Vitória de Biden pode marcar mudança para ações, diz JPMorgan

Joe Biden (crédito: Facebook)

(Bloomberg) — Uma vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos EUA pode indicar o início de uma mudança com foco em segmentos que foram deixados para trás no rali, segundo estrategistas do JPMorgan Chase.

“Precisamos primeiro passar pelo risco do evento eleitoral nos EUA, mas pode haver uma ampliação em estilos e performances regionais depois disso”, disseram estrategistas do JPMorgan liderados por Mislav Matejka, em relatório na segunda-feira. “Uma possível vitória de Biden não deve ser vista como negativa para os mercados e pode, na verdade, levar a uma rotação interna.”

Analistas, que há meses têm preferido ações de crescimento, defensivas e dos EUA, dizem que se preparam para uma possível mudança após as eleições nos EUA. Eles destacam que ações de valor, ou mais baratas, tiveram desempenho “drasticamente” inferior aos papéis de empresas com maior crescimento de lucros nos últimos meses, enquanto ações europeias “não vão a lugar nenhum” há quatro meses.

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Estrategistas avaliam o dilema que preocupa muitos investidores depois que o índice Nasdaq 100 fechou o mês passado com a pior queda desde março, em meio à onda vendedora de ações de empresas de tecnologia de grande capitalização.

A alta de 50% do mercado acionário dos EUA nos últimos seis meses e altos valuations de líderes da retomada e dos vencedores na pandemia levam investidores como Eaton Vance e BlackRock a preferirem ações europeias.

O JPMorgan não está sozinho nessa visão. Estrategistas do Goldman Sachs, como Sharon Bell e Peter Oppenheimer, disseram na sexta-feira que uma vitória dos democratas nos EUA favoreceria ações cíclicas europeias, de valor, expostas à China e de renováveis.

A equipe de Matejka tem preferido posições compradas em setores defensivos e de crescimento, como saúde, tecnologia, produtos básicos e concessionárias em detrimento de papéis de finanças, consumo discricionário e energia, mas agora avalia uma mudança após as eleições.

Além da maior clareza política após a votação de 3 de novembro, estrategistas citam fatores como um ambiente cada vez mais reflacionário, possível estímulo adicional e notícias positivas sobre a Covid-19.

“É improvável que uma possível vitória de Biden proporcione aumentos de impostos significativos, com probabilidade de serem atenuados e, além disso, poderia haver maior foco em estímulos e apoio ao consumidor”, disseram estrategistas do JPMorgan, que também incluem Prabhav Bhadani e Nitya Saldanha.

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JPMorgan planeja transferir US$ 230 bilhões para Alemanha por Brexit

(Bloomberg) — O JPMorgan Chase planeja transferir cerca de 200 bilhões de euros (US$ 230 bilhões) do Reino Unido para Frankfurt como resultado da saída do país da União Europeia. Coma a mudança, o JPMorgan se tornará um dos maiores bancos da Alemanha.

O banco dos EUA planeja finalizar a migração dos ativos para a subsidiária com sede em Frankfurt até o fim do ano, disseram pessoas a par do assunto. A mudança pode impulsionar seu balanço patrimonial o suficiente para se tornar o sexto maior banco do país, com base nos ativos das maiores instituições financeiras comerciais no ano passado.

Uma porta-voz do JPMorgan em Frankfurt não quis comentar.

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Os ativos a serem transferidos representam pouco menos de 10% do balanço total do JPMorgan. Também equivalem a quase metade do total de ativos detidos por filiais alemãs de bancos estrangeiros no fim de junho, de acordo com estatísticas do Bundesbank.

Com menos de quatro meses para o término do período de transição do Brexit, bancos internacionais têm reforçado operações na União Europeia para garantir que possam atender aos clientes, diante da perspectiva de que empresas com sede no Reino Unido, incluindo as operações do JPMorgan em Londres, não retenham direitos de passaporte em um acordo comercial.

Como essa perspectiva é cada vez mais provável, na semana passada o banco recomendou aos 200 funcionários em Londres que se mudem para cidades da Europa continental, como Paris, Frankfurt, Milão e Madri, informou a Bloomberg News.

No entanto, não é apenas o Brexit. O JPMorgan tem dito repetidamente que a unidade alemã buscará participação de mercado em banco de investimento, segmento corporativo e gestão de patrimônio. Com o contínuo fortalecimento das operações do JPMorgan na Alemanha, a responsável pela unidade com sede em Frankfurt, Dorothee Blessing, tem assumido mais responsabilidades.

O banco reatribuiu filiais em polos europeus, como Paris, Amsterdã e Copenhague, para supervisão pela subsidiária de Frankfurt, que é conhecida como J.P. Morgan AG.

Embora o JPMorgan tenha feito a maior migração para Frankfurt, outros bancos também optaram por aumentar presença no centro financeiro da Alemanha, incluindo Citigroup, UBS e Standard Chartered.

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Riscos climáticos ameaçam crescimento de Brasil, Rússia e África do Sul

Imagem aérea de sessão da floresta amazônica próxima de Porto Velho (RO) dizimada por incêndios em 25 de agosto de 2019. (Victor Moriyama / Getty Images)

(Bloomberg) – Mercados emergentes como Brasil, Rússia e África do Sul enfrentam uma transição mais difícil para uma economia de baixo carbono, porque não têm margem para amortecer a mudança com o aumento dos gastos públicos, de acordo com a JPMorgan Asset Management.

Os três países não têm espaço para assumir mais dívidas para aliviar problemas de curto prazo, disseram estrategistas liderados por Jennifer Wu em relatório na sexta-feira, acrescentando que a Índia também enfrentaria uma transição difícil. Canadá e Austrália, comparativamente intensivos em carbono, têm mais margem para assumir dívidas, disseram.

O custo da transição para uma pegada de baixo carbono “pode ser apoiado por famílias e empresas atualmente ou financiado por dívida pública e transferido para as gerações futuras, e grande parte da dívida acabaria nos balanços soberanos”, disseram os estrategistas. Uma abordagem híbrida envolve parcerias público-privadas, acrescentaram.

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Embora haja muita incerteza sobre o impacto exato de políticas climáticas nos países mais expostos, uma mudança poderia reduzir o PIB russo em mais de 6,5% nas próximas três a quatro décadas, de acordo com o relatório. Suíça, União Europeia e Japão parecem mais preparados para as mudanças, já que dependem menos de combustíveis fósseis, estão dispostos a fazer a transição e frequentemente lideram em tecnologia verde, disseram os estrategistas.

“A atmosfera da Terra está mudando de maneiras que não eram vistas há cerca de 800 mil anos – as evidências são avassaladoras”, afirmaram os estrategistas. Investidores “precisam levar em consideração importantes diferenças geográficas e setoriais na trajetória da política climática”.

A energia renovável e a infraestrutura verde têm a ganhar, enquanto a energia tradicional, consumo cíclico, matérias-primas e algumas concessionárias poderiam ser os mais atingidos. A relação preço/valor patrimonial de petrolíferas integradas têm correlação positiva com uma medida de sua exposição a tecnologias que sustentam a transição do carbono, de acordo com o relatório.

A redução das emissões que contribuem para o aquecimento global poderia ser alcançada por meio de impostos e regulamentações de carbono, estímulo verde financiado por dívida ou uma combinação de ambos, disse a JPMorgan Asset Management. Bancos centrais podem reorientar os programas de flexibilização quantitativa para ativos mais verdes, potencialmente reduzindo os rendimentos dos títulos verdes em relação a outros, de acordo com o relatório.

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Analistas questionam se ouro está perto do pico após recordes

(Getty Images)

(Bloomberg) — O ouro acaba de bater um recorde, e todos grandes bancos concordam que o metal precioso deve ultrapassar US$ 2.000 a onça. O que acontecerá depois é onde as previsões divergem.

O JPMorgan Chase diz que, com o rali, os preços já subiram 27% em 2020 e podem começar a perder força no fim deste ano. Goldman Sachs, Citigroup e Bank of America ainda não apostam no fim do período de ganhos. O Bank of America acredita que o metal pode atingir US$ 3.000 a onça.

O ouro surgiu como porto seguro preferido entre investidores em meio ao impacto da pandemia na economia global. O ouro à vista chegou a ser negociado a US$ 1.981,27 na terça-feira, cerca de US$ 60 acima do recorde de 2011, impulsionado pela queda dos juros reais, recente desvalorização do dólar, estímulos de governos e crescente tensão EUA-China.

Em relatório na segunda-feira, analistas do JPMorgan disseram que o ouro deve ter um último rali antes da desaceleração das cotações no fim do ano. O banco agora é neutro em relação ao ouro e acrescentou que o preço atual pode estar próximo de um pico.

O BofA tem uma visão bem diferente, mantendo a previsão de abril de que o ouro pode alcançar US$ 3.000 a onça nos próximos 18 meses. O Citigroup disse que o atual ciclo do ouro é “único” e que os preços podem “permanecer em uma faixa mais alta por mais tempo”. O Goldman elevou a previsão de 12 meses para U$ 2.300, na expectativa da “busca de uma nova moeda de reserva” diante da perspectiva negativa para o dólar.

O ouro ainda tem fôlego. Os preços devem ultrapassar US$ 2.000 em breve, disseram analistas do Citigroup como Aakash Doshi em relatório. O banco elevou sua meta de curto prazo para US$ 2.100.

Para o UBS, o ouro em torno de US$ 2.000 pode ser o “novo normal” devido ao atual conjunto de fatores de impulso, e as cotações podem subir para US$ 2.300 no cenário de “risco” do banco, afirmou Wayne Gordon, diretor executivo de commodities e câmbio da unidade de gestão de patrimônio do UBS.

Mas o rali pode perder força até meados de 2021 com os preços sob pressão, já que bancos centrais não conseguirão manter o ritmo de alívio, disse. Os investidores começarão a procurar alternativas à medida que as economias se recuperarem.

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JPMorgan eleva recomendação para Weg em meio ao salto de 100% da ação em 2020; mais 2 casas aumentam preço-alvo

SÃO PAULO – Com uma alta de cerca de 100% no acumulado de 2020, sendo alçada ao posto de melhor ação do Ibovespa no período, muitos analistas apontavam que as ações da Weg (WEGE3) não teriam muito espaço para subir, apesar das qualidades da companhia e de seu ótimo resultado reportado no último dia 22.

Contudo, o JPMorgan foi na contramão e elevou a recomendação dos ativos WEGE3 de neutra para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) mesmo depois da disparada de mais de 17% dos papéis desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre. O preço-alvo da ação foi revisado de R$ 43,65 para R$ 76,00, levando a mais uma sessão de forte alta para os ativos, de até 6% no pregão desta segunda-feira (27), para fecharem em alta de 5,06% (R$ 69,95). O novo preço-alvo representa um potencial de valorização de 14% frente o fechamento de sexta-feira (24) e de 8,6% em relação ao fechamento desta segunda.

Segundo a equipe de análise do banco americano, a revisão se deve aos fortes números reportados na última demonstração de resultados, com destaque ao lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), que cresceu 36% na comparação com o segundo trimestre de 2019 mesmo em um contexto no qual a empresa enfrenta os impactos do coronavírus.

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“A resiliência do mercado e a execução de primeira linha, na nossa visão, continuarão a justificar os múltiplos elevados de 50 vezes P/E [valor de mercado dividido pelo lucro] na estimativa para 2021”, explicam os analistas.

Também foi citado como motivo para o otimismo em relação à empresa a sua capacidade de encontrar novos caminhos para crescer, o que ficou claro depois das aquisições recentes e dos investimentos na indústria 4.0.

O JP Morgan ainda considera que a Weg está bem posicionada para se aproveitar de ondas recentes nos negócios como a eletrificação de automóveis.

Além disso, o tamanho reduzido da companhia em comparação com as concorrentes internacionais, notadamente Siemens, ABB e Schneider Electric, deve permitir, na avaliação da equipe do banco, um crescimento mais rápido.

“A Weg tem receitas anuais de US$ 3 bilhões contra US$ 15 bilhões a US$ 80 bilhões de seus pares, de acordo com nossos cálculos. Um aumento de 1 ponto percentual em participação de mercado lá fora representa um ganho adicional de 5% no faturamento”, defendem os analistas.

Por fim, também conta a favor da Weg o fato da companhia se beneficiar de um dólar mais alto, uma vez que em torno de 60% das receitas da empresa são denominadas na moeda dos Estados Unidos.

Mais revisões

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Quem também mudou as expectativas para a Weg foi o BB Investimentos, que elevou o preço-alvo das ações da companhia de R$ 25,00 para R$ 55,00, mantendo recomendação neutra.

De acordo com a analista Catherine Kiselar, responsável pela cobertura da empresa no banco, a evolução do Ebitda no segundo trimestre e o aumento de 3,2 pontos percentuais do retorno sobre o capital investido (Roic, na sigla em inglês), para 21,6%, mostram que a implementação de melhorias operacionais combinada com a solidez da carteira de ciclo longo mais do que ofuscaram os impactos do coronavírus.

Catherine ainda destacou a melhora no perfil da dívida quando comparado ao primeiro trimestre de 2020, com o endividamento de longo prazo respondendo agora por 78% da dívida total da empresa contra 64% no trimestre anterior.

A analista também elogiou a quantidade de caixa que a companhia possui. “O caixa líquido se elevou a R$ 1,261 bilhões (ante R$ 908 milhões), níveis confortáveis frente à crise e visando eventuais oportunidades de negócios.”

Há ainda no horizonte boas perspectivas para a Weg nas vendas de motores, inversores e tinta de tubulação para companhias de saneamento graças à aprovação do novo marco do setor. “A administração da empresa declarou ao BB-BI que a entrada da iniciativa privada dará mais velocidade ao endereçamento de soluções ao Brasil”, comenta.

Com tudo isso, a recomendação para as ações só é neutra, de acordo com Catherine, por conta dos múltiplos muito esticados, principalmente depois da forte valorização nas últimas duas semanas.

Na mesma linha, a equipe de análise do Bradesco BBI elevou o preço-alvo da Weg de R$ 40,00 por ação para R$ 56,00 por ação depois dos números do segundo trimestre, porém mantendo recomendação neutra.

Também neste caso, o preço da ação foi o motivo para não haver recomendação de compra, mas a análise foi positiva para a empresa. “Os principais destaques foram o Roic de 21,6%, a maneira como a depreciação do câmbio ofuscou os impactos da crise do coronavírus e os cortes de custos que permitiram um crescimento de 1,7 ponto percentual na margem Ebitda”, conclui o relatório do Bradesco.

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Provisões de bancos dos EUA descartam recuperação em “V”

Crise recessão (Shutterstock)

(Bloomberg) — A ação rápida do Federal Reserve e do governo dos Estados Unidos evitou um salto da inadimplência em empréstimos causada pela pandemia. Mas os maiores bancos dos EUA sinalizam que o problema está a caminho.

JPMorgan Chase, Citigroup e Wells Fargo fizeram provisões de quase US$ 28 bilhões para empréstimos duvidosos no segundo trimestre, uma marca apenas superada nos últimos três meses de 2008, durante o auge da crise financeira. O total foi mais alto do que analistas esperavam. As três instituições financeiras disseram que suas perspectivas econômicas se deterioraram devido ao contínuo avanço do coronavírus nos EUA.

Mesmo com o aumento do desemprego, os programas de estímulo ajudaram indivíduos a permanecer em dia com as dívidas e muitos aproveitaram as opções para adiar pagamentos oferecidas pelos bancos.

O JPMorgan disse que a inadimplência em suas maiores categorias de empréstimos ao consumidor caiu ou se manteve estável em relação ao ano anterior, e a maioria dos clientes de cartões de crédito e hipotecas que recebeu autorização para adiamentos ainda assim efetuou pagamentos.

“Esta não é uma recessão normal. A parte recessiva disso veremos no futuro”, disse o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, na terça-feira. “Veremos o efeito desta recessão. Não veremos imediatamente por causa de todo o estímulo.”

O Wells Fargo fez a maior provisão para perdas com empréstimos na história do banco, o que causou o primeiro prejuízo líquido da instituição desde 2008 e um corte de 80% dos dividendos. As mesas de trading do JPMorgan e do Citigroup aproveitaram as enormes oscilações do mercado e registraram trimestres recordes, o que ajudou essas instituições a manterem a rentabilidade.

Mas mesmo mercados dinâmicos não conseguiram evitar o golpe da nova realidade econômica provocada pelo fracasso dos EUA em conter a propagação do coronavírus como outros países. O JPMorgan agora espera que a taxa de desemprego se mantenha acima de 10% ao longo de 2020 e caia para 7,7% até o fim do próximo ano.

As provisões do segundo trimestre elevam o total de 2020 dos três bancos para US$ 47 bilhões, mais do que as reservas totais dessas instituições nos últimos três anos.

O pessimismo das previsões dos bancos contrasta com as estimativas do governo de Washington. A Casa Branca prevê forte recuperação econômica e disse que a previsão está intacta mesmo com o avanço do vírus e a ameaça de novas quarentenas.

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JPMorgan rebaixa ações emergentes e reforça aposta nos EUA

(Bloomberg) — O JPMorgan Chase rebaixou a recomendação para ações de mercados emergentes para neutra, destacando problemas no rali atual.

Nenhum dos fatores que alimentaram os ganhos das ações de países em desenvolvimento no último mês, incluindo a busca de valor, o fraco desempenho do dólar e melhor desempenho dos lucros deve permanecer, disseram estrategistas do JPMorgan em relatório.

Em contrapartida, a equipe decidiu estar overweight em ações dos EUA que, segundo análise do banco, devem liderar os retornos de investidores no segundo semestre.

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“Consideramos o risco-recompensa relativo de mercados emergentes pouco atraente para o segundo semestre, acreditando que os EUA retornarão à liderança regional”, escreveram Mislav Matejka, Prabhav Bhadani e Nitya Saldanha.

A visão do JPMorgan recomenda cautela em meio ao avanço liderado pela liquidez, que levou o índice MSCI Emerging Markets a subir 32% em relação à mínima de março e colocou o indicador na rota para o melhor trimestre desde 2009. Uma série de estímulos de bancos centrais e possível alívio das tensões comerciais EUA-China têm compensado o receio de atraso da recuperação econômica devido a uma segunda onda do vírus.

“Os mercados emergentes poderiam começar a ter um desempenho muito melhor se o dólar cair significativamente, se a M1 da China (oferta monetária) subir e se a relação EUA-China melhorar, em vez de se deteriorarem daqui para frente”, disseram os estrategistas. Mas o JPMorgan destaca que as previsões do banco não apontam para esse cenário.

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JPMorgan vê tensão política em alta após prisão de Queiroz

Fabrício Queiroz Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (foto: Polícia Civil)

O JP Morgan manteve sua projeção de que o Banco Central fará um corte de 0,50 ponto porcentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), levando a taxa básica de juros, a Selic, para 1,75% ano. Já no cenário político, o banco americano vê o início de um “novo capítulo da saga política” com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, de acordo com relatório divulgado neste final de semana.

Para os estrategistas do JP, a prisão de Queiroz aumenta a tensão política no Brasil, pois aproxima as investigações da família do presidente Jair Bolsonaro.

Sobre a taxa básica de juros, o JP Morgan avalia que a inflação abaixo da meta da autoridade monetária e um cenário de crescimento econômico mais preocupante do que constou no comunicado da última reunião – que reduziu a Selic para 2,25% e sinalizou a possibilidade de corte “residual” pela frente – apoiam a previsão de redução de 0,50 ponto.

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O maior risco para um corte de 0,50 ponto na reunião de agosto é o cenário fiscal, alerta do JP Morgan. Até agora, o governo manteve o aumento de gastos públicos para conter os efeitos da pandemia de coronavírus restrito a 2020, mas pressões para estender estas despesas para 2021 ou sinais de que a âncora fiscal pode ser abandonada pelo Planalto podem afetar os próximos passos do BC, observa o relatório.

A visão do JP Morgan é que o ajuste fiscal será retomado em 2021. Por isso, o BC vai cortar a Selic para 1,75%, mantendo as taxas neste nível historicamente baixo até o segundo semestre do ano que vem.

Indicadores, como o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) divulgado na semana passada, apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no segundo trimestre pode vir levemente melhor que o esperado pelo banco americano, destaca o relatório. O JP prevê para o período contração trimestral anualizada de 51%. O IBC-Br caiu 9,73% em abril ante março, enquanto o JP esperava recuo de 12%.

Contudo, os recentes eventos políticos e a evolução da pandemia do coronavírus, que desacelerou o ritmo de expansão, mas ainda não dá sinais de estabilização, indicam que a fraqueza na atividade econômica pode ser mais prolongada. Assim, o JP Morgan manteve sua previsão de queda de 7% no PIB brasileiro este ano.

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JPMorgan projeta alta de 13% para ações na América Latina

(Bloomberg) — As ações latino-americanas devem continuar se beneficiando do cenário de ampla liquidez e melhores perspectivas para a recuperação econômica global, de acordo com o JPMorgan.

“As questões idiossincráticas estão em segundo plano por enquanto e o ponto é se haverá apetite global por risco ou não”, disse Emy Shayo, estrategista de ações para América Latina do banco. “Há espaço para ganhos, apesar do estrutural pior.”

O JPMorgan espera que o índice MSCI EM Latin America encerre o ano a 2.200 pontos – sugerindo alta de cerca de 13% em relação aos níveis atuais. O índice acumula queda de 33% neste ano, em meio ao severo impacto da pandemia sobre as economias da região.

O banco tem recomendação overweight para Brasil e Peru, neutra para Chile e Colômbia, e underweight para Argentina e México.

No Brasil, os juros em queda devem continuar estimulando a migração para ações, enquanto os lucros corporativos devem retornar aos níveis de 2019 já no próximo ano, segundo Shayo.

Em relação às reformas, a estrategista disse que o governo brasileiro ainda parece comprometido com o equilíbrio fiscal, apesar da recente turbulência no cenário político. Nesta quarta-feira, o ministro da Economia Paulo Guedes disse que a agenda de reformas estruturantes será retomada em um prazo de 60 a 90 dias. (leia mais aqui)

“Talvez não haja nada tão revolucionário quanto a reforma da Previdência, mas acredito que a agenda de reformas pode ser retomada”, disse Shayo, acrescentando que temas como a lei do saneamento podem ganhar tração no curto prazo.

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JPMorgan e Citigroup divergem sobre direção do mercado

(Bloomberg) — As maiores firmas de Wall Street estão divididas sobre o rumo dos mercados.

Embora a maioria dos ativos de risco esteja bem distante das mínimas de meados de março, quando a incerteza sobre o impacto global do surto de coronavírus estava no auge, há pouco consenso sobre o que está por vir. No centro do debate está a eficácia a longo prazo dos enormes estímulos de bancos centrais e governos.

O Citigroup, por exemplo, não entende o avanço “intrigante” dos mercados acionários,

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“A resposta política abrangente, liderada por ampla liquidez fornecida pelos bancos centrais, provavelmente contribuiu para o movimento nos mercados”, disseram economistas como Igor Cesarec e Catherine Mann, em nota quinta-feira. “No entanto, como não está claro que os mercados possam ser sustentados indefinidamente, é preciso cautela. Os ativos de risco podem ser frágeis quando a fria e dura realidade econômica bater novamente.”

Por outro lado, o JPMorgan Chase vê o avanço do mercado acionário como justificado e avalia que pode continuar.

“Embora o colapso da atividade econômica seja histórico, o mesmo vale para a resposta de política global para amortecer o impacto e apoiar a recuperação”, escreveram estrategistas liderados por Marko Kolanovic em relatório na quinta-feira. “Esperamos que ativos de risco continuem se recuperando com a abertura das economias e com o apoio político sem precedentes, embora esperemos uma moderação no ritmo de ganhos.”

O índice MSCI AC World acumula alta de cerca de 25% desde 23 de março, embalado pela maior confiança dos investidores em relação a uma série de políticas mundiais para compensar o impacto econômico da pandemia. O indicador global havia caído 34% em relação à máxima de fevereiro, quando a preocupação com o vírus atingiu o pico.

Perspectivas

Goldman Sachs e Morgan Stanley veem os ganhos em grande parte intactos, mas com ressalvas.

O Goldman atribui a valorização do mercado a uma estabilização das taxas de infecção pelo vírus e à melhora das medidas de financiamento e estresse de liquidez.

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“Os mercados continuarão analisando as más notícias sobre a profundidade da crise econômica, se podem continuar sustentando a opinião de que uma parte considerável dos danos recentes será revertida até o fim do próximo ano”, disseram estrategistas como Zach Pandl em nota, na terça-feira.

O Morgan Stanley também se sente à vontade com a disparidade entre o desempenho dos preços dos ativos e os fundamentos, observando que os mercados tendem a liderar a economia, e se preocupam mais com a taxa de mudanças do que com os níveis absolutos.

“Divergências entre mercado e economia são comuns em extremos econômicos”, escreveram estrategistas como Andrew Sheets em relatório na quinta-feira. “A taxa de mudança é fundamental: uma recuperação em forma de ‘U’ é boa; em ‘W’, não é.”

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