Reservas em ouro do BC quase dobram em 3 meses

(Pixabay)

Em movimento iniciado em maio, o Banco Central, comandado por Roberto Campos Neto, voltou a comprar ouro para estocar nas reservas internacionais do Brasil. Em julho, o BC adquiriu no mercado o equivalente a 8,5 toneladas do metal. Em três meses, as compras já somaram 62,3 toneladas e fizeram as reservas em ouro quase dobrar.

Os dados sobre as reservas mostram que o BC adquiriu 11,9 toneladas do metal em maio – ou 384 mil onças troy, considerando a medida utilizada internacionalmente. Em junho, foram mais 41,8 toneladas (1,344 milhão de onças troy), um recorde para um único mês considerando a série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2000. Em julho, 8,5 toneladas (274 mil onças troy). Em comparação, as 62,3 toneladas compradas nos três meses pesam o mesmo que 16 elefantes asiáticos.

Com as operações, o BC elevou em 92,4% o volume de ouro nas reservas, para 129,7 toneladas. Em dólares, a quantidade de metal subiu 98,5%, para US$ 7,596 bilhões, já considerando a valorização do ativo nos últimos meses.

O movimento chama a atenção porque, de novembro de 2012 a abril deste ano, o BC pouco havia alterado o montante das reservas aplicado em ouro. Nesse período, comandaram a autarquia os economistas Alexandre Tombini, Ilan Goldfajn e o próprio Campos Neto, a partir de 2019.

Seguro

As reservas internacionais, que no fim de julho somavam US$ 355,7 bilhões, funcionam como uma espécie de “seguro” contra crises cambiais. Os recursos são suficientes para cobrir os atuais compromissos do Brasil em dólar e, por isso, o País se coloca hoje como um credor em moeda estrangeira – e não como um devedor.

A maior parte das reservas é formada por títulos conversíveis em dólares e por dólares depositados em bancos centrais de outros países, no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco de Compensações Internacionais (BIS). No fim de 2020, essa parcela chegava a US$ 332,0 bilhões, ou 93,4% das reservas. Em comparação, o montante de ouro no fim do ano passado era de US$ 4,101 bilhões, ou 1,2% do total.

Ao comprar 62,3 toneladas do metal nos últimos três meses, o BC elevou para US$ 7,596 bilhões a parcela de ouro nas reservas. O ativo corresponde agora a 2,1% do total.

O porcentual ainda não representa uma grande mudança no perfil de alocação dos recursos, mas marca uma diferença de postura do BC de Campos Neto em relação a seus antecessores.

Com a chegada de Campos Neto ao BC, em 2019, surgiram sinais de que a gestão das reservas internacionais poderia mudar, mesmo que pontualmente. Em maio daquele ano, Campos Neto confirmou a jornalistas que havia uma discussão dentro da autarquia sobre a gestão dos ativos. Na ocasião, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, disse que um dos objetivos era rever a eficiência dos instrumentos de reserva, e não discutir os níveis do seguro.

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Pandemia. No caso específico do ouro, a pandemia afetou de forma substancial as cotações. Em meio à crise, bancos centrais e empresas de todo o mundo foram em busca do metal como ativo de reserva.

Esse aumento de demanda fez a cotação à vista da onça troy na OTC Metals, nos Estados Unidos, subir de US$ 1.515,12 no fim de 2019 para US$ 1.896,49 no encerramento de 2020. O avanço foi de 25,2%. Este ano, com a continuidade da crise, o BC decidiu ir às compras.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Ouro cai a menor patamar desde abril em meio a apostas de retirada de estímulos pelo Fed

Gold bars and stock market (Petrovich9/Getty Images)

SÃO PAULO – Em meio às apostas de que o Federal Reserve (o banco central americano) possa reduzir seu amplo estímulo monetário, a cotação do ouro à vista apresentou uma queda acentuada no início do pregão dos mercados asiáticos nesta segunda-feira (9).

Nesta data, o ouro chegou a passar por um “flash crash”, em que a retirada de ordens amplia rapidamente as quedas de preços dos ativos.

Depois de cair mais de 4% em poucos minutos, sendo negociado abaixo dos US$ 1,7 mil (mais precisamente, a US$ 1.689) a onça-troy (uma onça troy equivale a cerca de 31 gramas), o metal precioso se recupera, mas segue pressionado, apresentando o menor patamar desde abril deste ano, quando caiu a US$ 1.736.

Por volta das 10h40, o ouro spot (à vista) era negociado a US$ 1.743, uma queda da ordem de 1% em relação ao valor de sexta-feira (6).

Em quedas consecutivas desde 29 de julho, o ouro já cai quase 4% em agosto e tem baixa acumulada da ordem de 8% no ano até esta segunda.

O movimento acontece em meio à retomada da economia pós-Covid, sinalizando uma possível retirada de estímulos por parte do Fed e aumento das taxas de juros em 2022 e 2023.

Na sexta (6), os dados de desemprego nos Estados Unidos melhor do que o esperado contribuíram para uma maior queda do metal na Bolsa.

A sinalização é negativa para o ouro, uma vez que ele possui forte correlação com a taxa de juros real.

Porém, investidores também atribuem o movimento à liquidação forçada de alguns fundos.

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Investidores estão tirando dinheiro de Bitcoin para comprar ouro, aponta análise

(Unsplash)

Alguns investidores consideram o bitcoin um ativo semelhante ao ouro, uma reserva de valor que se manterá em tempos de inflação e impressão de dinheiro pelos bancos centrais. O argumento convenceu grandes administradores de fundos de hedge, como Stanley Druckenmiller, a aderirem à criptomoeda, e ajudou a elevar o preço para mais de US$ 60 mil no mês passado.

Embora Druckenmiller e outros digam que o bitcoin não pode substituir totalmente o ouro, alguns analistas descobriram que ele tem roubado o espaço do metal. Mas a maré pode estar mudando, pelo menos no curto prazo. Investidores têm retirado dinheiro de futuros e fundos de bitcoin e colocado mais em ouro, de acordo com uma análise do estrategista da J.P. Morgan Nikolaos Panigirtzoglou. É uma mudança em relação aos dois trimestres anteriores, escreveu ele.

O fluxo de quatro semanas de dinheiro institucional para os fundos do bitcoin ficou negativo pela primeira vez no final de abril, logo depois que o ativo atingiu seu novo recorde de US$ 64 mil. Não está imediatamente claro por que as instituições estão começando a retirar dinheiro, mas claramente houve uma corrida para as saídas no mês passado.

“Talvez os investidores institucionais estejam fugindo ao verem seu fim de tendência de alta de dois trimestres anterior e, assim, buscar a estabilidade do ouro tradicional longe da rápida redução do câmbio digital”, escreveu Panigirtzoglou. “Ou talvez vejam o preço atual do bitcoin como muito alto em relação ao ouro e, portanto, façam o oposto do que fizeram nos dois trimestres anteriores”, ou seja, vender a criptomoeda para comprar o metal”.

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O bitcoin caiu para seu nível mais baixo desde fevereiro hoje, atingindo uma mínima de US$ 36.219, queda de 44% em relação a uma alta de todos os tempos de US$ 64.829 no mês passado.

O mercado vem caindo desde que Elon Musk começou a questionar os impactos ambientais negativos do bitcoin, há cerca de uma semana. Um catalisador mais recente pode ter sido a decisão da China de reiterar sua proibição de instituições financeiras facilitarem transações criptográficas.

Fonte: Dow Jones Newswires

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Metal raro mostra desempenho muito superior ao Bitcoin este ano

Iridium IR (Crédito: Shutterstock)

(Bloomberg) — Há um metal que está deixando todas as commodities – e até mesmo o Bitcoin – para trás este ano. O desafio de investidores é conseguir comprá-lo.

O irídio, um dos metais preciosos mais raros que é extraído como subproduto da platina e do paládio, se valorizou 131% desde o início de janeiro, superando de longe o ganho de 85% do Bitcoin. O rali tem sido impulsionado pelos gargalos na cadeia de suprimentos no último ano e pela crescente demanda para uso em telas eletrônicas, segundo a refinaria Heraeus Group.

Com um mercado muito menor do que seus metais irmãos mais famosos, os problemas de produção podem ter grande impacto sobre os preços. Apostar nisso também é difícil, já que a demanda é dominada por usuários industriais. O irídio não é negociado em bolsa ou por meio de fundos de índice, compradores de varejo precisam recorrer a um pequeno grupo de comerciantes e os poucos grandes investidores vão direto aos produtores.

“O tempo de espera do lado da oferta é muito longo para aumentar o suprimento em tempo hábil”, disse Jay Tatum, gestor da Valent Asset Management. “A única solução de curto prazo são preços mais altos para fazer com que as pessoas vendam suas posições existentes.”

O irídio subiu para US$ 6.000 a onça, ou mais do que o triplo da cotação do ouro, segundo dados da Johnson Matthey.

Parte do apelo do irídio vem do investimento limitado na produção de platina, que é amplamente usada em autocatalisadores para reduzir as emissões, enquanto investidores pesam aumentos potenciais na demanda por platina de novas tecnologias de hidrogênio em relação à transição para veículos elétricos.

A perspectiva de oferta restrita também ajudou a elevar os preços de outros metais do grupo da platina. O paládio está cerca de 9% abaixo de uma máxima histórica, o ródio atingiu recorde de US$ 29.800 a onça esta semana, e o rutênio subiu para o maior nível em quase 13 anos.

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“Vamos dobrar de tamanho até 2024, pagando dividendos”, diz CEO da Aura Minerals

SÃO PAULO — A companhia canadense de extração e produção de ouro Aura Minerals (AURA33), com BDRs listados na Bolsa brasileira, planeja mais do que dobrar sua produção anual do metal até 2024, continuando a pagar dividendos aos seus acionistas. A afirmação foi feita pelo CEO da empresa, Rodrigo Barbosa, em live do InfoMoney nesta segunda-feira (8).

“No ano passado produzimos 205.000 onças. Nosso planos é bem realista e as 400.000 mil onças de produção por ano previstas para 2024 são o bottom do range que vai de 400.000 a 480.000 onças. Se tudo der certo, inclusive, a gente pode superar essas 480.000 onças porque não está ali na conta ‘restartar’ uma operação parada no Brasil, como a do Rio São Francisco, não está na conta o projeto que a gente tem na Colômbia, e a gente tem colocado premissas conservadoras e realistas”, disse Barbosa.

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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Kleber Cardoso, CFO da companhia, ressaltou que o caixa da empresa está em US$ 118 milhões, e que a empresa não descarta planos de fusão e aquisição. Ele também destacou que a política de dividendos continua sendo 20% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) menos o capex recorrente.

A Aura Minerals teve lucro líquido de US$ 57 milhões no quarto trimestre de 2020, um aumento de 93% na comparação anual. A receita líquida trimestral foi recorde, de US$ 100 milhões.

Os executivos falaram ainda sobre a redução de custos nos últimos trimestres, a compensação no preço do cobre sobre a queda recente do preço do ouro, os planos de operações para outros países, as perspectivas para o preço do ouro em relação ao movimento de aumento de juros nos Estados Unidos, e outros temas. Assista à live completa acima.

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Sobre quase investir em ouro e nossos meninos de ouro

Desde o episódio 66 percebemos que nossos ouvintes gostam muito de ouvir sobre ouro. Quando vale a pena? É proteção ou investimento? Não paga dividendos, e daí? Essas são algumas questões que surgem sempre que se fala na commodity aqui no Stock Pickers. Para ouvir o episódio desta quinta-feira clique no play acima, ou aqui.

Neste episódio trouxemos o Fernando Fontoura, da Persevera Asset Management, que investe em ouro, mas sem investir em ouro, através de uma ação, que também não é ação. 

Mas como?

Por meio de um BDR de uma mineradora focada em ouro. A Aura Minerals (AURA33) é uma mineradora que tem papéis listados originalmente na bolsa de Toronto, com direção predominantemente brasileira e ativos no Brasil, Honduras, México e Estados Unidos.

Segundo Fontoura, o investimento tem alguns prós em relação ao próprio ouro. Os principais são o pagamento de dividendos e o fato de, se o preço do ouro subir, a ação da Aura poder subir ainda mais, já que os geólogos e profissionais da empresa podem ganhar margem aumentando a eficiência em seus processos.

Por outro lado, como não existe almoço grátis, também há riscos que a commodity não tem: se a empresa cometer erros sua ação pode cair mesmo com o ouro subindo, ou cair ainda mais no caso de queda do metal. É o risco operacional.

Ouça a tese completa clicando no play, ou aqui.

Joias da base

Completaram a mesa nossas joias da base, o Matheus Soares e o Lucas Collazo. Há um ano eles estavam conosco gravando na Fonte Nova, em Salvador, e desde então apareceram muito pouco por aqui. Desde então eles arrumaram coisas mais importantes para fazer: o Collazo virou analista de fundos da Rico e o Matheus analista de ações da XP Investimentos, cobrindo small caps, o setor de saúde e o de educação. Clique no play para saber qual ação mais o ANIMA.  

Nouriel Roubini: Bitcoin não é reserva de valor nem deve ser usado como “porto seguro”

SÃO PAULO – Um dos destaques de 2020, com valorização de mais de 300% em dólar, em meio às incertezas provocadas pela pandemia, o Bitcoin voltou a ganhar o holofote dos mercados nos últimos dias após o investimento de US$ 1,5 bilhão da fabricante de carros elétricos Tesla.

Agora, a criptomoeda tem sido debate entre investidores com um grupo, que inclui o renomado gestor Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, defendendo que o Bitcoin pode ser considerado uma alternativa ao ouro. Mas há nomes de peso que refutam a ideia.

Em artigo publicado no jornal britânico Financial Times, Nouriel Roubini, economista turco-americano e professor da Stern School of Business da Universidade de Nova York, conhecido por “Doutor Catástrofe” devido às suas previsões mais pessimistas, criticou os diversos usos que o mercado tem dado ao Bitcoin. A moeda acumula, em dólar, ganhos da ordem de 60,3% em 2021.

“Não é uma unidade de valor, não é um meio escalável de pagamento e não é legitimável por companhias para o pagamento de bens e serviços”, escreveu, ao afirmar que o Bitcoin não pode ser considerado uma moeda.

Aos que consideram o Bitcoin como o “novo ouro”, Roubini argumenta que a criptomoeda não é uma forma estável de reserva de valor, dado que a volatilidade pode apagar qualquer ganho em questão de horas.

A opinião vai contra a defendida por Dalio em carta aberta publicada no LinkedIn, na qual argumentou que o Bitcoin é um investimento alternativo semelhante ao ouro.

“Como não há muitos desses depósitos de ativos de riqueza semelhantes ao ouro que podem ser mantidos em privacidade – e porque os tamanhos de seus mercados são relativamente pequenos –, existe a possibilidade de que o Bitcoin e seus concorrentes possam preencher essa necessidade crescente”, defendeu o fundador da Bridgewater, ao fim de janeiro.

Segundo Roubini, os ativos são ainda diferentes do sistema financeiro tradicional, tido como seguro e escalável. “Se a chave é roubada ou perdida, o investidor fica sem seus recursos”, escreve.

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Para o economista, o Bitcoin também não deve ser pensado como um investimento. “Muitos ativos têm uma fonte de renda (ações, títulos do governo, imóveis) ou uso (moradia) ou até outras utilidades, como ouro, que tem uso industrial e pode ser utilizado como reserva de valor, proteção contra a inflação e em cenário de grande incerteza.”

Na avaliação do professor, diante de um cenário de grande incerteza, com crises financeiras, riscos geopolíticos e políticas monetárias mais relaxadas, a demanda crescente por “portos seguros” deveria recair sobre ativos que forneçam hedge (proteção) contra a inflação, a depreciação cambial e outros riscos, o que seria o caso do ouro, de títulos públicos atrelados à inflação, commodities, imóveis e ações negociadas em bolsas.

“O Bitcoin, que é volátil e arrojado, não deve pertencer ao portfólio de investidores institucionais. Elon Musk pode estar apostando a casa na criptomoeda, mas isso não significa que você deva fazer o mesmo”, conclui.

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Onde investir seu dinheiro para ganhar em um mundo pós-pandemia, na visão do Credit Suisse

(Getty Images)

SÃO PAULO – A recuperação global dos efeitos da pandemia do novo coronavírus pode começar apenas a partir do terceiro trimestre de 2021, na visão do Credit Suisse. Mas o banco de investimentos já enxerga e pratica um movimento de rotação de ativos: as ações de tecnologia e saúde, que apresentaram saltos ao longo do último ano, cedem espaço para as propriedades físicas (ou real assets).

Michael Strobaek, CIO do Credit Suisse, descreveu a situação econômica mundial e traçou suas projeções para diversas aplicações financeiras no evento Latin America Investment Conference, promovido pelo banco de investimentos.

China: grande líder econômico do pós-pandemia

Para Strobaek, “entramos em uma das depressões econômicas mais intensas e simultâneas da era moderna”. “Os efeitos foram cataclísmicos na economia, e cobraram ações de bancos centrais por todo o mundo.”

O grande destaque na superação da crise na economia e na saúde foi a China. “O país mostrou o caminho não só na entrada, mas na saída da pandemia. Exibiu o que é preciso para controlar uma pandemia desse tamanho”, disse o CIO do Credit Suisse. O país teve crescimento de 6,5% no quarto trimestre de 2020. O Credit Suisse projeta alta de 17,8% nos três primeiros meses de 2021, ante o mesmo período de 2020. O resto da Ásia (excluindo Japão) deve ver expansão de 11,9% na mesma base de comparação. “Outros países asiáticos também tiveram atitudes excelentes nesse sentido, como Coreia do Sul, Taiwan e Vietnã. Mas o mundo ocidental não aprendeu muito com esses exemplos.”

Os Estados Unidos viram retração de 0,7% em 2020. Na Europa, a retração foi de 3,1%. Segundo Strobaek, a recuperação rápida do consumo que levou ao crescimento chinês não foi vista nas duas regiões ocidentais. “A pandemia ainda é prevalente e recuperaremos o que perdemos depois de alguns trimestres. Levará de um a dois anos para os países voltarem ao estágio que estavam antes de março ou abril de 2020. Teremos de viver meses de incerteza sobre as paralisações da atividade econômica, monitorando se elas continuarão ou não”, diz Strobaek.

O CIO do Credit Suisse afirma que a recuperação macroeconômica deve começar apenas no terceiro trimestre de 2020. Os bancos centrais devem continuar com estímulos e com altos níveis de endividamento, diante dos níveis elevados de desemprego. “A atividade econômica continuará em níveis similares aos dos últimos meses, abaixo das tendências anteriores à pandemia. Milhões ficaram desempregados por conta do vírus e das restrições de operação dos estabelecimentos. Levará um bom tempo para a taxa de desemprego cair”, diz.

Rotação de ativos está no horizonte

Nesse cenário de superação lenta da pandemia e de estímulos monetários e fiscais continuados, como ficam as aplicações financeiras? O Credit Suisse destrinchou sua análise pelo tipo de investimento:

Títulos de renda fixa

Para Strobaek, as taxas de juros têm permanecido baixas por diversos trimestres no mundo e assim devem continuar em curto prazo. A inflação deve se manter benigna, acompanhando os níveis de atividade econômica.

“Não vejo como bancos centrais podem levantar taxas de juros nos países desenvolvidos hoje. Os estímulos durarão para além da pandemia, porque as taxas de desemprego continuarão altas, e os juros baixos entram nesse movimento [entenda a relação entre os juros e o crescimento da economia]”. O Credit Suisse estima que a taxa básica de juros americana deve ficar em 1,1% ao ano nos próximos três meses e em 1,3% ao ano em 12 meses, por exemplo.

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Já em médio e longo prazo, investidores devem se atentar ao risco de aumento nas taxas de inflação. “Por exemplo, os Estados Unidos continuarão seus estímulos como forma de manter a economia girando e as pessoas empregadas. Essa decisão desafia as taxas de juros no longo prazo.”

Em linhas gerais, o banco de investimentos afirma que a performance dos títulos públicos deve ser pífia. Porém, ainda é possível encontrar oportunidades em títulos públicos de países emergentes ou papéis atrelados a moedas fortes.

O Credit Suisse não analisou a taxa básica de juros brasileira. Mas a projeção do banco de investimentos para o PIB do Brasil está em 4% em 2021 e a inflação em 5,3%. Em 2022, as estimativas estão em 2,9% para o PIB e 3,5% para a inflação.

A recomendação é neutra para a classe de ativos renda fixa global e não atrativa para títulos públicos. Títulos corporativos com bom investment grade (grau de investimento); títulos podres/de alto rendimento (high yield); e títulos de países emergentes (especialmente os asiáticos) são considerados atrativos.

Ações

“Tenho uma crença de que é importante ser contrário”, diz Strobaek. O Credit Suisse ampliou sua compra de ações enquanto observava “uma queda nunca vista nos mercados financeiros”, em março de 2020. “Decidimos comprar ações que tinham relação com as pessoas ficarem em casa ou com produtos e serviços dos quais as pessoas são dependentes. (…) O mercado financeiro logo chegou a uma conclusão de que os setores superariam a pandemia eventualmente. Alguns até ampliaram sua atividade, como tecnologia e saúde.”

Em 2020, o banco de investimento viu “a correção mais rápida no mercado de ações já registrada”, “seguida por um forte rali dos papéis”. Mesmo com a grande valorização geral dos ativos no mercado financeiro, o Credit Suisse continua saindo de títulos públicos e ampliando sua participação em ações. “Se as taxas de juros de longo prazo continuarem a subir, a rotação na alocação de ativos deve continuar. Não queremos ficar com títulos que depois serão corrigidos.”

Em termos de setores, o banco de investimento está saindo de tecnologia e entrando mais em mercados cíclicos, especialmente em países onde a pandemia está mais controlada. O banco recomenda ações de empresas financeiras e mais focadas em construção de valor no longo prazo, contra a preferência por papéis de alto crescimento vista em 2020. Outra recomendação são ações de países procíclicos, como os emergentes na Ásia.

O investidor deve colocar dinheiro em ações com cautela, mas a recomendação ainda é de overweight [compra]. “Nos próximos dois a três anos, ainda estaremos em um cenário de altas taxas de inflação. Você não pode estar underweight [reduzindo o peso da carteira] em ações. Aproveite reveses nos papéis para entrar nessa corrida. O rali de ações não ficará para sempre, mas vemos bons resultados enquanto os bancos centrais sinalizarem que vão manter os estímulos diante de taxas de desemprego tão altas.”

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Para o Credit Suisse, ações de mercados desenvolvidos e de mercados emergentes são consideradas atrativas. Os países mais recomendados são Alemanha, Hong Kong (China), Ásia (exceto Japão) e Brasil.

Commodities, imóveis e ouro

Para o CIO do Credit Suisse, os ativos físicos (real assets) terão um desempenho superior ao de outras aplicações financeiras (outperform) daqui para a frente. Commodities, imóveis e ouro estão na lista de indicações do banco de investimento.

As matérias-primas negociadas em bolsa apresentam uma melhoria no crescimento de suas cotações, segundo o Credit Suisse. Recomendação destacada de outperform para o petróleo. O ouro também aparece com potencial de upside [valorização].

Câmbio

Por mais que o dólar tenha se valorizado em relação ao real ao longo de 2020, o Credit Suisse afirma que a moeda americana está em situação fiscal precária em comparação com outras moedas, como o euro.

O banco de investimentos diz que o dólar está em um movimento bearish [de desvalorização] e recomenda um movimento short [de venda] em relação à moeda.

O Credit Suisse está long [recomendação de compra] nestas moedas em países desenvolvidos: EUR, CHF, JPY, NZD, NOK e SEK. Nos países emergentes, o real brasileiro está entre as recomendações: CNY, KRW, BRL e RUB.

O dólar é considerado não atrativo, enquanto moedas de países emergentes foram classificadas como atrativas pelo Credit Suisse.

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2021 marca início de novo boom das commodities, mas risco político no Brasil é ameaça, dizem analistas

SÃO PAULO — O ano passado foi um pesadelo para algumas delas, mas para 2021 há uma expectativa de uma volta por cima das commodities no cenário global. Pelo menos é o que dizem analistas, que apostam suas fichas na retomada dos preços diante do cenário de maior demanda e menor oferta.

Um levantamento da gestora Crescat Capital apontou que a relação entre as commodities e o mercado de ações globais está em seu menor nível desde a década de 1970 (veja o quadro abaixo) — e, na visão do gestor Otávio Costa, o início de uma trajetória ascendente é iminente.

“Há oportunidades na área de commodities. A gente achou que o início desse movimento seria principalmente nos metais preciosos e mineradoras. No gráfico, vimos recentemente as commodities começando a quebrar uma resistência de 12 anos”, disse.

O gestor da Crescat afirmou que será um “ponto de inflexão” para o mercado. “Vai mudar bastante as coisas, principalmente as ações com valorização absurda como as do setor de tecnologia, por exemplo. As commodities continuam sendo a bola da vez este ano. Um movimento que começou no fim do ano passado.”

Em 2020, a pandemia de coronavírus reduziu a produção de metais preciosos diante da queda da demanda global. Com isso, houve uma redução dos estoques e um posterior aumento de preços, que segundo analistas deve se manter nos próximos anos já que a demanda vai voltar rapidamente conforme as pessoas forem vacinadas contra a Covid-19 e o ritmo de aumento de produção é mais lento que isso.

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O preço do ouro negociado na B3 subiu cerca de 56% em 2020 (veja o ranking das aplicações financeiras no ano passado), enquanto isso o da prata subiu em torno de 45% no mesmo período. Já o barril de petróleo Brent, negociado em Londres, caiu 24%, enquanto o petróleo WTI, cotado em Nova York, cedeu em torno de 21% no período.

Os contratos futuros de petróleo chegaram a ter preço negativo nos Estados Unidos ao longo do ano — conforme os produtores praticamente pagavam para não terem que estocar mais commodity. Vale lembrar que a demanda global por petróleo afundou no auge da pandemia, em meados de março e abril de 2020, conforme as medidas de restrição de circulação de pessoas foram adotadas no mundo todo, causando cancelamento de voos e fechamento de fronteiras.

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“O petróleo pode ser um dos melhores ativos do ano em investimentos”, disse Costa. “O que a gente viu em 1919 depois da Peste Negra foi também um problema em que as commodities se tornaram praticamente uma raridade. Houve uma força inflacionária por causa do aumento nos preços das commodities”, completou.

“Com essa liderança democrata nos Estados Unidos isso deve dar ainda mais suporte para o mercado de commodities. (…) A demanda por commodities vai voltar com a oferta restrita. Isso vai causar uma explosão nos preços, principalmente metais preciosos e petróleo. A gente viu ouro subindo já, prata subindo também, mas a gente ainda não viu o petróleo subindo ainda. Vai acontecer”, concluiu.

Luiz Eduardo Portella, sócio da Novus Capital, acredita que o mundo pode entrar num ciclo de alta de commodities e emergentes, como vimos entre 2001 até 2009. “Nos últimos dez anos, tivemos só Bolsas americanas outperformando e os emergentes patinaram nesse período. Vemos uma inversão dessa tendência agora nos próximos anos”, disse.

“Essa crise da Covid fez com que o excesso de capacidade que tinha em alguns mercados zerasse. Todo mundo vai ter que recompor os estoques, iniciar um ciclo de produção industrial forte no mundo que vai durar ainda bastante tempo. Com a introdução da vacina, o setor de serviços, que puxou muito a atividade para baixo, vai voltar a andar”, avaliou.

Portella ponderou, no entanto, o risco político. Ele citou a votação para presidência da Câmara e que ambos os candidatos são reformistas. “Até as próximas eleições em 2022, estamos tranquilos com o teto. Fazendo reformas, a gente consegue surfar essa onda positiva global. Podemos fechar o ano de 2021 com o Ibovespa acima dos 140 mil”, finalizou.

Na visão de Felipe Taylor, gestor de ações da MAG Investimentos, em 2021 vai haver uma troca de liderança importante nos setores que puxaram as economias, conforme a população global vai sendo vacinada e a vida vai voltando “ao normal”, criando espaço para crescimento de lucros de empresas que estão mais expostas à retomada econômica.

“Em 2020, quem cresceu foram os negócios que conseguiram desempenhar bem mesmo na crise, como o setor de tecnologia, que se beneficiou de mais pessoas ficando em casa e trabalhando de casa. As empresas de tecnologia, de internet, que foram destaque em 2020, não têm valuations que gerem desconforto, devem continuar performando bem, mas não devem voltar a ser destaque em 2021”, disse.

“Esse papel deve ficar com as empresas de commodities de maneira geral, o setor petroleiro, que foi uma indústria que apanhou bastante no ano passado, e tudo relacionado a turismo, como empresas aéreas. Vão entregar nos próximos dois anos crescimento de lucro expressivo, especialmente porque a base de comparação ficou baixa”, completou.

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No acumulado de 2021, até o momento, o barril de petróleo Brent já subiu 10,5% em Londres, enquanto o barril WTI registra alta de 10,3% em Nova York.

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Mineradoras de ouro se preparam para outro ano de ganhos

(Pixabay)

(Bloomberg) — Os ganhos de mineradoras de ouro devem continuar no próximo ano, especialmente para empresas que conseguirem limitar gastos e aumentar o retorno para investidores.

A alta dos preços do ouro ajudou mineradoras a aumentar as margens e gerar níveis recordes de fluxo de caixa livre, permitindo que muitas distribuam lucro aos acionistas, disse Tanya Jakusconek, analista do Scotiabank.

“Com os balanços das mineradoras em ótimo estado, acreditamos que investidores se beneficiarão com dividendos muito mais altos nos próximos anos”, escreveu Jakusconek em relatório aos clientes. A Kinross Gold, por exemplo, oferece “valor particularmente atraente”, contanto que continue a demonstrar fluxo de caixa sustentável nos próximos trimestres.

Com a chegada do coronavírus, o preço do ouro atingiu recorde em 2020 com a maior demanda por ativos seguros em um cenário de taxas de juros “mais baixas por mais tempo”, trilhões de dólares em estímulo e dólar mais fraco.

Como nenhum desses fatores deve mudar em breve, Fahad Tariq, analista do Credit Suisse, espera que 2021 seja outro “ano excepcional para o ouro”, com expectativa de preço de US$ 2.100 a onça, em média.

O “principal diferencial” entre ações de mineração serão empresas com rígido controle de gastos, disse Tariq. Se as mineradoras continuarem a retornar capital aos acionistas e a gerar fluxo de caixa livre significativo, seus múltiplos de valuation devem aumentar, disse.

Os preços do ouro à vista caíram em relação à máxima de agosto, pois a distribuição de vacinas contra a Covid-19 reduziu a demanda por segurança, mas as cotações ainda acumulam alta de cerca de 24% no ano. Enquanto o índice de ações FTSE World está a caminho de fechar o ano com ganho de 13%, o índice NYSE Arca Gold Miners subiu 23%.

Entre as ações preferidas de Tariq, do Credit Suisse, estão Newmont, Barrick Gold, Agnico Eagle Mines, Yamana Gold e Endeavor Mining.

“A economia permanece frágil e a recuperação pós-pandemia será gradual, na melhor das hipóteses”, disse Tariq. “Acreditamos que qualquer recuo a curto prazo nos preços do ouro devido às aprovações e implementação da vacina contra a Covid-19 é um bom ponto de entrada.”

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