Pilgrim’s Pride, da JBS, precifica emissão de US$ 900 milhões em notas sênior para financiar aquisição

JBS Frigoríficos (Shutterstock)

(Reuters) – A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS (JBSS3) nos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior sem garantia com vencimento em 2032.

De acordo com comunicado, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda, o montante da emissão foi elevado do plano inicial de 750 milhões de dólares. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

A empresa planeja usar os recursos para financiar a compra dos negócios de alimentos preparados e refeições da Kerry Consumer Foods no Reino Unido e na Irlanda. O restante será usado para pagar empréstimos e propósitos corporativos gerais.

O movimento ocorre após a JBS ter anunciado que pretende fechar o capital da Pilgrim’s Pride. A empresa brasileira, que já detém 80,21% das ações de emissão da PPC, aprovou na semana passada o envio de carta-proposta à empresa norte-americana para aquisição da totalidade das ações em circulação por 26,50 dólares cada.

Isso já causou influência na emissão desta quinta-feira, com a PPC informando que “a S&P Global anunciou que, devido ao anúncio recente da JBS…, agora vê a companhia como uma subsidiária central da JBS.”

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Infraestrutura e inflação: como se beneficiar delas na renda fixa

Para que uma economia se desenvolva e cresça de maneira sustentável, é necessário mais do que o simples crescimento do consumo.

Estudos apontam que há forte correlação entre crescimento econômico sustentável e investimento em infraestrutura, principalmente em rodovias, energia e telecomunicações¹.

Ou seja, se queremos que o crescimento da economia se prolongue para além do “voo de galinha”, devemos esperar que os investimentos em infraestrutura acompanhem (ou, ainda melhor, que antecedam) esse crescimento.

O Brasil tem ficado para trás neste quesito, como mostra o gráfico abaixo, que compara o ranking do índice de infraestrutura do GCI em 2019 (relatório do Fórum Econômico Mundial). O índice é composto por subíndices relacionados à disponibilidade e qualidade dos diferentes tipos de infraestrutura.

Para clarificar, quanto menor o número, mais bem posicionado o país está em relação aos demais. Estamos muito atrás de outros países em desenvolvimento. Talvez por isso a média de crescimento do PIB brasileiro tenha sido tão baixa nas últimas décadas.

Além disso, o estoque de infraestrutura do Brasil está abaixo de países como Índia, China e África do Sul.

Para chegarmos às taxas de investimento mais elevadas, temos ainda um longo caminho a percorrer. Porém, há sinais de que podemos evoluir nesta direção.

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De acordo com o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, são esperados investimentos na área de cerca de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 250 bilhões) até o final de 2022, envolvendo 100 projetos de desenvolvimento de rodovias, ferrovias e aeroportos.

Pode ser citado como o início desta agenda a recente “semana da infraestrutura”, em que vieram ao mercado diversos projetos, incluindo 22 aeroportos e diversas rodovias. Cerca de US$ 10 bilhões (algo em torno de R$ 50 bilhões) em investimentos foram leiloados neste período aos investidores locais e internacionais, o que demonstra interesse por investimento privado de longo prazo no Brasil.

Pode-se então dizer que o Brasil não depende mais exclusivamente de recursos públicos para realizar as obras de infraestrutura das quais tanto necessita. Historicamente, o grande financiador de projetos de infraestrutura no Brasil foi o governo federal, através de seus agentes, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Entre 2011 e 2015, por exemplo, foram quase R$ 300 bilhões em desembolsos do banco de desenvolvimento para esse fim. Havia dúvidas, no entanto, sobre a qualidade do direcionamento desses recursos, se eles estavam mesmo indo para os setores mais rentáveis e necessários da economia.

No entanto, com o aprofundamento da crise fiscal e a reforma que trocou a TJLP (taxa de juros subsidiadas do BNDES) pela TLP (taxa mais próxima ao mercado), o banco público foi reduzindo sua participação como principal financiador da infraestrutura no Brasil. Além da mudança de patamar, a representatividade desses desembolsos em relação ao PIB brasileiro caiu de cerca de 12%, em 2015, para cerca de 3% ao ano, em 2020².

Esse cenário, aliado à redução da taxa Selic, abriu um espaço enorme para que o mercado de capitais assuma esse papel.

Investidores da iniciativa privada passaram a ter espaço no financiamento da infraestrutura no Brasil, tanto através de empréstimos, quanto de capitalizações e emissões de dívida. E é essa última que quero destacar.

“Debêntures de infraestrutura” ou “debêntures incentivadas” são títulos emitidos por companhias que possuem projetos de investimento em infraestrutura, considerados prioritários pelo governo.

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Isso significa que investidores desses ativos emprestam recursos às empresas em troca de uma remuneração por prazo e taxa predeterminados. Os principais setores financiados por esses instrumentos são Energia, Transporte/Logística, Telecomunicações e Saneamento.

Como essas debêntures financiam projetos prioritários, o governo incentiva os investidores a comprarem esses títulos oferecendo isenção de imposto de renda sobre os rendimentos.

Além da tributação menor, as debêntures podem ser uma proteção contra a inflação, que voltou a ser um dos principais temas no ambiente econômico brasileiro.

O que até o ano passado parecia ser uma “corcova”, que se reduziria após um certo período, hoje já não dá sinais de arrefecimento, tendo como principais motores a alta nos preços das commodities, o desafio climático que pressiona o preço da energia elétrica e a resiliência da demanda doméstica.

Desta forma, entendemos que ao menos uma parcela da carteira deveria estar atrelada ao índice de preços, para garantir uma rentabilidade real ao longo do tempo. Uma das formas de fazê-lo é através de investimentos em ativos de renda fixa que remunerem a IPCA+ um percentual.

As debêntures de infraestrutura, particularmente, são ativos de longo prazo e atrelados ao IPCA. Ou seja, a rentabilidade real é conhecida desde o momento da aplicação.

Esses papéis, por não serem cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), por exemplo, apresentam risco relativamente maior quando comparados a títulos bancários (CDBs, LCIs, LCAs etc). Devido a estas características, costumam ser adequados a investidores de perfil moderado ou agressivo.

Além disso, há grande diversidade de riscos das empresas emissoras e o prazo naturalmente mais longo também resulta em risco mais elevado, o que os torna mais atraentes em termos de remuneração.

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Enquanto títulos do governo pagam em torno de IPCA + 4%, sem isenção, estes títulos isentos costumam pagar IPCA + 4,5% ou até mais, caso o prazo seja mais longo ou o projeto, um pouco mais arriscado.

A parte boa de termos um nível baixo de infraestrutura é que os projetos nestas áreas tendem a ser muito rentáveis, pois suprimem uma lacuna importante do país. O cenário esperado de aceleração na agenda de infraestrutura deve impulsionar novas emissões, além da participação (cada vez maior) de investidores privados nestes projetos.

Nesse cenário, as debêntures incentivadas são uma excelente opção para compor a parcela de inflação de uma carteira diversificada de investidores de quase todos os perfis.

1. Apresentação Raio X do setor de infraestrutura brasileiro – estudo produzido pela LCA para o SINICON

2. Fontes: BNDES e IBGE

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Conselho da Via Varejo aprova emissão de R$ 1 bilhão em debêntures; Minerva conclui captação de R$ 1,6 bilhão

loja casas bahia shopping via varejo (Shutterstock)

O conselho de administração da Via Varejo (VVAR3) aprovou sua sexta emissão de debêntures simples, no valor total de R$ 1 bilhão, dividida em duas séries.

É a primeira emissão da companhia com condições atreladas ao cumprimento de metas de sustentabilidade. Cada título terá o valor unitário de R$ 1 mil, com remuneração de juros correspondentes à variação acumulada de 100% das taxas médias diárias do DI, com uma sobretaxa de 1,90% para as debêntures da primeira série e de 2,10% para as da segunda.

Caso a empresa não cumpra metas de emprego de energia elétrica renovável, a taxa de prêmio terá acréscimo de 10 pontos-base. As debêntures da primeira série terão prazo de vigência de três anos a partir da emissão, enquanto as da segunda série terão prazo de cinco anos.

Segundo a Via Varejo, os recursos captados serão destinados para o alongamento do perfil da dívida da companhia e para o reforço de caixa na gestão ordinária dos negócios.

A Minerva concluiu com sucesso a oferta de sua 10ª emissão de debêntures, que envolveu total de R$ 1,6 bilhão, de acordo com comunicado nesta segunda-feira.

A operação envolveu uma série com vencimento em 7 anos no valor de R$ 1,2 bilhão, com remuneração de 5,5034% ao ano, atualizado pelo IPCA, e segunda série de R$ 400 milhões e vencimento em 10 anos, com remuneração de 5,5780% ao ano atualizado pelo IPCA.

A companhia acrescentou no comunicado que optou por fazer swap do indexador, e assim o custo final do instrumento será de aproximadamente 128% do CDI para ambas as séries.

Os recursos serão utilizados para reforço da estrutura de capital da companhia, “com foco na redução de dívidas em moeda estrangeira que apresentarem custo mais elevado”, disse a Minerva.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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BNDES vende todas debêntures participativas da Vale a R$ 53,50

(Bloomberg) — O governo brasileiro vendeu cerca de R$ 11,47 bilhões em debêntures participativas da Vale.

O Tesouro e o BNDES, que antes da venda detinha cerca de 55% do total das debêntures emitidas, venderam os 214,33 milhões de títulos ao preço de R$ 53,50 cada, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, e que pediram para não serem identificados porque os resultados ainda não são públicos. Os preços no mercado secundário estavam em cerca de R$ 60 na semana passada, segundo a Anbima, associação do mercado de capitais.

A venda faz parte de um plano de privatização de bens do Estado defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. A dívida subordinada não tem um cupom fixo e, em vez disso, paga aos detentores um dividendo igual a 1,8% da receita líquida de vendas de minério de ferro e 2,5% da receita líquida de cobre e ouro após certos limites de produção em algumas minas serem atingidos.

A receita é calculada em dólares e depois convertida em reais para distribuição aos investidores.

Os agentes de colocação foram Banco Bradesco BBI, Citi, Banco Itaú BBA e JPMorgan Chase.

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Grupo Boticário capta R$ 1 bilhão em títulos sustentáveis

O Grupo Boticário realizou uma captação de R$ 1 bilhão em títulos de cinco anos vinculados a metas sustentáveis, em uma emissão coordenado pelo Itaú BBA. Esta é a primeira operação do tipo no setor de beleza na América Latina e no mercado local de dívida.

De acordo com o grupo, os títulos, denominados Sustainability-Linked Bonds ou “SLBs”, visam fortalecer o comprometimento com melhorias nos resultados de sustentabilidade dos negócios até 2025 e reforçam o compromisso com as melhores práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, ou “ESG”, na sigla em inglês.

“O mercado de debêntures ESG tem um grande potencial de estimular e direcionar recursos para avanços sustentáveis no país e em todo o mundo. O ineditismo desta operação financeira é um passo importante para se fortalecer práticas por um crescimento da sociedade com investimentos destinados para ações que contribuam para geração de valor para o negócio e seus públicos de interesse, aumentando a qualidade de vida da população e preservando o meio ambiente”, conta Carolina Maestri, gerente de Sustentabilidade Corporativa do Grupo Boticário.

A operação também é inédita para o Itaú BBA no mercado local. Apesar de a prática de emissão de dívida ser comum para o banco, a emissão de títulos ESG na modalidade SLBs será realizada pela primeira vez pela entidade no mercado brasileiro.

“O mercado externo está bastante desenvolvido no tema ESG e esse ano trabalhamos nas principais emissões desse tipo, incluindo o primeiro título atrelado a metas e indicadores ESG. Tendo isso em mente, estamos trabalhado para fomentar o mercado de renda fixa local no mesmo sentido. A operação do Boticário é um importante marco nesse sentido, pois representa a primeira de muitas emissões SLBs que pretendemos fazer no mercado local” afirma Felipe Wilberg, Diretor de Renda Fixa e Produtos Estruturados do Itaú BBA.

As metas sustentáveis desse título têm como objetivo garantir, até 2025, que 100% de consumo de energia elétrica renovável nas fábricas do Grupo Boticário em São José dos Pinhais (PR) e Camaçari (BA) e nos centros de distribuição de Registro (SP) e São Gonçalo dos Campos (BA). Além da energia, o compromisso também será garantir, no mesmo cronograma, que 100% de resíduos sólidos sejam reciclados nas operações, incluindo reciclados, reutilizados e coprocessados.

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CVM regulamenta assembleias digitais para titulares de debêntures

(Getty Images)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou nesta quinta-feira, 14, a instrução que regula as assembleias digitais de titulares de debêntures, notas promissórias e certificados de recebíveis imobiliários (CRI) ou do agronegócio (CRA). A extensão da regra para outros títulos de dívida além das debêntures atendeu a uma demanda do mercado, como informou ontem reportagem do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A Instrução CVM 625 passa valer a partir desta quinta-feira.

A situação do crédito privado em meio à pandemia da covid-19 preocupa e as assembleias remotas podem viabilizar as discussões de repactuações entre credores e emissores de títulos de dívida, evitando um cenário negro no mercado, com uma série de descumprimentos de condições não financeiras (covenants), vencimentos antecipados de dívidas e calotes.

O órgão regulador do mercado de capitais recebeu 21 comentários à minuta que está em audiência pública desde o dia 27 de abril. As manifestações vieram de entidades como a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e BNDES.

Após as contribuições, a principal mudança feita pelo órgão regulador do mercado de capitais em relação ao texto inicial da minuta foi estender a aplicabilidade da norma a assembleias de titulares de notas promissórias, certificados de recebíveis imobiliários ou do agronegócio. Inicialmente a proposta previa apenas as assembleias de debenturistas.

Houve ainda uma ampliação do escopo da norma, para abranger valores mobiliários emitidos por companhias não registradas na CVM que tenham sido objeto de ofertas públicas com esforços restritos nos termos da Instrução 476.

A medida complementa outras iniciativas adotadas pela autarquia em função da pandemia da covid-19. No caso das assembleias, a CVM começou normatizando as reuniões 100% virtuais de acionistas de companhias, na esteira da MP 931. A possibilidade de realização de assembleias remotas é especialmente importante no contexto de distanciamento social imposto por medidas de saúde pública.

Diante do contexto emergencial, a audiência pública que antecedeu a norma foi realizada em cerca de duas semanas, duração menor do que a usual. Com isso, a instrução atingirá um conjunto maior de assembleias, podendo ser adotada inclusive naquelas já convocadas. No caso dos títulos de dívida as reuniões também poderão ser parcial ou integralmente digitais.

“A regra editada é mais um fruto do esforço que a CVM e os participantes do mercado vêm conjuntamente empreendendo para viabilizar a realização de atos essenciais ao funcionamento do mercado de capitais dentro das circunstâncias que a pandemia da Covid-19 impõe a toda a sociedade”, diz em nota Marcelo Barbosa, presidente da CVM.

No texto da Instrução 625 a CVM esclarece que as responsabilidades atribuídas à companhia emissora ou ao agente fiduciário estão relacionadas a qual desses agentes tenha convocado a assembleia. A CVM incluiu ainda um dispositivo sobre o tratamento a ser dado às instruções de voto a distância nos casos de adiamento justificado ou suspensão de assembleias.

As atas de assembleias deverão indicar quantidades de votos proferidos a favor e contra e de abstenções com relação a cada proposta constante da ordem do dia, explicitando a divisão por série, quando aplicável.

A CVM manteve a previsão de que as assembleias digitais não poderão ser realizadas quando a participação e votação a distância forem vedadas na escritura de emissão dos títulos. A autarquia havia recebido sugestões em contrário sob o argumento de que não era possível prever o cenário singular criado pelo novo coronavírus.

As assembleias convocadas anteriormente à edição da Instrução 625 poderão ser realizadas de modo parcial ou exclusivamente digital, desde que as informações exigidas pela CVM sejam divulgadas via fato relevante, no caso das reuniões convocadas pelas companhias, ou comunicação do agente fiduciários aos detentores dos títulos, com uma antecedência mínima de cinco dias. Para as assembleias convocadas para ocorrerem até 22 de maio, esse prazo mínimo cai para um dia útil.

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BNDES quer disponibilizar debêntures conversíveis a todas as companhias aéreas

Gustavo Montezano (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai utilizar até o final de abril o modelo de debêntures conversíveis em ações para socorrer as companhias aéreas que estão sendo fortemente afetadas pela queda da demanda diante da pandemia do coronavírus, e pode replicar o modelo em outros setores, informou o presidente do banco, Gustavo Montezano, em entrevista pela Web neste domingo, 29.

Segundo ele, as debêntures terão prazo de cinco anos e “taxas modestas”, e serão extensivas a todas as empresa do setor aéreo. Também está sendo estudo junto ao Ministério de Infraestrutura o mesmo socorro a outras empresas do setor de transporte.

Ele descartou a recompra de ações de empresas, como vem sendo solicitado por agentes de mercado, diante das fortes quedas nas bolsas, mas afirmou que a solução é uma “quase equity”, com a ressalva que poderá trazer ganho para o banco depois que as ações dessas companhias aéreas voltarem a se valorizar.

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Ele lembrou que banco vendeu nos últimos 90 dias R$ 25 bilhões em ações da carteira da BNDESPar, braço de investimentos do banco, mas que ainda tem uma carteira de R$ 60 bilhões. “O ideal teria sido ter nos desfeito de mais ações para ter mais fôlego (financeiro) neste momento. Agora é mais eficiente aportar capital primário do que comprar ações”, disse Montezano.

“Essa é mais uma etapa dessa jornada. O dinheiro está indo para onde é necessário nesse momento crítico”, declarou o executivo.

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Acabou ou cai mais? Chefe de análise da XP diz o que espera da Bolsa agora

O Ibovespa teve dois dias seguidos de alta pela primeira vez desde o início de fevereiro e abriu pelo terceiro dia consecutivo em alta. Nos EUA, o Dow Jones teve a maior alta desde 1933. Esse é um sinal de que o pior da crise já passou? Não necessariamente.

Para Fernando Ferreira, chefe da área de análise da XP Investimentos, há duas razões principais para a mudança de tendência dos últimos dois pregões. Se analisadas isoladamente, contudo, elas podem iludir o investidor mais desatento.

Ferreira foi o convidado do Coffee & Stocks desta quinta-feira (26) e conversou com o analista Thiago Salomão sobre sua visão para o futuro do mercado de ações. 

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Subiu porque caiu…

Segundo Ferreira, um dos motivos da alta recente dos mercados globais passa por uma correção natural.

 “Depois de fortes quedas, é normal ver fortes altas. Mas isso não necessariamente significa que tenhamos chegado ao vale da Bolsa (quando os preços estão mais deprimidos). Pode ser o início de um processo de bottom, pois é normal que haja essa volatilidade elevada depois de uma queda tão brusca como a que tivemos”, pontua.

Ou o cenário mudou?

Dito isso, o outro elemento responsável pela forte recuperação dos últimos dias foi a resposta mais incisiva de autoridades monetárias e governos de diferentes países. “Em 2008 deixaram os bancos quebrarem, e isso exacerbou demais a crise. Hoje essa discussão já passou, e está muito claro para os governos que não dá para deixar as empresas quebrarem, porque o efeito na economia é muito maior e mais prolongado”, defende Ferreira.

Segundo ele, a recessão de 2008 provou a importância do socorro do governo a empresas em momentos de crise. “A recuperação depois disso é muito mais rápida”, ressalta.

O governo americano aprovou ontem um pacote de US$ 2 trilhões, que inclui auxílio a empresas e famílias. Cada americano receberá um cheque de US$ 1200 e US$ 500 adicionais para cada filho. A cifra representa 10% do PIB dos EUA. 

Outros países têm seguido na mesma direção. A exemplo dos EUA, a Alemanha está discutindo um plano fiscal de auxílio de 750 bilhões de euros, que também equivale a 10% do PIB alemão. “Ou seja, os governos estão ativos em anunciar grandes pacotes fiscais”. 

Ferreira conta que conversou ontem com um economista global de um banco estrangeiro, que lhe apresentou o seguinte raciocínio: “Ele disse que não esperava que os pacotes seriam desse tamanho, e já excluíram o risco do pior cenário possível – o de recessão, com falências de empresas não conseguindo se levantar. O mundo deve se recuperar 60% do que caímos ainda em 2020 e voltar ao normal em 2021”, projetou, reforçando que a razão para essa melhora serão os pacotes anti-crises apresentados nos EUA e na Europa.

Pode cair mais?

Apesar de um cauteloso otimismo, Ferreira não descarta a possibilidade de novos tombos pela frente. “A bolsa caiu pouco mais de 40% do pico, mas quando olhamos para os últimos 30 anos, e como as bolsas reagiram em períodos de recessão global, vemos elas caírem entre 50 e 60%. Ou seja, poderia cair mais”, argumenta. 

O que vai determinar isso, segundo ele, é a velocidade com que os governos e cientistas vão conseguir atuar no combate à pandemia daqui em diante. “Se a economia não voltar ao normal em 2 e 3 meses, o estrago será muito grande para a economia e a bolsa pode cair mais”.

E o Brasil nessa história?

Como não poderia deixar de ser, o Brasil tem suas peculiaridades nessa conjuntura. Ferreira ressalta que, diferentemente de outros países, o pacote anunciado até aqui é mais modesto, de apenas 2% do PIB. “O tamanho da ajuda aqui precisa ser maior, mas também temos uma restrição fiscal maior. Os EUA têm uma maquininha que imprime dólares, aqui não”, diz.

Apesar disso, o estrategista vê algumas boas oportunidades no horizonte, visto que a Bolsa brasileira foi a que mais caiu quando precificada em dólar. “Existem papéis que estão muito baratos. Por exemplo, o Banco do Brasil chegou a ser negociado a menos de 4 vezes o lucro há dois dias”, afirma. 

Segundo ele, há várias ações que se encontram em situação semelhante, com múltiplos muito atrativos. Em uma das lives com Salomão no início da semana que vem, a analista Bettina Roxo irá dizer quais papéis são esses. Para participar de graça, basta clicar aqui.

Apesar de acreditar que muitos ativos estejam negociando a preços descontados, Ferreira deixa um alerta. “A mensagem que temos dado é de que não adianta tentar ser herói, só porque um papel caiu 90%. As pessoas acham que é uma oportunidade de compra sem conhecer a empresa, sem mesmo fazer o dever de casa. Você precisa estudar. Se a crise dura mais tempo, será muito duro para algumas empresas”, aconselha.

Mais do que nunca, segundo ele, é o momento de focar em empresas sólidas e de qualidade, que terão mais resiliência caso a crise venha a se alongar. 

Crise de crédito?

Um espectador perguntou a Ferreira qual a sua opinião sobre um possível efeito cascata de falências no país, o que poderia afetar todo o mercado de crédito. Segundo o estrategista o mercado de crédito já está “bastante estressado”.

“Pelas nossas conversas com bancos e empresas, vemos que, apesar dos anúncios do governo, os bancos já estão segurando crédito. Muitas empresas já estão enfrentando dificuldades para rolar suas dívidas”, afirma. Para ele, esse cenário mostra a necessidade de o governo ser mais ativo.

Porém, um estudo feito pela XP mostra que o nível de alavancagem das companhias que compõem o Ibovespa é mais baixo hoje do que anos atrás. Desde 2015, essas empresas viram a relação entre a dívida líquida e o Ebitda cair, em média, de 7,0 para 2,5 atualmente.

Segundo o levantamento da corretora, os setores mais sensíveis ao endividamento são as companhia aéreas, varejo, bancos e distribuição de combustíveis. Mesmo assim, o risco será potencialmente maior para companhias privadas e menores, que “têm acesso mais restrito ao mercado de crédito”. Você pode ver quais empresas estão mais e menos alavancadas aqui.

Vai bater na inflação?

A curva de juros futuros abriu nos últimos dias, o que pode ser interpretado por alguns como uma expectativa de aumento da inflação. Para Ferreira, contudo, isso não significa necessariamente que o mercado esteja trabalhando com a Selic (taxa básica de juros) no patamar de 10%.

 “A curva de juros está precificando um prêmio de risco muito alta. Isso significa que os fundos tomaram posição de juros projetando um empinamento da curva, que reflete um cenário de estresse. O BC sabe que cortar os juros agora não vai vai fazer a economia voltar, e o câmbio só iria continuar subindo”, argumenta.

O estrategista considera improvável que a inflação possa subir de forma consistente em um cenário recessivo. Segundo ele, a capacidade ociosa da economia brasileira tende apenas a aumentar a partir de agora. “É normal que produtos como o álcool gel possam subir de preço. Mas inflação constante no Brasil? Difícil de imaginar”.

A entrevista de Ferreira faz parte de uma série de conversas do Stock Pickers com os maiores especialistas em ações do Brasil. Para assistir a uma série inédita de 6 videoaulas com os principais gestores e analistas do setor, basta clicar aqui.

JBS compra ativos da Bunge, debêntures da Oi, desinvestimentos da Petrobras e mais destaques

(Foto: Reprodução)

Em um dia de noticiário mais calmo, o destaque na manhã desta segunda-feira (23) é o anúncio da Oi, em fato relevante à CVM, que sua subsidiária Oi Móvel fará uma emissão de debêntures para levantar R$ 2,5 bilhões. Os papéis vencerão em 24 meses.

Enquanto isso, a Petrobras informou o início da venda da fatia da Petrobras Biocombustíveis na BSBios Indústria e comércio de Biodiesel.

A Oi S.A., em recuperação judicial, informou na manhã de hoje (23) à CVM que sua subsidiária Oi Móvel realizará uma emissão de debêntures simples para levantar uma soma de R$ 2,5 bilhões. As debêntures vencerão em 24 meses a partir da data da emissão. As debêntures pagarão remuneração pela variação do dólar americano, acrescida de juros de 12,66% ao ano, durante os doze primeiros meses a partir da integralização; e de 13,61% no segundo ano.

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Kepler Weber (KEPL3)

A Kepler Weber, uma das maiores empresas de armazenagem de grãos do Brasil, informou ao mercado que a Tarpon Gestora de Recursos aumentou sua participação acionária na companhia de 16,71% para 24,57%.

A Tarpon confirmou o aumento da participação em outro comunicado, no qual informou que atingiu 6,4 milhões de ações ordinárias, ou 24,57% da Kepler Weber. Segundo a Tarpon, o objetivo do aumento da participação é de “investimento” e ela poderá ser aumentada ou diminuída “conforme as condições de mercado”.

Locamerica (LCAM3)

A Locamerica, que com sua sócia Unidas forma a segunda maior locadora de carros do Brasil, informou ao mercado que a corretora portuguesa Principal, que detinha 10,99% das suas ações ordinárias (32,8 milhões de ações), vendeu o total dos papéis e saiu da empresa.

A Principal confirmou em nota a transação, que ocorreu no dia 9, e sustenta não possuir mais nenhuma participação na Locamerica, o que estaria de acordo com o seu plano de investimentos e gestão de ativos.

A Petrobras comunicou ao mercado que sua subsidiária Petrobras Biocombustíveis S.A. (PBio) lançou uma etapa de divulgação de oportunidade (teaser) para a venda conjunta, com sua sócia, da totalidade das ações na BSBios Indústria e comércio de Biodiesel.

A PBio tem 50% da empresa e sua sócia, a RP Biocombustíveis, os 50% restantes. A BSBios tem duas usinas que produzem biodiesel, uma em Passo Fundo (RS) e outra em Marialva (PR).

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Em outro comunicado enviado à CVM no dia 20, a Petrobras informou que sua diretoria aprovou os termos finais do acordo com a Sete Brasil. Segundo a Petrobras, a empresa continuará a fretar e operar quatro sondas, durante dez anos e a um custo diário de US$ 299 mil; já os contratos relativos a outras 24 sondas foram encerrados.

Banco BMG (BMGB4)

O Banco BMG convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para 6 de janeiro de 2020, na sede da companhia na Zona Sul da capital paulista. Na reunião, os acionistas terão na pauta o aumento do capital social do banco para R$ 3,7 bilhões e alterações no estatuto, como aumentar o número de membros do Conselho da Administração de 4 para 5 pessoas.

A JBS informou que sua subsidiária Seara Alimentos comprou por R$ 700 milhões os ativos de margarina da Bunge Alimentos S.A. no Brasil. Segundo a JBS, o acordo prevê contrato de manufatura por encomenda e de licença e uso de marcas.

Com a aquisição, a JBS comprou três fábricas da Bunge, em São Paulo (SP), Gaspar (SC) e Suape (PE), que produzem margarina das marcas Delícia, Primor e Gradina, esta última destinada ao segmento de food-service. “A transação fortalece a posição da Seara no mercado de margarinas no Brasil, ao otimizar a sua plataforma de distribuição”, informou a JBS.

Em outro comunicado, a JBS informou que sua subsidiária Seara concluiu a aquisição do frigorífico Marba no dia 20 deste mês. A Marba é uma produtora de mortadela com duas fábricas no Estado de São Paulo, em São Bernardo do Campo e Taquaritinga. O anúncio da aquisição da Marba pela JBS foi feito em 6 de outubro deste ano.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties acertou a venda 12 imóveis comerciais por R$ 610,2 milhões.

O Acordo foi assinado entre BR Properties e a subsidiária BRPR VII Empreendimentos e Participações com os fundos de investimento imobiliário Multioffices 1 e Multioffices 2, segundo comunicado. Do total, 12 imóveis comerciais vendidos, dez são de propriedade da BR Properties e 2 da BRPR VII.

“Alienação faz parte da estratégia da companhia de buscar reciclar parte de seu portfólio, além de representar mais um importante passo no processo de otimização de sua estrutura de capital”, disse a companhia.

Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3)

Na noite de sexta-feira, a B2W Digital e a Lojas Americanas informam que obtiveram êxito em ações protocoladas no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a inconstitucionalidade da inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base do PIS e da COFINS. Com isso, as duas empresas estimam que podem reaver um total de R$ 1,349 bilhão em impostos já recolhidos de forma indevida.

Em comunicado, as empresas afirmam que o valor é uma estimativa, e que desse total, a Lojas Americanas deve conseguir reaver R$ 841 milhões, e a B2W, R$ 508 milhões.

Além da decisão favorável do STF, as empresas citam que a Receita Federal publicou a Solução COSIT nº 13/18 e a IN nº 1911/19 (“COSIT e IN”), que refletem entendimento de que apenas o saldo a recolher efetivo do ICMS, após apuração de débitos e créditos, deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS.

No entanto, as companhias destacam que por conta do longo período que envolve os créditos, incluindo datas que antecedem a vigência e obrigatoriedade da nota fiscal eletrônica e da escrituração fiscal digital (SPED), o que pode gerar “maior complexidade” na apuração dos valores. Lojas Americanas e B2W acreditam que há potencial de redução de até 80% nos créditos previstos.

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