Queda de 94% do lucro da Cia. Hering não deve assustar: varejista teve bom progresso em sua modernização, apontam analistas

Hering Hering (Instagram/ Hering)

A Cia. Hering (HGTX3), cujo desempenho na Bolsa nos últimos meses está atrelado ao desenvolvimento da operação de combinação de negócios com o grupo Soma (SOMA3), divulgou seus números do segundo trimestre de 2021 que, a princípio, poderiam parecer negativos.

A varejista apresentou lucro líquido de R$ 7,1 milhões no segundo trimestre de 2021. O número significa uma retração de 94,4% se comparado ao registrado no mesmo período de 2020. Contudo, cabe destacar que a forte ocorre por conta da base de comparação, uma vez que a companhia, a queda se relaciona aos créditos de PIS e Cofins reconhecidos no balanço de um ano atrás, que puxou os números daquele trimestre para cima.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda), por sua vez, foi de R$ 21,8 milhões, queda de 70% em relação ao informado um ano antes. Excluindo os efeitos não recorrentes e participação nos lucros, o Ebitda corrente foi de R$ 35,5 milhões, crescimento de R$ 77 milhões versus o segundo trimestre de 2020.

De acordo com a Levante Ideias de Investimentos, os números vieram com bons indicadores operacionais, sobretudo na evolução do e-commerce, porém com indicadores de rentabilidade ainda abaixo do mesmo período de 2019 (ano comparável pré-pandemia).

A companhia tem realizado importantes melhorias e avanço no campo do e-commerce e multicanalidade (omnichannel), de modo que as compras realizadas por clientes envolvendo a compra no site com entregas a partir de lojas físicas funcionando como minicentros de logística, vem obtendo resultados 2 vezes maiores que o contato com canais tradicionais, destacam os analistas.

Já a receita líquida da companhia foi de cerca de R$ 353 milhões, alta de 197% na base de comparação anual.

O número foi cerca de 2% abaixo do mesmo período de 2019, avalia a Levante, porém com significativo avanço na modalidade de venda via webstore (internet), que cresceu mais de quatro vezes nesse período, além de a companhia sofrer com 22 dias de fechamento no mês de abril nas suas principais praças (SP e MG), o que afetou fortemente o desempenho das franquias e lojas próprias.

A margem bruta recuperou bem, chegando a 42,3% no trimestre, com o Lucro Bruto total registrando R$ 149,4 milhões.

As vendas nas mesmas lojas (Same Store Sale – SSS) foram de 58,1%, um aumento de 61,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

PUBLICIDADE

Para a Guide, o número foi marginalmente positivo. “A Hering vem melhorando a sua receita mês a mês, acompanhando a campanha de imunização nacional, que vem impulsionando a reabertura gradualmente. Além disso, a operação do e-commerce apresentou um robusto crescimento quando comparado ao mesmo período do ano passado, e ainda maior em relação ao período em 2019, tornando-se cada vez mais importante para o resultado total da empresa, em números absolutos”, avaliam os analistas.

Contudo, o Ebitda foi mais fraco em comparação há dois anos, no período pré-pandêmico, justificado pela inflação de insumos e custos de produção. O Ebitda recorrente foi de R$ 24 milhões, 24,2% menor em relação ao segundo trimestre de 2019, principalmente pelo crescimento das despesas operacionais (vendas e administrativas), sem que a receita acompanhasse no mesmo ritmo o aumento destas despesas, principalmente pela inflação e operação do e-commerce mais intensa.

Assim, na avaliação dos analistas, os números foram mistos. Enquanto que, por um lado, o Ebitda segue fraco, por outro a empresa apresentou avanços importantes na modernização de sua relação comercial e estratégia de crescimento, com aceleração da expansão de megalojas (maiores, mais interativas e com ticket médio superior), além do crescimento forte na frente digital.

A Guide destaca que, para o futuro, vê a empresa em um benéfico processo de provável ganho sinérgico, ao se unir ao Grupo Soma, o que a posiciona como uma empresa que deverá ter ganhos em eficiência operacional.

Desde o anúncio da fusão, em 26 de abril, até a sessão desta sexta-feira, as ações HGTX3 já subiram cerca de 65%. Nesta sexta, os papéis avançaram 2,2%, a R$ 37,20.

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

Hering tem queda de 94,4% no lucro no 2º trimestre, a R$ 7,07 milhões

Hering

SÃO PAULO – A varejista de vestuário Hering (HGTX3) registrou um lucro líquido de R$ 7,074 milhões no segundo trimestre de 2021, queda de 94,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo demonstração de resultados divulgada nesta quinta-feira (5).

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia somou R$ 21,832 milhões, em uma contração de 70,2% sobre o reportado no segundo trimestre do ano passado.

A receita líquida totalizou R$ 353,2 milhões, o que representa um incremento de 197,2% na comparação anual.

Segundo a administração, a companhia registrou a tendência de retomada de consumo com resultados
semelhantes aos de 2019, antes da pandemia. “Para retomar os patamares históricos, apostamos em novos canais e na força das nossas marcas. Destacamos a evolução do portfólio da Hering Intimates, que já apresenta alta de 106%, em relação ao segundo trimestre de 2020”, escreveu a gestão.

Em curso gratuito de Opções, professor Su Chong Wei ensina método para ter ganhos recorrentes na bolsa. Inscreva-se grátis e participe.

As 5 maiores baixas e as 5 maiores altas do Ibovespa no mês de julho

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou o mês de julho com queda expressiva de 3,94%, ao mesmo tempo em que o dólar subiu 4,77%, com o último pregão do período sendo crucial para isso com o risco fiscal voltando ao radar.

Contudo, algumas ações tiveram um movimento ainda mais forte do que este, com muitas delas, particularmente varejistas, registrando fortes baixas, enquanto algumas ligadas a commodities se destacaram. Confira as maiores baixas e altas do Ibovespa no mês:

Maiores baixas

1 e 2. Americanas s.a (AMER3, R$ 49,10, -25,90%) e Lojas Americanas (LAME4, R$ 7,09, -22,46%)

As maiores quedas ficam para as ações de companhias que tinham expectativas promissoras em meio ao processo de fusão. A maior baixa de julho ficou com a AMER3, que antes era negociada como BTOW3, nome da antiga B2W Digital. Agora, ela se chama Americanas s.a., sendo que é o resultado da fusão dos ativos físicos e da Ame Digital da Lojas Americanas.

As novas ações estrearam dia 19 de julho e, exceto alguns pregões, não têm registrado um bom desempenho desde então.

Em relatório recente, Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt, analistas da XP, destacaram quatro possíveis motivos para a queda tanto da controlada Americanas s.a. quanto das ações da holding da Lojas Americanas (LAME4) em uma sessão específica, mas que também ajuda a entender o movimento delas no período. Cabe ressaltar que LAME4 fechou o mês como a segunda maior baixa do Ibovespa no mês, enquanto LAME3, que não está no índice, também registrou forte queda no período, de 24,59%, a R$ 6,60.

Em primeiro lugar, os analistas apontam que as projeções sobre os resultados, a serem divulgados no próximo dia 12 de agosto após o fechamento do mercado, podem ter decepcionado alguns investidores. Eles estimam um prejuízo de R$ 42 milhões no segundo trimestre de 2021, muito explicado por um impacto negativo de Ame (R$ 130 milhões) no resultado.

Além disso, em segundo lugar, os preços devem demorar alguns dias para estabilizarem após a fusão, assim como foi o caso de Pão de Açúcar (PCAR3após a cisão do Assaí (ASAI3) no final de março, uma vez que muitos investidores estão ainda entendendo o que cada ação representa. O terceiro ponto destacado pela XP é que os papéis estão negociando muito em cima do técnico/fluxo e não do fundamento, o que gera distorções.

Por fim, estão fatores mais macro, com o aumento das incertezas com a elevação dos casos de Covid-19 em países com a vacinação mais acelerada, levando a uma maior aversão ao risco e volatilidade. “Vemos esse momento como temporário uma vez que o aumento de mortes tem sido muito motivados por pessoas não vacinadas enquanto a vacinação no Brasil tem acelerado e as mortes/internações reduzidas, indicando que uma tendência favorável da retomada econômica”, ressaltaram os analistas. Eles seguem otimistas, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 82 por ação para AMER3, e um preço-alvo de R$ 12 para LAME3/LAME4.

Por outro lado, o Morgan Stanley, logo após as mudanças após fusão, ajustou o seu preço-alvo, mas manteve recomendação equalweight (exposição em linha com a média, equivalente a uma recomendação neutra) para os ativos AMER3 e LAME4, ainda que vendo uma relação risco-retorno mais favorável para a última.

PUBLICIDADE

“Estamos aguardando clareza sobre as vendas da empresa combinadas e as perspectivas de margem, após um aumento nos investimentos para impulsionar o crescimento online no primeiro trimestre de 2021”, apontaram os analistas. Eles possuem preço-alvo de R$ 10 para LAME4 e de R$ 72 para AMER3.

3. Via (VVAR3, R$ 12,59, -20,27%)

A Via, ex-Via Varejo, teve um mês de forte baixa, de cerca de 20%. Apesar da visão positiva sobre a reestruturação da companhia e da expectativa de bons resultados do segundo trimestre de 2021, as novidades de fortalecimento da concorrência – como os movimentos de aquisições feitos pelo Magalu (MGLU3) – e os sinais de algumas empresas de e-commerce, inclusive no exterior, impactaram a companhia.

Apenas no último pregão do mês, os papéis caíram 4,62%, a R$ 12,59, uma queda observada por grande parte das companhias com exposição ao e-commerce após o resultado da Amazon, que fechou essa sexta com queda de 7,56% na Nasdaq. O resultado da Amazon foi considerado regular, no centro do guidance de receitas e sem ganhos expressivos de margem operacional. As projeções para o terceiro trimestre também não foram animadoras, o que pode gerar uma série de reavaliações das projeções para baixo (veja mais clicando aqui) para a companhia.

Já a Via vai revelar seus números para o segundo trimestre no próximo dia 11 de agosto. A XP espera por bons números, ainda que representando desaceleração no e-commerce em meio à base de comparação forte com o ano anterior.

Os analistas esperam que a Via reporte um crescimento das vendas brutas de mercadoria (GMV) total de 50% ao ano, impulsionado pelas lojas físicas (alta de 117% na base anual), que foram beneficiadas pela fraca base de comparação do segundo trimestre de 2020, quando grande parte das lojas permaneceram fechadas. Apesar da forte base para o e-commerce, a estimativa é de um crescimento do GMV de 21% na base anual (versus alta de 123% registrada no primeiro trimestre), fortalecido pela aceleração do marketplace (alta de 65% ao ano), enquanto o 1P (estoque próprio) deve desacelerar para alta de 12% ao ano.

“A companhia continua expandindo seu marketplace através da adição de novos sellers e de incentivos comerciais. Em termos de rentabilidade, esperamos uma margem bruta estável enquanto a margem Ebitda ajustada deverá se expandir em 1,4 ponto devido a alavancagem operacional. Por fim, estimamos um lucro líquido de R$ 73 milhões, positivamente impactado por efeitos fiscais não recorrentes”, avaliam os analistas. Contudo, a recomendação da XP para o papel é neutra, com bastante atenção à concorrência.

4. Grupo Pão de Açúcar (PCAR3, R$ 31,03, -19,74%)

Na sequência entre as perdas, estão as ações do Grupo Pão de Açúcar por uma conjunção de fatores. Em primeiro lugar, há uma avaliação no mercado sobre dificuldades para a companhia vender ativos que poderiam destravar valor, como é o caso da Cnova. Saiba mais clicando aqui.

Já na última quarta-feira (28), os papéis da companhia tiveram uma forte baixa de 7,40% em meio a resultados que não agradaram os investidores. No segundo trimestre de 2021, a varejista teve lucro líquido consolidado de R$ 4 milhões, uma queda da ordem de 96% ante o mesmo intervalo de 2020, quando os consumidores correram aos mercados para comprar mantimentos em meio ao início da pandemia.

PUBLICIDADE

Na avaliação da casa de análise Levante, os dados do balanço da companhia vieram ruins, principalmente se considerada a forte inflação de alimentos dos últimos dois anos. “O GPA mostra que sua base forte de geração de caixa no passado vinha das operações do Assaí e ainda trabalha para rentabilizar melhor a sua base de ativos remanescentes”, destacam os analistas.

Já o Bradesco BBI ressalta que, embora o GPA tenha enfrentado uma base difícil, o desempenho da receita foi
decepcionante, com apenas 4% de crescimento de vendas nas mesmas lojas em dois anos. “Também continuamos um pouco céticos sobre até que ponto o crescimento das vendas online é incremental ou está simplesmente substituindo um canal por outro”, completam.

Em teleconferência, os executivos do GPA apontaram que a companhia manterá a estratégia para as bandeiras Pão de Açúcar e Extra, após queda nas vendas no Brasil no segundo trimestre, avaliando que o período foi “atípico” e diante da expectativa de que terá recuperação gradual no segundo semestre.

“O sofrimento de vendas do Pão de Açúcar no segundo trimestre foi pontual”, disse o presidente-executivo do GPA, Jorge Faiçal em teleconferência com analistas. “O principal motivo da queda do neste trimestre foi evasão de consumidores que estão buscando locais mais baratos”, acrescentou.

Segundo ele, a expectativa é de recuperação gradual no terceiro trimestre, que deve continuar no fim do ano. “Vemos melhoria macroeconômica gradual no país nos próximos trimestres e o Pão de Açúcar, com a recuperação da renda e redução do desemprego, vai voltar a crescer”, disse Faiçal. “Teve migração (de consumidores) para Cash&Carry (atacarejo), o Pão de Açúcar compensou uma parte com crescimento em digital. Isso nos preocupa, mas é temporário”, disse Faiçal.

5. CVC (CVCB3, R$ 22,30, -19,55%)

Após figurar entre as maiores altas do Ibovespa no primeiro semestre de 2021, ainda que após um 2020 bastante negativo por conta das restrições da pandemia, os papéis da CVC voltaram a ter queda expressiva no mês.

Julho foi marcado por volatilidade nos mercados em meio ao temor com a variante delta do coronavírus, que acabou por impactar empresas de turismo no exterior e, consequentemente, por aqui. Isso meio a sinalizações de que a reabertura econômica poderia demorar mais para acontecer.

Esse cenário de maior incerteza e a correção após a alta recente das ações (muito por conta das expectativas mais benignas com a vacinação e também pela notícia de aumento de capital) levaram à baixa das ações.

PUBLICIDADE

A companhia divulgará os seus números para o período no próximo dia 13 de agosto, podendo dar mais sinais de como está a recuperação da companhia.

Cabe ressaltar que, no final de junho, o Bank of America elevou a recomendação para as ações CVCB3 para compra, logo após a empresa conseguir rolar sua dívida de curto prazo e emitir títulos no valor de R$ 666 milhões. O banco também destacou a perspectiva destacada é de retomada do setor de viagens com o avanço da vacinação. Porém, com alguns sinais de mais incertezas sobre o ritmo de abertura e com a volatilidade do mercado, os papéis tiveram queda.

Confira as maiores baixas do Ibovespa em julho: 

Empresa Ticker Cotação Variação
Americanas s.a. AMER3 R$ 49,10 -25,90%
Lojas Americanas LAME4 R$ 7,09 -22,46%
Via VVAR3 R$ 12,59 -20,27%
Pão de Açúcar PCAR3 R$ 31,03 -19,74%
CVC CVCB3 R$ 22,30 -19,55%

Maiores altas 

1. JBS (JBSS3, R$ 32,05, +10,14%)

As ações da JBS fecharam o mês de julho como a maior alta do Ibovespa, em meio à continuidade da forte demanda da China e na expectativa por bons resultados do segundo trimestre de 2021, a serem divulgados no próximo dia 11 de agosto.

Matéria da Reuters do início do mês destacou que as relações comerciais conturbadas entre China e Austrália fizeram com que os chineses passassem a buscar mais carne bovina no mercado norte-americano, abrindo espaço para o Brasil elevar suas exportações da proteína aos EUA, o que gera um movimento por habilitações de novos frigoríficos brasileiros pelo país da América do Norte. Entre as beneficiadas, está a JBS.

Em prévias de resultados, o Itaú BBA apontou que a JBS deve ser um dos destaques da temporada ao lado da Marfrig (MRFG3), uma vez que ambas possuem grande exposição ao mercado norte-americano, que vive um momento favorável de preços para os frigoríficos de bovinos. “Esperamos maiores volumes em relação a 2020 e o segundo melhor trimestre da história em termos de margem”, apontaram os analistas.

Já o Bank of America espera que a JBS registre o maior lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da sua história no segundo trimestre, com um crescimento marginal ante o segundo trimestre de 2020, até então o seu recorde.

“A margem da carne bovina dos EUA deve ser quase a mesma do ano passado, mas o Ebitda em  dólares deve crescer quase 11% devido à maior utilização da capacidade. O Ebitda da Pilgrim’s Pride [subsidiária da JBS produtora de frango nos EUA, México e Porto Rico) também deve subir dois dígitos, com preços de aves bem mais altos”, apontam.  Assim, um crescimento combinado do Ebitda de 19% para as divisões dos EUA deve mais do que compensar um trimestre desafiador no Brasil. O lucro Líquido deve ser de R$ 4,9 bilhões, ante R$ 3,4 bilhões no mesmo período do ano passado, projetam, impactado positivamente pela variação cambial.

Em relatório recente, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para JBS, aumentando a estimativa de Ebitda para 2021 e 2022, ainda que reduzindo as estimativas após 2023.

2. Cia. Hering (HGTX3, R$ 37,20, +8,74%)

A Cia. Hering registrou ganhos expressivos no mês, ainda na esteira da compra da companhia pelo Grupo Soma (SOMA3), dono das marcas Animale e Farm, anunciada no final de abril.

No início do mês, houve um desdobramento a favor da aquisição. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a operação.

Desde a notícia da fusão, os papéis da HGTX3 passaram a ter forte alta. Conforme destaca o Morgan Stanley, a fusão acordada com o Grupo Soma é agora o principal catalisador das ações.

Contudo, os analistas seguem com recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para os papéis HGTX3.

“Embora nosso caso básico de vestuário exija uma recuperação de margem atrasada em investimentos digitais acelerados, taxas de vacinação mais rápidas e uma mudança para um cenário de varejo pós-Covid mais normalizado poderiam apoiar uma recuperação de margem mais rápida para varejistas físicos do que previmos”, apontam os analistas. O resultado da companhia será divulgado no dia 5 de agosto, após o fechamento do mercado.

3. Rumo (RAIL3, R$ 20,66, +7,89%)

As ações da Rumo registraram ganhos com visões otimistas sobre as operações de infraestrutura no radar. Nesta semana, a empresa de logística do grupo Cosan (CSAN3) inaugurou o trecho considerado mais importante de sua operação na Ferrovia Norte-Sul.

A companhia havia começado em março a movimentação na primeira etapa da via, entre Estrela D’Oeste (SP) e São Simão (GO). Em julho, a companhia colocou em funcionamento o novo terminal de Rio Verde (GO), permitindo uma ampliação considerável do volume de carga transportado. O Bradesco BBI destacou a notícia como positiva para a ação da empresa, possuindo recomendação outperform e preço-alvo de R$ 30 para o ativo.

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, anunciou também neste mês um edital público para construção de ferrovia estadual que vai ligar os municípios de Rondonópolis à capital Cuiabá e às cidades de Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, no norte do Estado por meio de dois ramais.

A Rumo, responsável pela concessão da ferrovia federal que liga Rondonópolis até o Porto de Santos (SP), já manifestou interesse no projeto, que envolve um trajeto de cerca de 730 quilômetros. Segundo o governo matogrossense, o projeto tem previsão de ser concluído em sete anos e deve envolver investimentos da ordem de R$ 12 bilhões.

A XP tem recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 23, destacando a perspectiva positiva de demanda de longo prazo decorrente do forte potencial da região Centro-Oeste do Brasil para produção/exportação de grãos, a história de crescimento contínuo da empresa e o valuation razoável, com o “Projeto Lucas” como uma das principais opcionalidades (projeto com investimentos previstos entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões para extensão da Malha Norte com retorno marginal positivo).

4. Usiminas (USIM5, R$ 20,57, +7,70%)

Ainda que as siderúrgicas tenham passado por um mês conturbado, após a fala do ministro da Economia de que tarifas de importação poderiam ser cortadas, o setor se destacou em meio a dados resilientes para as companhias e também na esteira da divulgação de resultados.

Na semana passada, o Instituto Aço Brasil (IABr) divulgou os dados referentes a junho de 2021, apontando produção mensal de aço bruto de 3,1 milhões de toneladas, 45% acima do apurado no mesmo mês de 2020. Dessa forma, o primeiro semestre do ano encerrou com a produção 24% frente aos primeiros seis meses de 2020.

Em relatório, Yuri Pereira e Thales Carmo, analistas da XP, destacaram ainda a forte alta nas vendas internas e no consumo nacional de produtos siderúrgicos, que avançaram 44% e 49%, respectivamente, no primeiro semestre do ano, ainda que a base de comparação seja baixa, dado que os meses mais críticos de crise de demanda por conta da pandemia foram no primeiro semestre de 2020.

Já no último dia do mês, a companhia divulgou um resultado histórico, ainda que a ação não tenha reagido com alta na sessão por conta do dia de forte queda do minério, que acabou abalando o papel da empresa, ainda que menos do que outros pares do setor.

No segundo trimestre, a empresa reverteu prejuízo líquido de R$ 395 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado representa um aumento de 277% ante o trimestre anterior (de R$ 1,2 bilhão nos primeiros três meses de 2021) e é um lucro recorde trimestral para a companhia. A receita líquida, por sua vez, alcançou R$ 9,6 bilhões no período, alta de 35,8% em relação ao primeiro trimestre do ano e, na comparação anual, a alta foi de 296%.

Após o resultado, o Bradesco BBI reafirmou a classificação outperform (perspectiva de desempenho acima da média) e vendo novamente possibilidade de revisão para alta de seus números. Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos, analistas do BBI, destacaram ainda que a Usiminas continua sendo a principal escolha do setor de siderurgia da América Latina. “A dinâmica de ganhos da Usiminas deverá permanecer forte nos próximos trimestres, apoiado pela continuação da alta nos preços domésticos e internacionais do aço e pela forte demanda. Além disso, a força do preço do minério de ferro deve continuar apoiando os resultados robustos da Mineração Usiminas (Musa) em 2022 também”, avaliam os analistas, que destacam que o papel da companhia está negociando a patamares atrativos.

5. Cosan (CSAN3, R$ 25,55, +6,64%)

As ações da Cosan também registraram ganhos. No radar, está a expectativa pela oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, que deve estrear na B3 mês que vem. A companhia afirmou que o intervalo de preço para o IPO foi estabelecido entre R$ 7,40 e R$ 9,60 por ação, o que dará à empresa um valuation de R$ 73 bilhões a R$ 98 bilhões.

A Raízen é uma das maiores produtoras de etanol e açúcar do mundo e atua de maneira verticalizada nessas cadeias, por meio da comercialização de produtos derivados dessas matérias-primas, como biocombustíveis, lubrificantes, energia elétrica, entre outros produtos renováveis.

A empresa disse que pretende utilizar os recursos da oferta para construir novas plantas para expansão de produção, investir em infraestrutura de armazenamento e aumentar a produtividade.

No começo do mês, o Itaú BBA adicionou a Cosan à sua Brazil Buy List, destacando cinco questões: i) equipe de gestão de primeira linha; ii) carteira de ativos diversificada e de alta qualidade; iii) excelente alocação de capital e histórico de execução; iv) perspectivas promissoras de crescimento orgânico e inorgânico e v) valuation atrativo.

Confira as maiores altas do Ibovespa em julho: 

Empresa Ticker Cotação Variação
JBS JBSS3 R$ 32,05 +10,14%
Cia Hering HGTX3 R$ 37,20 +8,74%
Rumo RAIL3 R$ 20,66 +7,89%
Usiminas USIM5 R$ 20,57 +7,70%
Cosan CSAN3 R$ 25,55 +6,64%

(com informações da Reuters)

Transformar a Bolsa de Valores em fonte recorrente de ganhos é possível. Assista a aula gratuita do Professor Su e descubra como.

“Vamos repaginar completamente a Hering em 36 meses”, diz presidente do Grupo Soma

Hering

Desde que estrearam no mercado, há quase um ano, as ações do Grupo Soma (SOMA3) subiram mais de 60%. Nesse período, a empresa se solidificou na operação online e também atropelou a Arezzo (ARZZ3) e levou a Hering (HGTX3), em um acordo de mais de R$ 5 bilhões. “O Soma tem como conceito ser uma aceleradora de marcas: está no nosso DNA melhorar o reconhecimento, a receita e o lucro das nossas empresas”, disse Roberto Jatahy, 52 anos, presidente do grupo, no programa Olhar de Líder, do Estadão/Broadcast.

É com esse modelo que a dona da Animale e da Farm vai integrar a Hering. “Há uma transformação muito clara em nossa cabeça no modelo de negócios da Hering. Ela será completamente repaginada em 30 a 36 meses”, diz o executivo.

Leia, a seguir, os principais trechos da conversa:

O Soma pagou R$ 5,1 bilhões pela Hering, após oferta de R$ 3,2 bi da Arezzo. O preço foi alto?

A desvalorização aconteceu no dia em que foi anunciada a aquisição, mas, quando o racional do negócio foi bem explicado, tudo voltou à normalidade. Vínhamos desde o fim do ano passado costurando a transação, que teve de ser acelerada por questões de competição, e a comunicação não foi feita de forma estruturada. Passamos o fim de semana negociando detalhes, finalizamos às 5 horas da segunda-feira, quando tínhamos de fazer a comunicação ao mercado. Vamos fazer um movimento transformacional na Hering nos próximos anos.

Não foi, então, uma negociação ‘relâmpago’?

Ativos como a Hering são raros. Há poucas marcas que, como ela, têm tradição de 140 anos. A Hering é altamente geradora de caixa e nunca teve problemas de endividamento. Tem o desafio de crescimento e era objeto de desejo de competidores. Nossa conversa começou em novembro.

O sr. já conhecia o Fabio Hering, controlador da marca?

Nos conhecemos em 2013, quando o fundo Tarpon queria montar uma plataforma de moda. A Hering era próxima à Tarpon, e tivemos algumas conversas. Em 2015, a Hering estava interessada no Soma, e voltamos a nos encontrar. Entramos depois numa crise econômica, que paralisou a conversa. Retomamos após o IPO, sempre mantendo o relacionamento e tentando construir algo com a Hering. Não era um processo aberto, e não sabíamos que havia outros interessados. Fomos surpreendidos pela proposta não solicitada pela Hering.

PUBLICIDADE

A Hering queria comprar o Soma, e o processo se inverteu?

No início da crise, que se estendeu de 2014 a 2018, a Hering buscava avenidas de crescimento. Uma das potenciais vias era uma aquisição de marcas que pudessem complementar o portfólio. A conversa parou com o agravamento da crise. Cinco anos depois, com o crescimento do Soma, houve o movimento reverso. Dado o tamanho das duas empresas, é na verdade uma fusão.

O sr. diz que a capacidade do Soma de incorporar empresas já foi testada. Mas, pelo tamanho da Hering, vai funcionar?

Temos track record (histórico) bastante positivo. As aquisições que a gente fez sempre geraram valor. A prioridade na Hering vai ser o crescimento de receita e resultado operacional. Não existe agenda de cortes e demissões. Nossa forma de fazer negócio é olhar as empresas adquiridas, entender a gestão e aproveitá-la. Já há uma transformação na nossa cabeça no modelo de negócios da Hering. Ela será completamente repaginada em 30 a 36 meses.

Como será essa Hering?

Em 2007, a Hering fez um movimento muito interessante. Deixou de ser apenas uma indústria, montou rede que passou a distribuir produtos por franqueados e lojas multimarcas. Foi um modelo vencedor, que bateu no teto em termos de crescimento em 2013. Hoje, há uma nova agenda que passa por ter lojas grandes da Hering, como megastores, que trarão experiência diferenciada ao consumidor. Ao mesmo tempo, será mantida a rede de franqueados e multimarca ativa, com limpeza de conflitos que surgem quando se opera no digital, no físico e com lojas próprias.

Então o Soma não pagou caro pela Hering?

Não acho que tenha sido alto. Era o preço de valor de mercado antes da pandemia, do fim de 2019, quando a Hering já tinha uma agenda de transformação. Mas o tempo vai dizer, e o que determina isso vai ser a execução desse projeto.

PUBLICIDADE

O Soma tem ambições de uma internacionalização maior?

Internacionalização de moda é desafiador. Várias marcas brasileiras tentaram, e só uma efetivamente tem um negócio robusto internacional, a Havaianas. Em 2017, a Farm foi quase puxada para esse movimento por meio da Adidas Original e com a Antropologie e depois com uma unidade própria em Nova York. Começamos a ver uma oportunidade no nosso e-commerce dentro da Farm nos EUA. É uma marca que cresce em triplo dígito no mercado americano. Este ano, a Farm Internacional vai se transformar na quarta marca em termos de resultado operacional no grupo. Provavelmente, deve se tornar a segunda no ano que vem e, quem sabe, ser a grande marca do grupo Soma, em três anos. Foi uma surpresa muito grande para a gente.

O que aconteceu?

O mercado americano é muito carente de estéticas novas. A Farm tem diferencial de produto que o mercado americano não entrega. Falamos pouco da internacionalização da Farm no período de IPO (oferta inicial de ações). Houve várias empresas brasileiras que tentaram se internacionalizar, e não queríamos que a operação da Farm lá fora fosse precificada no IPO para não gerar expectativa e frustração no mercado. Mas é uma operação que, durante a pandemia, se fortaleceu muito.

Quer trabalhar como assessor de investimentos? Entre no setor que paga as melhores remunerações de 2021. Inscreva-se no curso gratuito “Carreira no Mercado Financeiro”.

Superintendência do Cade aprova fusão de Cia. Hering e Grupo Soma sem restrições

Hering

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a operação de incorporação da Cia. Hering pelo Grupo Soma (SOMA3), dono das marcas Animale e Farm. A decisão está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira.

Com o fechamento do negócio, a Cia. Hering ([ativo=HGXT3]) passa a ser subsidiária integral da Soma.

Fechado em abril deste ano, o acordo com a catarinense Hering coloca o Grupo Soma em novo patamar entre os varejistas nacionais.

A companhia, até aqui, se limitava à atuação no mercado premium. Agora, vai para o segmento de massa. A negociação entre as empresas envolveu ações, mas também um pagamento em dinheiro de R$ 1,5 bilhão.

“Como justificativa estratégica para o negócio, a Soma acredita que a operação representa uma oportunidade de ampliar seu mercado total, atingindo diferentes audiências, dada a complementaridade dos portfólios das requerentes, além de resultar em sinergias operacionais tanto por meio do crescimento da receita e da margem bruta quanto por meio de maior eficiência em despesas e investimento. A Cia. Hering acredita que a operação representa uma boa oportunidade de negócio e de capitalização”, cita parecer divulgado pelo Cade sobre o negócio.

Curso gratuito mostra como iniciar carreira no mercado financeiro começando do zero, com direito a certificado. Inscreva-se agora.

Varejistas vão às compras: as principais apostas no mercado de fusões e aquisições, segundo a XP

SÃO PAULO – Depois de anunciar um aumento de capital no valor de R$ 4 bilhões, a Lojas Renner (LREN3) tem ganhado o holofote do mercado financeiro, com os investidores de olho em quem será a próxima empresa no carrinho da varejista. A companhia, contudo, não está sozinha em um mercado de fusões e aquisições (M&A) que movimentou cerca de R$ 155 bilhões apenas nos três primeiros meses do ano.

Em relatório publicado nesta segunda-feira (28), a XP afirma que a Arezzo (ARZZ3) é outra empresa que deve se mostrar ativa em busca de novas oportunidades nativas digitais no segmento de vestuário, como a recém adquirida BAW, a Pantys e Haight, bem como marcas mais tradicionais, caso de Shoulder, Mixed e Yogini.

Há ainda espaço para a Vivara (VIVA3) consolidar seu mercado, escrevem, principalmente por meio de marcas que complementem seu portfólio em relação ao público alvo, caso da H. Stern.

Finalmente, a C&A (CEAB3) parece estar em uma frente mais reativa, avaliam os analistas, enquanto o Grupo Soma (SOMA3) deve focar na integração com a Hering (HGTX3), em uma operação de R$ 5,1 bilhões. Leia mais aqui.

Na mira da Renner

De acordo com o relatório da XP, após aumento de capital da Lojas Renner, a candidata preferida a ser incluída na carteira é a Dafiti, que tem um portfólio com mais de seis mil marcas e mais de 400 mil produtos à venda em seu site.

Com faturamento de R$ 3,4 bilhões em 2020, a varejista tem operações em diversos países da América Latina, como Brasil, Argentina, Chile e Colômbia.

A Dafiti conta ainda com um serviço de assinatura (Dafiti Prime), em que oferece frete grátis sem valor mínimo de compra e coleta para trocas, e possui um cartão de crédito próprio (Dafiti Card), que pode ser usado em outros estabelecimentos comerciais.

Leia também:
Como a Bolsa, mercado de fusões e aquisições está nas máximas: isso se reflete em valorização das empresas?

Ainda que a empresa seja a mais cotada, os analistas da XP dizem ver desafios em relação ao interesse do controlador (GFG) em vender o ativo, “o que poderia levar a um valuation mais esticado”.

PUBLICIDADE

Neste contexto, o time de análise afirma que vê a Renner buscando outras companhias digitais, como a Amaro. Privalia também estaria na lista, mas protocolou recentemente uma nova tentativa de IPO.

“Vemos aquisições de pequenas empresas digitais/fintechs que complementam a proposta de valor de se tornar um ecossistema como as mais prováveis de ocorrerem no curto prazo”, escrevem os analistas.

E-commerce na dianteira

Com um mercado agitado de M&A, a avaliação da XP é de que os players de e-commerce são os que devem se comportar de forma mais ativa em busca de oportunidades, principalmente em meio à adição de novas categorias no 1P (estoque próprio), com setores como casa e decoração e vestuário sendo os mais prováveis de irem às compras.

Além do crescimento em meio à pandemia, são setores que procuram por capacidades e funcionalidades que complementem seu ecossistema, como fintechs, players logísticos ou de conteúdo, destacam.

Farmácias e supermercados desaceleram

Enquanto nomes do e-commerce lideram a corrida de fusões e aquisições no mercado brasileiro, os setores de farmácia e supermercados seguem menos aquecidos.

Para os analistas da XP, é pouco provável que aconteça alguma aquisição em farmácia, principalmente dado que Pague Menos (PGMN3) já adquiriu recentemente a Extrafarma, acelerando seu plano de expansão e sua atuação nas regiões Norte e Nordeste, e a RaiaDrogasil (RADL3) é mais focada em crescimento orgânico.

Já em supermercados, a avaliação é de que o fluxo de notícias deve se concentrar ao redor dos desinvestimentos do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), apesar de o time ver Carrefour Brasil como um potencial interessado na marca Pão de Açúcar. Nos últimos dias, ganhou destaque a notícia, depois negada pela companhia, de que o grupo Casino teria começado a se estruturar para vender sua parte no GPA.

Além disso, a XP destaca que o Assaí (ASAI3) e o Grupo Mateus (GMAT3) podem olhar para oportunidades de aquisição de “atacarejos” regionais, embora sejam focados em crescimento orgânico.

PUBLICIDADE

As estratégias dos melhores investidores do país e das melhores empresas da Bolsa, premiadas num ranking exclusivo: conheça os Melhores da Bolsa 2021

Ibovespa volta a renovar máximas: o que esperar das ações que mais subiram desde o topo anterior, segundo analistas técnicos

SÃO PAULO – O Ibovespa voltou a renovar sua máxima histórica, superando os 126 mil pontos na sessão desta segunda-feira. Algumas ações tiveram um desempenho muito melhor do que outras nesta caminhada desde o recorde do dia 8 de janeiro, quando o índice encerrou a sessão cotado em 125.076 pontos.

Segundo levantamento da plataforma de informações financeiras Economatica, as 10 ações listadas abaixo foram as que tiveram melhor desempenho de um recorde a outro do Ibovespa (desempenho considera fechamento até o dia 28 de maio).

O levantamento leva em consideração tanto as ações que compõem o Ibovespa quanto o IBRX-100, que é o o indicador do desempenho médio dos 100 ativos mais negociados e mais representativos do mercado de ações brasileiro.

Confira:

Empresa Ticker Variação
Banco Pan (BPAN4) 136,57%
Braskem (BRKM5) 109,56%
Hering (HGTX3) 108,25%
Embraer (EMBR3) 97,84%
Banco Inter (BIDI11) 66,86%
Banco Inter (BIDI4) 66,33%
BTG Pactual (BPAC11) 33,18%
Eletrobras (ELET3) 32,63%
Locaweb (LWSA3) 32,47%
PetroRio (PRIO3) 32,03%

Perguntamos ao analista técnico da XP, Giba Coelho, sobre o que os gráficos desses ativos apontam para o futuro. Giba é o analista responsável pelo Giro do Dia do canal do Telegram do InfoMoney às terças e quintas. Se ainda não entrou no canal clique neste link para fazer parte de nosso serviço de informações em tempo real. É totalmente gratuito.

Já as análises sobre o Banco Inter foram feitas por Raphael Figueiredo, analista técnico da Eleven Financial Research.

Confira abaixo as análises para as ações que mais subiram entre os dias 8 de janeiro e 28 de maio de 2021. 

Banco Pan

A ação BPAN4 está em tendência de alta definida por médias móveis e acima dos R$ 23,60 projetaria teste dos R$ 28,50. Os pontos de suportes estão em R$ 19,49 e R$ 16,76. O IFR (Índice de Força Relativa) sobrecomprado favorece uma realização no curto prazo.

Gráfico das ações preferenciais do Banco Pan

Braskem

Já para as BRKM5 a análise é de que as ações estão indefinidas no curto prazo e, acima dos R$ 53,00 retomariam sinal de alta projetando ganhos até R$ 57,75 ou R$ 75,85. Tem suportes em R$ 48,33, na base de um triângulo e R$ 40,00 em retração de Fibonacci.

Gráfico das ações preferenciais classe A da Braskem

Hering

PUBLICIDADE

Já para os papéis da Hering, Giba analisa que estão em um rali de alta projetando R$ 37,00 ou R$ 41,80. Os suportes estão em R$ 30,80 e R$ 26,32.

Gráfico das ações ordinárias da Hering

Embraer

No caso das EMBR3, Giba explica que estão em canal de alta projetando R$ 19,75 ou R$ 20,70. Tem região forte de suporte nos R$ 16,20, que é a base do canal e proximidade da média móvel de 21 dias.

Gráfico das ações ordinárias da Embraer

Banco Inter

Raphael Figueiredo, analista técnico da Eleven Financial Research, fez sua avaliação do ativo BIDI11 pelo gráfico.

Na opinião de Figueiredo, o  papel segue firme na sua tendência de alta iniciada dia 3 de novembro do ano passado e indicada pelo canal de alta em azul.

“Entretanto, no curto prazo, perde aceleração de momentum, após não conseguir ultrapassar a resistência na faixa dos R$ 76,63. Isso nos dá uma configuração irregular entre os topos e fundos. Pode ser um sinal de comprometimento da tendência de alta, mas que só será confirmado se testar e perder o suporte, bem como fundo anterior, na faixa dos R$ 57,29. Até lá, no curto prazo, o quadro é de consolidação de preços até que haja o rompimento de um desses extremos assinalados”, analisa.

Gráfico das units do Banco Inter

BTG Pactual

No caso das units do BTG Pactual, Giba comenta que estão em tendência de alta projetando R$ 135,00 ou R$ 150,00. Tem como suportes os patamares de R$ 120,70 e R$ 115,00.

Gráfico das units do BTG Pactual

Eletrobras

Os papéis da Eletrobras, por sua vez, estão em tendência de alta com projeções em R$ 47,00 ou R$ 50,00. Tem suportes em R$ 40,80 e R$ 37,50.

Gráfico das ações ordinárias da Eletrobras

Locaweb

Já a Locaweb retomou tendência de alta há poucos dias ao superar R$ 25,00. Tem projeções em R$ 29,80 e R$ 35,40. O suporte mais forte está nos R$ 20,90.

Gráfico das ações ordinárias da Locaweb

PetroRio

PUBLICIDADE

Por fim, as ações da PetroRio, na opinião de Giba Coelho, estão em tendência de alta pelas médias móveis e esbarraram em topo nos R$ 20,67, que se superado projetará altas na direção dos R$ 23,00 ou R$ 25,40. Tem suportes em R$ 18,45 e R$ 17,00.

Gráfico das ações ordinárias da PetroRio

Análise técnica

Chamada de análise gráfica por alguns, ela parte do pressuposto de que tudo o que pode ser medido acerca do desempenho futuro de uma ação já está precificado.

Desse modo, os movimentos diários do papel teriam um componente muito maior de percepção psicológica dos investidores sobre se está caro ou barato, subiu demais ou caiu demais, do que de fundamentos.

As operações em análise técnica, então, são guiadas a partir de um estudo do gráfico do preço da ação, verificando quais patamares de preço geralmente atraem vendas (resistências) e quais outros atraem compras (suportes).

Outras ferramentas da análise técnica incluem o IFR (Índice de Força Relativa), projeção de Fibonacci e análise de médias móveis.

Para saber mais sobre essa ferramenta de tomada de decisão na hora de comprar ou vender um ativo acesse nosso guia de análise técnica.

Sócia da XP Investimentos oferece curso gratuito de como alcançar a liberdade financeira. Clique aqui para se inscrever.

Não vamos acelerar nem frear a agenda de aquisições, diz Alexandre Birman, da Arezzo

Após uma oferta considerada agressiva pela Hering (HGTX3), a Arezzo (ARZZ3) acabou sendo passada para trás por um movimento surpresa do Grupo Soma (SOMA3) na disputa pela companhia.

Saiba mais
Arezzo: como pai e filho criaram a marca de R$ 6 bilhões

O presidente do grupo Arezzo, Alexandre Birman, diz, porém, que a empresa é da paz e que a fama de negociador furioso não tem lastro na realidade. “É extrema inverdade falar isso e minha consciência é tranquila nesse sentido. Deveria até ser mais (furioso)”, disse.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Em que pé está o negócio digital da Arezzo?

Em 2018, demos o pontapé inicial no digital e na visão omnichannel (integração entre lojas físicas e internet). Foram milhões em investimentos em tecnologia e, sobretudo, na cultura da equipe. Quando veio a primeira onda de restrição à circulação, em março de 2020, levou um tempo até colocarmos tudo de pé e definirmos a nova forma de operar. Mas, a partir de maio, já iniciamos um momento bom. A força de venda ficou 100% ativa e mantivemos, com as lojas fechadas, patamar de 52% das vendas de 2019 e crescimento turbinado com e-commerce.

A empresa está preparada caso venha uma terceira onda?

Nosso viés é positivo: pior do que foi, não será. Mas talvez não seja uma linha reta de crescimento. Haverá momento de maior desafio e depois volta ao normal, em uma curva crescente e não linear.

Os franqueados tiveram renegociação de aluguéis com os shoppings?

PUBLICIDADE

Na maioria dos shoppings, nosso custo de ocupação é melhor do que o de outros lojistas. Nos casos em que os shoppings veem que o ponto comercial está em dificuldade, há boas negociações. Nunca judicializamos nenhum tipo de pagamento. A gente é uma empresa da paz, em todos os sentidos.

Mas, nas últimas semanas, muito se falou da “fúria do Birman” em negociações…

Primeiro, sou justo demais. Pago o preço justo, inclusive no âmbito pessoal. Nosso modelo de negócio é transparente: não fico negociando a compra no meu fornecedor para ganhar margem melhor. Nosso fornecedor sabe o preço de venda. O franqueado sabe quanto comprou na fábrica. Se a gente atua no core business assim, quem diz que eu sou furioso na negociação? É extrema inverdade falar isso e minha consciência é tranquila nesse sentido. Deveria até ser mais.

O sr. se refere ao caso Hering?

Não. Quis dizer que sou extremamente conservador em vários sentidos e, nesse caso, não deixa de ser verdade. Em nossa opinião e na dos principais bancos que nos assessoraram, a forma que conduzimos foi extremamente aberta e transparente. Realmente, foi motivo de muita surpresa a forma como aconteceu, mas não tenho muito a falar sobre isso.

Após a compra da Hering não ter saído, o mercado espera agora um próximo movimento da Arezzo. Qual será?

Nossa empresa não foi criada para crescer por aquisições. Nossa essência é o crescimento orgânico. Quando fizemos a aquisição da Reserva, foi para entrar no segmento de vestuário. Era muito difícil nos tornarmos relevantes do zero. A expansão por aquisição é algo novo. Mesmo se tivéssemos concretizado a aquisição da Hering, iríamos manter a área ativa, porque hoje é uma prerrogativa da empresa. Não tinha desespero. Era uma oportunidade que acreditávamos estar na hora certa, no preço certo. Não aconteceu. Continua nossa agenda normal de M&A (fusões e aquisições), sem acelerar e sem frear.

Após a Hering, só restaram menos empresas “compráveis”?

PUBLICIDADE

De grande porte, não. De pequeno porte, tem várias. Temos opções interessantes, algumas de baixíssimo risco e endividamento, com possibilidade de crescimento de longo prazo. Outras com trabalho um pouco maior de reconstrução. Pode ser que a gente venha com aquisição de menor porte, mais digital. Pode ser uma empresa de moda feminina ou uma marca que já fez muito sucesso, mas precisa de reposicionamento.

Fontes falam da Restoque.

Não faz parte.

E C&A?

Não é um bom alvo, pelo modelo de negócios e a classe social. Hoje, não faz parte do nosso pipeline (plano).

Falam da Inbrands. Algumas marcas, não a empresa toda.

Inbrands tem marcas interessantes. O conjunto da obra, infelizmente, não foi exitoso. É o máximo que posso falar.

E Brooksfield?

PUBLICIDADE

Sim, foi ofertada. Não tem a menor possibilidade.

Stock Pickers lança curso online e gratuito que ensina a identificar ativos com ótimo potencial de valorização. Inscreva-se.

Lucro líquido da Cia. Hering tem alta de 292% e vai a R$ 19,8 milhões no 1º trimestre

SÃO PAULO – A Cia Hering (HGTX3) registrou lucro líquido de R$ 19,76 milhões no primeiro trimestre, uma alta de 291,8% ante o lucro de R$ 5,04 milhões apresentado um ano antes.

A companhia apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 14,3 milhões, alta de 25,8% na comparação anual.

Já a receita líquida teve crescimento de 4,8%, para R$ 285,1 milhões, enquanto as vendas no conceito mesmas lojas reverteram o desempenho prejudicado pelas medidas de isolamento social do ano passado, registrando alta de 11,4%, ante queda de 22,2% um ano antes.

O indicador de vendas mesmas lojas do primeiro trimestre deste ano considera todas as marcas do grupo enquanto o comparativo com 2020 considera apenas Hering e Hering Kids.

Em seu release, a Cia. Hering afirmou que no segundo trimestre vai acelerar a inauguração de lojas, num “cenário de menor restrição de circulação”. A empresa reafirmou sua meta de abertura de 125 lojas em 2021 “em formatos compactos” e conversão de 10 megalojas.

(Com Reuters)

Série gratuita ensina na prática como identificar ativos com excelente potencial de valorização. Clique aqui para se inscrever.

As 5 maiores altas e as 5 maiores baixas do Ibovespa no mês de abril

bolsa ações mercados alta up sobe índices Foto: reprodução

SÃO PAULO – O  Ibovespa encerrou o mês de abril com ganhos acumulados de 1,75%, em um período marcado pela indicação de recuperação econômica dos Estados Unidos em meio à vacinação em massa da população e estímulos governamentais. Por aqui, a pauta de destaque foi a sanção do Orçamento de 2021.

O noticiário corporativo também foi movimentado, com o fim da temporada de resultados do quarto trimestre de 2020 e o início da temporada do primeiro trimestre de 2021, já trazendo importantes sinalizações sobre o cenário para diversos setores da economia. Fusões e aquisições também movimentaram a Bolsa brasileira, guiando inclusive a maior alta do Ibovespa do mês.

Confira abaixo as maiores altas e baixas do Ibovespa no mês de abril:

Maiores altas

1. Cia. Hering (HGTX3, R$ 27,42, +70,42%)

A Cia. Hering liderou com folga os ganhos em abril, se valorizando 70,42%, com os papéis atingindo R$ 27,42. E a maior parte dessa alta ocorreu apenas na segunda metade do mês, após duas notícias de fusões, uma que foi recusada e outra aprovada.

No dia 15 de abril, os papéis da companhia saltaram 28,13% após ela dizer não a uma proposta da rival Arezzo para que elas unissem seus negócios. Na ocasião, mesmo com o negócio não dando certo, o mercado passou a ver com melhores olhos para a Hering.

“Apesar de um forte compromisso com fusões e aquisições, além de crescimento, a Cia Hering pode ser uma empresa difícil de digerir [para a Arezzo]. Dito isso, acreditamos que os investidores devem se concentrar mais no lado positivo”, disseram os analistas do Credit Suisse.

Na época, a equipe do banco suíço destacou, entre outras coisas, que a companhia passou a ser vista como um alvo de fusões e aquisições, o que, para uma ação deprimida, poderia levar a uma importante reação positiva do preço das ações.

Nos dias que se seguiram, os papéis seguiram ganhando força puxados também por um noticiário aquecido dentro do setor como um todo e diversos rumores de fusões e aquisições de outras companhias.

Porém, no dia 26 de abril, a Hering e o Grupo Soma anunciaram um acordo para fusão das duas empresas, levando a um salto de mais 26,19% do ativos HGTX3, negócio que também foi bem avaliado pelos analistas.

PUBLICIDADE

Pedro Serra, gerente de Research da Ativa Investimentos, destacou a importância da notícia para a Hering, que com a nova estrutura pode acelerar seu movimento de virada após uma fase bastante complicada. Já, Henrique Esteter, da Guide Investimentos, ressaltou que o grupo Soma pode ter oferecido um valor elevado pela empresa, ajudando na avaliação do mercado para a ação subir (clique aqui para ver a análise completa).

2. Braskem (BRKM5, R$ 52,50, +32,28%)

Pelo terceiro mês seguido a Braskem ficou entre as melhores ações do Ibovespa, desta vez com uma alta de 32,28%, cotada a R$ 52,50. Com isso, no ano, os papéis da companhia acumulam valorização de 122,74%.

A companhia petroquímica já havia ficado entre as maiores altas do primeiro trimestre favorecida por um noticiário positivo e bastante agitado, envolvendo acordos no México, o seu bom resultado de 2020 e a avaliação de analistas, otimistas com o futuro do setor como um todo.

Porém, em abril mais novidade ajudaram as ações a seguirem em alta. Primeiro, o jornal Valor Econômico informou que a Odebrecht (hoje Novonor) havia iniciado novas conversas com possíveis compradores de sua fatia na Braskem.

No dia 12 então, as ações saltaram 7,82% após o Brazil Journal afirmar que executivos e empresários do setor petroquímico acreditam que a melhor forma da Novonor monetizar a participação na empresa seria a formação de um grande consórcio com empresas internacionais e nacionais e investidores financeiros.

Leia mais: Depois da tempestade, o ânimo na Bolsa? O que explica a disparada de 120% das ações da Braskem em 2021

De acordo com o site, no desenho que está sendo falado nos bastidores do setor, o Mubadala poderia ficar com os ativos da Braskem no Nordeste. Em São Paulo, a Unipar e a belga Solvay poderiam se interessar pelo antigo polo petroquímico de Capuava. A Ultrapar poderia ficar com o Polo Petroquímico no Rio Grande do Sul e a Petrobras – que divide o controle da Braskem com a Novonor – ficaria com o Polo do Rio.

Os ativos internacionais, de acordo com as fontes ouvidas pelo Brazil Journal, ficaram com players europeus e americanos. A Borealis ficaram com as duas fábricas de polipropileno da Europa e a LyondellBasell, com o México. Os ativos dos EUA poderiam ir para fundos de private equity como Apollo e Advent.

PUBLICIDADE

Todo esse noticiário, seguiu levando a um maior otimismo por parte dos analistas. Nas últimas semanas, o Morgan Stanley afirmou que, ao contrário da expectativa do mercado para o final de 2020, o ritmo do mercado petroquímico continua forte em 2021, com spreads historicamente altos para os setores de polipropileno e propileno, devido a interrupções na oferta, especialmente após uma tempestade de inverno recente afetar a capacidade do Golfo dos Estados Unidos; alta demanda, beneficiada por maior necessidade de empacotamento na pandemia; e níveis de estoque baixos.

A estimativa de Ebitda do banco, de US$ 4 bilhões, ficou 32% acima de sua projeção anterior, e 70% acima do consenso do mercado. O Morgan ainda elevou a expectativa para 2022 em US$ 2,771 bilhões. Com base nas conversas recentes, o banco diz acreditar que investidores estão trabalhando com presunções para o Ebitda em 2021 mais perto de entre US$ 3,5 e US$ 3,9 bilhões.

3 e 4. Usiminas (USIM5, R$ 22,45, +31,29%) e CSN (CSNA3, R$ 49,19, +29,79%)

Em sequência, duas companhias do mesmo setor se destacaram no mês: a Usiminas avançou 31,29%, para R$ 22,45, enquanto a CSN subiu 29,79%, a R$ 49,19 em abril. As duas já vinham de um bom momento, conforme analistas estavam com uma visão positiva sobre o setor, reforçada pelos resultados do ano passado.

Logo na primeira semana desse mês, as duas tiveram forte alta após bancos como Itaú BBA e Bradesco BBI informarem que a Usiminas havia anunciado um aumento de preços de aço a distribuidores, sendo esta a terceira elevação no ano, após altas em janeiro e fevereiro.

Já nesta última semana do mês, as companhias avançaram com as expectativas sobre seus balanços de primeiro trimestre. A Usiminas estreou a temporada revertendo o prejuízo de R$ 424 milhões registrado no início de 2020 para um lucro de R$ 1,205 bilhão neste primeiro trimestre (veja a análise completa aqui).

O resultado foi obtido com uma disparada de 325% na comparação anual geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda ajustado, para R$ 2,42 bilhões. A alta foi de 51% frente ao trimestre imediatamente anterior.

No período, o volume de vendas de aço da Usiminas cresceu 20% ante o mesmo período de 2020 e de 11% frente ao quarto trimestre, para 1,25 milhão de toneladas, enquanto a comercialização de minério de ferro caiu 12%, para 1,94 milhão de toneladas.

Já a CSN teve lucro líquido de cerca de R$ 5,7 bilhões no primeiro trimestre, revertendo desempenho negativo de R$ 1,3 bilhão apurado um ano antes em meio à combinação de ganho de recursos com o IPO de sua unidade de mineração e melhor desempenho operacional que tem sido guiado por melhora na demanda de aço no Brasil.

PUBLICIDADE

A companhia, que obteve um ganho líquido no IPO da CSN Mineração (CMIN3) de cerca de R$ 2,5 bilhões em meados de fevereiro, e teve uma geração de caixa medida pelo Ebitda ajustado recorde de R$ 5,8 bilhões. O montante equivale a um crescimento de mais de 4 vezes em relação ao desempenho do primeiro trimestre de 2020.

Com isso, a alavancagem da companhia, que já foi uma grande preocupação de investidores, terminou março em 1,29 vez, bem abaixo das 4,78 vezes de um ano antes e menor que as 2,23 vezes do final de 2020.

Após fortes altas nas últimas semanas e nos pregões que antecederam os resultados, as companhias registraram queda neste fim de mês, mas não o suficiente para deixar o top 3 do Ibovespa.

5. Pão de Açúcar (PCAR3, R$ 40,73, +22,75%)

Depois da forte queda em março por conta do movimento de cisão do Assai (ASAI3), o Pão de Açúcar conseguiu ficar entre as maiores altas de deste mês com suas ações valorizando 22,75%, a R$ 40,73. A companhia conseguiu entrar no top 5 de abril apenas neste último pregão ao subir 4,30%.

Porém, o principal driver para o papel foi a notícia, no dia 12, de que seu controlador, o Grupo Casino, iniciou “trabalhos preparatórios para potencial aumento de capital da Cdiscount”, subsidiária direta da Cnova – na qual o GPA detém 34,17% do capital social. A notícia fez as ações subirem quase 10% em apenas um dia.

A operação tem como objetivo habilitar o Cdiscount a acelerar seu plano de crescimento e pode também incluir uma oferta secundária de ações detidas pelo Pão de Açúcar.

Na ocasião, a empresa disse que seu conselho de administração recebeu “de maneira positiva o lançamento desses estudos”, ressaltando a “excelente performance operacional” da subsidiária, assim como o forte potencial de crescimento do Cdiscount e o ambiente favorável do mercado de capitais.

Analistas destacaram que a notícia é positiva, mas seguiram cautelosos com as ações. A XP apontou que há desafios para que o GPA faça a sua operação de saída da Cnova no curto prazo, citando três motivos principais.

Em primeiro lugar, o grupo tem vocalizado seu interesse em desinvestir desse ativo há algum tempo, porém isso não ocorreu até o momento. O segundo ponto é que a Cnova tem enfrentado um cenário competitivo mais difícil, em um mercado liderado pela Amazon. Por fim, o desafio ocorre em meio ao momento de rotação de posicionamento para empresas/setores de valor dado o contexto de retomada econômica e volta à normalidade, o que pode ser um desafio para que a potencial operação ocorra.

Já Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos, avalia que a operação da Cnova estampa o valor de ativos do Pão de Açúcar, que estavam descontados, sendo que a operação ajuda a trazer visibilidade para o Pão de Açúcar.

Akamine diz que as ações do Pão de Açúcar têm se valorizado tanto com a cisão do Assaí quanto com a operação da Cnova, porque elas fazem uma espécie de “limpeza na operação” do grupo e permitem monetizar cada ativo de forma mais precisa (clique aqui para ver a análise completa).

Confira as maiores altas do Ibovespa em abril: 

Empresa Ticker Cotação Variação
Cia. Hering HGTX3 R$ 27,42 +70,42%
Braskem BRKM5 R$ 52,50 +32,28%
Usiminas USIM5 R$ 22,45 +31,29%
CSN CSNA3 R$ 49,19 +29,79%
Pão de Açúcar PCAR3 R$ 40,73 +22,75%

Maiores baixas de abril 

1. BRF (BRFS3, R$ 20,79, -17,57%)

Os ativos da BRF foram fortemente impactos em março pela forte alta das commodities agrícolas, levando a um aumento dos custos para a companhia na produção de frangos.

Em relatório desta semana, Guilherme Palhares e Isabella Simonato, analistas do Bank of America destacaram que os papéis devem seguir afetados pelo custo maior das commodities agrícolas.

Em dólar, os preços da soja e do milho subiram desde o início de março, respectivamente, 12% e 27%. No acumulado de 2021, a elevação é de 18% e 44%, no nível mais alto desde 2013 e sendo uma resposta para as importações da China, piores condições climáticas no Brasil (e, em menor intensidade, nos EUA).

Com esse cenário para as commodities, os analistas refizeram o seu modelo, apontando um aumento dos custos por tonelada de 13% para 16,6% em 2021. O preço-alvo para BRF foi reduzido de R$ 38 para R$ 35, mas a recomendação segue de compra.

Com relação aos próximos pregões, vale ficar de olho no resultado da companhia, a ser divulgado no próximo dia 12 de maio.

O BofA espera que os resultados da BRF sejam sólidos, com Ebitda de R $ 1,2 bilhão, ligeiramente abaixo do ano anterior, com margem abaixo de 230 pontos-base em relação ao primeiro trimestre de 2020.

“Notamos que o primeiro trimestre de 2020 é uma base de  comparação difícil no mercado internacional, com margens recordes na Ásia e margens de exportação muito fortes. No Brasil, as margens devem ficar estáveis ​​na base anual, apesar do aumento significativo nos custos de ração e frete, uma vez que a empresa continua aumentando os preços”, avaliam os analistas.

“Acreditamos que novos aumentos de preços, desempenho do portfolio de vendas da companhia e posições de hedge serão aspectos importantes para monitorar nos resultados do primeiro trimestre de 2021”, avaliam os analistas.

Traçando um panorama geral sobre o setor, os analistas da XP apontam que, apesar do momento atual de safra no Brasil, quando a oferta costuma aumentar e pressiona o mercado, os preços dos animais vivos apresentaram boa resiliência, principalmente devido a pressões de custos que não devem deixar espaço para correções significativas, mas também em parte pelo bom desempenho nas exportações.

A taxa de câmbio continua favorável, uma vez que o Brasil segue competitivo apesar dos preços elevados no mercado interno, mas a participação da exportação no total da produção tem crescido, o que é um fato positivo, ainda que em grande parte demanda doméstica esteja fraca. “O cenário continua desafiador para a América do Sul, mas positivo para a América do Norte, com margens nas operações de bovinos superiores aos níveis históricos ao longo do primeiro trimestre – acreditamos que isso ainda não foi devidamente precificado nas ações das empresas: a diversificação geográfica tem sido mais relevante do que a diversificação de proteínas”, destacam.

2. Eneva (ENEV3, R$ 14,67, -12,16%)

As ações da Eneva passaram por forte altos e baixos em abril. No acumulado do mês até o dia 12, as ações subiram cerca de 8%.

Em destaque, um catalisador positivo foi a venda da totalidade de sua participação de 50% na UTE São Marcos para a Golar, que foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) neste mês. Segundo a Ativa Investimentos, a venda majora as condições de liquidez para que a companhia finalize seus próximos projetos sem maiores complicações, como a operacionalização de Jaguatirica II ainda neste ano, Parnaíba V até 2022 e Parnaíba VI até 2024.

Por outro lado, a partir da segunda quinzena, as ações passaram a cair forte, com as notícias sobre a venda de participação do BTG Pactual da companhia. O Brazil Journal destacou, em matéria do dia 13 de abril, que o banco, que detinha até então 22,89% do capital da companhia, colocou à venda um bloco de 27 milhões de ações em apenas uma sessão, o equivalente a 10% de sua posição na empresa.

A saída ocorre em meio a uma elevação pelo BTG  no Banco Pan e investimento na InfraCo, divisão especializada em fibra óptica da Oi.

3. Qualicorp (QUAL3, R$ 27,05, -10,87%)

Os resultados da Qualicorp do quarto trimestre de 2020, divulgados no fim do mês de março,  acabaram impactando o desempenho das ações da companhia ao longo de abril.

A companhia reportou lucro líquido de R$ 67,6 milhões no quarto trimestre, alta de 12,4% ante os R$ 60,1 milhões registrados no mesmo período de 2019. No ano de 2020, a empresa apresentou lucro líquido de R$ 392,1 milhões, com acréscimo de 5,3% ante 2019.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, por sua vez, atingiu R$ 190,3 milhões no último trimestre do ano passado, com queda de 16,8% em comparação aos R$ 228,8 milhões do mesmo período do ano passado.

O Safra destacou como dado negativo a margem bruta, 1,18 ponto percentual pior do que a estimativa da equipe de análise, de 81,0%. As despesas gerais e administrativas diminuíram 9% em relação ao ano anterior, mas aumentaram 25% no trimestre (15% piores do que as estimativas dos analistas), já que a empresa foca em melhorar sua governança corporativa, investimentos em TI e melhor atendimento ao cliente.

Como resultado, o Ebitda ajustado ficou 19% abaixo do que os analistas esperavam, com uma margem de 39,5%. “Esta compressão de margem acentuada (já excluindo itens não recorrentes) é uma surpresa negativa relevante e pode impactar negativamente na avaliação, a menos que a adesão orgânica e o crescimento da receita acelerem significativamente nos próximos trimestres”, avalia o banco. No momento, a recomendação segue de compra com preço-alvo de R$ 43.

4. BB Seguridade (BBSE3, R$ 22,33, -7,92%)

A BB Seguridade teve queda expressiva de suas ações no mês.

A companhia já caminhava para uma baixa no período, mas foi a desvalorização de 3,45% no dia 27 que colocou ela na lista de piores de abril.

A sessão marcou foi a maior queda diária das ações da empresa desde 22 de fevereiro, quando a companhia divulgou os seus resultados no quarto trimestre do ano passado: no período, a seguradora teve um lucro líquido de R$ 916,61 milhões.  O destaque negativo do balanço da seguradora ficou por conta do resultado financeiro, que tombou na comparação anual.

Cabe ressaltar que, no fim deste mês, a Caixa Seguridade estreou na Bolsa brasileira (B3), valendo cerca de R$ 29 bilhões, na terceira tentativa para abrir o seu capital. A holding de seguros da Caixa Econômica Federal conseguiu emplacar a operação com prêmio em relação à sua concorrente BB Seguridade.

O resultado da BB Seguridade referente ao primeiro trimestre de 2021 sairá no próximo dia 3 de maio e, segundo o Itaú BBA, a companhia deverá apresentar números sólidos, com a expectativa de um lucro de R$ 944 milhões no período. Já os resultados financeiros continuarão pressionados, embora alguma melhora seja esperada, avaliam.

Em relatório do final de abril, os analistas reduziram o preço-alvo dos ativos de R$ 40 para R$ 32, mas seguiram com recomendação outperform para os papéis. A redução do preço-alvo é atribuída principalmente a um maior custo de capital próprio, à incorporação dos resultados do quarto trimestre
e a ajustes nas estimativas de lucros.

“Após um desempenho inferior em relação ao Ibovespa, vemos uma relação risco-recompensa favorável para a ação levando em conta os preços atuais. Estimamos um dividend yield [dividendo em relação ao preço da ação] de 7%. Uma melhora dos números da companhia deve ajudar a ação a retomar o seu patamar na Bolsa gradualmente”, apontam.

5. Cielo (CIEL3, R$ 3,45, -7,26%)

Apesar de ter começado o mês com uma boa notícia, com o  Banco Central autorizando a realização de transferências e pagamentos entre os usuários do WhatsApp para as bandeiras de cartões Visa e Mastercard, a ação da Cielo segue sinalizando o cenário bastante desafiador que a companhia enfrenta nos últimos anos. Com isso, por mais um mês, a ação fechou com perdas na Bolsa.

O resultado do primeiro trimestre foi um prova disso: a companhia divulgou seus dados em 28 de abril, com  lucro líquido de R$ 241,3 milhões, crescimento de 44,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Por outro lado, excluindo efeitos não recorrentes, a Cielo teve lucro líquido de R$ 135,8 milhões no primeiro trimestre, quedas de 54,5% sobre o período de outubro a dezembro do ano passado e de 18,6% ante o primeiro trimestre de 2020.

Neste sentido, de acordo com o Credit Suisse, a menor lucratividade em termos recorrentes continua sendo uma preocupação para os próximos trimestres.

O resultado foi impactado negativamente tanto por volumes quanto por margem, destacam Marcel Campos e Matheus Odaguil, analistas da XP. Os volumes vieram abaixo do esperado, uma vez que o Volume Total de Pagamentos (TPV, na sigla em inglês) da empresa não se recuperou no trimestre, enquanto as margens também não ajudaram (margem líquida de 0,73% versus 0,78% no primeiro trimestre de 2020). No geral, 2021 começou com um declínio de 20% no lucro recorrente em relação ao ano anterior.

Em meio a esse cenário, a recomendação neutra é da maior parte das casas de análise que cobrem a ação, segundo informações da Refinitiv: nove casas se posicionam desta maneira com relação aos ativos, enquanto três recomendam venda e apenas duas recomendam compra. Confira a análise completa clicando aqui. 

Confira as maiores quedas do Ibovespa em abril: 

Empresa Ticker Cotação Variação
BRF BRFS3 R$ 20,79 -17,57%
Eneva ENEV3 R$ 14,67 -12,16%
Qualicorp QUAL3 R$ 27,05 -10,87%
BB Seguridade BBSE3 R$ 22,33 -7,92%
Cielo CIEL3 R$ 3,45 -7,26%

Quer viver de renda? Estes 3 ativos podem construir uma carteira poderosa. Assista no curso gratuito Dominando a Renda Passiva.