil para 377 mil pedidos.

Além disso, o dia ainda teve um foco de ruído a mais para mercados emergentes, que é a forte desvalorização das commodities. O minério de ferro negociado em Singapura teve baixa de 12%, passando a cair no ano após chegar a subir 55% até meados de julho.

A queda ocorreu tanto pela ata do Fomc quanto pelo consumo chinês menor (pelo crescimento menor do país e pela ação das autoridades de diminuir a poluição). O preço do petróleo também cai e já acumula 15% de queda desde as máximas de julho.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo quer em seis meses reduzir em 10% a Tarifa Externa Comum (TEF) do Mercosul para barrar o aumento da inflação. “É hora de aumentar a oferta de alimentos, aumentar a oferta de aço, de material de construção, tudo isso aí dá uma acalmada no setor”, comentou.

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Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que ruídos políticos têm afetado as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2022 e que o Banco Central fará o que for necessário para garantir o cumprimento da meta de inflação.

O Ibovespa teve alta de 0,45%, a 117.164 pontos com volume financeiro negociado de R$ 38,49 bilhões.

Dentre as chamadas blue chips, a ação que mais subiu, ajudando a manter o benchmark em terreno positivo, era a da B3 (B3SA3), com valorização de 4,7%. O papel responde por 3,95% da composição do índice.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,89% a R$ 5,422 na compra e a R$ 5,423 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro tem ganhos de 0,77% a R$ 5,437 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu seis pontos-base a 6,72%, DI para janeiro de 2023 teve queda de 17 pontos-base a 8,47%, DI para janeiro de 2025 recuou 25 pontos-base a 9,71% e DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 17 pontos-base a 10,15%.

As bolsas asiáticas tiveram quedas na quinta, ainda por conta de temores sobre pressão regulatória na China. Em reunião de terça-feira, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

Por Dentro dos Resultados

Às 18h, o InfoMoney entrevista Thiago Grechi (CFO) e David Abuhab (CSO), da Neogrid (NGRD3).

Quer fazer perguntas aos CEOs das empresas que se destacam na Bolsa? Acompanhe a série Por Dentro dos Resultados no YouTube do InfoMoney

Covid, CPI, precatórios e vacinação

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Na quarta (18), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 813, queda de 8% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 985 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.117, o que representa queda de 11% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 41.017 casos.

Chegou a 118.860.218 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,13% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 52.453.993 pessoas, ou 24,77% da população.

Na quarta, falou à CPI da Covid no Senado Túlio Silveira, advogado da Precisa Medicamentos, que intermediou o acordo de compra pelo governo de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. Ele confirmou que abriu um escritório dias antes da assinatura do contrato de compras. Agora, ele passa a condição de investigado, na qual será obrigado a responder às perguntas dos senadores.

Também na quarta, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou a jornalistas que o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, será formalmente investigado pelo que chamou de “conjunto da obra” e não apenas pelas suspeitas envolvendo as negociações para compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

Nesta quinta, falará à CPI Francisco Maximiano, sócio da Precisa. A atuação da empresa como intermediária do acordo de compra da Covaxin é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Também na quarta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade não autorizar o uso da vacina contra Covid-19 CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.

O Butantan, responsável pelo envase no Brasil da vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, havia pedido à Anvisa no mês passado para ampliar a faixa etária para a aplicação da CoronaVac de modo que crianças e adolescentes também pudessem receber o imunizante.

Mas a agência afirmou que falta ao instituto apresentar dados que possam estabelecer o perfil de eficácia e segurança do imunizante na população pediátrica, uma vez que o estudo apresentado contou com apenas 586 participantes, número que considerou insuficiente.

Na mesma reunião, a agência reguladora também fez uma recomendação oficial ao Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, para que seja considerada a aplicação de uma terceira dose da CoronaVac, em caráter experimental, em especial para públicos-alvo prioritários, como pacientes imunocomprometidos ou idosos.

Além disso, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso na quarta-feira, o secretário de Orçamento do Ministério da Economia, Ariosto Culau, afirmou que a conta de precatórios de R$ 89,1 bilhões para 2022 inviabiliza o financiamento da terceira dose de vacina contra a Covid-19, prevista em plano de imunização encaminhado pelo Ministério da Saúde.

Culau afirmou que a confecção do Orçamento para o ano que vem está sendo desafiadora e que o aumento de R$ 34,4 bilhões verificado nas despesas com precatórios é sem precedentes.
Requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais, os precatórios são despesas obrigatórias. Como têm crescido vertiginosamente, eles têm na prática comido espaço, sob a regra do teto, para outras despesas.

Com a fala de Culau, a viabilização do programa de vacinação se soma aos argumentos do governo a favor de sua proposta de emenda constitucional (PEC) que visa parcelar os precatórios.

O texto divide em dez parcelas o pagamento dos precatórios de mais de R$ 66 milhões e impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Com a PEC, a estimativa do Ministério da Economia é de ganhar R$ 33,5 bilhões em espaço orçamentário no ano que vem. Anteriormente, quadros do governo já afirmaram que, sem o parcelamento, seria impossível financiar a expansão do Bolsa Família e mesmo o pagamento de salários do funcionalismo.

“(Pela) magnitude do comprometimento que a gente tem com essa despesa que, pela Constituição, deve ser honrada e vai ser honrada, temos realmente muitas dificuldades para atender essas demandas das mais diversas áreas”, disse o secretário.
Também presente na audiência, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, voltou a dizer que, antes de conhecido o impacto dos precatórios para o ano que vem, o governo previa ter um espaço adicional de R$ 30,4 bilhões para despesas em 2022 dentro do teto de gastos.

Agora, a perspectiva é de envio para o Congresso de um projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 sem qualquer folga orçamentária, o que será feito até o fim deste mês.

Imposto de Renda, teto de gastos e tensão institucional

Em entrevista concedida na quarta-feira à agência internacional de notícias Reuters, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), disse avaliar que o projeto que altera regras do Imposto de Renda “subiu no telhado”, tem poucas perspectivas de aprovação no momento e precisará ser reconstruído para chegar a um mínimo de convergência.
O parlamentar disse ter se comprometido com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a participar das negociações.

Para o deputado, a proposta do IR, que teve sua votação adiada mais uma vez na terça-feira, conta com pouco apoio e correria o risco de ser derrotada em plenário se fosse a voto, mesmo se tratando de um projeto simples, sem a necessidade de quórum qualificado de aprovação.

Para o deputado, a investida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, buscando viabilizar um novo programa social em substituição ao Bolsa Família coloca em risco dois “patrimônios” conquistados pelo país nas últimas décadas: o controle da inflação e os sinais de austeridade fiscal.

“Para mim está claro que há um abandono da política de austeridade fiscal, porque a prioridade absoluta do presidente é turbinar o programa de transferência de renda. Não por um desejo de ajudar os brasileiros, mas por uma métrica absolutamente eleitoral, porque ele começa a enxergar que essa pode a ser a última tábua de salvação para o projeto dele de reeleição. Se o preço disso for romper o teto de gastos, que se rompa”, disse Ramos.

“Na verdade, me parece muito claro que o ministro Paulo Guedes já decidiu romper o teto de gastos. A discussão não é se vai romper. É como vai romper”, afirmou. Ele disse avaliar que saídas como parcelar “compulsoriamente” os precatórios ou classificando-os como despesa corrente ferem teto de gastos.

O parlamentar diz avaliar, ainda, que o discurso mais agressivo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a integrantes das cortes, integram parte de sua estratégia eleitoral.

Na quarta, os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) notícia-crime contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, pelo suposto crime de prevaricação por suposta omissão em relação aos ataques do presidente Jair Bolsonaro e aliados ao sistema eleitoral brasileiro, na defesa do regime democrático brasileiro e na fiscalização do cumprimento da lei no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

A peça, dirigida à ministra do STF Cármen Lúcia, pede que o caso seja analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Em entrevista de 13 minutos publicada como reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo nesta quinta, Aras nega ter se omitido em relação aos ataques do presidente Bolsonaro contra o sistema de votação. Questionado sobre se o sistema é confiável, ele afirma: “não há nenhuma prova [contrária ao sistema] do Ministério Público Eleitoral”.

Na quarta, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a retomada de uma reunião entre os chefes dos Poderes, ressaltando que o radicalismo e o extremismo são capazes de derrotar a democracia.

O presidente do STF cancelou no início do mês uma reunião que estava marcada entre os chefes dos Poderes, citando como razão os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro a magistrados do Supremo, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Pacheco ressaltou que a democracia “não pode ser aviltada e questionada como está sendo recentemente no país”, e destacou a necessidade de diálogo para a solução da crise institucional vivida atualmente, em especial entre o Executivo e o Judiciário.

Na abertura da sessão do Supremo na quarta, Fux fez um breve comunicado aos demais ministros sobre o encontro que teve com Pacheco e disse que o pedido do presidente do Senado será avaliado.

Em um evento de entrega de casas em Manaus na quarta, Bolsonaro disse que no dia 7 de setembro estará “onde o povo estiver”, indicando que deve efetivamente participar das manifestações marcadas para o dia. Uma fonte disse à agência Reuters que Bolsonaro irá aos atos organizado por apoiadores em São Paulo e em Brasília, que têm entre suas pautas a defesa do voto impresso, a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças de golpe de Estado.

O presidente também voltou a falar da alta da inflação e do preço dos combustíveis. Reclamou que o preço do botijão de gás e do litro da gasolina era “absurdo”, mas fez questão de culpar os governos estaduais pela alta.

“Pensar nos mais humildes é zerar impostos, não aumentar impostos para que os produtos cheguem mais baratos na ponta”, afirmou.

Radar corporativo

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CVCB3 7.9096 19.1
LWSA3 7.78761 24.36
TOTS3 5.78035 36.6
RENT3 5.30701 58.14
LCAM3 5.17172 26.03

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CSNA3 -5.78049 37
VALE3 -5.70544 97.51
USIM5 -5.68747 17.08
BRAP4 -5.32995 63.41
GGBR4 -3.51916 27.69

O noticiário corporativo tem como destaques Vale, Petrobras, entre outras companhias, confira abaixo:

Vale (VALE3)

A Vale comunicou que recebeu “com surpresa”, pela mídia, a notícia de que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) propôs um incidente de desconsideração da personalidade jurídica da Samarco, em que solicitou que suas duas sócias fossem integradas ao processo de recuperação judicial em curso. A mineradora afirma que não foi formalmente notificada da ação, e apresentará a sua defesa no prazo legal.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras retomou o processo de arrendamento do seu Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bahia para a texana Excelerate Energy, única a apresentar proposta em uma licitação do ativo feita em junho.

Ainda em destaque, a Petrobras ampliou a oferta de combustíveis para térmicas, o que permitiu aumentar, em nove meses (de setembro de 2020 a junho de 2021), a geração termelétrica de suas usinas e de clientes de cerca de 2 mil megawatts (MW) para quase 8 mil MW.

Copel (CPLE6)

A Copel lançou na quarta o Programa de Demissão Incentivada (PDI), em função da venda da Copel Telecom. Segundo a empresa, o PDI é estimado em R$ 80,6 milhões de indenizações, com prazo para adesão no período de 18 a 31 de agosto deste ano e com os desligamentos previstos para 15 de fevereiro de 2022.

Braskem (BRKM5)

A Braskem confirmou que fechou com a Nexeo Plastics uma parceria de distribuição de filamento de polipropileno (PP) e pellets para fabricação de aditivos. O acordo irá ampliar a distribuição internacional dos produtos da petroquímica para a América do Norte e Europa.

Ambipar (AMBP3)

A Ambipar informou que apresentou à CVM pedido de oferta pública inicial de distribuição primária de ações de sua controlada Environmental ESG Participações, que atua no segmento de soluções ambientais para gestão e valorização de resíduos pós e pré-consumo e na gestão de gases do efeito estufa e originação de créditos de carbono.

JBS (JBSS3)

A agência Standard & Poor’s elevou de estável para positiva a escala global da JBS, com a classificação de crédito em BB+, informou a segunda maior companhia de alimentos do mundo nesta quarta-feira.

Vinci Partners (NASDAQ:VINP)

A Vinci Partners, que abriu seu capital em janeiro deste ano na Nasdaq, fechou o segundo trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 53,4 milhões, representando uma alta de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seis meses, o lucro foi de R$ 100,4 milhões, um crescimento de 53% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

A Alliar (Centro De Imagem Diagnósticos) informou que a Rede D’Or comprou mais 63 mil ações ordinárias de emissão da companhia nesta quarta-feira, 18, totalizando R$ 721,95 mil, após outras aquisições informadas na segunda e terça-feira. Até esse momento, a empresa possui 3,708 milhões de ações da Alliar.

BRF (BRFS3)

A companhia de alimentos BRF inaugurou na quarta-feira uma nova fábrica de salsichas localizada em Seropédica (RJ), com investimento em torno de R$ 300 milhões, atenta a uma demanda excedente pelo produto que ganhou fôlego durante a pandemia da Covid-19.

Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre anunciou nesta quarta-feira acordo para ser acionista do Aleph Group com a aquisição de participação de US$ 25 milhões na empresa de mídia digital, que opera na América Latina por meio da Internet Media Services (IMS).

Dexco

Após a alteração de seu nome, a antiga Duratex, que agora se chama Dexco, vai mudar o seu ticker na Bolsa de DTEX3 para DXCO3, com mudança que passe a valer a partir do pregão desta quinta.

IPOs

A fabricante de meias e de roupa íntima Lupo pediu autorização para uma oferta inicial de ações (IPO), em busca de recursos para investir em tecnologia, distribuição e aquisições de negócios, segundo registro na CVM na quarta.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Minério de ferro segue sob pressão, agora com alerta da BHP sobre aço na China

(Bloomberg) – O minério de ferro ampliou as perdas com um alerta da BHP (BHPG34), que vê probabilidade crescente de “cortes severos” da produção de aço da China este ano.

A perspectiva de produção de aço muito menor no segundo semestre “testa a resolução altista dos mercados de futuros”, escreveu a BHP em relatório sobre o cenário das commodities no site da empresa. O minério de ferro negociado em Singapura acumula queda de cerca de 30% desde a máxima em maio.

A indústria siderúrgica da China está sob pressão depois de prometer reduzir a produção este ano, uma meta que exige enormes cortes no segundo semestre para compensar a expansão da oferta no início de 2021. A produção em julho caiu mais de 8% na comparação anual, segundo dados divulgados na segunda-feira.

Os contratos futuros em Singapura caíam 3,5%, para US$ 152,7 a tonelada às 15h36 no horário local, e caminham para uma quinta baixa semanal. Na China, os futuros perderam 2,5%, fechando no menor nível desde novembro.

Embora a atenção dos investidores esteja muito focada nas restrições à produção da China no segundo semestre, as tendências de demanda do país também serão importantes. O governo de Pequim está promovendo uma série de medidas para controlar o setor imobiliário, que responde por grande parte do uso de aço e tradicionalmente tem ajudado a impulsionar os preços do minério de ferro.

“As autoridades estão claramente preocupadas com o excesso de investimento e o risco de crédito concentrado no setor imobiliário”, escreveu o Commonwealth Bank of Australia em nota por e-mail. E, mesmo que a China adote políticas mais pró-crescimento para combater a recente desaceleração, “há uma boa chance de que o setor imobiliário seja deixado de fora”.

Os futuros do aço em Xangai também tiveram uma sessão de perdas, com a bobina laminada a quente em baixa de 3,3% e o vergalhão com queda de 3,8%.

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Dados fracos da China podem ser só começo de desaceleração maior e impactam mercado de petróleo e minério

SÃO PAULO – A semana começou negativa para a maior parte dos mercados, com as novas restrições para diminuir o impacto da pandemia do coronavírus desacelerando a economia do país que primeiro tinha se recuperado do Covid-19: a China.

A economia do gigante asiático deu sinais de desaceleração acima do que era esperado em julho. A produção industrial cresceu 6,4% na comparação anual, de 8,3% em junho (ante 7,9% esperado). As vendas no varejo aumentaram 8,5% (12,1% em junho, 10,9% esperado).

Além das novas restrições contra a Covid, o desempenho mais fraco é atribuído à redução dos estímulos governamentais e  escassez de insumos de produção.

Os preços das commodities operam em queda nesta segunda, devido ao menor crescimento na China, com o petróleo WTI com vencimento em setembro em baixa de 2,5%, enquanto o brent com vencimento em outubro tem baixa de 2,25%.

Enquanto isso, vale destacar o movimento do minério de ferro nas últimas semanas, que já repercutiam os dados fracos anteriores da economia chinesa, entre outros fatores, como a própria atuação do governo no setor. Os preços do minério passaram de US$ 225 por tonelada em maio para cerca de US$ 165 por tonelada recentemente.

Cabe destacar ainda que, de acordo com dados recentes do National Bureau of Statistics (NBS), a China produziu 86,79 milhões de toneladas de aço bruto em julho, queda de 7,6% em relação a junho e 8,4% em relação a julho de 2020.

A produção acumulada no ano foi de 649,33 milhões toneladas, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. A produção de aço bruto mensal caiu para o nível mais baixo desde abril de 2020, também em decorrência dos aumentos de controles de produção realizados pelas autoridades chinesas. O objetivo é manter a produção em relação à 2020, enquanto as autoridades de Pequim buscam reduzir as emissões de carbono.

Além disso, a produção de ferro-gusa da China foi de 72,85 milhões de toneladas em julho, queda de 8,9% na comparação anual, e a produção de janeiro a julho foi de 533,50 milhões de toneladas, ainda em alta de 2,3% no ano.

De acordo com a China Iron and Steel Association (CISA), o foco é reduzir a produção de aço bruto em empresas com baixo desempenho ambiental, alto consumo de energia e tecnologia defasada, destaca a XP.

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Para isso, Pequim enviou equipes de inspeção para governos locais e usinas para verificar se os cortes na capacidade e produção de aço estão sendo implementados. Altos-fornos defasados estão sendo desligados e a produção vem sendo limitada nas usinas mais poluentes.

Esfriamento contínuo da economia

Carsten Menke, da Julius Baer, avalia que o amplo conjunto de indicadores econômicos desta segunda mostrou um esfriamento contínuo da economia chinesa em julho, com a desaceleração pela pandemia sendo agravada pelas enchentes ao longo do rio Yangtzé.

Menke também reforça que mais especificamente, os dados também mostraram a queda mais acentuada na produção de aço em mais de uma década, o que pesou sobre a demanda de minério de ferro das siderúrgicas e fez os preços despencarem.

O crescimento dos investimentos em ativos fixos, da produção industrial e das vendas no varejo foi mais lento do que o esperado, mas ainda aponta para um cenário econômico sólido. Aprofundando os dados de investimento, o setor de infraestrutura foi o mais fraco, seguido pelos setores de construção e manufatura. Juntos, esses três são responsáveis ​​por cerca de dois terços do consumo de aço chinês.

“Embora o governo tenha expressado sua preocupação sobre a alta produção de aço e tomado medidas para controlá-la, acreditamos que essa queda acentuada também mostra claramente que os volumes atingiram níveis insustentáveis”, aponta o analista.

Ele destaca que não vê os níveis atuais dos preços das commodities como uma oportunidade de compra, uma vez que o equilíbrio do mercado deve continuar a suavizar.

David Wang, do Credit Suisse, também destaca que os dados recentes da economia chinesa mostram um cenário de desaceleração e que, com o retorno das restrições da Covid, provavelmente se agravará ainda mais no futuro. O investimento em infraestrutura caiu drasticamente visto que os gastos fiscais ficaram notavelmente para trás e a emissão de títulos do governo foi lenta. Em relação ao investimento em manufatura, os dados mostraram uma moderação e as pressões de custo provavelmente pesarão sobre sua capacidade de aumentar o investimento em capital.

Por outro lado, o governo também pode fornecer mais cortes de impostos e isenções para atualização de equipamentos para reduzir as emissões de poluentes. Assim, Wang acredita que o momentum de investimentos em manufatura pode permanecer intacto.

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Já sobre as vendas de varejo das grandes empresas, impactadas pelo efeito de base menos favorável e medidas de distanciamento social mais rígidas implementadas, Wang espera que as autoridades adotem algumas medidas de afrouxamento na frente monetária em comparação com o primeiro semestre, e que as mudanças devam acontecer entre o presente momento e o final do primeiro trimestre de 2022. Ele também ressalta que já é bem aceito que o escopo regulatório da China se tornaria mais amplo nos próximos anos, mas ainda há debate sobre a forma das novas regulamentações serem introduzidas.

Revisão para baixo nas estimativas para ações brasileiras

Cabe ressaltar que, em meio ao cenário mais negativo para o minério de ferro, entre outros fatores, o Itaú BBA revisou as suas projeções para as ações do setor de mineração e siderurgia Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3). Eles também incorporaram os resultados de segundo trimestre, novas projeções de PIB e câmbio e uma expectativa de maior custo de capital para essas empresas.

Os analistas apontam que, apesar da média estimada por eles para o minério de ferro em 2021 ter subido levemente de US$ 150 a tonelada para US$ 170 a tonelada, vemos um cenário desafiador para a commodity, destacando os dados recentes indicando queda na produção de aço na China.

Para eles, as perspectivas de valorização da CSN e da Usiminas não representam proposições atraentes de risco e recompensa. Assim, o banco reduziu a recomendação para ambos os papéis de outperform para market perform (perspectiva de valorização dentro da média do mercado). O preço-alvo para CSN passou de R$ 61 para R$ 48 (ainda  alta de 12,6% frente ao fechamento de sexta-feira) e para Usiminas passou de R$ 28 para R$ 24 (ainda alta de 13,5% em relação ao fechamento de sexta).

Além disso, foi reduzido o preço-alvo dos American Depositary Receipts (ADR, na prática, os papéis da companhia negociados no exterior) da Vale de US$ 26 para US$ 25 e da Gerdau de R$ 45 para R$ 40, com potencial respectivo de ganhos de 21,1% e 27,8% em relação ao fechamento da última sexta-feira. A recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) foi reiterada para os papéis das duas companhias.

Com relação à CSN, os analistas do BBA veem a empresa com custos maiores no segmento de mineração, o que vai mitigar os preços realizados de aço doméstico mais altos. Da mesma forma, a normalização no preço da commodity deve afetar os números de Usiminas.

A Vale, por sua vez, deve seguir se beneficiando do forte volume de produção mesmo com a queda nos preços do minério, podendo distribuir cerca de US$ 5 bilhões em dividendos extraordinários. A normalização no mercado de aço deve afetar os preços da Gerdau; Contudo, como a Gerdau não tem exposição ao minério, isso a ajuda, aponta o BBA.

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Ibovespa acelera perdas e já cai 1,3% em meio a tensão política, dados da China e crise do Afeganistão; dólar vira para queda

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (16) depois da divulgação de dados fracos da economia chinesa e da tomada do Afeganistão pelo Talibã. Por aqui, o cenário político se sobrepõe em meio aos pedidos de impeachment que o presidente Jair Bolsonaro prometeu apresentar contra os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na China, as vendas no varejo cresceram 8,5%, abaixo da expectativa de 11,5% de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters. Já a produção industrial se expandiu em 6,4% no mesmo período, abaixo da expectativa de 7,8%, também segundo analistas ouvidos pela Reuters.

Entre os fatores para o desempenho abaixo da expectativa, o Escritório Nacional de Estatísticas da China citou o impacto de incertezas externas, a pandemia de Covid na China e enchentes, e também afirmou que “a recuperação econômica é instável e desigual”.

Sobre o Afeganistão, o grupo considerado terrorista retomou o controle do país aproveitando a retirada das tropas americanas, que foi prometida pelo presidente Barack Obama, planejada pelo presidente Donald Trump após negociações de paz com o grupo, e efetivada pelo presidente Joe Biden.

Na política nacional, as ameaças de Bolsonaro ao STF se fortaleceram depois que Alexandre de Moraes determinou a prisão de Roberto Jefferson (PTB-RJ) por ameaças contra a democracia no âmbito do inquérito sobre milícias digitais.

Segundo Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores, é preocupante a escalada das tensões e conflitos entre os Poderes. “Com essa decisão de levar pessoalmente ao Senado pedidos de impeachment contra Barroso e Moraes, Bolsonaro leva o Congresso para esse ambiente de crise institucional”, defende o analista.

Ribeiro prevê que Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e o Senado não darão andamento às ações, mas a atitude vai servir para exacerbar o antagonismo das forças bolsonaristas contra o Supremo, o que mostra o fracasso das “forças apaziguadoras”.

Para o analista, matérias como as nomeações de Augusto Aras para um novo mandato no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de André Mendonça, para o STF, e até a Reforma do Imposto de Renda, devem enfrentar dificuldades no Senado.

Já a XP Política alerta que a pressão jogada por Bolsonaro sobre Pacheco amplia a distância entre o Executivo e o Senado, reforçando as dificuldades que o governo tinha para avançar sua agenda no Congresso.

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A Arko Advice, por fim, avalia que a tensão política continue aquecida, visto que Bolsonaro é alvo de quatro inquéritos no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de modo que cada processo acende o risco de novos embates.

Às 11h38 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 1,4%, a 119.497 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em leve baixa de 0,1% a R$ 5,239 na compra e a R$ 5,24 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra desvalorização de 0,29% a R$ 5,246.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai um ponto-base a 6,60%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de dois pontos-base a 8,32%, o DI para janeiro de 2025 avança um ponto-base a 9,40% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de quatro pontos-base a 9,83%.

Voltando ao exterior o Produto Interno Bruto (PIB) japonês avançou 0,3% no segundo trimestre em comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando contraiu 0,9%, segundo dados oficiais preliminares divulgados na segunda, acima da estimativa de alta de 0,2% prevista por analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez suas projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. De um avanço de 6,88%, agora espera-se que o indicador encerre o ano em um crescimento de 7,05%. Já o IPCA para 2022 foi revisado de 3,84% para 3,90%.

Em relação ao PIB, as previsões foram revisadas para baixo, saindo de expansão de 5,3% para 5,28% em 2021. Para 2022, as expectativas oscilaram de 2,05% para 2,04%.

Para o dólar, as estimativas se mantiveram em que a moeda encerre este ano cotada a R$ 5,10 e 2022 termine com um dólar valendo R$ 5,20.

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Sobre a taxa básica de juros, Selic, as projeções para 2021 foram elevadas de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano. Para 2022, a expectativa é de que os juros se mantenham nesse patamar de 7,5%.

Covid no Brasil

No domingo (16), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 860, queda de 11% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 385 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 28.379, o que representa queda de 19% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 13.810 casos.

Chegou a 114.867.227 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 54,25% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 49.622.252 pessoas, ou 23,43% da população.

No sábado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo federal pretende antecipar a aplicação da segunda dose de vacinas da Pfizer a partir de setembro deste ano, quando todas as pessoas com mais de 18 anos já tiverem tomado ao menos uma dose de vacinas.

“À medida em que a gente avance na primeira dose, já se rediscutiu colocar a Pfizer no intervalo de 21 dias. Aí a gente avança na segunda”, afirmou Queiroga. “Nós já temos 70% da população acima de 18 anos com uma dose.”

A bula das vacinas da Pfizer indica a aplicação da segunda dose 21 dias depois da primeira, mas o governo brasileiro decidiu estender o prazo para três meses inicialmente por temor sobre o cronograma de chegada dos imunizantes ao país.

Em um evento em Brasília, Queiroga aproveitou também para criticar a decisão do governo de São Paulo de entrar na Justiça para receber doses de vacinas que, de acordo com a Secretaria de Saúde paulista, o ministério deve ao estado e não entregou.

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Queiroga insiste que São Paulo retirou doses a mais da CoronaVac diretamente do instituto Butantan, e que as doses de Pfizer não entregues seriam uma equalização.

Bolsa Família, contas públicas e política

Em live promovida pela XP Investimentos na sexta (13), o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, afirmou que os últimos cálculos da Receita Federal eram de perda de R$ 20 bilhões em arrecadação com o texto da reforma do Imposto de Renda.

“Muda muito”, afirmou ele. “Se não me engano era alguma coisa em torno de R$ 20 bilhões em termos de perda”, disse.

Ele afirmou que, nesse cenário, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios é tida como crucial para abrir espaço no Orçamento de 2022 para acomodar dentro da regra do teto de gastos o Auxílio Brasil, novo programa de transferência de renda do governo Jair Bolsonaro.

Encaminhada nesta semana ao Congresso, a PEC propõe dividir em dez parcelas o pagamento dos precatórios com valor de mais de R$ 66 milhões.

O texto também impõe uma limitação provisória dos pagamentos anuais de precatórios a 2,6% da receita corrente líquida, o que também sujeitará precatórios entre R$ 66 mil e R$ 66 milhões a eventual parcelamento.

Caso a PEC não prospere, Funchal afirma que o plano B seria a redução de gastos tributários. “Qual seria o plano B, o que a gente tem discutido? A gente precisa enviar um plano, a gente vai enviar até meados de setembro um plano de redução de gastos tributários”, afirmou.

“Aí o volume dessa compensação daria a base de compensação para o novo programa.” De acordo com Funchal, o plano vai mirar uma redução de R$ 15 bilhões em gastos tributários para 2022.

“Eu imagino que o presidente tem em mente reforma do IR para um (financiamento do novo Bolsa Família) e esse plano para o diesel”, destacou o secretário.

Segundo Funchal, a expansão do Bolsa Família para que passe a contemplar 17 milhões de famílias com um benefício médio de R$ 280 a R$ 300 demandará entre R$ 26 bilhões e R$ 28 bilhões adicionais. Atualmente, o orçamento do programa é de cerca de R$ 34,9 bilhões, alcançando 14,7 milhões de famílias e com benefício médio de R$ 190.

Em entrevista reproduzida na sexta na Rádio Jovem Pan, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a proposta de parcelar os precatórios, uma medida que foi criticada em governos anteriores.

Ele disse que ministros que o antecederam negociaram com os credores o pagamento dos chamados superprecatórios, de valores mais elevados, em condições que não são conhecidas. Ele citou os ex-ministros Pedro Malan, Guido Mantega e Henrique Meirelles.

“Eu pelo menos fiz algo à luz do dia, transparente e para todos, a regra se aplica a todos”, afirmou Guedes, ressaltando que a medida dará previsibilidade a um gasto que tem crescido aceleradamente.

“Em vez de resolver o meu problema, porque falta só um ano, eu preferi dar previsibilidade fiscal para os próximos dez, quinze anos, não haverá mais saltos”, afirmou.

Ele negou que a mudança na regra tenha tido relação com despesas previstas para o Bolsa Família para 2022, ressaltando que o programa já estava orçado para o ano que vem quando “de repente” chegou uma conta de R$ 90 bilhões de precatórios, quando a previsão era que o gasto ficaria em R$ 58 bilhões.

Ele reiterou que não poderia pagar esse valor sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal e que sua obrigação é tornar o Orçamento exequível, por isso a proposta de parcelar os precatórios.

Em entrevista publicada nesta segunda no jornal Valor, Guedes afirmou que, sem a adoção de regras que permitam parcelar os precatórios, o governo poderia ter de recorrer à suspensão do funcionamento de alguns órgãos públicos, e mesmo de salários do funcionalismo. “Portanto, não se trata de acomodar as despesas para poder pagar o novo Bolsa Família”, assegurou.

Em fala durante o 4º Encontro Folha Business em Vitória (ES) na sexta, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o sentimento de mercado virou em meio a preocupações mais recentes com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, incertezas sobre o financiamento do novo Bolsa Família e concessão de incentivos para setores específicos.

Ele afirmou que o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas é crucial para o trabalho da autoridade monetária, num momento em que as taxas longas de juros voltam a atingir o patamar de dois dígitos, guiadas pelo temor dos agentes com a elevação dos gastos públicos. E disse que é impossível para qualquer Banco Central do mundo fazer o trabalho de segurar expectativas de inflação com o quadro fiscal descontrolado.

Sobre a inflação, Campos Neto avaliou que alta de preços no país foi influenciada “um pouco” pela desvalorização do real, mas citou a contribuição paralela de “vários outros fatores”, como o aumento dos custos da energia pelo problema hídrico.

Destaque ainda para a entrevista do Secretário do Tesouro, Jeferson Bittencout, ao Estadão, na qual ele reconhece os riscos de retirar os gastos financiados pela venda de ativos da União do resultado primário, inclusive para o pagamento dos chamados “dividendos sociais”. O secretário defende que a criação do fundo para abatimento das dívidas com precatórios pode servir de incentivo à desestatização e não acredita em decisão contrária do STF à PEC. Quanto ao Orçamento de 2022, diz que o governo deve enviá-lo até o final do mês, com os R$ 89 bilhões de precatórios pagos à vista e um Bolsa Família de R$ 34,8 bilhões, pois a PEC não terá tempo suficiente de tramitar até lá.

Já no sábado, um dia depois da prisão do presidente do PTB, Roberto Jefferson, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para afirmar que irá pedir ao Senado a abertura de processo contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso e ameaçou o país com uma “ruptura institucional”.

“Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos. De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais”, escreveu o presidente em suas redes sociais.

“Na próxima semana, levarei ao Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal”, acrescentou.

Radar corporativo

A temporada de resultados chega na sua reta final. Na noite de sexta-feira, foram divulgados os dados da CVC (CVCB3). A operadora de viagens reportou prejuízo líquido de R$ 175,570 milhões no segundo trimestre deste ano, perda 30,4% menor que a registrada um ano antes, de R$ 252,129 milhões (veja mais clicando aqui).

A Cosan (CSAN3) teve lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões entre abril e junho, forte alta frente o ganho de R$ 23,4 milhões registrado em igual período de 2020.

A Boa Safra Sementes (SOJA3) teve lucro líquido de R$ 8,862 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 314,6% na base anual.

No segundo trimestre, a Vivara (VIVA3) viu seu lucro líquido atingir R$ 81,7 milhões, mais do que dobrando em relação ao mesmo período de 2019, ainda antes da pandemia. Na comparação com 2020, a companhia conseguiu reverter um prejuízo.

O Enjoei (ENJU3) teve alta do prejuízo em 10,9 vezes no segundo trimestre, para R$ 30,040 milhões. A Tecnisa (TCSA3) registrou prejuízo líquido de R$ 54 milhões no trimestre, alta de 33%.

Já a Ânima (ANIM3) teve lucro ajustado de R$ 18,7 milhões. Ambipar (AMBP3) e Méliuz (CASH3) também divulgaram seus números nesta segunda-feira antes da abertura da Bolsa. Após o fechamento, IRB (IRBR3), Cemig (CMIG4), entre outras companhias, divulgarão seus números.

Ainda em destaque, a Ultrapar (UGPA3fechou acordo para vender 100% de sua empresa de químicos especiais Oxiteno para o grupo tailandês de produtos químicos Indorama Ventures por US$ 1,3 bilhão, informaram as companhias nesta segunda-feira.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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