Ações do setor automotivo sobem oito vezes mais que o Ibovespa

Caros leitores, digníssimas leitoras: quem nos acompanha sabe que, nos últimos meses, montamos nossa carteira teórica de ações com empresas que possuem um bom foco no setor automotivo. Mas se você está chegando agora por aqui, algumas explicações:

1. Na nossa carteira, não há ações das locadoras. São dois motivos: o primeiro é que o pessoal de locadoras não gosta da gente – logo também não gostamos deles (:P). O segundo é que eles teriam um peso gigantesco no nosso índice e impactariam terrivelmente nele;

2. Nosso índice é composto por nove empresas que não fazem parte do Ibovespa, então não espere liquidez;

3. As empresas que compõem o nosso índice são: Plascar; Vamos; Metal Leve; Fras-le; Julio Simões; Iochpe-Maxion; Marcopolo; Randon e Tegma;

4. Nosso índice começou efetivamente em fevereiro deste ano depois da entrada da Vamos.

Por fim, vale lembrar que apenas pessoas e empresas credenciadas podem ofertar/vender relatórios e/ou auxiliar em aplicações financeiras.

Enquanto o Ibovespa encerrou o mês de julho com uma retração de 3,94%, nosso índice “Tabajara” do setor automotivo cravou evolução de 2,22%, engatando assim o quinto mês consecutivo de crescimento.

O grande destaque do nosso índice foi o pessoal da Vamos e da Fras-le (24% do nosso índice), que registraram valorização nas suas ações superior a 20%. Elas foram as grandes responsáveis pelo bom resultado deste mês.

No acumulado do nosso ano (de fevereiro a julho), a carteira teórica do setor automotivo teve alta de 45,83%, contra 5,85% do Ibovespa.

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O bom resultado da nossa carteira/índice é que ele é 100% focado no setor automotivo. E como ele está sendo esse ano? Segundo a Fenabrave, no período de janeiro a julho, o mercado de leves (automóveis e comerciais leves) registra evolução de 26%. O mercado de pesados (caminhões e ônibus) teve alta de 41%, motos com quase 45% de crescimento e Implementos Rodoviários com mais 57%.

Por exemplo, a LEVE3 tem como foco a fabricação de componentes dos motores além de filtros; já a FRAS3, grosso modo, é a responsável pela produção de itens de frenagem como pastilhas; lonas e sapatas; a PLAS3, em linhas gerais, faz o painel do seu carro!

E o resultado das empresas do nosso índice foi dessa forma:

Já as empresas que vêm performando mal (abaixo do Ibovespa) são a Tegma, que até vinha se recuperando nos últimos meses – mas aí rolou aquele buchicho que o pessoal da Julio Simões iria incorporá-los. Assim, baixou a filosofia Nunes no pessoal da Tegma: todo mundo pensava que eles iam e, no final, acabaram não “fondo”; a Marcopolo, que está com crescimento bem abaixo da nossa expectativa; e a Randon, cujo segmento (Implementos Rodoviários) registra crescimento nas vendas de quase 60% e a expectativa (para o setor) é de um novo crescimento de dois dígitos para o ano que vem! Mas, enquanto não acabarem os vinhos do seu Raul, a gente vai prestigiando o papel…

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui.

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Redução maior do IRPJ, dividendos ainda taxados: como o parecer da reforma tributária impacta ações de bens de capital?

SÃO PAULO – Na tarde da última terça-feira (13), o relator da reforma do imposto de renda, Celso Sabino (PSDB-PA), apresentou uma nova versão da proposta de reforma tributária, com corte mais agressivo de impostos às pessoas jurídicas para compensar a introdução do imposto sobre os dividendos. As mudanças com relação à proposta inicial empolgaram o Ibovespa, que descolou dos índices americanos e fechou em alta de 0,45%.

Entre as mudanças, estão: uma redução do imposto de renda corporativo de 10 pontos percentuais em 2022 e de 12,5 pontos percentuais em 2023 (versus a proposta original de queda de 5 pontos) e os dividendos não serão tributados
quando distribuídos a empresas do mesmo grupo de participação. Será mantida a eliminação dos juros sobre capital próprio (JCP), além do imposto de renda de 20% sobre os dividendos.

Em análise focada no impacto para as ações de transportes e bens de capital, o Bradesco BBI apontou que a redução do imposto de renda para as empresas deve mais do que compensar o fim dos Juros sobre o Capital Próprio.

A redução do IR sobre pessoas jurídicas levaria a um impacto positivo de 8% no preço-alvo médio do banco para o setor. No entanto, o imposto sobre dividendos de 20% reduzirá esse impacto positivo para 2%.

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FIIs isentos, IRPJ a 2,5% em 2023, ágio mantido: relator distribui parecer preliminar de reforma do IR; veja mudanças

A visão é de que a nova proposta deve estimular o reinvestimento da geração de caixa, uma vez que empresas com altos índices de dividend payout (ou seja, a relação do pagamento de dividendos e o lucro) ainda devem sofrer impacto líquido negativo de 9%. É o caso da Mahle Metal Leve (LEVE3), que ainda deve sofrer impacto líquido negativo de 9%; atualmente, o dividend payout da companhia é de 95%. “Para neutralizar isso, Mahle Metal Leve precisaria cortar seu payout para 50%”, apontam. A recomendação dos analistas para a ação é underperform (desempenho abaixo da média do mercado), com preço-alvo de R$ 21 (ou baixa de 37% frente o último fechamento).

Para a Tupy (TUPY3), os analistas calculam impacto líquido negativo de 5% com uma relação de pagamento de 50%. Cabe destacar que, em reunião recente, o CEO Fernando de Rizzo e o CFO Thiago Struminski destacaram ao BBI que, com o escopo do acordo para a aquisição das fundições de ferro fundido da Teksid sendo reduzido para Brasil e Portugal, levando a um dispêndio menor, isso poderia abrir espaço em seu balanço para mais dividendos e / ou negócios de fusões e aquisições não relacionados à capacidade de fundição. O pagamento de dividendos da Tupy precisaria cair de 50% para 35% para neutralizar o imposto sobre dividendos.

Em meio a esse cenário, os analistas destacam as ações de Vamos (VAMO3) e Santos Brasil (STBP3) como as preferidas, enquanto as menos preferidas são Metal Leve e Marcopolo (POMO4).

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Na avaliação dos analistas, Vamos e Santos Brasil devem continuar se beneficiando do momentum positivo de ganhos, com expectativa de crescimento anual composto do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de 51% e 57%, respectivamente. “Em ambos os casos, essas empresas estão reinvestindo sua geração de fluxo de caixa para acelerar o ritmo de crescimento”.

Por sua vez, Mahle Metal Leve é ​​a ação de cobertura dos analistas do setor que provavelmente será mais impactada pela proposta de reforma do imposto de renda, enquanto a tendência acelerada de eletrificação de veículos também poderia
prejudicar suas receitas de exportação, avaliam os analistas.

No caso da Marcopolo, receita e rentabilidade podem demorar mais para recuperação devido a entregas de ônibus para o Programa Caminho da Escola com início previsto só para o quarto trimestre de 2021 e com a pandemia da Covid-19 levando a uma deterioração do balanço patrimonial.

Assim, de uma forte geral, entre as empresas sobre a cobertura dos analistas, as principais beneficiadas pelas propostas de reforma, todas elas com avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado), estão: Simpar, com preço-alvo de R$ 81 (potencial de alta de 31% frente o fechamento de terça); Vamos, com preço-alvo de R$ 73 (upside de 15%); Randon (RAPT4), com preço-alvo de R$ 22 (upside de 59%); Santos Brasil, com preço-alvo de R$ 13 (alta de 31%) e Azul (AZUL4), com preço-alvo de R$ 75 (upside de 77%).

De um modo geral, a Levante Ideias de Investimentos destaca que, apesar de a proposta não ser positiva para quem investe em ações visando o recebimento de dividendos, o fato de reduzir a tributação sobre as empresas vai melhorar o lucro e estimular o crescimento das companhias.

Pelos cálculos do relator, o imposto de renda sobre as empresas vai encolher R$ 74 bilhões em 2022 e R$ 98 bilhões em 2023. Isso deve provocar uma queda na arrecadação de  R$ 27 bilhões no ano que vem e de R$ 30 bilhões em 2023. “A expectativa do governo é que o aumento do crescimento econômico e a melhora dos resultados das empresas mais que compense essa renúncia fiscal, mas essa é uma aposta arriscada”, avaliam os analistas.

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Outra visão sobre o carro elétrico 2.0 (dois anos depois)

Dois anos após a publicação do post “Outra visão sobre o carro elétrico: Mahle Metal Leve opina”, neste mesmo blog Fora do Radar, voltamos a analisar a questão e acompanhar de perto como o tema se desenvolveu.

Naquela ocasião, mostramos que a tendência de redução do uso dos combustíveis fósseis e a diminuição das emissões de CO2 eram e continuam sendo o ponto principal da questão.

O tema da regionalização da solução, como comentado à época, vai se tornando cada vez mais realidade à medida que os países vão encontrando e definindo suas políticas ambientais, sem descartar os lados socioeconômicos.

Porém, tudo leva a crer que quem definirá o melhor modelo que atingirá as metas governamentais de forma mais eficiente é a indústria automobilística, junto com os seus consumidores.

A Mahle, empresa alemã de 100 anos e controladora da Mahle Metal Leve, adota uma estratégia dupla (dual strategy). Isso significa que entre seus produtos temos soluções que vão desde o carro 100% a combustão, movido por bicombustíveis, até o carro 100% elétrico, passando pela hibridização.

Por meio de grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a Mahle mundial, em parceria com suas filiais espalhadas pelo mundo, vem desenvolvendo soluções que atendam a todas as demandas regionais.

Poucos sabem, mas a Mahle possui um centro de tecnologia no Brasil que é responsável pelo desenvolvimento de uma das soluções que provavelmente caberá aos mercados emergentes, como América Latina, África, Índia e Sudoeste da Ásia.

Estamos falando de quase metade da população mundial, hoje próxima dos 8 bilhões de habitantes.

É um mercado enorme, que não pode ser desprezado, e que tem soluções socioeconômicas diferentes da Europa, EUA e China.

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Assim, escolhida qualquer uma das soluções, a Mahle estará presente, colocando diversos produtos e tecnologias à disposição da indústria e dos seus consumidores.

Em uma nova conversa com a Mahle, ficou evidente essa visão geopolítica das soluções. Também ficou mais que claro que o Brasil pode liderar, no mundo emergente, uma das soluções para a realidade desse contingente de países.

E qual seria essa solução regional?

Pesquisas trazidas pela Mahle Brasil mostram que os motores atuais, movidos a etanol com os níveis de eficiência próximos a 40%, são uma realidade em termos de veículos de baixa emissão.

Eles também atingem níveis de emissões “poço à roda” (medida de emissão de gases do efeito estufa) de gramas de CO2 por km que só serão replicados na Europa em 2030.

Por meio do desenvolvimento de diversas tecnologias que vão chegando ao consumidor, como os motores tricilíndricos com injeção direta turbo alimentados e flex fuel, constata-se que o desenvolvimento desse tipo de tecnologia ainda deve crescer muito, podendo chegar aos 50% de eficiência.

A título ilustrativo desse potencial, um carro a combustão de combustíveis fósseis tem hoje, em média, 20% de eficiência energética. O que significa isso? Que, de R$ 100,00 de gasolina, R$ 80 são eliminados em forma de calor, sem gerar força motriz para o veículo.

É um número muito baixo e que perde feio para os veículos elétricos, que tem mais de 80% de eficiência do motor.

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Se entendermos que o etanol produz menos emissões de gases de efeito estufa, a conta de CO2 fecha quando pensamos como o etanol é produzido.

Sendo um combustível renovável, produzido a partir do plantio da cana de açúcar, chegamos à conta final quando pensamos que esse cultivo absorve carbono da atmosfera, compensando as emissões que ocorram a partir dos motores.

Esse conceito é chamado de “poço à roda”.

Ou seja, não podemos pensar em uma solução para a mobilidade sem pensar como o insumo é produzido, usado e descartado.

Assim, não basta a análise das emissões de CO2 do escapamento. É necessária a análise de toda a cadeia para a produção do veículo e da matriz energética que vai fornecer energia para esse veículo.

Qualquer solução que não pense nesse fluxo está incompleta. É aí onde vemos uma grande oportunidade para o Brasil, com o desenvolvimento de motores cada vez mais eficientes e movidos a biocombustíveis.

E mais: é importante ressaltar que de nada adianta ter um carro elétrico com 0% de emissões se a matriz energética produzirá energia a partir de fontes sujas e poluentes.

Não queremos de forma alguma dizer que o Brasil e o mundo emergente não terão carros 100% elétricos, mas que essa será uma solução principalmente para grandes centros urbanos, onde a concentração de gases poluentes é maior e a erradicação dos mesmos nessas localidades trará um aumento da qualidade do ar e de vida dos seus habitantes.

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Contudo, se a solução passar pelo etanol, e essa for mais barata e eficiente, podemos ter uma mudança de paradigma para o biocombustível desenvolvido e testado há mais de 40 anos no Brasil e que pode ser uma das grandes soluções para a mobilidade limpa do mundo.

Por fim, vamos acompanhando de perto o desenvolvimento e as tendências dos grandes atores desse mercado. Ao buscar informações, verifique quem realmente está com a “pele em jogo” e com presença mundial, e investindo pesado em pesquisa para descobrir o que o consumidor quer e no desenvolvimento de produtos que estes anseiam.

Por isso, não deixe de analisar o que a Mahle Metal Leve diz.

Lucro da SulAmérica cai 64,3% no 1º trimestre de 2020; Pão de Açúcar tem prejuízo e outros destaques

mercado bolsa índices alta ações gráfico (Getty)

SÃO PAULO — Muitas companhias da Bolsa brasileira divulgaram seus resultados após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (13). Entre elas, a SulAmérica (SULA11) viu seu lucro líquido cair 64,3% no primeiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 79,7 milhões. Sobre o trimestre anterior, a queda foi de 82,4%.

“Considerando a importante contribuição do resultado financeiro para os números da companhia, o primeiro trimestre do ano foi severamente impactado pela deterioração dos mercados financeiros em meio às incertezas da pandemia da Covid-19”, disse a empresa em seu balanço.

“Ainda que represente uma parcela pequena do nosso portfólio de ativos próprios, a parcela alocada em renda variável (1,2%), a qual mantivemos estruturalmente preservada, apresentou desvalorização relevante, que, somada à redução da taxa Selic média no período, levou a uma redução de 77,1% no resultado financeiro do trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior”, completou.

O resultado financeiro, que foi de R$ 39,3 milhões nos três primeiros meses deste ano, também registrou baixa na comparação com o último quarto de 2019, de 71,4%.

Apesar disso, a companhia observou um aumento de 7,2% nas receitas operacionais de um ano para o outro, chegando aos R$ 5,632 bilhões. Sobre o trimestre anterior, houve redução de 2,1%.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 15,3% nos últimos doze meses, 0,8 ponto percentual abaixo do registrado nos doze meses findos em março de 2019. Em dezembro do ano passado, o percentual era de 17,6%.

Veja abaixo os destaques dos balanços de outras companhias que também foram divulgados hoje.

Pão de Açúcar

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) teve prejuízo líquido de R$ 109 milhões no primeiro trimestre de 2020, frente ao lucro de R$ 190 milhões registrado um ano antes.

Já o prejuízo líquido dos acionistas controladores foi de R$ 130 milhões, “explicado principalmente por maior depreciação com a consolidação do Grupo Éxito e maior custo da dívida”, segundo a própria companhia.

O GPA registrou, no entanto, um lucro bruto consolidado de R$ 4,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que corresponde a um aumento de 48,5% sobre o mesmo período de 2019, com margem bruta de 21,1%.

A empresa disse que isso é reflexo do “excelente desempenho da operação no Brasil e a primeira consolidação da operação do Grupo Éxito.”

A receita líquida consolidada foi de R$ 19,682 bilhões, um crescimento de 54,9% sobre o primeiro trimestre do ano passado. “Houve aumento significativo das vendas em todos os formatos desde o início do período de pandemia, confirmando a assertividade e forte aderência dos modelos frente a necessidade dos clientes”, explicou o grupo.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado consolidado atingiu R$ 1,2 bilhão, alta de 38,3% sobre os três primeiros meses de 2019.

A margem Ebitda (relação percentual entre a receita líquida e a geração operacional de caixa) foi de 6,1% no fim de março, 0,7 ponto percentual abaixo do valor visto um ano antes.

A dívida líquida do grupo passou de R$ 4,079 bilhões no primeiro trimestre de 2019 para R$ 11,207 bilhões nos três primeiros meses deste ano. Já a dívida líquida ajustada pelo saldo de recebíveis não antecipados totalizou R$ 10,8 bilhões, equivalente a 2,5x dívida líquida/Ebitda ajustado.

O aumento da dívida refletiu principalmente a captação de recursos destinados à aquisição do Grupo Éxito, segundo o GPA. “O maior patamar de alavancagem está em linha com o planejado pela companhia, permanecendo em patamar considerado adequado.”

SLC Agrícola

O lucro líquido da SLC Agrícola (SLCE3) cresceu 40,4% no primeiro trimestre de 2020 frente ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 156,4 milhões. Segundo a companhia, o principal fator que contribuiu para essa variação foi a variação do valor justo dos ativos biológicos na soja (aumento de R$ 147,7 milhões versus o primeiro trimestre de 2019).

“A variação é explicada pelas premissas que foram utilizadas no cálculo. (…) Após o cálculo da variação do valor justo do ativo biológico da soja da safra 2018/19, houve melhoria nos preços e na produtividade da cultura, fazendo com que a variação do valor justo subestimasse o resultado dessa cultura naquele ano”, explicou a empresa em seu balanço.

O Ebitda ajustado foi de R$ 182,8 milhões, com declínio de 19,9% em relação aos três primeiros meses do ano passado. E, de acordo com a SLC, os principais fatores que contribuíram para essa variação foram o menor volume faturado de soja e a menor margem do algodão faturado no comparativo entre os trimestres.

“A margem inferior no algodão foi oriunda da menor produtividade da cultura na safra 2018/19 versus a safra 2017/18, combinado com aumento de custos por hectare”, disse a empresa.

A receita líquida cresceu 2,2% no primeiro trimestre de 2020 frente o valor visto um ano antes, apesar da queda de 4,5% no volume faturado.

No algodão em pluma, produto que possui maior valor agregado, o volume faturado foi 22,9% superior ao do primeiro trimestre de 2019. Com exceção da soja, todas as culturas obtiveram aumento do preço unitário na comparação anual.

Já a dívida líquida ajustada da companhia encerrou o primeiro trimestre de 2020 em R$ 1,4 bilhão, um aumento de R$ 475 milhões em relação ao valor registrado em dezembro, levando a relação dívida líquida/Ebitda para 1,9x.

Mahle Metal Leve

O lucro líquido da Mahle Metal Leve (LEVE3) despencou 66,4% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2019, para R$ 21,5 milhões. Sobre o trimestre anterior, a queda foi de 67,5%.

Com isso, a margem líquida da empresa também reduziu consideravelmente tanto na comparação anual (menos 6,6 pontos percentuais) quanto na trimestral (menos 7,4 pontos percentuais), encerrando março em 3,7%.

A companhia também observou uma queda em sua receita líquida de vendas, de 7,9% sobre o valor registrado um ano antes e de 3,7% sobre o último trimestre de 2019, totalizando R$ 573,8 milhões nos três primeiros meses deste ano.

Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 23,9% na comparação anual, para R$ 91,5 milhões. Sobre o último trimestre de 2019, no entanto, houve uma alta de 19,5%.

Assim, a margem Ebitda (relação percentual entre a receita líquida e a geração operacional de caixa) da companhia subiu 3 pontos percentuais na comparação trimestral, para 15,9%. Um ano antes, ela estava em 19,3%.

“No primeiro trimestre de 2020, o cenário global foi marcado pelos desdobramentos iniciais da pandemia causada pela Covid-19 e a companhia está monitorando os possíveis riscos inerentes a esta pandemia que possam vir a afetar suas operações”, afirmou a Metal Leve em seu balanço.

“Acompanharemos a evolução de todo o contexto econômico no Brasil e global, visando adequar às operações de acordo com o volume dos negócios. Quanto aos recebíveis, todas as medidas foram tomadas para mitigação dos riscos de não serem quitados, tais como, renegociações e prorrogações quando as mesmas foram solicitadas”, completou.

Enauta

O lucro líquido da Enauta (ENAT3) aumentou 50,7% no primeiro trimestre de 2020, na comparação com igual período de 2019, para R$ 76,8 milhões. Sobre o trimestre anterior, houve uma queda de 24,8%.

O mesmo aconteceu com a receita líquida da companhia, que caiu na comparação trimestral (menos 28,2%), mas teve crescimento de 40% sobre o valor registrado um ano antes, totalizando R$ 290,3 milhões.

Já o Ebitdax (lucro antes do Imposto de Renda, contribuição social, resultado financeiro e despesas de amortização, mais despesas de exploração com poços secos ou sub-comerciais) da empresa ficou em R$ 195,1 milhões nos três primeiros meses deste ano, 53,8% maior do que o registrado em igual período de 2019, mas 24,7% abaixo do valor visto no trimestre anterior.

Com isso, a margem Ebitdax (relação percentual entre a receita líquida e o Ebitdax) da empresa encerrou março em 67,2%, o que representa uma alta de 6,0 pontos percentuais sobre o valor visto um ano antes e de 3,1 pontos percentuais sobre o trimestre anterior.

“Prudência é a marca registrada da Enauta e não poderia ser diferente nesse momento de pandemia global da Covid-19, que intensificou os impactos da crise na indústria do petróleo, levando a uma volatilidade intensa e quedas nas cotações da commodity sem precedentes”, disse a empresa em seu balanço.

“As decisões de investimento em exploração e produção de petróleo demandam visão de longo prazo. E, neste momento, a visibilidade sobre a capacidade de retomada do preço do Brent, com maior equilíbrio entre oferta e demanda, está extremamente prejudicada. Seguiremos com nossa postura prudente e técnica em nossas decisões”, completou.

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Efeito dominó do coronavírus atinge setor industrial no Brasil e Bradesco BBI revisa projeções de ações

SÃO PAULO – O surto de coronavírus, apesar de estar crescendo de forma mais lenta na China, já tem registrado forte impacto na cadeia produtiva do país asiático e deve gerar um efeito dominó em diversos setores, chegando ao Brasil. Esta é a avaliação da equipe de analistas do Bradesco BBI.

De acordo os analistas Victor Mizusaki e Gabriel Rezende, a Covid-19 pode comprometer os resultados do primeiro trimestre das empresas de bens de capital, em especial a Weg (WEGE3), Iochpe-Maxion (MYPK3), Marcopolo (POMO4), Mahle Metal Leve (LEVE3) e Randon (RAPT4).

Este cenário se dá pela quarentena obrigatória pela qual passam as empresas chinesas. Algumas fábricas estão operando gradualmente desde o fim de fevereiro e outras devem voltar agora em março, mas isso não impediu uma queda do PMI da Indústria de 50 para 35,7 pontos entre janeiro e fevereiro, enquanto a venda de automóveis caiu 80% no mês passado.

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Segundo apontam os analistas, estas empresas brasileiras têm instalações na China e a paralisação deve afetar as linhas de produção delas pelo menos neste primeiro trimestre. Além disso, o fornecimento de autopeças e matérias-primas importadas também deve ser prejudicado nos próximos meses porque os estoques serão esgotados e as empresas poderão não ter tempo suficiente para desenvolver e certificar fornecedores locais ou alternativos.

De acordo com o Bradesco BBI, na indústria automotiva, cerca de 17% das autopeças importadas são da China, sendo que a exposição ao país na cadeia de suprimentos representa 1% a 10% dos custos de matérias-primas entre as empresas listadas que eles cobrem. Os estoques de componentes importados estão na faixa de 2 a 3 meses.

“No entanto, vemos um risco de escassez, já que a produção na China abastecerá inicialmente o mercado interno e, posteriormente, as exportações para outros países serão normalizadas. Assim, vemos um risco final de paralisação da produção no segundo trimestre”.

Para resolver a situação, os analistas acreditam que as empresas irão buscar alternativas no mercado nacional, mas com um custo maior. “Em nossos modelos de avaliação, assumimos que as matérias-primas importadas da China serão substituídas por fornecedores locais, mas a preços mais altos”, afirma o Bradesco BBI em relatório.

E este problema pode se espalhar ainda mais, já que os casos de coronavírus têm aumentado em outros países, em especial a Europa. De acordo com os analistas, companhias como a Iochpe-Maxion e a Mahle Metal Leve podem sofrer, já que a região representa 33% e 20% de suas receitas, respectivamente.

O impacto em cada empresa

Em relatório, os analistas do Bradesco BBI apontam que, dentre as cinco companhias que eles cobrem no setor de bens materiais, a Marcopolo é a mais exposta ao risco com o mercado chinês. A companhia tem 2% de suas receitas expostas à China, e os efeitos da paralisação das fábricas poderiam levar a redução de 3% de seu Ebitda, enquanto os maiores custos com importação de matérias-primas poderia reduzir sua margem em 6%.

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A Randon fica logo atrás, com impacto de 2% em seu Ebitda pela quarentena da indústria e de 5% nas margens por conta dos custos de materiais. Do outro lado, eles apontam a Iochpe como a menos exposta, sendo que o Ebitda dela também sofreria um impacto de 2%, mas as margens reduziriam apenas 1% já que a companhia não tem uma grande importação da China.

Dentre as recomendações, são três neutras: Marcopolo, Iochpe e Weg, com preços-alvo de R$ 5,00, R$ 24,00 e R$ 36,00, respectivamente. Já para a Metal Leve, os analistas colocam uma recomendação underperform (abaixo da média do mercado), com preço-alvo de R$ 22,00.

A única recomendação outperform (acima da média do mercado) do Bradesco BBI é para a Randon, com preço-alvo de R$ 17,00. Os analistas justificam esse maior otimismo com a ação porque acreditam que ela deve ganhar participação de mercado nas vendas de trailers e ter um crescimento no volume de impressões de 7% em 2020, além do fato de que as vendas de vagões podem se recuperar em 2021 e ocorrerem fusões e aquisições no mercado de autopeças.

Confira as revisões de estimativas feita pelo Bradesco BBI:

(Reprodução)

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