Resultados de Cemig, Mosaico, Yduqs, Gafisa e de outras empresas; Camil faz aquisição no mercado de massas e mais notícias

SÃO PAULO – A temporada de resultados chega na reta final com a divulgação de resultados, com destaque para o IRB (IRBR3), Yduqs (YDUQ3), Cemig (CMIG4), Cruzeiro do Sul (CSED3), Focus Energia (POWE3), Boa Vista (BOAS3), Gafisa (GFSA3), Mosaico (MOSI3), entre outras companhias.

Ainda em destaque, a Camil (CAML3) anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

Já a Petrobras (PETR3;PETR4) está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras. Confira os destaques:

IRB Brasil (IRBR3)

O IRB Brasil RE  registrou prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre de 2021, o que indica perdas 68,5% menores em relação ao mesmo período de 2020, quando reportou prejuízo de R$ 656,7 milhões. No primeiro trimestre de 2021, o ressegurador teve lucro de R$ 35,1 milhões.

Nos primeiros seis meses de 2021, o prejuízo líquido totalizou R$ 156,1 milhões, ante perdas de R$ 621,7 milhões no ano anterior, ou uma queda nas perdas de 74,9%.

Apesar da baixa, os analistas do Credit Suisse veem os resultados do IRB como neutros a ligeiramente positivos para as ações, com melhorias nos índices de retrocessão e de perda em relação ao segundo trimestre. Eles avaliam que os resultados negativos foram parcialmente precificados pelo mercado em vista de um prejuízo líquido reportado de R $ 49 milhões em abril, divulgado anteriormente na base de dados da Susep.

Os prêmios continuam a ser impactados pela estratégia de “re-underwriting”  [de limpeza do balanço] da empresa, enquanto os índices de perdas viram um resultado positivo por conta disso.

Os resultados foram novamente ajudados por um impacto positivo no valor de R $ 27,1 milhões de créditos tributários relacionados a Imposto de PIS / Cofins no 2T21 e resultado financeiro.

Apesar dos números, o Credit reiterou a recomendação underperform (perspectiva de desempenho inferior), uma vez que avaliam que as ações continuam a ser negociadas com um valuation injustificado.

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A elétrica estatal mineira Cemig  informou lucro líquido de R$ 1,94 bilhão no segundo trimestre de 2021, alta de 80% em relação a igual período do ano anterior.

A variação positiva é devida, basicamente, ao reconhecimento dos ganhos com a repactuação do risco hidrológico, à alienação de ativos mantidos para venda (Light) e ao aumento da margem bruta no primeiro semestre de 2021, informa a empresa.

O Ebitda consolidado apresentou um aumento de 38,8% no segundo trimestre em comparação ao mesmo período de 2020, já o Ebitda ajustado teve elevação de 39,2%. A margem do Ebitda ajustado passou de 17,2% para 18% na comparação anual.

A receita líquida alcançou R$ 7,354 bilhões no período, 33,7% maior que o visto no mesmo intervalo de 2020. A Cemig encerrou junho com R$ 6,99 bilhões disponível em caixa. Ao final do trimestre, a dívida líquida da Cemig era de R$ 6,32 bilhões, queda de 31,4% na comparação anual.

A XP destaca que o lucro líquido atingiu impressionantes R$ 1,942 bilhão, bem acima da estimativa da casa de R$ 276,9 milhões e do consenso da Bloomberg de R$ 685,0 milhões. O resultado foi impulsionado por R$ 909,6 milhões de ganhos não recorrentes com prorrogações de outorgas (lei 14.052 / 2020) e R$ 618,7 milhões. com variação cambial.

“Temos uma avaliação neutra dos resultados da Cemig no trimestre, que vieram acima das nossas projeções de Ebitda ajustado, mas abaixo do consenso de mercado. Mantemos nossa recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 12 por ação”, apontam.

A Yduqs informou lucro líquido de R$ 116,5 milhões para o trimestre de abril a junho. Analistas ouvidos pela Refinitiv esperavam resultado positivo de R$ 145,5 milhões.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi três vezes maior do que o mesmo período de 2020, a R$ 349 milhões entre abril e junho deste ano.

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Já a receita líquida no período teve alta de 17%, para R$ 1,161 bilhão, enquanto os custos de serviços prestados avançaram cerca de 13%. As despesas comerciais caíram 22,3%, em meio a uma redução de 30,5% em gastos com provisões para inadimplência. As despesas gerais e administrativas recuaram 7,6%.

Na avaliação do Credit Suisse, a Yduqs reportou notável crescimento no ensino à distancia (30% na base anual ex-aquisições) e importância consolidada do Premium e EAD nos resultados (sendo já 66% do Ebitda).

“Os resultados foram melhores do que as expectativas do nosso time em muitos aspectos, entregando um Ebitda de R$ 349 milhões (margem de 30%) e um lucro líquido de R$ 116 milhões (margem de 10%)”, apontam os analistas do banco, que apontam que a performance ainda foi afetada pela queda da receita liquida on campus – OC  (queda de 15% ao ano ex-aquisições), dado o intake baixo que a indústria vem sofrendo desde o inicio da crise da Covid.

Neste contexto, os analistas destacaram que reconhecem a disciplina da empresa, que continua a navegar na crise da Covid com lucratividade relativamente boa e pouca alavancagem. O crescimento e a lucratividade simultâneos no EAD refletem a eficácia comercial e a escalabilidade do conteúdo, avaliam.

Por outro lado, os analistas seguem cautelosos quanto ao intake no ensino presencial, tanto no segundo semestre deste ano quanto em 2022. Mesmo assim, a empresa se redesenhou para uma nova realidade, reforçando a tese (case de fluxo de caixa, ainda que crescendo modestamente). Dados os custos fixos no presencial, o retorno de alunos pode ajudar nas margens daqui para frente, avaliam. O Credit tem recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 38.

Já a XP aponta que o resultado veio estritamente em linha com as estimativas da casa, o que significa que seu guidance para o primeiro semestre foi atingido. A receita líquida ficou apenas 0,5% acima das estimativas da XP, enquanto o Ebitda ajustado ficou 0,4% acima do esperado pela XP.

Vale destacar que os cursos presenciais tradicionais representam atualmente 51% da receita ante 74% no segundo trimestre de 2019 e os analistas esperam que a participação de outros cursos (premium e online) continue crescendo, uma vez que 450 novas vagas de medicina devem ser aprovadas no segundo semestre e que 79% dos polos de ensino à distância da Yduqs ainda estão em maturação, com mais de 55% ainda no primeiro ano de operação.

“Portanto, acreditamos que os fundamentos de longo prazo para a empresa (crescimento da base de alunos – principalmente online – e melhoria de margem – maior participação de cursos online e premium) permanecem intactos, apesar das perspectivas desafiadoras para 2021”, avalia a XP, que reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50,70 por ação.

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Já o BBI destaca que a receita líquida continuou a se expandir no segmento de ensino à distância, de crescimento ainda rápido, que teve forte captação de 125 mil alunos no trimestre, enquanto o segmento premium continuou a mostrar sua resiliência. Em termos de sua margem Ebitda ajustada, Yduqs permaneceu estável em relação ao ano anterior, com altos números contínuos de provisionamento de inadimplência.

“Em suma, mantemos nossa recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 45 para a empresa, pois somos construtivos quanto às suas perspectivas de crescimento nos segmentos de ensino à distância e premium”, avaliam.

Jalles Machado (JALL3)

A Jalles Machado teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da temporada 2021/22, revertendo prejuízo de R$ 16,9 milhões obtido no mesmo período da safra anterior.

A receita líquida teve alta 86,8%, para R$ 378,5 milhões, com a aceleração das vendas de etanol. Com os preços elevados do biocombustível, a Jalles antecipou vendas que costumavam ser feitas apenas na entressafra.

A XP ressalta que, enquanto a pior seca em 90 anos afetou a maior parte das lavouras do Centro-Sul do Brasil (seguida também por uma forte geada) e impulsionou o preço das commodities agrícolas, a Jalles aproveitou preços mais altos para o açúcar (alta de 25,5%) e também para o etanol (alta de 90,8%) sem perda de produtividade devido à localização de suas plantas industriais.

“Continuamos otimistas com a Jalles e reiteramos nossa recomendação de compra com preço-alvo de R$ 14/ação. Além disso, JALL3 é atualmente nossa principal escolha para o setor de açúcar e etanol”, avaliam.

Cruzeiro do Sul (CSED3)

A Cruzeiro do Sul Educacional teve lucro líquido de R$ 28 milhões no segundo trimestre deste ano, ante prejuízo de R$ 48,8 milhões apurados em igual intervalo de 2020.

A receita líquida caiu 0,8% na base anual, a R$ 478,2 milhões entre abril e junho, com o impacto negativo da liminar de desconto na Unipê, de R$ 9 milhões. A receita bruta teve alta de 25,4%, para 1,19 bilhão, em meio ao aumento de alunos nos cursos de ensino à distância (EAD).

O Ebitda totalizou R$ 125,3 milhões no trimestre, mais do que o dobro em relação ao mesmo período do ano passado. A margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) avançou 15,7 pontos percentuais, a 26,2%.

Focus Energia (POWE3)

A Focus Energia registrou lucro de R$ 17,7 milhões no segundo trimestre deste ano, 103,5% acima dos R$ 8,7 milhões registrados no mesmo período de 2020.

A receita líquida teve alta 17,7% no comparativo anual, para R$ 312,6 milhões.

O Ebitda foi de R$ 26,7 milhões, crescimentos de 79,4% e 26,7%, em comparação com o segundo trimestre de 2020 e
o primeiro trimestre de 2021, respectivamente.

Boa Vista (BOAS3)

A Boa Vista Serviços registrou lucro líquido de R$ 22,193 milhões no segundo trimestre, alta de 416,6% na comparação anual.

A receita teve alta anual de 31,1%, a R$ 181,649 milhões.

O Morgan Stanley avalia o mercado se mostrará satisfeito com os resultados e mantém recomendação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 16.

Agrogalaxy (AGXY3)

A Agrogalaxy teve prejuízo líquido no segundo trimestre deste ano foi de R$ 51,4 milhões, alta de 140% ante perda líquida de R$ 21,4 milhões entre abril e junho de 2020.

A receita líquida foi de R$ 1,01 bilhão, 25,3% maior que o do mesmo período de 2020.

O Ebitda ajustado foi de R$ 2,5 milhões no segundo trimestre de 2021, com margem positiva de 0,2%. Em 2020, o resultado havia ficado em R$ 18,7 milhões negativos, com margem negativa de 2,3%.

A Gafisa registrou lucro líquido ajustado de R$ 26,404 milhões no segundo trimestre deste ano, ante prejuízo de igual período do ano passado. Sem ajuste, o lucro totalizou R$ 13,108 milhões, ante perda de R$ 23,545 milhões na mesma base de comparação.

O Ebitda ajustado teve alta de quase 10 vezes, indo de R$ 7,7 milhões para R$ 73,36 milhões.

A receita líquida foi de R$ 259,2 milhões no segundo trimestre, três vezes acima dos R$ 83,8 milhões registrados entre abril e junho de 2020.

Segundo o BBI, os resultados do trimestre foram ligeiramente negativos, com o resultado final impactado por fatores exógenos às operações deste ciclo.

“A Gafisa é uma história de turnaround (virada operacional) em evolução e a administração tem muito a mostrar a seu respeito. Mas o aumento das vendas da Gafisa é sobrecarregado por seu legado e a deixa diante de um segundo semestre
desafiador”, avaliam os analistas.

O BBI tem uma visão estrutural que privilegia nomes mais consolidados e encontra melhores propostas de risco-retorno em outros nomes, incluindo a Direcional no segmento de baixa renda e a Trisul no segmento de média / alta renda. “Mantemos uma recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 5,50 para GFSA3”, apontam.

Hidrovias do Brasil (HBSA3)

A Hidrovias do Brasil teve lucro líquido de R$ 97,8 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 7,4 milhões em igual período de 2020. A receita líquida subiu  9,5% na base anual, para R$ 466,9 milhões.

A receita líquida operacional no corredor Sul totalizou R$ 227,2 milhões, crescimento de 141,4% na comparação anual, enquanto a receita no corredor Norte foi de R$ 176,4 milhões, 36% abaixo do apurado em igual trimestre do ano passado. Já a navegação costeira (cabotagem) somou R$ 58,1 milhões em receita líquida, alta de 18,3%.

O Ebitda ajustado foi de R$ 215 milhões, alta de 21% na base anual e ficou 9% acima das estimativas da XP, que apontou que a empresa apresentou bons números no trimestre, ao mesmo tempo em que abordou as preocupações do mercado em relação a uma perspectiva de calado abaixo da média em suas operações no sul (Corredor Sul).

“Com transparência detalhada, a administração da Hidrovias revisou para baixo suas projeções financeiras para 2021, dada (i) a baixa visibilidade dos volumes transportados para o segundo semestre devido às fracas perspectivas da safra de milho (evento limitado à safra deste ano, em nossa visão, não impactando nossas expectativas positivas de demanda no longo prazo), e (ii) cenário de estiagem anormalmente baixo no Corredor Sul”, ressaltam os analistas.

Dado o perfil não-estrutural da revisão de guidance para 2021 (guidance 2025 reiterado pela administração da empresa), os analistas veem como fundamentalmente excessiva a queda de 35% nas ações nos últimos 30 dias. Eles reiteram a recomendação de compra e visão positiva de longo prazo da Hidrovias do Brasil.

A Mosaico, dona de sites como Buscapé e Zoom, teve lucro de R$ 3,7 milhões no segundo trimestre, 73,5% abaixo na comparação anual. A receita teve queda 19,9%, a R$ 47,2 milhões, na comparação anual.

As vendas brutas de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) originadas nas plataformas da empresa foram de R$ 902,7 milhões, queda de 17,2%.

A XP apontou que, como esperado, a companhia enfrentou dinâmicas desafiadoras no trimestre em meio a uma forte base de comparação, maior custo de aquisição de clientes devido à competição por tráfego com empresas de e-commerce e fintechs e um ambiente com maiores atividades promocionais através de cashback e cupons.

Como resultado, a receita líquida caiu 20% na base anual, enquanto o Ebitda ajustado veio em R$ 2,6 milhões versus R$ 22,7 milhões no segundo trimestre de 2020.

“Apesar dos fracos resultados, eles já eram esperados. Além disso, a companhia detalhou iniciativas interessantes que já estão implementadas e que devem contribuir para a melhora de resultados à frente. Além do resultado, a Mosaico também anunciou que vai substituir o atual CEO, Thiago Flores, por Mauricio Cascão, um executivo com vasta experiência no segmento de tecnologia, tendo ocupado cargos de liderança em companhias como a AT&T, HP Labs e Mandic Cloud Solutions”, destaca a XP.

O Itaú BBA aponta que a plataforma de comércio eletrônico reportou resultados mais fracos no segundo trimestre – porém, em linha com o esperado. O valor de vendas foi 17% menor em relação ao mesmo período do ano passado, reflexo da substancial queda de 50% nos acessos na comparação anual.

“Vale ponderar que a empresa passa por um momento de expansão acelerada e criação de novos produtos, o que elevou as despesas com pessoal a pressionar a rentabilidade”, avaliam.

Os analistas observam ainda uma pressão adicional em rentabilidade devido aos investimentos da companhia em
seu quadro de funcionários. Para dar um contexto, a Mosaico vem contratando para fazer frente a sua expansão acelerada a à criação de novos produtos. Como consequência, a elevada despesa com pessoal levou a uma contração de margem Ebitda maior do que o estimado pela casa.

“Reconhecemos que os resultados de Mosaico no primeiro semestre colocam pressão nas nossas projeções para o consolidado de 2021 e para o ano que vem. Por ora, mantemos nossa recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da companhia”, aponta o BBA, com preço-alvo de R$ 39.

A Bemobi teve lucro líquido de R$ 18 milhões no segundo trimestre deste ano, alta de 251% na base anual.

A receita líquida teve alta de 8% na base anual, para R$ 62 milhões.

Segundo a XP, a Bemobi divulgou resultados sólidos, embora em linha, no segundo trimestre, com a receita líquida e o Ebitda ajustado crescendo 7,6% e 17,7% na base anual, respectivamente.

Apesar de um trimestre desafiador devido à Covid-19 e seu impacto no segmento pré-pago, a Bemobi registrou um crescimento de receita de 7,6% na base anual.

Além disso, a Bemobi está executando bem sua estratégia de diversificação de serviços e as receitas provenientes de Microfinanças e Comunicação cresceram 37% na base anual e já representam 30,3% da receita total da empresa (29,3% no segundo trimestre de 2020).

“Apesar do resultado sólido do trimestre, acreditamos que todas as atenções serão voltadas agora para entender mais sobre as empresas adquiridas e suas sinergias. Em suma, mantemos nossa recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 30 por ação para o final de 2021”, avaliam os analistas.

GetNinjas NINJ3)

A GetNinjas teve prejuízo de R$ 17,8 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 282 mil registrado em igual período do ano passado. A receita da companhia teve alta de  55,3%, para R$ 15,5 milhões, com o aumento de 40% no número de clientes utilizando a plataforma.

O Ebitda ficou em R$ 19 milhões negativos, ante dado positivo de R$ 569 mil no segundo trimestre de 2020, face à forte aceleração dos custos, especialmente relacionados com marketing e vendas, de forma a continuar a aumentar o envolvimento com clientes e profissionais da plataforma.

“Com apenas um leve crescimento sequencial nas receitas, o mercado pode ver esses resultados como negativos, já que a aceleração do ecossistema pode demorar mais do que o esperado. Mantemos, no entanto, nossa visão positiva de longo prazo sobre a Getninjas, embora reconheçamos os desafios de curto / médio prazo, pois a empresa continua gerando o efeito de rede necessário para que sua plataforma continue ganhando força”, aponta o BBI.

O lucro líquido da Panvel foi recorde e atingiu R$ 24,2 milhões, aumento de 242,1% em comparação a igual período de 2020.

“A estratégia de expansão de serviços e de novas lojas adotada pela Panvel Farmácias, aliada à retomada do fluxo de clientes nas unidades físicas e ao desempenho crescente das vendas digitais, levaram a empresa a obter resultado recorde no 2º trimestre de 2021”, destaca a empresa.

A receita da Panvel aumentou, no período, 28,9% em relação a 2020, totalizando R$ 766,8 milhões.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 39,9 milhões, equivalente a 4,8% da receita bruta e 107,1% acima do 2º trimestre de 2020.

A Panvel inaugurou, no período, 20 lojas, totalizando 494 filiais na Região Sul e em São Paulo e mantém o objetivo de abrir 65 novas unidades em 2021.

“Após um primeiro trimestre de resultado significativo, mas marcado por novas restrições causadas pela pandemia do Covid 19, o segundo trimestre de 2021 deixou clara a capacidade da Panvel de acelerar o seu crescimento, ancorada principalmente em equipes motivadas e em uma operação robusta e preparada para atender nossos clientes com qualidade e agilidade em suas demandas de saúde e bem-estar, seja nas lojas físicas ou por meio dos canais digitais”, afirma o presidente do Grupo Dimed, Julio Mottin Neto, no release de resultados.

HBR Realty (HBRE3)

O Bradesco BBI aponta que os resultados da HBR Realty foram mistos, com Comvem gradualmente aumentando. Já descontos e despesas gerais e administrativas afetam as margens.

A HBR reportou seus resultados mostrando uma boa evolução no plano de negócios da Comvem, apontam os analistas. A taxa de ocupação aumentou 3,4 pontos percentuais no trimestre, encerrando o trimestre em 83,6% mesmo com a entrega de 3.190 m² do empreendimento Comvem Bosque Maia, enquanto a empresa firmou parcerias com a Cury e a Espaçolaser, que contribuirão para alavancar a aceleração das vendas da unidade de negócios.

Do lado negativo, a margem Ebitda ajustada teve um impacto significativo de -22,7 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, impactado por descontos de aluguel em HBR Malls e Comvem, e também devido a um reforço estrutural em G&A (despesas gerais e administrativas), preparando a empresa para acelerar o crescimento (com diluição esperada ao longo do tempo).

Nas demais unidades de negócios, o BBI aponta que os principais destaques positivos foram relacionados à ainda sólida 3A (unidade de negócios corporativos), 100% ocupada e repassando integralmente o índice de inflação IGP-M nos contratos, enquanto a unidade de negócios Opportunities avançou bem, também impulsionado pela inflação do IGP-M. Os analistas mantiveram recomendação de compra.

A Petrobras está trabalhando com a companhia japonesa de engenharia Modec para evitar atrasos na implantação da quinta plataforma de produção do campo de Búzios, disse na segunda Marcio Kahn, que é o gerente executivo do ativo na Petrobras.

A estatal brasileira propôs nove plataformas para Búzios, seu projeto de águas profundas com ritmo mais acelerado de crescimento, no plano de negócios 2021-2025.

PetroRecôncavo (RECV3)

A PetroRecôncavo fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 94,5 milhões, ante prejuízo de R$ 15,1 milhões registrado em igual período de 2020. A receita líquida totalizou R$ 249 milhões, alta de 34% na comparação anual.

O Ebitda foi de  R$ 131,4 milhões no segundo trimestre, alta de 10,4% frente aos R$ 118,9 milhões de igual período de 2020.

O Morgan Stanley comentou os resultados, cujas margens ficaram abaixo da expectativa. O banco diz que enxerga alta de atividade nos próximos trimestres, que contribui para justificar sua nota overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado). O banco diz que o Ebitda ficou abaixo de sua estimativa por conta de receita maior na área Potiguar e contratos menores de serviço e fluxo de receita das operações do Remanso.

O banco mantém avaliação overweight por avaliar que a empresa tem qualidade e seus papéis e perspectiva de valorização com fusões e aquisições. O banco mantém preço-alvo de R$ 25,50.

Já o BBA apontou que a companhia reportou resultados em linha com o esperado no segundo trimestre.

“Aproveitamos para reforçar nossa recomendação de compra para RECV3, ação que estreou na Bolsa em maio deste ano. Nossa tese de investimento é baseada no potencial aumento da produção, nas novas oportunidades que estão sendo criadas por meio de incentivos regulatórios, e na perspectiva de crescimento da empresa via aquisições, na esteira do programa de desinvestimentos da Petrobras”, avaliam os analistas da casa.

A Camil anunciou na segunda-feira que assinou contrato para aquisição da companhia de massas Santa Amália, por R$ 260 milhões marcando sua entrada no segmento.

A comercializadora de energia Comerc pediu na segunda-feira o registro para uma oferta pública inicial de ações, em busca de recursos para financiar seus projetos de expansão.

BRF (BRFS3) e AES Brasil (AESB3)

A BRF comunicou ter firmado acordo de investimento para a constituição de uma joint venture com uma subsidiária da AES Brasil Energia para construção de um parque para auto geração de energia eólica no Complexo Eólico Cajuína, Rio Grande do Norte, com capacidade instalada de 160MWm, gerando 80MWm a serem comercializados com a Companhia por meio de contrato de compra e venda de energia de 15 anos.

Segundo a BRF, o projeto está em consonância com a Visão 2030, com a Política de Sustentabilidade da Companhia e com compromisso de se tornar Net Zero em emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2040, tanto em suas operações como em sua cadeia produtiva. Com essa parceria, a Companhia atenderá cerca de um terço de suas necessidades energéticas no Brasil, e evolui com sua meta de chegar a 2030 com mais de 50% da matriz energética proveniente de fontes renováveis e limpas, além de mitigar riscos de escassez de abastecimento e operar com custos mais competitivos.

O investimento estimado do projeto é de aproximadamente R$ 5,2 milhões/MW instalado, sendo que a BRF investirá diretamente o valor aproximado de R$ 80 milhões, a ser desembolsado durante o desenvolvimento do Projeto. O início das operações do parque está previsto para 2024.

O fechamento desta parceria está sujeito à aprovação das autoridades competentes e à verificação de outras condições usuais em operações dessa natureza.

“A companhia continuará a prospectar oportunidades para investir em fontes alternativas de autoprodução de energia limpa, em conexão com suas metas de longo prazo em sustentabilidade”, aponta a BRF.

Usiminas (USIM5)

O Credit Suisse realizou uma reunião com o CFO da Usiminas, Alberto Ono, e com sua equipe de relações com investidores. O banco diz que foi discutida a perspectiva atual para o setor, e temas centrais da estratégia da Usiminas. O banco afirma que a empresa diz que as condições de demanda no terceiro trimestre parecem ser tão fortes quanto aquelas do trimestre anterior. A empresa diz esperar que as remessas de aço se mantenham em níveis similares. No quarto trimestre, a sazonalidade mais fraca deve se apresentar neste ano, mas sob um ambiente internacional favorável.

De acordo com o banco, a Usiminas afirmou que, em junho, os preços estiveram 4,4% mais fortes do que a média do segundo trimestre, e que ela poderia implementar reajustes adicionais com clientes industriais. Além disso, a Usiminas disse acreditar que volumes mais altos de importação são excepcionais, e que o patamar deve se estabilizar nos próximos trimestres.

O banco mantém recomendação outperform, e diz que a empresa é um forte veículo para se beneficiar do minério de ferro mais caro e dos fortes preços do aço. O banco também acredita que chapas de aço devem ter desempenho superior àquele de aços longos, o que deve beneficiar a Usiminas. O banco prevê que a Usiminas seja negociada por 3,1 vezes a relação entre preço da empresa (EV na sigla em inglês) e lucro Ebitda em 2022, abaixo da média de entre 6 e 6,5 vezes, com Ebitda de R$ 6,7 bilhões e forte geração de caixa, de 21% em 2022.

O banco mantém recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 28,50.

Siderúrgicas

O BBI destaca que novo rumor sobre impostos prejudica as exportações de aço da China. Rumores recentes do mercado de que a China vai impor novos impostos sobre as exportações de aço a partir deste mês reduziram ainda mais a atividade de exportação de aço da China, de acordo com a MySteel.

Caixa Seguridade (CXSE3) e BB Seguridade (BBSE3)

O Itaú BBA  afirma que o número alto de reivindicações de seguros no trimestre relativas à pandemia no Brasil pesou sobre as expectativas para a margem em 2021. Assim, o banco está atualizando suas estimativas para as empresas de seguros sob sua cobertura: Caixa Seguridade, com recomendação outperform, e iniciando a cobertura da BB Seguridade, com avaliação market perform. O novo preço-alvo para 2022 para a Caixa é de R$ 18 e para o BB Seguridade, é de R$ 23.

O desempenho mensal de planos de pensão indica uma aceleração da Caixa Seguridade no segundo semestre, na avaliação do banco.

O banco diz que dá preferência à Caixa Seguridade sobre a BB Seguridade por conta da perspectiva de crescimento.

BR Properties (BRPR3), Syn (CCPR3) e São Carlos Empreendimentos (SCAR3)

O Bradesco BBI retomou a cobertura do segmento de escritórios, com visão especialmente favorável à BR Properties, com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 12,50, em detrimento à Syn, antiga CCP, com recomendação neutra (perspectiva de valorização dentro da média) e preço-alvo de R$ 12,60 e à São Carlos Empreendimentos e Participações, com avaliação neutra e preço-alvo de R$ 47.

O banco diz que o setor é negociado com um desconto médio de 40% sobre o valor líquido do ativo (NAV na sigla em inglês). O banco diz que a BR Properties é, no entanto, uma exceção positiva, por conta da estratégia de venda ativa de ativos.

Ainda no radar da companhia, a BR Properties informou por meio de documento enviado ao mercado, que fechou contrato com o Fundo de Investimento Imobiliário VBI Logístico, administrado pelo BTG Pactual Serviços Financeiros, para a venda de uma parte de um galpão logístico em desenvolvimento, por R$ 123,2 milhões, com previsão de término da construção para o segundo trimestre de 2022.

De acordo com a Guide, a notícia é positiva. A BR Properties segue reformulando seu portfólio através da venda de ativos não estratégicos para a companhia. Em todo caso, ainda vemos uma pressão forte no setor imobiliário a curto prazo, com pressão dos juros futuros e ainda os efeitos negativos da pandemia nos setores de shoppings e lajes corporativas.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Segundo o Valor, o Pátria e os médicos acionistas que, juntos detém o controle da rede de medicina diagnóstica Alliar, não devem vender seus papéis pelo valor estipulado em R$ 11,50 na oferta pública de aquisição (OPA) proposta pela Rede D’Or, de acordo com fonte ouvida pelo jornal. O fundo possui 20% do capital social atualmente.

Segundo a Guide, a notícia é potencialmente negativa. “Caso a recusa por parte dos acionistas da Alliar seja de fato confirmada em função do baixo valor ofertado, pode levar a Rede D’Or a realizar uma segunda proposta, com prêmio consideravelmente maior ou então desistir da aquisição, fazendo com que o maior grupo hospitalar do país volte a analisar oportunidades a preços mais atrativos”, aponta a casa de análise.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Gafisa vende terrenos por R$ 200 milhões, cria gestora e dá 1º passo no mercado de fundos imobiliários; Bradesco BBI aprova

(Divulgação)

SÃO PAULO – A construtora Gafisa (GFSA3) anunciou na terça-feira (3) que aprovou a venda de terrenos no valor agregado de R$ 200 milhões para um novo fundo imobiliário, gerido pela própria empresa, inaugurando sua participação no crescente mercado de FIIs.

Em fato relevante, a Gafisa afirmou que a operação visa reciclar capital próprio investido em terrenos que já estão no balanço da companhia, mantendo, no entanto, a empresa como incorporadora dos projetos.

“Este é o primeiro passo para a Gafisa atuar diretamente no mercado de fundos de investimentos imobiliários e pavimentar o caminho para um novo modelo de atuação imobiliária e financeira”, afirmou a empresa, em comunicado ao mercado.

Para isso, a companhia anunciou a criação da Gafisa Capital, que será liderada por Ian Andrade. Ele agregará o cargo de CEO da Gafisa Capital às atribuições atuais de diretor financeiro e de relações com investidores.

A Gafisa Capital será uma nova unidade de negócios com foco na estruturação e atuação no mercado de FIIs para empreendimentos e ativos imobiliários da Gafisa.

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Além de reciclar e destravar capital próprio investido em ativos imobiliários que já estão no balanço da companhia, a gestora permitirá à empresa captar recursos para novos terrenos e capturar os benefícios de desintermediação financeira, diz a Gafisa.

Segundo dados da B3, o número de investidores em FIIs na Bolsa era de 1,4 milhão em junho, um aumento da ordem de 20% em 2021.

Avaliação positiva do Bradesco

Em relatório, o Bradesco BBI diz ver o anúncio como positivo no processo de recuperação em andamento da construtora.

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“Se for bem-sucedida, a Gafisa Capital pode ajudar a Gafisa a manter seu balanço patrimonial enxuto e, ao mesmo tempo, acelerar os lançamentos em seu segmento de construção residencial tradicional, que consideramos necessário para atender ao desafio de renovar a geração de valor, após as conquistas positivas dos últimos dois anos no balanço patrimonial”, escrevem os analistas.

O banco tem recomendação neutra para os papéis GFSA3 e preço-alvo de R$ 5,50, o que implica potencial de alta de 45,9% em relação ao fechamento de terça-feira (3).

Ontem, os papéis encerraram o pregão com alta de 1,9%, a R$ 3,77.

Ação da Gafisa volta aos poucos ao radar do mercado após crise, mas BBI destaca que ainda há muito a ser (re)construído

(Divulgação)

SÃO PAULO – Em meio a um período de grande desconfiança no mercado, em que passou por processo de encolhimento, suspensão de lançamentos (sem lançar nada entre 2018 e 2019), endividamento elevado e mudanças em sua administração, a Gafisa (GFSA3) saiu do radar dos analistas.

Porém, com aumento de capital, melhora de indicadores financeiros e voltando a entregar resultados, a ação da companhia está voltando a chamar a atenção.

Em relatório na última quinta-feira (22), o Bradesco BBI informou ter voltado a cobrir o papel GFSA3, com recomendação neutra, destacando que a companhia atingiu conquistas notáveis, mas que ainda há muito a ser (re)construído. O preço-alvo para a ação é de R$ 5,50, uma alta de 34% em relação ao fechamento de quinta-feira (22).

Para os analistas Bruno Mendonça, Hugo Grassi e Pedro Lobato, que assinam o relatório, a relação entre risco e retorno da ação está bastante equilibrada neste ponto, o que justifica a recomendação neutra. “Reconhecemos, no entanto, a evolução positiva em direção às metas de recuperação da administração, embora seja muito cedo para considerá-la concluída”, destacam.

Eles avaliam, contudo, que vale a pena trazer o “nome de volta à tela”, dado o seu volume médio diário de negócios, de R$ 21 milhões, um dos mais altos entre os pares da Gafisa listados no Brasil. Segundo os analistas, as preocupações com o balanço parecem estar resolvidas, com uma relação entre dívida e patrimônio líquido de 40%.

De acordo com eles, esse número é notável em comparação com a empresa aparentemente devastada que a gestão atual assumiu em 2019, com uma relação entre dívida líquida e patrimônio líquido no primeiro trimestre daquele ano de 162%.

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Os analistas também apontam o que poderia levar a uma “reclassificação” das ações, tornando-as mais atrativas. “Acreditamos que os desafios estão na geração de valor para o acionista, atualizando efetivamente os lançamentos residenciais, cumprindo adequadamente sua estratégia de fusões e aquisições e diversificando em propriedades geradoras de renda – todas viáveis, mas não óbvias”, apontam.

O banco vê a Gafisa em linha com outras histórias da cobertura dos analistas, como Moura Dubeux (MDNE3), com recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média) e preço-alvo de R$ 16; e Helbor (HBOR3), com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12,50, embora tenha maiores riscos de execução em sua estratégia de M&A. Os analistas destacam preferência por cases mais estáveis, como a da Trisul (TRIS3), para a qual tem avaliação outperform e preço-alvo de R$ 15.

Prévia operacional do 2º tri: vendas animam, estoques preocupam

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Na segunda-feira, a Gafisa divulgou sua prévia operacional do segundo trimestre de 2021. Na avaliação da casa de análise Levante Ideias de Investimentos, seus números vieram mistos, com destaque positivo para suas vendas líquidas, porém desapontando com um estoque mais elevado.

Em relação às vendas líquidas, a companhia apresentou um avanço de 39,6% na comparação trimestral, totalizando R$ 180 milhões no trimestre. Já o aumento de estoques foi de 22% na base trimestral, a R$ 1,2 bilhão.

A taxa de velocidade de vendas, medida pelo indicador VSO, apresentou alta de 1,4 ponto percentual, registrando 13,1% no período. A companhia também apresentou um aumento de 46,2% em seus lançamentos, atingindo R$ 905,5 milhões no período.

“Vemos como ponto preocupante o estoque de R$ 1,2 bilhão, que representaria 2 anos de vendas iguais ao primeiro semestre de 2021”, aponta a Levante. Os analistas da casa destacam que, apesar de parte destes se tratar de herança da “velha” Gafisa, a “nova” Gafisa terá como desafio a venda desses imóveis.

Já do lado positivo, a companhia apresentou melhora em suas vendas líquidas no segundo trimestre de 2021, de R$ 129 milhões para R$ 180 milhões. “Apesar de ser usual comparar anualmente, tanto nas construtoras como nas outras empresas por conta da sazonalidade, esta não se mostra a prática mais adequada para a análise, com o segundo trimestre de 2020 praticamente não existindo para as construtoras devido a explosão da covid-19 na época”, apontam. Assim, ao comparar com o primeiro trimestre, o resultado neste ponto foi positivo, apesar de o primeiro trimestre apresentar dificuldades de venda por conta do verão, férias e isolamento social em 2021.

Para a Levante, contudo, mais informações sobre a companhia só serão conhecidos no dia 17 de agosto, quando serão divulgados os resultados completos do segundo trimestre. Isso porque o principal problema da Gafisa sempre foi o de margens baixas e consumo de caixa, “cujos números ainda não sabemos se virão animadores ou não”.

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Produção da Petrobras, prévia operacional da Braskem, follow-on do Magalu, BBI reiniciando cobertura para Gafisa e mais

SÃO PAULO – O noticiário corporativo desta sexta-feira tem como destaque os dados de produção de Petrobras (PETR3;PETR4) e a prévia operacional da Braskem (BRKM5), além da oferta de ações do Magalu (MGLU3), além do Bradesco BBI reiniciando a cobertura para os ativos da Gafisa (GFSA3) com recomendação neutra.

A temporada de resultados continua, com a divulgação dos números da Hypera (HYPE3) nesta sexta após o fechamento do mercado. Confira os destaques:

A Petrobras informou que sua produção de petróleo no segundo trimestre somou 2,226 milhões de barris por dia (bpd) no segundo trimestre, queda de 0,8% na comparação com o mesmo período de 2020.

Já na comparação com o primeiro trimestre, a produção da companhia cresceu 1,4%, principalmente devido ao aumento da produção das plataformas novas P-68, no campo de Berbigão, e P-70, no campo de Atapu, ambas do pré-sal da Bacia de Santos, segundo a empresa.

O Itaú BBA destacou que os números foram em linha com as estimativas do mercado.

A produção do pré-sal subiu 3,4% na comparação trimestral, devido ao desempenho das plataformas já mencionadas e à estabilização de plataformas que passaram por paradas de manutenção no primeiro trimestre.

A produção do pós-sal caiu 2,9% na comparação trimestral devido à conclusão do desinvestimento no campo de Frade, paradas em plataformas nos campos de Tartaruga Verde, Marlim Sul, Albacora e Albacora Leste.

A taxa de utilização nas refinarias foi de 75%, em linha com a expectativa do banco. A empresa informou volume total de vendas no mercado doméstico de 1.759 mil barris por dia (kbpd), alta de 5,5% na comparação trimestral. O BBA diz que o dado consolidado está em linha com sua expectativa, mas diz que seu modelo reflete vendas menores de diesel e gasolina do que aquelas informadas pela Petrobras.

A empresa atribui o aumento do volume de gasolina a um aumento da demanda relativo ao etanol hidratado, queda nas importações por outras empresas e menor posicionamento de produtos por outros produtores. A alta nos volumes de diesel foi impulsionada por sazonalidade mais forte e a isenção do imposto PIS/Cofins em abril, que teve impacto positivo nas vendas, além da redução na proporção média de biodiesel entre os trimestres.

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A geração de energia elétrica subiu no trimestre, o que pode ser atribuído à crise hídrica. O BBA mantém recomendação outperform e preço-alvo para 2021 de R$ 38 para os papéis PETR4.

A petroquímica Braskem informou nesta quinta que suas vendas de resinas no Brasil de abril a junho caíram 17% em relação ao primeiro trimestre deste ano, enquanto as dos principais produtos químicos recuaram 10%. Em prévia não auditada de resultados operacionais, a empresa afirmou também que suas vendas nos Estados Unidos e na Europa subiram 10% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Já a produção de eteno da Braskem no Brasil caiu 7% na medição sequencial, mas subiu 9% ante o segundo trimestre de 2020.

Quanto à taxa média de utilização das centrais petroquímicas da companhia, o índice caiu de 82% para 76% do primeiro para o segundo trimestre, mas subiu 93% para 96% na Europa, e ficou estável em 58% no México.

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza, por sua vez, informou que o preço por ação de sua oferta restrita (follow-on) ficou em R$ 22,75. Na operação, na qual serão emitidas 175 milhões de ações, sendo levantados R$ 3,981 bilhões.

Gafisa (GFSA3), Moura Dubeux (MDNE3) e Helbor (HBOR3

O Bradesco BBI reiniciou cobertura da Gafisa com recomendação neutra e preço-alvo para 2022 de R$ 5,50, um potencial de alta de 32% em relação ao último fechamento.

Os analistas Bruno Mendonça, Hugo Grassi e Pedro Lobato justificam a recomendação neutra por avaliar que os papéis têm preço relativamente “equilibrado” no momento. Mas reconhecem sinais de evolução rumo às metas da empresa.

O banco diz que, para obter uma reavaliação de seus papéis, a empresa precisaria acelerar lançamentos residenciais, cumprir com sua estratégia de fusões e aquisições e diversificar para propriedades que gerem receita.

O banco diz que outras empresas sob sua cobertura têm tido desempenho similar, como Moura Dubeux, com recomendação outperform (perspectiva de valorização acima da média) e preço-alvo de R$ 16; e Helbor, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12,5, frente a R$ 8,5 de quinta. O banco diz que favorece histórias mais estáveis, como a da Trisul, para a qual tem avaliação outperform e preço-alvo de R$ 15.

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O banco diz que, para que considere que a retomada da Gafisa seja considerada completa, espera o aumento de lançamentos entre 2021 e 2022, considerando a diretriz da empresa de entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão de lançamentos em 2021, e que a companhia atinja margens mais saudáveis.

Queda do minério 

O minério de ferro negociado em Dalian registrou nesta sexta-feira a maior queda semanal em 17 meses, à medida que esforços intensificados da China para reduzir a fabricação de aço faz com que usinas comecem a cortar produção para evitar sanções.

O contrato mais ativo da matéria-prima siderúrgica na bolsa de commodities de Dalian, para setembro DCIOcv1, fechou em queda de 2%, a 1.124 iuanes (US$ 173,60) por tonelada, engatando a quinta sessão consecutiva de perdas. O vencimento recuou cerca de 10% em relação à semana anterior, o que representa sua maior queda semanal desde fevereiro do ano passado, e agora está 17% abaixo do pico atingido em maio.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de Cingapura, para agosto, cedeu 0,2%, a US$ 197,25 a tonelada.

A China, maior produtora de aço do mundo, intensificou esforços para diminuir a produção de materiais de construção e manufatura, em linha com suas metas para redução de emissões de carbono. Autoridades pediram que as usinas siderúrgicas garantam que seus níveis de produção neste ano não sejam maiores do que os de 2020, após a fabricação de aço ter avançado 12% no primeiro semestre em comparação anual.

Siderúrgicas

O Credit Suisse comentou as estatísticas divulgadas pelo Instituto Aço Brasil (IABr) relativas a junho de 2021, que incluem vendas domésticas de 1.184 mil toneladas (kt) para chapas de aço, queda de 2% na comparação mensal e alta de 43% na anual; e de 864 kt para aços longos, queda de 1% na comparação mensal e alta de 20% na anual. O banco diz que comparações anuais continuam prejudicadas pelos impactos da pandemia na economia brasileira, que continuavam fortes em junho de 2020.

O banco avalia que o mês foi forte para o setor de aço no Brasil, e que o desempenho sólido do setor de aços longos aumenta a confiança de que a atividade de construção continua resiliente no país, com baixas taxas de juros e confiança do consumidor em alta. O banco diz esperar que a demanda sólida e altas de preços anunciadas no segundo trimestre de 2021 devem dar apoio para um momento forte tanto para chapas de aço quanto aços longos, ao menos até o fim do terceiro trimestre de 2021.

No setor, o Credit diz que dá preferência à CSN principalmente devido aos altos preços do aço, que devem resultar em redução do endividamento para a empresa nos próximos trimestres. Entre a Gerdau e a Usiminas, o banco dá preferência à segunda empresa, por acreditar que a demanda por chapas de aço superará a demanda por aços longos, e que a valoração da Usiminas é mais atrativa.

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O Bradesco BBI avalia que os dados divulgados pelo IAB são marginalmente mais fracos em junho, mas se mantêm em níveis saudáveis. O banco diz que a Usiminas é sua top pick (escolha favorita) no setor de aço da América Latina, e que também classifica a Gerdau como outperform.

Burger King Brasil (BKBR3)

O Credit Suisse avaliou as vendas internacionais em mesmas lojas (SSS na sigla em inglês) da Domino’s Pizza no mercado internacional, com alta de 13,9% na comparação anual, é positiva. O Burger King Brasil anunciou recentemente a intenção de comprar a Domino’s no Brasil, para a qual o Credit estima um potencial de valor presente líquido de R$ 1,55 bilhão após a sinergia, ou R$ 4,70 por ação.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Gafisa se inspira em startups unicórnios e aposta no digital

(Divulgação)

Inspirada em unicórnios do mercado imobiliário como QuintoAndar e Loft – startups que ultrapassaram US$ 1 bilhão em valor de mercado -, a Gafisa (GFSA3) decidiu se arriscar no mundo digital, ainda pouco explorado pelas incorporadoras tradicionais. A companhia vai lançar nos próximos dias o site Viver Bem, marketplace com serviços imobiliários variados.

O site abrangerá classificados de compra, venda e locação de imóveis novos e usados, ofertas de serviços de decoração, reformas, seguros, eletroeletrônicos, crédito e administração de condomínio. A ideia é ser referência para os consumidores que pensam em qualquer atividade relacionada a moradias, explica Fabio Romano, presidente da Gafisa Serviços, subsidiária da holding.

O executivo argumenta que o trunfo da incorporadora está em sua carteira de 1,5 milhão de clientes, dos quais 600 mil estão ativos. São pessoas que já compraram um imóvel da companhia ou passaram por seus estandes nos últimos anos.

O foco inicial está nos mercados de São Paulo e Rio, com planos de chegar a outras capitais mais adiante. No Viver Bem, os serviços agregados também terão de dar lucro, segundo executivo mas a principal função será impulsionar a marca Gafisa e o seu negócio principal, a incorporação imobiliária (lançamento de novos empreendimentos).

A Gafisa não será a responsável pelos demais serviços na plataforma, que ficarão a cargo de parceiros. Bancos como Bradesco, Itaú e Santander serão acionados para as modalidades de crédito com imóvel como garantia (o chamado home equity). Por sua vez, a startup Nomah fará o aluguel de curta, média e longa temporada, além de administração de imóveis.

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Gafisa reverte prejuízo e lucra R$ 12,9 mi no 1º tri, Mosaico, Linx e mais resultados; MP da Eletrobras e outros destaques

SÃO PAULO – Na reta final da temporada de balanços, atenção para os balanços da Gafisa, Focus, Mosaico, Linx, entre outras companhias, muitas delas “novatas na Bolsa” como GetNinjas, PetroRecôncavo.

o lucro líquido da Boa Vista teve queda de 9,6% no primeiro trimestre de 2021 na comparação anual, para R$ 17 milhões. Mosaico, Cruzeiro do Sul, Focus, Linx e Gafisa também divulgaram seus números.

Pague Menos (PGMN3) e Ultrapar (UGPA3)

A rede de varejo farmacêutico Pague Menos fechou na noite de segunda-feira a compra da rival Extrafarma do conglomerado Ultrapar por 600 milhões de reais, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto.

Em comunicado de esclarecimento, a Pague Menos afirmou que está atualmente em negociação para uma potencial transação envolvendo a aquisição da Extrafarma. Porém, não há, até o presente momento, qualquer contrato vinculante celebrado acerca de uma eventual transação, assim como não há qualquer garantia sobre a efetivação de qualquer negócio entre a Companhia e a Extrafama.

O negócio tornaria a Pague Menos a segunda maior varejista de drogarias do Brasil, atrás apenas da RD (RADL3), dona das bandeiras Drogasil e Droga Raia. Atualmente, a Pague Menos é a terceira maior cadeia de farmácias.

A compra da Extrafarma elevaria em mais de um terço o número de lojas da Pague Menos, para 1.503 unidades, e reforçará a sua presença principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, afirmou uma das fontes. A Extrafarma possui 402 lojas.

A Pague Menos, que tem como investidor a gestora de private equity General Atlantic, pagará 300 milhões de reais à Ultrapar quando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) der o sinal verde ao negócio. O restante será pago nos próximos dois anos, em duas parcelas iguais. Considerando dívida e caixa, o valor total da Extrafarma foi fixado em R$ 700 milhões.

De acordo com o Credit Suisse, para a Ultrapar, a transação é marginalmente positiva. O valor da operação por si só não é muito significativo (cerca de 2,5% do valor de mercado), mas a venda está estrategicamente alinhada com a reestruturação do portfólio da Ultrapar.

O Bradesco BBI aponta que o valor total de R$ 700 milhões, considerando dívida e caixa (EV), ficou abaixo da avaliação dos analistas de R$ 1 bilhão. O valuation da transação ficou em 5 vezes o EV sobre Ebitda, o que consideram barato, especialmente dadas as sinergias esperadas com as fusões e aquisições para a Pague Menos.

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Já para a Pague Menos, a aquisição parece interessante na avaliação do BBI. “Porém, levando em consideração que as duas têm alta exposição ao Nordeste, esperamos um reequilíbrio do posicionamento das duas marcas, o que pode significar o fechamento de lojas para não haver canibalização entre as marcas. Por fim, em termos financeiros, levando-se em conta que a Pague Menos teria desembolsado cerca de R $ 1,5 milhão por loja, pareceu um preço interessante sabendo que a abertura de uma nova loja varia de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões”, destacaram os analistas.

Construtoras

Os analistas do Credit Suisse revisaram a cobertura para o setor de construção, reduzindo a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) das ações das companhias EzTec (EZTC3) e Mitre (MTRE3), por serem dependentes de crescimento, da Even (EVEN3), por falta de catalisador, e da Direcional (DIRR3) por já ser precificada.

Cyela (CYRE3) e Moura Dubeux (MDNE3) tiveram a recomendação mantida em outperform, enquanto houve manutenção de Tenda (TEND3) e MRV ([MRVE3]) como neutras.

Os analistas Daniel Gasparete, Pedro Hajnal e Vanessa Quiroga apontam que, apesar dos dados ainda indicarem um ambiente favorável para o setor, há maior preocupação com o ambiente macroeconômico, o que torna a assimetria mais inclinada para o lado negativo.

Os analistas possuem os seguintes preços-alvos para as ações do setor: R$ 24 para MRV (potencial de alta de 36% com relação ao fechamento de segunda-feira), R$ 32 para a Cyrela (upside de 31%), de R$ 15 para a Even (upside de 42%), de R$ 19 para Direcional (upside de 32%), R$ 44 para EzTec (upside de 33%), R$ 35 para Tenda (upside de 37%), R$ 14 para Moura Dubeux (upside de 57%) e de R$ 15 para Mitre (potencial de valorização de 33% frente o fechamento da véspera).

Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3) e Usiminas (USIM5)

O Bradesco BBI destaca que os preços do minério de ferro caíram US$ 16 em relação ao ponto mais alto da semana anterior, mantendo-se, no entanto, em um patamar alto.

A queda foi impulsionada pela proibição pela cidade de Tangshan de que fabricantes de aço “façam conluio uns com os outros, inventem e distribuam informações que possam fazer com que os preços subam”.

As top picks do banco para o setor na América Latina são Vale, com preço-alvo de US$ 25, frente aos R$ 21,59 negociados pelos papéis VALE na Bolsa de Nova York na segunda; CSN Mineração, com preço-alvo de R$ 14, frente aos R$ 9,65 negociados na segunda; e Usiminas, com preço-alvo de R$ 32, frente aos R$ 21,45 negociados na segunda.

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A sessão foi de ganhos para o minério na China: a alta é de mais de 4% nesta terça-feira, impulsionados por fortes margens de lucros em usinas siderúrgicas, enquanto uma produção recorde de aço sugeriu também uma demanda resiliente pela matéria-prima e ajudou a alimentar o sentimento do mercado.

O contrato mais negociado do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1, para entrega em setembro, chegou a saltar 5,5%, para 1.256 iuanes (US$ 195,26) por tonelada, antes de fechar em alta de 4,3%, a 1.243 iuanes.

Ainda no radar do setor, a CSN pediu registro para uma oferta primária de ações ordinárias de emissão da sua controlada CSN Cimentos, de acordo com fato relevante da companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no final de segunda-feira. A oferta busca listar os papéis no segmento especial de listagem do Nível 2 da B3. A companhia realizou em fevereiro o IPO de sua subsidiária de mineração, a CSN Mineração.

A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (18) a Medida Provisória 1031/21, que cria as condições para a privatização da Eletrobras, estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia que responde por 30% da energia gerada no País. A sessão do Plenário está marcada para as 15h.

O modelo de privatização prevê a emissão de novas ações a serem vendidas no mercado sem a participação da empresa, resultando na perda do controle acionário de voto mantido atualmente pela União.

Apesar de perder o controle, a União terá uma ação de classe especial (golden share) que lhe garante poder de veto em decisões da assembleia de acionistas a fim de evitar que algum deles ou um grupo de vários detenha mais de 10% do capital votante da Eletrobras.

A incorporadora Gafisa reverteu o prejuízo líquido de R$ 25,5 milhões do primeiro trimestre de 2020 e teve lucro líquido de R$ 12,9 milhões.

Já a receita líquida subiu 137,3%, a R$ 170,1 milhões.

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Mesmo sem lançamento de projetos, a Gafisa teve alta de 350,8% nas vendas líquidas, a R$ 129 milhões. Já as vendas brutas subiram 320,4%, para R$ 162,9 milhões, já os distratos tiveram alta de 235%, para R$ 33,9 milhões.

A Gafisa possui três projetos em fase de pré-comercialização, com um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 546,1 milhões; os lançamentos começarão a ser feitos no fim deste mês.

A Mosaico, dona dos sites Zoom, Buscapé e Bondfaro, teve queda de 68,1% no lucro líquido ajustado no primeiro trimestre de 2021 na comparação com igual período de 2020, indo de R$ 8,9 milhões para R$ 2,9 milhões agora.

A receita bruta subiu 18,3%, na comparação anual, indo de R$ 49,1 milhões para R$ 58,1 milhões.

A receita ficou 4% abaixo da expectativa da XP, mas o Ebitda ficou 6% acima por conta de menores despesas com vendas/marketing. O lucro líquido, por sua vez, ficou bastante abaixo do projetado pelos analistas por conta de um efeito pontual de maiores despesas financeiras.

“Apesar do desempenho fraco de receita, isso já era esperado enquanto a companhia trouxe indicações e iniciativas positivas para os resultados dos próximos trimestres dado que o GMV tem apresentado uma recuperação gradual ao longo do trimestre e por conta do lançamento da plataforma de cashback a partir de maio, o lançamento esperado da plataforma de cupom no segundo trimestre e da plataforma de descoberta no 2º semestre de 2021”, avaliam os analistas.

A XP mantém visão positiva pra frente dado o forte pipeline de inovação da companhia, o forte cenário competitivo entre as empresas de e-commerce e a demanda reprimida pelas categorias de eletrônicos e linha branca. A recomendação segue de compra, com preço-alvo para o fim de 2021 de R$ 38 por ação para MOSI3.

A Linx teve prejuízo de R$ 6,87 milhões no primeiro trimestre de 2021, baixa de 24% em relação ao prejuízo em igual período de 2020. A receita líquida, por sua vez, teve alta de 10,6% no comparativo anual, a R$ 230,6 milhões.

O Ebitda foi de R$ 46,3 milhões, alta de 24% na comparação anual.

A empresa apontou que a Linx Digital alcançou participação de 14,7% na receita recorrente trimestral. O Linx Pay chegou a 13,1% de participação. Já a Linx Core avançou para 14,6%.

Cruzeiro do Sul (CSED3)

A Cruzeiro do Sul fechou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 31 milhões, alta de 210%, segundo dados divulgados na segunda. Sem a despesas não recorrentes, o lucro fica em R$ 16,3 milhões, frente a prejuízo de R$ 33,3 milhões do mesmo período do ano anterior.

Boa Vista (BOAS3)

O lucro líquido da Boa Vista teve queda de 9,6% no primeiro trimestre de 2021 na comparação anual, para R$ 17 milhões.

O Morgan Stanley comentou os resultados divulgados pela Boa Vista antes de itens extraordinários, que ficaram em R$ 26 milhões, queda de 26% na comparação trimestral e alta de 35% na comparação anual, ficando 11% abaixo de sua estimativa. O Ebitda ficou em R$ 75 milhões, queda de 19% na comparação trimestral e de 2% na comparação anual, 3% abaixo da expectativa do banco.

A receita líquida ficou em R$ 17 milhões, queda de 67% na comparação trimestral e de 10% na comparação anual. Como ponto positivo, o banco destaca que as despesas operacionais cresceram apenas 3% no ano, ficando 4% abaixo de sua estimativa.

O banco mantém recomendação overweight e preço-alvo de R$ 18, frente aos R$ 12,32 negociados na segunda.

Hermes Pardini (PARD3)

A Hermes Pardini lucrou R$ 50,1 milhões no primeiro trimestre de 2021, valor 3,17 vezes a igual período de 2020.

A XP aponta que a empresa apresentou um trimestre absolutamente em linha com as expectativas dos analistas em termos de lucro. “Embora seja uma melhoria impressionante no lucro versus o ano anterior, devemos notar que 2020 é um comparativo “fácil” (devido ao impacto negativo da primeira onda da pandemia) e que a magnitude do impacto positivo nos resultados dos testes da Covid em 2021 é pouco clara, pois a empresa não forneceu muitos dados sobre isso”, avaliam.

Portanto, também não está claro como será o crescimento orgânico quando a pandemia acabar. “Como esperado, o número de exames aumentou 33% na base anual (em linha com o esperado) devido ao impacto positivo do teste para a Covid-19 em 2021 e os outros exames voltando aos níveis normais. O ticket médio ficou apenas 4% abaixo de nossas estimativas, mas 17% acima do ano anterior, já que os testes da Covid-19 têm ticket médio mais alto assim como outros exames como imagem que retomaram em 2021”, apontam.

Já a receita líquida atingiu R$ 477 milhões, 4% abaixo do projetado pela XP (devido ao ticket médio um pouco abaixo do esperado) e 55% acima do ano anterior. O Ebitda atingiu R$ 104 milhões, em linha com a estimativa e 111% acima na base trimestral.

“Vemos PARD3 sendo negociada a um P/L de 16,7 vezes, apenas 5% abaixo de sua média histórica, o que nos leva a reiterar nossa recomendação neutra para a ação com um preço-alvo de R$ 21 por ação”, apontam os analistas.

A Dimed, dona da Panvel, teve alta de 20,52% do seu lucro líquido no primeiro trimestre de 2021 na comparação anual, indo de R$ 16,35 milhões para R$ 19,71 milhões.

Iochpe-Maxion (MYPK3)

O lucro líquido da Iochpe-Maxion foi multiplicado em 5,59 vezes na comparação anual, indo de R$ 9,2 milhões nos primeiros três meses de 2020 para R$ 51,5 milhões no primeiro trimestre de 2021.

O Bradesco BBI comentou os resultados da Iochpe Maxion, com Ebitda de R$ 375 milhões, alta de 79% na comparação anual, 33% acima da expectativa do Bradesco e 29% acima daquela do mercado.

O banco mantém recomendação outperform, com base em um melhor mix de receitas e o real mais fraco, que deve compensar pelo risco de queda global na produção de veículos. O Bradesco elevou seu preço-alvo para 2021 de R$ 19 para R$ 21, frente aos R$ 14,24 de fechamento da segunda-feira.

Focus Energia (POWE3)

O lucro líquido da Focus Energia caiu 66,3% na comparação anual, passando de R$ 44,2 milhões para R$ 14,9 milhões.

Boa Safra (SOJA3)

A Boa Safra teve prejuízo de R$ 2,8 milhões no primeiro trimestre de 2021.

Dommo Energia (DMMO3)

A Dommo Energia teve queda de 96,1% do seu prejuízo líquido na comparação anual, indo de R$ 397,5 milhões para R$ 15,6 milhões.

Terra Santa Agro (TESA3)

A Terra Santa teve prejuízo líquido de R$ 38,2 milhões no primeiro trimestre de 2021, ante lucro em igual período do ano passado.

Petrorecôncavo (RECV3)

O prejuízo líquido da Petrorecôncavo diminuiu 90,5% no primeiro trimestre de 2021 na comparação anual, a R$ 12,9 milhões.

A Atma teve prejuízo líquido de R$ 39,6 milhões nos primeiros três meses deste ano, queda de 57% em relação a igual período de 2020.

GetNinjas (NINJ3)

A GetNinjas teve prejuízo líquido de R$ 5,5 milhões nos primeiros três meses do ano.

A Eneva informou na segunda-feira que deu início ao comissionamento à quente do campo de gás de Azulão, localizado na bacia do Amazonas, por meio de um teste de produção em um dos poços do ativo, realizado na semana passada.

O teste ocorreu na Unidade de Tratamento Primário e foi bem sucedido, segundo a empresa, que agora prevê a realização do comissionamento das unidades de autogeração e liquefação, embora a produção no local ainda dependa da conclusão de obras na unidade de tratamento de gás de Azulão.

A Copel Geração e Transmissão, da elétrica Copel, assinou contrato para a compra de 100% do Complexo Eólico Vilas, localizado em Serra do Mel (RN) e atualmente pertencente à Voltalia Brasil. O empreendimento possui 186,7 megawatts (MW) de capacidade instalada e o valor da transação é de R$ 1,059 bilhão.

Vasta Platform (NASDAQ: VSTA)

O Morgan Stanley se reuniu com o CEO, Mario Ghio, e com o CFO da Vasta, Bruno Giardino, para discutir os resultados relativos ao primeiro trimestre e a futura estratégia da empresa. O banco avalia que a empresa vem investindo em expandir sua oferta de produtos, o que poderia levar a mais ganhos de participação no mercado.

O Morgan acredita que a escala e as vantagens competitivas da Vasta devem permitir que continue a ganhar participação no mercado durante anos.

O banco aponta a Vasta com a sua top pick (escolha preferida) no setor de ensino brasileiro, com avaliação overweight (expectativa de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de US$ 14, frente aos US$ 8,11 negociados na segunda na Nasdaq.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Turnaround: como a Gafisa entregou 12 obras em 2020 após 2 anos sem lançamentos e agora foca em inovação

SÃO PAULO — Após ter ficado dois anos (2018-2019) sem lançamentos, a Gafisa (GFSA3) conseguiu entregar 12 obras em 2020, que ajudaram a companhia a obter crescimento de quase 121% na receita líquida anual, na comparação com 2019. Apenas no quarto trimestre, o avanço foi de quase 400%, para R$ 580 milhões.

A nova gestão da companhia, no entanto, ainda trabalha para que ela volte a dar lucro anual. Em 2020, mesmo com um lucro líquido de R$ 28,9 milhões no quarto trimestre, a Gafisa terminou o período de 12 meses com prejuízo de R$ 76,5 milhões, alta de 456,8% em relação a 2019, quando a incorporadora obteve saldo negativo de R$ 13,7 milhões.

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Segundo o vice-presidente de finanças e gestão da companhia, Ian Andrade, a reestruturação pela qual a Gafisa passou permitiu que ela voltasse a comprar terrenos (R$ 2 bilhões foram gastos com isso no ano passado) e terminasse obras para fazer novos lançamentos. Ele comentou sobre a demanda maior com a queda dos juros no financiamento imobiliário e como as fintechs têm ajudado nisso — a Gafisa prevê investimentos em inovação.

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Por Dentro dos Resultados
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“A oferta de crédito imobiliário, especialmente para pessoas físicas, mudou muito nos últimos anos. Os grandes bancos são os mesmos. Mesmo os cinco maiores estão competindo entre eles. E tem o fenômeno das fintechs, que a gente está estudando muito no nosso braço de inovação, que a gente está chamando preliminarmente de Gafisa Lab”, disse Andrade.

“A gente está montando de fato uma atividade de inovação, com incubadora, um corporate venture capital estruturado. As fintechs, especialmente as de mortgage, as de hipotecas, elas já estão muito ativas. Elas já têm um share relevante do mercado de hipotecas e financiamentos imobiliários, e isso muda a dinâmica competitiva para o tomador de crédito”, completou.

O executivo destacou ainda que, apesar da recente elevação da taxa Selic, o crédito imobiliário deve continuar baixo ao tomador e, na visão dele, há bastante espaço para que os bancos e fintechs possam reduzir o spread cobrado nesta modalidade.

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“Se a Selic está a 2%, agora está a 2,75% ao ano, e a melhor taxa do mercado é o Santander a 6,99% ao ano, tem 5 p.p. de spread, agora cerca de 4 p.p., é um spread muito gordo. Tem gordura aí para queimar. Setor que tem muito lucro atraí entrantes e a competição reduz o lucro. A gente já vê isso acontecendo. A oferta de crédito via fintechs já é uma realidade”, disse.

Guilherme Benevides, vice-presidente de operações da Gafisa, afirmou que a pandemia acabou acelerando o processo de digitalização do setor. “A gente vê em todos os mercados, a explosão da compra online no varejo. O imóvel também. Obviamente que no caso do imóvel, o cliente quer pelo menos ir até o lugar para ver onde ele vai morar. Mas a gente se preparou para fazer as vendas 100% em processo digital”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre a tentativa de fusão com a Tecnisa no ano passado, que foi frustrada. “A negociação está fria. Não estamos conversando agora, mas ainda acreditamos que há vantagens para os acionistas de ambas as empresas, é um negócio com muitos ganhos de sinergia”, disse Andrade.

Eles explicaram como funciona a nova linha de negócios do grupo, a Gafisa Propriedades, que cuida do arrendamento (aluguel) de unidades. Os executivos comentaram ainda sobre os investimentos feitos para aumentar landbank, a expectativa de lançamentos para 2021 (entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão) e sobre o impacto do aumento nos preços dos materiais de construção para a companhia.

Para o VP de finanças da companhia, o atual preço das ações da Gafisa na Bolsa está descontado e não reflete o turnaround em andamento. “A precificação da Gafisa continua descontada. É descontada nitidamente a olho nu. É só estudar o balanço da empresa e ver o que a gente está fazendo”, afirmou. Assista à live completa acima.

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Lucro da NotreDame sobe 18% e balanços de d1000, Profarma, Gafisa e Helbor; Petrobras, Eletrobras e Vale e mais notícias

A temporada de resultados continua e é um dos destaques do noticiário corporativo desta quarta-feira (17). A d1000 lucrou R$ 18 milhões no quarto trimestre de 2020, contra um lucro líquido de R$ 10,1 milhões no igual período do ano anterior. Já o lucro da Profarma cresceu 43% no quarto trimestre de 2020, para R$ 27,7 milhões, ante os últimos três meses de 2019. A NotreDame Intermédica, do setor de planos de saúde, teve lucro líquido de R$ 155,2 milhões nos últimos três meses do ano passado, em alta de 18,1% frente os R$ 131,4 milhões registrados no mesmo trimestre de 2019.

A Gafisa lucrou R$ 28,9 milhões, ante o ganho de R$ 47 milhões do mesmo período de 2019. A Helbor, por sua vez, registrou lucro líquido de R$ 26,2 milhões no 4º trimestre de 2020, revertendo prejuízo de R$ 26,9 milhões em igual período de 2019.

Já no noticiário das estatais, a Petrobras informou que seu Comitê de Pessoas aprovou na terça-feira o nome do general da reserva Joaquim Silva e Luna, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando da companhia e uma vaga no conselho de administração.

A Eletrobras ainda comunicou na terça que foi informada pelo governo sobre sua inclusão no PND (Programa Nacional de Desestatização).

Notre Dame (GNDI3)

A NotreDame Intermédica, do setor de planos de saúde, teve lucro líquido de R$ 155,2 milhões nos últimos três meses do ano passado, em alta de 18,1% frente os R$ 131,4 milhões registrados no mesmo trimestre de 2019.

A receita líquida foi de R$ 2,81 bilhões no mesmo período, queda de 22,1% frente o número de um ano antes. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do quarto trimestre foi de R$ 419,5 milhões, alta de 6,1% sobre o mesmo trimestre de 2019.

A XP Investimentos apontou que a companhia apresentou um bom resultado (em linha com as estimativas), com um crescimento robusto da receita, devido a um aumento forte no número de beneficiários de planos de saúde, o que levam os analistas a reiterarem a recomendação de compra para GNDI3 e o preço alvo de R$ 117 por ação.

O número de beneficiários de planos de saúde atingiu 3,73 milhões, um aumento de 23% ano a ano – ou 3% acima das estimativas da XP. O número de beneficiários de planos odontológicos atingiu 2,7 milhões, um aumento de 7% em relação ao quarto trimestre de 2019.

Já o Bradesco BBI ressalta que o faturamento bruto veio 3% abaixo de sua expectativa, mas o Ebitda  estava em linha. Na avaliação do banco, o cancelamento de planos, em 147 mil no quarto trimestre frente a 57 mil no mesmo período do ano anterior, indica pressão da concorrência.

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A empresa teve aumento no número de beneficiários em linha com a expectativa dos analistas, que veem sinais mais claros de impacto da Covid sobre a empresa, e de que esses impactos podem perdurar nos próximos trimestres.

Apesar disso, o BBI aponta que a potencial fusão entre Hapvida e Notre Dame pode exigir algum tempo para que investidores assimilem as sinergias, que o banco diz calcular em R$ 15 bilhões.

Assim, a equipe de análise reitera sua avaliação de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 88, frente aos R$ 86,27 de fechamento na segunda. O banco diz que o preço-alvo não contabiliza a valorização com sinergias da fusão.

A d1000 lucrou R$ 18 milhões no quarto trimestre de 2020, contra um lucro líquido de R$ 10,1 milhões no igual período do ano anterior.

Segundo a XP Investimentos, a d1000 reportou resultados fracos referentes ao quarto trimestre, com uma queda de vendas de 7,5% na base anual e um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado (excluindo o efeito não recorrente positivo de R$ 10,6 milhões referente ao reconhecimento de créditos de PIS e Cofins devido à exclusão do ICMS na sua base de cálculo) 38% abaixo do esperado e uma queda de 32% na base anual, devido a uma desalavancagem operacional da companhia. Com isso, a margem caiu 2 pontos percentuais na base de comparação anual.

“Apesar do resultado fraco, acreditamos que isso será revertido à medida que as vendas se recuperam e a companhia se beneficie de alavancagem operacional, uma vez que a margem bruta já se encontra em um patamar bastante sólido. Mantemos nossa recomendação de Compra e preço alvo de R$16,0 por ação para o fim de 2021 para DMVF3”, aponta a XP.

Profarma (PFRM3)

O lucro da Profarma cresceu 43% no quarto trimestre de 2020, para R$ 27,7 milhões, ante os últimos três meses de 2019.

A receita líquida da Profarma alcançou R$ 1,5 bilhão no último trimestre do ano passado, alta de 15,4% sobre igual período de 2019.

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O Ebitda somou R$ 58,4 milhões,  3,8% acima frente o mesmo período de 2019.

A Gafisa registrou lucro líquido de R$ 28,9 milhões no quarto trimestre do ano passado, ante um lucro de R$ 47 milhões do mesmo período de 2019. Contudo, se descontado o efeito não recorrente de ganho jurídico de arbitragem contra uma construtora, porém, o prejuízo seria de R$ 23 milhões.

Já a receita líquida subiu 5 vezes na comparação anual, totalizando R$ 579,9 milhões.

A Helbor registrou lucro líquido de R$ 26,2 milhões no 4º trimestre de 2020, revertendo prejuízo de R$ 26,9 milhões em igual período de 2019.

A receita operacional líquida da companhia, por sua vez, foi de R$ 212,6 milhões no trimestre, queda de 52,7% na comparação anual.

O faturamento bruto foi de R$ 212 milhões, alta de 52% na comparação anual, e de 34% na comparação trimestral. A margem bruta ajustada foi de 37,6% no quarto trimestre, frente a 26,6% no terceiro trimestre. No ano inteiro, foi de 19,7%, frente a 11,7% no ano anterior.

O Bradesco BBI destacou que a empresa foi negativamente impactada pela pandemia e pela venda não recorrente de ativos ao fundo Multirenda em 2019. Mas ressaltando que a margem bruta ajustada ficou bem acima de suas expectativas e daquelas do mercado. O Bradesco BBI mantém recomendação neutra sobre a Helbor, com preço-alvo de R$ 12,50, frente os R$ 8,39 de fechamento na terça (16).

Lavvi (LAVV3), Melnick (MELK3), Trisul (TRIS3), Cyrela (CYRE3) e EzTec (EZTC3)

Sobre o setor de construção, a XP Investimentos iniciou a cobertura para as ações de Lavvi (LAVV3; Compra e preço-alvo de R$11,50/ação), Melnick (MELK3; Compra e preço-alvo de R$9,00/ação), Trisul (TRIS3; Compra e preço-alvo de R$14,00/ação) e Even (EVEN3; Neutro e preço-alvo de R$13,00/ação). Além disso, retomaram a cobertura de Cyrela (CYRE3; Compra e preço-alvo de R$33,00/ação) e atualizaram as estimativas para EZTec (EZTC3; Compra e preço-alvo de R$48,0/ação).

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“Apesar de esperarmos volatilidade nos papéis em razão da alta da taxa de juros futuros, a nossa expectativa é de que o segmento de médio e alto padrão continue sua trajetória de recuperação após os impactos da pandemia por causa dos sólidos fundamentos: juros imobiliários na mínima histórica, demanda aquecida por imóveis, forte balanço patrimonial das incorporadoras listadas e valuations atrativos”, destacaram os analistas.

Sobre a Vale, a companhia iniciou, de forma gradual, a operação da planta de filtragem de rejeitos do Complexo Vargem Grande, a primeira de quatro plantas de filtragem que serão instaladas nas operações da companhia, em Minas Gerais, com investimentos de US$ 2,3 bilhões entre 2020 e 2024.

BR Distribuidora (BRDT3)

Wilson Ferreira assumiu como CEO da BR Distribuidora na última terça, o que os analistas do Credit destacam como positivo, uma vez que a chegada do executivo deve ajudar nas tomadas de decisões de longo prazo, principalmente com relação à alocação de capital e o plano de negócios da companhia.

A Eletrobras comunicou na terça que foi informada pelo governo sobre sua inclusão no PND (Programa Nacional de Desestatização). A medida, parte dos planos do presidente Jair Bolsonaro de privatizar a empresa, foi aprovada em reunião do CPPI (Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos).

O Credit Suisse comentou a informação de que a Eletrobras nomeou temporariamente a CFO Elvira Presta como CEO, até que um novo seja indicado; de que o CPPI aprovou a inclusão da Eletrobras no programa de privatização, permitindo ao BNDES iniciar os estudos sobre a redução de capital do governo; e de que os presidente do Senado e da Câmara têm visões favoráveis sobre a MP para a privatização da Eletrobras.

Mas o banco destaca que será necessário forte apoio político da maioria dos partidos para aprovar a proposta. A MP tem 120 dias para ser votada e aprovada. Apesar disso, as notícias são favoráveis, diz o banco.

O Credit Suisse mantém recomendação neutra para a ação ELET6, com preço-alvo de R$ 32, frente aos R$ 33,63 de fechamento da véspera.

A estatal Petrobras  informou que seu Comitê de Pessoas aprovou na terça-feira o nome do general da reserva Joaquim Silva e Luna, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando da companhia e uma vaga no conselho de administração.

A companhia disse que o comitê, ligado ao conselho, decidiu pela “não existência de vedações” à nomeação de Luna e avaliou que ele preenche requisitos previstos na Lei das Estatais e na Política de Indicação de Membros da Alta Administração da Petrobras, segundo comunicado na noite de terça-feira.

De acordo com o comitê, os acionistas da companhia e o conselho poderão, caso desejem, avaliar na sequência “o preenchimento de requisitos subjetivos adicionais aos previstos na legislação”.

O presidente Bolsonaro anunciou a indicação de Luna para a Petrobras em 19 de fevereiro, após desentendimentos com o atual CEO da empresa, Roberto Castello Branco, sobre os preços dos combustíveis. (Full Story)

A Petrobras convocou para 12 de abril uma assembleia geral de acionistas que irá deliberar, entre outros assuntos, sobre a indicação de Luna para o conselho e a formação do colegiado.

A estatal ainda informou na terça que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou a revogação da outorga da usina termelétrica TermoCamaçari, na Bahia, e que está negociando o arrendamento da unidade com a Proquigel Química, empresa integrante do Grupo Unigel. “A companhia já vinha buscando alternativas para a termelétrica, como a venda de participação da unidade no âmbito da aliança estratégica firmada com a Total S.A. em dezembro de 2016, mas que não foi concluída”, disse a Petrobras em comunicado.

O preço final do gás natural vendido pela Petrobras a distribuidoras, que atendem os consumidores na ponta, deve ter um salto de 18% a 35% a partir de maio, projetou um técnico da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia) na terça, segundo informações da agência internacional de notícias Reuters.

A Vale iniciou, de forma gradual, a operação da planta de filtragem de rejeitos do Complexo Vargem Grande, a primeira de quatro plantas de filtragem que serão instaladas nas operações da companhia, em Minas Gerais, com investimentos de US$ 2,3 bilhões entre 2020 e 2024.

Em comunicado, a mineradora afirmou nesta terça-feira que o início da operação reduz a necessidade de utilização de barragens de rejeitos e ainda permitirá uma melhora da qualidade média do portfólio de produtos da Vale com o uso do processamento a úmido.

“Vemos o anúncio como positivo, uma vez que se trata de mais um passo em direção da retomada da capacidade produtiva da companhia. A Vale espera uma capacidade de 400 milhões de toneladas por ano ao final de 2022”, afirmam os analistas da XP, que mantém recomendação de compra para Vale, com preço-alvo de R$ 122 por ação.

O Bradesco BBI comentou o Dia do Investidor da Rumo, destacando que a empresa foca no licenciamento ambiental do projeto ferroviário de Lucas do Rio Verde. O banco diz que a empresa vem ganhando competitividade como produtor de baixo custo, e que diversificação de cargas devem levar a grãos ganharem participação de mercado.

O banco avalia que a maior pressão do mercado por governança ambiental e social e, consequentemente, a menor emissão de gás carbônico, podem beneficiar o transporte ferroviário promovido pela Rumo.

A equipe de análise aponta que a Rumo está no caminho para atingir sua guidance (documento com previsões e planos divulgados por empresas) de Ebitda em 2025 em entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões. O Bradesco diz que a empresa também deve se beneficiar de preços mais altos de diesel, o leilão da concessão de pedágios na BR-163 e o potencial de problemas legais com o seu projeto Ferrogrão. O banco mantém recomendação outperform para a Rumo, com preço-alvo de R$ 31 em 2021.

Focus Energia (POWE3)

O Morgan Stanley divulgou uma avaliação favorável à Focus Energia, destacando seu portfólio de cerca de 3 gigawatts em projetos e experiência em comércio de energia, que permite à empresa viabilizar capacidade adicional e garantir capacidade adicional. O banco diz que a empresa tem perspectiva de valorização atrativa, e mantém avaliação de overweight (expectativa de valorização acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 32, frente aos R$ 13,79 negociados na terça (16).

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Carteira gráfica semanal da XP tem desempenho melhor que o Ibovespa e troca 2 ações

(Pixabay)

SÃO PAULO – A XP Investimentos divulgou a “Top Picks”, sua carteira semanal de análise gráfica, para o período de 26 de fevereiro a 5 de março. Para esta semana houve duas trocas entre os papéis que compõem o portfolio.

Saíram Fleury (FLRY3) e Br Distribuidora (BRDT3) para a entrada de Gafisa (GFSA3) e Totvs (TOTS3).

Segundo Gilberto Coelho, o Giba, analista técnico responsável pela carteira, os papéis da Gafisa entram no portfolio obedecendo à retração de Fibonacci, que pode levar as ações para os suportes de R$ 4,40 e R$ 4,80, que, se respeitados, devem indicar uma recuperação até os R$ 6,00 ou R$ 7,40.

Já a Totvs passa a fazer parte da carteira como oportunidade após um pullback até a média móvel de 21 dias. Os suportes para colocar stop loss estão em R$ 30,50 e R$ 31,80, ao passo que os alvos da alta estão em R$ 34,90 e R$ 39,15.

Divulgada semanalmente, a carteira Top Picks XP é composta por cinco ativos, tendo cada um peso de 20%. A seleção busca retorno a curto prazo, alinhando fluxo e movimentação das ações ao cenário político e macroeconômico.

Giba calcula a rentabilidade da carteira entrando nas ações no leilão das sextas-feiras. O objetivo é de que a média do retorno dos ativos supere o Ibovespa ao fim da semana.

Desempenho

Na semana passada, a carteira Top Picks caiu 1,87%, enquanto o Ibovespa teve um recuo maior, de 5,21%.

As quedas dentro do portfolio foram da Br Distribuidora, que caiu 11,37%, seguida por Fleury, com baixa de 2,67%, Vale (VALE3), em recuo de 2,11% e Marfrig (MRFG3), que sofreu desvalorização de 0,77%.

Por outro lado, subiram as ações das Lojas Americanas, que avançaram 7,58%.

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No ano de 2021, a Top Picks cai 4,53% ao mesmo tempo em que o benchmark da B3 recua 5,68%. Desde 2010 a carteira gráfica semanal da XP tem alta de 223,27% enquanto o Ibovespa avança 84,17%.

Confira, abaixo, as recomendações para esta semana:

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“Vamos devolver a Gafisa ao lugar de onde ela nunca deveria ter saído: líder do setor”, diz vice-presidente de operações

Guilherme Benevides, vice-presidente de operações da Gafisa (Divulgação) Guilherme Benevides, vice-presidente de operações da Gafisa (Divulgação)

SÃO PAULO — Após um processo de reestruturação, a Gafisa (GFSA3) está preparada para voltar a ter um lugar entre as gigantes do setor imobiliário na Bolsa. Pelo menos essa é a meta defendida pelo vice-presidente de operações da companhia, Guilherme Benevides.

“A nossa intenção hoje é ter uma gestão totalmente profissionalizada, com metas muito bem definidas e com objetivo de geração de valor”, disse, em entrevista exclusiva ao InfoMoney. “A Gafisa é a maior empresa da história do mercado imobiliário brasileiro em números. A cada 130 brasileiros, um mora em um imóvel da Gafisa.”

Há cerca de dois anos, a companhia passou por um processo de encolhimento, suspensão de lançamentos, endividamento elevado e mudanças em sua administração. Em 2018, quando a GWI assumiu a empresa, boa parte da diretoria foi demitida e as obras chegaram a ser suspensas. De lá para cá, a nova gestão da Gafisa promoveu aumentos de capital e tem conseguido melhorar indicadores financeiros — mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

“A gente quer voltar a estar entre as três maiores empresas [do setor imobiliário] listadas. Isso é uma meta da companhia. A gente quer devolver a Gafisa ao lugar de onde ela nunca deveria ter saído. A Gafisa por muitos anos foi a maior empresa do setor. Dos 66 anos de história da Gafisa, em muitos ela foi a líder do mercado”, afirmou Benevides.

Só em 2020, a empresa entregou 12 obras, com 2.100 unidades. Ela ainda não está sendo lucrativa, e seu prejuízo cresceu no terceiro trimestre, mas segundo o vice-presidente de operações da companhia, a Gafisa “está se preparando para dar lucro o quanto antes”.

Ele falou ainda sobre fusões e aquisições, estratégia de negócio voltada às classes mais altas, melhora das condições de mercado, maior maturidade dos compradores, concorrência, entre outras coisas. Confira abaixo os principais trechos da entrevista com o vice-presidente de operações da Gafisa, Guilherme Benevides.

InfoMoney: De que forma a Gafisa foi impactada pela pandemia de coronavírus e quanto ajudou a companhia o fato de a Selic ter caído tanto?

Benevides: Para a companhia foi um ano obviamente atípico. A gente começou o ano como todas as empresas do setor com otimismo, um ano que seria de grande retomada para o mercado imobiliário. As empresas tiveram que se adaptar de muitas formas. Adotamos o home office, por exemplo.

Tanto a taxa Selic, a menor da história, quanto a oferta de crédito no mercado e, uma coisa que eu venho pontuando, a própria pandemia em si, com as pessoas ficando em casa, olhando para dentro e ficando mais com a família, isso tudo fez com que muitas pessoas tomassem a decisão de comprar um imóvel.

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Então, acho que tinha um grupo grande de represamento de pessoas que tinham essa dúvida sobre comprar ou não comprar um imóvel. E com esse olhar para dentro, com essa questão de ficar em casa e com todas as facilidades de taxa e de oferta de crédito fizeram com que o mercado [imobiliário] realmente tivesse uma reação melhor do que outros mercados.

Eu acredito que tenha sido uma grata surpresa ao setor. Obviamente que infelizmente tem toda a tragédia da pandemia, que é péssimo para todo mundo, mas foi uma surpresa para o mercado [imobiliário] essa não queda, vamos chamar assim, das vendas. Alguns nichos, inclusive, houve uma grande melhora.

Eu acho que a Gafisa passou bem por esse desafio. Foi um ano onde ela terminou a reestruturação dela e começou a fase de crescimento. A Gafisa já vinha desde 2018 sem nenhum lançamento, então foi um ano marco para nós.

InfoMoney: Os descontos praticados pelas companhias do setor imobiliário ajudaram a “segurar” as vendas durante a pandemia?

Benevides: Eu não enxergo que teve uma queda nos preços. O que eu enxergo é que o nicho que mais cresceu, e a gente tem acompanhado isso, é o nicho do Minha Casa, Minha Vida, o que mostra de fato um grande represamento nos últimos anos. O mercado imobiliário nos últimos cinco anos sofreu muito, foi um dos setores que mais sofreu, e tinha sim muito represamento em todos os níveis e faixas sociais.

Ainda tem, na verdade. E eu acho que todas essas condições de taxas, oferta de crédito e a questão da valorização do imóvel pela questão pessoal, isso facilitou com que as vendas continuassem acelerando. Sobre preços, eu não acho que eles caíram. Você imagina o seguinte: há pouco tempo a gente falava em taxas de 9%, 10%, 12%. Então, realmente hoje temos uma taxa muito atrativa.

Não é uma taxa que vai se manter por muito tempo. Isso é também uma questão que as pessoas estão olhando como oportunidade: tomar um financiamento agora. Não acredito em baixa de preço. Na verdade, os preços se estabilizaram e a gente vê até um crescimento, uma sustentação e um crescimento contínuo nos preços, principalmente nas regiões mais nobres.

Eu não vejo a questão do desconto como a gente tinha no passado, os grandes feirões, eu não acho que é o momento para isso agora. É o momento de estabilidade de preço e até ganho de preço nas regiões mais nobres.

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InfoMoney: Como a empresa vê o aumento do desemprego e a perda de renda das pessoas? Isso atinge negativamente o setor imobiliário, não? Como vocês imaginam que a inadimplência vai se comportar em 2021?

Benevides: Em relação à taxa de desemprego, ela já vinha vindo alta. Existe um reflexo, com certeza, mas ela já vinha alta. Se a pandemia não tivesse acontecido, a gente teria uma melhora ainda muito maior do que a gente esperava. Então, sobre esse ponto, não [devemos ser negativamente afetados].

Com relação à inadimplência, eu acho que o mercado aprendeu muito, e os clientes também, com todos os distratos que vivemos no ano passado, com tudo o que a gente viveu de ter compras onde a pessoa realmente estava comprando [um imóvel] sem ter muita análise crítica [de condições de pagamento]. Isso acabou. Eu acredito muito que hoje quem está assumindo um financiamento, quem está comprando um imóvel, ele tem a certeza do que ele está fazendo.

Então, eu acho que existe uma maturidade um pouco maior tanto dos clientes quanto das incorporadoras sobre essa venda. Eu vejo que a questão dos distratos e de inadimplência vai continuar com uma média histórica natural, não mais um reflexo do que a gente teve nos últimos anos, com um grande número de distratos.

Obviamente a nova lei dos distratos também ajuda tanto o vendedor quanto o comprador. Ou seja, se o vendedor estiver inadimplente, ele é muito penalizado, mas se ele estiver adimplente com as obrigações do contrato quem é penalizado é o comprador. Então eu acredito que isso também ajudou demais o setor.

As empresas que conseguirem cumprir com suas obrigações, elas vão estar muito mais respaldadas em seus contratos do que anteriormente. Eu vejo que com a nova regulamentação dos distratos e uma conscientização maior desse comprador que está tomando crédito para comprar um imóvel, eu vejo um mercado bem mais maduro do que há quatro, cinco anos.

InfoMoney: A empresa tem algum guidance de lançamentos?

Benevides: A gente não costuma divulgar guidance, mas o que eu sempre tenho dito nos nossos calls é que a gente tem hoje em torno de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões em VGV [Valor Geral de Vendas] em aprovação de projetos ou aprovados já, e a gente vai colocar esses produtos no mercado no prazo de 12 a 18 meses. Ou seja, não é um guidance, mas existe uma intenção de a gente trabalhar esses lançamentos dessa forma, com prazo médio de 18 meses.

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InfoMoney: A Gafisa tem foco maior na classe média alta e alta. Foram classes menos atingidas pela crise. Vocês pretendem manter esse foco ou também destinar esforços para empreendimentos mais acessíveis nos próximos anos?

Benevides: Na verdade, a gente tem uma linha que chama Move, é um step acima do Minha Casa, Minha Vida, com um ticket de R$ 250 mil a R$ 600 mil por apartamento. A gente tem projetos nessa linha e continua estudando negócios nessa linha.

Mas realmente o foco maior da companhia são produtos de médio, médio alto e alto padrão. Hoje a gente tem um foco mais voltado para esse público. A gente está inclusive melhorando os nossos produtos e agregando valor aos nossos projetos com o aperfeiçoamento deles.

Os que a gente tem comprado são projetos que flutuam na ponta com preços acima de R$ 10 mil, R$ 11 mil o metro quadrado, a gente tem olhado mais para projetos de classe média alta. O Minha Casa, Minha Vida, a gente não atua, não temos perspectiva de atuar.

InfoMoney: A separação da Tenda em 2017 é considerada acertada pela empresa?

Benevides: Esse movimento foi feito antes da nova gestão. O que a nova gestão tem como direcionamento é que a gente entende que hoje a gente quer focar no médio, médio alto e alto padrão. Hoje para nós não seria interessante ter uma estrutura de empresa para Minha Casa, Minha Vida. Independentemente do que foi feito na gestão passada, a nova gestão entende como estratégia que a gente não tem esse direcionamento.

InfoMoney: E como vocês estão vendo a concorrência? Eles também tiveram crescimento de vendas na pandemia.

Benevides: A gente quer voltar a estar entre as três maiores empresas [do setor imobiliário] listadas. Isso é uma meta da companhia. A gente quer devolver a Gafisa ao lugar de onde ela nunca deveria ter saído. A Gafisa por muitos anos foi a maior empresa do setor. Dos 66 anos de história da Gafisa, em muitos ela foi a líder do mercado.

Ela sempre foi a pioneira em várias ações, em projetos, em produtos, em marketing. É uma meta da nova gestão voltar a ter essa posição, obviamente de uma forma muito mais moderna. A Gafisa passa a se tornar uma grande plataforma completa de produtos e serviços imobiliários e não mais uma incorporadora e construtora. A gente está se colocando numa empresa moderna.

Com relação à concorrência, falando das dez maiores do setor, realmente todas elas tiveram crescimento de vendas, todas elas estão bem posicionadas no mercado, fizeram a lição de casa e a gente está fazendo a nossa. A concorrência é bem-vinda, é saudável e a gente está muito atento aos nossos concorrentes. Mas de qualquer forma, a gente está no nosso planejamento, na nossa estratégia, nos transformando numa grande plataforma.

InfoMoney: Recentemente saíram notícias sobre uma possível fusão com a Tecnisa. Qual a expectativa da Gafisa em relação a isso?

Benevides: Existem conversas entre as empresas. A gente de maneira alguma quer fazer uma fusão de forma forçada. A gente queria unir forças mesmo porque entendemos que as duas empresas podem ter uma grande sinergia de operações e agregar valor uma para a outra.

Essa operação esfriou, obviamente, mas não é uma coisa que está totalmente fora do nosso radar. A gente continua entendendo que a Gafisa pode crescer de duas formas: de forma orgânica e inorgânica. Uma não anula a outra.

Então, a gente tem olhado para várias oportunidades, assim como a gente enxergou uma oportunidade na Tecnisa a gente tem também olhado para outras oportunidades, e crescendo de forma orgânica. Não está fora do radar da companhia fazer fusões e aquisições para crescimento de forma não orgânica.

InfoMoney: A companhia tem caixa suficiente para fazer essas aquisições? Tem opções na mesa para fazer novas captações?

Benevides: Aí é analisar cada negócio. Temos uma estrutura de capital para cada negócio. O que a gente entende é que se a gente achar que existe uma operação que gere valor para a companhia e que seja uma operação que de fato agregue para nós, a gente vai buscar uma estrutura de capital para fazer essa operação.

InfoMoney: Como a empresa pretende aumentar o número de investidores pessoas físicas que têm ações da Gafisa na Bolsa?

Benevides: A nossa intenção hoje é ter uma gestão totalmente profissionalizada, com metas muito bem definidas e com objetivo de geração de valor. A Gafisa é a maior empresa da história do mercado imobiliário brasileiro em números. A cada 130 brasileiros, um mora em um imóvel da Gafisa. Ela é conhecida em todos os cantos do Brasil.

Obviamente num momento em que temos a Bolsa crescendo, investidores pessoas físicas entrando e investindo na Bolsa, entendendo que a Bolsa é na verdade uma poupança de longo prazo, com uma nova educação desse investidor pessoa física, com certeza a Gafisa entra no radar. Isso por ser uma empresa com 66 anos, por ter uma tradição muito forte, por ter o peso da marca que ela tem e pela resiliência da companhia.

Independentemente do investidor, seja o acionista majoritário, sejam os pequenos investidores pessoas físicas, a nossa missão aqui é gerar valor para eles. Isso está muito no nosso radar, é nossa grande missão.

InfoMoney: O prejuízo da empresa aumentou no terceiro trimestre, apesar de a Gafisa ter registrado aumento das vendas e das receitas. Quando a companhia vai voltar a dar lucro?

Benevides: A gente ainda tem uma série de ajustes a serem feitos, que estão sendo feitos. A gente tem como expectativa, eu não posso falar exatamente quando a gente vai voltar a dar lucro, mas obviamente este é o grande objetivo da companhia. A gente ainda está ajustando a casa.

Independentemente do prejuízo, a gente está vendo vários pontos positivos do balanço, como por exemplo a dívida sobre o patrimônio líquido, o aumento de 250% nas vendas. Tem vários índices no balanço que mostram a recuperação da companhia e o quanto a gente já avançou na nova gestão e a gente está se preparando para dar lucro o quanto antes.

Este ano estamos entregando 12 obras, com 2.100 unidades. É um indicador muito importante do retorno da Gafisa. Quando a nova gestão entrou na companhia ela tinha todas as suas obras paralisadas. A gente retomou com muita força a parte de construção e engenharia da Gafisa que sempre foi historicamente muito sólida.

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