Ibovespa Futuro sobe com exterior após fortes perdas na sexta, mas política segue no radar; dólar cai

Mão segura um celular e consulta um gráfico em frente a um painel de movimentação de ações em Bolsa - mercado fracionário (scyther5/Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta segunda-feira (2) seguindo o exterior enquanto os investidores se preocupam cada vez menos com a variante delta do coronavírus, uma vez que a vacinação avança globalmente. Continua também a repercussão de resultados corporativos e a expectativa por decisões de juros, já que o Comitê de Política Monetária (Copom), decide a nova taxa Selic na quarta-feira (4).

No Brasil, o cenário político pode voltar a trazer ruídos conforme o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores sobem o tom para a adoção do voto impresso em 2022 por conta de suposta “fraude” nas eleições. No domingo, manifestantes pró-Bolsonaro foram às ruas e ouviram do presidente que “sem eleições limpas e democráticas não haverá eleição”.

Vale lembrar que o Congresso volta do recesso esta semana, assim como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que deve continuar a pressionar o governo. O Supremo Tribunal Federal (STF), também retoma as sessões plenárias, com promessa do presidente Luiz Fux de responder às ameaças de Bolsonaro às eleições.

Também na política, na última sexta-feira (30) o benchmark da Bolsa brasileira caiu 3% em meio a preocupações com o ambiente fiscal depois de notícias apontarem que o governo estuda deixar o aumento do benefício do Bolsa Família de fora da regra do teto de gastos. Bolsonaro falou que o país poderia se endividar para pagar o programa social.

Já no radar corporativo, a temporada de balanços continua, com a divulgação dos dados do Itaú, Cielo, entre outras empresas após o fechamento do mercado.

Às 9h35 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em agosto de 2021 tinha alta de 0,9%, a 123.400 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,81% a R$ 5,167 na compra e a R$ 5,168 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra perdas de 0,76% a R$ 5,193.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 6,33%, DI para janeiro de 2023 tem queda de um ponto-base a 7,84%, DI para janeiro de 2025 avança um ponto-base a 8,71% e DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de um ponto-base a 9,03%.

Voltando ao exterior, até o momento, 59% das empresas que compõem o S&P informaram o desempenho no segundo trimestre, dentre as quais 88% superaram o o consenso do mercado, segundo dados compilados pelo FacSet.

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Entre as empresas que devem informar seus resultados nesta semana estão Lyft, Uber e General Motors.

As bolsas asiáticas também tiveram altas, após uma semana turbulenta. Na segunda, a fabricante chinesa de carros elétricos Xpeng anunciou alta recorde de entregas de veículos em julho, o que contribuiu para que suas ações listadas em Hong Kong tivessem um salto de 10,66%.

Na segunda foi divulgado o índice do gerente de compras (PMI na sigla em inglês) Caixin/Markit relativo a julho na China, que marcou 50,3 pontos, abaixo da expectativa de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters, de 51,1 pontos. Em junho o indicador havia marcado 51,3 pontos. Qualquer valor acima de 50 indica expansão; abaixo, retração.

Já no domingo, o lobby de fabricantes de carros CCFA-PFA afirmou que a escassez global de semicondutores e o avanço de novas infecções de Covid vêm prejudicando a perspectiva de recuperação do mercado automobilístico da França.

Também foi divulgado o PMI industrial da Zona do Euro, relativo a julho, que marcou 62,8 pontos, acima da expectativa de 62,6 pontos.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021, revelou o Relatório Focus do Banco Central. De uma expansão de 5,29%, agora espera-se um avanço de 5,30%. Para 2022, as expectativas se mantiveram em crescimento de 2,1%.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) as projeções foram elevadas fortemente de 6,56% para 6,79% em 2021. Para 2022, as expectativas oscilaram de 3,8% para 3,81%.

Para a taxa de câmbio também houve oscilação positiva nas previsões, que saíram de R$ 5,09 para R$ 5,10 o dólar ao final de 2021. Para 2022 as estimativas se mantiveram em R$ 5,20.

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As projeções para a taxa básica de juros, Selic, por sua vez, não se alteraram nem para 2021 e nem para 2022. Os economistas esperam que os juros encerrem tanto este ano quanto o próximo em 7,00% ao ano.

Covid e CPI

No domingo (1º), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 984, queda de 20% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 449 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 35.645, o que representa queda de 12% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 20.554 casos.

Chegou a 100.871.923 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 47,64% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 41.486.498 pessoas, ou 19,59% da população.

No domingo, o comércio passou a operar no estado de São Paulo até meia-noite, com capacidade ocupada em até 80%. Antes da flexibilização implementada pelo governo, o horário limite era 23h, e a ocupação máxima da capacidade era de 60%.

Após o recesso, a CPI da Covid voltará a funcionar no Senado nesta semana. A fase anterior da CPI ocorreu entre abril e julho, e levantou suspeitas de irregularidades e corrupção nas negociações do governo federal por vacinas.

Entre os pontos que devem ser aprofundados na nova fase da CPI estão: o acordo de venda ao Ministério da Saúde com intermédio da Precisa Medicamentos da vacina Covaxin, produzida pela indiana Bharat Biotech; negociações paralelas de imunizantes; o financiamento de fake news sobre questões ligadas à pandemia de Covid.

Em entrevista à GloboNews no domingo, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que na terça deverá falar o reverendo Amilton Gomes de Paula, que está à frente da Senah (Secretaria de Assuntos Humanitários). Apesar do nome, a Senah não é um órgão público, mas uma ONG, apontada como ponte entre o governo federal e a Davati, empresa representada pelo cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti, que prometia ao Ministério da Saúde 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca.

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Na quarta-feira, deverá ser ouvido o coronel Marcelo Blanco, que foi vinculado ao departamento de logística do Ministério da Saúde durante a gestão de Roberto Dias, e é apontado como um dos participantes das reuniões de negociação com a Davati, inclusive aquela em que Dominguetti acusa Dias de ter cobrado propina pela compra de vacinas. E na quinta-feira deverá ser ouvido o empresário Airton Cascavel, que foi assessor da gestão do general Eduardo Pazuello e, segundo senadores, é implicado em documentos em negociações do Ministério da Saúde.

Gastos federais, Bolsa Família, eleições e investigação sobre Bolsonaro

Na sexta, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo não descumprirá a regra do teto de gastos por causa do Bolsa Família, cujo valor será reajustado segundo anúncio já feito pelo presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, o presidente anunciou que o valor médio do Bolsa Família será reajustado para acima de R$ 300, dos atuais R$ 192.

“Os senhores podem ter certeza que não furaríamos o teto por causa do Bolsa Família, não é nada disso, isso tudo está sendo programado com muita responsabilidade”, disse Guedes a jornalistas após participar de evento no Rio de Janeiro.

Ele destacou, no entanto, que sua equipe tem verificado desde o ano passado o aumento atípico de uma outra despesa pública que poderá demandar uma reação por parte do governo. “Estamos ainda processando algumas informações que estão chegando”, disse Guedes a jornalistas, sem dar detalhes. “Às vezes despesas de outros poderes nos atingem e aí temos que fazer um plano de combate imediato.”

Como exemplo de uma decisão de outro poder que pode afetar as contas públicas, Guedes citou decisão recente do Supremo Tribunal sobre a abrangência de entendimento anterior sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS–Cofins.

Segundo reportagem de capa publicada nesta segunda-feira pelo jornal O Globo, o governo identificou que derrotas judiciais podem queimar boa parte dos recursos previstos para custear a nova versão do Bolsa Família.

Assim, o governo finalizou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevendo o parcelamento em nove anos de dívidas da União reconhecidas pela Justiça (os chamados precatórios). A mudança pode abrir espaço para gastos adicionais de R$ 40 bilhões em 2022, ano eleitoral.

De acordo com o jornal, a maior parte dos recursos seria utilizada para bancar o novo Bolsa Família, que amplia o benefício do valor de R$ 192 para R$ 300, e de 14 milhões para 17 milhões de beneficiários. No próximo ano, o custo total do programa, que deverá ser vitrine do governo Bolsonaro nas próximas eleições, deverá ser de R$ 56 bilhões.

Ainda de acordo com o jornal, o projeto vem sendo discutido há duas semanas pelo Ministério da Economia e pelo Planalto, e deverá ser apresentado na tarde desta segunda aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pelos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI).

Na sexta, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que o governo também pode prorrogar o auxílio emergencial pago a pessoas vulneráveis e trabalhadores informais se a pandemia de Covid-19 persistir em 2022.

“A gente espera que, com o término da vacina, com a questão da pandemia sendo dissipada, não seja mais preciso isso. Mas, se porventura continuar, nós manteremos aí o auxílio emergencial”, disse o presidente em entrevista à Rádio 89 FM, de São Paulo, quando questionado sobre a possível manutenção do auxílio no ano que vem. O valor pago atualmente varia de R$ 150 a R$ 375 por pessoa.

Além disso, no domingo o presidente voltou a contestar a confiabilidade do atual sistema de votação no país, defender a adoção do voto impresso para as urnas eletrônica e ameaçar a realização das eleições de 2022. As declarações foram feitas durante manifestações em capitais brasileiras como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo em defesa de alterações da forma de votação.

Novamente, o presidente não apresentou provas das supostas irregularidades. Bolsonaro não compareceu pessoalmente às manifestações, mas participou remotamente de algumas delas.

Sem se referir nominalmente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, contrário à mudança, Bolsonaro avisou que não haverá pleito se não houver eleições limpas e disse que é “mentiroso” quem diz que o atual sistema é seguro e auditável.

“Vocês estão aí, além de clamar pela garantia da nossa liberdade, buscando uma maneira que tenhamos eleições limpas e democráticas no ano que vem. Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição”, disse ele, no vídeo reproduzido da manifestação em frente ao Congresso Nacional, em Brasília.

​​Não é a primeira vez que Bolsonaro coloca em dúvida a realização das eleições marcadas para o ano que vem, apesar de os presidentes do Senado e Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o próprio vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, já terem afirmado que não há risco de o pleito não ser realizado.

Em um debate realizado pelo Conjur TV na sexta, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmou que a proposta defendida por Bolsonaro tem chances mínimas de avançar na Casa. No mesmo debate, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, afirmou:

“Me parece que aqui nós temos talvez uma falsa questão. Me parece que essa ideia de que sem voto impresso não podemos ter eleição, ou não vamos ter eleições confiáveis, na verdade esconde talvez algum tipo de intenção subjacente, uma intenção que não é boa”. “Vamos parar de conversa fiada. A urna eletrônica é auditável. Isso sempre foi aberto e é transparente. Temos que melhorar o controle de recursos e abuso de poder. Nada tem a ver com este processo”, reforçou o ministro do STF.

Além disso, também na sexta o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal retome a investigação sobre se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no comando da corporação, mesmo sem uma definição a respeito do formato do depoimento do chefe do Executivo no caso, se presencial ou por escrito.

No despacho, Moraes destacou que o inquérito, prorrogado na semana passada por mais três meses, tem outras diligências pendentes a serem cumpridas e não deve ficar paralisado. Citou também que no final de setembro a análise sobre o depoimento do presidente será retomado em plenário.

A pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, o inquérito foi aberto no final de abril de 2020 pelo ministro Celso de Mello, então relator do caso no Supremo tendo como base declarações do ex-juiz Sergio Moro quando deixava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

Essa foi a primeira investigação contra Bolsonaro no exercício do mandato. Recentemente o presidente virou alvo de um segundo inquérito no STF, por possível prevaricação ao supostamente não apurar suspeitas de irregularidades no contrato da vacina indiana Covaxin contra Covid-19.

Radar corporativo

A temporada de resultados segue em destaque. Na sexta-feira, a Alpargatas, dona da marca Havaianas, divulgou ter registrado no segundo trimestre de 2021 lucro líquido recorrente de R$ 111,4 milhões, um salto de 228,7% ante o segundo trimestre de 2020. Já a Irani Papel e Embalagem registrou lucro líquido de R$ 68 milhões no segundo trimestre, avanço de 342% na comparação com o mesmo período de 2020. Antes da abertura, o BB Seguridade divulgou que seu lucro atingiu R$ 754 milhões no segundo trimestre de 2021.

Depois do fechamento, Itaú, Cielo, Copasa, Pague Menos, Marcopolo e PetroRio revelam seus balanços trimestrais.

As cimenteiras brasileiras CSN Cimentos, subsidiária da Cia Siderúrgica Nacional, Cimentos Mizu and Cimento Apodi, na qual a Titan Cement International tem uma participação, estão entre os interessados nos ativos da LafargeHolcim, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela agência internacional de notícias Reuters. As maiores cimenteiras brasileiras, Votorantim Cimentos SA e Intercement Brasil SA, também apresentaram ofertas, mas apenas por partes do negócio que tem permissão para adquirir por questões concorrenciais. A Votorantim apresentou oferta por unidades no Nordeste e a Intercement, por unidades no Rio, Espírito Santo e Minas Gerais, segundo as fontes.

Em entrevista veiculada no Programa do Ratinho, na SBT, na noite de sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Petrobras tem uma reserva de R$ 3 bilhões para custear as despesas com o pagamento de um vale-gás para a população de baixa renda, no momento em que o governo tem sido alvo de críticas em razão do elevado preço do produto. “O novo presidente da Petrobras, o general (Joaquim) Silva e Luna, está com uma reserva de aproximadamente R$ 3 bilhões para atender realmente esses mais necessitados”. O presidente não deu qualquer detalhe sobre como seria o critério para os beneficiários do repasse ou sobre a reserva que a Petrobras teria para esse objetivo.

Já a Petrobras informou que “não há definição” quanto à implementação e o montante de participação em eventuais programas e que qualquer decisão estará “sujeita à governança de aprovação e em conformidade com as políticas internas da companhia”.

A elétrica Cemig informou na sexta-feira que o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) indeferiu um pedido de liminar que pleiteava a suspensão do processo de desinvestimento da companhia na transmissora de energia Taesa. Segundo fato relevante divulgado pela companhia mineira, o tribunal também revogou uma recomendação anterior para que a Cemig se abstivesse de realizar qualquer ato relacionado à alienação das ações da Taesa.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Dólar tem maior alta semanal desde março com ambiente doméstico ruidoso

(Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subiu pelo quarto pregão seguido nesta sexta-feira, indo a uma máxima em duas semanas e mantendo-se acima de R$ 5, com investidores ainda em postura conservadora diante do noticiário político doméstico apesar do clima pró-risco no exterior.

O mercado vinha minimizando potenciais impactos vindos das discussões na CPI da Covid-19 instalada no Senado, mas nesta semana os preços sentiram o baque conforme aumentou a pressão sobre o governo diante de denúncias de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19, enquanto o tema passou a ser tratado com mais destaque na CPI.

“A tendência é que, com novos depoimentos marcados para a semana que vem, o período turbulento se arraste. Há receio no Ministério da Economia, reportado pelo noticiário, de que o ambiente prejudique o avanço da agenda econômica no Congresso”, disse a XP em nota.

Mesmo o noticiário sobre reformas desagradou nos últimos dias, com o mercado ainda digerindo o texto da segunda fase da reforma tributária apresentado uma semana atrás, que causou muito mal-estar entre agentes financeiros. O dólar chegou a subir 1,40% na sexta-feira da publicação do texto.

Nesta semana, o dólar acumulou alta de 2,32% –a mais intensa desde a semana finda em 26 de março (+4,68%).

Ao fim desta sessão, a moeda negociada no mercado à vista subiu 0,15%, a R$ 5,0523 na venda –pico desde 18 de junho (R$ 5,0713). A taxa de câmbio teve ampla oscilação, saindo de R$ 4,9882 (-1,12%) a R$ 5,0742 (+0,58%).

Nas quatro altas consecutivas, a cotação acumulou ganho de 2,51%. O dólar não registrava essa série positiva desde as também quatro altas vistas entre 24 e 29 de março, período em que se fortaleceu 4,56%.

Em duas sessões de julho, a moeda ganha 1,53%, reduzindo a desvalorização no ano para 2,68%.

Veja também: Já pensou em investir no exterior? Entenda os BDRs e as vantagens de se expor em ativos dolarizados.

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O tom mais cauteloso no ambiente doméstico ofuscou no Brasil o clima favorável a risco no exterior, após dados de emprego nos EUA terem vindo fortes, mas não de forma suficiente para endossar expectativas de que o Federal Reserve (banco central norte-americano) reduzirá em breve estímulos.

No exterior, o índice do dólar caía 0,35% no dia, afastando-se de máximas em três meses alcançadas mais cedo, na esteira dos dados de emprego nos Estados Unidos.

No geral, os cenários de analistas não têm contemplado deterioração para a taxa de câmbio nos próximos meses, ainda que o dólar eventualmente fique acima de R$ 5 ao fim do ano. O Rabobank, por exemplo, vê a moeda em R$ 5,15 em dezembro e em R$ 5,20 ao término de 2022.

“A normalização mais rápida da política monetária e a melhoria dos termos de troca vêm emprestando força ao real. Além disso, melhores indicadores de sustentabilidade da dívida reduzem os prêmios de risco dos ativos domésticos no curto prazo, mas as perspectivas fiscais de longo prazo e uma redução mais rápida de estímulos nos EUA permanecem desafiadoras”, disseram Mauricio Une e Gabriel Santos em nota.

Na próxima semana, destaque para as divulgações da ata da última reunião de política monetária do Fed (quarta-feira) e do IPCA de junho (quinta). O mercado também vai monitorar nos próximos dias eventual decisão do governo sobre a prorrogação do auxílio emergencial e possibilidade de avanços na discussão sobre a reforma tributária.

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Ibovespa fecha em queda de 0,9%, na contramão de Wall Street com CPI da Covid em foco; dólar supera R$ 5

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (1), descolando-se do dia positivo para as bolsas internacionais. No radar, os ruídos políticos acabaram se sobrepondo aos indicadores internacionais nesta sessão, com os investidores atentos à CPI da Pandemia.

Segundo Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, são graves as suspeitas dos senadores da oposição de que a testemunha Luiz Dominghetti, representante da Davati Medical Supply, é um “cavalo de Troia” plantado pelo governo para desacreditar o depoimento de Luis Miranda (DEM-DF), que denunciou o oferecimento de propina para a facilitação da compra do imunizante Covaxin.

“Se ele realmente for uma testemunha plantada isso mostra preocupação do governo com essas denúncias”, afirma Attuch.

No entanto, o economista destaca não acreditar que as investigações cheguem ao nível do presidente da República, Jair Bolsonaro, a menos que seja verdade que o irmão de Luis Miranda, o funcionário Luis Ricardo Fernandes Miranda, tenha gravado sua reunião com Bolsonaro.

“Se realmente houver uma gravação em que Miranda avisa o presidente sobre suas suspeitas de pressão atípica e oferecimento de propina para a compra da Covaxin e o Bolsonaro não levou nenhum pedido de investigação à Polícia Federal, a situação fica muito mais grave, porque se torna prevaricação”, explica.

Attuch complementa que por enquanto não há nada de sólido e a queda da Bolsa acaba refletindo mais o ruído político do que qualquer questão mais substancial.

Há pouco, Dominghetti teve seu celular apreendido pela Polícia do Senado para a perícia do áudio que o depoente usou para afirmar que Luis Miranda tentou mediar a venda de vacinas. Miranda já se defendeu da acusação de que participou no esquema de propinas ao dizer que a gravação é de 15 de outubro do ano passado e, portanto, não trataria da compra de vacinas contra a Covid.

Vale lembrar que ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que não vai acatar o “superpedido” de impeachment de Bolsonaro protocolado pela oposição.

Lá fora, as bolsas americanas avançaram depois da divulgação dos dados de pedidos de auxílio-desemprego em território americano às vésperas da divulgação do Relatório de Emprego, conhecido como Payroll.

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O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu 51 mil na semana encerrada em 26 de junho, a 364 mil, atingindo nova mínima desde o início da pandemia de Covid-19, segundo dados com ajustes sazonais publicados pelo Departamento do Trabalho americano. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pela Refinitiv, que previam queda a 390 mil.

O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 411 mil para 415 mil solicitações. Já o número de pedidos continuados teve alta de 56 mil na semana encerrada em 19 de junho, a 3,469 milhões. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.

Aqui no Brasil também houve divulgação de dados do mercado de trabalho: o Caged mostrou a abertura de 280.666 vagas de trabalho formal em maio, número bem acima da projeção de 150 mil dos analistas consultados pela Refinitiv.

No radar de commodities, atenção ainda para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), que foi adiada para sexta-feira. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Opep+ está caminhando para adicionar cerca de 2 milhões de barris por dia (bpd) ao mercado de petróleo entre agosto e dezembro, à medida que o grupo reverte seus cortes de produção em meio a uma retomada da economia global e a um rali nos preços da commodity.

A fonte afirmou que os aumentos mensais de oferta seriam de menos de 0,5 milhão de bpd. Uma segunda fonte da Opep+ disse que a Arábia Saudita, líder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, e a Rússia –que não faz parte da Opep– já possuíam um acordo preliminar para flexibilização dos cortes de oferta a partir de agosto.

O Ibovespa teve queda de 0,9%, a 125.666 pontos com volume financeiro negociado de R$ 31,825 bilhões. Foi o menor patamar de fechamento do benchmark desde 28 de maio, quando o índice encerrou a sessão cotado em 125.561 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,45% a R$ 5,044 na compra e a R$ 5,045 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em agosto registra alta de 1,62% a R$ 5,067 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu três pontos-base a 5,71%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de quatro pontos-base a 7,11%, o DI para janeiro de 2025 avançou 10 pontos-base a 8,16% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 11 pontos-base a 8,60%.

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Os investidores também ficam de olho na Ásia, onde as bolsas caíram em meio à desaceleração da atividade industrial da China, após o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) industrial Caixin marcar 51,3 pontos, ante 52 em maio, marcando o 14º mês de expansão, mas abaixo das expectativas de analistas de 51,8.

Atenção também para os PMIs da Europa. O PMI IHS Markit pontuou 63,4 pontos, frente à estimativa inicial de 63,1 pontos. Qualquer pontuação acima de 50 indica expansão; abaixo, retração. Também foi divulgada a taxa de desemprego relativa a maio na Zona do Euro, que marcou 7,9%, abaixo da projeção de 8% e do patamar anterior, de 8,1%.

Esta quinta-feira também marca o terceiro dia do Melhores da Bolsa 2021, evento realizado pelo InfoMoney em parceria com o Stock Pickers. Às 18h, André Moreira, CEO da Taesa, e Mauricio Russomanno, CEO da Unipar, participam de mesa redonda. Já Monica Saggioro, cofundadora da Maya Capital Paulo Passoni, responsável por investimentos do Softbank na América Latina, participam a partir das 19h de painel sobre os próximos hits da Bolsa. A partir das 19h40, será entrevistado CEO da empresa revelação da Bolsa. Inscreva-se clicando aqui. 

Covid no Brasil

Na quarta (30), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.572, queda de 22% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 2.127 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 55.484, queda de 21% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 47.038 casos.

Chegou a 73.469.254 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 34,74% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 26.268.826 pessoas, ou 12,41% da população.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal anunciaram na quarta que abriram investigações para apurar supostas irregularidades no contrato firmado pelo Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.

A Procuradoria da República no Distrtito Federal informou que foi aberto um procedimento investigatório criminal para investigar o acordo de R$ 1,6 bilhão fechado pelo governo federal com a Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, por 20 milhões de doses da Covaxin.

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O acordo foi fechado em fevereiro, mesmo sem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a vacina indiana. O valor pago pelo imunizante, produzido pela indiana Bharat Biotech, e comercializado com intermédio da brasileira Precisa Medicamentos, é 1.000% superior àquele informado seis meses antes pela Bharat.

Superpedido de impeachment, contas do governo e crise hídrica

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que não vai acatar o “superpedido” de impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido) protocolado na tarde de quarta-feira.

Em meio aos indícios de irregularidades envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin e à denúncia de cobrança de propina por parte de representante do Ministério da Saúde por imunizantes, partidos de oposição, parlamentares de diferentes campos políticos, movimentos sociais e personalidades protocolaram o “superpedido” de impeachment contra o presidente junto à Câmara.

O documento reúne argumentos presentes nos diversos pedidos de impeachment já apresentados na casa legislativa e lista 23 tipos penais, que seriam supostamente os crimes de responsabilidade cometidos pelo mandatário desde o início do mandato.

Na véspera, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, com ressalvas e por unanimidade, as contas de 2020 do governo Jair Bolsonaro. Relator da matéria, o ministro Walton Alencar avaliou que problemas e ressalvas apontados pela equipe técnica do tribunal não comprometem a aprovação das contas do presidente pelo Congresso Nacional. Depois de aprovado, o parecer será enviado ao parlamento, onde será analisado.

Na avaliação do ministro, os problemas encontrados nas contas apresentadas pelo presidente Bolsonaro não comprometeram a totalidade da gestão. Dessa forma, manifestou-se “favorável a sua aprovação com ressalvas”, pelo Congresso Nacional.

Alencar lembrou que o ano de 2020 foi um ano atípico devido à pandemia, o que acabou levando o país à necessidade de adotar medidas emergenciais, bem como a suspensão de algumas regras fiscais por meio do chamado orçamento de guerra.

Ainda no radar, segundo nota técnica obtida pelo jornal Valor Econômico, os reservatórios de usinas hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste devem atingir até o fim de julho até 26,6% de sua capacidade máxima. Trata-se de um nível inferior aos de 2001 na mesma data, de 26,8%, quando houve racionamento de energia. Os dados fazem parte do relatório mensal do Operador Nacional do Sistema (ONS), e devem ser apresentados na sexta a agentes do setor elétrico.

As duas situações têm, no entanto, diferenças importantes. Em 2001, cerca de 85% da matriz energética era baseada em hidrelétricas, e havia menos capacidade de transferência de energia entre regiões. Desde então, a rede de transmissão dobrou, e a participação das hidrelétricas foi a 60%. Houve investimento em usinas térmicas e fontes renováveis, como as eólicas.

Radar corporativo

A Petrobras confirmou na noite de quarta em fato relevante que seu conselho de administração aprovou, em reunião realizada nesta quarta-feira, o preço de R$ 26 por ação para as ações da BR Distribuidora, no âmbito da oferta pública de distribuição secundária de ações, movimentando R$ 11,358 bilhões.

Já o conselho de administração da companhia aprovou a cessão da totalidade de sua participação em um conjunto de sete concessões terrestres e de águas rasas denominada Polo Alagoas, localizadas no Estado de Alagoas, para a empresa Petromais Global Exploração e Produção. O valor total da venda foi de US$ 300 milhões, sendo que US$ 60 milhões serão pagos na data de assinatura do contrato e US$ 240 milhões no fechamento da transação.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
BRDT3 6.44678 28.4
PRIO3 5.18214 20.5
RAIL3 3.13316 19.75
MRFG3 1.67189 19.46
WEGE3 1.5138 34.2

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
MULT3 -4.04255 22.55
TOTS3 -3.79814 36.22
LWSA3 -3.51072 26.11
LREN3 -3.36875 42.74
CVCB3 -3.35498 26.79

A norueguesa BW Energy e a brasileira DBO Energy enviaram ofertas pelo polo marítimo de petróleo Golfinho, da Petrobras, segundo informações repassadas por duas fontes à Reuters. Localizado na costa do Espírito Santo, Golfinho, um campo maduro que produziu aproximadamente 14.900 barris de petróleo por dia e 750 mil metros cúbicos de gás por dia em 2020, de acordo com os documentos divulgados pela Petrobras.

Já a estatal realizou na quarta-feira pré-pagamento ao fundo de pensão Petros de R$ 2,25 bilhões, informou a empresa em fato relevante ao mercado. A dívida havia sido contratada para realizar o parcelamento de contrapartida contributiva paritária assumida em um plano de equacionamento de déficit.

A CCR informou que a sua controlada ViaMobilidade, concessionária das Linhas 8 e 9 do Sistema de Trens Metropolitanos de São Paulo, firmou contrato com a Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) do Estado de São Paulo para concessão onerosa da prestação do serviço público de transporte de passageiros, sobre trilhos, das Linhas 8 – Diamante e 9 – Esmeralda da rede de trens da Região Metropolitana de São Paulo. Os valores do contrato não foram informados.

A Alpargatas informou a conclusão da venda da marca Mizuno no Brasil à Vulcabras. O segundo termo de fechamento foi assinado mediante pagamento de R$ 37,3 milhões.

A Terra Santa Agro comunicou que terminou na terça o prazo para que credores se opusessem à redução de capital da companhia, o que permitirá que a transação siga adiante. O montante total envolvido na redução de capital é de R$ 673,6 milhões, e o movimento se tornará efetivo após o cumprimento de condições suspensivas previstas na operação.

Já o grupo de medicina diagnóstica Fleury informou que retomou os principais serviços a clientes depois de ter informado o mercado há uma semana que sofreu um ataque hacker contra seus sistemas de computadores. A companhia afirmou que reestabeleceu nesta quarta-feira serviço de consulta de resultados de exames pela internet, “completando o conjunto de principais serviços utilizados por nossos clientes”.

A Eztec anunciou na quarta-feira um lançamento imobiliário residencial de alto padrão com valor geral de vendas (VGV) de R$ 675,1 milhões na cidade de São Paulo. O empreendimento, chamado de EZ Infinity, é formado por duas torres com 88 apartamentos com áreas entre 276 a 554 metros quadrados e é vizinho ao parque Ibirapuera.

A Marcopolo informou que, a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, a companhia e suas controladas calculam em R$ 383 milhões os valores a receber englobados em suas ações judiciais que discutem a questão.

Já a Usiminas informou que estima um impacto positivo de R$ 2,4 bilhões, antes de efeitos fiscais, em seus resultados após a decisão do Supremo que excluiu o ICMS da base da cálculo do PIS/Cofins.

A JBS, segunda maior empresa de alimentos do mundo, anunciou na quarta-feira que antecipou de 2030 para 2025 sua meta de desmatamento ilegal zero para a cadeia de fornecimento de bovinos, incluindo os fornecedores terceiros, nos biomas Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga, mesmo prazo já estabelecido para a Amazônia. Segundo a companhia, a antecipação se deve ao avanço da Plataforma Pecuária Transparente, que estende o monitoramento aos “fornecedores dos fornecedores de gado”, com uso de tecnologia blockchain.

(com Reuters, Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa fecha perto da estabilidade e analistas citam os 3 fatores que podem frear o avanço do mercado

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou praticamente estável nesta segunda-feira (28) com os investidores ainda digerindo a série de notícias que impactou o mercado no fim da semana passada. Entre elas, as mais importantes são o envio da reforma tributária pelo governo ao Congresso com a proposta de taxação dos dividendos em 20% e o avanço global da variante delta do coronavírus.

Moscou teve ontem seu dia mais letal desde o início da pandemia, com 144 mortes, em meio à disseminação da nova variante da Covid, que também obrigou países como Tailândia, Malásia e Austrália a implementarem medidas de lockdown.

Lá fora, os índices americanos à exceção do Dow Jones, subiram ainda com a repercussão do plano de infraestrutura do presidente Joe Biden. No sábado, Biden disse que não planeja vetar o projeto de estímulos se ele vier sem a proposta de reconciliação defendida pelos democratas.

O presidente afirmou na sexta que há acordo bilateral para encaminhamento das medidas, que se somam a outros impulsos fiscais dados pela administração do democrata à recuperação da maior economia do mundo depois dos impactos da Covid-19 em 2020.

No Brasil, a política continuou a dominar o noticiário conforme órgãos de imprensa informam que os senadores calculam já ter apoio para prorrogar as investigações da CPI da Pandemia por mais 90 dias. Na última sexta (25), o deputado Luís Miranda (DEM-DF), disse que se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro para tratar de suspeitas de corrupção no processo de compra da vacina indiana Covaxin e Bolsonaro teria lhe dito que “isso é coisa do Ricardo Barros (Progressistas-PR) [líder do governo na Câmara].”

O Ibovespa teve leve alta de 0,14% a 127.429 pontos com volume financeiro negociado de R$ 28,146 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial virou para queda no final e fechou em baixa de 0,19% a R$ 4,928 na compra e a R$ 4,928 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em julho registra perdas de 0,21% a R$ 4,925 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu um ponto-base a 5,64%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de 12 pontos-base a 7,01%, o DI para janeiro de 2025 recuou 16 pontos-base a 8,00% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de 14 pontos-base a 8,44%.

Voltando ao exterior, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu na sexta-feira que as pessoas totalmente vacinadas continuem a usar máscaras, já que a variante delta altamente contagiosa se espalha rapidamente por todo o mundo.

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Já na Ásia, dados divulgados no domingo pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China mostraram que os lucros das empresas industriais chinesas subiram 36,4% em maio em comparação com o ano anterior, uma desaceleração em relação ao crescimento ano-a-ano de 57% registrado em abril.

Ainda no radar, o banco central da China comunicou nesta segunda-feira que o país tornará sua política monetária prudente, flexível, direcionada e apropriada enquanto mantém a liquidez interbancária em nível razoável.

O Banco do Povo da China intensificará a coordenação da política econômica internacional e evitará choques externos para consolidar a atual recuperação econômica, afirmou o órgão após a conclusão de sua reunião trimestral do comitê de política monetária. Isso levará a uma queda ainda maior nas taxas de juros reais de empréstimos, ao mesmo tempo em que mantém a taxa de câmbio do iuan mais flexível, reiterou.

Analistas veem aumento nos riscos

De acordo com Jennie Li, estrategista de ações da XP, a variante indiana da Covid-19, conhecida como delta, de transmissibilidade maior que as outras cepas, é o principal foco de temores para o mercado, especialmente na Europa.

“Os dados econômicos recentes vieram fortes nos EUA, e o mercado esperava que houvesse um grande impulso da atividade europeia durante o verão no hemisfério Norte, mas se a variante delta continuar se disseminando no ritmo atual pode ser que não seja a hora de afrouxar medidas de isolamento no continente”, analisa Jennie.

A percepção de Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, é parecida. Para Jason, o evento maior que poderia impedir a Bolsa de continuar subindo depois dos 130 mil pontos é uma terceira onda da pandemia. “Se isso se converter em algo mais sério pode jogar por água abaixo a expectativa de recuperação, o que gera um problema global”, explica.

Já no noticiário nacional, a maior fonte de ruídos da última semana foi reforma tributária, que chegou ao Congresso com uma proposta de tributação das distribuições de dividendos pelas empresas a seus acionistas em 20%. A medida serviria para compensar a redução de 25% para 20% no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

Segundo Jennie, apesar de haver pontos negativos no texto entregue pelo ministro Paulo Guedes aos parlamentares, ainda é muito cedo para serem tomadas decisões de investimento precipitadas. “A versão que for aprovada, se for aprovada, provavelmente será muito diferente dessa que vimos na sexta-feira. Não sabemos qual vai ser o desenho final”, avalia.

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Na opinião da analista, o radicalismo da redação da reforma pode ser uma estratégia de negociação do governo, que sabe que não vai conseguir aprovar o projeto no Congresso exatamente como está. “Parece que o governo tem essa estratégia de propor mudanças mais radicais sabendo que isso vai ser diluído ao longo do tempo”, defende.

Hoje já foi dada uma sinalização que reforça essa interpretação. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), disse que o projeto recebido por ele é apenas o “ponto de partida das discussões”, e que será alterado pelos parlamentares.

Lira adiantou que se aventa uma redução da alíquota da tributação de dividendos para 15% no Senado e para 10% na Câmara. “Tem que fazer conta para ver, sentar e discutir de maneira que fique bem transparente com todos os setores”, afirmou.

De todo modo, diante desse novo balanço de riscos, a equipe de análise do Bradesco BBI reduziu o grau da sua recomendação overweight (mais peso na carteira do que a média do mercado) para o Brasil devido ao texto da reforma tributária.

A manutenção do status overweight, por outro lado, deve-se à melhora nas perspectivas para o crescimento econômico do país. “De um ponto de vista de estratégia para ações, achamos que a maior probabilidade de surpresas no [Produto Interno Bruto] PIB do país estão na direção de uma expansão de 6% em 2021”, escrevem os analistas.

Para eles, uma consequência disso foi a redução no risco fiscal, com uma revisão nas projeções para a relação dívida pública pelo PIB de 89% para 81% até o fim do ano. Além disso, os analistas do Bradesco enxergam riscos políticos menores devido à estabilização nas taxas de aprovação do governo. Por fim, o aumento no ritmo da vacinação desde 8 de junho seria um fator a mais para trazer boas perspectivas para a economia.

“A média de injeções diárias passou de 687 mil em maio para 1 milhão em junho e a média-móvel de sete dias recentemente chegou a estar em 1,2 milhão”, escrevem os analistas do Bradesco. O preço-alvo do banco para o Ibovespa é de 135 mil pontos ao fim de 2021 e de 150 mil pontos no final de 2022, números que os analistas dizem parecerem “conservadores”, mas que fazem sentido diante dos riscos envolvidos no resultado das eleições do ano que vem.

Sobre esse terceiro fator de risco, as eleições, Jennie e Vieira concordam que há pouco impacto imediato. “É algo que todos estão de olho, mas não é o centro das preocupações. A volatilidade deve aumentar em 2022, mas por enquanto não tem havido grande movimentação na Bolsa depois de cada pesquisa eleitoral”, ressalta a estrategista da XP.

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Já Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, acredita que para enfrentar o que deve ser uma apertada corrida presidencial em 2022, o presidente Jair Bolsonaro poderia aumentar as medidas populistas com vistas a recuperar o apoio político. “Estamos com uma folga no risco fiscal, mas essas medidas populistas podem gerar mais incertezas no futuro”, aponta.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez suas expectativas de crescimento para o PIB brasileiro, revelou o Relatório Focus do Banco Central. Desta vez, a revisão foi de um avanço de 5,0% para 5,05% no ritmo da atividade econômica do país. Já para 2022, as expectativas oscilaram de 2,1% para 2,11%.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as projeções aumentaram de 5,9% para 5,97% de expansão em 2021. Para 2022, as previsões se mantiveram em 3,78% de aumento no medidor oficial de inflação do Brasil.

As estimativas dos economistas para o dólar ao final do ano, por sua vez, ficaram estáveis em R$ 5,10 para 2021 e em R$ 5,20 para 2022.

Por fim, a mediana das expectativas para a taxa básica de juros, Selic, manteve-se em 6,50% ao ano para 2021 e em 6,50% ao ano para 2022.

Covid no Brasil

O Brasil totalizou 513.544 mortes por Covid-19, sendo 725 nas últimas 24 horas, de acordo com dados do último domingo (27), consolidados às 20h. A média móvel de mortes nos últimos 7 dias foi a 1.661 – ficando abaixo de 2 mil pelo sexto dia seguido. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de queda de 16% .

Após 40 dias, a média móvel de mortes decorrentes do vírus voltou a apontar tendência de queda, de acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil.

Reforma tributária

O grande destaque no noticiário econômico e que deve seguir no radar dos mercados é a reforma tributária, com o governo enviando a parte focada na tributação da renda na sexta-feira.

É esperado que a proposta seja fruto de amplos debates e não saia do Legislativo da mesma forma que chegou. Embora o governo tenha buscado impacto fiscal neutro, a Receita espera aumento de R$ 900 milhões na arrecadação em 2022, caso a proposta original seja aprovada.

O projeto de lei da segunda fase da reforma tributária estabelece alteração na renda de corte para a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas dos atuais R$ 1.903,98, para R$ 2.500. Pelo novo quadro, 16,3 milhões de brasileiros estarão isentos do IR, ante os atuais 10,7 milhões, aumento de 31% na faixa de isenção.

O Ministério da Economia projetou um ganho de arrecadação em torno de R$ 1,9 bilhão em três anos com a implementação da segunda fase da reforma tributária.

Em coletiva de imprensa remota, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que a pasta projeta um efeito líquido positivo das medidas de cerca de R$ 980 milhões para 2022.

Para 2023 e 2024, a Economia projeta resultados positivos, respectivamente, da ordem de R$ 330 milhões e R$ 590 milhões. “Todos os reajustes, as calibrações que foram feitas nas alíquotas, foram com vistas a manter a diretriz de consolidação do resultado fiscal”, explicou.

Em fala à Câmara dos Deputados, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro defendia que o limite fosse para R$ 3.000 mas a avaliação é que não haveria espaço fiscal para se chegar a esse valor. “Não há o menor risco de desequilibrarmos as finanças”, afirmou Guedes.

Ainda assim, o ministro disse que cerca de 30 milhões de brasileiros assalariados vão pagar menos Imposto de Renda.

Além disso, em projeto apresentado à Câmara dos Deputados na sexta-feira, o governo propôs a redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica dos atuais 15% para 12,5% no próximo ano e para 10% a partir de 2023. O adicional de 10% para lucros acima de 20 mil reais por mês será mantido, segundo apresentação da Receita Federal divulgado à imprensa.

Pela proposta do governo, pagamentos de gratificações e participação nos resultados aos sócios e dirigentes feitos com ações da empresa não poderão mais ser deduzidos como despesas operacionais. Também está sendo vedada a possibilidade de deduzir juros sobre o capital próprio.

“Com um mercado de crédito muito mais evoluído e os juros menores, não é mais preciso dar benefício para que o empresário invista seu dinheiro na própria empresa”, diz o texto da apresentação.

O governo informou que também quer acabar com a alternativa de apuração anual. Segundo a apresentação, todas as empresas deverão apurar trimestralmente o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com a permissão de se compensar 100% do prejuízo de um trimestre nos períodos seguintes.

A proposta não agradou o mercado financeiro na sexta, fazendo o Ibovespa cair 1,74%.

Radar corporativo

A Simpar informou em fato relevante na noite desta sexta-feira que os Conselhos de Administração da Movida e da CS Participações aprovaram os documentos finais da reorganização societária, com o objetivo de integrar os negócios da Movida e da CS Frotas, conforme divulgado no dia 3 de fevereiro de 2021.

A incorporação de ações e documentos correlatos serão submetidos à aprovação dos acionistas da Movida e da CS Participações em assembleias convocadas para o próximo dia 26 de julho.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
CVCB3 3.61664 28.65
QUAL3 3.34037 29.39
ABEV3 3.24484 17.5
BPAC11 3.11998 121.96
LWSA3 2.92664 27.08

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
IGTA3 -2.61718 40.93
JHSF3 -2.10804 7.43
BRML3 -1.98113 10.39
CSAN3 -1.94096 24.25
MRVE3 -1.84414 16.5

Já o banco BR Partners ganhou a licitação para fazer a avaliação do grupo Eletrobras em seu processo de capitalização. A seleção ocorreu após o envio, pelos bancos contatados de propostas, que foram posteriormente analisadas pela companhia.

A avaliação econômico-financeira é um dos primeiros passos para que a estatal caminhe para sua privatização. Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou o parecer da Medida Provisória que permite a saída da União do controle da empresa de energia elétrica.

Ainda em destaque, a Ambipar fechou  a compra de 100% da Disal Ambiental Holding, atuante há 40 anos com soluções de gestão ambiental no Chile, Peru e Paraguai, com foco na gestão de resíduos industriais, com tratamento e coleta de sólidos e líquidos perigosos.

O conglomerado industrial Ultrapar anunciou na sexta-feira (25) a venda de sua participação de 50% na empresa de meios de pagamento eletrônico ConectCar, que atua na abertura de cancelas de pedágios e estacionamentos. A fatia foi vendida para a Portoseg, unidade da Porto Seguro, por R$ 165 milhões, valor sujeito a ajustes. Trata-se da segunda venda de ativos por parte da Ultrapar, que está se consolidando nos segmentos de distribuição de combustíveis e petróleo e gás. Em meados de maio, a Ultrapar anunciou a venda de sua rede de drogarias Extrafarma para a Pague Menos por R$ 700 milhões.

A Equatorial Energia venceu na sexta-feira o leilão de privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), responsável pela distribuição de energia no Estado do Norte do país. Como vencedora, a Equatorial deverá responder por R$ 3 bilhões de investimentos pelo período de 30 anos. No certame, a companhia fez a única oferta pela CEA, que foi adquirida por um valor simbólico. O novo controlador, porém, terá de assumir passivos precificados em cerca de R$ 1 bilhão

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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CPI da Pandemia: deputado Luis Miranda diz que Bolsonaro citou Ricardo Barros como envolvido em suspeita com Covaxin

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) em depoimento à CPI da Pandemia (Foto: Pedro França/Agência Senado)

SÃO PAULO – O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou, nesta sexta-feira (25), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que levou ao conhecimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin e ouviu do mandatário que eram coisa de Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados.

O parlamentar e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, foram ouvidos por mais de 8h pelo colegiado após conteúdo de depoimento sigiloso do servidor junto ao Ministério Público Federal (MPF) ser revelado, sobre um suposto caso de corrupção nas negociações para a aquisição do imunizante por parte da pasta.

Durante o depoimento, o servidor reforçou a versão de que sofreu “pressão atípica” para assinar com celeridade documentos para a liberação da Covaxin. O deputado federal, por sua vez, narrou contatos que teve com Bolsonaro e seu entorno sobre o assunto. Um dos episódios relatados foi de reunião entre os três no Palácio da Alvorada, em 20 de março.

“Ele nos recebeu num sábado, por conta de que eu aleguei que a urgência era urgente, urgentíssima, devido à gravidade das informações trazidas pelo meu irmão para a minha pessoa.

O presidente entendeu a gravidade. Olhando os meus olhos, falou: ‘Isso é grave!’ Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome pra mim, dizendo: ‘Isso é coisa de fulano’. Não me recordo. E falou: ‘Vou acionar o DG da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave, isso que está ocorrendo’”, afirmou.

“O que senti? Que o Presidente, apesar de toda a força que ele demonstra, de tudo o que a gente conhece, ele, nesse grupo específico, na minha percepção, não tinha força pra combater. Ele deu a entender isso, porque ele fala o nome, mas não tem certeza também. Ele falou assim: ‘Deve ser coisa de fulano –puta merda! –, mais uma vez’. Vai, dá um tapa na mesa e fala assim: ‘Vou acionar o DG da PF pra mandar investigar esse troço’. Não foi uma ação de conivência. Foi uma ação de ‘estou amarrado’”, disse em outro momento.

Durante boa parte da oitiva, Luis Miranda disse que não se recordava do nome do parlamentar citado pelo presidente. Em um momento, chegou a afirmar que o congressista era da base do governo na Câmara. Noutro, foi provocado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que disse que o depoente não tinha a coragem de falar o nome do líder do governo.

“O senhor se apresentou perante a esta CPI e é muito claro seu objetivo de reconstruir uma imagem, de apresentar novamente aos brasileiros essa veia combativa – combate à corrupção, coragem para enfrentamento ao sistema. A gente está presenciando tudo isso, mas sou obrigado a dizer que esse esforço está sendo em vão”, disse o senador.

“Está sendo em vão porque o senhor não está tendo a coragem de falar o nome ‘Ricardo Barros’. Claramente, está lhe faltando coragem para falar o nome do deputado federal Ricardo Barros, que é a figura que é referida em todos os corredores com envolvimento neste caso. Então, gostaria de dar a oportunidade, deputado, para que o senhor exercite de fato a coragem que o senhor propala na internet. Porque, efetivamente, quando o senhor tenta fazer as manobras, as ginásticas, os malabarismos, para dizer que não consegue recordar um nome, claramente ofende a inteligência dos parlamentares que estão lhe assistindo, ofende a inteligência dos brasileiros e muito claramente joga fora uma oportunidade”, complementou.

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“Existem momentos em nossa vida em que era melhor ter esquecido o que a gente escutou. Eu acho que este foi um dos momentos, porque, se o presidente da República, o qual eu admiro tanto, olha para você e demonstra que sabe, e sabe a chave, você sai de lá e hoje ele diz que vai investigar ‒ significa que desde então não foi feita a investigação nem o nome da pessoa que ele fala para mim teoricamente está sendo investigada a pedido do presidente ‒ acho que eu realmente tive um lapso de memória e temporal. E não que eu não queira contribuir com essa comissão, mas é que ainda estou respirando e tentando entender tudo que está acontecendo. Estou sendo atropelado por um furacão”, respondeu o depoente.

“Eu sei que o senhor não vai me compreender, mas você está de um lado, apaixonado por um lado, porque é a mudança do país, é aquilo que você sempre sonhou, fazer as reformas ‒ eu sempre sonhei fazer a reforma tributária ‒ e, de repente, você descobre que a coisa está aparelhada igual sempre foi criticado. E, pela luta de não perder a bandeira de governo sem corrupção, ele é capaz de atropelar um deputado da base, um servidor público extremamente honesto como meu irmão”, continuou.

“Eu estou sendo massacrado por estar lutando pelo que é certo. Então, eu acho que eu cheguei no meu limite de complicar minha vida, mas eu acho que esta Comissão, acho que esta CPI já sabe o caminho que tem que seguir. E, se ela usar o follow the money e trabalhar direitinho, o Brasil vai perceber que nós estamos vivendo uma ilusão, uma verdadeira hipocrisia”, completou.

Mas, depois de horas de pressão, Luis Miranda confirmou o nome de Ricardo Barros como o citado por Bolsonaro na referida reunião como envolvido no caso suspeito da compra da vacina Covaxin. A resposta veio após indagação da senadora Simone Tebet (MDB-MS), líder da bancada feminina na casa legislativa.

“Gostaria de pedir que, no espírito público, que parece estar presente na alma e no coração do deputado, que complete o depoimento a favor do país. É muito importante que diga o nome. Até porque, não se preocupe: V. Exa. disse que não tem como provar, mas nós temos. Nós já temos indícios, documentos e como rastrear. Se V. Exa. tiver a coragem de dizer o nome, posso garantir: não se preocupe com o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que nenhum deputado vai ter coragem de insurgir contra V. Exa., contra a opinião pública e a massa de brasileiros que quer saber a verdade e buscar a verdade dos fatos”, disse a parlamentar.

“A senhora sabe que se eu disser isso… Eu vou ser perseguido, já disseram que eu já perdi minha relatoria da reforma tributária, que foi uma promessa do presidente Arthur Lira para mim. Já perdi todos os espaços, já perdi tudo que tenho, já acabaram com a minha política. O que mais vocês querem que eu faça?”, rebateu o deputado.

“Bom, deputado, V. Exa. só confirma que sabe e não quer dizer. Eu o respeito como parlamentar, entendo a posição de V. Exa., mas só confirma que sabe qual é o nome do deputado e nós vamos buscar…”, continuou a senadora.

“A senhora também sabe que é o Ricardo Barros que o presidente falou. Foi o Ricardo Barros que o presidente falou, foi o Ricardo Barros. Eu não me sinto pressionado para falar, eu queria ter dito desde o primeiro momento, mas é que vocês não sabem o que eu vou passar. Apontar um presidente da República que todo mundo defende como uma pessoa correta e honesta, que sabe que tem algo errado, ele sabe o nome, ele sabe quem é e não faz nada por medo da pressão que pode levar do outro lado? Que presidente é esse que tem medo de pressão de quem está fazendo algo errado? De quem desvia dinheiro público das pessoas morrendo desta porra dessa Covid?”, respondeu o deputado às lágrimas.

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O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), informou que pediu à Polícia Federal para providenciar proteção para a família do deputado Luis Miranda e ao servidor Luis Ricardo Miranda.

Segundo o senador, o pedido foi encaminhado há três dias, mas ainda não foi respondido. Diante do fato, Aziz pediu que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), garanta proteção para o deputado. Ele também disse que vai providenciar os trâmites burocráticos para a proteção do servidor Luis Ricardo.

Novo momento

As declarações do deputado Luis Miranda e seu irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda, dão fôlego e novos rumos à CPI da Pandemia, que agora passa a trabalhar também com suspeitas de irregularidades na compra de vacinas. Os indícios apontados colocam Bolsonaro e seu entorno no centro de um possível escândalo.

“A gravidade é muito maior do que vocês estão imaginando”, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão em coletiva de imprensa concedida após o fim da sessão. “Essa pessoa que é citada é líder do governo na Câmara. E nos estranha ele ter falado aqueles impropérios e não ter tomado nenhuma providência”.

“O conjunto da obra é totalmente grave”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão. “A CPI definitivamente, a partir de hoje, entrou em outra fase. Até agora, nós tínhamos comprovado que existiram omissões para a aquisição de vacinas, que teve uma estratégia deliberada de imunidade coletiva, a existência de um gabinete paralelo negacionista. Nós só não tínhamos a informação até agora é que tudo isso era por dinheiro, que esse esquema todo tinha como alicerce um enorme e estruturado esquema de corrupção”.

Para Fabiano Contarato (Rede-ES), a revelação reforça a necessidade de impeachment de Bolsonaro. O senador disse esperar que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), leve avante um dos mais de 130 pedidos de afastamento do chefe do Poder Executivo.

O parlamentar argumenta que a CPI precisa dar uma resposta à altura sobre essa denúncia. “Os brasileiros precisam abrir os olhos. A denúncia vem de alguém que é da base do governo”, declarou.

Já a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) chamou atenção para um possível crime de prevaricação, dadas as alegações de que Bolsonaro sabia das supostas irregularidades, mas não agiu para impedi-las.

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Através de seu perfil oficial no Twitter, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) negou que seja o parlamentar supostamente mencionado por Bolsonaro.

“Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. ‘Não sou esse parlamentar citado’, A investigação provará isso. Também não é verdade que eu tenha indicado a servidora Regina Célia como informou o senador Randolfe. Não tenho relação com esse fatos (sic)”, disse.

As novas evidências que chegaram à comissão fazem com que muitos membros do colegiado reforcem o tom de que talvez seja necessária uma prorrogação no prazo dos trabalhos, hoje estabelecidos em 90 dias – o que o Palácio do Planalto trabalha para evitar, tendo em vista o desgaste provocado pelas investigações.

Durante o depoimento, o servidor Luis Ricardo Miranda disse que, na análise dos documentos envolvendo o processo da compra de doses da vacina Covaxin, foram encontradas informações que não batiam com o texto original do contrato da Bharat Biotech com o Ministério da Saúde.

Algumas dessas divergências seriam na forma de pagamento, na quantidade de doses e na indicação de empresas intermediárias. Renan disse estranhar a divergência de nomes de empresas intermediárias e afirmou que suspeita de operações em algum paraíso fiscal.

(com Agência Senado)

CPI da Pandemia não é panaceia, mas haverá indiciamentos, diz Alessandro Vieira

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) durante sessão pela CPI da Pandemia (Foto: Agência Senado)

BRASÍLIA – A CPI da Covid no Senado não tem a capacidade de resolver “todos os males”, mas irá esclarecer a atuação do governo e já é possível afirmar que haverá sugestões de indiciamentos, afirmou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) à Reuters.

Para o senador, delegado da Polícia Civil de Sergipe e líder do Cidadania no Senado, ainda é “precoce” falar em indiciamento do presidente da República neste momento ou definir tipos penais, mas já há indicações que apontam uma tendência nessa linha.

“A CPI não é uma panaceia, não é a ´cloroquina´, o Congresso não vai resolver todos os males, mas a gente vai conseguir botar luz em muita coisa, vai mostrar muita coisa errada que aconteceu. E tudo aponta no final das contas por um jeito de conduzir o Brasil que é do Jair Bolsonaro”, disse o senador em entrevista na sexta-feira.

“São várias possibilidades, mas e razoável já dizer que sim, nós vamos fechar esse relatório com indiciamentos”, garantiu o parlamentar, que tem desempenhado papel de orientação técnica aos colegas.

Segundo ele, pelos dados e depoimentos já colhidos, já é possível afirmar preliminarmente de improbidade administrativa e prevaricação, a exemplo dos atrasos do governo em negociar a compra de vacinas, mas é possível que se chegue mais longe.

“A priori você vê por parte do governo, para não fulanizar, você tem no mínimo prevaricação e improbidade administrativa, e isso pode avançar para crimes contra a saúde pública, crime de epidemia, que é crime de facilitar ou difundir uma pandemia, uma epidemia no seu país”, explicou.

“E no tocante especificamente dos povos indígenas, que é um núcleo de investigação que a gente não ativou ainda, se você identificar que com relação aos povos indígenas você teve uma conduta diferenciada do governo e essa conduta foi pior, mais negativa, mais violenta, aí você  pode falar de genocídio”, acrescentou.

Sobre um indiciamento do presidente da República, Vieira afirmou que “caminha nesse sentido, seria precipitado cravar um indiciamento agora, precipitado e desnecessário; mas os indícios caminham fortemente nesse sentido”.

O parlamentar comentou ainda que, em seu depoimento, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello tentou tirar Bolsonaro do centro de decisão, e deve ser confrontado quando retornar à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), já que foi reconvocado.

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Para o senador, há sinais claros de negligência por parte do governo nas negociações de compra de vacinas da Pfizer e também nas conversas com o Instituto Butantan, tanto para a aquisição da CoronaVac, quanto no caso em que a instituição pediu apoio financeiro para a reforma de uma fábrica para a produção de vacinas.

“O governo claramente negligenciou a negociação com a Pfizer, isso é documentado, você tem o primeiro contato da Pfizer em março de 2020, a primeira contraproposta brasileira em dezembro de 2020”, comentou.

“No caso do Butantan mais grave ainda, você tem documentadas as ofertas de quantidade expressiva de doses de vacinas, você tem os pedidos de apoio para investimentos que historicamente sempre foram feitos (ao Butantan) e que foram feitos para a AstraZeneca, mas foram negados para o Butantan”, citou.

O líder do Cidadania explicou que um dos focos de investigação irá se centrar no nível de participação de Bolsonaro no processo decisório. Para isso, explicou, serão necessários mais depoimentos, dados, quebras de sigilos e cruzamento de informações.

Intervalo na ajuda

O parlamentar avaliou ainda o peso do olhar econômico nas decisões tomadas pelo governo, seja na definição de orçamento para a Saúde, negociação de preços das doses das vacinas, na concessão de ajuda a entes federativos, a empresas ou a pessoas em situação de vulnerabilidade.

“As pessoas protegidas (economicamente) podem se resguardar”, destacou.

“A gente tem alguns lapsos que são muito claros. O intervalo entre dezembro até março, que a população inteira ficou sem auxílio emergencial, isso naturalmente forçou as pessoas a irem para a rua. E essa foi uma decisão do governo. O Congresso queria fazer e o governo protelou”.

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O período de ausência do auxílio mencionado por Vieira coincide justamente com a fase de recrudescimento da pandemia no país.

A cúpula da CPI, entretanto, tem sido cautelosa em aprovar uma convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para dar explicações.

Secretária Mayra Pinheiro nega responsabilidade federal por colapso em Manaus, defende cloroquina e é contestada por senadores

À mesa, em pronunciamento, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Jefferson Rudy/Agência Senado

A secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro afirmou à CPI da Pandemia que, na qualidade de médica, mantém a orientação do uso de cloroquina e “de todos os recursos possíveis para salvar vidas”. A adoção do medicamento contra a covid-19 foi um dos principais temas abordados pelos senadores no depoimento desta terça-feira (25) na comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado.

A servidora, que é titular da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde da pasta, disse ainda que nunca recebeu ordem para defender o remédio e que o ministério nunca recomendou o uso da substância, mas apenas orientou a comunidade médica para a dosagem segura, uma vez que a cloroquina e a hidroxicloroquina já vinham sendo usadas no mundo inteiro.

O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda mais o uso dos remédios, e a testemunha respondeu que, embora o Brasil seja signatário da entidade, os ministérios da Saúde de todos os países do mundo são órgãos independentes e têm autonomia para a tomada de decisão de acordo com as situações locais.

“A OMS retirou a orientação desses medicamentos para tratamento da covid-19 baseada em estudos que foram feitos com qualidade metodológica questionável, usando medicações na fase tardia da doença, em que todos nós já sabemos que não há benefício para os pacientes”, afirmou o senador.

Otto Alencar (PSD-BA), que também é médico, afirmou que cloroquina não é antiviral em “estudo sério” nenhum do mundo. Trata-se de um antiparasitário, frisou. Ao se referir ao presidente Jair Bolsonaro, ele disse que a insistência em permanecer no erro não é virtude, mas defeito de personalidade.

“Minha discordância aqui nunca foi política, mas científica, não tem nenhum antiviral que possa controlar a doença. Não podemos levantar a bandeira. Isso não é sério, não é honesto, não é direito. É uma medicação velha, usada numa doença nova que não se conhece”, disse o parlamentar.

A secretária respondeu dizendo que há estudos demonstrando efeitos antivirais da cloroquina e reiterou que nunca disse que o medicamento seja capaz de curar a covid-19, mas, sim, diminuir as internações e evitar o colapso do sistema de saúde.

Indagada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), a representante do Ministério da Saúde disse não achar adequado o apelido que ganhou de “Capitã Cloroquina”.

“Não acho o termo adequado, pois não sou oficial de carreira militar. Sou uma médica respeitada no meu estado, por isso prefiro ser chamada apenas de doutora Mayra Pinheiro”, afirmou.

Tratamento precoce

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O senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que tem havido um debate muito grande na comissão sobre a cloroquina e “tratamento precoce”, mas só em relação ao governo federal, sendo que a execução das políticas públicas são feitas pelos estados e municípios nas suas respectivas unidades de saúde.

O parlamentar governista fez um levantamento mostrando que há estados seguindo atualmente o protocolo de “tratamento precoce” com adoção de cloroquina. Seria o caso, segundo ele, de Alagoas, Bahia, São Paulo, Amapá.

“O que mata mais é o atendimento precoce, com os medicamentos disponíveis receitado pelos médicos, ou é a negação do atendimento? O doente deve procurar ajuda só quando não tiver mais jeito?”, indagou o senador, que apresentou estudos demonstrando a importância do tratamento na fase inicial da doença.

Imunidade de rebanho

Pressionada pelo relator sobre a teoria da imunidade de rebanho, a secretária do Ministério da Saúde esclareceu à CPI da Pandemia que a tese não pode ser usada indistintamente na população por não ser possível prever o tempo e a intensidade de exposição necessárias até que seja atingido algum benefício.

O relator chegou a exibir um vídeo em que a representante do Executivo fala sobre o assunto, mas ele alegou que estava se referindo somente às crianças e não à população em geral.

“O áudio que o senhor acabou de mostrar é de uma colocação referente à população pediátrica e, na época, eu defendia que as crianças não fossem retiradas das escolas. Isso foi uma das maiores agressões que a gente fez a essa população […] Como pediatra, eu fiz vários estudos, ao lado de colegas que são cientistas, e hoje temos a certeza de que as crianças têm 37,5 vezes menos chances de contrair a doença e a possibilidade de transmissão a partir de uma criança também é baixa”, explicou.

Ainda segundo ela, a tese de imunidade de rebanho nunca foi cogitada pelo Ministério da Saúde como estratégia de combate à pandemia; além disso, o assunto nunca foi discutido com ela pelo presidente da República.

Crise no Amazonas

Ao relatar sua atuação na crise no Amazonas, Mayra Pinheiro disse ter encontrado uma situação caótica quando chegou a Manaus, no dia 3 de janeiro. Aos integrantes da CPI, ela afirmou que nunca viu nada igual em 30 anos de carreira na medicina. Falando na qualidade de testemunha e tendo a seu favor um habeas corpus, ela eximiu o governo federal de responsabilidade no colapso no Amazonas.

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“Não tinha controle e gerenciamento de crise; não havia planejamento estratégico para o enfrentamento da doença; nas unidades básicas de saúde não tínhamos triagem, os pacientes que chegavam com covid eram misturados com outros doentes. Não tinha testes para isolar as pessoas com a doença pra que não houvesse novos contaminados. E o que me causou mais estranheza é que mais de 1,2 mil agentes de saúde  foram dispensados de suas atividades”, disse.

A explicação da secretária do Ministério da Saúde não convenceu o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que questionou: “Como que uma técnica com este nível de formação, com toda a assessoria do Ministério da Saúde presente em Manaus, vê um quadro desse e não identifica que haveria colapso por falta de oxigênio? Como? Ninguém vai me convencer de que vocês não tinham conhecimento porque o caos estava lá, a olhos vistos. A solução estava ali do lado e não conseguiram resolver”, afirmou o senador, que também observou que a médica não tem nenhuma publicação na área de medicamentos e, mesmo assim, se contrapôs a pareceres científicos internacionais.

A secretária disse que não foi informada pelas autoridades de saúde locais sobre o risco de desabastecimento. A médica afirmou que esteve em Manaus de 3 a 5 de janeiro e disse acreditar que o ex-ministro Eduardo Pazuello só soube da escassez no dia 8. À CPI, no entanto, o general havia informado que só teve conhecimento na noite do dia 10.

Ainda segundo Mayra Pinheiro, não seria possível previamente calcular quanto de oxigênio seria necessário para suprir a população visto que não se tinha ideia da chegada de novos pacientes.

“É possível fazer isso quando nós estamos em estado de normalidade, habitual. Eu sou intensivista, trabalho com uma UTI que tem dez leitos, eu consigo saber que cada um daqueles leitos tem que ter uma provisão de oxigênio e ar comprimido. Em Manaus, numa situação extraordinária de caos, onde não temos noção de quantos pacientes vão chegar ao hospital, é impossível fazer uma previsão de quanto será usado a mais”, declarou.

TrateCov

A secretária também teve de dar explicações sobre a criação do aplicativo TrateCov, que teria o objetivo de auxiliar no diagnóstico de covid-19. Mayra disse que foram técnicos da secretaria da qual ela é chefe os responsáveis pelo desenvolvimento da plataforma, que, argumentou, seria similar a outras já existentes e usadas pela medicina no Brasil e em outros países.

Segundo ela, foi apresentado um protótipo, no dia 11 de janeiro, em Manaus, mas o sistema não chegou a ser lançado. Diferentemente do que foi dito pelo ex-ministro Eduardo Pazuello, Mayra informou que o dispositivo não foi hackeado.

“Foi feita uma extração indevida por um jornalista, que fez uma cópia da capa inicial dessa plataforma, abrigou nas redes sociais dele e começou a fazer simulações fora de qualquer contexto epidemiológico. Isso causou prejuízos à sociedade porque essa ferramenta poderia ter salvado muitas vidas em auxílio aos testes diagnósticos. A ordem do ministro, quando nós soubemos, através da imprensa, do uso indevido, foi retirar a plataforma do ar”, declarou.

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Ainda segundo ela, o aplicativo não sofreu alteração ou teve o funcionamento alterado, o que chamou atenção do presidente da CPi, senador Omar Aziz (MDB-MA). “Não houve hackeamento nenhum. A senhora disse aqui que não houve nenhuma mudança no protocolo. Então por que retirar do ar? Se a senhora tinha tanta certeza de que ia salvar vidas, por que vocês não devolveram e salvaram as vidas que foram perdidas no Amazonas?”, indagou.

A médica respondeu que havia grande insegurança na época e era necessário fazer a investigação relativa à extração de dados.

Habeas Corpus

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) quis saber por que a médica entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter o direito de ficar calada diante da CPI. O direito de permanecer em silêncio lhe foi garantido sobre fatos ocorridos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, período que coincide com a crise de falta de oxigênio nas UTIs de Manaus.

Mayra Pinheiro disse que a intenção dela foi apenas se proteger e para garantir que seria tratada com respeito. “A questão do habeas corpus foi para pedir o respeito porque eu assisti, da minha casa, os depoimentos anteriores e vi depoentes, que são simples testemunhas, sendo tratados como réus. Então, pedi a proteção, porque achei indigno o tratamento que eles receberam aqui”, declarou.

Ainda indagada por Randolfe, a médica também confirmou áudio seu em que dizia a colegas que a Fiocruz tinha “um pênis na porta”. O senador rebateu dizendo que a Fiocruz é uma instituição com mais de 100 anos, das mais respeitadas do país, responsável pela produção de milhões de vacinas.

Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) informou que o símbolo confundido com um pênis nada mais seria do que o logotipo da Fundação Oswaldo Cruz.

Teoria conspiratória

Ao responder ao senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Mayra Pinheiro negou ter presenciado reuniões no âmbito do Ministério com pessoas alheias à pasta. Além disso, a médica não mencionou em que estudos se embasou para promover o “tratamento precoce”.

O senador salientou que as declarações da médica, assim como a de outros depoentes e políticos, pressupõem uma teoria conspiratória, um grande complô “pela doença”, que necessariamente incluiria os laboratórios e maiores instituições científicas e médicas de todo o mundo — já que, ao contrário do que se esperava no início da pandemia, os estudos não demonstraram que a cloroquina teria efeito contra a covid-19.

“Pedi ajuda ao Dr. Paulo Ricardo Martins Filho, da Universidade Federal de Sergipe, que é mestre e doutor em Ciências da Saúde especializado na questão de epidemiologia. Ele coordena a disciplina de Revisão Sistemática e Meta-Análise. O Prof. Paulo me encaminhou aqui a análise de 2.871 estudos nas bases disponíveis pelo mundo — PubMed, Embase, todas elas —, e estabeleceu os critérios de filtro para tentar encontrar ensaios que fossem qualificados como de excelência. (…) Desses 2.871 estudos que ele analisou nessas bases todas, internacionais e nacionais, foram encontrados 14 estudos com essas características, as características de excelência [randomizados e com “duplo-cego”] na qualidade como evidência. Desses, absolutamente nenhum indica benefício no uso de medicamentos como a hidroxicloroquina”, disse o senador, observando que o uso de medicamentos off-label não poderiam orientar toda a política pública de saúde e o atendimento através do SUS.

A médica reconheceu  não existirem estudos de primeira linha para comprovar o uso dos medicamentos que tem promovido. “Nós não temos ainda estudos atualmente no topo da pirâmide. Nós estamos diante de uma pandemia”, afirmou, argumentando que são estudos demorados.

Ainda questionada por Vieira, Mayra Pinheiro se disse favorável ao isolamento social, ao uso de máscaras, higiene das mãos e vacinação em massa para combater a pandemia de covid-19. “Concordo com o senhor”, disse a secretária, que também negou apoiar a chamada “imunidade de rebanho” pela disseminação do vírus em grandes populações.

O líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), elogiou o depoimento da médica, que a seu ver desmontou a “narrativa da oposição”. Para ele, Mayra Pinheiro confirmou que o governo fez tudo que esteve a seu alcance para combater a pandemia. Além disso, afirmou que a vacinação no país ocorre em bom ritmo e que a chance de uma “terceira onda” de covid-19 é reduzida.

Também o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) elogiou a participação da médica na CPI e voltou a defender o chamado “tratamento precoce”, com o uso de hidroxicloroquina. Ele disse que os grandes fabricantes de vacinas financiaram um dos estudos contrários ao uso do medicamento.

Genocídio

A reunião desta terça-feira já começou com um bate-boca entre governistas e o relator Renan Calheiros, que abriu seus questionamentos com um texto sobre o Tribunal de Nuremberg, que julgou nazistas após a Segunda Guerra Mundial. Ao falar da lealdade de Hermann Goring a Adolf Hitler e do genocídio dos judeus, Renan foi imediatamente interrompido pelo líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

“É um absurdo querer comparar a situação que nós estamos enfrentando aqui com o genocídio que ocorreu na Alemanha. É um absurdo. Isso é mais que um prejulgamento! É uma coisa odienta! Odienta!”, prostestou.

Horas depois, o senador Marcos Rogério leu nota da Confederação Israelita do Brasil (Conib) repudiando a menção ao nazismo feita por Renan. O relator, então, alegou que não comparou a pandemia ao Holocausto, e sim, “à atitude de negação” de autoridades.

Requerimentos

Em razão do inicio da ordem do dia do Plenário, o presidente da CPI, Omar Aziz teve que novamente encerrar a reunião da CPI mais cedo. Ainda havia nove senadores inscritos para falar. A comissão se reunirá novamente nesta quarta-feira (25), às 9h30, para deliberar sobre 402 requerimentos que tem em pauta.

Dados de emprego, IPCA-15, Covid-19 e PIB dos EUA: o que acompanhar nesta semana

Carteira de trabalho Sindicatos e empresas pressionam senadores por mudanças na MP Trabalhista

SÃO PAULO – Após uma semana em que a bolsa brasileira ficou praticamente de lado, com investidores atentos ao Federal Reserve no exterior e com o Bitcoin chamando atenção com sua forte queda, os próximos dias contarão com uma agenda de indicadores bastante carregada.

No Brasil, o calendário conta com dados de atividade econômica, mercado de trabalho e inflação. Entre segunda e sexta a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresenta algumas sondagens, que segundo os analistas do Bradesco devem confirmar a retomada da economia brasileira em maio, validando as expectativas mais favoráveis para o PIB deste ano.

Esta semana conta ainda com os dois principais dados de emprego do país: Caged, que será relativo a abril, e a Pnad de março. Ambos indicadores têm mostrado piora na situação do desemprego no Brasil nos últimos meses, mas também têm sofrido críticas por conta de mudanças em suas metodologias. Mesmo assim, ainda são acompanhados de perto pelo mercado.

Por fim, os números de inflação dos próximos dias deverão continuar apontando pressões inflacionárias, segundo o Bradesco. Na terça (25) sai o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), enquanto na sexta (28) será divulgado o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), ambos de maio.

No campo político, além da continuidade da CPI da Pandemia, que deve contar com o depoimento da Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, os investidores acompanharão também debates sobre as reformas.

Segundo a equipe da XP Política, líderes do Senado foram comunicados da possibilidade de uma reunião no Congresso na segunda-feira (24) para sacramentar um acordo sobre o Orçamento. Se isso ocorrer e eles chegarem a um entendimento, uma sessão pode ser convocada para o dia seguinte.

Além disso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, informou a possibilidade de uma reunião entre ele, o presidente da Câmara, Arthur Lira e o ministério da Economia, também na segunda, para discutir os caminhos para a reforma tributária.

No exterior, a agenda será um pouco mais tranquila, deixando o grande destaque para a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre dos Estados Unidos.

Para a equipe do Bradesco, o dado deve confirmar a leitura de expansão robusta da economia americana no período, favorecida por avanços rápidos na imunização e por estímulos de política econômica. Segundo a mediana das projeções coletadas pela Refinitiv, o PIB dos EUA deve ter alta de 6,4%, se mantendo como na primeira estimativa.

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Outro dado importante será o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), um dos principais números de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Completando a agenda, na noite de quarta-feira (26), a China apresenta os dados da indústria.

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Pazuello culpa governo do Amazonas por crise e diz que Ministério da Saúde foi “muito proativo”

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em depoimento na CPI da Pandemia (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

SÃO PAULO – No segundo dia de depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello manteve a estratégia de blindar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu governo, e responsabilizou o governo do Amazonas e a empresa White Martins pelo colapso no fornecimento de oxigênio em janeiro.

“A empresa White Martins, que é a grande fornecedora, já vinha consumindo sua reserva estratégica e não fez essa posição de forma clara. O contraponto disso é o acompanhamento da Secretaria de Saúde, que não o fez. Se tivesse acompanhando, teria descoberto que estava sendo consumida a reserva estratégica. A responsabilidade quanto a isso é clara: é da Secretaria de Saúde do Amazonas. Da nossa parte, fomos muito proativos”, afirmou.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) rebateu. O parlamentar lembrou que apresentou um pedido formal de intervenção no sistema de saúde do Amazonas, mas que foi negado pelo governo federal.

“Cometeram um crime de responsabilidade para com o povo. Nós sabíamos que iríamos precisar deste hospital de campanha no Amazonas para salvar vidas”, disse o parlamentar.

“Fiz carta ao Presidente da República pedindo a intervenção para salvar vidas, Senador Omar, diante do que nós estamos ouvindo aqui por parte do Ministro da Saúde, da falta de compromisso, da falta de competência, da falta de responsabilidade. Deixou faltar oxigênio. Fecharam o hospital de campanha! E, lamentavelmente, não fui atendido”, completou.

Pazuello disse que a decisão sobre a intervenção no estado não cabia a ele, mas que o assunto foi debatido em reunião de ministros com a participação do presidente Jair Bolsonaro e do governador Wilson Lima (PSC).

Segundo o ex-ministro, o governador era contrário à ação por considerar que a administração estadual tinha condições de enfrentar a segunda onda da pandemia de Covid-19 sem a necessidade de intervenção.

“Essa decisão não era minha. [O assunto] Foi levado à reunião de ministros com o presidente. O governador, presente, se explicou, apresentou suas observações, e foi decidido pela não intervenção. Foi dessa forma que aconteceu”, explicou o general.

A crise em Manaus (AM), cidade que foi duramente atingida por uma explosão de casos de Covid-19 no início do ano que gerou uma escassez de oxigênio em hospitais, é um dos principais temas da CPI da Pandemia.

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Durante a sessão, ao mesmo tempo em que negou ter sofrido pressão de Bolsonaro, o general afirmou que as decisões da pasta eram tomadas, em sua maioria, de forma compartilhada com os níveis de governo estadual e municipal.

“Eu não tomei decisões sozinho lá no Ministério da Saúde, quando eu estava lá. As decisões eram pactuadas, isso quer dizer, discutidas, de uma forma clara e objetiva e técnica com os executivos do Conass e do Conasems. Então, exclusivamente falando deste flanco que é a Saúde, ele é tratado dessa forma”, disse.

“E posso afiançar também ao senhor e a todos os senadores: sim, eu tive liberdade de tomar, no que tange à minha parte das decisões, a liberdade de tomar as decisões. Agora, as demais frentes para a pandemia, elas são realmente conduzidas por outras pessoas”, avaliou.

Senadores do chamado G7 ‒ grupo majoritário da comissão, formado por parlamentares independentes e de oposição ao governo Bolsonaro ‒ em diversas situações sinalizaram uma sensação de que Pazuello estaria assumindo responsabilidades que não seriam exclusivas dele.

“Alguns dos que vieram aqui disseram que a responsabilidade pelo vem acontecendo no Brasil é do presidente Bolsonaro. É o caso do Mandetta e é o caso do Teich. Outros, como o ex-ministro Ernesto Araújo e o ex-Secom Fabio Wajngarten, disseram que a responsabilidade é do senhor e do Ministério da Saúde. Já o senhor vem aqui e diz que tudo que aconteceu é de responsabilidade sua e que o presidente não interferiu na sua gestão. Não sei se o senhor está compreendendo o que está acontecendo. Estamos caminhando para ter um grande responsável: o ex-ministro Eduardo Pazuello”, afirmou a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

“O senhor está aqui claramente protegendo uma pessoa por essas informações: o Presidente da República. Tem alguns que estão aqui lhe aconselhando, mas me permita eu aconselhar: estão lhe aconselhando mal, porque esses, na hora de responder ao inquérito, não estarão ao seu lado. Seria melhor o senhor colaborar mais diretamente com esta Comissão Parlamentar de Inquérito, porque ficou claro aqui de quem foi a responsabilidade sobre toda essa tragédia que estamos vivendo”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Questionado pela senadora Leila Barros (PSB-DF) sobre ser o único responsável pelo desastre sanitário brasileiro em meio à pandemia, Pazuello respondeu: “É claro que não! Eu não estou dizendo que eu sou o único responsável. Todos os gestores, em todos os níveis, são responsáveis, cada um no seu nível de responsabilidade”.

Pazuello foi a oitava testemunha ouvida pela comissão parlamentar de inquérito, criada para investigar ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia e desvio de verbas federais enviadas a estados e municípios.

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Antes dele, o colegiado já recebeu os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich; o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga; o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres; o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten; o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo; e o ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo.

O depoimento de Pazuello começou ontem (19), mas precisou ser suspenso após o início da ordem do dia no plenário do Senado Federal. Durante o intervalo, o general teve um mal-estar e foi socorrido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico.

Veja os destaques do depoimento prestado ontem.

Segundo o parlamentar, a testemunha teve uma síndrome vasovagal, manifestou tontura e o rosto “muito pálido”, mas logo se recuperou após um simples procedimento de posição para reativar a circulação regular no corpo.

Ao deixar a casa legislativa, ontem, Pazuello negou ter passado mal. Hoje, recuou e disse apenas que não foi episódio que justificou o adiamento da oitiva. “isso foi a mídia que colocou. Eu falei: ‘Não, não tem nada a ver uma coisa com a outra, eu não passei mal nesse nível’”.

“Cobaia”

Pazuello foi questionado sobre a plataforma TrateCov, lançada pelo Ministério da Saúde em Manaus. O aplicativo ‒ que ele descrevia como “calculadora que facilita o diagnóstico” de Covid-19 ‒ recomendava o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doenças para pacientes que apresentassem sintomas que poderiam indicar contaminação.

Segundo o ex-ministro, o programa nunca chegou a ser lançado oficialmente. O software teria sido “roubado” e “hackeado” enquanto ainda estava em fase de desenvolvimento.

“Embarcamos para Manaus e apresentamos o momento de desenvolvimento dele. Foi feito um roubo dessa plataforma. Foi hackeado por um cidadão. Existe um boletim de ocorrência e uma investigação que chega nessa pessoa. Ele alterou dados e colocou na rede púbica. Quem colocou foi ele. No dia que descobri que foi hackeado, mandei tirar do ar”, disse.

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O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), contestou Eduardo Pazuello. Ele disse que o TrateCov chegou a ser lançado oficialmente, com recomendação para uso de cloroquina em gestantes e crianças. Para Aziz, Manaus foi usada como “cobaia”.

“Tudo aquilo que poderiam ter feito com o povo do Amazonas para testar, para usar de cobaia, para fazer experiências foi feito lá. Inclusive, um suposto programa para supostamente identificar se estava com covid ou não. Por que primeiro Manaus?”, questionou.

“O senhor me desculpe, mas não é cobaia. É uma tentativa de melhorar o atendimento ao público”, rebateu o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro. “Não é cobaia”, completou.

“Esse programa que o Ministro Pazuello fala que foi hackeado, ele foi hackeado e colocado na TV Brasil, para vocês terem uma ideia. Na TV Brasil! O hacker é tão bom que ele conseguiu colocar o programa, uma matéria extensa na TV Brasil”, ironizou Aziz.

O senador Eduardo Braga também mencionou reportagem veiculada pela rede pública de televisão em que Pazuello foi entrevistado e campanha publicitária do novo aplicativo.

Governadores

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) apresentou, durante a reunião, um vídeo com a compilação de falas dos governadores João Doria (São Paulo), Wellington Dias (Piauí), Flavio Dino (Maranhão), Renan Filho (Alagoas) e Helder Barbalho (Pará) admitindo o uso de cloroquina em ambiente hospitalar para pacientes já diagnosticados com Covid-19.

Segundo o parlamentar, o material seria uma evidência de que a CPI da Pandemia tem direcionado as investigações para atingir o presidente Jair Bolsonaro e preservar condutas adotadas por governadores.

As declarações provocaram reações. Senadores advertiram que as declarações dos cinco governadores sobre o uso da cloroquina foram gravadas no início de 2020, quando ainda não havia informações concretas sobre a eficácia do medicamento.

“Uma coisa que evolui com uma rapidez muito grande é a ciência. A ciência é uma coisa que evolui e protocolos são assinados em grandes revistas de especialistas mensalmente, anualmente… Em março de 2020, se eu tivesse contraído Covid, eu tomaria também cloroquina, porque era o que estava sendo prescrito”, rebateu o senador Omar Aziz.

Hospitais de campanha

Durante o depoimento, Pazuello foi questionado sobre o fechamento de hospitais de campanha abertos com a finalidade de atender pacientes diagnosticados com Covid-19 e disse que esta nunca foi a orientação do Ministério da Saúde.

“Em momento algum, nós fomos consultados quanto ao fechamento de hospitais de campanha, em momento algum”, disse em resposta ao senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

A afirmação foi contestada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que citou o hospital de campanha de Águas Lindas (GO), administrado pelo governo federal, e fechado em outubro de 2020.

Segundo o parlamentar, o governo de Goiás solicitou a prorrogação do funcionamento do hospital, mas o pedido foi negado pelo Ministério da Saúde. A senadora Leila Barros (PSB-DF) também disse que houve dois requerimentos, negados pela pasta, para que o hospital fosse mantido até pelo menos o final de 2020.

Pazuello também disse que o Ministério da Saúde destinou R$ 112 bilhões a fundos estaduais e municipais para o enfrentamento da pandemia em 2020. Em 2021, foram R$ 40 bilhões. Segundo ele, porém, governadores e prefeitos não utilizaram os recursos disponíveis.

“Em 31 de março deste ano, o saldo não aplicado era de R$ 24,4 bilhões. Isso demonstra que os caixas estavam abastecidos. A missão de prover recursos para estados e municípios de forma tempestiva e na quantidade suficiente foi cumprida”, afirmou.

Vacinas da Pfizer

Questionado pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o ex-ministro voltou a afirmar que o contrato com a empresa Pfizer para a compra de vacinas não foi assinado no ano passado por falta de autorização legal.

Segundo Pazuello, a farmacêutica norte-americana fez exigências consideradas “impeditivas” pela Advocacia Geral da União (AGU) e pela Controladoria Geral da União (CGU).

“A Pfizer não fazia nenhuma vírgula de flexibilidade”, disse.

Randolfe lembrou que uma minuta da Medida Provisória (MP) 1.026/2020, editada em janeiro deste ano, previa a autorização legal para a aquisição de vacinas.

O dispositivo contava com o aval da AGU e da CGU. No entanto, quando o presidente Jair Bolsonaro enviou a MP ao Congresso, o artigo foi retirado do texto.

“Qual é a diferença da minuta para a medida provisória editada? É que a minuta não tem a assinatura do presidente da República. A medida provisória editada tem. Os ministros queriam. Foi alterado por uma única pessoa” disse, em referência a Bolsonaro.

O impasse só foi resolvido em março, com a sanção da Lei 14.125, de 2021. A norma teve origem em um projeto (PL 534/2021) apresentado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

“Isso [o impasse envolvendo os ajustes de legislação necessários] atrasou três meses, três meses sem a vacina da Pfizer”, disse Randolfe.

O senador Otto Alencar questionou a competência de Pazuello para assumir a pasta. O parlamentar, que é médico, fez perguntas específicas ao general sobre doenças infectocontagiosas e formas de manifestação da Covid-19. Pazuello admitiu não saber responder.

“O senhor não sabe nem o que é a doença. Não sabe nada da doença. Não poderia ser ministro da saúde, pode ter certeza absoluta. Eu, no seu lugar, não aceitaria. A responsabilidade com a vida é para quem conhece a doença. O senhor tinha que estar com a consciência certa de que tinha o domínio do que era a doença. E o senhor confessa que não sabia absolutamente nada”, disse.

“Agora, não lhe recomendo mais tomar um curso, porque o senhor já saiu do Ministro da Saúde, mas pelo menos reveja, com a sua consciência, os malefícios da falta de protocolos organizados para tratamento da Covid, que já matou 439 vítimas. Pessoas morreram. Ministro, sabe o que é o pior? Dos 441, tem 302 mil que eram aposentados, com mais de 60 anos, que morreram. Era o provedor do filho, do neto; a mulher viúva, que chora nas praças, nas ruas do Brasil; os órfãos, que não vão ter mais o provedor para levar o alimento. Isso não sensibilizou o senhor nunca? O Presidente da República nunca se sensibilizou com isso?”, questionou.

(com Agência Senado e Reuters)

Ibovespa Futuro segue exterior e cai antes de ata do Fomc em dia de noticiário político movimentado

bolsa mercados trader operador brooker bolsa ações índices telas (Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda nesta quarta-feira (19), dia em que os investidores internacionais ficarão atentos à ata da última reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) e os negócios no Brasil podem ser contaminados pelo forte noticiário político.

A CPI da Pandemia colhe hoje o depoimento do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que recebeu um habeas corpus permitindo que fique calado caso entenda que uma eventual resposta o forçará a criar provas contra si mesmo.

O brasileiro também acordou com a surpresa da operação da Polícia Federal que investiga a exportação ilegal de madeira e contou com a determinação de quebra do sigilo bancário e fiscal de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, além do afastamento preventivo de Eduardo Bim do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Já no Legislativo, está pautada para hoje a votação da MP (Medida Provisória) que trata da privatização da Eletrobras (ELET3; ELET6) na Câmara dos Deputados.

Às 9h08 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em junho de 2021 tinha queda de 0,66%, a 122.075 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 0,53% a R$ 5,281 na compra e a R$ 5,282 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em junho registra ganhos de 0,44% a R$ 5,29.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe um ponto-base a 4,99%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de quatro pontos-base a 6,86%, o DI para janeiro de 2025 avança cinco pontos-base a 8,35% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de seis pontos-base a 8,93%.

Voltando ao exterior, em fala após a reunião do Federal Reserve no fim de abril, Jerome Powell, presidente da instituição, afastou a possibilidade de aperto monetário em breve e disse que a economia americana estava longe de uma recuperação total. Já a senadores, afirmou que o Fed atuará para não permitir que a inflação exceda a meta de 2% (o último dado, de abril, mostrou uma inflação anual a 4,2%).

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam que preços ao consumidor subiram 1,5% em abril, após uma alta de 0,7% em março.

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Investidores acompanham com atenção os dados sobre inflação em meio à reabertura da economia britânica, que até 16 de maio havia vacinado 54,07% de sua população, de acordo com dados oficiais compilados pelo site Our World in Data.

Entre os indicadores econômicos, foram divulgados dados sobre inflação na Zona do Euro, medidos pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que marcou 1,6% em abril na comparação anual, frente à projeção de 1,6% e ao patamar anterior, de 1,3%.

CPI da Covid e Salles alvo da PF

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira investigação para apurar suspeita de crimes de corrupção e facilitação de contrabando praticados por agentes públicos e empresários do setor madeireiro, tendo como um dos alvos o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A PF informou em nota que cumpre 35 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Pará e Distrito Federal, e que o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o afastamento preventivo de 10 autoridades do ministério e do Ibama.

Salles está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão; o ministro já era alvo de uma investigação no âmbito do STF, na qual foi apontado pela PF como defensor dos madeireiros.

Com relação à Covid-19, na terça (18), a média móvel de mortes pela doença em 7 dias no Brasil ficou em 1.1953, queda de 16% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 2.517 mortes.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 64.348, alta de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.888 casos. 39.897.840 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 18,84% da população. A segunda dose foi aplicada em 19.711.628 pessoas, ou 9,31% da população.

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Na segunda, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado ouviu o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo.

Ele negou que sua atuação tenha trazido qualquer “percalço” à obtenção de vacinas, principalmente em relação à China. Mas admitiu que o Itamaraty editou notas oficiais apontando o que considerou “comportamentos inadequados” do embaixador da China no Brasil.

As queixas do ex-titular do Ministério das Relações Exteriores devem-se a publicação no Twitter do embaixador da China com críticas à família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em postagem no Twitter. Ele reagia a publicação anterior na rede social do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

“O embaixador da China tinha se excedido, sobretudo, ao fazer um retuíte de uma postagem ofensiva ao próprio presidente da República. Isso é importante que se lembre. O embaixador da China fez um retuíte de um tuíte que dizia, abre aspas, ‘a família Bolsonaro é o veneno do Brasil’, fecha aspas. Isso foi extremamente ofensivo”, disse Araújo.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), citou artigo em que o ex-chanceler faz menção a um “comunavírus”, questionando-o se isso não poderia ser entendido como ofensivo ao país asiático, um dos maiores produtores de insumos para vacinas e importante parceiro comercial do Brasil.

Araújo reiterou, em diversos momentos, que não entende nenhuma de suas declarações como “antichinesas”. “As autoridades chinesas jamais nos deram indicação, direta ou indireta, de que qualquer comportamento do Governo brasileiro tivesse resultado num problema”, disse.

Araújo afirmou que a pasta agia de acordo com a coordenação do Ministério da Saúde.

Questionado sobre a decisão do governo brasileiro de aderir ao consórcio Covax Facilities pelo mínimo exigido –a compra de vacinas equivalente a 10% da população, em vez do máximo permitido, 50%, Araújo garantiu que a decisão foi tomada pela Saúde.

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“Essa decisão não foi minha, não foi do Ministério das Relações Exteriores, foi uma decisão do Ministério da Saúde, dentro da sua estratégia de vacinação”, garantiu. “Foi uma decisão tomada, entendo, pelo Ministério da Saúde, e não sei se coordenou com outros órgãos, mas não com o Itamaraty.”

A adesão do Brasil ao consórcio foi feita em setembro de 2020. Em dezembro, foi anunciada a decisão pelo valor mínimo –o equivalente a 42,5 milhões de doses de vacina, o suficiente para imunizar apenas 21,25 milhões de brasileiros. Até agora, o Brasil recebeu pouco menos de 4 milhões de doses pelo consórcio.

Na época, o governo brasileiro apostava no contrato para desenvolvimento da vacina desenvolvia pela parceria entre Universidade de Oxford e Astrazeneca, produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz.

Ao mesmo tempo em que optou por um contrato pequeno com o consórcio, o governo arrastou por meses as negociações com a Pfizer, que foram concluídas apenas em março.

Ao ser questionado sobre quem teria dado a ordem no Ministério da Saúde, respondeu: “Não sei quem deu a ordem. Entendo que qualquer decisão do Ministério da Saúde é do ministro.” Segundo o jornal Valor, o ex-chanceler citou 13 vezes o Ministério da Saúde como origem das ações de sua pasta durante a pandemia.

Na época, o ministro da Saúde era Eduardo Pazuello, que será ouvido nesta quarta-feira pela CPI. Pazuello foi o ministro da Saúde que mais durou durante a gestão do governo Bolsonaro na pandemia até o momento.

Ele deve ser questionado sobre a demora do governo em reagir a propostas de vendas de vacinas -a CPI revelou que uma carta com oferta de venda de imunizantes pela Pfizer ficou dois meses sem nenhuma resposta do governo.

Os senadores também devem questionar sobre a promoção feita pela pasta da cloroquina, remédio usado no tratamento da malária cuja eficácia para a Covid não foi cientificamente comprovada.

Há indícios de que a pasta promoveu o remédio em Manaus ao mesmo tempo em que era alertada da falta iminente de oxigênio. A falta do insumo hospitalar acabou por contribuir para mortes a mais na capital do Amazonas.

Na terça-feira, o Jornal Nacional, da Rede Globo, divulgou indícios de fraude em contratos do Ministério da Saúde para reformar prédios da pasta no Rio de Janeiro, durante a época em que o general Pazuello foi ministro.

Este assunto também pode ser alvo de questionamentos na CPI. A reportagem indica que, em junho, o general Pazuello reforçou a presença de militares na Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro.

Esses quadros militares escolheram empresas sem licitação e usaram a pandemia para justificar a urgência de obras. A Advocacia Geral da União identificou dispensas de licitação que beneficiaram duas empresas contratadas para reformas.

Em 2 dias no mês de novembro, o coronel da reserva George Divério autorizou duas contratações sem licitação no valor de R$ 28,8 milhões para a reforma de galpões na Zona Norte da Capital. Também em novembro, autorizou um contrato sem reforma no Ministério da Saúde em R$ 19,9 milhões.

Além disso, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou um pedido de habeas corpus apresentado pela secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, no depoimento que vai prestar à CPI da Covid do Senado na quinta-feira. Chamada informalmente de “capitã Cloroquina”, ela deve prestar esclarecimentos sobre sua suposta defesa de medicamentos sem eficácia cientificamente comprovada contra a Covid.

Renegociação de dívidas e Censo

O plenário do Senado aprovou na terça uma medida provisória sobre a renegociação extraordinária de dívidas de empresas e pessoas físicas com os fundos constitucionais do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO).

A proposta elevou para 90% o limite máximo do desconto em renegociação de dívidas com os fundos constitucionais, acima da proposta inicial do governo. Já que o conteúdo foi alterado, o texto volta para a Câmara dos Deputados.

A medida provisória expira no dia 27. Assim, deputados devem analisá-la em tempo limitado. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento citados pelo jornal Valor Econômico, esses fundos constitucionais acumulam cerca de R$ 9,1 bilhões em dívidas que seriam afetadas pela medida provisória. Desse valor, R$ 5,2 bilhões seria em dívidas rurais.

Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) alertou por meio de nota na terça que a realização do Censo de 2022 depende da liberação de recursos ainda em 2021.

Normalmente, a pesquisa é realizada a cada dez anos, com a coleta de dados entre agosto e outubro. Mas a edição de 2020 foi adiada para 2021 por conta da pandemia. Para realizá-la, no entanto, seria necessária verba de R$ 2 bilhões, que ficou de fora do Orçamento.

O Orçamento aprovado pelo governo Bolsonaro prevê somente R$ 53 milhões para o censo. A estimativa do ASSIBGE (Sindicato de Trabalhadores do IBGE) é de que sejam necessários ao menos R$ 240 milhões para as atividades preparatórias para o Censo, para viabilizar que seja realizado em 2022.

Uma decisão do STF determina a realização do Censo em 2022. Segundo o IBGE, há “necessidade urgente de recomposição do orçamento para conclusão de etapas preparatórias essenciais ao longo de 2021 (…) A prioridade, agora, é fechar a proposta, já que há necessidade urgente de recomposição do orçamento para conclusão de etapas preparatórias essenciais ao longo de 2021”.

Radar corporativo

Em destaque, a Câmara dos Deputados pode votar nesta quarta a medida provisória que viabiliza a privatização da Eletrobras (MP 1031/21). A sessão do Plenário está marcada para as 13h55. O modelo de privatização prevê a emissão de novas ações a serem vendidas no mercado sem a participação da empresa, resultando na perda do controle acionário de voto mantido atualmente pela União.

O deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), relator da medida provisória de privatização, apresentou na terça-feira suas propostas para o processo, que preveem a realização da operação apenas depois da contratação pelo governo de novas usinas termelétricas a gás. De acordo com relatório do parlamentar, a desestatização da Eletrobras “estará condicionada à contratação prévia de geração termelétrica movida a gás natural pelo Poder Concedente”, por meio de leilão de reserva de capacidade. Essa contratação envolveria 1 gigawatt em usinas em Estado da região Nordeste e 5 gigawatts repartidos entre as regiões Norte e Centro-Oeste.

Já a Ultrapar Participações anunciou a assinatura de contrato para a venda da totalidade das ações da Extrafarma (Imifarma Produtos Farmacêuticos e Cosméticos S.A.) para o grupo farmacêutico Pague Menos. O valor total da venda é de R$ 700 milhões, sujeito a ajustes devido a variações de capital de giro e à posição da dívida líquida da Extrafarma na data de fechamento da transação.

O GPA e o aplicativo de entregas iFood anunciaram uma parceria para entrega de compras nas lojas do grupo varejista, mostrando a rápida movimentação de grandes empresas no país nas compras online de produtos de supermercado, que cresceram rapidamente com a pandemia da Covid-19.

A Rede D’Or informou ainda que fará oferta primária e secundária de ações de até R$ 6,75 bilhões.

A Companhia Brasileira de Alumínio pediu na terça-feira o registro de companhia aberta, segundo informações da Comissão de Valores Mobiliários, preparando caminho para uma eventual oferta inicial pública de ações. O pedido da CBA de companhia de categoria A vem acompanhado de outro para realizar uma oferta pública de valores mobiliários, o que a habilita entre outras coisas para vender ações no mercado.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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