Grupo Soma tem expansão de 252,1% no lucro no 2º tri

EMPREENDEDORA DO ANO – NATI VOSSA, fundadora e diretora criativa de marca da byNV: Formada em Negócios de Moda, Nati atura entre lojas próprias e e-commerce. Em 2019 a empresa ultrapassou R$ 100 milhões em faturamento bruto. No ano passado, foi anunciada a compra da NV pelo Grupo Soma (dono de marcas como Animale e Farm), numa operação avaliada em R$ 210 milhões

SÃO PAULO – O Grupo Soma (SOMA3) teve um lucro líquido de R$ 66,2 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa um crescimento de 252,1% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, conforme divulgou a varejista de moda e vestuário nesta quinta-feira (12).

Já o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) do Soma totalizou R$ 100,5 milhões, em expansão de 143,9% na comparação anual.

A receita líquida da companhia, por sua vez, somou R$ 566,2 milhões, valor 58,8% superior ao do segundo trimestre de 2020.

Entre outros destaques, as vendas em mesmas lojas do grupo subiram 77,5% na base anual e 22,8% ante o segundo trimestre de 2019, ou seja, mostrando um avanço em relação ao patamar pré-pandemia.

Segundo a administração, a companhia voltou a adquirir clientes no varejo físico, ao mesmo tempo em que o canal digital chegou a R$ 242,8 milhões, em alta de 33,8% contra o segundo trimestre de 2020.

“Nossas marcas continuaram a crescer, com substancial ganho de market share e expansão em mercados de alto potencial. No Brasil, FARM e NV se destacam novamente com um expressivo crescimento. A Animale também foi um destaque positivo com crescimento robusto contra o segundo trimestre de 2019 a partir de maio de 2021″, escrevem os gestores da empresa.

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Grupo Soma encerra operações da marca A. Brand; estoque será disponibilizado no site da Off Premium 

A.BRAND (Foto: Divulgação)

O Grupo Soma (SOMA3), dona de marcas como Animale e Farm, anunciou nesta terça-feira (3) o encerramento das operações da marca A. Brand.

Segundo a varejista, a companhia não vinha apresentando a performance esperada e, desde abril de 2020, já haviam sido encerradas doze lojas da marca.

O grupo encerrou a operação das duas últimas lojas da marca na sexta-feira (30) e o estoque premium será disponibilizado no site da Off Premium.

Em abril, o grupo Soma anunciou a compra da Cia. Hering (HGTX3).

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União indica conselheiros para a Petrobras, estreia da Desktop na B3, follow-on do Grupo Soma, balanço da Neonergia e mais

Petrobras (Foto: Mario Tama/Getty Images)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo tem como destaque a estreia das ações da Desktop, os primeiros resultados da temporada do segundo trimestre com Neoenergia e Romi, além da captação do Grupo Soma em oferta subsequente de ações.

Na noite de terça, a Petrobras informou que recebeu ofício do Ministério de Minas e Energia com indicações para a composição da chapa da União para cargos no conselho de administração da empresa, cuja eleição ocorrerá na próxima Assembleia Geral Extraordinária (AGE). Confira os destaques:

Na agenda de IPOs, a Desktop estreia suas ações na B3 nesta quarta-feira.

A companhia precificou sua ação a R$ 23,50 na oferta inicial de ações. O preço ficou perto do piso da faixa estimativa que ia de R$ 23 a R$ 28. Ela captou R$ 715 milhões no IPO.

A Desktop é uma provedora de internet, com a empresa atuando majoritariamente no mercado de prestação de serviços de banda larga com tecnologia de fibra óptica de alta velocidade voltado para o consumidor pessoa física.

Os recursos com a oferta serão destinados para crescimento orgânico, aquisições estratégicas e aumento de posição de caixa.

O IRB Brasil registrou lucro líquido de R$ 7,5 milhões em maio deste ano, ante um prejuízo líquido em maio de 2020 de R$ 202,1 milhões. Já nos cinco primeiros meses de 2021, o lucro líquido foi de R$ 9,4 milhões ante um prejuízo líquido no mesmo período de 2020 de R$ 337,2 milhões.

De acordo com a companhia, ao excluir efeito dos negócios descontinuados (run-off) e dos eventos não recorrentes (one-offs), o lucro líquido em maio de 2021 seria de R$ 51,4 milhões. Já nos cinco primeiros meses de 2021 a companhia teria um lucro líquido de R$ 92,9 milhões neste mesmo conceito.

Os resultado antes dos impostos foram de R$ 10,8 milhões, uma melhora em relação a maio de 2020, que apresentou
resultado negativo de R$ 327,9 milhões. Já nos cinco primeiros meses de 2021, o resultado antes dos impostos foi positivo em R$ 21,9 milhões, comparado a um resultado negativo de R$ 500,0 milhões no mesmo período de 2020.

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O prêmio emitido de R$ 585,9 milhões em maio apresentou queda de 26,1% em relação a maio de 2020, sendo R$ 388,2
milhões no Brasil e R$ 197,7 milhões no exterior. O prêmio emitido no Brasil cresceu 33% em relação a maio de 2020, sendo compensado pela redução de 60,6% no exterior.

Multilaser

Já o IPO da empresa de produtos eletrônicos Multilaser saiu a R$ 11,10 cada, perto do piso da faixa estimada pelos coordenadores, de R$ 10,80 a R$ 13,00 por papel, de acordo com informações registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na terça.

A operação envolveu a venda de 198.160.223 ações, movimentando R$ 2,2 bilhões. Desse total, cerca de R$ 1,9 bilhão correspondem à oferta base. Como a operação envolve apenas a venda de ações novas, os recursos devem ir para o caixa da companhia, que pretende usá-los para reforçar o caixa, pagar dívidas e fazer aquisições. A companhia tem a previsão de estrear no pregão da B3 na próxima quinta-feira, negociada sob o ticker MLAS3.

Focus Energia (POWE3)

A Focus Energia informou na terça por meio de fato relevante que fechou contrato com a Trina Solar para o fornecimento de módulos fotovoltaicos ao Projeto Futura 1, empreendimento com 22 parques de energia solar que está sendo desenvolvido pela companhia. O contrato com a Trina Solar substitui acordo anterior que a Focus mantinha com a Risen Energy para os serviços. Segundo a Focus, a alteração do fornecedor faz parte de plano de contingência para mitigar riscos e garantir o cumprimento do cronograma do projeto.

Na terça, a Petrobras informou que recebeu ofício do Ministério de Minas e Energia com indicações para a composição da chapa da União para cargos no conselho de administração da empresa, cuja eleição ocorrerá na próxima Assembleia Geral Extraordinária (AGE). O ofício prevê a recondução de Eduardo Bacellar Leal Ferreira à presidência do conselho, bem como a recondução de Joaquim Silva e Luna, atual presidente-executivo da estatal, à sua posição no colegiado.

Também foram apontadas as reconduções de Ruy Flaks Schneider, Sonia Julia Sulzbeck Villalobos (para vaga destinada ao Ministério da Economia), Márcio Andrade Weber, Murilo Marroquim de Souza e Cynthia Santana Silveira (selecionada em lista tríplice elaborada por empresa especializada). Houve ainda a indicação de Carlos Eduardo Lessa Brandão para cargo de conselheiro, também como nome selecionado em lista tríplice elaborada por empresa especializada.

Neonergia (NEOE3)

O lucro líquido da elétrica Neoenergia atingiu R$ 1 bilhão no segundo trimestre de 2021, salto de 137% em relação a igual período do ano anterior, impulsionado pela recuperação do mercado após medidas mais rígidas para contenção da Covid-19, informou a empresa na terça. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia, controlada pela espanhola Iberdrola, avançou 108% no trimestre até junho, para R$ 2,3 bilhões.

As Indústrias Romi lucraram R$ 42,8 milhões no segundo trimestre de 2021, número que foi 106,4% maior do que os R$ 20,74 milhões registrados no trimestre anterior e 277% superior aos R$ 11,36 milhões reportados no mesmo período do ano passado.

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A Embraer comunicou nesta quarta-feira que entregou 34 jatos no segundo trimestre, sendo 14 comerciais e 20 executivos (12 leves e oito grandes), mostrando crescimento frente aos 22 aviões entregues no primeiro trimestre do ano.

A carteira de pedidos firmes (backlog) somou US$ 15,9 bilhões no final de junho, alta de 12% em relação ao primeiro trimestre, em um retorno aos níveis pré-pandemia, de acordo com a fabricante de aeronaves.

A atual carteira de pedidos firmes inclui o contrato de 30 aeronaves E195-E2 da Porter Airlines, do Canadá.

Grupo Soma (SOMA3) e Cia. Hering (HGTX3)

O Grupo Soma, dono das marcas Animale e Farm e que recentemente comprou a gigante das confecções Hering, levantou R$ 888 milhões com sua oferta subsequente de ações (follow-on), com as ações vendidas a R$ 19,20, representando um ágio de 18% em relação à data do anúncio da oferta.

Foram vendidas 46 milhões ações ordinárias, sem lotes adicionais. O grupo Soma entrou na B3, a Bolsa brasileira, há um ano, com uma oferta de ações (IPO, na sigla em inglês) de R$ 1,823 bilhão.

Os recursos captados na nova oferta serão direcionados para compor a aquisição da Hering.

A Trisul divulgou sua prévia operacional do segundo trimestre de 2021, informando o lançamento de dois projetos de média renda no período, que somaram um Valor Geral de Vendas (VGV) total de R$ 413 milhões (crescimento de 14% ano contra ano e 26% trimestre contra trimestre), o que levou a companhia a mais que dobrar seus lançamentos no primeiro semestre de 2021 (R$ 742 milhões) versus primeiro semestre de 2020 (R$ 361 milhões).

As vendas líquidas atingiram R$ 246 milhões (crescimento de 42% ano contra ano e 39% trimestre contra trimestre), levando a uma velocidade de vendas (VSO) de 15% (contra 14% no trimestre anterior), o que vemos como positivo dado as restrições comerciais em São Paulo até o final de abril.

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“A Trisul reportou sólida prévia operacional referente ao segundo trimestre. Mantemos nossa visão positiva para o papel e recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14 por ação”, destaca a XP.

A C&A publicou um fato relevante ontem à noite informando uma decisão favorável do STF em relação ao reconhecimento de créditos tributários referentes à exclusão do ICMS da base de Pis e Cofins.

Os valores finais ainda estão sendo apurados mas estimativas iniciais indicam um total de R$230 milhões (5,9% do valor de mercado), a ser reconhecido no resultado do segundo trimestre. “Vemos o anúncio como positivo e mantemos recomendação de compra com preço alvo de R$18,0 por ação”, aponta a XP.

A Renova Energia, em recuperação judicial, informou na noite da véspera ter aceitado proposta do fundo Mubadala para a compra da Brasil PCH, subsidiária da Renova Energia.

Segundo a empresa, pela proposta, o fundo pagará R$ 1,1 bilhão pelos 51% que a Renova tem na Brasil PCH, empresa que tem um portfólio de 13 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) espalhadas pelo país, e que é considerado o melhor ativo da Renova e a aposta da empresa para conseguir resolver boa parte de suas pendências financeiras.

O Conselho de Administração da Eternit elegeu, em reunião realizada em 20 de julho, José Ricardo Reichert para ocupar o cargo de Diretor Industrial do Grupo Eternit a partir de 1 de agosto, com mandato unificado com os demais membros da diretoria.

Reichert ingressou na companhia em 2019 e atualmente ocupa o cargo de superintendente industrial. Ele é “formado em Engenharia Mecânica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e com Pós-Graduação em Planejamento e Gestão Organizacional pela Universidade de Pernambuco, o executivo, possui sólida experiência na indústria de construção civil, adquirida como Diretor Industrial do Grupo Saint Gobain”, destacou a companhia.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Oferta de ações do Soma, estreia da 3tentos na B3, união BK Brasil-Domino’s, dados de Azul e Gol, notícias de estatais e mais

Farm Loja da Farm (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo da volta do feriado na B3 deve contar principalmente com o ajuste dos ADRs após a alta do principal índice na última sexta-feira, com destaque para a alta de Vale e siderúrgicas (confira o desempenho dos papéis clicando aqui), ainda que as preocupações sobre a disseminação da variante delta do coronavírus sigam no radar dos investidores.

A sessão desta segunda-feira também conta com a estreia da 3tentos na B3, a repercussão da compra da operação brasileira da Domino’s pela BK Brasil, o Grupo Soma informando que fará uma oferta primária de ações que pode levantar R$ 750 milhões, além do noticiário de estatais na quinta à noite, entre outros destaques. Confira no que ficar de olho:

Nesta segunda-feira, os papéis da 3tentos fazem sua estreia na B3 com o ticker TTEN3, após a companhia do agronegócio levantar R$ 1,35 bilhão com o IPO, precificando as ações a R$ 12,25.

A 3tentos atua no gerenciamento de grãos, armazenagem, defensivos agrícolas, fertilizantes e gestão de produção. A empresa foi fundada em 1995 em Santa Bárbara do Sul (RS), começando na produção de sementes e depois expandindo seu escopo de atuação.

A companhia conta com 43 unidades e 2 parques industriais, distribuídos em 40 cidades, nas quais atende a 17 mil clientes.

BK Brasil (BKBR3

A BK Brasil, dona das marcas Burger King e Popeyes no Brasil, anunciou fusão com a rede de pizzaria Domino’s na noite de sexta-feira. Com esse passo, a companhia passará a operar 1,2 mil restaurantes no País.

A operação será feita por meio de uma troca de ações, sendo que os acionistas da DP Brasil, dona da Domino’s localmente, terão cerca de 16% do Burger King no Brasil, hoje avaliada em R$ 3,3 bilhões na B3.

O Grupo Soma – dono das marcas Farm e Animale, que recentemente comprou o Grupo Hering, superando a Arezzo na disputa pelo ativo – informou que fará uma oferta primária de ações que pode levantar R$ 750 milhões, considerando o valor dos papéis da empresa no fechamento do pregão de quinta-feira, a R$ 16,30. A transação envolve 46 milhões de ações ordinárias a serem emitidas pela companhia e não há previsão de lotes adicionais.

A operação está sob a coordenação do Banco Itaú BBA, com participação de instituições como Bank of America Merrill Lynch, Banco BTG Pactual, Santander e XP Investimentos. Simultaneamente serão feitos esforços de colocação das ações no exterior.

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Os recursos serão destinados à aquisição da Hering, realizada depois de uma negociação “relâmpago”, por R$ 5 bilhões.

O Grupo Soma é conhecido, principalmente, pelas marcas de alto valor agregado, voltadas à alta renda. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, na semana passada, o presidente da empresa, Roberto Jatahy, afirmou que a intenção é repaginar completamente a Hering nos próximos meses.

A Azul divulgou os dados preliminares de junho na noite da última sexta-feira. O tráfego doméstico de passageiros, medido pelo RPK, teve alta de 280,4% em relação a junho de 2020. O tráfego doméstico avançou 328,2% em junho, enquanto o tráfego internacional cresceu 21,2%.

A companhia destaca que recuperou 96,6% dos níveis de 2019, enquanto a capacidade doméstica (ASKs) recuperou 101%, resultando em uma taxa de ocupação de 79%.

“Nos últimos meses demonstramos na prática a força e singularidade do nosso modelo de negócio. Com os esforços contínuos para a vacinação no Brasil, a demanda doméstica já está nos níveis de 2019 e atingimos nosso recorde, voando para 120 destinos. Continuamos reconstruindo nossa malha, enquanto mantemos nossa expansão de margem e desenvolvemos nosso negócio de logística”, disse John Rodgerson, CEO da Azul.

Já a Gol divulgou nesta segunda-feira uma atualização ao investidor sobre suas expectativas para o segundo trimestre de 2021.

A companhia estima Prejuízo Por Ação (LPA) e Prejuízo Por Ação Depositária Americana (LPADS) de aproximadamente R$ 3,25 e US$ 1,23, respectivamente. A margem Ebitda no segundo trimestre, excluindo despesas não operacionais e não
recorrentes, está estimada entre 16% e 18%, uma redução em relação à margem do trimestre findo em junho de 2020 (28%).

Já a receita unitária de passageiro (PRASK) para o segundo trimestre tende a ser menor em aproximadamente 17%, quando comparada ao mesmo período do ano passado. A Gol espera uma receita unitária (RASK) 33% inferior em relação ao 2T20. As vendas diárias encerraram o trimestre em torno de R$ 21 milhões, representando um aumento de 200% em relação ao final do 1T21. A taxa de ocupação da GOL, em 85%, continua eficientemente casando a oferta com a demanda.

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Os custos unitários ex-combustíveis do trimestre, excluindo despesas não operacionais e não recorrentes, deverão reduzir aproximadamente 55% na base anual, principalmente devido ao número de ASKs quatro vezes maior e a apreciação de 1% do real.

A liquidez total ao final de junho de 2021 foi R$ 1,7 bilhão, composta por R$ 1,0 bilhão em caixa e aplicações financeiras e R$ 0,7 bilhão em recebíveis. Contemplando os valores financiáveis de depósitos, as fontes de liquidez da Gol totalizam aproximadamente R$ 3,7 bilhões. Isso é consistente com os patamares de liquidez ao longo da pandemia, afirmou a aérea.

A Gol ainda destacou que planeja aumentar sua capacidade no terceiro trimestre em aproximadamente 80% comparativamente ao segundo trimestre, antecipando uma demanda sazonal mais forte.

O Bradesco BBI atualizou sua avaliação sobre a Ambipar, que classificou como “um dos poucos ativos” com verdadeira governança ambiental e social (ESG na sigla em inglês). Segundo o banco, a empresa, que passou pela sua oferta pública inicial de ações (IPO em inglês) faz um ano, começa a mostrar seu potencial de forte crescimento no Brasil, no resto da América Latina e nos Estados Unidos.

O banco diz que, desde o IPO, a empresa teve desempenho além de seu plano inicial, e está a caminho de superar sua guidance (conjunto de previsões e planos) para crescimento orgânico, e realizando movimentos de fusões e aquisições nos Estados Unidos. O banco destaca a compra da chilena Disal, que tem ativos também no Peru e no Paraguai, e que deve contribuir para dobrar o lucro Ebitda da unidade ambiental da Ambipar até o ano fiscal de 2022.

O banco tem preço-alvo para 2022 para a Ambipar, de R$ 63, alta de 44% frente o fechamento de quinta-feira, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado).

O Itaú BBA reiniciou a cobertura de Wiz, gestora de canais de distribuição de seguros e produtos financeiros, com um preço-alvo de R$ 23 para a ação ao fim de 2021, o que representa um potencial upside de 33% em relação ao preço atual do papel.

“Na nossa visão, a  companhia vem passando por uma transformação salutar após o fim do contrato de exclusividade
com a Caixa, em fevereiro deste ano. Desde então, a Wiz passou a diversificar seus negócios, anunciando acordos comerciais e parcerias para atuar como corretora em outros balcões, sejam de bancos tradicionais ou digitais. Acreditamos que as recentes parcerias firmadas com Inter, BRB e BMG darão suporte a um bom crescimento dos negócios da companhia. Com os acordos, a Wiz passa a ser sócia desses bancos na operação de venda de seguros – o que naturalmente traz crescimento associado a uma maior exploração da base de cliente dessas instituições. Nessa frente, destacamos em especial a Inter
Seguros, em que a Wiz possui participação de 40% e que deve representar uma parte substancial do negócio da gestora nos próximos anos”, apontam os analistas.

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A Wiz, na visão dos analistas, tem passado por uma mudança substancial; de uma companhia antes bastante concentrada nos negócios associados à Caixa para uma empresa de perfil diversificado no segmento de corretagem de seguros.

“Mesmo considerando a alta recente do papel, que subiu 121% neste ano, ainda vemos um bom retorno potencial para o investimento na companhia, que tem nossa recomendação de outperform (desempenho acima do mercado)”, apontam os analistas. Eles ressaltam que o cálculo do preço-alvo de R$ 23 por ação foi obtido por meio da metodologia de soma-das-partes nos principais negócios da empresa.

A Petrobras informou na segunda-feira ter assinado com a empresa 3R Petroleum (RRRP3) contrato para a venda da totalidade de sua participação no campo de produção de Papa-Terra, localizado na Bacia de Campos.

O valor da venda é de US$ 105,6 milhões, sendo (a) US$ 6,0 milhões pagos na presente data; (b) US$ 9,6 milhões no fechamento da transação e (c) US$ 90,0 milhões em pagamentos contingentes previstos em contrato, relacionados a níveis de produção do ativo e preços futuros do petróleo. Os valores não consideram os ajustes devidos e o fechamento da transação está sujeito ao cumprimento de condições precedentes, tais como a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Essa operação está alinhada à estratégia de otimização de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, passando a concentrar cada vez mais os seus recursos em ativos de classe mundial em águas profundas e ultra-profundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos”, destacou a estatal.

O campo de Papa-Terra faz parte da concessão BC-20 e está localizado em lâmina d’água de 1.200 m. O campo iniciou sua operação em 2013 e sua produção média de óleo e gás em 2021, até junho, foi de 17,9 mil boe/dia, através de duas plataformas, P-61 do tipo TLWP (Tension Leg Wellhead Platform) e P-63 do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading), onde é realizado o processamento de toda a produção. A Petrobras é a operadora do campo, com 62,5% de participação, em parceria com a Chevron, que detém os 37,5% restantes.

A Petrobras informa que assinou com a Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA) o Acordo de Coparticipação de Itapu, que regulará a coexistência do Contrato de Cessão Onerosa e do Contrato de Partilha de Produção do Excedente da Cessão Onerosa para o campo de Itapu, no pré-sal da Bacia de Santos.

As negociações foram iniciadas logo após a licitação, ocorrida em 6 de novembro de 2019, em que a Petrobras adquiriu 100% dos direitos de exploração e produção do volume excedente da Cessão Onerosa do campo de Itapu. Em conjunto, Petrobras e PPSA definiram o Plano de Desenvolvimento do campo, estimativas de curva de produção e volumes recuperáveis.

Já na quinta à noite, a Petrobras comunicou que iniciou a etapa de divulgação do teaser para a venda, em conjunto com a Sonangol Hidrocarbonetos Brasil, da totalidade da participação de ambas as empresas no bloco exploratório terrestre POT-T-794, pertencente à concessão BT-POT-55A, localizada na Bacia Potiguar, no estado do Rio Grande do Norte. A Petrobras detém 70% de participação e a Sonangol é a operadora, com 30% de participação no bloco.

Hapvida (HAPV3) e Notre Dame (GNDI3)

O Itaú BBA comentou a confirmação pela Agência Nacional de Saúde (ANS) do reajuste negativo para planos de saúde individuais, de até 8,19% para o período de maio de 2021 a abril de 2022. O ajuste reflete a redução de gastos com assistência no setor em 2020 devido à pandemia de Covid, e deve resultar na redução de premiums para seguradoras de saúde, que não podem fazer ajustes maiores do que os definidos pela ANS. É a primeira vez que um reajuste negativo foi aplicado sobre planos de saúde individuais.

O reajuste foi pior do que a expectativa do mercado e as estimativas do Itaú, mas que já era parcialmente contabilizado pelo consenso de mercado. O banco diz que operadores menores e menos verticalizados devem ser especialmente afetados. E acredita que a ANS está mandando a mensagem correta, por estar seguindo sua metodologia. O banco espera que o próximo reajuste compense parcialmente o atual, levando em conta os papéis de Hapvida e Notre Dame.

Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu mais um passo para efetuar a privatização da Eletrobras em fevereiro do ano que vem. O banco de fomento, responsável pela estruturação do processo, publicou o contrato do consórcio que conduzirá a modelagem, além da estruturação financeira e relatório final do processo de desestatização. No mês passado, a Câmara dos Deputados aprovou a medida provisória que permite a saída da União do controle da empresa de energia elétrica.

Banco do Brasil(BBAS3)

O conselho de administração do Banco do Brasil, por sua vez, aprovou a adequação da sua estrutura organizacional com a extinção da unidade Negócios PF, MPE e Agro e de Negócios Varejo e Setor Público, além da criação da diretoria Comercial Alto Varejo.

Rede D’Or (RDOR3)

As aquisições também estiveram no radar: a  Rede D’Or anunciou a compra de 51% do Hospital Proncor, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O valor de firma (firm value) para 100% do Proncor é de R$ 290 milhões; deste valor, será deduzido o endividamento líquido.

Confira mais destaques do noticiário corporativo do feriado clicando aqui. 

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Superintendência do Cade aprova fusão de Cia. Hering e Grupo Soma sem restrições

Hering

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a operação de incorporação da Cia. Hering pelo Grupo Soma (SOMA3), dono das marcas Animale e Farm. A decisão está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira.

Com o fechamento do negócio, a Cia. Hering ([ativo=HGXT3]) passa a ser subsidiária integral da Soma.

Fechado em abril deste ano, o acordo com a catarinense Hering coloca o Grupo Soma em novo patamar entre os varejistas nacionais.

A companhia, até aqui, se limitava à atuação no mercado premium. Agora, vai para o segmento de massa. A negociação entre as empresas envolveu ações, mas também um pagamento em dinheiro de R$ 1,5 bilhão.

“Como justificativa estratégica para o negócio, a Soma acredita que a operação representa uma oportunidade de ampliar seu mercado total, atingindo diferentes audiências, dada a complementaridade dos portfólios das requerentes, além de resultar em sinergias operacionais tanto por meio do crescimento da receita e da margem bruta quanto por meio de maior eficiência em despesas e investimento. A Cia. Hering acredita que a operação representa uma boa oportunidade de negócio e de capitalização”, cita parecer divulgado pelo Cade sobre o negócio.

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Varejistas vão às compras: as principais apostas no mercado de fusões e aquisições, segundo a XP

SÃO PAULO – Depois de anunciar um aumento de capital no valor de R$ 4 bilhões, a Lojas Renner (LREN3) tem ganhado o holofote do mercado financeiro, com os investidores de olho em quem será a próxima empresa no carrinho da varejista. A companhia, contudo, não está sozinha em um mercado de fusões e aquisições (M&A) que movimentou cerca de R$ 155 bilhões apenas nos três primeiros meses do ano.

Em relatório publicado nesta segunda-feira (28), a XP afirma que a Arezzo (ARZZ3) é outra empresa que deve se mostrar ativa em busca de novas oportunidades nativas digitais no segmento de vestuário, como a recém adquirida BAW, a Pantys e Haight, bem como marcas mais tradicionais, caso de Shoulder, Mixed e Yogini.

Há ainda espaço para a Vivara (VIVA3) consolidar seu mercado, escrevem, principalmente por meio de marcas que complementem seu portfólio em relação ao público alvo, caso da H. Stern.

Finalmente, a C&A (CEAB3) parece estar em uma frente mais reativa, avaliam os analistas, enquanto o Grupo Soma (SOMA3) deve focar na integração com a Hering (HGTX3), em uma operação de R$ 5,1 bilhões. Leia mais aqui.

Na mira da Renner

De acordo com o relatório da XP, após aumento de capital da Lojas Renner, a candidata preferida a ser incluída na carteira é a Dafiti, que tem um portfólio com mais de seis mil marcas e mais de 400 mil produtos à venda em seu site.

Com faturamento de R$ 3,4 bilhões em 2020, a varejista tem operações em diversos países da América Latina, como Brasil, Argentina, Chile e Colômbia.

A Dafiti conta ainda com um serviço de assinatura (Dafiti Prime), em que oferece frete grátis sem valor mínimo de compra e coleta para trocas, e possui um cartão de crédito próprio (Dafiti Card), que pode ser usado em outros estabelecimentos comerciais.

Leia também:
Como a Bolsa, mercado de fusões e aquisições está nas máximas: isso se reflete em valorização das empresas?

Ainda que a empresa seja a mais cotada, os analistas da XP dizem ver desafios em relação ao interesse do controlador (GFG) em vender o ativo, “o que poderia levar a um valuation mais esticado”.

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Neste contexto, o time de análise afirma que vê a Renner buscando outras companhias digitais, como a Amaro. Privalia também estaria na lista, mas protocolou recentemente uma nova tentativa de IPO.

“Vemos aquisições de pequenas empresas digitais/fintechs que complementam a proposta de valor de se tornar um ecossistema como as mais prováveis de ocorrerem no curto prazo”, escrevem os analistas.

E-commerce na dianteira

Com um mercado agitado de M&A, a avaliação da XP é de que os players de e-commerce são os que devem se comportar de forma mais ativa em busca de oportunidades, principalmente em meio à adição de novas categorias no 1P (estoque próprio), com setores como casa e decoração e vestuário sendo os mais prováveis de irem às compras.

Além do crescimento em meio à pandemia, são setores que procuram por capacidades e funcionalidades que complementem seu ecossistema, como fintechs, players logísticos ou de conteúdo, destacam.

Farmácias e supermercados desaceleram

Enquanto nomes do e-commerce lideram a corrida de fusões e aquisições no mercado brasileiro, os setores de farmácia e supermercados seguem menos aquecidos.

Para os analistas da XP, é pouco provável que aconteça alguma aquisição em farmácia, principalmente dado que Pague Menos (PGMN3) já adquiriu recentemente a Extrafarma, acelerando seu plano de expansão e sua atuação nas regiões Norte e Nordeste, e a RaiaDrogasil (RADL3) é mais focada em crescimento orgânico.

Já em supermercados, a avaliação é de que o fluxo de notícias deve se concentrar ao redor dos desinvestimentos do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), apesar de o time ver Carrefour Brasil como um potencial interessado na marca Pão de Açúcar. Nos últimos dias, ganhou destaque a notícia, depois negada pela companhia, de que o grupo Casino teria começado a se estruturar para vender sua parte no GPA.

Além disso, a XP destaca que o Assaí (ASAI3) e o Grupo Mateus (GMAT3) podem olhar para oportunidades de aquisição de “atacarejos” regionais, embora sejam focados em crescimento orgânico.

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Não vamos acelerar nem frear a agenda de aquisições, diz Alexandre Birman, da Arezzo

Após uma oferta considerada agressiva pela Hering (HGTX3), a Arezzo (ARZZ3) acabou sendo passada para trás por um movimento surpresa do Grupo Soma (SOMA3) na disputa pela companhia.

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O presidente do grupo Arezzo, Alexandre Birman, diz, porém, que a empresa é da paz e que a fama de negociador furioso não tem lastro na realidade. “É extrema inverdade falar isso e minha consciência é tranquila nesse sentido. Deveria até ser mais (furioso)”, disse.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Em que pé está o negócio digital da Arezzo?

Em 2018, demos o pontapé inicial no digital e na visão omnichannel (integração entre lojas físicas e internet). Foram milhões em investimentos em tecnologia e, sobretudo, na cultura da equipe. Quando veio a primeira onda de restrição à circulação, em março de 2020, levou um tempo até colocarmos tudo de pé e definirmos a nova forma de operar. Mas, a partir de maio, já iniciamos um momento bom. A força de venda ficou 100% ativa e mantivemos, com as lojas fechadas, patamar de 52% das vendas de 2019 e crescimento turbinado com e-commerce.

A empresa está preparada caso venha uma terceira onda?

Nosso viés é positivo: pior do que foi, não será. Mas talvez não seja uma linha reta de crescimento. Haverá momento de maior desafio e depois volta ao normal, em uma curva crescente e não linear.

Os franqueados tiveram renegociação de aluguéis com os shoppings?

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Na maioria dos shoppings, nosso custo de ocupação é melhor do que o de outros lojistas. Nos casos em que os shoppings veem que o ponto comercial está em dificuldade, há boas negociações. Nunca judicializamos nenhum tipo de pagamento. A gente é uma empresa da paz, em todos os sentidos.

Mas, nas últimas semanas, muito se falou da “fúria do Birman” em negociações…

Primeiro, sou justo demais. Pago o preço justo, inclusive no âmbito pessoal. Nosso modelo de negócio é transparente: não fico negociando a compra no meu fornecedor para ganhar margem melhor. Nosso fornecedor sabe o preço de venda. O franqueado sabe quanto comprou na fábrica. Se a gente atua no core business assim, quem diz que eu sou furioso na negociação? É extrema inverdade falar isso e minha consciência é tranquila nesse sentido. Deveria até ser mais.

O sr. se refere ao caso Hering?

Não. Quis dizer que sou extremamente conservador em vários sentidos e, nesse caso, não deixa de ser verdade. Em nossa opinião e na dos principais bancos que nos assessoraram, a forma que conduzimos foi extremamente aberta e transparente. Realmente, foi motivo de muita surpresa a forma como aconteceu, mas não tenho muito a falar sobre isso.

Após a compra da Hering não ter saído, o mercado espera agora um próximo movimento da Arezzo. Qual será?

Nossa empresa não foi criada para crescer por aquisições. Nossa essência é o crescimento orgânico. Quando fizemos a aquisição da Reserva, foi para entrar no segmento de vestuário. Era muito difícil nos tornarmos relevantes do zero. A expansão por aquisição é algo novo. Mesmo se tivéssemos concretizado a aquisição da Hering, iríamos manter a área ativa, porque hoje é uma prerrogativa da empresa. Não tinha desespero. Era uma oportunidade que acreditávamos estar na hora certa, no preço certo. Não aconteceu. Continua nossa agenda normal de M&A (fusões e aquisições), sem acelerar e sem frear.

Após a Hering, só restaram menos empresas “compráveis”?

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De grande porte, não. De pequeno porte, tem várias. Temos opções interessantes, algumas de baixíssimo risco e endividamento, com possibilidade de crescimento de longo prazo. Outras com trabalho um pouco maior de reconstrução. Pode ser que a gente venha com aquisição de menor porte, mais digital. Pode ser uma empresa de moda feminina ou uma marca que já fez muito sucesso, mas precisa de reposicionamento.

Fontes falam da Restoque.

Não faz parte.

E C&A?

Não é um bom alvo, pelo modelo de negócios e a classe social. Hoje, não faz parte do nosso pipeline (plano).

Falam da Inbrands. Algumas marcas, não a empresa toda.

Inbrands tem marcas interessantes. O conjunto da obra, infelizmente, não foi exitoso. É o máximo que posso falar.

E Brooksfield?

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Sim, foi ofertada. Não tem a menor possibilidade.

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Ações de Petrobras viram para queda; Soma tem novo dia de baixa após queda de 10% na véspera

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Após uma disparada de 26% na véspera com o anúncio de combinação de negócios com o Grupo Soma (SOMA3), as ações da Cia. Hering (HGTX3) abriram em queda de cerca de 2% na sessão mas depois amenizaram, viraram para leves ganhos, mas depois voltaram a cair. Por outro lado, após cair cerca de 10% na véspera, os papéis SOMA3 seguem em queda, ainda que mais amena, de cerca de 3,5%.

No radar de recomendações, o Morgan Stanley elevou a recomendação da Cia. Hering de underweight (exposição abaixo da média do mercado) para equalweight (exposição em linha com a média do mercado), com um novo preço-alvo de R$ 30 por ação, em linha com o valor da aquisição proposta pelo grupo Soma.

Enquanto isso, as ações de petroleiras, como a Petrobras (PETR3;PETR4) viraram para perdas, de cerca de 1%, após chegarem a subir 1% mais cedo. Os preços do petróleo subiam nesta terça-feira, com o Brent, referência internacional, tocando US$ 66 por barril antes de reunião do grupo de produtores Opep+ para discussões sobre sua política de oferta, embora preocupações com a crise do coronavírus na Índia e impactos na demanda limitassem a alta. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados terão uma reunião de monitoramento nesta terça-feira, ao invés de quarta-feira como planejado antes.

Um encontro técnico do grupo na segunda-feira expressou preocupações com os crescentes casos de Covid-19, mas manteve suas projeções para a demanda por petróleo.

Enquanto isso, as ações da Vale (VALE3), após abrirem praticamente estáveis, registram ganhos de cerca de 1%, ainda que os analistas tenham visto os números do resultado do primeiro trimestre de 2021 sem grandes surpresas. A visão segue positiva para os ativos, com o programa de recompra de ações e o forte preço do minério de ferro dando suporte para os papéis. Veja mais clicando aqui.

Cabe ressaltar que os futuros de referência do minério de ferro na Ásia subiram em meio a uma sólida demanda e a preços em alta no aço, enquanto dados mostrando um forte crescimento nos lucros de empresas industriais chinesas aumentou ajudaram no sentimento positivo que alimentava o rali.

O contrato do minério de ferro para setembro na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1 encerrou o pregão diurno com alta de 1,9%, a 1.158,50 iuanes (US$ 178,64) por tonelada, alcançando um ganho acumulado no ano de 33,5%. Na bolsa de Cingapura, o minério de ferro para maio avançava cerca de 1,4%, para 190,10 dólares por tonelada, após ter chegado a tocar 192,25 dólares.

Confira os destaques:

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A mineradora Vale registrou um lucro líquido de US$ 5,546 bilhões no primeiro trimestre de 2021, uma alta de 2.220% em relação ao resultado de US$ 239 milhões obtido no mesmo período do ano passado. O resultado também cresceu de forma significativa em relação ao trimestre anterior, quando a empresa registrou ganhos de US$ 739 milhões.

A companhia também informou ter gerado fluxo de caixa livre de mais de US$ 5,8 bilhões entre janeiro e março. Uma das maiores produtoras globais de minério de ferro, a empresa teve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$ 8,35 bilhões entre janeiro e março, ante US$ 2,882 bilhões um ano antes. Este resultado também veio em linha com as estimativas de analistas.

No documento do balanço, o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, afirmou estar confiante de que os resultados financeiros refletem a consistência da mineradora no cumprimento das promessas de redução de riscos da Vale.

No comunicado, o executivo destacou a entrada em vigor do acordo referente à tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, e o processo de recompra de ações feito recentemente pela companhia recentemente como pontos favoráveis.

A produção de minério de ferro da Vale atingiu 68 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2021, uma alta de 14,2% em relação ao igual período do ano passado. No relatório de produção divulgado ao mercado no último dia 19.

A Vale destacou, na ocasião, que avançou em seu plano de estabilização e retomada operacional. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior houve queda de 19,5% no volume produzido pela mineradora, diferença comum por questão sazonal. O crescimento no comparativo anual é atribuído à retomada gradual das operações paradas nos complexos Timbopeba, Fábrica e Vargem Grande; ao melhor desempenho em Serra Norte e menor volume de chuvas em janeiro de 2021; ao aumento das compras de terceiros; e ao reinício das operações em Serra Leste, no Sistema Norte.

Após a divulgação do relatório de produção, o mercado reafirmou a confiança de que a Vale atinja sua projeção de produção de minério de ferro em 2021, estimado no intervalo de 315 milhões a 335 milhões de toneladas.

De acordo com a XP, a Vale reportou resultados fortes no primeiro trimestre, mas avalia que já está precificado após o relatório de produção. O Ebitda ajustado proforma de US$ 8,5 bilhões exclui despesas de Brumadinho e doações relacionadas à Covid-19 de US$117 milhões. Esses números mais fortes foram resultado de preços realizados mais altos (US$ 155,50 por tonelada, alta de 20% na base trimestral e 1% acima da expectativa da XP). O fluxo de caixa operacional foi de US$ 5,9 bilhões devido ao forte Ebitda e à melhora no capital de giro. Os analistas reiteraram a recomendação de compra (com preço-alvo de R$ 122 por ação) e esperam fortes dividendos para 2021.

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A Smiles teve lucro líquido de R$ 47,7 milhões no primeiro trimestre de 2021, queda de 15,2% frente igual período de 2020.

“Os principais impactos sobre as informações financeiras trimestrais se relacionam à redução no volume de resgates de milhas (13.976 milhões de milhas resgatadas no trimestre findo em 31 de março de 2021 em comparação a 17.860 milhões no mesmo período findo em 31 de março de 2020) que reflete na redução na receita líquida e margem de lucro da Companhia”, destacou a Smiles.

A receita líquida totalizou R$ 151,11 milhões no primeiro trimestre, 11,8% menor frente o mesmo trimestre de 2020. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a baixa na receita líquida foi de 28,4%.

A Embraer entregou um total de 22 jatos no primeiro trimestre de 2021, sendo nove comerciais
e 13 executivos (10 leves e três grandes). Em 31 de março de 2021, a carteira de pedidos firmes
a entregar totalizava US$ 14,2 bilhões.

Durante o período, a KLM Cityhopper, subsidiária regional da KLM Royal Dutch Airlines, recebeu seu primeiro jato E195-E2, por meio da empresa ICBC Aviation Leasing, elevando para 50 o número total de jatos da Embraer operando na frota KLM Cityhopper.

No mesmo período, a Air Peace, a maior companhia aérea da Nigéria e do Oeste da África, recebeu seu primeiro jato E195-E2. A Air Peace se tornou assim a primeira cliente de E2 na África, sendo também e empresa lançadora global do design inovador premium de assentos escalonados da Embraer.

Ainda no trimestre, a Embraer entregou a primeira conversão de um Legacy 450 em um jato Praetor 500 à AirSprint Private Aviation. A empresa canadense de propriedade compartilhada tem programada uma segunda conversão ainda este ano, além da entrega de um novo Praetor 500, também em 2021. Com essas adições, a Airsprint terá três Praetor 500 na frota e um total de nove aeronaves da Embraer.

As entregas de aeronaves no trimestre ficaram abaixo da estimativa do BBI, de 11 aeronaves comerciais e 20 jatos executivos. No entanto, o primeiro trimestre costuma ser sazonalmente fraco para as entregas de aeronaves e deve acelerar ao longo do ano, avaliam.

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Os analistas ajustaram o modelo para a Embraer e aumentaram as entregas de aeronaves comerciais de 41 para 44 em 2021 (expectativa de estabilidade na comparação anual), considerando as entregas iniciais de E175s para a Republic Airways no primeiro trimestre de 2021.

No entanto, eles mantêm recomendação underperform (desempenho abaixo da média) com preço-alvo de US$ 5 para o ADR ao final de 2021, visto que os novos pedidos de aeronaves regionais estão demorando mais para se materializar, apesar da recuperação na demanda por viagens aéreas nos Estados Unidos. O modelo do BBI presume que a Embraer anunciará pedidos firmes de 45 aeronaves comerciais em 2021.

Arezzo (ARZZ3), Soma (SOMA3) e Cia. Hering (HGTX3)

A Arezzo informou ao mercado na manhã desta terça que não fará uma nova oferta para combinação de negócios com a Cia. Hering. A companhia afirmou que “seguirá fiel à sua bem-sucedida estratégia de crescimento, orgânico e por aquisições, sempre observando a racionalidade e a defesa dos interesses de todos os seus acionistas”.

Em uma negociação relâmpago, o Grupo Soma (dono das marcas Animale e Farm) fechou na segunda um acordo para incorporar a Hering. O negócio avalia a centenária marca de confecções em R$ 5,1 bilhões, preço bem superior aos pouco mais de R$ 3 bilhões que a Arezzo havia oferecido em uma oferta considerada hostil pela companhia. O movimento animou as ações da Hering, que fecharam o dia em alta de 26%, a R$ 28,62 – um ganho de valor de mercado equivalente a R$ 965 milhões em um só dia.

Após o acordo, o Morgan Stanley elevou a recomendação da Cia. Hering de underweight (exposição abaixo da média do mercado) para equalweight (exposição em linha com a média do mercado), com um novo preço-alvo de R$ 30 por ação, em linha com o valor da aquisição.

Os analistas destacam que, embora a transação continue sujeita a algumas condições, incluindo a revisão antitruste do CADE, a fusão agora é o caso base; “observamos que há uma taxa de rescisão de R$ 250 milhões como parte do acordo da transação”.

O cenário mais pessimista do Morgan permanece com preço-alvo de R$ 10, refletindo um cenário em que a Hering permanece uma empresa autônoma e os fundamentos se deterioram ainda mais. Já o cenário mais otimista é de preço-alvo de R$ 35 (ante R$ 27).

O target está acima do valor implícito da proposta do Grupo Soma mas, olhando para as transações precedentes, veem um escopo relativamente limitado de alta acima do caso-base revisado.

“No final das contas, o valor estratégico da Hering era maior do que nossa estimativa anterior, provavelmente em parte devido a vários pretendentes e um portfólio de marcas visto como complementar para operadoras de moda e calçados. Embora o risco / recompensa seja negativo no caso da transação falhar, com a conclusão do negócio em nosso caso-base, passamos para uma recomendação equalweight”, destacam.

Via Varejo (VVAR3)

A Via Varejo tem entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em créditos fiscais acumulados “que vão virar caixa” nos próximos três a cinco anos e não tem necessidade de recorrer ao mercado de capitais no momento para bancar planos de expansão, disse Orivaldo Padilha, vice-presidente financeiro da companhia, na segunda.

Porém, ele afirmou que se a Via Varejo encontrar alguma oportunidade “relevante” de aquisição, a companhia “talvez tenha que recorrer ao mercado de capitais”.

Energias do Brasil (ENBR3)

A Energias do Brasil, do grupo europeu EDP Energias de Portugal, tem meta de chegar a 2025 com usinas solares em operação no Brasil que somem 1 gigawatt em capacidade, disse Henrique Freire, diretor financeiro da companhia, na segunda, durante evento on-line com investidores.

Equatorial (EQTL3)

O Credit Suisse comentou a divulgação da guidance (documento com previsões e planos) operacional da Equatorial Energia para o primeiro trimestre de 2021. Os volumes totais cresceram 4% na comparação anual, virtualmente em linha com a expectativa do Credit, de 5%. As performances mais fortes vieram das unidades de Maranhão e Piauí, com altas de 5,4% em ambos os casos.

O banco vê a guidance como forte, e diz acreditar que ela se traduzirá em resultados robustos para a Equatorial. O Credit diz esperar melhoras nas provisões por inadimplência, impulsionada pela expansão da base de clientes de renda baixa. Além disso, os resultados da Equatorial devem se beneficiar de revisões recentes de tarifas. O Credit mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 25,20, frente aos R$ 25,03 negociados na segunda.

Usiminas (USIM5)

O Morgan Stanley atualizou suas estimativas para a Usiminas de forma a incorporar os resultados do primeiro trimestre. O banco elevou sua expectativa para o Ebitda em 2021 em 59%, a R$ 10,675 milhões; em 59% para 2022, a R$ 6,309 milhões; em 51% para 2023, a R$ 7,031 milhões; e em 28% para 2024, a R$ 5,717 milhões. As estimativas para os ganhos por ação normalizados são de R$ 4,57 em 2021, R$ 2,85 em 2022, R$ 3,55 em 2023 e R$ 3,14 em 2024.

O novo preço-alvo para o final de 2021 foi elevado de R$ 16 para R$ 25 para os papéis USIM5, negociados por R$ 22,94 na segunda. O banco diz que as alterações refletem remessas maiores de minério e os preços domésticos do aço. O banco mantém recomendação equal-weight (expectativa de valorização dentro da média do mercado) para a empresa.

A Itaúsa, holding dona do Itaú Unibanco, anunciou nesta terça-feira que acertou a compra de 8,53% da empresa de saneamento básico Aegea por R$ 1,3 bilhão.

Esse investimento corresponde a 10,2% do capital votante da Aegea, que manterá entre os sócios os atuais acionistas controladores e o Fundo Soberano de Singapura (GIC).

Em fato relevante, a Itaúsa afirmou que os recursos devem ser captados por instrumento de dívida de longo prazo e que o investimento será contabilizado pelo método de equivalência patrimonial e deve ser concluído no segundo trimestre de 2021.

A Itaúsa terá o direito de indicar um membro o conselho de administração da Aegea, líder privada em saneamento básico no Brasil, afirmando atender mais de 11 milhões de pessoas em 126 municípios em 12 Estados do país.

A CCR anunciou ter fechado acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) um aditivo ao contrato de concessão do aeroporto de Confins (MG).

Segundo a concessionária, o aditivo permite a revisão neste ano de valores estimados para custos e despesas do fluxo de caixa Marginal, devido as impactos econômicos da Covid-19 para o setor aeroportuário.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Arezzo afirma que não fará nova oferta para combinação de negócios com a Cia. Hering

SÃO PAULO – A Arezzo (ARZZ3) informou ao mercado na manhã desta terça-feira (27) que não fará uma nova oferta para combinação de negócios com a Cia. Hering (HGTX3). A companhia  afirmou que “seguirá fiel à sua bem-sucedida estratégia de crescimento, orgânico e por aquisições, sempre observando a racionalidade e a defesa dos interesses de todos os seus acionistas”.

Em uma negociação relâmpago, o Grupo Soma (dono das marcas Animale e Farm) fechou na segunda-feira (26) um acordo para incorporar a Hering. O negócio avalia a centenária marca de confecções em R$ 5,1 bilhões, preço bem superior aos pouco mais de R$ 3 bilhões que a Arezzo havia oferecido em uma oferta considerada hostil pela companhia. O movimento animou as ações da Hering, que fecharam o dia em alta de 26%, a R$ 28,62 – um ganho de valor de mercado equivalente a R$ 965 milhões em um só dia.

O negócio esquenta de vez a disputa pela consolidação do varejo brasileiro, em que as empresas tentam correr para ganhar musculatura em um mercado cada vez mais acirrado. O acordo com a catarinense Hering coloca o Grupo Soma em novo patamar entre os varejistas nacionais, ainda que imponha um desafio financeiro em virtude do preço pago. A companhia, até aqui, se limitava à atuação no mercado premium. Agora, vai para o segmento de massa.

O valor pago pelo Grupo Soma avaliou o papel da Hering ficou em cerca de R$ 33, quando eram negociados na bolsa na última semana em torno de R$ 22. O valor de mercado da Hering na sexta-feira era de pouco menos de R$ 3,7 bilhões. O preço pago pela companhia está, portanto, 37% acima deste valor.

Diversas varejistas estão se movimentando para sair fora de sua zona de conforto e virar uma “consolidadora” do mercado. Segundo Marcos Gouvêa de Souza, fundador da consultoria Gouvêa, a situação do mercado exige pressa, pois a empresa que não se movimentar rápido corre o risco, lá na frente, de acabar adquirida por outra que se movimentou com antecedência.

Leia mais: Com compra da Hering, Soma se torna uma das 5 maiores empresas do setor de vestuário; veja lista

As conversas começaram depois da proposta da Arezzo. Segundo apurou a reportagem, a família não havia gostado da oferta (que considerou baixa), mas o movimento da calçadista foi suficiente para chamar a atenção de outros interessados. As negociações com a Soma foram relâmpago. Começaram na quinta-feira, e a rapidez surpreendeu até quem estava envolvido no negócio.

O grande objetivo da família Hering era conseguir a avaliação que a empresa chegou a ter antes de a pandemia de covid-19 causar uma desvalorização nos papéis da companhia, derrubando seu valor de mercado. Foi uma equação simples: o Soma chegou muito perto do que a Hering pedia, e as conversas andaram rápido, uma vez que havia forte disposição da família em vender. A negociação envolveu também ações, mas também um pagamento em dinheiro de R$ 1,5 bilhão.

Outra questão que pesou favoravelmente na proposta do Soma, em relação à da Arezzo, foi a aproximação. Enquanto a oferta da calçadista foi considerada por fontes de mercado como “quase hostil”, por embutir a noção de que o negócio estava decadente, o Soma soube valorizar o legado da Hering, tanto no preço quanto na condução das conversas. Os donos da Hering devem ter participação na gestão do novo grupo – pelo menos temporariamente.

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(com Estadão Conteúdo)

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Com compra da Hering, Soma se torna uma das 5 maiores empresas do setor de vestuário; veja lista

Moletons Hering (Reprodução/Facebook)

SÃO PAULO – A fusão do Grupo Soma (SOMA3) com a Cia. Hering (HGTX3) irá transformar o novo negócio combinado em uma das cinco maiores companhias do setor de varejo de vestuário do país, considerando métricas como receita líquida e número de lojas. Os dados deixam clara a tendência de consolidação do segmento, que nas últimas semanas tem passado por fortes movimentações de fusões e aquisições.

O Grupo Soma, que registrou em 2020 uma receita líquida de R$ 1,243 bilhão e a Hering, que apresentou receita de R$ 1,074 bilhão, apareciam na sexta e na sétima posições, respectivamente, entre as empresas com maior faturamento do setor de vestuário no ano passado. Mas juntas, as empresas teriam registrado uma receita de R$ 2,317 bilhões e passariam à quarta posição no ranking, conforme pode ser observado na tabela abaixo.

Posição Empresa Receita líquida em 2020
1º lugar Renner R$ 6,660 bilhões
2º lugar Guararapes R$ 4,332 bilhões
3º lugar C&A R$ 4,085 bilhões
4º lugar Grupo Soma + Hering R$ 2,317 bilhões (R$ 1,243 bilhão Soma + R$ 1,074 bilhão Hering)
5º lugar Marisa R$ 2,139 bilhões
6º lugar Arezzo R$ 1,612 bilhão
7º lugar Restoque R$ 598,8 milhões
8º lugar Inbrands  R$ 300,7 milhões

(Fonte: Eikon)

Gabriel Trebilcock, gestor de renda variável da ACE Capital, afirma que a onda de fusões no país está ligada ao perfil do mercado, que é muito pulverizado.

“Essas lojas de roupa médias, que tiveram coleções encalacradas no inverno com o isolamento e não produziram no verão porque as fábricas estavam fechadas, agora acabam sendo vendidas praticamente de graça. E empresas maiores, como a Arezzo e o grupo Soma vão às compras”, diz.

Trebilcock cita um ranking que mostra que o mercado de varejo de vestuário no Brasil é o mais pulverizado dentre um grupo de oito países. Aqui, as cinco maiores empresas de vestuário representam 26,1% do mercado, contra 45,6% no Reino Unido, 43,2% no Mexico, 40,3% na Espanha, 39% em Portugal, 34,9% nos Estados Unidos e 28,5% no Canadá.

Na tabela abaixo é possível observar a participação de mercado das principais varejistas de vestuário do Brasil em 2020:

Empresa Participação de mercado
Lojas Renner 9,0%
Guararapes 7,01%
C&A 6,0%
Marisa 2,6%
Inditex 1,4%
Arezzo 1,1%
Cia Hering 0,8%
Levi Strauss 0,5%
Q1 Comercial de Roupas 0,1%

(Fonte: ACE Capital/Similarweb)

Trebilcock afirma que a compra da Hering se diferencia das outras feitas pelo Grupo Soma pelo tamanho do negócio. Hoje a Farm representa 43% do faturamento do Soma e a Animale 32%. E as últimas aquisições da Soma, como a NV, marca da Nati Vozza, eram negócios que correspondiam a menos de 15% do faturamento. “As operações diluíam o risco e desconcentravam o negócio. Agora, a Hering deve representar 50% do faturamento, a Farm 25% e a Animale 15%, então muda o olhar do analista porque a empresa agora se concentra em três marcas, com destaque para a Hering, e as outras perdem relevância”, diz.

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Ele acrescenta que a estratégia por trás dessa aquisição mais graúda é elevar a receita da empresa mais rápido e tornar o negócio mais relevante no mercado. “Com a Hering, a Soma se solidifica como uma das cinco maiores empresas de varejo do Brasil. Ao somar as 778 lojas da Hering e as 264 da Soma, elas passam a ter 1.042 lojas. A Arezzo, que é a maior hoje em número de lojas [no varejo de vestuário] tem 900 unidades.”

Como é possível observar abaixo, hoje a Hering é a segunda maior empresa de vestuário em número de lojas, mas junto com o Grupo Soma, o negócio combinado passará ao topo do ranking.

Empresa  Número de lojas em 2019
Arezzo 901
Hering 778
Renner 606
Guararapes 332
C&A 295
Grupo Soma 264

(Fonte: ACE Capital/Similarweb)

Além dos fatores citados, o gestor da ACE Capital comenta que a saída de marcas estrangeiras do mercado brasileiro também favorece a fusão. “Em 2019 e 2020, tivemos a saída de marcas como Timberland, Forever 21, além de Vans e Nike, que passaram a vender seus produtos via terceiros. A saída dos estrangeiros facilita negócios como a Soma, que também com a pandemia e o dólar alto tem menos concorrência porque seus clientes não estão viajando para comprar lá fora”, diz Trebilcock.

Veja análises sobre a fusão e o futuro do grupo Soma, e por que gestores veem potencial na combinação com a Hering, apesar de avaliar que a transação pode ter sido cara.

Consolidação do varejo

As últimas semanas têm sido movimentadas no setor de varejo. Antes da compra pelo Soma, no último dia 7, a Hering informou ao mercado ter recusado a proposta feita pela Arezzo (ARZZ3) para a combinação das operações entre as duas companhias.

Na segunda-feira (19), as Lojas Renner (LREN3) confirmaram a realização de uma oferta de ações para levantar até R$ 6,5 bilhões com o objetivo de comprar uma empresa do setor varejista. Na sexta-feira anterior (16), quando os primeiros rumores surgiram, ações da C&A (CEAB3), Lojas Marisa (AMAR3) e Hering (HGTX3)subiram ao serem vistas como as principais candidatas. Mas, na terça-feira (20) da semana passada, um outro player apareceu como o principal alvo: o e-commerce de moda Dafiti.

Também na terça-feira passada, as Lojas Americanas (LAME4) anunciaram a compra do Grupo Uni.Co, dono da Imaginarium e Puket.

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O movimento recente de fusões e aquisições (M&A) do setor varejista é fruto da segunda onda da pandemia, que trouxe novas restrições e prejudicou mais uma vez o consumo no país, principalmente de itens não essenciais. Um setor de vestuário pulverizado e composto por pequenos negócios é ambiente fértil para essa tendência de consolidação.

Empresas maiores e com melhor saúde financeira aproveitam o momento para comprar negócios menores com desconto, já que muitos deles passam por dificuldades diante dos efeitos da crise gerada pela Covid-19. Em muitos casos, a única saída para não fechar as portas é se fundir a outro negócio.

Em reportagem anteriormente publicada pelo InfoMoney, Gilberto Nagai, head de renda variável da BNP Paribas Asset Management, afirmou que as empresas de capital aberto brasileiras, de forma geral, estão capitalizadas, diante da recuperação da economia global e das injeções de estímulos dos governos, que propiciaram bons resultados às companhias, sobretudo no fim de 2020. “Essas empresas não só sofrem menos que o PIB, mas veem oportunidade para se consolidar. Como sempre nessas crises há uma diferença grande entre as empresas listadas em Bolsa, que são mais consolidadas, e a economia no geral.”

Osias Brito e Maurício Nozawa, sócios-fundadores da BR Finance, boutique de investimentos especializada em M&A, afirmam que o vestuário captura com mais intensidade o movimento porque foi um dos mais prejudicados pela crise.

“O ano passado foi perdido para negócios do varejo físico, que tiveram uma depreciação relevante. A Hering perdeu 30% do faturamento, a Soma teve queda de 3,5% no ano, mas com o e-commerce conseguiu se adaptar. Outras marcas muito boas como Riachuelo e C&A também sofreram na pandemia. Essa crise mexeu muito com o varejo físico, que ainda vai ter consolidações, temos certeza disso”, afirmam Brito e Nozawa.

Foco em complementaridade e no online

Para os sócios da BR Finance, as empresas que devem se sobressair nesse cenário são aquelas que buscam aquisições com foco em complementaridade. São consolidações que não têm o objetivo de “crescer para os lados”, no mesmo segmento, mas que buscam expansão para segmentos em que não são tão fortes.

Isso explica por que as ações da Renner subiram mais com os rumores de que ela compraria a Dafiti do que quando as notícias apontavam que o alvo poderia ser uma empresa mais focada em lojas físicas, como C&A, Marisa ou Hering. “A Renner tem uma gestão excelente, muito boa. Se ela fizer aquisição no varejo físico, ela vai ocupar a mesma marca num outro espaço, então o mercado não vê tanta geração de valor”, dizem Brito e Nozawa.

A integração de canais físicos e online, a chamada “ominicanalidade” (do inglês omnichannel), foi um dos aspectos que mais animou os analistas em relação à fusão da Hering e do Grupo Soma.

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“O que me encantou ao longo de 2020 no grupo Soma foi a ‘omnicanalidade’ deles, que de fato funciona. As vendas em mesma lojas, considerando o online, ficaram próximas a zero em um ano que os concorrentes tiveram fortes quedas. As vendedoras se comunicam bem com clientes, sabem usar o Instagram, o site funciona. Eles têm 40% mais visitas que a Hering, então se a Hering conseguir metade disso já vai ser um ganho enorme”, diz o gestor da ACE.

Apesar de citar que o modelo de franquias da Hering traz desafios para a fusão com o Soma, o Trebilcock afirma que a marca de vestuário básico tem um brand awareness (um conhecimento de marca) excepcional no mercado brasileiro.

“No Brasil, ao falar em camiseta básica, as pessoas só falavam em camiseta Hering, a marca é muito conhecida. Mas ela se perdeu nos últimos anos com problemas de coleção, mudança de estilo e abriu avenida para outras entrarem no segmento de moda básica. Se ela tiver o digital funcionando e em dois dias o produto chegar na sua casa, a Hering tem um grande potencial e pode voltar a se posicionar ainda mais nesse sentido, de que roupa básica só tem Hering no Brasil”, diz.

Veja no ranking a seguir as empresas com sites mais visitados no mês de janeiro de 2021:

Posição Empresa Visitas em sites (jan/21)
1º lugar Dafiti 22,1 milhões
2º lugar Renner 17,6 milhões
3º lugar Riachuelo 12,2 milhões
4º lugar Zattini 11,5 milhões
5º lugar C&A 8,9 milhões
6º lugar Arezzo & Co 6,8 milhões
7º lugar Soma 4,6 milhões
8º lugar Hering 3,2 milhões
9º lugar Vivara 2,3 milhões
10º lugar Restoque 0,9 milhão

(Fonte: ACE Capital/Similarweb)

Futuros alvos?

Angelica Marufuji, analista de varejo e sócia da Meraki Capital, diz que o principal foco do mercado agora são os próximos passos da Renner, de olho na Dafiti, e da Arezzo, que não levou a Hering na sua primeira movimentação e agora deixa a dúvida de quem será seu próximo alvo.

“Outra dúvida é se o grupo Soma para por aí, momentaneamente, e depois volta a olhar ativos ou não. Mas esse movimento de M&As continua, as empresas listadas estão mais capitalizadas e têm mais oportunidade na crise de fazer aquisições estrategicamente muito interessante por ter acesso ao mercado de capitais”, afirma Angelica.

Um outro efeito da pandemia ainda deve ser visto entre os fundos de private equity, segundo o sócios da BR Finance. Esses fundos que aplicam diretamente em capital de risco (investimento direto em negócios), fizeram aportes em companhias de varejo nos últimos anos e agora podem se desfazer de suas posições.

“Alguns exemplos são a saída da 2bCapital na Aramis, e do Kinea na Lojas Avenida. São sinais de que as varejistas podem ir atrás dessas empresas. Le Lis Blanc [Restoque], em dificuldades, também pode ser alvo de aquisições.”

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