Ação da Vale cai 5%, abaixo de R$ 100, com derrocada do minério; Petrobras têm baixa com petróleo, bancos passam a cair

SÃO PAULO – Maior aversão ao risco após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sugerir que pode começar a reduzir suas compras de ativos antes do fim do ano, preocupações sobre possível aperto regulatório na China, avanço da variante delta do coronavírus pelo mundo.

Tudo isso leva a um maior mau humor dos investidores. O impacto é principalmente nas commodities, com as crescentes preocupações com a produção de aço na China (tanto por medidas do próprio país quanto pelo risco da variante delta) afetando o mercado. O minério de ferro caiu 12% e Singapura e 7% em Dalian, na China, contribuindo para a derrocada de cerca de 5% da ação da Vale (VALE3), que opera abaixo de R$ 100 pela primeira vez desde abril.

CSN (CSNA3) tem queda ainda mais forte, de quase 6%, Usiminas (USIM5) tem baixa de cerca de 4%, enquanto Gerdau (GGBR4) tem perdas menores, mas ainda assim acima de 2%.

A sessão também é de perdas para os principais contratos futuros do WTI e do brent, que caem cerca de 3%, e também afeta Petrobras (PETR3;PETR4), com baixa de cerca de 2%.  PetroRio (PRIO3) abriu em queda forte, mas passou a operar perto da estabilidade. Em relatório, o BBI destacou preferência pela ação da companhia no setor de petróleo e gás no Brasil em meio ao cenário mais volátil (veja mais clicando aqui).

Os bancos chegaram a amenizar as perdas do índice ao registrarem ganhos, mas a maior parte deles passaram a ter queda, caso de Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), enquanto Banco do Brasil (BBAS3) opera quase estável.

As ações da Eneva (ENEV3), por sua vez, avançam mais de 2% após a companhia ter a recomendação iniciada pelo Bank of America com preço-alvo de 19,00, um potencial de alta de 24% em relação ao fechamento da véspera.

Confira mais destaques abaixo:

A Vale comunicou que recebeu “com surpresa”, pela mídia, a notícia de que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) propôs um incidente de desconsideração da personalidade jurídica da Samarco, em que solicitou que suas duas sócias fossem integradas ao processo de recuperação judicial em curso. A mineradora afirma que não foi formalmente notificada da ação, e apresentará a sua defesa no prazo legal.

O MP-MG entrou com uma ação judicial na qual pede que a brasileira Vale e a australiana BHP Bilinton, donas da Samarco, arquem com todas as dívidas de sua controlada, que somam cerca de R$ 50 bilhões, conforme o pedido de recuperação judicial da empresa.

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Ainda no radar, a Vale informa que assinou um Memorando de Entendimento com a Ternium, no qual ambos concordaram em buscar oportunidades para desenvolver soluções para a siderurgia focadas na redução das emissões de gás carbônico.

A Vale e a Ternium pretendem desenvolver estudos de viabilidade econômica de potenciais investimentos em (a) uma planta de briquetes de minério de ferro localizada nas instalações da Ternium Brasil; e (b) plantas para produzir metálicos com baixa emissão de carbono, utilizando a tecnologia Tecnored, HYL e outras tecnologias para a redução de ferro.

A Petrobras retomou o processo de arrendamento do seu Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bahia para a texana Excelerate Energy, única a apresentar proposta em uma licitação do ativo feita em junho.

O negócio havia sido interrompido pela desclassificação da empresa norte-americana, que recorreu e retirou do contrato os “vícios insanáveis” apontados pela Petrobras para sua desclassificação.

Ainda em destaque, a Petrobras ampliou a oferta de combustíveis para térmicas, o que permitiu aumentar, em nove meses (de setembro de 2020 a junho de 2021), a geração termelétrica de suas usinas e de clientes de cerca de 2 mil megawatts (MW) para quase 8 mil MW.

A Copel lançou na quarta o Programa de Demissão Incentivada (PDI), em função da venda da Copel Telecom. Segundo a empresa, o PDI é estimado em R$ 80,6 milhões de indenizações, com prazo para adesão no período de 18 a 31 de agosto deste ano e com os desligamentos previstos para 15 de fevereiro de 2022.

A Braskem confirmou que fechou com a Nexeo Plastics uma parceria de distribuição de filamento de polipropileno (PP) e pellets para fabricação de aditivos. O acordo irá ampliar a distribuição internacional dos produtos da petroquímica para a América do Norte e Europa.

A Ambipar informou que apresentou à CVM pedido de oferta pública inicial de distribuição primária de ações de sua controlada Environmental ESG Participações, que atua no segmento de soluções ambientais para gestão e valorização de resíduos pós e pré-consumo e na gestão de gases do efeito estufa e originação de créditos de carbono.

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A agência Standard & Poor’s elevou de estável para positiva a escala global da JBS, com a classificação de crédito em BB+, informou a segunda maior companhia de alimentos do mundo nesta quarta-feira.

Vinci Partners (NASDAQ:VINP)

A Vinci Partners, que abriu seu capital em janeiro deste ano na Nasdaq, fechou o segundo trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 53,4 milhões, representando uma alta de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seis meses, o lucro foi de R$ 100,4 milhões, um crescimento de 53% em relação ao mesmo período no ano anterior.

O Itaú BBA avalia que os resultados divulgados pela Vinci Partners relativos ao segundo trimestre de 2021 ficaram levemente acima de suas estimativas. O lucro ficou 4% acima da projeção do banco, que mantém recomendação outperform para a empresa, e preço-alvo para 2021 em US$ 18 para os papéis VINP, negociados por US$ 13 na quarta na Nasdaq.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

A Alliar (Centro De Imagem Diagnósticos) informou que a Rede D’Or comprou mais 63 mil ações ordinárias de emissão da companhia nesta quarta-feira, 18, totalizando R$ 721,95 mil, após outras aquisições informadas na segunda e terça-feira. Até esse momento, a empresa possui 3,708 milhões de ações da Alliar.

A companhia de alimentos BRF inaugurou na quarta-feira uma nova fábrica de salsichas localizada em Seropédica (RJ), com investimento em torno de R$ 300 milhões, atenta a uma demanda excedente pelo produto que ganhou fôlego durante a pandemia da Covid-19.

Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre anunciou na quarta-feira acordo para ser acionista do Aleph Group com a aquisição de participação de US$ 25 milhões na empresa de mídia digital, que opera na América Latina por meio da Internet Media Services (IMS).

Após a alteração de seu nome, a antiga Duratex, que agora se chama Dexco, vai mudar o seu ticker na Bolsa de DTEX3 para DXCO3, com mudança que passe a valer a partir do pregão desta quinta.

A Sinqia, provedora de tecnologia e inovação para o mercado financeiro, anunciou parceria com a TechRules. A parceria será por meio do Torq Ventures – programa de Corporate Venture Capital (CVC) da empresa.

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A TechRules é uma empresa espanhola líder em consultoria e fornecimento de software de gerenciamento de patrimônio para entidades financeiras a nível internacional.

“Com o acordo, a Sinqia passará a oferecer soluções robustas e escaláveis, por meio de APIs para o serviço de private wealth, incluindo a gestão de grandes fortunas”, destaca a companhia em comunicado.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Ibovespa fecha em leve alta puxado por Itaú e frigoríficos; dólar sobe em dia de baixa do petróleo e minério

Gráfico de ações (Shutterstock) Gráfico de ações (Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (9), com a baixa dos preços do petróleo e do minério de ferro sendo ofuscada pelo bom desempenho das ações de Itaú ([ativo=ITUB4) e frigoríficos. Os papéis do maior banco privado do país registraram ganhos de 1,2% hoje, com participação de 6,6% no índice.

Segundo Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, o principal destaque do dia foi a expectativa pelos resultados de frigoríficos, já que amanhã será divulgado o balanço da Marfrig ([ativo=MRFG3]; +3,66%) e hoje a americana Tysson Foods subiu 8,7% na NYSE depois de fortes números no segundo trimestre.

Como os frigoríficos brasileiros têm forte exposição ao mercado dos Estados Unidos, eles também repercutem o aumento de demanda por carne na maior economia do mundo. JBS (JBSS3) teve alta de 1,07%, BRF (BRFS3) avançou 1,31% e Minerva (BEEF3) viu suas ações se valorizarem em 4%. Juntos, os papéis dos quatro frigoríficos respondem por 3,32% da composição do benchmark.

No front político, a semana já começou agitada com a entrega da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios e da Medida Provisória (MP) que aumenta o benefício do Bolsa Família. O programa será rebatizado para “Auxílio Brasil”.

Já para commodities metálicas e combustíveis as notícias foram negativas. No fim de semana, a Administração Geral Aduaneira da China divulgou que o país teve um crescimento de 19,3% nas suas exportações em julho, um pouco abaixo dos 20% esperados pelo mercado, e de 28,1% nas importações, número consideravelmente menor que os 31,7% previstos e desacelerando ante a expansão de 36,7% em junho.

Há preocupações com o avanço da variante delta do coronavírus e com as enchentes e condições climáticas extremas que impactaram fábricas e portos no mês passado. As compras de petróleo na China ficaram abaixo de 10 milhões de barris por dia pelo quarto mês seguido em julho e mostram queda de quase 6% no ano, motivo por que hoje o barril do petróleo tipo Brent – usado como referência pela Petrobras – caiu 2,35% a US$ 69,04.

Os contratos futuros do minério de ferro negociados na Bolsa de Dalian, por sua vez, despencaram 4,43%, e ficaram cotados a 852,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 131,59 por tonelada. No caso dessas commodity, as medidas chinesas de proteção do meio ambiente levaram o país a registrar no mês passado sua primeira redução na produção diária de aço em comparação com o ano anterior.

As ações de Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) recuaram 0,7% e 0,63% respectivamente.

Foi divulgado também o índice de inflação do consumidor relativo a julho na China, que teve alta de 1% em relação a um ano antes, frente alta de 1,1% no mês anterior e abaixo da meta do governo de 3% em relação a um ano antes.

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Ainda no exterior, no domingo, senadores americanos se reuniram para discutir a aprovação de uma lei que investirá US$ 1 trilhão em infraestrutura, uma prioridade política do presidente Joe Biden. Assim, o Senado deverá realizar a votação final do projeto na terça.

O Ibovespa teve alta de 0,17%, a 123.019 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 25,372 bilhões

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,21% a R$ 5,247 na compra e a R$ 5,247 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro registra leve variação positiva de 0,1% a R$ 5,253 no after-market.

“No Brasil, se tanto petróleo como minério continuarem caindo, dificilmente veremos o dólar mais para baixo”, defende Jansen Costa, lembrando que o Brasil é exportador de commodities.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu quatro pontos-base a 6,52%, DI para janeiro de 2023 teve alta de quatro pontos-base a 8,21%, DI para janeiro de 2025 avançou nove pontos-base a 9,13% e DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de 12 pontos-base a 9,50%.

Voltando ao cenário político doméstico, as medidas almejadas por Bolsonaro para 2022 compiladas pela Folha, caso aprovadas, teriam um custo total de R$ 67 bilhões – desoneração do diesel (R$ 26 bilhões), ampliação do Bolsa Família (R$ 25 bilhões), reforma tributária (R$ 7,7 bilhões), aumento de salários ao funcionalismo (R$ 5 bilhões), vale-gás (R$ 3 bilhões) e programas de emprego (R$ 300 milhões).

Também no radar, o relator do projeto de reforma do Imposto de Renda, Celso Sabino (PSDB-PA), acredita na votação da proposta já nesta terça-feira.

Relatório Focus

Os economistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o Relatório Focus do Banco Central. De 6,79% na semana passada, agora a mediana das projeções para o indicador oficial de inflação é de 6,88% para o ano de 2021.

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Já para 2022, as expectativas foram elevadas de 3,81% para 3,84%.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas se mantiveram em crescimento de 5,3% para 2021, mas foram reduzidas de 2,10% para 2,05% em 2022.

Sobre o câmbio, a previsão mediana é de que o dólar encerre o ano cotado a R$ 5,10, mesmo número esperado na semana passada. Para 2022, também se mantiveram as estimativas de dólar a R$ 5,20.

Por fim, para a taxa básica de juros, Selic, as projeções foram elevadas de 7,00% ao ano ao fim de 2021 para 7,25% ao ano no final do mesmo período. A revisão reflete o tom menos tolerante com inflação adotado pelo Copom na última decisão de juros. Em 2022 os economistas também esperam Selic a 7,25% ao longo de todo o ano.

Covid no Brasil

No domingo (8), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 941, queda de 15% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 388 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 35.529, o que representa queda de 28% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 13.691 casos.

Chegou a 107.100.798 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 50,58% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 45.513.921 pessoas, ou 21,49% da população.

Na sexta o ministro da Saúde Marcelo Queiroga e o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disseram que as áreas técnicas do ministério e da secretária analisarão se São Paulo retirou doses a mais da CoronaVac, envasada pelo Instituto Butantan, vinculado ao governo do Estado. Em caso positivo, discutirão juntos como será feita a compensação.

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Na quarta, autoridades de saúde paulistas haviam afirmado que o Estado recebeu somente metade das doses previstas da vacina da Pfizer contra Covid-19 e cobraram o envio imediato do montante que estaria faltando.

No mesmo dia, o ministério afirmou que foi feita uma compensação, pois São Paulo teria retirado mais doses da CoronaVac do que o previsto em remessas passadas, o que foi negado pelo governo paulista.

Na sexta, a A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou hoje mais 1 milhão de doses da vacina AstraZeneca ao Ministério da Saúde para reforçar o Programa Nacional de Imunizações (PNI), sendo dividida por todas as unidades da federação.
E no domingo chegou ao Brasil um lote de 1 milhão de doses de vacinas contra covid-19 da Pfizer.

Radar Político

Ainda em destaque, segundo reportagem de capa publicada nesta segunda no jornal O Estado de S. Paulo, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou “risco extremo de sobrepreço” convênios do Ministério do Desenvolvimento Regional (M-DR) para a compra de tratores e equipamentos secretos.

Os recursos partem do chamado “orçamento secreto”, revelado pelo jornal paulista. Em troca de apoio no Congresso, um grupo de deputados e senadores passou a definir a distribuição de ao menos R$ 3 bilhões sem que o valor passasse por órgãos de controle. Uma parte do dinheiro foi usada para a compra de máquinas pesadas a preços indicados pelos políticos que ficam acima da tabela de referência do ministério, em uma operação que ficou conhecida como “tratoraço”.

Segundo o Estadão, na época em que a reportagem foi publicada, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, questionou o risco de sobrepreço, e pediu a auditoria da CGU, que apontou que, em 115 convênios celebrados “o risco de sobrepreço foi considerado alto (valores entre 10% e 25% acima dos praticados no mercado) ou extremo (acima de 25%)”.

Além disso, segundo duas fontes ouvidas pela agência internacional de notícias Reuters, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, desaprova a ideia de excluir precatórios do teto de gastos. Líderes parlamentares vêm avaliando a medida como solução para a pressão que essas despesas exercem hoje sobre o Orçamento.

Precatórios são requisições de pagamento expedidas pela Justiça em favor de pessoas jurídicas e físicas após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais. Dentro do ministério, prevalece a ideia de que a melhor saída para equacionar a questão seria dar à União aval para parcelar os precatórios.

Com o parcelamento haveria abertura de espaço de R$ 30 bilhões no Orçamento. Com a retirada dos precatórios do teto de gastos, seriam abertos R$ 50 bilhões no Orçamento.

De acordo com uma das fontes, a retirada do teto eliminaria qualquer incentivo para a gestão dessa despesa, que tem crescido vertiginosamente e está estimada em cerca de R$ 90 bilhões para 2022, contra R$ 55 bilhões em 2021. A título de comparação, o orçamento do Bolsa Família para este ano se aproxima de R$ 35 bilhões.

Como os precatórios são gastos obrigatórios, sua expansão acelerada acaba comendo espaço, sob a regra do teto de gastos, para outras despesas do governo, incluindo o almejado aumento do Bolsa Família, que tem sido prometido em bases quase diárias pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Fazer exceção ao teto é ruim. Começa com isso e termina com o quê?”, disse a fonte, em referência à regra que é considerada atualmente a única âncora fiscal do país.

A definição do caminho para diminuir a conta de precatórios em 2022 está hoje no centro de um impasse ligado à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, que já tinha sido finalizada no meio desta semana pelo Ministério da Economia.

Havia a expectativa de que o texto, que propõe o parcelamento dessas despesas, fosse rapidamente enviado ao Congresso, mas a tramitação acabou sendo empacada por objeções aos pilares da proposta.

O governo tem interesse em liberar espaço no Orçamento para impulsionar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em ano eleitoral. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, entre as medidas estudadas estão isenção para o diesel (R$ 26 bilhões), reajuste salarial para servidores (R$ 5 bilhões) e reforma tributária, que retira R$ 7,7 bilhões de estados e municípios. No total, o pacote soma R$ 67 bilhões, pressionando o Ministério da Economia, afirma o jornal.

Além disso, na sexta o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou em entrevista à GloboNews que nem o presidente Jair Bolsonaro nem qualquer cidadão pode fazer ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ao mesmo tempo, defendeu a manutenção do diálogo entre os Poderes para solucionar o que chamou de uma crise “perene” que, disse, está se abatendo sobre o Brasil há algum tempo.

Pacheco também considerou graves as ameaças feitas na semana passada por Bolsonaro de que poderia jogar fora das quatro linhas da Constituição.

“Evidentemente que nem o presidente da República nem qualquer cidadão pode agredir a Suprema Corte do país. Pode questionar, pode criticar, pode apontar equívocos, mas agressões e ironias não cabem em uma relação que pretende ser institucional, republicana e respeitosa”, afirmou Pacheco à emissora.

Ao mesmo tempo, o presidente do Senado, que também é presidente do Congresso Nacional, disse esperar que, em algum momento, seja realizada uma reunião entre os chefes de Poderes.

Pacheco manifestou confiança no sistema eletrônico de votação, que vem sendo duramente atacado e questionado sem provas pelo presidente Jair Bolsonaro, e disse que a maioria dos senadores é favorável à manutenção do sistema proporcional para escolha de deputados e vereadores.

“Afirmo, em nome do Senado Federal, a minha mais absoluta confiança no sistema eleitoral brasileiro, sobre o qual há questionamentos e críticas, mas não há nenhum fundamento concreto de nenhuma vulnerabilidade ou de alguma prática de fraude, de modo que nós não podemos, com base num discurso ou com base numa teoria, modificar um sistema que até poucos anos atrás era motivo de orgulho para os brasileiros”, disse.

“O Congresso Nacional vai se pronunciar, e começou ontem com uma comissão da Câmara dos Deputados dizendo que não se deve alterar o sistema eleitoral eletrônico no Brasil“, acrescentou ele, afirmando ainda que espera que a discussão sobre o voto impresso esteja em breve exaurida.

“Eu sinto que a vontade da maioria do Congresso Nacional neste momento é a preservação do sistema eletrônico de votação.”

É esperado que o presidente Jair Bolsonaro entregue pessoalmente nesta segunda-feira a Medida Provisória do Auxílio do Brasil e a PEC dos Precatórios ao Congresso Nacional . As medidas almejadas por Bolsonaro para 2022 compiladas pela Folha, caso aprovadas, teriam um custo total de R$ 67 bilhões – desoneração do diesel (R$ 26 bilhões), ampliação do Bolsa Família (R$ 25 bilhões), reforma tributária (R$ 7,7 bilhões), aumento de salários ao funcionalismo (R$ 5 bilhões), vale-gás (R$ 3 bilhões) e programas de emprego (R$ 300 milhões). Já o relator do projeto de reforma do IR, Celso Sabino, acredita na votação da proposta já nesta terça-feira.

Radar corporativo

A quitação de passivos ambientais pela Petrobras é uma das alternativas avaliadas para o governo federal obter recursos que financiem o chamado vale-gás, programa que beneficiaria famílias carentes atingidas pela disparada do preço do produto, disseram duas fontes próximas nas negociações. Um fundo abastecido com pagamentos das multas ambientais da estatal bancaria o auxílio social que vem sendo anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro.

O Palácio do Planalto encomendou estudos para minimizar o custo do gás de cozinha, item básico da população, após o valor do produto da Petrobras às distribuidoras subir cerca de R$ 1 por quilo no acumulado do ano, para R$ 3,60 por quilo. Em 2021, o produto subiu 37,5% e 40% em praças como Paulínia (SP) e Duque de Caxias (RJ), segundo dados da Petrobras, que aprovou seis altas consecutivas neste ano, na esteira da recuperação dos preços do petróleo.

A Eletrobras informou na sexta-feira que a usina hidrelétrica Curuá-Una, cuja concessão pertence à controlada Eletronorte, está incluída no escopo do processo de privatização da companhia e deverá ser objeto de uma nova outorga de geração de eletricidade. Com isso, de acordo com comunicado publicado pela estatal, haverá inclusão, no cálculo do processo, do valor adicionado a ser pago pela Eletrobras pelas novas concessões.

O Carrefour Brasil informou na sexta-feira que seu conselho de administração elegeu Marco Aparecido de Oliveira como presidente da unidade Atacadão. Oliveira já dividia a liderança da divisão nos últimos dois anos com Roberto Müssnich, que seguirá no grupo até o fim deste ano.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
BEEF3 3.9953 8.85
BPAC11 3.91766 31.3
SUZB3 3.81215 56.37
UGPA3 3.80117 17.75
MRFG3 3.66437 19.52

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
JHSF3 -2.20493 7.54
ELET3 -1.89091 40.47
LAME4 -1.78571 6.6
CVCB3 -1.70151 20.22
YDUQ3 -1.65441 26.75

A Notre Dame Intermédica informou na sexta-feira que recebeu homologação para prestar serviços de assistência dental a servidores públicos de Belo Horizonte, valendo a partir de 1º de dezembro. Segundo a empresa, cerca de 20 mil servidores da capital mineira optaram por contratar plano de saúde através da modalidade de adesão.

A BRF anunciou nesta sexta-feira investimentos de R$ 171 milhões na operação do Rio Grande do Sul, enquanto os produtores integrados da empresa no Estado também devem alocar um total de R$ 181 milhões em suas estruturas para aumentar a capacidade de alojamento e modernizar as instalações. Segundo comunicado, o aporte da BRF será direcionado para a modernização e ampliação das unidades produtivas em Marau, Serafina Corrêa e em Lajeado, além de uma nova fábrica de rações em Gaurama.

​​A Gerdau anunciou na sexta-feira que vai investir R$ 6 bilhões em Minas Gerais nos próximos cinco anos em aumento de capacidade produtiva de laminados e em outras iniciativas que incluem energia. Executivos da empresa já tinham informado na quarta-feira que a companhia vai instalar um novo laminador de bobinas a quente na usina de Ouro Branco, com capacidade para mil toneladas por ano, além de uma nova máquina de perfis estruturais com capacidade para 500 mil toneladas.

Já a indústria de alimentos M.Dias Branco registrou lucro líquido de R$ 142,3 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa uma retração de 6,6% ante o reportado no mesmo período do ano passado, segundo informações divulgadas pela empresa na sexta.

Depois do fechamento, atenção para os resultados de Blau, BR Partners, Direcional, Iguatemi, Minerva, Mobly, Even, Fras-le, Itaúsa, Melnick, Mitre e São Martinho.

O Conselho de Administração da Unidas aprovou a realização da 21ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor de R$ 1,1 bilhão. As debêntures serão em série única, da espécie quirografária, com adicional e prazo de 10 anos. Há possibilidade de a quantidade de 1,1 milhão de debêntures serem elevadas em 20%.

A sessão também marca a estreia das ações da Viveo. A distribuidora de produtos médicos precificou na quinta-feira sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a R$ 19,92 por papel. As ações negociam com o código ‘VVEO3’.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil lucram juntos 63% mais no 2º tri, mas qual foi o maior destaque?

SÃO PAULO – Uma alta de 63% dos lucros no segundo trimestre de 2021, a R$ 22 bilhões, na comparação com o mesmo trimestre de 2020, mas uma quase estabilidade frente o primeiro trimestre de 2021.

E, se por um lado, há expectativa de normalização da atividade com a vacinação e revisões para cima de algumas projeções, por outro, sinais de maior concorrência e de aumento de inadimplência seguem no radar, ainda que a níveis controlados e bastante monitorados.

Tendo em vista todas essas indicações no radar, as grandes instituições financeiras diminuíram as suas provisões para calotes e retomaram o ritmo de crédito, conforme mostraram Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) durante a divulgação de resultados do segundo trimestre de 2021.

“A partir de agora já vivenciamos a perspectiva de um cenário mais próximo ao do pré-pandemia”, disse o presidente do Bradesco (BBDC3;BBDC4), Octavio de Lazari, na última semana.

Após apurar lucro de R$ 6,5 bilhões no segundo trimestre, o Itaú Unibanco (ITUB4) elevou a perspectiva para o crédito neste ano e passou a prever crescimento de até 11,5%. O destaque positivo entre os resultados, de acordo com a maior parte dos analistas, foi justamente para esse banco, que reportou um lucro líquido cerca de 56% maior na comparação anual, a R$ 6,54 bilhões.

Confira os dados de lucro líquido gerencial dos maiores bancos listados na Bolsa: 

Instituição financeira Lucro 2T20 (em R$ milhões) Lucro 1T21 (em R$ milhões) Lucro 2T21 (em R$ milhões) 2T21/2T20 (em %) 2T21/1T21 (em %)
Santander 2.136 4.012 4.171 +95,3% +4%
Itaú 4.205 6.398 6.543 +56% +2%
Bradesco 3.873 6.515 6.319 +63% -3%
Banco do Brasil 3.311 4.913 5.039 +52% +3%
Total 13.525 21.838 22.072 +63,2% +1%

A rentabilidade do Itaú medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido foi a 18,9%, ante 18,5% no primeiro trimestre de 2021, com a surpresa positiva vindo de maior receita líquida de juros (em alta de 2,8%), menores despesas com provisões (queda de 8,2%) e melhores receitas com tarifas (alta de 2,8%), conforme destacado o Bradesco BBI. Contudo, os números foram parcialmente compensados por maiores despesas operacionais (alta de 2,7%) e uma maior taxa efetiva de imposto de 36,2%, apontam os analistas.

A carteira de crédito ficou praticamente estável em relação ao trimestre anterior e atingiu R$ 909,1 bilhões, um crescimento de 12% na base anual. A inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 2,3%. Os analistas da Levante apontam que, apesar dessa estabilidade na inadimplência ser positiva, é importante notar que o prazo de diversos empréstimos foi prorrogado. Desta forma, é possível vermos uma deterioração deste número no segundo semestre.

O Itaú também divulgou uma visão mais positiva do guidance, revisando a sua projeção de crescimento do crédito para 8,5-11,5% (de 5,5-9,5% anterior) e receita líquida de juros com o mercado para R $ 6,5-8,0 bilhões (de R $ 4,9-6,4 bilhões), enquanto revisou para baixo seu guidance de encargos de provisão para R $ 19,0-22,0 bilhões (de R $ 21,3-24,3 bilhões). Entretanto, o guidance para a margem financeira com clientes foi mantido em +2,5-6,5%, as receitas com tarifas em + 2,5-6,5%, as despesas operacionais em -2,0 a + 2,0% e a taxa de imposto em 34,5-36,5%.

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“Em nossa visão, o Itaú apresentou um conjunto sólido de resultados no segundo trimestre e com melhor qualidade,
além de emitir uma revisão positiva do guidance. Continuamos a ver tendências positivas para o lucro líquido de juros nos próximos trimestres, à medida que o crescimento dos empréstimos continue a acelerar devido a uma melhor combinação, enquanto as receitas com tarifas também foram uma surpresa positiva”, aponta o BBI.

A XP destacou que houve uma surpresa positiva no balanço: o banco foi capaz de produzir um resultado sólido e, ao mesmo tempo, melhorou a qualidade dos ativos e o índice de cobertura – relação entre empréstimos inadimplentes e provisões.

Bradesco: seguro pesa sobre o resultado, mas a expectativa é de recuperação

Já na ponta negativa, esteve o Bradesco (BBDC3BBDC4), cujas ações caíram mais de 4% após a divulgação do balanço. O banco teve  lucro líquido recorrente de R$ 6,319 bilhões no segundo trimestre de 2021, aumento de 63,2% ante o mesmo período do ano passado e queda de 3% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

O aumento do lucro ocorreu por diversos fatores, como maiores receitas com prestação de serviços, crescimento da margem financeira com clientes, menores despesas operacionais e menores despesas com provisões para devedores duvidosos. Porém, o número foi abaixo do esperado. Segundo dados compilados pela Refinitiv, a expectativa média dos analistas para o lucro do Bradesco era de R$ 6,454 bilhões.

O desempenho mais fraco do que o esperado reflete principalmente um resultado bem inferior em seguros e mais tímido em crédito.

As operações de seguros, previdência e capitalização tiveram queda de 49,8% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e de 58,3% ante o mesmo período no ano passado, representando R$ 1,57 bilhão. O segmento tinha perspectiva de 2% a 6%, mas após o resultado trimestral, a instituição financeira prevê uma variação entre queda de 15% a 20% para 2021.

O desempenho do segmento foi impactado pela elevação do índice de sinistralidade, que foi afetado pela frequência dos eventos relacionados à Covid-19, por conta do aumento da necessidade de assistência médico-hospitalar, diagnósticos, consultas, internações, eventuais consequências pós Covid-19, retomada dos procedimentos eletivos e indenizações nos produtos de “Vida”.

Contudo, em teleconferência, o banco destacou esperar melhora na área de seguros com redução de despesas a partir da segunda metade do ano, conforme os casos de Covid e internações recuam.

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A Levante Ideias de Investimentos também aponta que, apesar de seguir tendências semelhantes aos números vistos pelo Santander (SANB11) e Itaú, o crescimento inferior da carteira de crédito e a maior exposição a seguros que os competidores levaram ao resultado abaixo das expectativas.

A carteira de crédito mostrou expansão de 3% na comparação trimestral, puxada por crédito a pessoas físicas, com alta de 5,7%, e a pequenas e médias empresas, com alta de 4,6%.

O Itaú BBA ressalta ainda que a margem financeira com clientes cresceu em menor velocidade; um avanço de 1,9% na passagem trimestral, resultando em uma leve perda de spread bancário (diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos).

O índice de inadimplência, por sua vez, se manteve em 2,5%. A despesa com previsões caiu 11% entre o primeiro e segundo trimestre, para R$ 3,5 bilhões, ficando 6% abaixo das expectativas da XP, o que compensou parcialmente os resultados fracos, mas prejudicou o índice de cobertura do banco (relação entre empréstimos inadimplentes e provisões), com queda de 500 pontos-base. “Vemos isso como negativo, pois os índices de inadimplência podem aumentar em relação aos atuais 2,5% observados no trimestre, aumentando a exposição do banco”, avaliam.

A Levante ainda apontou que o Bradesco se mostrou focado em melhorar sua eficiência com uma queda de 4,1% nas despesas operacionais no trimestre quando comparado com o segundo trimestre de 2020, um bom número, mas uma desaceleração em relação a redução anual de 4,7% vista no trimestre anterior.

Já as receitas de serviço do banco foram um destaque positivo do resultado, com uma melhora de 10,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 8,4 bilhões.

Resultados “mistos”

Já na esteira daqueles que divulgaram resultados considerados “mistos”, estão o Santander Brasil e o Banco do Brasil (BBAS3).

No caso do Santander Brasil, o lucro, a princípio, animou os investidores, ficando acima do esperado ao atingir R$ 4,171 bilhões, no segundo trimestre deste ano, o maior nível da história da instituição, quase o dobro na comparação anual e ficando 5,7% acima do esperado pelo consenso Bloomberg.

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O ROE ficou em 21,6%, acima dos 20,6% registrados no primeiro trimestre deste ano, e muito próximo à rentabilidade de 21,7% obtida um ano antes, quando excluídos os efeitos das provisões extraordinárias realizadas naquele período.

“O Santander Brasil apresentou um bom conjunto de resultados no segundo trimestre, mostrando tendências positivas no crescimento do crédito, com melhor mix e evolução positiva da receita líquida de juros com clientes, e nas receitas de tarifas, refletindo a melhor atividade econômica”, apontaram os analistas do Bradesco BBI.

Entretanto, os analistas do banco destacaram que as provisões aumentaram no trimestre, enquanto o índice de cobertura diminuiu para 263%, embora a taxa de inadimplência se mantenha relativamente sob controle.

A XP também ressaltou esse ponto. Nos últimos balanços, os analistas já haviam destacado que os resultados poderiam ser pressionados mais à frente, uma vez que a instituição possui um menor índice de cobertura em relação aos seus pares no setor; o banco decidiu não fazer tantas provisões quanto as outras instituições.  “No geral, mantemos nossa visão de que o consumo do balanço abaixo do provisionado do Santander não será capaz de sustentar seus ganhos”, avalia a XP.

O Itaú BBA avaliou que os resultados foram positivos, mas ponderou que a margem financeira com clientes alcançou R$ 11,473 bilhões no segundo trimestre, uma alta modesta de 1,6% ante o primeiro trimestre na sequência de menores spreads.

Por fim, na última quarta-feira, foi a vez do Banco do Brasil divulgar seus números, que foram vistos de forma diversa pelos analistas. O BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,039 bilhões no segundo trimestre deste ano, 52,5% superior aos R$ 3,311 bilhões reportados para igual período de 2020. O resultado ficou 2,6% acima do ganho reportado nos primeiros três meses deste ano, de R$ 4,913 bilhões.

A XP destacou que o lucro foi em linha com as estimativas da casa, de R$ 5 bilhões, mas bem acima dos R$ 4,4 bilhões do consenso de mercado (que contava com oito projeções). O resultado, na avaliação da equipe de análise, também apresentou uma boa qualidade de ganhos, considerando que: i) não houve consumo de cobertura; ii) apresentou melhoria de custos; e iii) taxas recuperadas. Além disso, o BB também decidiu revisar seu guidance para cima, com o lucro agora possivelmente atingindo o recorde de R$ 20 bilhões em 2021.

O lucro veio acima da expectativa também do Itaú BBA, “mas a razão desse desempenho não foi das mais nobres”, segundo os analistas do banco. Isso porque foi reflexo de menores provisões e de uma alíquota de imposto menor.

Ao falar sobre a revisão dos lucros para cima, o BBA ressaltou que a estatal reduziu a indicação para margem com clientes, mas também as despesas com provisões – “movimento contrário àquele que normalmente agrada o mercado”. A expectativa para o crescimento da margem financeira bruta foi reduzida de alta entre 2,5% e 6,5% para alta entre 1,0% e 4,0% (provavelmente por maiores despesas de captação), enquanto a expectativa para as provisões foi reduzida de entre R$ 14 bilhões e R$ 17 bilhões para entre R$ 13 bilhões e R$ 15 bilhões.

Também do lado negativo, apontam os analistas, a margem financeira contraiu em 1%, com perda de spread bancário advinda de maiores custos de captação. Por outro lado, as despesas operacionais ficaram estáveis na comparação anual, em R$ 7,9 bilhões. O BB também indicou estabilidade dessa linha no novo guidance, o que é positivo no atual cenário de custos, avaliam os analistas. A carteira segue também com boa qualidade – o índice de inadimplência teve ligeira queda para 1,8%.

Em teleconferência, a administração do banco ainda destacou que o crescimento do lucro líquido recorrente deve ser um pouco menor no segundo semestre em relação ao primeiro, quando lucrou R$ 10 bilhões (alta de 48,4% frente à primeira metade de 2020). Isso porque os encargos de provisão foram anormalmente menores no primeiro semestre.

Além disso, a administração acredita que a receita líquida de juros continuará pressionada por maiores custos de captação em função da alta da Selic, reforçando a avaliação de que um cenário mais competitivo deve limitar o crescimento dos spreads, embora tenham indicado que o mix de crédito deve melhorar no segundo semestre.

Desafios: impacto da reforma tributária e concorrência

O Banco do Brasil também destacou em teleconferência que a  definição da reforma tributária e seus potenciais impactos são essenciais para qualquer decisão de alocação de capital. A empresa destaca seus níveis de capital robustos, mas deve aguardar um cenário menos incerto para tomar uma decisão sobre como consumir a elevada base de capital.

O tema sobre reforma tributária, por sinal, foi destaque entre os bancos. Se a atual proposta do governo da reforma tributária for mantida, o Bradesco avalia que terá que reconhecer no seu balanço uma baixa expressiva de crédito tributário em função das mudanças de alíquotas de impostos previstas. Com relação ao fim do pagamento de  juros sobre o capital próprio (JCP), a previsão é que isso intensifique a recompras de ações, que seria uma forma de dar retorno aos acionistas.

“Cada vez o governo tem uma proposta diferente, mas considerando a última, nós e outros bancos teremos que fazer uma baixa expressiva de crédito tributário no fim do ano. Mas levando em conta todas as mudanças, ainda vemos um efeito positivo para o acionista”, disse Carlos Firetti, diretor de relações com investidores do Bradesco.

Já Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, disse que a reforma tributária é essencial e vai na direção correta, mas disse que é preciso se pensar em modelos de transição para alguns pontos. Isso por conta dos efeitos relevantes no curto prazo, destacando também o possível fim do JCP e a possível redução na alíquota de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Apesar de isso ser bom no longo prazo, ele explicou que, se essa mudança de fato ocorrer, as instituições terão de fazer uma reavaliação dos seus créditos tributários, gerando um impairment [ou baixa contábil] grande.

Com relação à concorrência, a Levante ressalta que o tema no setor vem sendo debatido há bastante tempo e incentivado pelos órgãos reguladores, principalmente com a entrada das fintechs e bancos digitais. Enquanto o Bradesco tenta criar um banco digital separadamente (o Next), o Itaú investe em se tornar mais ágil e operar de maneira mais parecida com as fintechs, avaliam os analistas da casa de research.

Eles ainda apontam que, com o avanço no cronograma do open banking, as instituições financeiras mais estabelecidas, em especial os adquirentes, têm seu lucro mais ameaçado, uma vez que o compartilhamento dos dados beneficia os novos entrantes, que antes tinham poucas informações.

No entanto, o novo ambiente também se mostra uma oportunidade para que os grandes bancos possam utilizar sua inteligência de dados para concessão de crédito para expandir sua oferta para além de seus clientes. “Dessa forma, podemos entender este novo cenário tanto como uma ameaça quanto uma oportunidade para o banco”, avaliam.

A XP destaca ainda a iniciativa iVarejo, do Itaú, uma estratégia de omnichannel do banco que permitirá aos clientes interagir com o banco por meio de suas operações físicas e digitais integradas, segue avançando no seu esforço de integrar as agências físicas do banco com o seu superapp. O banco atingiu a maior pontuação de net promoter score (o NPS, ferramenta que mede a satisfação dos clientes) em seu aplicativo, o que os analistas da XP veem com bons olhos, já que o mundo digital será o principal campo de batalha para absorver novos clientes no futuro.

Já durante teleconferência, Octavio Lazari Jr., CEO do Bradesco, falou sobre o Next, destacando principalmente as perspectivas para a abertura de capital e que é visto como um dos catalisadores para a ação do banco. O banco digital apresentou resultados positivos no período, com crescimento anual de 99% na base clientes, atingindo 5,4 milhões usuários, além de uma redução de 31% nas despesas por cliente. Segundo o CEO, não haverá abertura de capital do Next no ano que vem, mas isso pode ocorrer em 2023.

Enquanto isso, o Santander Brasil terá que lidar com outro desafio além dos já postos. Sérgio Rial, que realizou um turnaround na companhia, deixará o cargo de CEO e assumirá o cargo de Presidente do Conselho de Administração em 1º de janeiro de 2022. Mario Opice Leão, que ingressou na diretoria do banco em 2015, foi nomeado o novo CEO, e também será nomeado para um cargo no Conselho de Administração. O processo ainda está pendente das aprovações regulatórias relevantes.

“Essa notícia era de alguma forma esperada pelo mercado, embora o timing possa ser uma surpresa. Ressaltamos que Sérgio Rial liderou um importante processo de turnaround no banco, e sua presença no Conselho de Administração pode ser um sinal de que a estratégia deve continuar”, avalia o BBI. Já a XP ressalta que a notícia é negativa, dada a importância do atual CEO para a estratégia do banco.

Já para o Banco do Brasil, o BBI ressalta que, apesar do banco estatal mostrar evolução dos números, o mercado está focado na formação de receita, especialmente na receita líquida de juros com clientes. Assim, por não verem um catalisador de curto prazo e qualidade de lucro relativamente mais fraca em comparação com seus pares do setor privado, os analistas do banco possuem recomendação neutra para BBAS3. Por outro lado,  a XP reiterou recomendação de compra com um preço-alvo de R$ 52, pois vê o banco negociando a um múltiplo barato de 4,5 vezes o preço sobre o lucro, embora os fundamentos pareçam sólidos.

Assim, a projeção é de continuidade da recuperação para os bancos com a expectativa de continuidade da retomada da economia com a vacinação. Enquanto isso, a inadimplência, a competição maior no setor (que já ganhava destaque no noticiário desde antes da pandemia) e os impactos da reforma tributária no curto prazo seguem sendo observados de perto pelos investidores.

Confira abaixo a recomendação dos analistas para os bancos, de acordo com consenso Refinitiv: 

Instituição Ticker Recomendações de compra Recomendações neutra Recomendações de venda Preço-alvo médio Potencial de valorização (%)*
Santander (SANB11) 4 10 1 R$ 45,45 +11,2%
Itaú  (ITUB4) 12 4 0 R$ 35,47 +15%
Bradesco  (BBDC4) 15 2 0 R$ 30,31 +28%
Banco do Brasil  (BBAS3) 10 6 0 R$ 43,84 +38%
*em relação ao fechamento de 6 de agosto de 2021

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Daycoval registra lucro recorrente de R$ 333,3 milhões no 2º tri, alta de 12,7% na base anual

SÃO PAULO – O banco Daycoval registrou lucro líquido recorrente de R$ 333,3 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 1% em relação ao primeiro trimestre e 12,7% acima na base de comparação anual.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROAE recorrente) encerrou o primeiro semestre de 2021 em 27,5% contra 29,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“O Daycoval evoluiu em várias frentes, em todas as verticais de negócios, que contribuem para alcançar os objetivos estratégicos de alavancar o crescimento, melhorar a experiência do cliente por meio da jornada digital e aperfeiçoar os processos para aumentar a eficiência operacional”, apontou Ricardo Gelbaum, diretor de RI.

O lucro contábil ficou em R$ 296,6 milhões no segundo trimestre, alta de 14,4% na comparação anual, mas baixa de 32,1% na base trimestral, em decorrência da alta da provisão e impacto negativo da marcação a mercado do hedge sobre as captações externas e operações de crédito no montante de R$ 22 milhões, além de variação cambial negativa no valor de R$ 35 milhões nos investimentos em subsidiárias no exterior, por conta da apreciação do real frente ao dólar no período.

A carteira de crédito ampliada totalizou R$ 39,9 bilhões, alta de 7,1% no trimestre e crescimento de 51,9% em relação ao primeiro semestre de 2020. A instituição financeira aponta que o destaque foi a aceleração do segmento de empresas, impulsionada pelos produtos de compra de direitos creditórios e comércio exterior.

A carteira de empresas encerrou o semestre com elevação de 70,5% se comparado com o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 30,4 bilhões. Até junho, o crédito à pessoa física totalizou R$ 8,1 bilhões, crescimento de 15,5% contra o mesmo período de 2020, resultado este que já reflete o forte crescimento de originação dos últimos meses.

O trimestre foi marcado também pelo início das operações do Banco Daycoval no mercado de capitais com emissão e estruturação de Debêntures. “Iniciamos muito bem as operações de Títulos Privados e continuamos engajados junto aos clientes para que o cenário seja promissor em nosso pipeline para os próximos meses”, comenta Gelbaum.

A captação total foi de R$ 39,3 bilhões em junho de 2021, evolução de 35,1% em comparação ao mesmo período de 2020. A expansão dos negócios foi praticamente em todas as linhas, refletindo o movimento observado ao longo do período, destaca a companhia no release de resultados.

O índice de inadimplência acima de 90 dias foi de 1,6% no segundo trimestre, estável em comparação ao trimestre
anterior, e 0,3 ponto percentual abaixo em comparação ao mesmo período do ano anterior

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Banco do Brasil lucra R$ 5 bilhões no 2º tri, aumento de 52,2% na base anual

SÃO PAULO – O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,039 bilhões no segundo trimestre deste ano, número 2,6% maior que o reportado no primeiro trimestre e 52,2% superior ao do mesmo período do ano passado.

Já no semestre, o lucro líquido resultado ajustado alcançou R$ 10,0 bilhões, aumento de 48,4% frente ao primeiro semestre do ano passado.

O lucro líquido contábil, por sua vez, foi de R$ 5,5 bilhões no 2º trimestre, resultado 72,1% acima do apresentado no mesmo período do ano passado, quando ficou em R$ 3,2 bilhões.

A carteira de crédito atingiu R$ 766,5 bilhões em junho de 2021, crescimento de 6,1% na comparação com junho de 2020, com destaque para as operações de varejo e agronegócios.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), foi de 14,4% no segundo trimestre, ante ROE de 11,4% no mesmo período do ano anterior.

O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,9%, praticamente estável.

O BB ainda registrou receita líquida de juros, receita com empréstimos menos despesas com depósitos, de R$ 14,4 bilhões, 0,6% superior ao ano anterior. O banco disse que enfrentou custos de financiamento mais altos à medida que as taxas de juros de referência subiram.

Já a receita de prestação de serviços do banco teve leve alta de 3,5% em um ano, atingindo R$ 7,206 bilhões entre abril e junho.

Novas projeções

O Banco do Brasil também emitiu comunicado revisando suas projeções para este ano, elevando o lucro líquido da faixa entre R$ 16 e R$ 19 bilhões para entre R$ 17 e R$ 20 bilhões.

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Já a margem financeira bruta prevista agora está entre 1% e 4%, antes projeção anterior de 2,5% a 6,5%, ao passo que a perspectiva para a carteira de crédito foi mantida em uma variação de 8% a 12%.

A Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) Ampliada, por sua vez, está prevista para fechar 2021 entre R$ 13 bilhões e R$ 15 bilhões, enquanto a projeção anterior era de R$ 14 a R$ 17 bilhões.

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Bradesco lucra 63% mais no 2º tri, para R$ 6,3 bi, mas ações caem mais de 3%: o que não agradou?

SÃO PAULO – Último dos chamados “bancões” privados a divulgar seu resultado do segundo trimestre de 2021, o Bradesco  (BBDC3BBDC4) teve  lucro líquido recorrente de R$ 6,319 bilhões no segundo trimestre de 2021, aumento de 63,2% ante o mesmo período do ano passado e queda de 3% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

O aumento do lucro ocorreu por diversos fatores, como maiores receitas com prestação de serviços, crescimento da margem financeira com clientes, menores despesas operacionais e menores despesas com provisões para devedores duvidosos.

Contudo, a sessão é de forte baixa para as ações do banco. Às 13h05 (horário de Brasília), os ativos caíam 3,43%, a R$ 23,68.

Apesar da alta expressiva na comparação com o segundo trimestre de 2020, os dados ficaram abaixo do esperado. Segundo dados compilados pela Refinitiv, a expectativa média dos analistas para o lucro do Bradesco era de R$ 6,454 bilhões.

O maior impacto no balanço, contudo, ficou com o resultado de seguros. As operações de seguros, previdência e capitalização tiveram queda de 49,8% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e de 58,3% ante o mesmo período no ano passado, representando R$ 1,57 bilhão. O segmento tinha perspectiva de 2% a 6%, mas após o resultado trimestral, a instituição financeira prevê uma variação entre queda de 15% a 20% para 2021.

O desempenho do segmento foi impactado pela elevação do índice de sinistralidade, que foi afetado pela frequência dos eventos relacionados à Covid-19, por conta do aumento da necessidade de assistência médico-hospitalar, diagnósticos, consultas, internações, eventuais consequências pós Covid-19, retomada dos procedimentos eletivos e indenizações nos produtos de “Vida”.

O Itaú BBA destacou ainda que, além do resultado bem inferior em seguros, também houve um desempenho mais tímido em crédito. “De maneira geral, vemos o resultado do Bradesco como ligeiramente negativo para a ação no curto prazo. Talvez uma parte da reação positiva aos números tenha sido antecipada – vemos o papel sendo negociado perto da média histórica de 1,5 vez o preço sobre o patrimônio líquido”, avaliam.

A Levante Ideias de Investimentos também aponta que, apesar de seguir tendências semelhantes aos números vistos pelo Santander (SANB11) e Itaú (ITUB4), o crescimento inferior da carteira de crédito e a maior exposição a seguros que os competidores levaram ao resultado abaixo das expectativas.

A casa de análise ainda apontou que o Bradesco se mostrou focado em melhorar sua eficiência com uma queda de 4,1% nas despesas operacionais no trimestre quando comparado com o segundo trimestre de 2020, um bom número, mas uma desaceleração em relação a redução anual de 4,7% vista no trimestre anterior.

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Além disso, essa baixa foi influenciada pela linha “outras despesas operacionais”, que atingiram R$ 858 milhões, queda trimestral de 35,1% e anual de 48,2%. Essa queda foi reflexo de menores despesas com comercialização de cartões (resultado do desenvolvimento das vendas através dos canais digitais); menores despesas devido à constituição de provisão adicional no grupo segurador no primeiro semestre de 2020, além das menores despesas com provisões operacionais, contingências cíveis e fiscais.

Para a XP, apesar dessa forte queda nessa linha do balanço, o impacto positivo deve ser temporário, pois o número ficou muito abaixo da média histórica e as despesas de provisionamento operacional e marketing de cartão devem aumentar nos próximos trimestres, apesar da melhora das vendas do banco por meio canais digitais.

Enquanto isso, as despesas com pessoal subiram 1,0% na base trimestral e 5,9% no ano, a R$ 5,120 bilhões. O gasto administrativo, por sua vez, teve alta de 4,2% contra o primeiro trimestre e 0,8% ante igual período do ano passado, para R$ 5,012 bilhões.

O aumento ocorreu devido à elevação no volume de negócios e despesas com campanhas publicitárias. Para a XP, apesar da decisão do banco de manter as projeções (guidance) e o impacto de curto prazo do acampamento publicitário,  os investidores devem prestar atenção ao desenvolvimento desta linha, pois novos números negativos podem afetar negativamente o guidance da empresa para o ano.

Já a carteira de crédito mostrou expansão de 3% na comparação trimestral, puxada por crédito a pessoas físicas, com alta de 5,7%, e a pequenas e médias empresas, com alta de 4,6%. O Itaú BBA ressalta ainda que a margem financeira com clientes cresceu em menor velocidade; um avanço de 1,9% na passagem trimestral, resultando em uma leve perda de spread bancário (diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos).

O índice de inadimplência, por sua vez, se manteve em 2,5%. A despesa com previsões caiu 11% entre o primeiro e segundo trimestre, para R$ 3,5 bilhões, ficando 6% abaixo das expectativas da XP, o que compensou parcialmente os resultados fracos, mas prejudicou o índice de cobertura do banco (relação entre empréstimos inadimplentes e provisões), com queda de 500 pontos-base. “Vemos isso como negativo, pois os índices de inadimplência podem aumentar em relação aos atuais 2,5% observados no trimestre, aumentando a exposição do banco”, avaliam.

Por outro lado, as receitas de serviço do banco foram um destaque positivo do resultado, com uma melhora de 10,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 8,4 bilhões.

Resiliência do banco?

Em teleconferência com analistas de mercado,  Octávio de Lazari Jr, presidente do Bradesco, afirmou que, apesar da instituição financeira ter sido bastante impactada pelo resultado de seguros, teve um resultado satisfatório no trimestre, “mostrando assim capacidade para diversificar receitas”. A expectativa é de que o segmento de seguros ainda tenha impacto no resultado no próximo trimestre mas, com o avanço da vacinação, espera-se melhora nos balanços posteriores com o avanço da vacinação no país.

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Lazari Jr. ainda apontou que as estratégias para reduzir custos serão mantidas “com muita disciplina, apontando que 400 agências serão transformadas em unidades de negócios e acrescentou que mais 184 agências serão incorporadas. “A estratégia de custo é seguir a mesma trajetória que fizemos no último trimestre do ano passado e se repete no balanço de 2021”, destacou.

Ele ainda falou sobre o Next, o seu banco digital, destacando principalmente as perspectivas para a abertura de capital e que é visto como um dos catalisadores para a ação do banco.  O Next apresentou resultados positivos no período, com crescimento anual de 99% na base clientes, atingindo 5,4 milhões usuários, além de uma redução de 31% nas despesas por cliente. Segundo o CEO, não haverá abertura de capital do Next no ano que vem, mas isso pode ocorrer em 2023.

Para a Levante, além do possível IPO do Next, estão entre os catalisadores da ação do banco a melhora estrutural da economia brasileira com o andamento da vacinação com aceleração do consumo.

Os analistas do Credit Suisse, que viram os resultados como mistos, ainda que com bons números das operações bancárias, reiteraram a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 30,91 (potencial de alta de 26% em relação ao último fechamento) para o papel. Por outro lado, reforçaram a sua preferência pelo Itaú, que registrou dados acima do Bradesco no segmento de banking, destacaram.

O Bank of America também reiterou recomendação de compra, esperando que os resultados de seguros se recuperem à medida que os efeitos da pandemia diminuam no Brasil, enquanto os resultados bancários devem se beneficiar de uma margem líquida de juros (NIM) mais alto e da melhoria da atividade econômica. O preço-alvo é de R$ 31, ou upside de 26,4%

A XP, por sua vez, mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 26 por ação, ou potencial de alta de 6% em relação ao fechamento de terça-feira. Na avaliação dos analistas, justamente por conta do ramo de seguros, que foi o “algoz” no resultado do segundo trimestre, o Bradesco está menos exposto à disrupção do setor bancário quando comparado ao Itaú, por exemplo. Porém, vê um potencial limitado de alta para o papel.

Segundo projeções compiladas pela Refinitiv, de 17 casas que cobrem o papel BBDC4, 15 possuem recomendação de compra e 2 apenas têm recomendação neutra. As expectativas no geral são positivas para o Bradesco. O preço-alvo médio é de R$ 30,31 para o ativo, ou upside de 23,6%. Porém, com relação ao segundo trimestre de 2021, ele apresentou números menos atrativos em relação aos seus principais concorrentes.

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Bradesco tem lucro líquido recorrente de R$ 6,3 bilhões no 2º tri, alta de 63,2% na comparação anual

Logo do banco Bradesco Banco Bradesco

SÃO PAULO – O Bradesco (BBDC3; BBDC4) teve lucro líquido recorrente de R$ 6,319 bilhões no segundo trimestre de 2021, revelou a instituição financeira nesta terça-feira (3). Foi um aumento de 63,2% ante o mesmo período do ano passado e queda de 3% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

Já o lucro contábil foi de R$ 5,974 bilhões, o que representa um crescimento de 70,4% na base anual e contração de 2,9% na trimestral.

Segundo dados compilados pela Refinitiv, a expectativa média dos analistas para o lucro do Bradesco era de R$ 6,454 bilhões.

Ao mesmo tempo, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) atingiu 17,6%, contra 11,9% no segundo trimestre de 2020 e 18,7% no primeiro trimestre de 2021. No semestre, o ROAE foi de 18,2%, ante 11,8% no primeiro semestre de 2020.

Segundo a administração, o lucro registrou uma evolução expressiva em relação ao segundo trimestre de 2020 e primeiro semestre de 2021 em função de maiores receitas com prestação de serviços, crescimento da margem financeira com clientes, menores despesas operacionais e menores despesas com Provisões para Devedores Duvidosos (PDD).

“Em relação ao trimestre anterior, o bom desempenho das receitas relativas a margem financeira com clientes e serviços, aliado à redução das despesas com PDD e despesas operacionais, contribuíram para reduzir o impacto decorrente do menor resultado obtido com as operações de seguros, previdência e capitalização, que mesmo afetado pelos efeitos da pandemia, atingiu o montante de mais de R$ 1,5 bilhão”, completa a gestão do banco.

No resultado consta ainda que as despesas com provisões somaram R$ 3,487 bilhões, contra R$ 8,89 bilhões no segundo trimestre de 2020 (queda de 60,8%) e R$ 3,907 bilhões nos três primeiros meses de 2021 (baixa de 10,7%).

A margem financeira chegou a R$ 15,738 bilhões, alta de 1% em comparação com o trimestre anterior e queda de 5,7% na base anual.

As receitas de prestação de serviços, por sua vez, totalizaram R$ 8,412 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que corresponde a uma expansão de 10,3% sobre o mesmo período do ano passado e de 4,3% em relação ao trimestre anterior.

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Por fim, o índice de inadimplência em 90 dias ficou em 2,5%, permanecendo estável em relação a março de 2021 e apresentando uma queda de 0,5 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Itaú tem surpresas positivas no 2º tri e revisa projeções para cima, mas concorrência segue sendo questão para analistas

SÃO PAULO – Depois do Santander Brasil (SANB11), desta vez foi o Itaú Unibanco (ITUB4), o maior banco privado do país, a divulgar os seus números do segundo trimestre de 2021, considerados positivos pelos analistas e mostrando recuperação após o baque no lucro no ano passado em meio à pandemia do coronavírus, que levou a um forte aumento nas provisões para as perdas.

Isso ainda que a ação não tenha um bom desempenho na Bolsa no pós resultado, com os papéis também impactados pelo cenário externo e pelos riscos fiscais. Após chegar a subir 3,15% na máxima do dia, a R$ 31,43, os papéis amenizaram na sessão desta terça-feira (3), chegaram a cair, mas fecharam com ganhos. Os ativos ITUB4 fecharam em alta de 0,98%, a R$ 30,77.

O lucro líquido ajustado do Itaú atingiu R$ 6,54 bilhões, aumento de 2,3% em relação ao último trimestre e 55,6% maior que o resultado apresentado no segundo trimestre de 2020.

Já a rentabilidade medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido foi a 18,9%, ante 18,5% no primeiro trimestre de 2021, com a surpresa positiva vindo de maior receita líquida de juros (em alta de  2,8%), menores despesas com provisões (queda de 8,2%) e melhores receitas com tarifas (alta de 2,8%), conforme destaca o Bradesco BBI.

A Levante ressalta que houve uma melhora do indicador ROE em relação ao segundo trimestre de 2020 (13,5%), com o indicador tendo caído muito no primeiro trimestre de 2020, atingindo 12,8%. O banco mostrou uma evolução gradual em todos os trimestres subsequentes, mas ainda abaixo do ROE visto no quarto trimestre de 2019, de 23,7%, no pré-pandemia.

Contudo, os números foram parcialmente compensados por maiores despesas operacionais (alta de  2,7%) e uma maior taxa efetiva de imposto de 36,2%, aponta o Bradesco BBI.

A carteira de crédito ficou praticamente estável em relação ao trimestre anterior e atingiu R$ 909,1 bilhões, um crescimento de 12% na base anual. A inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 2,3%. Os analistas da Levante apontam que, apesar dessa estabilidade ser positiva, é importante notar que o prazo de diversos empréstimos foi prorrogado, desta forma é possível vermos uma deterioração deste número no segundo semestre.

Já a margem financeira, diferença entre os juros que são cobrados nos empréstimos realizados pelo banco e os juros pagos pelo banco em suas captações, do banco cresceu 0,8% em relação ao trimestre anterior e 5,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, alcançando R$ 18,8 bilhões, com o número sendo positivamente impactado pelo aumento no volume de crédito.

Os números foram praticamente em linha com o esperado pelos analistas da XP mas, de acordo com eles, houve uma surpresa positiva. A instituição financeira foi capaz de produzir um resultado sólido e, ao mesmo tempo, melhorou a qualidade dos ativos e o índice de cobertura – relação entre empréstimos inadimplentes e provisões.

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As provisões vindo em linha com o esperado combinado com uma menor inadimplência impactaram positivamente o índice de cobertura do banco, atingindo 283%. As provisões para perdas com empréstimos caíram 39,6% em relação ao ano anterior, para R$ 4,7 bilhões.

Além dos números do trimestre, o banco também revisou para cima algumas linhas de suas projeções para o resultado de 2021, o que dá uma indicação positiva sobre a visão da instituição para o ano.  O Itaú revisou sua projeção de crescimento do crédito para 8,5-11,5% (de 5,5-9,5% anterior) e receita líquida de juros com o mercado para R$ 6,5-8,0 bilhões (de R$ 4,9-6,4 bilhões), e revisou para baixo seu guidance de encargos de provisão para R$ 19,0-22,0 bilhões (de R$ 21,3-24,3 bilhões). Entretanto, o guidance para a margem financeira com clientes foi mantido em projeção de alta entre 2,5-6,5%, as receitas com tarifas em alta entre 2,5-6,5%, as despesas operacionais em -2,0 a + 2,0% e a taxa de imposto em 34,5-36,5%

O Credit Suisse também destaca que os números vieram sólidos, com uma forte performance de receita puxada por maior margem financeira (NII) e taxas. Sobre o aumento das projeções para crédito, os analistas do banco avaliam que o  crescimento de empréstimos em todas as linhas e nas pequenas e médias empresas deve pavimentar o forte ambiente de receitas para os próximos meses com NII acelerando ainda mais no segundo semestre, aponta o Credit.

O Bradesco BBI também afirma que continua vendo tendências positivas para a receita líquida de juros nos próximos trimestres, à medida que o crescimento dos empréstimos segue acelerando  devido a uma melhor combinação, enquanto as receitas de tarifas também foram uma surpresa positiva.

Disrupção e iniciativas

Os bancos podem ter apresentado recuperação após a turbulência com o coronavírus, mas um outro fator que ameaça o setor segue sendo acompanhado de perto pelos investidores.

Conforme ressalta a Levante, a competição no setor vem sendo debatida há bastante tempo e sendo incentivada pelos órgãos reguladores, principalmente com a entrada das fintechs e bancos digitais. “Enquanto outros players, como o Bradesco (BBDC4), tentam criar um banco digital separadamente, o Itaú investe em se tornar mais ágil e operar de maneira mais parecida com as fintechs”, avaliam os analistas da casa de research.

Eles ainda apontam que, com o avanço no cronograma do open banking, as instituições financeiras mais estabelecidas, em especial os adquirentes, têm seu lucro mais ameaçado, uma vez que o compartilhamento dos dados beneficia os novos entrantes, que antes tinham poucas informações.

No entanto, o novo ambiente também se mostra uma oportunidade para que os grandes bancos possam utilizar sua inteligência de dados para concessão de crédito para expandir sua oferta para além de seus clientes. “Dessa forma, podemos entender este novo cenário tanto como uma ameaça quanto uma oportunidade para o banco”, avaliam.

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A XP destaca ainda que a iniciativa iVarejo, uma estratégia de omnichannel do banco que permitirá aos clientes interagir com o banco por meio de suas operações físicas e digitais integradas, segue avançando no seu esforço de integrar as agências físicas do banco com o seu superapp. O banco atingiu a maior pontuação de net promoter score (o NPS, ferramenta que mede a satisfação dos clientes) em seu aplicativo, o que os analistas da XP veem com bons olhos, já que o mundo digital será o principal campo de batalha para absorver novos clientes no futuro.

Porém, a recomendação da XP para as ações ITUB4 segue neutra, com preço-alvo de R$ 28, ou queda de 8% em relação ao fechamento de segunda-feira, principalmente devido à visão sobre a concorrência e a disrupção no setor. Na semana passada, a casa reforçou sua recomendação para os ativos, avaliando que a composição da receita do Itaú é altamente suscetível a disrupções, dado: i) mais empréstimos para o varejo passivos para serem modelados (open banking); ii) um maior percentual de tarifas de varejo; e iii) uma operação de seguro fraca. “Dito isso, acreditamos que tanto a concorrência (cartões e tarifas de varejo principalmente) e ameaças regulatórias (banco aberto e pagamento mais rápido) representam uma ameaça maior para o Itaú”, reforçaram.

O Credit Suisse, por sua vez, reitera recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 39, ou alta de 28% frente o fechamento de segunda, destacando valuation atrativo e forte momentum  para lucros.

O valuation considerado atrativo também é um dos motivos para o Bradesco BBI manter recomendação de compra com preço-alvo de R$ 38, 24,7% acima do fechamento de segunda, avaliando que o Itaú está bem preparado para apresentar forte crescimento de lucros e expansão do ROE no futuro. Também na semana passada, o banco retomou a cobertura para o setor, destacando o Itaú como favorito entre as grandes instituições.  Segundo os analistas, o crescimento do crédito e um melhor mix de produtos devem levar a uma melhor qualidade dos resultados até pelo menos o quarto trimestre de 2022, afirmaram os analistas na ocasião.

De acordo com compilação da Refinitiv, de quinze casas que cobrem o papel, nove possuem recomendação de compra e seis de manutenção, com um preço-alvo médio de R$ 34,91, alta de 14,5% em relação ao fechamento da véspera.

Entre os otimistas, está a expectativa com a aceleração do crédito e maiores lucros com retomada da economia em meio ao aumento da vacinação, com a expectativa também de que o banco conseguirá ter um bom desempenho em meio à maior concorrência. Por outro lado, entre os mais cautelosos, a expectativa é de um cenário desafiador ainda pela frente.

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Lucro de US$ 170 bilhões de bancos globais marca ano recorde

Bancos Bancos

(Bloomberg) — Funcionários esgotados, problemas para a volta ao escritório e novas ondas de Covid-19. Nada disso importa. Uma simples realidade se destaca para os maiores bancos de investimento globais: estão ganhando dinheiro como nunca.

Com a temporada de balanços perto do fim, um lucro combinado de mais de US$ 170 bilhões entre os maiores bancos nos últimos quatro trimestres mostra o quão longe o setor caminhou desde os primeiros estágios da pandemia. O JPMorgan Chase foi destaque, ganhando o equivalente a US$ 131 milhões por dia.

Uma série de vitórias em trading certamente ajudou o setor nos primeiros dias da Covid-19 e, à medida que a volatilidade do mercado do ano passado diminuía, banqueiros de investimento estavam prontos para coordenar o salto em aquisições e captação de fundos por meio de veículos de aquisição de propósito específico. Bancos com unidades de gestão de patrimônio e de ativos se beneficiaram de mercados acionários dinâmicos em meio à recuperação da economia mundial, auxiliada por programas de apoio governamental sem precedentes. A mesma tendência foi benéfica para as unidades de varejo, por muito tempo consideradas um entrave aos lucros, quando as provisões para perdas com empréstimos começaram a ser desfeitas.

Goldman Sachs e Morgan Stanley também bateram recordes de lucro, enquanto rivais europeus como UBS e Barclays registraram os maiores ganhos em uma década. Deutsche Bank e Société Générale atribuíram os melhores resultados à recuperação da economia mundial. Ações do setor bancário refletem esses fortes números: o índice Dow Jones US Banks acumula alta de 59% nos últimos 12 meses, enquanto o indicador Eurostoxx Banks sobe 56%.

A elevada atividade nos mercados beneficiou operadores que antes eram desfavorecidos no Deutsche Bank e no Barclays, enquanto o banco de investimento do JPMorgan registrou trimestre recorde graças às comissões em fusões e aquisições e assessoria.

Esse aumento na atividade corporativa refletiu o otimismo em muitos segmentos da economia global, depois de meses de restrições da Covid. Por sua vez, bancos se sentiram confiantes o suficiente para começar a reverter as amplas provisões contra um colapso econômico que não chegou. Só na Europa, os nove principais bancos divulgaram queda de 88% das provisões nas últimas semanas.

“Todos os bancos que avaliamos no Reino Unido e na Europa ainda estão mantendo reservas materiais para perdas de crédito esperadas, dada a incerteza remanescente”, disse Laurie Mayers, diretora-gerente associada da Moody’s Investors Service em Londres. “No entanto, as perspectivas mais positivas para as principais economias, incluindo a inflação dos preços dos imóveis, estão pressionando os bancos a liberar as provisões.”

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Na contramão de Bolsonaro, Banco Central pressiona por bancos mais verdes

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central Germano Lüders/InfoMoney

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central está se preparando para exigir que os bancos contabilizem potenciais perdas advindas de fenômenos relacionados a mudanças climáticas, como secas, inundações e incêndios florestais, posicionando-se como líder global na regulamentação do setor financeiro com base em ESG.

A proposição de novas regras ocorre sob a liderança de Roberto Campos Neto, ex-executivo do Banco Santander Brasil. Ele foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, que governa sob uma onda de desmatamento na Floresta Amazônica e é criticado por ambientalistas.

O Banco Central, no entanto, é totalmente independente, o que reduz a influência de Bolsonaro sobre a política do banco.

As ações do Banco Central, que preveem a inclusão de riscos climáticos nos testes de estresse dos bancos, refletem a pressão crescente sobre os reguladores em todo o mundo para que levem a sério suas credenciais verdes, mesmo sob o risco de alterar o fluxo de crédito para certos tomadores.

O aquecimento global é cada vez mais visto como um risco para a estabilidade financeira. Desastres naturais decorrentes de temperaturas mais altas podem prejudicar os negócios das empresas ou as garantias dadas por elas a empréstimos, colocando em risco uma carteira de crédito de 4,2 trilhões de reais.

Embora atualmente não haja exigência de capital específica para os bancos cobrirem riscos ambientais nas regras propostas pelo regulador, o Banco Central pode impor a constituição de colchões extras no futuro se acreditar que os bancos estão correndo riscos mais elevados, disse Kathleen Krause, chefe- adjunta do departamento de regulação prudencial do Banco Central.

“Nosso objetivo não é proibir os bancos de conceder empréstimos, mas conscientizá-los sobre os riscos que correm relacionados a mudanças climáticas”, disse Krause em uma entrevista.

O aumento do nível do mar pode inundar terras dadas como garantia para um empréstimo, resultando em perdas para os bancos, ela exemplificou.

Para cobrir riscos como esse, os bancos podem ser forçados a reservar mais capital, o que provavelmente se traduziria em empréstimos mais caros e escassos para determinados tomadores.

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Entre os riscos relacionados às mudanças climáticas listados pelo Banco Central nas regras que foram levadas a audiência pública estão as potenciais perdas decorrentes de uma transição para uma economia de baixo carbono, bem como secas e inundações.

Caso o BC incorpore os riscos relacionados às mudanças climáticas nos testes de estresse, o que está sendo considerado, isso o colocaria na vanguarda dos reguladores em todo o mundo.

Alguns poucos países – como França e Holanda – já lançaram esses testes, embora muitos outros estejam em preparação, de acordo com o Financial Stability Institute.

Previsões climáticas

O Banco Central disse que planeja lançar as novas medidas para incorporação do risco climático aos testes de estresse ainda este ano, com implementação a partir de 2022. Mas os bancos estão pedindo até 18 meses para conseguirem se preparar.

Os bancos demandam que o regulador emita previsões climáticas para que todos os credores as utilizem em testes de estresse.

“Se cada banco fizer sua própria previsão, os resultados finais podem acabar sendo muito diferentes dentro do setor bancário”, disse Amaury Oliva, diretor de sustentabilidade da Febraban, entidade que representa os bancos.

O regulador disse que está considerando o pedido e pode fornecer algumas orientações, como os cenários climáticos divulgados pela Network of Central Bank and Supervisors for Greening the Financial System em julho.

Ainda assim, Oliva diz que esses cenários globais são muito genéricos e que o ideal seria um cenário mais tropicalizado.

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Além de incorporar os riscos do aquecimento global aos testes de estresse, o Banco Central, que regulamenta empréstimos para projetos no bioma amazônico desde 2008, também propôs duas novas regras neste ano envolvendo riscos ambientais, sociais e o crédito rural.

Uma dessas regras, que também passou por audiência pública e agora está em fase de análise final pelo regulador, veta o desembolso de crédito rural a projetos em terras indígenas ou desmatadas, ao mesmo tempo em que cria uma espécie de selo de “empréstimo sustentável” para projetos que seguem as melhores práticas para o crédito verde.

O regulador também está exigindo uma divulgação mais detalhada e profunda sobre como os bancos lidam com riscos sociais e ambientais, o que inclui problemas como assédio, preconceito e desmatamento.

Um caso de discriminação racial, por exemplo, pode ferir a imagem de um banco, assustar clientes e levar a penalidades legais.

No caminho certo

A postura do Banco Central está em nítido contraste com o histórico do governo de Bolsonaro em relação à proteção ambiental.

Muitos grandes investidores têm demandado ao governo brasileiro que adote uma postura mais firme em relação à proteção ambiental. Eles acolhem as iniciativas verdes do Banco Central, mas alertam que este é apenas o primeiro passo.

“A iniciativa do Banco Central é um ponto de partida positivo. O Brasil está indo do nada para alguma coisa”, disse Daniela da Costa-Bulthuis, gestora de portfólio da Robeco, com sede na Holanda, que administra 168 bilhões de euros em ativos ESG. “Mas o governo está um pouco atrasado em relação ao regulador.”

De acordo com o Positive Money, um grupo de defesa a uma economia sustentável sediado em Londres, o Brasil tem o segundo Banco Central “mais verde” do mundo depois da China, mas as perspectivas de progresso social e política ambiental mais amplas no Brasil permanecem fracas sob Bolsonaro.

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Em última análise, o impacto das políticas do Banco Central será limitado até que o governo brasileiro implemente políticas fiscais e industriais necessárias para enfrentar os problemas ambientais.

“Ao redirecionar as finanças, as alavancas do Banco Central podem ajudar enormemente ou dificultar a transição”, disse o economista da Positive Money David Barmes. “Mas ainda precisamos que os governos liderem o caminho.”

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