Jackson Hole pode não trazer respostas para mercados de câmbio

(Bloomberg) — A tão esperada conferência de Jackson Hole do Federal Reserve no final do mês pode não trazer o resultado desejado, pelo menos em termos do potencial para influenciar os mercados de câmbio.

A volatilidade implícita no euro/dólar em torno do evento de 26 a 28 de agosto sugere uma viagem tranquila, segundo Mazen Issa, da TD Securities. No entanto, investidores podem estar à espera do relatório do mercado de trabalho dos EUA em 3 de setembro e da decisão do Fed de 22 de setembro para orientar as posições cambiais, disse o estrategista.

“Achamos que o simpósio pode não ter muito a oferecer sobre a direção do USD (dólar)”, disse Issa.

A volatilidade implícita de sete dias no euro/dólar diminuiu quase um ponto percentual nesta semana, para 3,78%, o menor nível desde fevereiro de 2020, enquanto a volatilidade de um e três meses caiu menos de meio ponto. A diferença sugere que investidores podem estar olhando além de Jackson Hole, disse Issa.

A queda ocorre em meio à queda mais ampla da volatilidade implícita das moedas com índices acionários globais em níveis recordes, abalando apostas dos que anteciparam uma fraqueza sazonal. Especificamente para o euro/dólar, a demanda por dinheiro ajudou a impulsionar a cotação à vista em relação à mínima no ano, enquanto as volatilidades concretizadas em uma semana caíram para 3,31%, o menor nível desde dezembro de 2019.

Segundo Issa, até que o Fed confirme o prazo para a redução do estímulo, o dólar provavelmente permanecerá na mesma faixa de negociação. “O anúncio da redução não é necessariamente o ponto de gatilho, mas sim a duração desse processo e a política a seguir (ou seja, aumento dos juros), que podem ter mais influência sobre o USD e a direção dos juros.”

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Ouro cai a menor patamar desde abril em meio a apostas de retirada de estímulos pelo Fed

Gold bars and stock market (Petrovich9/Getty Images)

SÃO PAULO – Em meio às apostas de que o Federal Reserve (o banco central americano) possa reduzir seu amplo estímulo monetário, a cotação do ouro à vista apresentou uma queda acentuada no início do pregão dos mercados asiáticos nesta segunda-feira (9).

Nesta data, o ouro chegou a passar por um “flash crash”, em que a retirada de ordens amplia rapidamente as quedas de preços dos ativos.

Depois de cair mais de 4% em poucos minutos, sendo negociado abaixo dos US$ 1,7 mil (mais precisamente, a US$ 1.689) a onça-troy (uma onça troy equivale a cerca de 31 gramas), o metal precioso se recupera, mas segue pressionado, apresentando o menor patamar desde abril deste ano, quando caiu a US$ 1.736.

Por volta das 10h40, o ouro spot (à vista) era negociado a US$ 1.743, uma queda da ordem de 1% em relação ao valor de sexta-feira (6).

Em quedas consecutivas desde 29 de julho, o ouro já cai quase 4% em agosto e tem baixa acumulada da ordem de 8% no ano até esta segunda.

O movimento acontece em meio à retomada da economia pós-Covid, sinalizando uma possível retirada de estímulos por parte do Fed e aumento das taxas de juros em 2022 e 2023.

Na sexta (6), os dados de desemprego nos Estados Unidos melhor do que o esperado contribuíram para uma maior queda do metal na Bolsa.

A sinalização é negativa para o ouro, uma vez que ele possui forte correlação com a taxa de juros real.

Porém, investidores também atribuem o movimento à liquidação forçada de alguns fundos.

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Dólar supera R$ 5,20 com maior risco fiscal; juros disparam

(Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar zerou as perdas de mais cedo para operar em alta e nas máximas da sessão, acima de 5,20 reais, enquanto os juros disparavam em dia de grande demanda por proteção diante do persistente desconforto fiscal e do clima político doméstico cada vez mais beligerante.

O dólar à vista subia 0,55%, a 5,2174 reais, depois de cair 1,51%, a 5,1108 reais na mínima da sessão desta quinta-feira. Os DIs de médio e longo prazo subiam até 32 pontos-base, abandonando a estabilidade de mais cedo.

Depois da reação inicial positiva ao tom mais firme do Copom, que na noite da véspera acelerou o ritmo de alta dos juros, o mercado sucumbia aos receios fiscais que vêm dominando as atenções há uma semana.

Notícias sobre um novo Refis que permitiria que a perda de receita com o programa não precisasse ser compensada se somaram a um ambiente fiscal que ficou mais incerto nos últimos dias, em meio a recorrentes temores de descumprimento do teto de gastos e de pressões por despesas conforme o país caminha para o ano eleitoral de 2022.

Não bastasse isso, o clima político acirrado piorava a sensação de instabilidade. O presidente Jair Bolsonaro subiu o tom nos ataques ao ministro do STF Alexandre de Moraes e disse que “a hora dele vai chegar”. Na quarta-feira, Moraes acolheu notícia-crime encaminhada pelo TSE e determinou a inclusão de Bolsonaro no inquérito que investiga o financiamento e a disseminação de notícias falsas por grupos ligados ao presidente.

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Mercados de juro e câmbio reagem bem no pós-Copom, mas otimismo pode ter vida curta por fiscal e exterior

(Getty Images)

SÃO PAULO (Reuters) – Os mercados de juros e câmbio reagiam bem à elevação de tom pelo Banco Central na noite de quarta-feira, quando os juros foram aumentados em 1 ponto percentual, mas analistas ponderam que o fôlego dos ativos pode se limitar ao curtíssimo prazo, devido a todo o ambiente de riscos que circunda a política monetária, com destaque para o fiscal doméstico e revezes no exterior.

A inclinação da curva de juros (uma medida de percepção de risco) caía nesta quinta, com o spread entre os DIs janeiro 2027 e janeiro 2023 em baixa de 6,5 pontos-base, para 116 pontos-base. E o dólar chegou a cair 1,5%, com o real no topo dos melhores desempenhos globais no dia. O dólar, contudo, já reduziu a baixa.

Investidores ainda estavam sob efeito do texto mais duro do Copom, que na véspera não apenas acelerou o passo de aumento de taxa como contratou novo movimento agressivo na Selic para setembro e virou de mão ao dizer que o juro agora deve ficar acima do patamar neutro para debelar pressões inflacionárias.

Com a perspectiva de uma política monetária mais restritiva agora, as taxas curtas e médias –mais sensíveis às perspectivas para as decisões do Copom– tendem a subir. Ao mesmo tempo, os vértices mais longos, pelo livro-texto, experimentam alívio, já que com a inflação controlada haveria menos necessidade de se manter juros mais altos no futuro.

Porém, mesmo a desinclinação da curva de juros brasileira nesta quinta refletia certa desconfiança do investidor. O desenho da curva nesta sessão é o que profissionais do mercado chamam de “bear flattening” –quando os juros curtos saltam e os longos resistem a cair ou caem menos–, revelando ansiedade sobre a capacidade de o BC evitar mais aperto monetário no futuro.

“Teria tudo para começar uma desinclinação da curva pela política monetária e teria tudo para um dólar mais fraco pelo diferencial de juros, mas existe um problema fiscal”, disse Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset.

“No fim, você está sinalizando ao mercado: fique desconfiado sobre o teto de gastos”, completou, lembrando o noticiário recente acerca de despesas fora do teto de gastos e discussões sobre adiamento de pagamento de precatórios, as quais sacudiram os mercados locais.

Um ponto importante a nortear as apostas na curva é se o próximo movimento do BC, findo o processo de normalização monetária, será de alta ou queda dos juros. Para Sérgio Zanini, sócio-gestor da Galapagos Capital, com o BC mais rigoroso no curto prazo, há chances de o próximo ciclo ser de alívio.

“Isso por si só deveria ajudar na estrutura a termo da curva, mas de toda forma vai ficar um prêmio de risco por expectativa de deterioração fiscal pelas questões dos últimos dias.”

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De toda forma, com o rali dos DIs nos últimas dias, Zanini disse ter aproveitado para adicionar posições vendidas em taxa. De maneira resumida ele afirmou que as posições atuais representam “um terço do tanque cheio” e que os “forwards” de juros (taxas acumuladas entre trechos específicos da curva) poderiam convergir para cerca de 9%, o que se traduziria em queda de 40 a 50 pontos-base nos DIs janeiro 2025 e janeiro 2027.

“Esse seria o primeiro movimento de reconquista de credibilidade pelo BC, tirando o fiscal”, afirmou o gestor. “Os níveis de taxa que estamos vendo já embutem muito prêmio de risco político-fiscal.”

CÂMBIO

Para o dólar, há um componente forte vindo de fora que turva os cenários de uma moeda muito abaixo dos patamares atuais. Os bancos centrais globais têm acelerado os debates sobre saída das medidas adotadas em 2020 em combate aos efeitos econômicos da pandemia, o que pode levar a redução de estímulos e a alta nas taxas de juros.

“São um componente a favor e três contra: o juro (doméstico) alto ajuda o real, mas tem commodities que devem parar de subir, política monetária lá fora e uma percepção de risco para emergentes como um todo e Brasil”, disse Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.

Com isso, ele espera que o dólar suba ante os patamares atuais e feche 2021 em 5,40 reais, indo a 5,60 reais ao fim de 2022. A moeda rondava 5,17 reais nesta sessão.

“O dia está mais calmo hoje no câmbio, reação do dia seguinte, mas juro sozinho não segura o dólar. Ele ajuda a conter pressões, mas não implica tendência de apreciação.”

Apesar de ver um cenário mais benigno para o real contra moedas diversas, Zanini, sócio-gestor da Galapagos Capital, prefere evitar um confronto direto com o dólar, justamente pela incerteza sobre o que vem da política monetária norte-americana.

“Sexta-feira tem ‘payroll’, e a gente acha que esse dado vai ser superimportante para a trajetória do dólar nas próximas semanas”, disse.

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Nas posições contra outras divisas, dois terços são de alta do real contra o rand sul-africano e o restante dividido entre real/dólar australiano e real/euro.

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20 ações que devem pagar dividendos acima da Selic, agora em 5,25% ao ano

SÃO PAULO – Como esperado pelo mercado financeiro, o Banco Central elevou novamente a taxa Selic, desta vez em 1 ponto, para 5,25% ao ano, e deixou a porta aberta para uma nova alta na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro.

Ainda que o aumento da taxa básica de juros possa deixar a renda fixa mais atrativa, a inflação continua em patamares elevados, corroendo o retorno dos investidores. Com isso, aplicações mais arrojadas, como ações na Bolsa, seguem na preferência de gestores de patrimônio.

Isso porque os juros reais (acima da inflação) devem continuar próximos de zero no horizonte próximo.

No relatório Focus, do Banco Central, mais recente, as projeções apontam para Selic de 7% em dezembro e inflação de 6,79% em 2021 – o que implica baixo retorno real para investidores em renda fixa.

Neste cenário, rendimentos de dividendos acima da taxa de juros para algumas empresas são vistos como uma boa oportunidade, uma vez que, além da possibilidade de ganho de capital, o investidor conta também com uma rentabilidade adicional na forma de proventos.

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A XP fez um levantamento com 20 ações da cobertura que podem pagar um dividend yield (rendimento dos dividendos) acima de 5,3% ao ano.

Desta lista, que inclui geradoras de energia, bancos e uma construtora, 12 papéis devem pagar um dividend yield acima de 7%, que é a projeção do Focus para a taxa de juros no fim do ano. Confira:

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Vale lembrar que as companhias têm a obrigatoriedade, por lei, de remanejar pelo menos 25% de seus proventos para os acionistas.

Confira as recomendações da XP para as 10 maiores pagadoras de dividendos:

Banco do Brasil (BBAS3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 13,7%

Na avaliação dos analistas da XP, o banco combina preço atrativo, pela sua carteira de crédito defendida, e uma frente digital competitiva.

“Acreditamos que a distribuição de dividendos do Banco do Brasil deve se tornar relevante, pois o banco deve aumentar seu payout em um cenário de maior capitalização, recuperação de lucros e Previ I com superávit de R$ 22 bilhões”, escrevem, em relatório.

A XP tem recomendação de compra para os papéis BBAS3 e preço-alvo de R$ 52 por ação.

Engie ([ativo=EGIE3]) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 11,7%

No caso da geradora de energia elétrica, a XP destaca a capacidade diferenciada de a empresa se proteger de efeitos hidrológicos adversos, somada à sua diversificação de portfólio com a entrada nos setores de transmissão de energia e transporte de gás.

“Acreditamos que a companhia deverá manter uma prática de distribuição de 100% do lucro líquido aos acionistas em 2021, assim como ocorreu em 2020”, escreve o time de análise.

A XP tem recomendação neutra para os papéis EGIE3 e preço-alvo de R$ 48 por ação.

Taesa (TAEE11) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,2%

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Outra empresa do setor elétrico, Taesa está confortável para manter a distribuição de 100% de lucros em 2021, segundo a XP.

Os analistas escrevem que a companhia vem apresentando um histórico de pagamento de dividendos bem acima da remuneração mínima que consta em seu estatuto. A XP tem recomendação neutra para a Taesa, com preço-alvo de R$ 37 por ação.

Copel (CPLE6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 9,2%

De acordo com a XP, a Copel divulgou uma nova e robusta política de dividendos em 2021, na qual os proventos serão calculados conforme alguns critérios, como o de alavancagem abaixo de 1,5 vez ou igual a 65% do lucro líquido ajustado, por exemplo.

O time de análise estima um dividend yield de 12,2% em 2021 e 2022 para CPLE6, mantém a recomendação de compra para as ações e vê um preço-alvo de R$ 7,5 por ação, para CPLE6, e de R$ 37,50 por unit para CPLE11.

Bradesco (BBDC4) – recomendação neutra e dividend yield esperado de 9,3%

Do setor financeiro, Bradesco possui uma fonte diversificada de receitas, incluindo a maior seguradora do Brasil em participação de mercado, destaca a XP.

Os analistas ressaltam ainda a carteira de crédito do banco, a terceira maior do mercado, bem como o maior espaço para corte de custos em relação a pares como Itaú e Santander, além da boa sinergia entre seus negócios.

“Embora o banco tenha mostrado esforços em iniciativas como o banco Next, Ágora e Cielo, acreditamos que não haja claras oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, tornando atrativa a distribuição de dividendos”, escrevem os analistas.

A XP tem recomendação neutra para o Bradesco e preço-alvo de R$ 26 por ação.

BB Seguridade (BBSE3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,6%

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Também do setor financeiro, BB Seguridade deve se beneficiar, segundo o time de análise da XP, de um crescimento de prêmios impulsionado pela retomada econômica, bem como da capacidade de distribuição pelas agências do Banco do Brasil.

Desta forma, escreve a XP, dada a baixa necessidade de capital, a BB Corretora apresenta margens altas impulsionando os retornos da companhia e, consequentemente, os proventos.

A XP tem recomendação de compra para a BB Seguridade com preço-alvo de R$ 35 por ação.

Plano & Plano (PLPL3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,5%

A Plano&Plano é uma incorporadora focada no segmento de baixa renda que opera principalmente na região metropolitana de São Paulo.

“Vemos a combinação de execução sólida e sua abordagem mais asset-light impulsionando suas operações nos próximos anos com um dos maiores retornos do segmento e baixa alavancagem financeira, o que deve levar a companhia pagar dividendos robustos nos próximos anos”, escreve a XP.

AES Brasil (AESB3) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 8,2%

Na avaliação da XP, AES Brasil (antiga AES Tietê) é uma das pagadoras de dividendos preferidas da casa, dado que costuma apresentar lucros consistentes.

Os analistas escrevem que, apesar de possuir um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas, a companhia apresentou um payout de 88% em 2020, o que se traduz em um atraente dividend yield de 5,4% no ano.

A XP tem recomendação de compra para AESB3 e preço-alvo de R$ 17 por ação.

Santander (SANB11) – recomendação de venda e dividend yield esperado de 8,1%

Segundo a XP, apesar de o Santander ser o banco com a menor diversificação de receita entre os pares, apresenta uma combinação de alta exposição ao crédito de varejo e níveis de inadimplência relativamente abaixo da média.

“Acreditamos que, enquanto não haja boas oportunidades para o banco empregar grandes quantidades de capital incremental com altas taxas de retorno, a distribuição de dividendos pode ser uma alternativa atrativa”, avalia a XP.

Cesp (CESP6) – recomendação de compra e dividend yield esperado de 7,9%

Por fim, a companhia de geração de energia elétrica Cesp também está entre as preferidas da XP para pagar bons dividendos, acima da Selic.

Os analistas escrevem que a companhia vem reforçando sua sólida geração de caixa nos últimos trimestres e que, por isso, a expectativa é de que deva continuar a distribuir ao menos o dividendo mínimo de R$ R$ 1,85 por ação previsto pelo seu estatuto.

A XP tem recomendação de compra para os papéis CESP6 e preço-alvo de R$ 34.

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3 riscos para a recuperação do mercado, segundo o economista-chefe do BV

Depois de um segundo trimestre marcado pelo avanço da vacinação e uma recuperação gradual da economia, o mercado financeiro começa a dar mais atenção aos riscos que podem atrapalhar o desempenho da atividade econômica no restante do ano e no ano que vem.

Na avaliação de Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV (antigo Banco Votorantim), os três principais obstáculos para a retomada são uma eventual mudança de direção na política monetária nos EUA – com um aperto na taxa básica de juros e a redução dos estímulos –, bem como a crise hídrica e as eleições presidenciais de 2022 no Brasil.

A preocupação é com um impacto negativo que esses movimentos podem ter nos preços das ações, de títulos no mercado financeiro e também no câmbio, e seus possíveis desdobramentos para a economia do País em 2022.

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Segundo Padovani, o maior risco é uma possível mudança de direção na política de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

A meta da taxa de juros básica no país está hoje em um nível entre 0% e 0,25%. Mas o Fed tem sido pressionado a elevar os juros em razão da alta recente da inflação americana.

Em junho, o índice de preços ao consumidor subiu 0,9%, acima da projeção de 0,5% esperada pelo mercado. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 5,4%, bem acima da meta do Fed, de 2%.

A subida dos preços tem relação com a recuperação econômica global e o rearranjo de setores que estavam com a demanda reprimida por causa da pandemia. “Não faz sentido manter juro real negativo com a economia americana crescendo 7% em 2021, segundo a projeção do Fed”, diz o economista.

Na avaliação de Padovani, é possível que a autarquia decida reduzir as políticas de estímulo monetário antes do previsto, o que traz consequências para os mercados financeiros.

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Padovani lembra a experiência de 2013, quando o Fed decidiu reduzir seu programa de compra de ativos adotado durante a crise financeira de 2008 como forma de estímulo monetário.

Na época, também houve impacto no mercado brasileiro, com queda nos preços das ações e uma alta do dólar e dos juros.

“O Fed e seus diretores têm chamado a atenção o tempo todo que estão atentos à experiência de 2013, dizendo que não vão repeti-la. Mas acho que os mercados estão muito esticados. Pode haver uma reprecificação de ativos”, diz.

A preocupação já tem dado o tom dos mercados internacionais desde junho e tende a se manter nos próximos meses. “A agenda, coincidentemente com a virada do semestre, está mudando. E quando muda, revela riscos”, afirma ele.

Apesar da preocupação com os efeitos sobre as ações e o câmbio, o economista não vê por enquanto uma mudança nas projeções para o crescimento e a inflação no Brasil já em 2021.

O cenário para o ano, segundo ele, está dado. Mas os efeitos podem ser sentidos nos últimos meses de 2021 e no início de 2022.

“Esses movimentos do mercado financeiro tornam a economia menos previsível. Investidores, consumidores, empresários, banqueiros, todos os agentes ficam mais cautelosos. E é natural que se transmita para a economia”, afirma.

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Fed começará a elevar juros no final de 2022 ou começo de 2023, prevê FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) começará a elevar a taxa básica de juros dos Estados Unidos no final de 2022 ou no início de 2023.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a entidade afirma que a reabertura da economia criará uma imprevisibilidade “considerável” na inflação medida pelo índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) durante os próximos meses.

Esse cenário, segundo o FMI, tornará “muito difícil” adivinhar as tendências inflacionários subjacentes.

“Gerenciar essa transição – desde fornecer garantias de que a política monetária continuará a fornecer suporte poderoso à economia à preparação para uma eventual redução das compras de ativos e uma retirada da acomodação monetária – exigirá comunicações hábeis em um cronograma potencialmente apertado”, diz a instituição no documento divulgado nesta quinta-feira.

O FMI projeta que o Fed iniciará o “tapering“, como é chamado o processo de retirada de estímulos, no segundo semestre de 2022.

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BC volta a indicar outro ajuste de 0,75 ponto da Selic em agosto, mostra Relatório Trimestral de Inflação

O Banco Central (BC) voltou a indicar nesta quinta-feira, 24,, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que deve promover novo aumento de 0,75 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros) em agosto. Atualmente, a Selic está em 4,25% ao ano.

“Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude (0,75ponto)”, registrou o RTI. “Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação.”

Estas avaliações já constaram no comunicado da semana passada – quando o Copom elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 4,25% ao ano – e também na ata da reunião, publicada na última terça-feira, 22. A visão do Copom para o encontro do mês de agosto, no entanto, marca uma mudança em relação ao que vinha sendo comunicado até então.

No encontro de maio, o Copom ainda antevia a continuação do processo de “normalização parcial” do estímulo monetário. No comunicado da semana passada, na ata e no RTI de hoje, o colegiado retirou o termo “parcial” e indicou claramente a intenção de elevar a Selic até a taxa neutra – o juro que, em tese, permite crescimento sem gerar inflação.

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“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada a normalização da taxa de juros para patamar considerado neutro”, repetiu o RTI. “Esse ajuste é necessário para mitigar a disseminação dos atuais choques temporários sobre a inflação. O Comitê enfatiza, novamente, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.”

O Banco Central informou que as estimativas apresentadas no RTI tiveram data de corte no dia 11 de junho deste ano.

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Recuperação no pós-pandemia ainda tem um longo caminho pela frente, diz Powell

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, afirmou que a recuperação da economia dos Estados Unidos após o choque da pandemia “ainda tem um longo caminho pela frente”. Durante audiência no subcomitê da Câmara dos Representantes sobre a crise do coronavírus, o dirigente previu que o país verá uma “criação forte de empregos” até o outono local.

Questionado sobre a trajetória da inflação, Powell comentou que é “difícil prever” o momento exato em que o avanço de preços fruto do quadro da retomada econômica perderá força.

Ele espera, de qualquer modo, que essa perda de fôlego ocorra adiante, conforme a oferta e a demanda se ajustam.

Durante seu depoimento, Powell admitiu que levará algum tempo até que o cenário na economia fique mais claro, por exemplo como exatamente estará o mercado de trabalho no pós-pandemia.

Em outro momento, ele notou que de fato a mecanização industrial pode representar o fim de alguns empregos no setor.

Inflação como no passado

O presidente do Federal Reserve ainda afirmou hoje ser “muito improvável” que a alta atual na inflação nos Estados Unidos repita o cenário visto nos anos 1970, quando mostrou alta mais aguda. Durante o depoimento, ele reafirmou que a trajetória atual dos preços é fruto do contexto de retomada forte na demanda, com a oferta ainda limitada em alguns setores, conforme o país avança gradualmente para reabrir a economia e avançar na vacinação contra a covid-19.

Dólar

Powell também falou sobre o dólar. Segundo ele, a moeda é a reserva mundial, graças a características dos EUA como sua democracia, os fundamentos da economia americana. “Nenhuma moeda está perto de competir com o dólar”, garantiu.

Dívida fiscal

O presidente do Fed também foi questionado sobre a trajetória da dívida fiscal no país. Segundo ele, esse problema terá de ser resolvido adiante, mas “não há dúvida” de que a dívida dos EUA é gerenciável no curto prazo.

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Dirigente do Fed fala em alta de juros em 2022 e admite postura mais ‘hawkish’

O presidente da distrital de St. Louis do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), James Bullard, afirmou nesta sexta-feira que espera a primeira alta da taxa básica de juros no final de 2022.

A previsão contraria a visão majoritária entre o dirigentes da instituição, que projetam o primeiro aumento em 2023, conforme mostrou o gráfico de pontos divulgado na última quarta-feira.

Em entrevista à CNBC, Bullard disse que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) adotou uma posição mais “hawkish” (mais dura) no encontro deste mês.

Segundo ele, o presidente do BC dos EUA, Jerome Powell, “abriu oficialmente” o debate sobre o processo de redução de estímulos, conhecido como “tapering“. Com a pandemia chegando ao fim no país, ele considera “natural” que o debate se intensifique.

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O dirigente justificou a mudança de postura do Fed com o avanço da inflação, que, de acordo com ele, já era esperado, mas superou as projeções.

Bullard acrescentou que espera contínua melhora do mercado de trabalho, apesar das preocupações com a dificuldade de empresas de encontrarem mão de obra. Para que haja um arrefecimento da escalada dos preços, será necessária mudar a política monetária, na visão dele.

Ele revelou ainda que está “inclinado” a acreditar que o Fed deve acabar com o programa de compra de títulos atrelados a hipotecas. Também defendeu que a autoridade precisa oferecer um “bom produto” na área das moedas digitais.

Os comentários de Bullard desencadearam uma piora no sentimento de risco nos mercados. Os futuros atrelados aos principais índices de Nova York aceleraram perdas, enquanto o dólar se fortaleceu ante rivais.

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