“Não lutei para ganhar e depois perder”, afirma Gil do Vigor sobre ser investidor conservador

Gil Nogueira, PhD em Economia e sucesso do BBB (crédito: Instagram)

Se antes de participar do Big Brother Brasil 2021 o economista Gilberto Nogueira vivia “lascado”, o agora célebre Gil do Vigor deixou essa realidade para trás. Rico, como ele mesmo se define, já começou a aplicar o dinheiro que ganha com publicidade e trabalhos como influenciador em investimentos de renda fixa, mais conservadores. “Não lutei para ganhar e (depois) perder”, explica.

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Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Gil também fala sobre como poderá ser uma voz de conscientização nas eleições de 2022 e a importância de discutir a distribuição de recursos públicos. A seguir, os principais trechos da conversa.

Não podemos deixar de começar esta conversa sem recorrer ao seu bordão mais famoso durante o ‘BBB’. O Brasil está lascado na economia?

Sim, o Brasil está lascado. As consequências da segunda onda da pandemia sobre a economia, o desemprego, a inflação. Fica difícil conseguir imaginar como vai ser a saída. Tem (saída)? Tem. Temos pessoas extremamente qualificadas no Brasil, mas tudo isso passa por uma gestão política que precisa mudar. Vivemos um pesadelo que não acaba nunca, e cada vez mais parece que fica pior. Além de a gestão ser não qualificada, ainda passou por uma pandemia, então as coisas ficaram mais lascadas do que estariam por si.

A pandemia trouxe para o debate a questão da desigualdade. Como ir do discurso à prática?

Precisa de fato de solução, mas ao mesmo tempo não pode tomar decisões que vão lascar ainda mais o cenário do nosso País. A gente está num momento em que temos pobreza, pessoas passando fome. Inicialmente não tem pra onde correr, precisa suprir o básico necessário. Esses programas sociais são o escape. De imediato, são a única alternativa de colocar comida na mesa das pessoas. Agora, a longo prazo, precisa de políticas que olhem o que realmente importa, que é sair de um cenário de País de remendos e conseguir ser um país de políticas efetivas.

Você tem abordado vários temas em suas redes sociais, como a polarização na política. Há polarização na economia?

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A gente precisa analisar o que está sendo feito pelos políticos. Sair um pouquinho do viés do extremismo e começar a analisar projetos, o histórico de cada candidato, se o que ele está propondo é factível. Existe um grupo de pessoas que ainda continua apoiando, e essas pessoas na verdade estão se cegando. Não é questão de amar, de não amar, de dar o braço a torcer ou não. É analisar os fatos e dizer ‘dei um voto de confiança, não fez, vou ser sincero com o que acontece’. No presente está ruim, está errado, precisa ser mudado.

Logo no início do ‘BBB’, você começou a dar explicações de termos econômicos. Você sabia que criaria um nicho?

Nunca imaginei. Na verdade eu sou muito emocionado, falo tudo o que vem na minha cabeça. Dificilmente teria inteligência suficiente para criar uma estratégia. Economia está em todo lugar. Hoje estava com uma repórter conversando e ela disse que não gostava de arrumar a casa, pagava R$ 50 para a irmã arrumar. A irmã gostava, porque arrumava um dinheiro, e ela gostava porque não tinha de fazer. É um conceito econômico. A economia está (aí) todo dia. Só que tem termos tão complexos que parece difícil. E parece que as pessoas gostam de usar palavras difíceis para que pareça mais difícil do que é.

Você também já disse que a crise só acaba quando o presidente Bolsonaro sair do poder. Como vê sua voz nas eleições?

Não sei se vou ter muita voz não, mas tenho a minha própria. Não estou nem aí. Como pessoa, não penso em seguidores, em Twitter, nada. Penso em mim mesmo, porque eu já dava baile, já falava a cachorrada e vou continuar assim.

Mas vai apoiar políticos em especial ou vai ser um vetor de conscientização?

Quero ser um vetor de conscientização. Pretendo pegar propostas, estudar, analisar, se possível até em algum momento conversar com um, dois, três. Eu tenho, assim, uma paixão, né? Sou oriundo de escola pública, sou bolsista, nordestino. Vou me abrir para ler propostas de todo mundo, exceto um.

Presidente Bolsonaro?

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(Risos) Olha, amiga, não tem nem o que fazer, né? Não tem nem o que dizer.

Medidas econômicas podem beneficiar o presidente em 2022 a ponto de a população esquecer o que aconteceu na pandemia?

Não, tá amarrado em nome de Jesus. Não apaga não. São quatro anos de sofrimento, né? Resultados econômicos não são vistos da noite para o dia. Temos de analisar o histórico do que aconteceu. Vidas foram perdidas. (A economia) não é capaz de interferir nos resultados. O brasileiro está muito consciente. A gente sabe o sufoco que passou nesse tempo. Não tem como favorecer a atual gestão, que é horrível.

O que políticos como Eduardo Leite, que se assumiu gay, representam para a comunidade LGBTQIA+?

Ter representatividade é importante, mas também ter pessoas que lutem pelas causas LGBTQIA+, que ele sabe por viver as repressões na pele.

Depois do ‘BBB’, muita gente pergunta se você vai conseguir focar nos estudos da pós-graduação. Vai ser difícil?

Vai ser é fácil! Estou é rico! Agora eu posso estudar, comer e estou de boa fé. Difícil era antes, pobre. Estudar pensando ‘se eu for jubilado, me lasquei, se não passar, me lasquei’. Existe uma pressão tão grande de quem abandona o emprego para viver de bolsa de estudos. Medo de perder a bolsa, medo de ser expulso do programa.

Você disse que está rico. Já conseguiu investir seu dinheiro?

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Fiz o meu perfil (de investidor) e deu conservadoríssimo. Super conservador. Não lutei para ganhar e (depois) perder. Só quero é ganhar. Tenho renda fixa, CDB, títulos do Tesouro. Diversifiquei. Não dá para colocar os ovos todos numa cesta, porque a cesta cai, quebra os ovos, eu tenho um enfarte!

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Tenha foco no amanhã, não no hoje

Percentual, juros, taxas e Selic (marchmeena29/GettyImages)

Talvez você não saiba, mas, na maioria esmagadora das vezes, você não deve tomar decisões de investimento com base nas manchetes dos jornais, revistas e principais veículos de comunicação.

O que vira manchete, notícia e bomba nas redes provavelmente já foi analisado, previsto e incorporado nos preços dos ativos disponíveis no mercado. Alguns exemplos:

Brasil tem a maior alta do desemprego em um único ano em 2020

Petrobras vê elevação no lucro mesmo com cenário econômico complexo no país

Juros no Brasil voltam a subir

Queda do PIB em 2020 marca pior ano para o país em décadas em termos de atividade

Investidores desavisados, ao lerem essas notícias, tanto positivas quanto negativas, tendem a tomar decisões de investimento no calor da emoção. Lê uma notícia negativa, retira seu dinheiro de ativos de risco. Lê uma notícia de lucro crescente em uma empresa ou de atividade do país acelerando, corre logo para a Bolsa.

Entretanto, deixam de olhar um fator extremamente importante ao se investir: as expectativas.

De nada adianta uma empresa apresentar um lucro mais alto do que no ano anterior se a expectativa dos analistas de investimento era de um lucro ainda maior – ou seja, o resultado decepcionou mesmo que tenha crescido de um ano a outro.

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Também não importa muito se a atividade em 2020 apresentou a maior queda nas últimas décadas no Brasil e no mundo, sendo que economistas já esperavam esse cenário em abril de 2020.

Os impactos decorrentes de uma notícia ou já foram incorporados ao preço do ativo ou serão quase que instantaneamente incorporados se a divulgação for uma surpresa para os economistas e analistas de investimento.

Foi o caso da alta de juros da semana passada, que elevou a taxa Selic de 2% para 2,75% ao ano, contra uma expectativa do mercado de 2,50%, ocasionando a uma elevação dos juros futuros no Brasil instantaneamente.

Três razões e um agravante

Nas últimas semanas, observamos uma piora no preço dos ativos no mercado brasileiro que atingiu principalmente títulos de renda fixa. Isso se deve a basicamente três fatores e um agravante, que foram e ainda continuam sendo bastante noticiados.

O primeiro foi a elevação de juros nos Estados Unidos, os quais influenciam os juros de outros países, incluindo os do Brasil. O segundo foi a preocupação com nossa situação fiscal, ou seja, com o nível da nossa dívida pública e uma possível continuidade do descontrole dos gastos do governo.

O terceiro foi uma alta da expectativa de inflação para os próximos meses, impulsionada pela alta do dólar recentemente.

Como se tudo isso já não fosse suficiente, intensificou o movimento de piora o fato de o Brasil estar atravessando o momento mais crítico da pandemia desde o início da crise sanitária, iniciada em março de 2020.

Mas sem levar em conta as últimas semanas ou as próximas, vamos tentar imaginar como o Brasil estará no fim do ano – afinal, situação fiscal complicada, pressão da inflação nos próximos meses e crise sanitária ao longo das próximas semanas já sabemos que vão continuar presentes nos noticiários.

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Se pensarmos nos três fatores que levaram à piora dos ativos brasileiros, no fim do ano, sua percepção de riscos quanto à nossa situação pode melhorar. E é nesse horizonte que você deve mirar, e não nos próximos dias.

E como a situação fiscal brasileira deverá se desenrolar nos próximos meses até o fim do ano?

A PEC Emergencial, que cria um arcabouço fiscal robusto para o país, foi aprovada pela Câmara dos Deputados há apenas duas semanas. O cenário de inflação deve apresentar alívio até o fim do ano, já que o Banco Central iniciou o ciclo de alta de juros na semana passada.

E a situação pandêmica, que hoje atravessa seu pior momento, deve estar bem mais encaminhada, uma vez que observamos o número crescente de vacinação da população e já temos contratada uma quantidade de vacinas maior do que o número de habitantes para 2021.

Mas o fato é que você não vai ver essas informações nas principais manchetes dos veículos de comunicação. Por isso, precisamos pensar um pouco fora da caixa – e, inclusive, a piora recente dos mercados pode até se traduzir em oportunidade para aumentar um pouco o risco da sua carteira.

Lembre-se: risco e oportunidade andam de mãos dadas. Dificilmente você encontrará a possibilidade de realizar algum ótimo investimento em um momento tranquilo de mercado.

Retorno de empresas brasileiras retrocede 11 anos com pandemia

A pandemia do novo coronavírus acelerou a queda da rentabilidade das empresas brasileiras para o menor nível desde 2009. A taxa de retorno chega a ser mais baixa do que o custo de capital, que representa o preço do dinheiro para a empresa, segundo nota do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec/Fipe), referente ao mês de setembro. Na prática, isso significa que os investimentos podem demorar um pouco mais para voltar, o que tornaria a retomada da economia mais lenta.

Segundo o trabalho, que avaliou a situação financeira de 460 empresas no País, os investimentos das companhias caíram de 4,33% do Produto Interno Bruto (PIB), no ano passado, para 2,79%, no segundo trimestre de 2020. A queda interrompeu um ciclo de alta iniciado a partir de 2016, quando havia despencado para 2,47%.

Segundo Carlos Antonio Rocca, coordenador do Cemec/Fipe e responsável pelo trabalho, duas variáveis têm correlação positiva com a decisão das empresas de investir. Uma delas é a expectativa de crescimento da demanda. A outra está relacionada à rentabilidade e o custo do dinheiro. Quando a taxa de retorno cobre o custo médio de capital, a situação para as companhias investirem é favorável.

Pelos dados do Cemec, no entanto, o País vive uma situação inversa: no segundo trimestre, a remuneração do capital estava em 7,4% ao ano enquanto o custo do capital era de 11,4%. Em 2009, esses números eram de 11,5% e 11,4%, respectivamente.

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O mesmo ocorre com a taxa de retorno do acionista, que no segundo trimestre estava mais baixa que os juros médios pagos numa aplicação em títulos públicos atrelados à Selic – taxa básica da economia.

Na lista do Cemec, aparecem empresas como Embraer, Via Varejo e Tecnisa, entre muitas outras. Em todos eles, a taxa de retorno do acionista despencou.

Procuradas, as empresas não quiseram falar do assunto. Mas, em entrevista concedida ao Estado no início da semana, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que o plano estratégico para 2021-2025 traz “uma perspectiva boa de crescimento e de melhora de rentabilidade” da empresa.

Capacidade ociosa

Rocca acrescenta que, além da taxa de retorno e custo do capital, outros fatores importantes pesam na decisão de investimentos das empresas. Um deles é a elevada capacidade ociosa das companhias, que já estava baixa antes mesmo da covid-19. “O problema é que a expectativa é que o PIB só retorne aos níveis de 2019 em 2022 ou 2023”, diz o coordenador do Cemec.

Segundo ele, todos os fatores para a tomada de decisão de investimentos não estão bons. Exemplo disso, é que os níveis de confiança caíram e de incerteza subiram. Apesar de uma melhora em relação aos primeiros meses da pandemia, os indicadores estão distantes dos patamares de 2018 e 2019.

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Para o presidente da Trevisan Escola de Negócios, VanDyck Silveira, o grande do problema do Brasil é que ano após ano o País investe menos que o resto do mundo e que os demais emergentes. “Vivemos um processo de estagnação que coaduna com um processo de aumento de inflação, que começa a aparecer, perda de emprego e renda e um cataclisma fiscal.”

Na avaliação dele, se o País não fizer as reformas necessárias, esse quadro não vai mudar e continuaremos com perspectivas sofríveis de investimentos. “Ou a empresa é grande e tem capacidade de buscar fontes de recursos fora ou não se consegue investir.” Nesse quadro, é mais vantajoso colocar o dinheiro em aplicações financeiras do que investir na produção.

Dívida financeira saltou 24,1% entre dezembro e junho

A dívida financeira bruta das empresas avaliadas pelo Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec/Fipe), sem considerar Petrobrás, Eletrobrás e Vale, teve aumento de 24,1% em junho comparado com dezembro de 2019. O valor alcançou R$ 1,446 trilhão.

Segundo o trabalho, esse aumento é decorrente do aumento das operações de crédito bancário, favorecido pelas medidas emergenciais de aumento da liquidez adotadas pelo Banco Central a partir de março de 2020, e também do impacto da desvalorização cambial sobre o valor em reais da dívida em moeda estrangeira.

A participação da dívida em moeda estrangeira no total saltou de 27,9%, em 2019, para 34%, no segundo trimestre deste ano. Já a proporção de empresas grandes com endividamento considerado excessivo saltou para 25,4% em junho de 2020 – nível próximo do observado em 2016.

Para Carlos Antonio Rocca, do Cemec, apesar da queda na geração de caixa e aumento da dívida e das despesas financeiras, os principais indicadores de solvência e liquidez ainda se situam em níveis menos preocupantes do que os observados em 2015 e 2016.

É importante lembrar, no entanto, que a amostra é constituída principalmente de empresas “médias grandes e grandes”, não sendo, portanto, representativa da grande massa de pequenas e médias empresas brasileiras, destaca o estudo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Setor elétrico tem boas ações para uma carteira anti-inflação, mas o segredo está no balanço

ações índices fundos investimentos bolsa alta gráficos (Shutterstock)

SÃO PAULO – A inflação voltou a ser pauta na economia brasileira. Se os 3,14% de aumento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses confirmados nesta sexta-feira (9) não parecem tão assustadores assim (sendo mais preocupante a alta dos preços dos alimentos), os 17,94% de aumento do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) no mesmo período são bem mais alarmantes.

Vale lembrar que enquanto o IPCA segue uma cesta básica de mercadorias e serviços consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários-mínimos, o IGP-M reflete os preços do atacado e das atividades do agronegócio e da indústria.

Em uma realidade de taxa Selic em 2% ao ano, esses números chamam a atenção dos investidores, pois o rendimento dos títulos de renda fixa mais seguros já é menor que o da inflação. A solução, invariavelmente, é migrar para a renda variável.

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Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, ressalta que o Ibovespa entregou uma rentabilidade média de 18,7% ao ano contra uma inflação média de 13,2% ao ano desde o início do Plano Real. “Isso comprova que ações são ativos reais, pois as companhias têm a capacidade de repassar preços e crescer lucros em um cenário de inflação”, argumenta.

Fonte: Bloomberg

Contudo, a pergunta que fica é: dentro da Bolsa quais são as ações que mais se beneficiam do cenário de inflação mais alta?

Os analistas Marcelo Sá, Fernando Zorzi e Luiza Candiota, do Itaú BBA, apontaram em relatório que existem boas oportunidades no setor elétrico.

“No segmento de distribuição de energia, companhias com contratos de concessão mais antigos irão se beneficiar do IGP-M alto, ao passo que não haverá qualquer impacto para os novos contratos de concessão”, concluem os especialistas.

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Isso ocorre porque nos contratos antigos a Parcela B, que são os custos diretamente gerenciáveis pela distribuidora (custos operacionais, cota de depreciação, remuneração do investimento e outras receitas), são ajustados pelo IGP-M nos ajustes tarifários anuais. Já para os contratos novos de concessão, a Parcela B é ajustada pelo IPCA.

“As distribuidoras com contratos de concessão antigos ganharão eficiência nos reajustes tarifários porque suas Parcelas B aumentarão muito mais do que suas despesas controláveis”, explicam os analistas do Itaú.

Desse modo, quanto mais distante estiver o prazo para renovação da concessão melhor para a distribuidora que ainda usa contratos antigos. As empresas mais bem posicionadas de acordo com o Itaú BBA neste cenário são a Neoenergia (NEOE3) e a Energisa (ENGI11).

O potencial de criação de valor projetado pelos analistas por conta da diferença entre IGP-M e IPCA para essas duas companhias está em 11,1% do valor de mercado total da Neoenergia e 9,4% da Energisa.

Enquanto isso, os negócios de distribuição da CPFL (CPFE3) ganhariam 5,5%, os da EDP – Energias do Brasil (ENBR3) aumentariam e 4,7% e os da Equatorial (EQTL3) se expandiriam em 4,4%. Cemig (CMIG4) e Copel (CPLE6) não ganham nada com o diferencial inflacionário em distribuição de energia.

No setor de transmissão de energia, por sua vez, o fluxo de caixa já começou a ser mais positivo para as companhias expostas ao IGP-M. Em torno de 63,7% da receita anual da Taesa (TAEE11) está atrelada ao IGP-M, contra 42% da Alupar (ALUP11) e apenas 0,3% da Isa CTEEP (TRPL4).

Já entre as geradoras, a maioria tem Acordos de Compra e Venda de Energia (PPAs, na sigla em inglês) ajustados pelo IPCA, mas há exceções.

A CPFL tem 53,9% dos seus PPAs atrelados ao IGP-M, a Cemig tem 30%, a Engie (EGIE3) possui 17,4%, a EDP registra 16,6% e Eletrobras (ELET3; ELET6) tem 11,1% dos PPAs nesse índice inflacionário.

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Os analistas do Itaú estimaram o quanto essas geradoras irão ganhar em lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) por conta da diferença entre o IGP-M e o IPCA.

A maior vencedora em ganho absoluto, pelo cálculo da equipe de análise do banco, seria a Cemig, que deve aumentar em R$ 225,8 milhões seu Ebitda por ano. Logo em seguida vem a CPFL, que pode expandir em R$ 218,7 milhões seu Ebitda. Engie, ganharia R$ 218,4 milhões, Eletrobras aumentaria em R$ 203,5 milhões e EDP geraria mais R$ 87,2 milhões.

Outro banco que pensou em ações capazes de proteger a carteira do investidor contra a inflação foi o Bank of America (BofA), que também cita companhias com contratos atrelados a índices inflacionários.

No caso, todavia, os analistas lembraram que, além das elétricas, ações como de shoppings, imobiliárias (contratos reajustados conforme a inflação), farmácias (os preços dos medicamentos são indexados à inflação) e empresas com poder de mercado o bastante para influenciar nos preços, tais quais os supermercados, operadoras de telecomunicações, peças automotivas, algumas commodities e companhias de meios de pagamento.

Entre as empresas de maior correlação com IGP-M estão nomes como Carrefour (CRFB3), BR Malls (BRML3) e CSN (CSNA3).

Carrefour também possui uma correlação relevante com o IPCA, assim como Cielo (CIEL3), Embraer (EMBR3) e IRB Brasil (IRBR3).

Vale lembrar, contudo, que mesmo sabendo que nesses setores que possuem uma exposição maior de suas receitas à inflação, é preciso ter cautela e ficar bem atento ao balanço. Além disso, no caso de empresas como de shoppings, a pandemia pode levar a adiamento no reajuste de contratos.

Cuidado na análise

Renato Pinto, analista da Eleven Financial Research, ressalva que apesar de ser bom para as receitas das companhias elétricas no curto prazo o aumento do IGP-M, é preciso ficar atento aos demais itens do balanço dessas empresas para não cair em ciladas.

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“Se a companhia tiver receita atrelada ao IGP-M, mas a dívida dela tiver juros num índice parecido não adianta nada a elevação do faturamento”, explica.

Para ele, inflação persistente é sempre ruim, até porque a reação dos governos costuma ser imprevisível. “No setor de saneamento a Sanepar (SAPR11) teve um reajuste de 9% proposto pelo órgão regulador e o estado não deu”, alerta.

Em suma, o analista da Eleven destaca que se a inflação aumentar apenas no curto prazo e a empresa não tiver dívidas denominadas em IGP-M, o cenário acaba sendo positivo. De outro modo, os ganhos não são o bastante para compensarem os impactos deletérios de um aumento geral nos preços.

Renato Pinto defende uma estratégia mais simples, focada em antecipar os movimentos do investidor institucional diante de um quadro de recessão no qual se buscam ativos defensivos. “A baixa exposição de uma Isa CTEEP, por exemplo, a variações no [Produto Interno Bruto] PIB, a torna uma boa opção defensiva apesar da empresa não ter tanta receita atrelada ao IGP-M.”

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Com entrada a partir de R$ 100, XP lança fundo focado em liderança feminina

Os chamados investimentos com propósito estão ganhando espaço em uma sociedade que valoriza cada vez mais empresas com boas práticas socioambientais e de governança. Reflexo desta realidade é o leque crescente de produtos de investimentos desenhados para possibilitar aportes que tragam retorno e, ao mesmo tempo, carreguem uma estratégia de valor para a sociedade. A mais nova iniciativa do mercado brasileiro é o fundo “Trend Lideranças Femininas”, lançado pela XP Inc.

A arquitetura desenhada para o produto permite que o investidor de varejo tenha acesso ao mercado de ações americano, com aportes em empresas que valorizam lideranças femininas. A busca por igualdade de gênero também é estimulada localmente, parte da taxa de administração destinada ao Instituto As Valquírias, que qualifica mulheres em situação de vulnerabilidade social.

“Na própria XP, temos um Coletivo que adota iniciativas que deem mais equidade de gênero no ambiente de trabalho e com pouco tempo de atuação já temos resultados. O fundo lançado é outro passo da XP nesta jornada, não será o último”, comenta Marta Pinheiro, sócia-diretora de ESG da XP.

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A executiva se refere ao compromisso da empresa de elevar o número de mulheres no ambiente. Em julho e agosto, 40% das contratações na XP foram de mulheres, um recorde interno. “Passamos de 22% para 22,5% de mulheres na empresa, pode não parecer muito, mas é um bom começo.”

Beatriz Vergueiro, head de produtos ESG da XP, acrescenta que a proposta é colaborar para mudar esta realidade e, ao mesmo tempo, oferecer ao investidor um produto atrativo. “O fundo permitirá o acesso a ações de empresas globais, que admiramos e que já avançaram na diversidade de gênero”, comenta Beatriz, citando papeis do fundo como PayPal, no Brasil sob o comando da CEO Paula Paschoal, Netflix, que tem Bozoma Saint John como diretora de Marketing e a Johnson & Johnson, com quatro diretoras abaixo do CEO.

Estratégia
O fundo “Trend Lideranças Femininas” é um multimercado, mas que replicará a performance do ETF (Exchange-traded fund) denominado SHE, criado nos EUA pelo State Street Global Advisors. “Basicamente, é um fundo que acessa um fundo listado na Bolsa americana que segue um índice de diversidade de gênero”, resume José Tibães, head de Fundos de Investimento da XP Inc, acrescentando que é mais um produto da família Trend (fundos indexados). Recentemente, a XP lançou fundos Trends de Bolsa Chinesa, de Bolsa Americana e de Tecnologia.

O ETF tem como base o índice SSGA Gender Diversity Index, composto por ações de empresas americanas que façam parte do grupo das mil maiores da bolsa com critérios que consideram a proporção de mulheres no conselho de administração e em cargos executivos (vice-presidente sênior ou superior) de 11 setores. São escolhidas as companhias com as maiores proporções de mulheres nos cargos executivos, ponderados por setor para que tenha diversificação.

O resultado é um portfólio com 168 companhias, revisado anualmente. “Na escolha do fundo selecionamos um com relevância, com mais de US$ 133 milhões, ou R$ 700 milhões, em patrimônio. Está no mercado americano desde 2016 e vem entregando, nos últimos 3 anos, 8,8% de retorno anualizado”, afirma José Tibães.

Acesse esse e outros fundos. Abra uma conta gratuita na XP.

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Investimento a partir de R$ 100
Hoje, o principal setor na carteira é o de tecnologia, com 30,78% de participação, seguido por consumo cíclico 15,47% e Saúde, 15,16%. O investimento mínimo é a partir de R$ 100 com prazo de resgate em D+6 – seis dias após a solicitação – e não tem risco cambial. Até o fim do ano, projeta Tibães, a expectativa é que o fundo Trend Lideranças Femininas” tenha captado R$ 100 milhões. “Quando pessoas começarem a ver a rentabilidade, além da parte social a curva empina e o produto tem potencial para chegar a R$ 500 milhões ou R$ 1 bi em período relativamente curto.”

A taxa de administração é outro diferencial do produto, do ponto de vista tanto do investidor quanto social. “Todas as áreas se envolveram para conseguirmos fazer um produto muito acessível e interessante ao investidor brasileiro, de forma que fosse sustentável”, comenta Marta, se referindo à taxa de administração de 0,50%. “É uma taxa agressiva, diminuímos o máximo possível.”

Empoderamento feminino
Além disso, 20% da taxa será revertida para colaborar com o empoderamento feminino no Brasil, por meio do Instituto As Valquírias, que utiliza arte, educação e esporte para formar meninas e mulheres mais preparadas para trabalhar e empreender. “Lutamos para que o tema desigualdade de gênero em breve apareça apenas nos livros de história”, comenta Amanda Oliveira, fundadora e CEO do Instituto. A estimativa é que o dinheiro doado pela XP ajude a formar, na estimativa mais modesta, 700 mulheres diretamente, com um impacto indireto na comunidade atingindo 3400 pessoas.

Sobre a escolha por lançar um fundo multimercado que aporta recursos exclusivamente no exterior, comenta Marta Pinheiro, foi fruto da necessidade. “Para dar resultado, com retorno consistente e uma amostra relevante de empresas, não tinha como fazermos localmente ou mesmo de forma mista.” A sócia-diretora de ESG da XP acrescenta que há grupos de discussão para ver como trazer esta característica para o mercado local. “Fica a provação para nós e para todo o mercado buscar melhores práticas e outros diferenciais para fazer algo bacana aqui.”

Acesse o Trend Lideranças Femininas com uma conta gratuita na XP.

LEIA O PROSPECTO, O FORMULÁRIO DE INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES, LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS E O REGULAMENTO ANTES DE INVESTIR. RENTABILIDADE PASSADA NÃO REPRESENTA GARANTIA DE RENTABILIDADE FUTURA. A RENTABILIDADE DIVULGADA NÃO É LÍQUIDA DE IMPOSTOS. PARA AVALIAÇÃO DA PERFORMANCE DE UM FUNDO DE INVESTIMENTO, É RECOMENDÁVEL A ANÁLISE DE, NO MÍNIMO, 12 (DOZE) MESES.  FUNDOS DE INVESTIMENTO NÃO CONTAM COM GARANTIA DO ADMINISTRADOR, DO GESTOR, DE QUALQUER MECANISMO DE SEGURO OU FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO – FGC. INVESTIMENTOS NOS MERCADOS FINANCEIROS E DE CAPITAIS ESTÃO SUJEITOS A RISCOS DE PERDA SUPERIOR AO VALOR TOTAL DO CAPITAL INVESTIDO. AS INFORMAÇÕES PRESENTES NESSE MATERIAL TÉCNICO SÃO BASEADAS EM SIMULAÇÕES E OS RESULTADOS REAIS PODERÃO SER SIGNIFICATIVAMENTE DIFERENTES. DESCRIÇÃO DO TIPO ANBIMA DISPONÍVEL NO FORMULÁRIO DE INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES.

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Transporte Marítimo é oportunidade para quem quer se proteger da volta da inflação global

O setor de transporte marítimo é importantíssimo para o comércio mundial, com cerca de 90% de market share. Ele é composto de vários subsetores, como o de gás LPG, LNG, os dry bulkers, dirty tankers, clean tankers e containers, cada um com sua própria dinâmica.

Para aqueles que acreditam na volta da inflação no mundo, esse setor pode conter boas oportunidades. Isso, porque o setor, tradicionalmente, é um excelente hedge contra o aumento de preços por vários motivos.

Primeiro, o preço dos navios, que são os principais ativos das empresas, sobe. Isso é esperado, já que são ativos reais e, num ambiente de inflação, esses tendem a se defender melhor, assim como as commodities e outros ativos reais em geral.

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Segundo, os fretes marítimos sobem, em função da maior demanda por produtos, já que as pessoas querem trocar a moeda em desvalorização por ativos que estão ficando cada vez mais caros.

Terceiro, a maior parte dessas empresas opera com alto endividamento. Como a dívida é constante em termos nominais, em um ambiente inflacionário, ter dívida não-reajustável é bom e, ceteris paribus, quanto mais, melhor.

Além dos fatores acima, há ainda o fato de várias dessas companhias terem hoje balanços mais sólidos que nos últimos anos, o que reduziu significativamente os riscos. Como os custos operacionais são essencialmente fixos e os fretes marítimos estão em ascensão, a alavancagem operacional faz com que a lucratividade delas aumente rapidamente.

Mais, várias empresas estão sendo negociadas bem abaixo do NAV, ou valor líquido dos ativos, dando uma margem de segurança aos compradores. Apenas para exemplificar, a ADS anunciou semana passada que vendeu um navio (dirty tanker) de sua frota por US$25,5 milhões. Esse navio estava cotado a US$14,6 milhões, de acordo com o preço em bolsa da empresa, um desconto de quase 50%.

O desempenho do setor na bolsa tem sido um desastre, com os preços das ações caindo cerca de 90% no agregado desde 2010, conforme gráfico abaixo. Por isso mesmo, acredito que possa haver oportunidade.

Saiba como a Brasil Capital escolhe a carteira de ações dos seus fundos

Criada no início de 2008, a Brasil Capital é uma empresa independente de gestão de recursos dedicada a investimentos de longo prazo em empresas brasileiras negociadas em bolsa de valores. Originalmente focada na gestão de recursos proprietários, a estrutura da empresa foi expandida e, atualmente, gere recursos proprietários e de terceiros, incluindo clientes institucionais brasileiros e estrangeiros, pessoas físicas e family offices.

Com foco na análise fundamentalista, a equipe da Brasil Capital é composta por 18 profissionais, sendo 10 sócios, dos quais 9 são integralmente dedicados à análise de empresas.

“Nossa equipe foi montada ao longo desses 12 anos com pessoas de formação complementar, capacidade crítica, espírito empreendedor, objetivos comuns e larga experiência no mercado de capitais brasileiro”, afirma Juliana Moreira Klarnet.

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A Brasil Capital analisa profundamente o modelo do negócio das empresas investidas, assim como seus times de gestao e também a margem de segurança precificada em cada negócio. A carteira do fundo tem em torno de 20 empresas. Há mais de quatro anos, a Brasil Capital iniciou a parceria com a XP Inc, oferecendo ao investidor individual os produtos da Gestora.

Meritocracia
A empresa é uma partnership e todos os seus membros são incentivados e elegíveis a se tornarem sócios, de acordo com desempenho, meritocracia e alinhamento de interesses.

“Damos muita ênfase à nossa cultura, aos nossos processos na tomada de decisão, reputação e a construção de um track record sólido e consistente.  As bases do nosso negócio são ética, transparência, cultura de dono e meritocracia, com obstinação pelos melhores resultados e respeito total ao cliente”, completa Juliana Moreira Klarnet.

Importante: A publicação acima é um conteúdo patrocinado, sendo que a Infostocks Informações e Sistemas Ltda. (“InfoMoney”) não tem qualquer responsabilidade pelo conteúdo e informações disponibilizadas, não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações, não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. O autor ou empresa responsável pelo conteúdo estão indicados na própria publicação.

Sam Zell vê economia marcada permanentemente após pandemia e diz que não encontrou nada para comprar

Sam Zell (Foto: Getty Images)

(Bloomberg) — Sam Zell, bilionário conhecido por comprar ativos imobiliários de risco, disse que a pandemia de coronavírus causará o mesmo tipo de impacto na economia e na sociedade que a Grande Depressão há 80 anos. Ele antecipa mudanças duradouras no comportamento das pessoas, que colocarão em risco muitos modelos de negócios.

“Muitas pessoas estão antecipando um tipo de recuperação em forma de V”, disse Zell em entrevista à Bloomberg Television. “Todos nós ficaremos permanentemente marcados por ter vivido isso.”

Assim como a Depressão deixou para trás uma geração que não conseguiu esquecer a experiência do desemprego em massa, fome e desespero, os problemas que a atual crise impôs à sociedade podem ser igualmente difíceis de esquecer. Zell, de 78 anos, disse que não será fácil para as pessoas viverem como viviam antes do “choque extraordinário” causado pela pandemia.

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Ele espera que um certo distanciamento social e trabalho em casa persistam por muito tempo após o término da fase aguda do surto, possivelmente por anos. Varejo, hospitalidade, viagens, entretenimento ao vivo e esportes profissionais são alguns dos setores que poderão seguir com dificuldades, segundo Zell.

“Quando alguém entrará em um avião? Quando alguém se hospedará em um hotel? Quando alguém irá a um shopping?”, perguntou. “O fato de esses lugares estarem abertos não significa necessariamente que farão negócios.”

Nada para comprar

Zell discorda da opinião convencional de que grandes cidades como Nova York estão condenadas e que depósitos são a aposta mais inteligente no setor imobiliário comercial.

Por enquanto, o investidor que ficou conhecido comprando imóveis de risco na década de 1970, observa os fatos à margem. Como Warren Buffett, Zell não encontrou nada que quisesse comprar desde o início da pandemia. Parte do problema é a falta de ofertas.

“Os vendedores que queriam vender ainda se lembram dos preços que estavam disponíveis sete ou oito semanas atrás. Os compradores olham para um mundo muito diferente e esperam obter descontos significativos”, disse. “Quando você tem uma diferença tão grande, nada acontece.”

Os próprios investimentos de Zell – concentrados no setor imobiliário e que incluem desde campings nos EUA a shopping centers na América Latina – mostram desempenho diverso. Em um projeto, uma ponte chamada Cross Border Xpress, que conecta a Califórnia ao Aeroporto Internacional de Tijuana, no México, os negócios caíram 90%. No entanto, na Ardent Health Services, rede hospitalar dos EUA, “o impacto quase não foi sentido”, além das proibições do governo de cirurgias eletivas, disse.

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Todas as manhãs, Zell conversa com seus gerentes pelo Zoom de seu escritório com vista para o rio Chicago. Recentemente, foi informado sobre a situação da Equity Residential, sua maior empresa de capital aberto.

As ações do fundo de investimento imobiliário, um dos maiores proprietários de apartamentos nos EUA, acumulam queda de quase 30% desde o final de fevereiro. Os aluguéis, no entanto, têm mostrado resistência, e Zell não espera mudanças significativas nos pagamentos mensais.

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Customer Experience: como a Monte Bravo fideliza seus clientes

Monte Bravo Os sócios-fundadores Pier Mattei e Filipe Portella com o prêmio de Melhor Atendimento do país

Mais uma vez a Monte Bravo desponta em relação aos escritórios de investimentos do País.

Buscando se tornar uma referência na qualidade e encantamento de clientes, a empresa criou um projeto de customer experience para oferecer a melhor experiência para seus investidores.

Em meio a turbulência causada no mercado financeiro pelo impacto do coronavírus, toda a equipe de customer experience, assessores, mesa de ações e outras áreas de empresa se uniram em uma força-tarefa com o objetivo de acalmar os clientes.

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O resultado não poderia ser melhor, já que a palavra de especialistas foi fundamental para quem estava perdido com informações desencontradas após tantos ‘circuit breakers’.

Conselho de clientes

As ações, no entanto, não se resumem a temas pontuais.

Umas das principais atividades promovidas pelo time de customer experience é o conselho de clientes.

“Convidamos cinco clientes de perfis distintos para eles nos contarem o que acreditam que pode ser melhorado em todo o nosso processo”, explica Kinley Vasconcellos, responsável pelo CX da Monte Bravo.

A ideia é que esses encontros sejam feitos bimestralmente e que os colaboradores recebam feedback dos pontos apresentados.

Pioneirismo

O projeto, idealizado pelos dois sócios-fundadores —  Pier Mattei e Filipe Portella — segue alguns exemplos do que já é feito em empresas de private banking no exterior, mas é pioneiro entre os escritórios de investimentos do País.

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A decisão de trabalhar com a experiência do cliente faz parte de toda estratégia de transformação digital que a Monte Bravo está passando.

“CX é um ponto que se integra à transformação digital da empresa. Estamos automatizando e, com isso, tornando mais ágil toda a jornada do nosso cliente”, comenta Vasconcellos.

É por isso que a opinião do investidor que é assessorado pela Monte Bravo é importante.

“Usamos esses insumos para melhorar nossos treinamentos, a experiência interna dos nossos colaboradores e nossos produtos”, complementa.

Dessa maneira, a Monte Bravo, que ganhou quatro vezes como o melhor atendimento de toda rede filiada à XP, busca novamente levar o prêmio para a casa.

Kinley Vasconcellos, responsável pelo CX da Monte Bravo.

Monte Bravo

A Monte Bravo, filiada à XP Investimentos, completa 10 anos em 2020.

Com grupo dedicado, possui R$ 7 bilhões sob custódia e mais de 7 mil clientes.

A empresa possui escritórios em São Paulo, Porto Alegre Rio de Janeiro, Goiânia, Belo Horizonte, Caxias do Sul e Santa Maria, e tem um time composto por mais de 200 profissionais.

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Índices ESG serão maiores que indicadores tradicionais, diz MSCI

(Bloomberg) — O investimento responsável será grande: a tal ponto que a MSCI Inc. agora espera que seus índices ESG atraiam mais seguidores do que as ofertas tradicionais de indicadores de referência.

O provedor de índices já possui cerca de mil indicadores de ações e renda fixa que medem empresas e governos em 37 questões relacionadas a investimentos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). Exemplos: temas como valores católicos ou islâmicos, liderança das mulheres e metas de baixo carbono.

Remy Briand, chefe de pesquisa ESG da MSCI, vê mais dinheiro rastreando esses parâmetros “ao longo do tempo” do que índices ponderados pelo valor de mercado. Ativos sob gestão que seguem indicadores ESG da empresa provavelmente dobrarão em 2020, dando seguimento à tendência do ano passado, disse Briand em entrevista por telefone.

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O investimento “do bem” acelerou globalmente, com pelo menos US$ 30,7 trilhões em aplicações sustentáveis ou ecológicas em 2018, de acordo com a Aliança Global para Investimentos Sustentáveis. Essa provou ser uma oportunidade de negócio lucrativa para provedores de índices: a receita de indicadores ESG da MSCI deve ter crescido entre 60% e 65%, para US$ 38 milhões em 2019, segundo Colin Plunkett, analista da Morningstar. A receita operacional para a divisão geral de índices foi de US$ 921 milhões no ano passado, um aumento de 10% em relação a 2018, informou a MSCI em 30 de janeiro.

Vários estudos mostraram que empresas mais sustentáveis tendem a registrar melhor desempenho a longo prazo. O índice MSCI ACWI ESG Leaders acumula alta superior a 50% nos últimos cinco anos, superando o avanço de cerca de 35% do índice MSCI All-Country World. Ações de tecnologia e finanças têm as maiores ponderações em ambos, respondendo por mais de 30% dos indicadores.

Os compiladores de índices geralmente ganham dinheiro fornecendo às empresas de investimento acesso a dados e licenciando indicadores para a criação de produtos financeiros. A MSCI também oferece um sistema de classificação ESG e pesquisa sobre o assunto para ajudar gestores de ativos a criarem portfólios.

Certamente, um problema comum em investimentos com consciência social e ambiental é a chamada lavagem verde por empresas que usam etiquetas ou publicidade enganosas para criar ilusão de responsabilidade ambiental.

Gestoras de ativos como a BlackRock enfrentaram uma ira ativista por não estarem fazendo o suficiente, e hedge funds foram lentos em adotar as estratégias, citando dados inconsistentes e falta de expertise.

Embora possa levar décadas para superar os índices tradicionais, “minha visão pessoal é que a mudança para o ESG acontecerá muito mais rapidamente do que a maioria das pessoas esperaria”, porque a adoção está se acelerando em ritmo “surpreendente”, segundo Briand.

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